Associação de moradores critica “Reizinho do Luxo”


Empreendimento pode gerar riscos ao meio ambiente e qualidade de vida

O empresário José Auriemo Neto conseguiu algo inusitado no mundo das celebridades: emplacou pela segunda vez capa da revista Veja São Paulo – um espaço nobre para os paulistanos, reservado aqueles que se destacam na sociedade.

Neste fim de semana, a imagem de Auriemo vem acompanhada do título “O Novo Reizinho de Luxo”. A manchete que aparenta ironia se justifica na reportagem principal da publicação que teceu elogios ao empresário paulistano, lembrando que com apenas 31 anos “está à frente de um supercomplexo imobiliário AAA na Marginal Pinheiros, é o maior sócio da rede de hotéis Fasano, virou parceiro da Daslu e lança um condomínio para milionários”.

O destaque ao dono do aglomerado residencial e comercial que se forma ao lado da congestionada Marginal Pinheiros chamou atenção da Sociedade dos Moradores do Morumbi que, desde o anúncio do investimento na região, tem buscado reduzir o impacto que a obra terá no meio ambiente e na qualidade de vida dos moradores.

Carlos Magno Gibrail que está no comando da entidade descreveu, em mensagem enviada a este blog e a revista Veja SP, as várias tentativas feitas para obter as informações sobre o estudo de impacto de vizinhança, obrigatório para obras daquela dimensão.

A intervenção do vereador José Police Neto (PSDB), a pedido da Sociedade, e os requerimentos em busca das respostas que poderiam dar mais segurança aos moradores sobre os riscos que a região enfrentará com a conclusão do empreendimento, não foram suficientes para sensibilizar o empresário.

Segundo Gibrail, por duas vezes os representantes da associação foram recebidos pessoalmente por Auriemo, mas em nenhuma foi oferecido documento ou esclarecimento sobre os efeitos da obra na região.

Auriemo, em entrevista ao CBN SP, quando o empreendimento foi lançado, disse que o shopping center não iria gerar tráfego a área residencial porque o acesso seria na Marginal Pinheiros. Quanto aos congestionamentos na pista local da marginal, ele falou que aquela região ainda não estava potencialmente esgotada.

Para o presidente da SMM, ” levantar esta questão agora será benéfico, para ao menos esclarecermos se os PACS liberam as construtoras e os empreendedores de tudo o mais”.

Ao fim da mensagem, o representante da entidade chama atenção para uma discussão interessante, o conceito da palavra luxo:

“Gostaríamos, ao finalizar, de sugerir a todos que visitem a área residencial limítrofe ao terreno em obras, para atestar que o luxo real já existia no local – privilegiadas ruas densamente arborizadas e com raro tráfego – antes que a obra termine”.

Patrimônio histórico: o que está em jogo ?

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A decisão do Conselho Municipal de Preservação ao Patrimônio Histórico de São Paulo de permitir a construção de prédios de apenas 25 metros de altura na vizinhança do Parque da Aclimação, na zona norte, tirou R$ 50 milhões do bolso de apenas uma das empresas que atuam no mercado imobiliário. Duas torres de 23 andares deixarão de ser construídas e o dinheiro investido no terreno vai parar na coluna do prejuízo no balanço anual.

Os prédios de apenas 10 andares que poderiam ser levantados já não lhes interessam mais.

No bairro do Ipiranga, onde as restrições garantiram a manutenção de 12 edifícios de valor histórico que fazem parte da herança do conde José Vicente de Azevedo, vizinhos ao museu e ao parque da Independência, algumas empreendedoras de imóveis vão deixar de faturar bem mais. Não é diferente na Móoca, outro local atingido pelas regras impostas pelo Conpresp.

As empresas, na maioria dos casos, compraram terrenos prevendo levantar espigões ao lado dessas áreas, vendendo aos seus clientes a vista para o parque, sem devolver nada para o próprio ou para a cidade Segundo conselheiros que incentivaram a restrição não só não pagam como ainda darão prejuízos com impacto no meio ambiente.

