A pureza de um gesto obsceno

Transmitir sentimentos e pensamentos através de gestos é uma forma de comunicação não-verbal. O entendimento destes sinais ocorre conforme a cultura de cada povo, podendo oferecer mensagens completamente opostas. Dois dedos formando um “V”, sinal de vitória após a Segunda Guerra Mundial e adaptado ao “paz e amor” do movimento hippie nos anos 1970, é visto como gesto obsceno em certas culturas.

Nesta sexta-feira, o colega Walter Maierovitch, em seu blog http://www.waltermaierovitch.globlog.com.br, contou que mandar o pessoal para aquele lugar não ofende à honra ou ao decoro de ninguém, na Itália. Pelo menos, foi esta a percepção da Corte Suprema de Justiça que teve de decidir se um “vaffanculo”, solto em um momento de indignação, seria condenável pelo crime de injúria.

Mesmo de posse do texto da corte maior em mãos, eu não recomendaria que você experimentasse usar a expressão diante de um legítimo “Ferretti”. Estive na Itália por quase duas semanas e, confesso, houve momentos em que tive vontade de elevar a voz para disparar um sonoro “vaffa”. Me contive (ou quase). A interpretação e reação do ofendido não seria baseada na jurisprudência, com certeza.

Aqui no Brasil, apesar da falta de respaldo da justiça, a atriz Cris Nicolotti virou estrela com música interpretada durante peça teatral na qual repete, em bom português, “vaffanculo”. Quem ouve dá gargalhadas. Não se sente atingido.

Houve outras situações nas quais gestos considerados obscenos provocaram debates acalorados. Em uma dessas, estivemos a beira de uma crise diplomática. O piloto da American Airlines Dale Robbin Hersh, em janeiro de 2004, mostrou o dedo médio enquanto tirava foto de identificação na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os agentes da Polícia Federal consideraram desacato a autoridade.

Usar o dedo médio para ofender os outros, tem sido muito mais comum do que se imagina. Uma senadora italiana da extrema-direita, semana passada, além de chamar o adversário esquerdista de criminoso, ainda fez o famoso gesto, que, tanto lá como aqui, tem o mesmo significado: “vaffanculo”.

No esporte, vários jogadores protagonizaram o gesto em público. De Romário, com a camisa do Vasco, a Fininho (quem ?), com a do Corinthians, todos revelaram descontentamento acentuando o dedo médio. O técnico do Real Madrid Fábio Capello (ele é italiano) teve de dar muitas explicações e foi punido após repetir o sinal para a torcida que o hostilizava.

A cena de Marco Aurélio Garcia, flagrado em um legítimo top-top-top (de acordo com o ouvinte-internauta Deco Ribeiro é assim que Henfil descrevia o gesto), entre quatro paredes, foi descrito como comemoração e desrespeito, por alguns. Para o autor, um desabafo, sinal de indignação.

Para mim, momento de pura honestidade. Desnudo das declarações burocráticas, dos textos diplomáticos e afirmações calculadas à luz do conhecimento, o assessor do presidente Lula expôs seu sincero pensamento naquele instante.

Que todas as autoridades, quando estiverem diante das câmeras, ajam da mesma forma, revelando ao cidadão o que realmente pensam, por mais absurdo e estúpidos que sejam estes pensamentos. Ao menos saberemos com quem estamos tratando.

Obscenidade pedagógica

Vasculhando a internet em busca de gestos obscenos, encontrei texto de Edmundo Leite, postado no “Bate-pronto, blog de esportes do Estadão”, do qual destaco o seguinte parágrafo:

Os que usam o dedo médio para expressar os seus sentimentos deveriam aprender com o grande mestre Johnny Cash, que ensinou que para fazer isso com dignidade é preciso estar por cima e, mais que isso, ter absoluta certeza disso. Foi o que aconteceu em 1996, quando foi à forra depois de ser premiado como Melhor Álbum Country pelo fabuloso disco Unchained. Do alto de seus então 64 anos de sabedoria, Cash pagou um anúncio de página inteira na BillBoard, a principal revista de música do país, para agradecer o apoio recebido das rádios e do meio musical de Nashville, a meca do Country, que haviam ignorado o disco.

http://blog.estadao.com.br/blog/batepronto/?m=20070117

Taboão da Serra pode receber terceiro aeroporto

“Jamais diríamos onde será a construção para não sermos fatos de especulação imobiliárias”. A ministra Dilma Russef não havia chegado ao ponto final da frase e as especulações sobre o local do novo aeroporto, anunciado pelo governo, se iniciavam.

Um dos lugares em estudo fica na região do Taboão da Serra, na zona oeste da região metropolitana. Em favor da área, além dos vazios urbanos que ainda podem ser encontrados, está o acesso pelo Rodoanel.

A Anac e a Aeronáutica terão de apresentar, em no máximo 90 dias, estudos sobre locais disponíveis para a construção.

Grupos de empreiteiras trabalham, há pelos menos seis meses, no projeto de construcão de um novo aeroporto a 35 quilômetros do centro de São Paulo. Segundo o Estadão, nos planos das empresas Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez o aeroporto poderia ser entregue em três anos a um custo inferior dos R$ 5 bilhões previstos pelo Governo Federal.

Boicote aos vôos em Congonhas já começou


Imagem da campanha do Idec

Desde as primeiras horas do acidente com o avião da TAM, ouvintes-internautas têm enviado mensagens sugerindo boicote ao aeroporto de Congonhas. Por telefone, houve quem defendesse o fim das operações em sinal de respeito as cerca de 200 pessoas mortas, na terça-feira à noite.

Laiz Dietschi, por exemplo, entende que o boicote “seria o melhor recado da sociedade para que as autoridades pensem sobre a minimização dos riscos de uso do aeroporto”. Cátia Soares escreveu lembrando que “sem ação da sociedade o governo se manterá paralisado”, enquanto o ouvinte-internauta Christian BuenaVista propôs “um abraço da sociedade no aeroporto de Congonhas” para sinalizar o bloqueio as operações de vôo.

As reações já ocorrem publicamente em diferentes segmentos. Na edição da noite de ontem (quinta-feira), o Jornal da Record apresentou editorial, lido pelo apresentador Celso Freitas, em que anuncia o boicote oficial a Congonhas até que a situação de segurança seja modificada. Nenhum funcionário da empresa poderá voar em aviões que operem em Congonhas.

O Instituto de Defesa do Consumidor lançou oficialmente o boicote contra Congonhas. Quem pretende apoiar a iniciativa do Idec pode acessar a página http://www.idec.org.br onde está à disposição abaixo-assinado pedindo o fechamento do aeroporto. O documento será enviado ao presidente Luis Inácio Lula da silva.

O crime da ranhura: Infraero está em uma sinuca de bico

Oded Grajew, do Instituto Ethos e a frente do projeto Nossa São Paulo, lembra que a Infraero está em uma “sinuca de bico” com a liberação da pista principal do aeroporto de Congonhas sem a realização das ranhuras transversais, chamadas tecnicamente de grooving.

O empresário diz que se as ranhuras não são importantes, a Infraero vai cometer um crime ao gastar dinheiro público em obra desnecessária; se as ranhuras são fundamentais e a pista foi liberada sem a obra, a Infraero já cometeu o crime.