Geraldo Alckmin diz que Caixa 2 é diferente de corrupção mas é crime, e é contra anistia a partidos e políticos

 

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Crédito: amauri Nehn/Brazil Photo Press/Agência O Globo no site CBN

 

 

Foi o ex-presidente Fernando Henrique quem escreveu recentemente:”Há uma diferença entre quem recebeu recursos de Caixa 2 para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”. E foi baseado nestas afirmações que perguntei ao governador de São Paulo Geraldo Alckmin, também do PSDB, a opinião dele sobre Caixa 2, anistia a este tipo de crime e casos de corrupção.

 

 

A entrevista de Alckmin foi ao âncora Roberto Nonato, do Jornal da CBN 2a Edição, e teve a participação de jornalistas e comentaristas da rádio CBN.

 

 

Pelo tempo que tinha, fiz duas perguntas em uma:

1. O senhor concorda com o ex-presidente Fernando Henrique que Caixa 2 para financiar partido e político é erro; mas não é crime. Crime é embolsar dinheiro pra enriquecer de forma ilegal?

 

 

2. Diante do acontecido até aqui, o senhor é a favor de projeto de lei que anistia o Caixa 2; zera tudo e começa de novo sob nova lei?

O que respondeu o governador, considerado uma dos principais pré-candidatos do PSDB para a eleição presidencial de 2018:

 

 

 

 

Aqui você ouve a entrevista completa.

Como saber se você tem dinheiro para sacar em conta inativa do FGTS

 

 

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Qual a forma mais segura de saber quanto e se tenho direito a sacar o dinheiro de contas inativas do FGTS?

 

 

Não tenho cartão do trabalhador, posso sacar o dinheiro apenas com o documento de identidade?

 

 

Pedi demissão da empresa, antes de dezembro de 2015, porém minha conta no FGTS ainda aparece como ativa: como devo proceder?

 

 

Tenho ações da Petrobras e Vale, compradas com dinheiro do FGTS: se fizer o resgate, este dinheiro volta para a conta que estava inativa; ou para conta atual que ainda está ativa?

 

 

Essas foram algumas das perguntas respondidas pelo diretor de Fundos da Caixa Econômica Federal, Valter Nunes, ao vivo, no Jornal da CBN, em entrevista que você pode ouvir aqui:

 

 

Entrevista: “Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista

 

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“Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista Fábio Zanini, em entrevista ao Jornal da CBN.

 

O editor de Poder da ‘Folha de S. Paulo’ e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Londres lançou este ano o livro ‘Euforia e Fracasso do Brasil Grande’ (Editora Contexto).

 

Zanini descreve a forma como as empreiteiras, e não somente a Odebrecht, expandiram suas ações por países da África e da América do Sul impulsionadas pelos interesses geopolíticos do Governo Lula.

 

Que fique claro, fazer com que empresas brasileiras atuem fora das nossas fronteiras com incentivo do Governo Federal é política a ser considerada, pois fortalece a nossa economia, também. O problema é que junto com as empreiteiras foram, também, as práticas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato.

 

Ouça a entrevista completa de Fábio Zanini:

 

Aposentadoria: você concorda com a ideia de igualar a idade mínima para homens e mulheres?

 

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Temer a caminho do discurso no Dia Internacional da Mulher (foto Palácio do Planalto)

 

 

O presidente Michel Temer ao discursar em cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher se referiu ao papel da mulher na família e no lar. Disse também que, com as perspectivas de recuperação econômica, as mulheres terão mais oportunidades de emprego, além de cuidar dos “afazeres domésticos”. Em outro trecho, chamou atenção para o fato de somente as mulheres serem capazes de indicar os desajustes de preços nos supermercados.

 

Com essa sequência de afirmações, Temer deu a entender que cabe a mulher a função de cuidar dos filhos, trabalhar em casa e fazer as compras. Muita gente ouviu nas palavras presidenciais a reprodução de preconceito que há algum tempo a sociedade moderna busca eliminar.