Pelo dinheiro que deixarão de faturar e o prejuízo que vão amargar as empresas do ramo imobiliário, dá para compreender o esforço dos vereadores em criticar o Conpresp e o desrespeito ao acordo que havia sido fechado com todos os líderes dos partidos. Eles haviam acertado prazo de 60 dias para que uma comissão de estudos avaliasse mudanças para “dar mais transparência” as decisões do conselho. Em dez minutos, apresentaram emenda e a aprovaram.

Vereadores recebem das imobiliárias

De acordo com o jornal Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) empresas ligadas ao setor imobiliário fizeram doações de campanha eleitoral a 23 dos 55 vereadores paulistanos – ou seja, 43,64%.

A campanha do vereador Toninho Paiva (PMDB), por exemplo, custou R$ 243 mil, conforme números declarados ao TRE, dos quais R$ 89,4 mil saíram do caixa do grupo Savoy, que mantém imobiliária e construtora.

A propósito: Toninho Paiva é o representante da Câmara dos Vereadores no Conpresp.

Teve quem arrecadou mais, batendo na porta das imobiliárias e construtoras: Claudete Alves (PT) pegou R$ 115 mil, enquanto José Américo (PT) levou R$ 100 mil, mesmo valor que o colega de plenário Antonio Goulart (PMDB). Por coincidência todos votaram a favor das mudanças que enfraquecem o conselho de defesa do patrimônio histórico.

Que fique claro: o dinheiro entrou de maneira legal, está registrado no TRE e toda pessoa jurídica tem o direito de dar para o candidato que bem entender. O que se discute é se vereadores que dependem do dinheiro das imobiliárias para manterem suas campanhas tem independência para agir no parlamento.

Em editorial, nesse sábado, o jornal O Estado de São Paulo ( http://www.estado.com.br )lembrou que “o interesse a ser preservado é o da cidade de São Paulo e não o de um único setor econômico, por mais importante que seja”.

O teste de paciência do 156

Você já deve ter passado pela experiência de ligar para o 156, telefone de atendimento da prefeitura de São Paulo. A Veja São Paulo testou o serviço, fez 30 ligações e em apenas 9 foi devidamente atendida.

De acordo com a revista, as consultas foram baseadas em questões triviais e previstas na proposta de atendimento do 156. A maioria dizia respeito ao deslocamento pela cidade.
Acompanhe um dos diálogos reproduzidos na reportagem da revista que você lê, de cabo a rabo, no portal da revista:

“Estou na rua dos Pinheiros e preciso chegar à região da Avenida Paulista, perto da estação Brigadeiro. Qual é o caminho mais simples?
Tempo para obter a resposta: 42 minutos?
Tentativas: 4?
É meio dia, horário de grande congestionamento na cidade. Telefonando da Rua dos Pinheiros, o motorista precisa chegar à Avenida Paulista (o percurso básico é seguir o fluxo até a Avenida Rebouças, pegar um trecho da pela Consolação e entrar à direita na Paulista). No 156, foram 42 minutos de espera até conseguir falar com um dos atendentes. Se fosse de fato uma emergência…

Nos primeiros cinco minutos, reina a música padrão do disque. Mais música. Três minutos depois:

O senhor precisa pegar o ônibus Metrô Armênia na rua…?
Mas eu estou de carro!?
Ah… por favor, mais um minuto.

Doze minutos depois, a ligação cai. Após três tentativas, a atendente informa que irá transferir para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Mas não é no 156 que eu consigo saber o caminho que devo seguir de carro??
É, mas é específico na CET.?
Então eu deveria ter ligado para a CET??
Exatamente, senhor.

Qual o número então, por favor??
O número é o 156.?
Mas aqui não é o 156??
Sim, senhor.?
Então eu estou certo em pedir a informação aqui??
Sim, nos iremos encaminhar o senhor para a CET. O 156 não informa percursos de carro, só a CET.?
Não estou entendo. Eu estou certo ou errado em ligar para o 156??
Um minuto senhor que irei transferir a ligação.

