A agressão e prisão de um fotógrafo do jornal Agora nas dependências da Câmara Municipal é apenas mais um episódio triste que a casa tem enfrentado nos últimos tempos. O profissional pretendia fotografar o interior de um dos gabinetes para mostrar que faltaria espaço para os quatro estagiários que os vereadores foram autorizados a contratar. Um dos seguranças interferiu, a polícia militar que atua na Câmara agiu e a confusão se formou.
O nervosismo de integrantes da Câmara, a começar pelos vereadores, se justifica. Somente nessa quarta-feira eles eram pressionados a falar sobre três denúncias: a fraude no painel de votação, a tentativa de interferência nas decisões do conselho municipal do patrimônio histórico e a própria medida que autoriza a contratação dos 234 estagiários que servirão para atuar nos escritórios políticos dos vereadores.
Semana passada, apareceu, ainda, a denúncia de fraude no concurso para técnico administrativo organizado pela Vunesp.
Não bastassem as trapalhadas, ainda há outro assunto a incomodar os vereadores: a contratação da empresa responsável pelo site da Câmara. Os padrinhos das fornecedoras que disputam o direito a explorar o serviço não estão se entendendo.
O inferno astral na Câmara se iniciou em maio quando foi aprovado projeto que autorizava o aumento dos gastos nos gabinetes dos vereadores, e permitia o uso do dinheiro público para a manutenção de escritórios políticos nos bairros que funcionam como comitês eleitorais.
Aliás, a decisão tomada ainda no primeiro semestre, vetada pelo prefeito Gilberto Kassab e reafirmada pelos vereadores, está sendo investigada pelo Ministério Público, como mostrou o CBN SP dessa quarta-feira.
Se os promotores encontrarão alguma irregularidade não se sabe ainda, mas que alguém rogou uma urucubaca aos vereadores, não tenha dúvida.