A matemática das multas da CET

Para comprovar a inexistência da indústria da multa na cidade de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego fez as contas e enviou para o CBN SP. A matemática da CET foi uma resposta às críticas do ex-diretor do Detran de SP, Ciro Vidal, de que os fiscais de trânsito não têm tempo para organizar o tráfego, porque estão sempre com o bloquinho de multas nas mãos.

Leia, calcule e diga se você concorda com a tese da CET:

“Durante a entrevista veiculada nesta manhã, o advogado, Sr. Ciro Vidal, menciona a multa como sendo a principal tarefa dos agentes da CET. No entanto, por meio de um cálculo bastante simples, fica evidente a inconsistência desta afirmação: os 1,8 mil agentes da CET lavram 150 mil autos de infração por mês, o que resulta para cada agente, em média, apenas quatro autuações por dia. Considerando-se um tempo de três minutos para lavratura de um auto, verifica-se que, em uma jornada de 6 h e 40 min, são gastos menos de quinze minutos na tarefa de multar.

Então, o que eles fazem no restante do tempo?

Dentre outras atividades diárias, são montadas e desmontadas 17 faixas reversíveis nos horários de pico, com uma extensão superior a 32 km; são percorridas 170 rotas, totalizando 1.600 km, para identificação e remoção de 700 interferências (acidentes, veículos quebrados, carga na pista). Um agente que atua nas marginais percorre em uma jornada de trabalho mais de 300 km.

Apesar dos 500 veículos novos que entram em circulação todos os dias na cidade, as estatísticas demonstram que os infratores contumazes são minoria – menos de 5%. Em 2006, 80% dos veículos do município não sofreram nenhuma autuação.”

Protesto contra mudança no Patrimônio de São Paulo

Um dos mais importantes arquitetos de São Paulo, Paulo Bastos, fez duras críticas a intenção dos vereadores da capital de interferirem nas decisões do conselho que trata do patrimônio histórico da cidade. Depois de ouvir a informação no CBN SP, Bastos enviou a seguinte mensagem ao programa:

“Prezado Milton,

Na qualidade de ex-conselheiro e ex-presidente do Condephaat, de membro do ICOMOS-International Council on Monuments and Sites, órgão consultor da Unesco, além de autor de vários projetos de restauro e revitalização, entre os quais os da Catedral da Sé, da Igreja de S. Cristóvão e do Tribunal de Justiça de S. Paulo, venho me manifestar em relação ao inqualificável PL 0495/07, da autoria de vereadores paulistanos.

Desde o famoso Decreto-Lei 25, federal, inspirado por Mário de Andrade, o Brasil ingressou em uma etapa superior de civilização, ao criar o IPHAN ( nome atual do órgão federal de preservação ) e instituir, como nas demais nações desenvolvidas, as normas de preservação e o tombamento, como instrumento de proteção do patrimonio cultural ( do qual o p. edificado faz parte importante ), posto que sua perda, quando ocorre, é irreparável e sua proteção é elemento essencial à preservação da memória e identidade coletivas.

A isto se seguiu a criação de órgãos estaduais correspondentes, como é o caso do Condephaat, em S.Paulo, todos com responsabilidades concorrentes, como estabelecido desde a Constituição Federal, até a Lei Orgânica do Município.

O tombamento é um ato técnico, baseado em estudos especializados, que atende a um dos direitos difusos mais importantes da sociedade : o direito à preservação e fruição de seu patrimonio histórico-cultural, acumulado ao longo de sua evolução e mesmo antes dela, como é o caso do acervo arqueológico histórico e pré-histórico.

A preservação de um bem edificado, não se reduz a ele próprio. Não há sentido em protege-lo e, ao mesmo tempo permitir seu completo ocultamento pelo bloqueio visual resultante de obras viárias, imobiliárias, ou públicas, daí decorrendo a necessidade de, junto com o tombamento, definir gabaritos, volumetria, etc., de seu entorno, tanto em benefício da visibilidade, com de sua ambiencia.

Existe jurisprudencia afirmando a prevalencia das normas de regulamentação do entorno de bens tombados, sobre outras de caráter urbanístico, como foi o caso da contestação feita pelo Prefeito Jânio Quadros ao tombamento dos Jardins, justamente pela importancia da preservação.

Imagine-se o que sobraria de Ouro Preto, hoje patrimonio da humanidade, se o município estivesse submetido a uma lei como a que está proposta ?

Este Pl se não já não afrontasse as Constituições federal e Estadual, agride nossa inteligencia e nosso direito de proteger o que restou da destruição massiva de bens culturais operada pela ignorancia e desleixo de diversas administrações, em nome de duvidosa modernização, atrelada à voracidade do lucro imobiliário e ao carreirismo político da grandes obras.

É ridículo que vereadores, sem o menor conhecimento técnico ( e muitas vezes sem qualquer conhecimento ) venham a se arvorar em árbitros ( e majoritários) do que se deva preservar, tanto no ambito do Conpresp, quanto no da Câmara, como previsto no PL, tudo agravado pelo poder de destombar, ou seja, jogar no lixo o que já foi conquistado.