Transferido para um número da CET específico para guiar motoristas perdidos (mas que inexplicavelmente não pode ser divulgado), a atendente explica o simples trajeto e completa:
É bem simples, senhor. Não tem erro

Aos caros ouvintes-internautas fãs do Barbeiro

Do homem de terno listrado em genuflexão ao rapaz de roupa clara prestando continência. Do garoto de gravata e quepe ao lado de um dos jesuítas ao moço pendurado na porta da locomotiva. A todos foi oferecida a suspeita de incorporarem a juventude do nosso colega Heródoto Barbeiro, no longínquo século 19, nesta imagem que faz parte das comemorações dos 140 anos do colégio São Luis.

As suspeitas foram levantadas a partir de mensagem encaminhada pelo ouvinte-internauta Cláudio Antônio desencadeando uma série de participação, seja neste blog, seja no telefone da rádio, seja e-mail do CBN SP. Os comentários e palpites comprovaram o carinho do público com esta figura impagável do “Professor” que todas as manhãs nos ensina a entender melhor o Brasil e as coisas que acontecem pelo mundo. E o jornalismo, também.

As opiniões nos mostram, ainda, o mistério que envolve a idade de Heródoto. Apesar da foto ser do século retrasado, ainda houve quem acreditasse na possibilidade dele estar perfilado na cena. Houve, também, quem o imaginasse atrás da máquina de fotografia ou diante da máquina de fumaça – habilidoso que é na condução do trem do Jornal da CBN.

A maioria, porém, além de ter aceitado participar desta brincadeira, não reconheceu em nenhuma das personagens posadas algo que se assemelhasse ao “Professor”.

A todos agradeço pelos comentários, análises aprofundadas e respostas bem-humoradas, às vezes irônicas – Dona Ilda, por exemplo, telefonou para dizer que o Heródoto estava ao meu lado na foto.

Para homenagear os ouvintes-internautas fiéis a brincadeira reproduzo aqui um dos comentários publicados neste blog, aproveitando o “esforço” do caro ouvinte-internauta Tuxedo que foi fundo em sua pesquisa (os demais comentários você encontra na nota original mais abaixo):

“Enganam-se todos ao imaginar que Heródoto esteja na foto. Deveria estar, mas não está. De acordo com pesquisa realizada pessoalmente nos alfarrábios do Arquivo Nacional, Heródoto, antes que entrasse nos cursos da melhor idade que lhe renderam os títulos de “lente”, “hermeneuta” e “hebdomadarista”, era o velho maquinista da Maria Fumaça que, já com a vista cansada e dores na coluna e com reflexos já não tão rápidos, fora aposentado da função dias antes, por colocar em risco a vida dos passageiros com suas manobras, oque lhe rendeu mais tarde, e pelo resto da vida, a alcunha de Barbeiro”

Presidente de sindicato defende ilegalidade de taxista

A venda ilegal de alvarás para motoristas de táxis é defendida pelo presidente do sindicato de São Paulo, Natalício Bezerra. Para ele, o documento funciona como uma espécie de fundo de garantia dos taxistas.

Desde a suspensão de emissão do alvará pela prefeitura, o comércio que é proibido por lei é a única forma de novos motoristas entrarem no mercado. Alguns chegam a pagar quase R$ 200 mil parar ter o direito de dirigir um táxi e obter vaga em pontos da cidade.

Ouça a entrevista da repórter Fabiana Novello, da CBN:

Greve de táxis em Nova Iorque

Nova Iorque está à beira de um colapso, caso a ameaça dos motoristas de táxi se concretize: eles anunciaram greve nos dias 5 e 6 de setembro. A cidade tem no “Yellow Cab” um de seus principais meios de transporte, devido as restrições e dificuldades para circular e estacionar carro particular, na ilha de Manhathan.

