O deputado e o massacre do teleatendimento

O texto é do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) que caiu na vala comum dos serviços de atendimento das empresas que atuam no Brasil e decidiu incluir o tema na sua pauta no Congresso Nacional. As dificuldades enfrentadas pelo parlamentar fazem parte do cotidiano do cidadão. Você que lê este blog já deve ter passado por situação semelhante:

“Durante os últimos dias, em função de ter permanecido imobilizado por conta de um acidente que sofri, aproveitei para tentar pôr em dia alguns assuntos pendentes. Foi aí que começou meu martírio: o massacre do teleatendimento.

Primeiro, foi a tentativa de resolver o problema de um ponto da TV a cabo. Após identificar um telefone 0400, a única forma de acesso do cliente à empresa, fui obrigado a repetir o mesmo procedimento cerca de 20 vezes. Uma a uma, as ligações eram concluídas com uma voz educada que anunciava o mesmo veredicto: “Repita sua operação, por favor, e faça contato com outra das nossas atendentes”.

“Seu código, seu CPF, por favor, seu endereço, nome completo, um momento, por favor, mais um momentinho, senhor, seu protocolo de solicitação de mudança de ponto, mais um momento. Obrigado por aguardar, o senhor está ligando para reclamar que a visita agendada não ocorreu. Não é comigo, senhor. Aqui é agendamento de visitas e não reclamações de visita não cumprida. Repita a operação, obrigado, senhor”.

Liguei novamente e repeti tudo, código, CPF, endereço… e, no final, o veredicto era o mesmo: “O senhor deseja agendar uma nova visita, aqui tratamos somente reclamações de visitas agendadas e não cumpridas. Repita a operação e procure outra de nossas atendentes”. E lá ia eu ligando novamente, repetindo tudo de novo até conseguir agendar a famosa visita para dia 1° de junho. Nem preciso dizer que não apareceu ninguém e muito menos me ligaram. Não sei se todos vocês sabem, mas as ligações são pagas pelos clientes. Ou seja, as pessoas pagam para serem desrespeitadas.

Pior foi quando resolvi cancelar um número de celular. Caí num 0800 que conseguiu ser pior que um 0400. Confesso que não acreditei no que estava acontecendo, só mudou a voz da gravação que orientava os números a serem digitados até chegar a um atendente.

Percebi que quando eu digitava o número relativo a cancelamento de conta, me deixavam esperando até desistir. Foi quando tive a idéia de digitar o número relativo à obtenção de novas linhas. Incrível, atenderam na hora. Comprovei que era tudo planejado para que o cliente desistisse, vencido pelo cansaço, de um direito ou de um desejo qualquer.

Comecei a contar para outras pessoas o que aconteceu comigo e, pasmem, cada uma tinha uma história muito pior do que as minhas. O massacre do teleatendimento é uma epidemia que rouba o tempo, a paciência e a disposição de milhões de pessoas todos os dias. Cartões de créditos, planos de saúde e assistência técnica são mais alguns exemplos dos universos afetados por essa chaga.

Confesso que não tenho a solução. Sei que várias têm sido as tentativas de encontrar mecanismos de proteção aos consumidores. Vou me dedicar a estudar uma idéia criativa para ajudar no enfrentamento desse massacre. Se alguém tiver alguma sugestão, por favor, entre em contato conosco, pois alguma coisa precisa ser feita. Por hora, formalizarei uma denúncia na Comissão de Defesa do Consumidor e vou estudar um projeto de lei, limitando o tempo de espera nos serviços de teleatendimento”

Para chegar ao endereço do deputado Paulo Pimenta e dos demais parlamentares na Câmara dos Deputados, seja para confraternizar seja para reclamar, acesse http://www.camara.gov.br.

A impaciência do paciente

Espera-se no saguão do hospital, se aguarda na sala de emergência, se perde tempo na transferência para um quarto, se sofre diante da demora para o exame e se estressa até com o pedido no restaurante. Assim os dias de um paciente se passam.

Por que, aliás, o cidadão infortunado com uma doença qualquer é chamado de paciente ?

A colaboradora deste blog Maria Lucia Solla respondeu assim, por e-mail:

“Os médicos nos chamam de pacientes pra ver se contaminam. Mas contra isso já nascemos vacinados. Eu, ao menos, com certeza”

Ouvinte-internauta: “Heródoto está preso !?”

Ouvinte-internauta: “Heródoto está preso !?”

Foi o ouvinte-internauta Rodrigo Castelli quem fez o alerta ao enviar e-mail com o título “É verdade ?”. Para tirar a dúvida cliquei no link oferecido e encontrei a informação que reproduzo abaixo:


“Extra! Extra! Extra! A polícia federal acaba de prender o jornalista Heródoto Barbeiro. O delegado encarregado da prisão disse que o jornalista vinha sendo monitorado por escuta radiofônica todos os dias da semana, entre 6 e 9 e meia da manhã: “Em várias gravações, a gente ouvia nitidamente pessoas dizendo que o âncora da cobertura “era o dotô Barbeiro, era o dotô Barbeiro”. Além do mais, em uma operação batizada de “Navalha”, necessariamente teria que haver um “Barbeiro” envolvido”. Ao entrar no carro da polícia, Heródoto Barbeiro desabafou: “Eu sou inocente. Isso tem a participação do Clésio – Dedo-Duro – Botelho…” As informações são da SEMBN – a rádio que troca a notícia”.

http://www.diariodehoje.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=78&Itemid=29

Pela foto acima, se está preso, está feliz.

Mentiras, verdades e certezas

“Como deve ser o diálogo de governantes e governados” pergunta o médico-escritor Moacyr Scliar, em uma de suas crônicas publicadas no jornal Zero Hora. No texto, lembra frases recentes de autoridades brasileiras sobre a crise no setor aéreo que causaram indignação apesar de terem sido disparadas com o intenção do bom humor.

Scliar faz a pergunta em tom de auto-provocação, já que ele próprio oferece as respostas. Diz que, em primeiro lugar, governante tem de falar sério. E ressalta o fato de o brasileiro ser brincalhão, mas não querer brincadeiras de seus líderes.

Tem um segundo argumento: o povo não quer comentários, esperam de seu governo “soluções objetivas, rápidas, precisas e eficazes”.

A tentação da brincadeira, da frase bem humorada e da piadinha de oportunidade já deixou muita gente de saia justa, não apenas governantes. No setor corporativo até hoje os homens escorregam em gracinhas sobre as mulheres durante uma reunião, na maioria das vezes com a mesa cercada ou comandada por elas.

No almoço de domingo, quem nunca deixou escapar maledicências sobre solteironas diante daquela tia que até hoje está a procura de marido; ou fez voz afeminada em imitação barata de um gay no dia em que o tio enrustido foi visitar os sobrinhos; sem falar das bolas-fora quando a turma parte para as piadas étnicas e esquece a presença do amigo judeu.

O discurso politicamente correto, as escolas de “marqueteiros“ e os treinamento de mídia limitaram muitas dessas gafes que fazem parte do anedotário nacional, mas não foram sucientes para eliminá-las do pensamento do cidadão. Por isso, escapam no primeiro descuido e podem gerar constrangimento de toda ordem.

A única vantagem mesmo é que ao se assistir a um autoridade nesta situação tem-se a certeza de que pelo menos naquele instante não estão sendo hipócritas. Dizem a verdade, falam o que pensam, sem cerimônias e sem vergonha, sem-vergonha.

Para Scliar “há um sentimento de que, sem seriedade, os problemas do país não serão resolvidos”. Eu acrescentaria que sem sinceridade, também não. O Brasil seria melhor se as pessoas dissessem o que realmente pensam. Com certeza não continuaríamos sendo enganados por aparências construídas em laboratório e tornaria mais fácil a tarefa de definir o caráter de cada um.

Palavra de Alckmin

“Não sou candidato a prefeito”, insiste em responder o ex-governador paulista Geraldo Alckmin aos repórteres que insistem em perguntar, aqui em Porto Alegre.

Não há porque duvidar. Quando todos sabiam que ele era candidato nas eleições anteriores, Alckmin usava outra frase: “eleição é em ano par, só falo sobre o assunto no ano que vem”.

Portanto, o PSDB já pode começar a estudar um nome para disputar a sucessão de Gilberto Kassab (DEM), na capital paulista.

Ouvinte-internauta: Itu precisa de Cidade Limpa

O recado e a foto são da ouvinte-internauta Camila Nerbas:

“Estive visitando a cidade de Itu no domingo,17 de junho, lugar que conheci durante a infância em uma excursão escolar. Tive uma decepção enorme com relação ao cuidado que as autoridades estão tendo na valorização da arquitetura histórica local. Algumas ruas que são destacadas pelo percurso turístico escapam deste descaso, mas muito próximo à estas, na região central mesmo, um verdadeiro crime visual provocado pela publicidade dos estabelecimentos comerciais. Sugiro com urgência que seja aplicada a Lei Cidade Limpa na cidade de Itu”

Deputado prepara “Chocadeira de Vereadores“

PEC é projeto de emenda constitucional, portanto proposta de lei que mexe na Constituição.. A PEC apresentada pelo deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) também pode ser conhecida como Chocadeira de Vereadores.

Se aprovada – já está na pauta da Câmara dos Deputados – cria mais 7 mil e 600 vagas de vereadores no Brasil. Permitirá o retorno de boa parte daqueles que que perderam o cargo após o corte decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2004.

A Chocadeira de Vereadores até obrigará algumas cidades a diminuir o número de cadeiras na Câmara das atuais nove para sete. No entanto, com o cálculo proposto por Pompeo no momento em que puxar o traço e fechar as contas, o País estará pagando salário para 15% mais vereadores do que temos na atualidade.