Audiencias públicas para julgar se algo deve ser tombado , ou não? Não haver proteção enquanto não houver decisão ? São ótimas providencias para que os interessados ponham tudo abaixo antes que algo aconteça.

Este Pl deveria ser arquivado no prazo mais rápido possível, para que a Câmara não exiba publicamente ( aquí e no exterior ) tamanha vergonha cultural / legislativa, acabando de enterrar sua credibilidade.

Arquiteto Paulo Bastos”

Foto-ouvinte: Rua Direita em painel de rua

A imagem é de uma das telas da exposição “Memórias de São Paulo”, retratando a Rua Direita em 1905. O desenho é de Eduardo Kobra, artista que tem surpreendido os paulistanos com a reprodução do passado nos muros da cidade. Este mural está na Hélio Peregrino, nº 1200. A exposição é na Praça Benedito Calixto, 179, a partir do dia 27 de agosto.

“Vaquinha” de ex-colegas garante Ifigênia no palco

Cada artista tirou R$ 200 da carteira, a produtora Mariana Mattar foi em busca de apoios que, necessariamente, não chegaram em forma de dinheiro, mas de um vaso, uma cadeira ou uma espada que compõem o cenário da peça Ifigência. O trabalho dos ex-colegas da Faculdade de Artes Cênica da Unicamp estará em São Paulo, a partir do dia 21 de agosto, no Centro Cultural, no bairro da Liberdade.

Para Mariana Mattar, que conversou com o CBN SP, foram os estudos desenvolvidos na Unicamp que propiciaram ao grupo talento para expressar suas idéias com tão baixo custo. Ela destaca, também, a importância do trabalho corporal apresentado no palco, onde representarão uma das mais famosas tragédias gregas.

Acompanhe esta história na entrevista com Mariana Mattar:

Abbott retira lote de remédio, após denúncia no CBN SP

O laboratório Abbott decidiu retirar das farmácias os lotes do remédio Klaricid que estavam sendo vendidos com duas bulas diferentes. A denúncia foi feita pelo CBN SP a partir de relato de uma consumidora, na sexta-feira. (veja notícia e entrevista neste blog)

Leia a nota divulgada pela Abbott neste segunda:

A título de atualização sobre assunto tratado em seu programa de sexta-feira, sobre o medicamento Klaricid 250 e 125 Solução Oral, a Abbott informa que iniciou o recolhimento voluntário de lotes específicos do produto. Klaricid é um antibiótico macrolídeo seguro e eficaz utilizado no tratamento de uma grande variedade de infecções bacterianas, principalmente do trato respiratório superior.

Embora a informação correta, passo a passo, sobre a diluição possa ser encontrada no folheto que acompanha todas as embalagens de Klaricid, este recolhimento se deve à informação incorreta na bula do produto, que detalha como os pacientes devem diluí-lo com água. Os pacientes devem seguir este folheto explicativo (ilustrado) para fazer a mistura de forma adequada.

Possíveis efeitos colaterais são náusea e vômito. Nenhum evento significativo foi reportado. Pacientes com dúvidas sobre a correta diluição de Klaricid devem ligar para o Abbott Call Center (0800-703 1050), de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h (exceto feriados). A ligação é gratuita

Este recolhimento é limitado ao Brasil. A Abbott notificou a ANVISA e está instruindo os distribuidores e farmácias sobre como proceder.

Atenciosamente,

Ana Paula Barboza
Abbott Brasil

Polícia Federal descobre fraude no agendamento

Policiais Federais de São Paulo identificaram um despachante que fraudava o sistema de emissão e agendamento de passaporte eletrônicos. O despachante cadastrava nomes falsos na internet, sempre marcando datas para a retirada de passaporte num posto da Polícia Federal dentro de um shopping na zona sul da capital paulista, confome contou o repórter Adamo Bazani, da CBN.

O homem cobrava R$ 50 para colocar os interessados nas datas e dias que foram agendados com os nomes falsos. Dezenas de pessoas contrataram o despachante. Ele chegou a ser ouvido pela Polícia Federal, mas não pôde ser preso em flagrante. Foi indiciado, mas já está em liberdade.

Para evitar fraudes e golpes, a Polícia Federal orienta que a própria pessoa faça o cadastro no endereço do órgão na internet

Vereadores querem interferir no patrimônio de SP

Uma audiência pública marcada para esta segunda-feira na Câmara Municipal é um dos últimos passos que faltam para vereadores paulistanos terem o direito de interferir no patrimônio histórico da cidade. O encontro é para dar legitimidade a votação em segundo turno, na terça-feira, de lei que prevê o aumento da participação de vereadores no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo e o poder de mudar em plenário a decisão dos conselheiros.

Caso seja aprovada, a Câmara passará a ter poderes para aprovar ou não o tombamento de áreas históricas da cidade, que muitas vezes vai de encontro as exigências do mercado imobiliário. O Conpresp, vinculado a Secretaria Municipal de Cultura, tem por atribuição deliberar sobre pedidos de tombamento de bens culturais na cidade de São Paulo.

Atualmente, são nove conselheiros, apenas um deles vereador. A nova formação ampliaria o conselho para 14 pessoas, das quais seis seriam vereadores que já ocupam conselhos na Câmara.

Segundo apurou este blog, a decisão da Câmara teria sido tomada após uma série de tombamentos realizados na região do bairro do Ipiranga que teriam deixado descontentes alguns vereadores.

O perigo proporcionado pela mudança é que interesses políticos e partidários comecem a interferir nas decisões do Conpresp com risco grave as referências culturais da cidade de São Paulo.

Ciclista tem pena mais dura do que motorista

É o que diz o advogado Ciro Vidal, presidente da Comissão de Assuntos e Estudos Sobre Direito de Trânsito da OAP de São Paulo. Em entrevista ao CBN SP, Vidal lembrou que conforme prevê o Código Brasileiro de Trânsito o motorista que matar uma pessoa enquanto dirige terá pena mais branda do que se o mesmo ocorrer com um ciclista ou carroceiro. Estes respondem ao crime penal. Ouça a entrevista com Ciro Vidal, ex-diretor do Detran de São Paulo, ao CBN SP:

Motorista que mata não vai parar na cadeia

De sábado para domingo, a polícia de São Paulo saiu as ruas com um objetivo: saber como o motorista paulistano se comporta de madrugada. Foram montados 24 pontos na cidade, e os motoristas eram parados para averiguação. Resultado 115 motoristas foram multados, alguns por mais de uma irregularidade. Mas o que nos interessa nesta conversa de hoje, foram os motoristas embriagados: 10% dos que passaram pelo teste de bafômetro haviam bebido mais do que prevê a lei. Ou seja, colocavam em risco a vida deles e dos demais.
Para a polícia, o índice é pouca coisa maior do que o encontrado nos dias de semana. O que não ameniza a situação. Os responsáveis pela operação Direção Segura dizem que 10% já é considerado um índice muito alto.

Pelo Código de Trânsito, quem dirige embriagado ou sob efeito de algum tipo de entorpecente é multado, tem o carro apreendido e a carteira de habilitação suspensa.
O problema é quando este cidadão que se excedeu comete um acidente e mata alguém: a impunidade, também nestes casos, impera. Ninguém vai preso em São Paulo por cometer crimes de trânsito é o que diz reportagem publicada nesta segunda no Jornal da Tarde. Advogados e outros especialistas no tema dizem desconhecer casos em que o infrator tenha sido punido com o rigor da lei. E temem que este seja um dos motivos que levem a morte de quase 1500 pessoas no trânsito da Capital, como ocorreu no ano passado.

Laboratório vende antibiótico com bulas diferentes

Um lote do antibiótico Klaricid suspensão pediátrica, do laboratório Abbott, chegou as farmácias com duas bulas diferentes podendo levar o paciente a consumir doses erradas do medicamento. A denúncia foi feita pela ex-professora de direito internacional da USP Maria Helena Fonseca Rolim que comprou o produto por recomendação médica para tratamento de faringite. Ela procurou a Abott que disse conhecer o problema e alegou que era obrigação do consumidor verificar a existência das duas bulas e, em caso de dúvida, fazer contato com o fabricante.

De acordo com a professora da disciplina de infectologia pediátrica da Unifesp Regina Célia Succi o uso incorreto do remédio pode gerar sub-dosagem ou super-dosagem causando transtornos ao paciente nas duas situações. Para ela, o laboratório tinha obrigação de retirar o produto das prateleiras.As bulas se referiam ao mesmo medicamento mas o procedimento para preparação do anti-biótico era diferente.

A Abbott se pronunciou através de nota:

Prezado Milton,Em resposta ao chamado que recebemos de seu programa, a Abbott agradece à consumidora por ter alertado sobre sua experiência ao reconstituir o medicamento e informa que a a equipe técnica está trabalhando em caráter prioritário para identificar e tomar todas as medidas necessárias, de forma a assegurar a máxima atenção ao paciente. Em caso de ingestão inadequada, como acontece com medicamentos em geral, o médico deve ser avisado imediatamente. Como forma de esclarecimento aos ouvintes, a empresa ressalta que todas as embalagens são acompanhadas por um folheto ilustrativo que traz a orientação sobre a correta reconstituição do medicamento.

Abbott Brasil

Leia o esclarecimento da Anvisa:

Quando ocorre esse tipo de “desvio”, a empresa deve notificar a Anvisa ou a vigilância sanitária local e realizar, por conta própria, o recolhimento e substituição dos lotes. O consumidor que perceber alguma inadequação no medicamento de que faz uso deve denunciar a vigilância sanitária local ou a Anvisa, por meio de sua ouvidoria (61-34481235) ou pelo e-mail anvisatende@anvisa.gov.br. No site da Anvisa (www.anvisa.gov.br), no link Anvis@tende, o usuário também pode fazer sua denúncia após preencher o formulário específico.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Para ouvir a reclamação da professora Maria Helena Fonseca Rolim clique no link abaixo:

Ouça o que diz a médica Regina Celia Succi, da Unifesp, sobre o risco que corre o paciente: