Eros, meu labrador que só entende de jogo do osso, está como muitos brasileiros: dando palpite sobre o que não sabe. Para ele, não há dúvida de que Ricardinho, considerado um dos melhores do mundo, foi cortado porque o técnico da seleção brasileira de vôlei Bernardinho queria convocar o filho dele para o Pan.
No país dos precipitados, melhor ler a coluna de hoje do colega Renato Maurício Prado, em O Globo:
“Já vem do Mundial de vôlei, no Japão, a crise que culminou agora, com a dispensa do levantador Ricardinho, até então, capitão da equipe brasileira que ganhou praticamente todos os títulos que disputou nos últimos anos. De temperamento forte (e muitas vezes instável),
Ricardinho sempre teve atritos com Bernardinho a quem, de uns tempos para cá passou a contestar mais freqüentemente, com palavras, gestos e atos. Foi para tentar diminuir o
estresse que o técnico resolveu poupar vários titulares das primeiras rodadas da Liga Mundial deste ano (Ricardinho entre eles). Infelizmente, não foi o bastante. Na fase final, na Polônia, o clima ficou praticamente insuportável. E uma discussão final sobre premiação, aliada ao atraso
do levantador na apresentação, levaram o técnico à decidir pela dispensa.
Boas fontes do vôlei me garantem que Bernardinho tomou tal medida por sentir que, se não o fizesse, perderia o comando do grupo pois alguns jogadores, Gustavo e Giba entre eles, já
começavam a apoiar discretamente o capitão.
…
Observação de uma velha raposa das quadras: Como prega em seu livro Transformando suor em ouro, Bernardinho está sempre buscando criar zonas de desconforto para manter seus jogadores com a faca nos dentes…