
Uma carta enviada a jornalista Fátima Souza abriu as portas da cela de dois integrantes do PCC à repórter e lhe permitiu ouvir a versão de presos que estiveram envolvidos na Operação Castelinho, uma emboscada montada pela polícia de São Paulo, que acabou com a morte de 12 pessoas supostamente ligadas a organização, próximo da cidade de Sorocaba, em março de 2002.
A conversa com Marcos Massari e Gilmar Leite Siqueira durou seis horas, tempo suficiente para eles contarem como foram arregimentados pelo Gradi (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância), quais promessas receberam, e os motivos que levaram a operação a se realizar no pedágio da rodovia Senador José Ermírio de Moraes, também conhecida por Castelinho, e contra aquela quadrilha. Detalhes que jamais foram relatados a jornalistas, pois o governo do Estado nunca autorizou o contato deles com repórteres. Para entrar no presídio, Fátima se passou por visita.
O privilégio oferecido pelos presos é resultado de dez anos de investigação que se iniciou em uma série de reportagens nos presídios de São Paulo. Em 1997, Fátima Souza denunciou o aparecimento de uma organização que comandava roubos, sequestros e assassinatos de dentro da cadeia. O governo do Estado não admitiu a existência de tal grupo que foi ganhar destaque anos após com a mega-rebelião nos presídios paulistas.
Com 25 anos de profissão, Fátima Souza reuniu as histórias da organização no livro-reportagem “PCC – A Facção”, lançado nesta semana pela editora RCB, já à venda pela internet. Ela foi repórter policial das emissoras de televião SBT, Cultura, Band, Record e do jornal Diário de São Paulo.