 

A turma do Palácio se esforçou para desfazer o mal-entendido e justificou que Temer estava apenas constatando uma realidade brasileira, na qual às mulheres cabe o cuidado dos filhos e da casa, mesmo que já esteja trabalhando. O pessoal da assessoria lembrou que foi dele a iniciativa de abrir a primeira delegacia da mulher, na época em que era secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

 

Os assessores palacianos poderiam ter lembrado uma outra iniciativa do presidente na busca da igualdade de direitos. No texto da Reforma da Previdência, em discussão no Congresso, o Governo Federal propõe que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade, no caso 65 anos. Atualmente, a aposentadoria é por tempo de contribuição, sendo 30 anos para as mulheres e 35 para os homens.

 

Opa, mas aí talvez o tema ficasse ainda mais cabeludo. Afinal, a medida não é unanimidade nem mesmo entre as mulheres.

 

Ainda nesta quarta-feira, o Jornal da CBN promoveu debate para entender as diferentes visões que existem entre os que defendem e os que criticam essa equiparação da idade mínima entre os gêneros.

 

A economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, Lena Lavinas, disse que medidas que tendem a homogeneizar padrões em sociedades desiguais têm consequências. Já a sócia-diretora da Better Governance, Sandra Guerra, entende que processos desiguais não levarão à igualdade que se almeja.

 

Caso você não tenha acompanhado ao vivo o Debate CBN, reproduzo a seguir os argumentos completos de cada uma das convidadas do Jornal para que você mesmo tire suas conclusões: homens e mulheres devem ter a mesma idade mínima para se aposentar?

 

O que o ouvinte da CBN faz quando está no carro

 

 

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O carro ainda é extensão de nossas vidas e dentro dele passamos parte do dia em deslocamento nas cidades, mesmo que uma série de inovações e campanhas por mudanças de hábito estejam em andamento. Interessada em descobrir o que costumamos fazer enquanto dirigimos – e dedicamos parcela importante do nosso dia nesta tarefa – a Citroen realizou estudo mundial no ano passado e pretende usar este conhecimento para direcionar o desenvolvimento interior dos seus novos modelos.

 

 

Apesar de a pesquisa ter sido divulgada em setembro de 2016, sites brasileiros voltaram a tratar do tema nesta semana e o assunto foi motivo de conversa, nesta terça-feira, no Hora de Expediente, quadro que apresento com Dan Stulbach, José Godoy e Luis Gustavo Medina, no Jornal da CBN. Além de uma bate papo divertido, o assunto mexeu com os ouvintes da rádio que compartilharam conosco o que costumam fazer enquanto estão no trânsito.

 

 

Conforme a pesquisa da montadora, os brasileiros são os que mais tempo ficam dentro dos veículos ao longo da vida: 4 anos e 11 meses. E refém desta situação, a maioria passa o tempo cantando suas músicas favoritas, o que não surpreende. Como o resultado é baseado em respostas de motoristas e caronas, talvez seja motivo de melhor investigação a informação que a segunda atividade que mais realizamos enquanto dirigimos é agradecer a outros motoristas. Você acredita nessa? Em terceiro lugar no ranking nacional, muito mais crível, apareceu o hábito de falar sozinho. Quem não faz isso?

 

 

Se você quer o resultado completo do trabalho realizado pela Citroen, pode acessar este link. Mas, antes, siga até o fim do texto porque vou apresentar agora o resultado da enquete que realmente nos interessa, que foi realizada com os nossos ouvintes e da qual participaram 141 pessoas.

 

 

E como são nossos ouvintes o que mais eles poderiam dizer que costumam fazer enquanto dirigem: ouvem a CBN, lógico. Que baita orgulho, hein! Com variações sobre o mesmo tema, 36% disseram que acompanham nossa programação como atividade preferencial:

 

 

“Amo conversar com o rádio, principalmente com vc Milton e com a CBN. Participo de todas as entrevistas, dou opinião, sugiro o que tem que ser feito, porém, é uma pena que não sou ouvida …. rsrs” – Adriana Natale Cera

 

“Acho muito bom quando você o Dan, o Luiz Gustavo e José Godoy se reúnem! O humor sarcástico de seus convidados me diverte muito! Respondendo sua pergunta, é disparado que o que mais faço quando estou em meu carro de manhã é ouvi-los aí na CBN e conversar com vocês ao mesmo tempo, ainda que não saibam disso. Já, no período da tarde, é escutar música, xingando ao mesmo tempo a “cambada” de mal educados no trânsito aqui de Goiânia. Que stress, viu!” – Raquel Canella

 

Os motoristas cantores também apareceram em destaque na enquete, ficando em segundo lugar com 14% das preferências.

 

“Além de cantar muito e alto, eu toco vários instrumentos imaginários, principalmente bateria e guitarra!” – Victor Triverio

 

“Eu danço sertanejo, então eu pego batidas com as mãos e com as viradas de cabeça….isto é viciante kkkkk” –  Felipe Mattos

 

Em terceiro um empate entre respostas politicamente corretas e outras nem tanto: 10% dos ouvintes disseram que quando estão no carro apenas dirigem e ficam atento ao trânsito em função dos muitos riscos que enfrentam; já outros 10% garantem que o melhor a se fazer é “limpar o salão” – se é que você me entende. Isso mesmo, ficam cutucando o nariz. Só não explicaram onde a sujeira vai parar. Será que as montadoras tem uma solução para este hábito?

 

“Sem dúvida, cutucar o nariz, tirar meleca e fazer bolinhas” Cláudio Santana

 

Falar sozinho que pode ser tão estranho quanto cantar apareceu em quinto lugar na nossa classificação com 8,5% da preferência dos motoristas:

“Vou falando o trajeto tipo GPS humano” – Rita Loureiro

 

“Geralmente eu tento conversar com meu marido, mas ele fala pouco então é meio que estressante…” – Daniele

 

No elenco de respostas encontramos ainda ouvintes religiosos que passam o tempo no trânsito rezando ou conversando com Deus; os vaidosos que lixam as unhas e passam o rímel; os apaixonados, que aproveitam para beijar; os irritados que xingam motoristas que consideram mal-educados; e as celebridades:

 

“Tiro selfies ! – Deylor Pires

 

Aliás, está é uma curiosidade: apesar de sabermos que hoje é comum assistirmos aos motoristas consultando o celular ao mesmo tempo que rodam na cidade, exceção a um ouvinte ninguém mais se entregou cometendo esta irregularidade.

 

No estudo de comportamento da Citroen, o hábito também não apareceu, porque a montadora francesa preferiu deixar a resposta fora da pesquisa com a intenção de não incentivar um costume extremamente perigoso.

 

Uma coisa que descobri ao ler atentamente cada uma das mensagens enviadas ao Jornal da CBN foi que alguns motoristas – no caso, algumas motoristas – aproveitam para “dar uma cantada”.

 

Depois de ouvir que o Dan Stulbach, enquanto dirige, gosta de dar beijos, hábito que aparece entre os cinco mais comuns entre os motoristas brasileiros, leia o que escreveu a Cynthia:

 

O Dan quer uma carona? – Cynthia Santos

 

Beijos a vocês todos que aceitaram participar desta brincadeira no Jornal.

 

Amanhã tem mais!

Ecos do carnaval: roteiro de acidentes é lugar-comum no Brasil

 

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Vítimas de acidente são atendidas no Sambódromo (reprodução site CBN)

 

 

Perdão pelo lugar-comum. Sei que poucas coisas são tão antigas quanto a expressão “ecos do carnaval”. Leio e ouço isso desde os tempos em que a mãe pintava um pinico na minha testa e me convencia que era o suficiente para estar fantasiado para o baile de carnaval dos Gondoleiros, clube da zona norte de Porto Alegre do qual meu avô era sócio remido – e reproduzo aqui essa informação pois lembro que na infância imaginava que esta categoria de associado era destinada às famílias nobres e, portanto, tinha orgulho de contar aos amigos.

 

 

O uso da palavra “eco” é uma desculpa que costumamos usar quando queremos voltar a escrever sobre assuntos que parecem esgotados, mas ainda reverberam na nossa cabeça. É o meu caso neste momento.

 

 

Mesmo depois de três semanas seguidas de festa, o carnaval ainda nos oferece subsídios para reflexão, especialmente diante dos acontecimentos no Sambódromo do Rio de Janeiro, onde dois carros alegóricos, da Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca, estiveram envolvidos em acidentes ferindo ao menos 30 pessoas, entre as quais algumas com gravidade.

 

 

Um dos diretores da Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – Elmo José dos Santos comparou os dois acidentes na Marques de Sapucaí a desastres de avião, mas não para revelar a dimensão da tragédia: “Tudo pode acontecer. O avião não cai? O avião não foi feito para cair, mas ele também cai. Então tudo pode acontecer”.

 

 

Infeliz comparação.

 

 

Apesar do clamor popular que acidentes de avião geram, por motivos óbvios, é inegável a seriedade com que os agentes envolvidos – fabricantes, companhias aéreas, engenheiros, pilotos, autoridades entre outros – tratam a questão da prevenção. Atitudes como as que levaram a tragédia da Chapecoense são raras. Se em lugar de desdenhar da gravidade dos acontecimentos no Sambódromo, o dirigente se espelhasse na forma como o setor aéreo atua, provavelmente estaríamos aqui apenas comemorando o título da Portela (aliás, eu nem estaria aqui escrevendo).

 

 

Por coincidência, ao mesmo tempo em que nossos carros alegóricos se envolviam em acidentes, no Rio, o mundo se mostrava escandalizado com a gafe proporcionada pela organização do Oscar, o maior prêmio do cinema internacional.

 

 

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Gafe histórica no Oscal (Reprodução site CBN)

 

 

Apenas para relembrar: os apresentadores Warren Beaty e Faye Dunaway anunciaram “La la land” como melhor produção quando o vencedor na categoria havia sido “Moonlight”. A PwC – PriceWaterhouseCooper, auditoria contratada para a apuração dos votos dos 6.600 jurados do Oscar, assumiu a responsabilidade pelo erro, imediatamente. Um de seus funcionários, no mínimo descuidado, entregou o envelope trocado aos apresentadores, enquanto ainda curtia o resultado de uma selfie com Emma Stone, vencedora na categoria melhor atriz.

 

 

A retratação não foi suficiente para a PwC, uma das empresas de auditoria e consultoria mais conhecidas do mundo, presente em 157 países, cerca de 223 mil colaboradores e receita bruta de US$ 35,9 bilhões, em 2016. Sua história não resistiu ao erro humano e a organização do Oscar cancelou o contrato e a parceria que durava oito décadas. Manchou seu legado.

 

 

Aqui no Brasil, a Liesa premiou as escolas responsáveis pelos carros alegóricos acidentados ao decidir que, neste ano, não haveria rebaixamento para não prejudicar as agremiações. E, sem pestanejar, isentou de culpa o engenheiro Edson Marcos Gaspar de Andrade, que certificou o carro da Paraíso do Tuiuti. Um engenheiro pra toda obra, como destacou em manchete o jornal O Globo, ao constatar que ele tem longa ficha de serviços prestados à Liga e a nove das 12 escolas de samba do grupo principal, no Rio.

 

 

O mais triste é perceber que tanto quanto a expressão “ecos do carnaval”, o comportamento da Liga das Escolas de Samba diante dos acidentes é lugar-comum no Brasil. A maneira leniente com que a Liesa trata o assunto é a mesma que permitiu a morte de 242 jovens na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), e causou o maior desastre ambiental que se tem notícia, além de ter matado 19 pessoas e deixado milhares sem abrigo, em Mariana (MG). Infelizmente, não faltariam exemplos se quiséssemos estender essa lista de tragédias. E não nos faltarão no futuro. Ao menos enquanto políticas de segurança e prevenção não se transformarem, estas sim, em lugares-comuns no Brasil.

Registro geral: mal na foto

 

 

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Há três anos fui surpreendido pela atendente que me recebeu em um dos postos do Poupatempo, em São Paulo, para renovar minha carteira de identidade. Soube por ela que em lugar de renovar, eu iria emitir nova carteira, o que significava ter um novo número de Registro Geral.

 

 

A carteira que portava comigo havia sido expedida em 1981, no Rio Grande do Sul. Aliás, aquele número já me acompanhava muito antes disso, pois o primeiro RG devo ter tirado ainda na adolescência. Todos os cadastros que fiz lá no Sul e aqui em São Paulo para entrar em prédios, abrir conta em banco, fazer compras em lojas, participar de concurso, inscrever-me em programas de todo tipo sempre contaram com o meu RG original.

 

 

Registre-se, um número que dava o que falar, pois era composto por dez dígitos e sempre causava espanto na pessoa que me atendia por aqui: “de onde você veio?”. Era a chance para encher a boca: “lá do Rio Grande do Sul”. Pintava sempre uma ponta de orgulho. E um início de conversa. O RG em São Paulo pelo que conto tem apenas nove dígitos.

 

 

Mais importante do que o bairrismo, porém, era o fato de mesmo sendo um RG extenso, dado o tempo de uso, eu já havia decorado dígito após dígito e os repetia de maneira sonora e ritmada. Além de CPF e todas as centenas de senhas para acessar contas e internet, ainda teria de memorizar os novos números? Haja memória.

 

 

No Poupatempo, brinquei com a atendente ao dizer que naquele momento estava tendo meu título de “gaúcho” cassado. E ela, meticulosamente, explicou-me que o “RG Gaúcho”” seria mantido; porém, a partir daquele momento, como estava fazendo um registro em São Paulo, teria o direito a um “RG Paulista”. Foi, então, que tive outra surpresa: ela me contou que qualquer cidadão brasileiro pode ter um RG em cada Estado e com validade em todo o território nacional. Ou seja, aquilo que burocratas batizaram de Registro Geral não é geral. É estadual.

 

 

Mente suja essa minha: logo imaginei aquele fraudador contumaz fazendo compras em São Paulo com RG do Rio Grande do Sul e depois viajando para Belo Horizonte onde faria compras com o RG do Rio de Janeiro e assim sucessivamente passando golpe Brasil a fora. Nem precisamos pesquisar muito na internet para ler notícias que descrevem a ação desses golpistas que se aproveitam do fato de não haver conexão entre os bancos de dados da maioria dos estados brasileiros.

 

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Na terça-feira passada, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que prevê a criação de um Documento de Identificação Nacional, que terá um chip e vai concentrar dados biométricos, RG, carteira de habilitação e título de eleitor. O documento será impresso pela Casa da Moeda e o CPF será usado como base para a identificação do cidadão, dispensando a apresentação dos demais documentos.

 

 

Confesso que após ler e reler notícias sobre o assunto não entendi se ficaríamos dispensados de emitir RGs e se a prática de ter um registro em cada Estado seria eliminada. Mas com certeza a medida seria bem-vinda e ficaríamos para todo e sempre com um único e original documento.

 

 

Por via das dúvidas, na última viagem a Porto Alegre agendei visita ao TudoFacil, o Poupatempo do Rio Grande do Sul, e renovei meu RG gaúcho. Após tantos anos longe do Estado, tendo construído casa, família e trabalho por aqui, não gostaria de ter mais este vínculo desfeito.

 

 

Apesar de estar com RG novo em São Paulo e renovado no Rio Grande do Sul, o que ninguém deu solução ainda foi para a qualidade da foto no documento: segue sendo um desastre. Bem, aí a culpa é minha!

Sem cortes: bastidores, estúdios e ideias sobre o rádio e o jornalismo

 

 

Como é a produção do Jornal da CBN, a necessidade de o rádio se reinventar, uma entrevista a ser feita e quem me inspirou na profissão foram alguns dos temas provocados pela estudante de jornalismo da ESPM-SP Gabriella Lemos em vídeo experimental que realizou, nos bastidores da rádio CBN. São nove minutos e pouco de entrevista, sem corte, nos quais, além de falar sobre rádio e jornalismo, mostramos estúdios, corredores e redação da CBN, em São Paulo. Curta, compartilhe e opine.

 

Da universidade se espera a busca de soluções para o jornalismo em crise

 

 

Este vídeo é resultado da conversa que a estudante Mahayla Haddad teve comigo durante a participação no 4o BetaJornalismo, promovido pela faculdade de jornalismo, da Escola de Comunicação e Arte da PUC-PR, no ano passado. Falo sobre crise no jornalismo e a expectativa de que soluções surjam da criatividade, inovação e responsabilidade dos jovens jornalistas.

O que aprendi com os meninos que não saem da frente do computador

 

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Fiquei em algumas filas a espera da loja de games abrir para que eles participassem do campeonato da vez. Lembro de atuarmos ao menos de duas acirradas disputas, de Mario Kart e Super Mario Strikers – nesta, a falta de um colega de equipe para um menino que estava sozinho na fila me fez entrar no jogo, também. Meus dois filhos, por motivos óbvios, preferiram formar eles próprios uma dupla.

 

Nunca chegamos a ganhar um campeonato, pois sempre aparecia alguém mais bem preparado e, geralmente, mais velho do que eles para ficar com o prêmio maior. Lembro que em uma das competições até fomos bem longe e ficamos entre os finalistas, mas tivemos de nos contentar com a diversão.

 

Levá-los à diversão eletrônica equivalia aos passeios proporcionados pelo meu pai aos jogos de futebol e basquete, em Porto Alegre. Naquela época, jogávamos bola em campo de areia e pracinhas de cimento irregular. O primeiro jogo eletrônico que foi parar nas minhas mãos era um Atari, que dois amigos tinham ganhado de presente. Já eram os anos de 1980.

 

Os guris aqui de casa também jogaram futsal e a quadra era sintética, na escola. Hoje, se exercitam na academia e preferem os equipamentos de musculação.

 

Desde pequenos, eles curtem os jogos eletrônicos – como praticamente todos os seus amigos. Motivo para termos ouvido muito a frase que ecoa nos lares brasileiros: “eles ficam o tempo todo no computador”.

 

Nunca fiquei assustado com a concorrência desse mundo, pois percorremos juntos este caminho. Em casa, nossos computadores sempre estiverem na mesma mesa, e nossa mesa sempre esteve na mesma sala, a de jogos, televisão e trabalho. Assim, nos acostumamos a estar juntos e não ficar isolado no quarto tanto quanto a compartilhar o que estávamos fazendo. E ninguém reclamou da quebra de privacidade.

 

A proximidade me fez entender algumas coisas que percebo são difíceis para muitos pais. Por exemplo, estarem à frente do computador por muito tempo não significa que estejam alienados. Conversam com os colegas, se informam e trocam informações. Se relacionam (e desses relacionamentos surgem novas amizades).

 

Há pais que creditam ao hábito o mau desempenho escolar dos filhos. Como castigo, decidem cortar a internet. Não dá mais, “eles ficam o tempo todo na frente do computador” – reclamam. E em respeito a autoridade paterna, apenas os ouço e me calo.

 

Geralmente, o baixo rendimento na escola está relacionado a outros fatores e não ao acesso indiscriminado às redes. Em casa, aprendi observando: eles não ficam o tempo todo no computador. Eles ficam todo o tempo fazendo um monte de coisas no computador, inclusive estudando.

 

Deparei-me várias vezes com os dois batendo papo pela rede com outros colegas de sala de aula, resolvendo questões mais complexas passadas pelo professor e tirando dúvidas enquanto se preparavam para os testes que seriam aplicados na escola. Na falta de solução compartilhada, eles próprios navegavam na internet em busca de resposta e esta podia ser encontrada em uma página ou em um vídeo no You Tube. No intervalo dos estudos, já os “flagrei“ assistindo a seriado no Netflix ou tentando passar mais uma etapa no jogo. Quando não, fazendo uma coisa e outra ao mesmo tempo.

 

Por mais de uma oportunidade, foram eles que me chamaram atenção para algo que estava se destacando no noticiário: a bomba que explodiu na Europa, o comentário desastroso de algum líder político, a celebridade que se meteu em mais um escândalo, o lançamento de um novo seriado e a última novidade eletrônica, que movimentará milhões de dólares, apresentada nos Estados Unidos. Ouviram no rádio? Viram na TV? Claro que não!

 

“Eles não saem da frente do computador”.

 

Tenho pensado muito sobre a trajetória deles no momento em que começam a traçar carreiras. O mais velho que enveredou pelo jornalismo, já trabalhou em um site de esportes eletrônicos, fez programa na rádio da faculdade sobre o mesmo tema e hoje escreve textos como especialista no assunto. O mais novo estreia no palco do Lol – League of Legends, neste sábado: é técnico estrategista de uma das equipes que disputam o título brasileiro (#TôNaTorcida). Ano passado já esteve no cenário como assistente na organização que representou o Brasil no Mundial.

 

Dos meus bate-bolas no campinho de areia ao estúdio de alta tecnologia montado para as partidas de Lol, onde estará meu pequeno. Do meu primeiro programa de rádio dedicado ao esporte amador na Guaíba AM, em Porto Alegre, ao programa de e-sports na WEB da ESPM, onde esteve meu maior. Lá se foram muitos anos, cada um com sua influência e seu atrativo. Uma diferença que não nos distanciou. Nos alinhou.

 

O que aprendi nesta experiência é que eles “não saem da frente do computador”, mas isso não é um problema. O problema é quando nós saímos do lado deles.