Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

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Lembro das folhinhas dos calendários pendurados na parede de casa, geralmente na parede da cozinha, ao menos até os imãs de geladeira aparecerem. Arrancava-se as folhas a medida que os dias passavam e com elas iam-se as homenagens que, imagino, seus criadores procuravam a dedo nos livros das bibliotecas – como deve ter ficado desinteressante a tarefa deste pessoal depois que a internet chegou!?. Ficava-se sabendo que o 8 de outubro era Dia da Santa Pelágia Penitente, enquanto o 25 de julho, o Dia da Abóbora. Havia as folhinhas com mensagens que pareciam tiradas de cadernos baratos de poesia: “a beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade de seu ser”, dizia uma que sei lá bem porque guardei na memória. Nada que fosse mudar nossas vidas, mas as folhinhas nos ofereciam a cada dia uma curiosidade por mais inútil que fosse.

 

Hoje, ainda recebo alguns calendários de mesa, de plástico e feios. As folhinhas são raras e chegam com tanta propaganda que mal têm espaço para as mensagens e homenagens. Para não jogá-las fora, passo à frente, muitos para minha sogra que insiste em pendurá-las na parede da cozinha. Os dias se passam agora no computador, em agendas virtuais, nas quais há lugar apenas para as atividades do cotidiano: reunião, palestra, conta para pagar, consulta no médico. Mesmo assim, ainda servem para marcar o nosso tempo e nos oferecer a oportunidade da renovação de esperanças sempre que o ano se encerra. E esta é uma sensação curiosa, porque, pense comigo, amanhã será apenas a sequência de hoje; vamos acordar e nos deparar com a mesma casa, a mesma cidade, a mesma família (neste caso, ainda bem); os compromissos que não atendemos continuarão pendentes e as coisas mal resolvidas permanecerão assim até que encontremos uma solução. Nada de novo, a não ser o dia, e, graças ao calendário, o ano.

 


Que sem graça seria se os calendários não existissem!

 

Feliz 2015!

Neste Natal, vamos comemorar em família

 

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O olhar voltado para o painel que anunciava o desembarque dos voos em Congonhas era de preocupação e dúvida, na noite dessa segunda-feira. Muitas pessoas não tinham ideia do horário em que o avião que esperavam aterrissaria em São Paulo. Bem pior: se desceria na capital paulista. Havia a possibilidade de seguir para Guarulhos ou Campinas. A chuva forte havia parado as operações no aeroporto e causado transtorno para muitas pessoas, em ar e terra. Apenas quando se aproximava das 10 da noite, os primeiro voos receberam autorização para chegar. E em meio a centenas de passageiros que saíam do setor de entregas de malas, para mudar o clima no saguão, surge um que estava vestido de Papai Noel. A preocupação da espera foi substituída pela surpresa e curiosidade em torno daquela figura exótica apesar da época do ano. Convenhamos, as roupas de inverno, completadas pelo gorro na cabeça, pouco têm a ver com o verão que acabara de se iniciar no Brasil, marcado pelo início da temporada de chuvas na região sudeste.

 

O Papai Noel passageiro claro que me chamou muita atenção, mas estava longe de ser minha maior surpresa no saguão do aeroporto nessa semana. Um dia antes, no domingo que antecedia a semana de Natal, fui receber parte da família que chegava para as festas de fim de ano, em São Paulo. Havíamos combinado de nos reunirmos em casa, mas não teríamos a presença do pai que ficaria em Porto Alegre. Assim que a porta de desembarque abriu, minha irmã apareceu empurrando o carrinho com mais malas do que costuma transportar, o que não foi suficiente para me antecipar a boa notícia que viria em seguida: meu pai, que você está acostumado a ler às quintas-feiras, decidiu nos acompanhar nas festividades e, sem avisar, embarcou para São Paulo. O que para a turma que mora por aqui, assim como para todos que se juntaram a nós, foi um grande presente de Natal.

 

Nesta noite, véspera de Natal, teremos bons motivos para estarmos juntos e compartilharmos o que vivemos neste ano que está chegando ao fim. Cada um de sua maneira poderá relatar vitórias e emoções, por mais difícil que tenham sido os momentos enfrentados. Apenas a possibilidade de, ultrapassados todo este período e todas as barreiras, estarmos mais uma vez reunidos entre irmãos, mulheres, maridos, sobrinhos, primos, filhos, pai e avô é razão suficiente para comemorarmos. Se há uma conquista da qual temos de nos orgulhar é a de estarmos unidos mais uma vez.

 

Como já escrevi em natais passados, a data sempre foi comemorada em família com rituais curiosos, como as saídas de casa no fim da tarde para que o Papai Noel chegasse e distribuísse os presentes embaixo da árvore. O roteiro era sempre o mesmo, ano após ano, com os irmãos arrumados e engomados fazendo um passeio com o pai até o Morro da TV, próximo de onde morávamos em Porto Alegre, enquanto a mãe ficava em casa para abrir a porta para o Papai Noel. Programa que durou um bom tempo, mesmo quando já tínhamos noção de que o tal passeio era apenas desculpa para a mãe ajeitar os presentes e acender as luzes da árvore. Hoje, mais importante do que o passeio, a árvore e os presentes é a possibilidade de nos encontrarmos.

 

Desejo que você, caro e raro leitor deste blog, tenha ótimos motivos para compartilhar suas alegrias e angústias em família, neste Natal.

A complexa tarefa de um professor que precisa dar nota aos alunos

 

Cadeira cativa no Canindé #DalheGremio

 

Jornalista não é bom de número (ao menos a maioria de nós). Preferimos as letras e, por isso, na escola, nos dedicamos às humanas. Isso não significa que no cotidiano da profissão estaremos livres de manipular dígitos e tratar das desumanidades que as notícias contam. Digo isso, desde início, para deixar claro que qualquer análise errada que faça sobre o fato que irei relatar agora talvez esteja relacionada a esta minha incompreensão da matemática.

 

Um estudante, desde o primeiro ano na escola, foi merecedor de medalhas de honra ao mérito, título oferecido àqueles que conseguem, no mínimo, nota 8 em todas as matérias, ao fim da temporada. Este ano, porém, ao concluir o ensino médio – que eu teimo em chamar de 2o. Grau – após 12 anos na mesma instituição de ensino, não se capacitou para a honraria, pois, em uma das matérias ficou com média 7,87. Apesar de todas as demais terem ficado acima do 8 exigido nas regras internas da escola, a falta de 0,13 ponto em uma delas o impediu de voltar a receber o prêmio.

 

Quando estive na escola, nas décadas de 1970 e 1980, as notas não eram números, eram letras. Se ainda lembro bem, os conceitos variavam entre Ótimo, Bom, Regular e NS – sigla do temido Não Satisfatório, que insistia em aparecer no meu boletim escolar. Num ano em especial, o NS dominou a grade, o que me levou a repetir. Foi na 7a. série do Primeiro Grau, hoje Ensino Fundamental. Foi duro contar em casa a notícia, apesar de todos já estarem esperando-a pois acompanhavam de perto meu (mau) desempenho. Conto hoje essa história com muito mais tranquilidade pois tantos anos depois sei que aquela reprovação não deixou sequelas.

 

Os conceitos em forma de letras parecem mais subjetivos, mesmo que sejam baseados em notas tiradas nas provas e no desempenho em sala de aula. Existem muitas variantes para incluir um aluno na categoria dos ótimos, assim como taxá-lo de regular, por exemplo. Parece-me mais justo para os estudantes e mais simples para os professores que podem trabalhar com uma margem de erro aceitável, afinal estamos falando de seres humanos que tem sua diversidade e são tomados de emoção.

 

Já os números são objetivos e cruéis: imagine a dificuldade para o mestre diferenciar um aluno 6,5 de um 6,75, ou saber quando um merece 8 e o outro 8,1. O que representaria 0,1 décimo (ou 0,13) de sabedoria a mais para um jovem? Conhecer o nome de todas as capitais brasileiras em ordem alfabética, sem pestanejar – se pestanejar vira 8, piscou duas vezes 7,9; ou fazer as equações mais rapidamente do que os outros; ou usar ponto e vírgula em seus textos, enquanto os colegas se limitam ao ponto e a vírgula. Sei lá como os professores se saem diante desse desafio. Ainda bem que decidi ser jornalista e não ter de resolver situações complexas como essas. De vez em quando até somos obrigados a dar notas para o desempenho de jogadores de futebol ou de gestões públicas, mas nossa falta de precisão não costuma causar muitos estragos.

 

Coloque-se agora diante da situação enfrentada pelo professor que teve o dever de julgar o desempenho de um aluno que por 11 anos foi honra ao mérito na escola e, no último, havia alcançado notas que superavam a média 8 em todas as matérias, menos na dele. Deixar-se levar pela frieza de um número – no caso 0,13 – que tiraria de um jovem a satisfação do prêmio ou reavaliar o desempenho geral do aluno, pesar seu histórico e lhe oferecer a oportunidade da conquista final? Prezar pela precisão das exatas ou cultivar a subjetividade das humanas?

 

O professor, calculista, apesar de ser da área de humanas, preferiu o caminho reto dos números. Para ele não havia dúvida, seu aluno era um 7,87, jamais um 8. O estudante, pelo que soube, sequer reclamou pois já havia aprendido a lição: para a sua história, que está apenas começando, tudo isso era muito insignificante – quase um 0,13.

Eu só queria um selo, simples assim

 

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O cartaz, escrito à mão, pedia paciência aos clientes e informava que o sistema estava lento. A impaciência no olhar das pessoas que estavam na fila sinalizava que o problema não era a lentidão, mas a inexistência do sistema. Aproveitei a moça do caixa, com ar desolado, para saber se poderia ao menos comprar um selo e remeter carta simples para outro Estado. Selo tem, mas não tem sistema, e só vende selo se tiver sistema. Mas custa só 85 centavos!? Sem sistema não tem registro, sem registro não se vende selo. Simples assim.

 

Como não estava disposto a esperar, pois não havia qualquer previsão de regularização no atendimento, fui ao shopping mais próximo, onde, certamente, haveria selos à venda e meu problema estaria resolvido. Ledo engano. Na livraria não vendem, na revistaria, também não, e nenhum dos que me atenderam souberam responder onde encontrá-los. Sem contar o olhar de estranhamento: quem ainda precisa de selo?

 

Se as pessoas não resolvem, aposto na tecnologia, sem lembrar que foi esta que me criou o primeiro entrave lá no posto em que a fila de espera era extensa. Com o celular na ponta dos dedos, acessei a página dos Correios na internet e logo percebi que esta é imprópria para navegação, pois não se adapta ao tamanho da tela.

 

Não desisti: fui para a loja de aplicativos e encontrei o ícone que desejava. Baixei o app Correios no meu celular em busca da agência mais próxima. Surpreendi-me ao saber que o aplicativo não é nada amigável: por exemplo, não oferece a possibilidade de localizar, automaticamente, a agência e posto próximos de onde você está, coisa que qualquer serviço mequetrefe já desenvolveu.

 

Se não dá para ajudar, por que não criar ainda mais problemas?

 

Ao clicar na aba “Agências – procure uma agência perto de você” é preciso informar o Estado, a cidade e o bairro onde você está. Ou melhor, o bairro próximo de onde você está e tenha representantes dos Correios. É que o sistema de busca só tem os nomes dos bairros onde funcionam os Correios, o que gera a seguinte situação: se eu estiver no Jardim Lindoia (você sabe onde fica?) e lá não houver agência, tenho de descobrir quais bairros fazem limite com o Lindoia e verificar se um deles aparece na lista. Um dos mais famosos da cidade de São Paulo, o Morumbi, por exemplo, não aparece.

 

Poderia ser tudo mais simples se o sistema funcionasse, os selos estivessem disponíveis em qualquer banca e o aplicativo fosse criado pensando na experiência do usuário. Mais simples ainda, se a empresa para qual fui contratado para prestar palestra não me obrigasse a postar no correio um documento que poderia ter sido digitalizado e enviado por e-mail – o que convenhamos, hoje é coisa simples de se fazer.