O sindicato dos taxistas de Nova Iorque, Taxi Workers Alliance (TWA), protesta contra o novo sistema de GPS, que a partir de janeiro de 2008 deverá ser instalado dentro dos 13 mil táxis nova-iorquinos.

Segundo os promotores da greve, o novo sistema, parte de um pacote de inovações tecnológicas que prevê também dispositivos de pagamento com cartão de crédito e televisões para os passageiros, colocará em risco a privacidade dos motoristas, visto que os deslocamentos poderão ser monitorados constantemente.

Cerca de 10 mil taxistas fazem parte do sindicato TWA. Os outros três mil, associados ao New York Federation of Taxi Driver, anunciaram que não vão aderir à greve. Mas não seriam suficientes para atender a demanda na cidade.

De acordo com a agência internacional iltaliana Ansa, a última greve de táxis em Nova York é de 1998.

Kassab vai vetar intereferência da Câmara

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vai vetar o projeto de lei que permite a intereferência dos vereadores nas decisões do conselho do patrimônio histórico da cidade. Segundo conversa que manteve na manhã desta sexta-feira com o líder do Governo na Câmara, vereador Antonio Police Neto (PSDB), Kassab vai argumentar que a “vício de iniciativa”, ou seja, a proposta não poderia ter partido dos vereadores.

Ouça a entrevista do líder do Governo Antônio Police Neto ao CBN SP:

Foto-ouvinte: No trapézio da Paulista

Um trabalhador do setor de limpeza pendurado nos altos da Avenida Paulista foi flagrado pela jornalista Mônica Poker, da CBN, enquanto transmitia as informações do trânsito da capital, na manhã desta sexta-feira. Segundo contou, os óculos do limpador de vidros cairam do bolso dele e se espatifaram no parapeito do terceiro andar do prédio na Paulista, 726. Quanto ao rapaz, o trapézio faz parte do cotidiano.

Patrimônio histórico está nas mãos de vereadores de SP

A Câmara Municipal de São Paulo decidiu que o patrimônio histórico da cidade vai ser de responsabilidade dos vereadores. Atropelou prazos, acordos e a lógica para votar projeto de lei que tira o poder do conselho municipal que, desde 1985, avalia os pedidos de tombamento, ato que conseguiu preservar parte da memória paulistana.

Incomodados com uma decisão do conselho e incentivados pelo mercado imobiliário e proprietários de imóveis, os vereadores decidiram que, agora, decisões do Compresp vão para plenário. O mais absurdo é que se os conselheiros, a maioria gente de notório saber, de trabalho reconhecido na área de arquitetura, engenharia e urbanismo, resolverem que um determinado prédio ou área deva ser preservada, a decisão vai para a Câmara e se os vereadores não derem seu parecer em 180 dias, o tombamento deixa de existir. Sem querer forçar no trocadilho, o tombamento cai.

Até aqui havia um vereador integrando o conselho, indicado pela Câmara. O atual representante da Câmara é vereador (Toninho Paiva-PL) de campanha financiada por empresas que atuam no ramo imobiliário, portanto que não têm interesse no tombamento de qualquer área que seja na capital.

Agora, os 55 vereadores poderão dar o seu palpite no tema, ou, simplesmente, ficarem calados para que bairros, regiões, quarteirões sejam explorados. E a memória de São Paulo esquecida.

Nos tempos em que a gente vibrava com o Oscar

Ao lado de Marcel, Oscar foi dos maiores nomes da conquista da medalha de ouro do basquete masculino no Pan de Indianápolis-1987. A vitória sobre os Estados Unidos, jamais imaginada – pelos americanos, diga-se de passagem -, completa 20 anos neste 23 de agosto de 2007.Pessoalmente, fã de basquete, foi a mais emocionante conquista do esporte brasileiro.

A foto, reprodução de jornal, está no blog da Redação do Uol Esportes (http://uolesporte.blog.uol.com.br/) que refrescou a memória deste jornalista.