A PEC, que deverá ser votada na primeira quinzena de julho, não afetará as grandes cidades como São Paulo, mas deve pesar muito no bolso do cidadão dos municípios de porte médio.

Fique atento !

Fabiana, uma mulher no poder

O país que se ajoelhou diante de Evita Peron jamais havia eleito uma governadora, tabu quebrado neste fim de semana na Argentina com a vitória de Fabiana Ríos, do ARI, para comandar nos próximos quatro anos a Terra do Fogo.

Surpreendente mesmo para nós, que já entregamos prefeituras e governos estaduais às mulheres há muitos anos, é o gesto de um homem argentino: Hugo Coccaro, que concorreu no segundo turno com Fabiana Ríos, não se limitou ao discurso de praxe reconhecendo a derrota, foi ao escritório político da adversária para cumprimentá-la pela vitória.

Macri: “Gracias a los que apostaron a la esperanza y no al miedo”



Deixo a manchete do Clarin.com em espanhol para que ninguém imagine que estejamos reproduzindo velhos textos da disputa eleitoral à presidência, no Brasil. A frase que soa parecida com a de Lula na primeira vitória é do presidente do Boca e governador eleito de Buenos Aires, Maurício Macri, líder do PRO.

No discurso que buscou marcar diferenças com o governo nacional, Macri afirmou ainda que “nossos dirigentes demonstraram que se pode fazer campanha limpa, sem agressão e sem caluniar”.

De Cidade Limpa a exemplo de cidade


Reprodução do caderno de cultura da ZH

São Paulo é exemplo e inspiração de reportagem do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, sobre a poluição visual. O tema provocado por um leitor ganhou duas páginas no caderno de Cultura e reproduziu uma série de opiniões que copio para você nas notas abaixo. Todos são arquitetos, cada um com seu olhar. Há quem defenda, há quem critica, mas não há indiferença. E você: o que pensa de tudo isso ?

Issao: catálogo telefônico

“A cidade contemporânea é um depositário de interesses pessoais, uma terra de ninguém, uma vitrine a céu aberto, como um imenso catálogo telefônico. Há uma hipertrofia da imagem, uma gigantografia”


“No primeiro momento, há uma gritaria. Depois, as pessoas se acostumam. A legislação em geral trabalha com as noções de mínimo e máximo, não com o ideal. Há uma excessiva permissividade. É nesse quadro que um prefeito totalmente desconhecido, que veio do anonimato (Gilberto Kassab, que era vice de José Serra), de um partido conservador (o recente Democratas, antigo PFL) aparece com uma vontade política de ver as coisas com outros olhos.”

“A cidade respirou, se viu aliviada. Estávamos míopes, com os olhos sujos”.

Issao Minami, arquiteto, professor da FAU-USP.

Prysthom : cidade artificial

“Um certo excesso e feiúra fazem parte da cidade contemporânea. É uma condição inevitável. Acho artificial o que foi feito em São Paulo. Talvez fossem mais interessantes programas que envolvessem a população na revalorização dos espaços”.

“Pessoalmente, achei ótimo. Em Recife, o centro histórico até que está bem preservado, mas nos chamados bairros de classe média a poluição visual é muito invasiva, muito violenta. Ali, pouco a pouco, os espaços públicos foram sendo privatizados.”

Angela Prysthom, professora no Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, doutora pela Universidade de Nottingham (Inglaterra).

Portella: cidade clonada

“A desordem dos anúncios comerciais pode criar o que chamam na Inglaterra de “clones towns”. Clone towns são cidades onde a identidade histórica e local das ruas de comércio é substituída por anúncios comerciais de franquias e lojas de departamento, cujos logotipos são conhecidos internacionalmente. Neste caso, o indivíduo perde a referência da identidade local de cada cidade e passa apenas a ter uma imagem mental de vários anúncios sobrepostos uns aos outros. Em uma visita que fiz às cidades de Alexandria e Cairo, no Egito, no ano passado, pude ter essa experiência. Nessas cidades, embora o contexto cultural seja completamente diferente do brasileiro, em muitas ruas comerciais os prédios históricos são cobertos por anúncios de franquias internacionais, sendo a situação muito similar com a que encontro em Pelotas ou Porto Alegre.”

Adriana Portella, arquiteta e pesquisadora

Kiefer: cidade negada

“A cidade, hoje, é vista mais como um lugar para se ganhar dinheiro do que um lugar para se viver. As ruas deixaram de ser ruas. Há uma negação da cidade histórica, que era feita para se andar”.

Flávio Kiefer, arquiteto, UniRitter-RS.

Mahfuz: cidade borrão

“É um mundo regido pelo grito. Ora, edifícios de escritórios não deveriam ficar berrando pela cidade. Edifícios de escritórios deveriam ser discretos. Tudo acaba em um excesso de formas. Vira um borrão”

Edson Mahfuz, arquiteto, professor de Arquitetura da UFRGs