 

Não bastasse todo o transtorno, um toque de ironia nesta história: dentro do envelope – que eu ainda não remeti – uma declaração em papel timbrado e assinado de que minha empresa está incluída no “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte” que costumamos chamar de Simples.

 

Simples assim.

O importante em uma amizade é saber conservá-la

 

Dos amigos

 

Dos amigos que ficaram dos tempos do Rio Grande do Sul – e saiba que foram muitos tempos, pois troquei o estado natal por São Paulo apenas em 1991, por necessidades profissionais -, tem um que me acompanha desde lá, mesmo que nossos encontros e conversas sejam raros. Paulinho, que é como teimo em chamá-lo a despeito da idade e da responsabilidade que lhe permite estar há 21 anos em uma das maiores forjarias do Brasil, ficou em Porto Alegre, enquanto eu, de mala e sem cuia, me despachei para a capital paulista em história que você, caro e raro leitor deste blog, deve conhecer minimamente, pois já a relembrei várias vezes – se um dia você quiser, desconfio que não queira, dedico outro post para escrever sobre aquela decisão que foi definidora na minha vida. Desde que deixei o Sul, chegamos a passar anos nos falando por telefone e apenas no dia de nossos aniversários. O dele, curiosamente, é dos poucos que não preciso anotar na agenda para lembrar: dia 2 de janeiro – apesar de os amigos sempre terem desconfiado que ele nasceu um pouco antes,e o pai, já prevendo a carreira esportiva que o guri se dedicaria, o registrou dias depois, o que lhe renderia um ano de vantagem. Essa história, claro, sempre ficou no campo da especulação jocosa dos amigos mais próximos, mesmo porque Seu Valdemar, o pai do Paulinho, é homem de uma correção que pouco se vê por aí.

 

Mesmo que nossos contatos sejam esparsos, quase toda vez que Paulinho vem a São Paulo, por compromissos profissionais, tentamos um encontro. Nem sempre é possível devido as diferenças de agenda e esta necessidade que tenho de estar cedo na cama para madrugar no dia seguinte, na rádio. O bom das férias é que podemos esquecer o relógio e, mesmo que o avião atrase e o trânsito atrapalhe, se pode esperar os amigos até a hora em que ele chegar, como aconteceu ontem à noite, quando o recebi para jantar. Como sempre, excelente oportunidade para atualizar as notícias da vida e relembrar passagens vividas juntos, especialmente porque ele foi meu companheiro de basquete, de namoros, de viagem – a maioria das vezes para Pinhal, no litoral gaúcho, ou para Garopaba, no catarinense -, e de muitas outras coisas que costumamos fazer na adolescência e juventude. Paulinho era mais sério e metódico; eu, menos organizado, me adaptava mais aos hábitos dele; ambos casamos mais ou menos na mesma época e tivemos filhos com a mesma idade; ele se separou de uma amiga da adolescência, casou de novo e hoje tem mais uma menina. Eu estou com dois meninos. Ao contrário dos pais, os filhos pouco se conhecem.

 

Por estranho que possa parecer, especialmente àqueles que desconhecem a tolerância e para os que vivem de esteriótipos, ele é colorado e eu, você já sabe, sou gremista. Diferença clubística que mais nos aproximou do que dividiu, pois as conquistas de um e de outro serviam para nos divertir, um dia em favor de um, um dia em favor de outro. Bem verdade que houve momentos em que o melhor era aguardar alguns dias antes de conversar com o amigo, mas nada que tivesse nos separado em definitivo. Para atrapalhar ainda mais o julgamento dos descrentes, apesar dele ser torcedor do Inter, desses de comparecer na arquibancada ao lado da família, fomos colegas de basquete no Grêmio, onde joguei por 13 anos, e a preferência dele pelo co-irmão não o impedia de brigar em quadra pela vitória. Até há alguns anos, ele guardava no apartamento, em Porto Alegre, uma camisa de basquete tricolor que acabou me presenteando por entender que estaria mais bem venerada na minha casa em São Paulo. Mal imaginávamos que aquela troca de endereço seria fatal para o destino da camisa de manga de regatas com o símbolo do Grêmio no peito e o número 12 nas costas. Ao ter a casa invadida por bandidos, a camisa foi roubada (assim como todo o restante da coleção, a bandeira oficial e a medalha de campeão da Copa do Brasil; além de outros objetos como menor valor sentimental tais como computadores, televisão, roupas, etc).

 

É difícil entender o que faz duas pessoas se transformarem em amigos e, principalmente, o que as faz permanecer nesta amizade mesmo com suas diferenças e distâncias. Muitos em condições parecidas se foram sem deixar história ou saudade. Às vezes, as facilidades de acesso e busca no Facebook forjam reencontros que logo se revelam fugazes. Deve haver alguma explicação baseada na filosofia ou na psicologia, porém o mais importante em uma amizade não são os motivos que a justificam, mas a própria existência dela. Portanto, conserve-a.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Davi_Vazquez, no Flickr

Boas férias, depois de prêmios, micos e muito trabalho

 

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A semana que antecede as férias é sempre de muito trabalho, seja no trabalho seja fora dele. Tudo aquilo que você não fez no ano inteiro tem de ser realizado nos dias finais para que nada atrapalhe seu descanso. A reforma em casa, o documento a ser renovado, o pagamento adiado, o texto que ainda não foi entregue e o exame pedido pelo médico são apenas algumas das muitas tarefas pendentes. No caso do rádio, tem ainda as que precisam ser feitas agora para serem usadas enquanto você está descansado: na CBN, por exemplo, tiveram as gravações para o programa Mundo Corporativo e os textos para o Conte Sua História de São Paulo. É preciso lembrar que se a gente para, a programação, não.

 

Bem verdade que não posso reclamar muitos destes últimos dias de trabalho, cheios de boas notícias. Até mesmo o que parecia ser um grande mico se transformou em diversão. Refiro-me ao pagamento da aposta à turma do Hora de Expediente – Dan, Zé e Teco – que me fizeram colocar na cabeça uma bandana semelhante a usada por Renato Gaúcho. Tudo porque acreditei que Felipão seria capaz de nos levar à Libertadores no ano que vem. Não fosse aquele segundo tempo contra o Cruzeiro, eu teria escapado da brincadeira.

 

Na intensidade da semana, um momento muito especial foi ter recebido a informação da escolha para o prêmio especial do júri na categoria rádio pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O Prêmio APCA é dos mais tradicionais e prestigiados no país, e ter meu nome entre os selecionados me enche de satisfação. Essa é uma premiação especial pois leva ao palco gente do teatro, do cinema e das artes, além da turma do rádio e da TV. Durante muitos anos, assisti à entrega do prêmio a jornalistas e programas de rádio que sempre respeitei muito, portanto estar entre eles agora é a confirmação de que vale a pena se esforçar todas as manhãs para entregar o melhor que se consegue no Jornal da CBN. Sem falsa modéstia, esse prêmio é resultado do trabalho desenvolvido por uma equipe de profissionais competente, diversificada, divertida e comprometida com a busca da verdade. Não por acaso, nesta mesma semana, a Rádio CBN aparece pela 15a. edição seguida como a emissora de maior reputação do Brasil, conforme pesquisa “Veículos Mais Admirados: Índice de Prestígio das Marcas”, do Grupo Troiano de Branding e do jornal Meio & Mensagem.

 

Se me permite, caro e raro leitor deste Blog, compartilho ainda uma alegria muito pessoal (e familiar) desta semana: além de ver meu filho mais novo, o Lorenzo, alcançar notas que lhe permitem passar por média para o segundo ano do ensino médio – repetindo desempenho dos anos anteriores -, tive o prazer de assistir ao meu mais velho, o Gregório, se inscrever no curso de jornalismo da ESPM_SP. É a segunda faculdade para a qual se capacita, sem contar os resultados positivos alcançados no ENEM e FUVEST, neste ano. Evitei ao máximo influenciar na escolha do curso a seguir (eu juro) e entendo que a decisão de agora, por jovem que é, pode ser mudada na próxima esquina. Saber, porém, que ele, em algum momento, considerou seguir a mesma carreira que o pai e a mãe, a Abigail, sinaliza consideração e respeito pelo trabalho que nós desenvolvemos até aqui. Foi, sem dúvida, o mais importante reconhecimento que nós poderíamos buscar. E a certeza de que os próximos dias de férias serão muito bem aproveitados para comemorar todas estas conquistas.

 

Volto à programação da CBN na última semana do ano, mas estarei por aqui, no Blog, quase que diariamente contando com a sua participação e a colaboração dos nossos sempre fieis comentaristas.

Corrigindo: Empreiteiras da Lava Jato doaram até R$1bilhão, estima Transparência Brasil

 

As nove empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, através de dezenas de subsidiárias, doaram a comitês, partidos e políticos cerca de R$ 672,6 milhões, entre os anos de 2002 e 2012 (ou seja, em seis eleições), de acordo com levantamento inédito realizado pela ONG Transparência Brasil, a pedido do Jornal da CBN. Somando o que já foi declarado na eleição de 2014, o valor sobe para R$ 818,8 milhões.

 

Levando-se em consideração o histórico de doações, quando todos os dados estiverem registrados no Tribunal Superior Eleitoral, estima-se que terão doado mais de R$ 1 bilhão, em valores corrigidos, entre 2002 e 2014. (este valor foi retificado, pois a ONG havia informado, mais cedo, por engano, que chegaria a R$1 trilhão)

 

Um aspecto que chama atenção é o aumento de doações entre as eleições de 2006 e 2010: saltou de R$ 62,2 milhões para R$ 324 milhões, ou seja, as empreiteiras doaram para comitês, partidos e políticos, em 2010, cinco vezes mais do que em 2006.

 

Confira a quantia que cada uma das empreiteiras citadas no escândalo da Petrobrás, investigado pela Polícia Federal, doou nas campanhas eleitorais:

 

Empreiteiras - Campanhas 2002:2014

 

*O prazo final para prestação de contas à Justiça Eleitoral, da eleição de 2014, é dia 25 de novembro

Rebobinar, cair a ficha e virar o disco: expressões que ficaram no tempo

 

A Bel Pesce, com seu papo serelepe, logo pela manhã, no Jornal da CBN, propôs que você aproveitasse o fim do expediente para rebobinar a fita e refletir sobre as coisas que aprendeu e sentiu durante o dia. É uma maneira muito legal de reviver tudo o que passou, não esquecer bons momentos e, se algum assunto estiver pendente, quem sabe tentar uma solução ou enviar um e-mail. O desafio proposto por ela acabou provocando outras memórias, a medida que lembrei, no nosso bate-papo, que a expressão rebobinar, apesar de apropriada, não fizesse mais parte da vida de muitas pessoas. Comum na época em que alugávamos fitas de vídeo e éramos obrigados a rebobiná-la sob o risco de sermos multados pela locadora, a expressão surgiu muito antes: está relacionada às fitas de rolo que eram usadas em estúdios de gravação e emissoras de rádio, como, aliás, citaram alguns ouvintes em mensagens enviadas ao programa.

 

Pelo e-mail, Twitter e WhatsApp surgiram muitas outras expressões datadas, algumas que persistem apesar de parecerem sem sentido para novas gerações, outras que ficaram para trás. Aproveito a participação dos ouvintes-intenautas para fazer uma relação destes termos:

 

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Caiu a ficha, usado quando você entendeu ou percebeu algo, e tem relação ao fato de os telefones públicos, no passado, usarem fichas que caíam quando a ligação era completada. Com o sucesso dos celulares, em breve, talvez nem tenhamos mais telefones públicos ou orelhões.

 

Disca pra mim era um convite para que a pessoa telefonasse para você, em uma época na qual os aparelhos telefônicos (que eram fixos) em lugar de teclas tinham um disco. O telefone discado enviava pulsos elétricos através do giro do número correspondente em um painel em formato de disco. Hoje, apesar de muitos apostarem na aposentadoria dos telefones fixos ainda tem serviço de entrega que usa o termo “disque” ou “disk” (pra ficar mais chic), mesmo que os pedidos cheguem pela internet.

 

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Tá tudo Magiclick significa que está tudo ótimo, deu tudo certo; e nasceu de jargão publicitário de um tipo de acendedor automático de forno e fogão que substituía com maestria (esta palavra é mais antiga ainda) os fósforos. O acendedor da marca Magiclick, foi criado pelo argentino Hugo Kogan, em 1963, e facilitava a vida das donas de casa – sim, naquela época só elas tinham o direito de atuar na cozinha – pois acendia o fogo apenas com um clique no equipamento. Alguns tinham chama própria e outros apenas geravam uma faísca que, em contato com o gás, produzia a chama. Nos anúncios, o fabricante garantia que o Magiclik tinha capacidade de funcionar de forma autônoma por até 104 anos. Ou seja, ainda tem muito tempo pela frente.

 

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Deu tilt entrega a idade, também; principalmente se você usar o termo para dizer que alguma coisa deu errado. A expressão se popularizou com as máquinas de fliperama ou pinball que nasceram na pré-história dos jogos eletrônicos. Para a bola de metal correr na mesa por mais tempo, somando pontos na partida, usávamos duas palhetas e, às vezes, em jogadas mais bruscas, sacudíamos a máquina a ponto de incliná-la. Quando isso ocorria éramos punidos e a palavra tilt surgia na tela. Tilt é palavra em inglês que pode ser usada como verbo ou substantivo e significa, em português, inclinar ou inclinação.

 

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Pegar o bonde andando acontece sempre que você entra em uma reunião de trabalho sem saber quais os assuntos que foram discutidos antes ou quando pega uma conversa no meio do caminho. Tinha a ver com os passageiros que subiam no bonde quando ainda estava em movimento, o que, apesar de perigoso, era possível pela velocidade com que andava pelas ruas. Vai me dizer que nunca ouviu falar em bonde? Era um tipo de transporte público comum que começou a rodar entre nós no século 19. Circulava sobre trilhos e era movido à eletricidade (chegou a ter tração animal e por meio de vapor), ou seja muito mais amigável do meio ambiente do que os ônibus à diesel que os substituíram. Algumas cidades ainda mantém este tipo de transporte. Eu só andei em um, aqui no Brasil, quando minha mãe me levou para fazer a última viagem de um bonde, em Porto Alegre.

 

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Vira o disco é o que costumávamos pedir para aquele colega que insistia em falar do mesmo assunto e, claro, a expressão está ligada aos tempos do vinil que tinha faixas musicais dos dois lados. Como ouvir disco em eletrola virou cult, a expressão vai perdurar – até porque gente chata que não troca de assunto está cheia nestes tempos de rede social. E como não quero estar nesta lista, termino a conversa por aqui lembrando apenas mais algumas expressões que me foram enviadas: chato de galocha, fazer a caveira da pessoa, tirar o chapéu, tirar o cavalo da chuva, beber na fonte, dar nó em pingo d’água, a casa caiu e tomei um pifão.

 

Fiquem à vontade para colaborar com esta lista.

Entrevista: o rádio, o jornalismo e o jornalista na era da internet

 

O rádio e o jornalismo na era da internet foi tema da entrevista que concedi para a agência de comunicação Printer Press, na qual realizei palestra destacando as novidades neste veículo e os novos caminhos da notícia.

 

Na primeira parte da conversa com a jornalista Daniella De Caprio, falamos sobre a forma como o veículo se adaptou às novas tecnologias e a relação dos profissionais de rádio com as assessorias de comunicação:

 

 

Na segunda parte da entrevista, tratamos de demandas do novo jornalismo e como estudantes que estão querendo investir neste mercado e profissionais que se iniciam na carreira podem se preparar melhor para encarar os desafios da profissão: