Grafite: amor e ódio em São Paulo

Uma das duplas grafiteiras mais famosas do mundo, Os Gêmeos, teve seu trabalho apagado em um dos muros da cidade de São Paulo, por funcionários da prefeitura. Segundo o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, é muito difícil definir o que é arte ou, simplesmente, pichação.

Esta é uma das histórias apresentadas pelo repórter Fernando Andrade na série sobre grafites realizada para o programa CBN Total. Acompanhe a reportagem na qual Fernando fala da relação de amor e ódio que a cidade de São Paulo mantém com esta arte:

Historiador britânico ataca a blogosfera

A reportagem que reproduzo abaixo foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo. Os jornalistas Marco Aurelio Canônico conversou com o historiador britânico Andrew Keen que em livro, critica a internet, sites e blogs:

“George Orwell não entendeu o futuro. Em seu clássico “1984”, o escritor temia pelo desaparecimento do direito à expressão individual, mas, no atual mundo da internet, o verdadeiro horror é justamente o oposto: a abundância de autores e de opiniões. O raciocínio é do historiador britânico Andrew Keen, 46, ex-professor das universidades de Massachusetts e Berkeley (EUA) e um dos pioneiros do Vale do Silício, que na primeira onda da internet fundou o site de música Audiocafe.com.

Keen tornou-se um dos líderes da crítica à internet graças a seu livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (o culto ao amador: como a internet de hoje está matando nossa cultura), recém-lançado no exterior e ainda sem edição no Brasil.

Sua cruzada não é contra a tecnologia em si, mas contra a revolução da segunda geração da internet, a web 2.0, baseada na interatividade e no conteúdo gerado pelos usuários, cujos marcos são os blogs e sites como o YouTube e a Wikipedia -que, segundo Keen, estão gerando “menos cultura, menos notícias confiáveis e um caos de informações inúteis”.

Graças ao livro, Keen tornou-se uma espécie de anticristo entre os blogueiros, sendo chamado desde “prostituta das grandes corporações” até “um mastodonte rosnando contra os ventos da mudança”.

Em entrevista à Folha por telefone, ele explicou suas idéias e por que, mesmo com toda sua crítica, tem um blog. Untitled Attachment

FOLHA – O sr. fala em “darwinismo digital” para descrever o funcionamento dos blogs.
ANDREW KEEN – Sim, é a sobrevivência do mais adaptado, o que, no caso dos blogs, significa os que escrevem mais. A blogosfera é muito competitiva e masculina, é um jogo em que, para você ganhar, alguém tem que perder. Não é lugar para conversas ponderadas.

FOLHA – O sr. também vê um resquício da cultura hippie na web 2.0?
KEEN – Há um legado hippie na filosofia libertária da blogosfera, no desprezo à autoridade, à mídia tradicional. Acho que a autoridade do Estado, da mídia, são coisas que devemos prezar, porque têm valores significantes que, se minados, criariam a anarquia. A rejeição da autoridade vista nos blogs não é progressista, é anarquista.

FOLHA – Mas o sr. é contra experiências como o Creative Commons [sistema de licenciamento de obras artísticas pela internet]?
KEEN – Acho que é um movimento que inclui moderados e radicais. Eu o respeito, mas temo que ele esteja desvalorizando a credibilidade da propriedade intelectual. Acho que a idéia funciona quando você é um sofisticado professor de direito como Larry Lessig [criador do Creative Commons], mas me preocupa que as pessoas se apóiem em um conceito como o que ele criou para roubar idéias alheias, me inquieta essa permissividade geral em relação aos direitos autorais, em especial entre os jovens.

FOLHA – É isso que causa o que o sr. chama de “assalto à economia”?
KEEN – Talvez eu tenha estabelecido, no livro, muita causalidade entre a ascensão da nova mídia e o declínio da tradicional. As novas mídias são uma das causas do declínio, mas a indústria de música, os estúdios de Hollywood, os grandes jornais e TVs têm outros problemas. Dito isso, acho que deveríamos prezar pela existência de mídia tradicional.

FOLHA – Mas não é apenas a falta de adaptação às novas tecnologias que prejudica a mídia tradicional?
KEEN – Não me oponho à tecnologia, entendo que ela sempre muda tudo e que temos que mudar com ela. Mas nem todo avanço tecnológico é bom e, em algumas circunstâncias, pode ser bom gerenciar ou conter as mudanças tecnológicas, se elas minam a sociedade. A Escola de Frankfurt se mostrou correta, emburrecemos nossa cultura e me preocupa que a internet continue fazendo isso, acabando com nossa vitalidade cívica e com a economia do entretenimento e da informação.

FOLHA – Por que a “democratização da internet” é falaciosa?
KEEN – Porque há novos oligopólios anônimos na rede, nos jogos on-line, nos pequenos grupos de ativistas que editam a Wikipedia, nos poucos blogueiros que dominam a maior parte dos acessos entre os 70 milhões de blogs. Não vejo como a web 2.0 está democratizando a mídia, acho que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso.

FOLHA – O fato de o sr. ter um blog não é paradoxal?
KEEN – Tenho blog para vender o livro e construir minha marca. A internet é uma grande plataforma de marketing, mas é preciso ter algo por trás. Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo. Como as pessoas saberiam da crise aérea brasileira, por exemplo, sem jornalistas profissionais? Iam ter de se basear em blogueiros, que podem ser representantes das companhias aéreas ou do governo?

Virou comédia interdição do Bahamas

O empresário Oscar Maroni Filho e o subprefeito de Vila Mariana Flávio Lepique propiciaram cena típica de comédia no meio do dia, durante interdição da boate, prostíbulo ou balneário – como escrito na fachada – Bahamas, em área próxima do Aeroporto de Congonhas.

A briga você já conhece um pouco. Oscar tem um hotel que estaria atrapalhando os vôos, em Congonhas. Ele mostrou que a aeronáutica aprovou a construção. O prefeito Gilberto Kassab não gostou e mandou fechar o hotel. Não parou por aí: ao ouvir Oscar afirmar que o Bahamas, ao lado do hotel, é uma casa de prostituição de luxo, mandou cassar o alvará de funcionamento. O local não está autorizado para funcionar como prostíbulo. Aliás, nenhum lugar esta.

Hoje, sexta, Lepique foi até lá, acompanhado pelos jornalistas, todos informados com antecedência e hora marcada. Encontrou Oscar Maroni Filho que, além de oferecer energético a todos os presentes, o convidou para, ao lado do prefeito, visitar o Bahamas assim que a casa for reaberta. Ele acredita que derruba a interdição na justiça. Pensava assim em relação ao hotel, mas até agora não teve sucesso.

Lepique, entre ironias e gargalhadas, convidou-o a participar com sua yorkshire da campanha de vacinação da prefeitura. Maroni, bem informado, e boquirroto, alertou o subprefeito de que papagaio está em extinção.

Eu explico: ele havia lido blog de Lepique (http://subdavilamariana.zip.net), no qual este escreveu que “vou comprar um papagaio e ensiná-lo a repetir: currupáco, ação demolitória, currupáco, ação demolitória, currupáco, ação demolitória!”. Era uma provocação ao empresário que dias antes chamou o prefeito de Kassab de papagaio em entrevista a Jovem Pan: “Nós não podemos ficar falando por aí feito papagaio. Papagaio também repete frases feitas. Tem que se ter conteúdo no que se fala. Com todo respeito ao senhor prefeito, quando ele diz que demole um hotel quem demole não é ele. É uma decisão da Justiça. E pelo que me consta por decisão técnica de um órgão especializado em aviação o meu hotel está dentro da lei”.

Acompanhe um trecho da comédia de qualidade inferior proporcionada por Maroni e Lepique e acompanhada de perto pelo repórter Fernando Gallo, da CBN:

Dono do Bahamas, inimigo da hora, já esteve do outro lado

Oscar Maroni Filho, proprietário da casa de prostituição de luxo Bahamas, hoje criticado e combatido pela prefeitura, já apoiou a administração municipal. Em 2005, o prefeito da hora, José Serra, fez campanha contra a publicidade de “casas de encontro” às vésperas do Grande Prêmio de Fórmula 1. Nestes outdoors apareciam imagens de mulheres supostamente fazendo sexo com pilotos. Serra considerou um desrespeito à cidade. Críticos do prefeito, falaram em liberdade de expressão. Na discussão, Maroni apareceu para defender Serra: “Isso é uma falta de respeito com a população. Se eu fosse o prefeito, agiria igual, minha mãe e minha filha não são obrigadas a ver essa pornografia pelas ruas da cidade.”

Estação do “desrespeito” será partida de trem para Guarulhos


Recorte do trabalho do fotógrafo Rogério Cassimiro, da Folha

A Estação da Luz, cenário do desrespeito ao cidadão durante a greve no metrô em São Paulo, é de onde vai partir o futuro Expresso Guarulhos, trem que levará os passageiros para o aeroporto internacional.

No primeiro dia de greve dos metroviários, milhares de pessoas foram espremidas nas portas e paredes da estação pela falta de organização. Depois de resolver o caos aéreo (sem data definida) e implantar o Expresso (dizem que até 2010), vão ter de garantir o fim das greves no metrô.

Prédio da TAM vai virar memorial

O prédio da TAM Express, onde ocorreu o acidente com o vôo 3054 da TAM, vai dar lugar a um memorial. No mesmo dia, em que o presidente da empresa aérea, Marco Antonio Bologna, anunciou que vai doar a área para a prefeitura de São Paulo, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos liberou o prédio para a demolição.

Conforme apurou o repórter Adamo Bazani, da CBN, a estrutura do prédio bastante danificada corre o risco de desabar. De acordo com os técnicos que analisaram o local, desde o dia do acidente, a estrutura já cedeu 10 centímetros

Tutela para empresário era pela “Faixa de Gaza”

Ao fim do CBN SP, desta quarta-feira, reproduzi nota publicada neste blog, na qual relatei as críticas feitas pelo empresário Oscar Maroni ao prefeito Gilberto Kassab Em seguida, recebi mensagem de um dos assessores do prefeito fazendo correções aos dados divulgados.

A principal reclamação foi a leitura de parte do parecer de um desembargador que concedeu tutela antecipada ao empresário criticando a parede feita pela prefeitura para impedir acesso ao prédio de Oscar Maroni. Segundo este assessor a decisão do magistrado foi de maio deste ano, portanto não tem nenhuma relação com a interdição realizada após o acidente com o avião da TAM.

A tutela era para a prefeitura analisar o pedido de anistia que o empresário havia feito à prefeitura. E o emparedamento a que se referia o texto era de outra ação que havia fechado uma passagem construída entre o hotel e o Bahamas para que os clientes possam usufruir das benesses dos dois empreendimentos. Túnel que teria o sugestivo nome de Faixa de Gaza.

A prefeitura teria cumprido a tutela ao analisar o pedido de anistia feito pelo empresário. Pedido negado à medida que o prédio não estava concluído em 2002, data limite para a anistia de 2003.

Portanto, o alerta que chegou da prefeitura foi para impedir que a informação divulgada deixasse a idéia de que Oscar Maroni tenha decisão judicial a lhe proteger da atual investida da prefeitura.

Polícia, informação e desarmamento

A tendência de queda no número de homicídios no Estado de São Paulo é analisada como resultado da ação policial, serviço de informação e campanhas de desarmamento. A avaliação é do coordenador de análise e planejamento da Secretaria de Segurança Pública, Tulio Khan.

Os dados divulgados com exclusividade para o CBN SP, na quarta-feira, apontam queda de 61% no número de homicídios entre o primeiro semestre de 1999 e de 2007. Há sete anos, quando se iniciou o Infocrim, serviço de informação da polícia de São Paulo, que faz coleta e cruzamento de dados sobre criminalidade, haviam sido assassinadas 6.392 pessoas. Nos seis primeiros meses deste ano, foram 2.510.

Segundo dados oficiais do Governo de São Paulo, a queda nos índices de latrocínio, entre 1999 e 2007, chegou a 67%.

Tulio Khan diz que a diminuição da violência tem chamado atenção de organismos internacionais. Ele falou ao CBN SP:

Greve do metrô: cidade tem de investir em corredor

Ao parar os trens do metrô, os funcionários querem pressionar o Governo do Estado a aumentar a participação deles nos lucros da empresa. O transtorno chama atenção, também, para os problemas do transporte de passageiros, em São Paulo. Investimento na maioria das vezes com finalidade eleitoral e falta de continuidade dos projetos prejudicam o cidadão.

O superintendente da Agência Nacional de Transportes Públicos, Marcos Bicalho, falou dos cerca de R$ 1 bilhão colocados no Fura-Fila, hoje conhecido por Expresso Tiradentes. Para ele, este dinheiro deveria ter sido investido na ampliação dos corredores de ônibus: “um programa que anda aos soluços”, segundo disse ao CBN SP.

Bicalho lembrou que as faixas para ônibus são mais importantes até mesmo do que a expansão do metrô na capital.

Acompanhe um dos trechos da entrevista do superintendente da ANTP, Marcos Bicalho, ao CBN SP: