‘Cat Sense’ revela o que seu gato está pensando (e o Bocelli, também)

 

 

Bocelli costuma acompanhar passo a passo meu início de dia que, como você deveria saber, começa ainda de madrugada (que horas você pensa que eu acordo para apresentar o Jornal da CBN às seis da manhã?). Basta me levantar da cama e ele me pede para abrir a porta do quarto. Dali até embarcar no carro, me acompanha no banho, na barba, no vestir a roupa e no café da manhã. Quando volto para casa, costuma sair debaixo da árvore onde gosta de passar a manhã e me segue até a mesa do almoço. Soube nesses dias que Boccelli está incomodado com minha ausência em casa, corre para porta sempre que surge um movimento e retorna cabisbaixo ao perceber que não cheguei. Bocelli é meu gato de estimação, para que não haja nenhum dúvida sobre de quem estou escrevendo neste post. Descubro, agora, que ele me vê como outro gato, gigante e muito dócil. É o que ensina o biólogo John Bradshaw, autor de Cat Sense, livro que encontrei no topo da lista dos mais lidos do jornal The New York Times.

 

Bradshaw dedicou mais de 30 anos de sua vida ao estudo de comportamento dos animais domésticos e explica, no livro, porque os gatos agem como agem quando encontram os humanos. Diferentemente dos cachorros, os gatos foram acasalados com a intenção de torná-los mais bonitos e não mais dóceis, o que explicaria o fato deles serem menos domesticáveis. Calcula que 85% das “transas” que levam à procriação se dão entre gatos selvagens, já que os domesticados costumam ser castrados, o que dificulta o comportamento social da raça (desculpa aí, Bocelli!).

 

O pesquisador britânico desmistifica a ideia de que os gatos são indiferentes às pessoas: para ele, os gatos têm fortes emoções, mas tendem a sofrer em silêncio (pobre Boccelli, distante de mim, triste e com sentimentos enrustidos; garanto que volto logo, amigo!). Quando eles se esfregam nas suas pernas reproduzem o mesmo gesto de proximidade que realizam ao encontrar outro gato e, de forma afetiva, estão sinalizando que o consideram um gato não hostil. O rabo reto é uma espécie de saudação: “é provavelmente a maneira mais clara do gato mostrar sua afeição por nós”, garante o autor.

 

No livro, Bradshaw justifica o fato de os gatos largarem suas presas no meio da casa, o que muitos traduzem como sendo a demonstração de que eles querem alimentar seu proprietário. Para o pesquisador, os gatos apenas tentam levar a caça para um lugar mais seguro, mas logo percebem que a ração oferecida pelo dono é muito mais saborosa e a abandonam.

 

Tudo lido e revisto, a sugestão é que você deixe de chamar seu gato de “meu bebê”. Prefira “meu amigo”, “cara” ou “mano”. Provavelmente, ele se identificará muito mais com você.

 

Eu continuarei chamando o meu de Boccelli.

Aeroporto são feitos para funcionar; quando não funcionam …

 

 

Aeroportos são feitos para funcionar, tanto quanto os aviões. Problemas técnicos ou falhas no gerenciamento de crise costumam provocar grandes prejuízos (até mortes, no caso dos aviões): negócios deixam de ser realizados, reuniões não ocorrem, agendas sofrem transtornos e sonhos não se realizam. Especialmente no período de férias, expectativas de famílias inteiras são frustradas, pessoas que se reencontrariam têm de estender a saudade, e planos, às vezes construídos por um ano inteiro, outros por toda uma vida, são adiados. Fora os momentos que nunca mais serão vividos (ou sentidos) pelos passantes.

 

Há situações, porém, inevitáveis, para as quais aeroportos e aviões têm de estar preparados. Nos Estados Unidos, onde estou nessas férias, turistas vivem um cenário de intranquilidade, para dizer o mínimo. Todo dia, milhares de voos são cancelados devido as nevascas que atingem parte do país, que enfrenta um dos seus mais rigorosos invernos. Algumas temperaturas beiram o absurdo, termômetros marcaram -40ºC, em Minnesota, e a sensação térmica pode chegar a -51ºC, em Chicago. Onde estou, mais ao leste, a neve foi intensa e curtimos um inverno de aproximadamente -20ºC, aulas não foram reiniciadas depois dos feriados de Natal e Ano Novo e muitos trabalhadores ficaram em casa. A possibilidade é que o frio permaneça intenso por mais alguns dias.

 

Domingo passado, a caminho do aeroporto La Guardia, em Nova Iorque, cruzamos por painéis eletrônicos anunciando o fechamento do aeroporto JFK, que fica um pouco mais à frente. Logo me solidarizei com as centenas de brasileiros sem condições de retornar para o Brasil, conforme havia lido em reportagens horas antes na imprensa local. Soube depois que um avião da Delta derrapou na pista sem causar danos, mas espalhou neve e medo na tripulação e nos passageiros. A mesma empresa domina os terminas C e D do La Guardia, aeroporto que tem voos mais curtos do que o JFK, e de onde pretendíamos seguir para Burlington, cidade que está a meia hora de uma estação de esqui, Stowe, no Estado de Vermont. Depois do check in feito, malas despachadas, bilhetes na mão e todos assentados na sala de embarque fomos informados que o voo estava cancelado. Mais informações no guichê à direita, orientou o funcionário da Delta. Não demorou muito para percebermos que a diversão ficaria adiada para as próximas férias. Não havia lugar nos voos para os dias seguintes e menos ainda a garantia de que estes conseguiriam decolar em direção à Vermont.

 

E agora você começará a entender porque iniciei este texto reforçando a ideia de que os aeroportos foram feitos para funcionar. Os daqui dos Estados Unidos costumam andar muito bem levando em consideração o número de passageiros e voos diários, além da complexidade de se atender um pais com essas dimensões e o trauma de atentados. É o que se espera de qualquer aeroporto do mundo: atendimento rápido, serviço de qualidade, conforto para o embarque, organização e segurança. O problema é que existem fatores que fogem do controle de seus administradores como as intempéries: vento forte, nevoeiro, chuva ou neve intensas. E para essas tem de se ter um plano de contingenciamento que ofereça o mínimo de respeito aos passageiros, vítimas de todo este processo e, afinal de contas, quem financia o negócio.

 

A experiência que encarei no La Guardia não me dá garantias de que os administradores estejam prontos para essas dificuldades. O valor da passagem, disseram os funcionários, será restituído, bastando fazer contato com a empresa por telefone. Tudo muito simples (e em 20 dias úteis, me parece). Tanto quanto seria para resgatar minhas duas malas que, soube depois, deveriam ser devolvidas em até uma hora e meia. A primeira apareceu uma hora depois em uma esteira rolante de outro voo no terminal em que eu pretendia embarcar. A segunda foi protagonista de uma aventura que me levou a visitar mais três terminais por mais de uma oportunidade, entrar na fila de reclamações quatro vezes – algumas enormes (as filas) – e perceber como é vulnerável o sistema de segurança. Vários passageiros a espera das malas assim como várias malas a espera de passageiros formavam um cenário caótico. A argentina soube que suas malas tinham seguido para Vermont, o polonês teve a garantia de que as suas estavam por ali, em algum lugar qualquer, provavelmente acompanhadas pela minha mala que a atendente, bastante simpática, tinha certeza de que permanecia no aeroporto, apenas não sabia onde. Foram cinco horas de espera até ser informado de que algumas malas teriam sido entregues em terminal próximo dali e, se eu tivesse a sorte, a minha estaria por lá. Dei sorte.

 

Aeroportos foram feitos para funcionar, mas quando não funcionam, têm de estar prontos para gerenciar crises e oferecer o mínimo de transtorno possível ao passageiro que, convenhamos, já teve frustração suficiente ao não alcançar seu destino.

 

PS: com as malas de volta e roteiro modificado, minhas férias vão muito bem, obrigado. E os patrícios estão mais tranquilos por saberem que não me arriscarei em uma pista de esqui, novamente. Ao menos, por enquanto.

Tyson diz trocar desejo pelas drogas pelo de ser uma pessoa melhor

 

 

Semana passada, ao escrever sobre MMA aqui no blog trouxe minhas lembranças das lutas de boxes e citei Mike Tyson como ponto final pela admiração que tinha com o esporte. Por coincidência, lendo The New York Times, no fim de semana, me deparo com artigo assinado pelo ex-boxeador no qual fala das tradicionais resoluções de Ano Novo, ponto de partida para tratar de sua maior luta: o vício com drogas e bebidas.

 

Tyson diz que, por ser viciado, faz parte de um grupo que não pode se dar ao luxo de fazer promessas que não mantêm: “a disciplina não é algo por que lutar a cada ano novo – é necessário a cada momento”. Apesar dos pesares, considera-se disciplinado, lição que aprendeu com seu primeiro treinador, Cus D’Amato, com quem trabalhou duro para se tornar o mais jovem campeão dos pesos pesados na história, quando sacrificou boa parte de sua vida social como adolescente e durante anos exigiu de seu corpo ao extremo todos os dias. D’Amato morreu um ano antes de Tyson conquistar o título mundial, em 1986, e com ele se foi o cara que o mantinha sob controle e distante das drogas e bebidas.

 

Tyson conta que os anos de sucesso foram os mais perigosos de sua vida, pois ouvir “você é um Deus” ou “seu retorno é incrível” detonava a certeza de que ele era capaz de beber, se drogar e se conter quando quisesse. Ledo engano. “Quando estava no auge de minha carreira, tinha um sistema de apoio ruim. Abutres gananciosos estavam em volta de mim, colocando suas mãos nos meus bolsos, usando meu status para seu ‘auto-engrandecimento’. Não havia como vencer assim” – escreve. O ex-boxeador conta que estava sóbrio por cinco anos quando teve um deslize e voltou a beber novamente em agosto do ano passado. Em lugar de se esconder, seguir “alto” até se deparar com uma prisão ou um acidente de carro, depois de três dias, ele buscou ajuda, sem necessidade que houvesse uma intervenção: “eu tinha aprendido na terapia a não bater em mim mesmo. Eu lembrei que a recaída é parte da recuperação”.

 

O caminho da humildade e do reconhecimento de sua fraqueza, diz Tyson, o faz se sentir muito melhor: “tive de substituir o desejo por drogas ou álcool pelo desejo de ser uma pessoa melhor”. Encerra o artigo desejando que todas as resoluções mais bem-intencionadas se realizem em 2014. Que as de Tyson, que parece estar construindo uma nova história vencedora, também se concretizem.

 

A falta de educação é mais violenta do que o MMA

 

 

O artigo publicado na quarta-feira, neste blog, assinado por Carlos Magno Gibrail, entra na discussão sobre o MMA, provocada pelo acidente com Anderson Silva. Para começo de conversa, deixo registrado que não me satisfaz assistir às lutas, assim como não gosto de acompanhar muitas outras modalidades esportivas, algumas, inclusive, olímpicas. Na madrugada do domingo, estava mais preocupado com a viagem de férias do que em ver aquela turma agindo com violência no ringue (que agora chamam de octógono). Somente soube da lesão de Anderson Silva quando já estava no aeroporto e a foto da perna redobrada foi suficiente para sentir dor e lamentar o acontecido. Não gosto do esporte, mas admiro Silva pelas conquistas e pela imagem serena que transmite, diferentemente de muitos brutamontes do MMA.

 

Em contrapartida, gostava de lutas de boxes, em especial quando Cassius Clay estava no ringue. Lembro que, ainda guri em Porto Alegre, tive a oportunidade de ver Éder Jofre treinando no ginásio que ficava quase no quintal da minha casa. Eu e meu irmão menor, o Christian, ganhamos do pai, pares de luva de boxe de brinquedo. Protagonizamos grandes embates sobre o tapete da sala de TV que delimitava o espaço do nosso ringue imaginário. Penso que não nos tornamos mais violentos nem alimentamos inimizades. Talvez um ou outro tenha jogado a toalha para reclamar com a mãe um golpe baixo. Desde o fenômeno Mike Tyson nunca mais tive motivação para assistir às lutas na TV. As luvas de brinquedo foram abandonadas.

 

É válida a discussão sobre os benefícios e limites do MMA, pois ganhamos sempre que o debate visa preservar a integridade física do ser humano, mas soa ridícula a tentativa de proibir a exibição dos eventos na TV sob a alegação de que as cenas geram violência. Não bastasse o fato de as lutas serem transmitidas tarde da noite em apenas um canal de TV aberta, portanto, tendo o cidadão o direito de escolher pelo programa que bem quiser. É a mesma lógica que move grupos a pedirem o fim de personagens sórdidos nas novelas e restrições à venda de vídeo game sob a alegação de que causam más influências. Tenta-se resolver os problemas complexos da vida em sociedade com pensamentos simplistas.

 

No Canadá, não muito distante de onde estou, as jogadas brutas e as agressões físicas fazem delirar os fanáticos do hóquei no gelo, nem por isso vivem em uma sociedade mais violenta do que a nossa. O que faz mesmo diferença é o fato de os canadenses estarem em sexto lugar no Pisa com escore 524, enquanto nós aparecemos em 53º lugar com 412, abaixo da média internacional que é 493. Ou seja, a solução não está na proibição do MMA, mas na educação.

 

N.B: A propósito, Carlos, inclua no seu cardápio esportivo hóquei na grama feminino: as meninas fazem frente à Sharapova.

Aproveito para desejar-lhe um feliz Ano Novo

 

Por Mílton Jung

 

 

Estou de volta à casa onde escrevi meu primeiro livro, na cidade americana de Ridgefield, em Connecticut, e, por coincidência, sentado, enquanto redijo este post, praticamente no mesmo espaço que ocupei naquelas férias de meio de ano, em 2004. Algumas coisas mudaram desde lá, a começar pela própria casa, ainda mais confortável, com ambientes ampliados e a cozinha deslocada mais para o fundo em uma peça redesenhada em estilo toscano. O tempo, porém, não foi suficiente para quebrar o silêncio que toma conta da vizinhança. À noite, mal se ouvem o aquecedor central estalando a madeira, o som dos pneus de carro roçando o asfalto e o murmurinho das crianças que brincam até tarde no quarto. A sensação de paz é impressionante, às vezes, assustadora para quem se acostumou com a barulheira urbana de São Paulo.

 

‘Jornalismo de Rádio’, lançado naquele mesmo ano pela Contexto, estava bem planejado quando cheguei aqui, praticamente todo material de pesquisa havia sido separado, mas era preciso acelerar a escrita para entregar no prazo da editora. Plano quase frustrado, pois o único computador da casa estava quebrado e sem previsão de conserto. Fui salvo por um palmtop que havia trazido comigo do Brasil e tinha como principal função servir de agenda eletrônica. Talvez você nem se lembre mais dessas pequenas máquinas de recursos limitados se comparados aos equipamentos eletrônicos atuais. O modelo do meu, se não me falha a memória, era o Zire 21, talvez o 31, dos primeiros da série fabricada pela PalmOne, que comprei acompanhado de um teclado dobrável, frágil e de ergonomia sofrível, mesmo porque deveria servir apenas para facilitar o registro de algumas informações, jamais foi pensado para escrever um livro. O processador de texto também não era grande coisa, mas tinha as funções básicas. O cartão de memória acoplado no palmtop foi quem me salvou de um desastre quase uma semana depois de o trabalho ter se iniciado. A máquina travou e tive de esperar a bateria descarregar para ligá-lo novamente e descobrir que apenas os textos escritos naquele dia estavam perdidos. O aparelhinho foi heróico e merecia ter sido bem guardado, mas, infelizmente, devo tê-lo passado à frente.

 

Calculo que, hoje, nesta casa, tenhamos ao menos 10 computadores, notebooks, netbooks e tablets, sem contar os telefones celulares que substituem com maestria as funções do palmtop. Vou deixar fora dessa conta, ainda, os consoles de videogame que também oferecem acesso à internet. Escrever mais um livro, tarefa que incluí nas resoluções de ano novo, não seria empecilho, se para isso eu dependesse apenas dessas traquitanas. É uma quantidade impressionante de máquinas à disposição das duas famílias que se encontram por aqui, gerando inúmeras possibilidades e acesso ilimitado às informações. Graças a esses equipamentos, o Mundo também ficou bem menor e nos permitimos estar conectados com o restante da família e amigos que ficaram no Brasil, nesta virada do ano.

 

Feliz 2014!

Como atualizar o iWork (e o iLife) da Apple no OS X Mavericks

 

Fã confesso da Apple e do Keynote, programa de apresentação da empresa consagrada por Steve Jobs, venho enfrentando dificuldades com meu computador desde a atualização do sistema operacional para o OS X Mavericks. Apesar de os programas que fazem parte do iWork me pedirem atualização e da Apple anunciar que esta seria de graça, toda vez que acessava a AppleStore só tinha opção de baixar as novidades se pagasse. Fiz algumas consultas sem sucesso até encontrar o blog MacMagazine.com e artigo assinado por Eduardo Marques (leia o artigo completo aqui) que ofereceu uma fórmula simples para atualização gratuita – funciona, também para o iLife’11. Reproduzo aqui a estratégia para caso você, caro e raro leitor deste blog, tenha passado pela mesma dificuldade ou conheça o amigo do primo de um vizinho que esteja enfrentando este problema:

 

1. Mude o idioma do sistema para inglês (vá em Preferências do Sistema e Idioma e Região)

 

2.Reinicie o computador

 

3. No menu superior, clique na Maçã e depois em Software update

 

A atualização deve aparecer na App Store, ao menos foi o que aconteceu comigo. Caso não apareça, o Eduardo sugere que você vá no Featured, clique em Account e depois no botão Reset (“Reset all warning for buying and download).

 

Faço mais um alerta: se você já tiver apresentações prontas no seu computador, feitas com as versões anteriores do Keynote, repasse uma a uma. É grande a possibilidade de alguma transição ou efeito não funcionar como antes. No meu caso, um vídeo ficou sem áudio e tive de reinseri-lo na apresentação, além disso fui obrigado a refazer um slide porque o movimento “scale” apresentava problema. Com um pouco de tempo, está tudo em ordem.

 

A dica que o Eduardo transcreveu em seu site chegou através de outro usuário Mac e estava publicada em um fórum de discussão. Ou seja, o que trago para este post é resultado de ação colaborativa e, por tanto, agradeço a todos os envolvidos na obra e reforço a ideia de que a internet é uma prova de que a humanidade ainda tem jeito, mesmo com todo mau uso que vemos aqui e acolá.

 

PS: Sá falta agora regularizar o Mandic no Mail e acertar o modo de apresentação do keynote para ter a prévia do slide na minha tela de computador. Ainda chego lá!

Por que boas causas são bons negócios?

Reproduzo a seguir texto de divulgação do evento do qual estarei participando na quinta-feira, dia 28, na abertura da ONG Brasil, encontro que se realiza no Expo Center Norte, em São Paulo. Espero contar com a participação de você que acredita na possibilidade de agirmos como cidadãos para transformar as pessoas e a sociedade:

 

 

A Humanitare Foundation que atua em diplomacia social como ponte de conexão entre os atores da sociedade e as temáticas promovidas pela ONU, em conjunto com a KMPG, empresa de consultoria que incentiva a cidadania corporativa como modelo de transformação social convidam você a discutir a questão “Happy Returns” Por que boas causas são bons negócios? durante o Painel de abertura do Congresso ONG Brasil 2013.

 

Os temas de empreendimentos sociais serão debatidos por Ceos de empresas e Institutos Empresariais: Maria Antonia Civita (Verde Escola), Michael Hastings (KPMG), Luciana Quintão (Banco de Alimentos), Sheila Pimental (Humanitare Foundation), Joris van Wijk (UBM), Cônsul Lothar Wolff (Honorário do Brasil em Áustria),e as participações dos jornalistas Milton Jung (CBN) e Patrícia Trudes (Folha de São Paulo).

 

Por que boas causas são bons negócios estarão representados em cases de sucesso nos exemplos como o da Ong Banco de Alimentos que segue no objetivo de minimizar os efeitos da fome através do combate ao desperdício e promover educação e cidadania. Resultado: O Banco de Alimentos entrega 44 toneladas de comida por mês para 22 mil pessoas em 52 Instituições, outras 110 entidades estão na fila para serem atendidas.

 

Outro caso é o Instituto Verdescola que acompanha cerca de 300 adolescentes e jovens da comunidade de Sahy em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Com projetos educacionais, eles estão sendo capacitados para atender o turismo gerando investimentos para a região.

 

A Humanitare Foundation abordará experiências internacionais e contribuições da diplomacia social no contexto global e local dos negócios sociais sustentáveis baseados na essência de jovens lideranças e plataformas de e-contents para o desenvolvimento e as bases da nova economia.

 

Serviço:
ONG Brasil 2013
Local: Expo Center Norte – rua José Bernardo Pinto, 333 São Paulo/SP Seminário Happy Returns – dia 28/11 – horário 9h00 – 11:00

A força relativa das redes sociais

 

O dono do Rock in Rio, Roberto Medina, em entrevista ao Caderno 2 do Estadão, na edição dominical, falou sobre como construiu o festival que se iniciou em 1985 e se transformou neste gigantesco espetáculo de música que viaja o mundo. Chamou-me atenção, dentre as muitas afirmações, a análise que fez sobre a importância relativa das redes sociais nas decisões que toma para escalar o elenco de atrações que, muitas vezes, extrapola a balada do rock. Não ignora a opinião que circula na rede, mas usa o termômetro certo para medir a temperatura do público. Lembra ter sido muito criticado quando contratou Shakira, na Espanha, e “endeusado” ao acertar com o grupo Rage Against the Machine. Enquanto ela foi um sucesso de público, eles foram um dos que menos pessoas levaram à Cidade do Rock na história do festival. Para Medina, “o cara que se manifesta nas redes sociais é o mais radical, o mais ativista, é mais duro e mais heavy. Muitos incorrem no erro de dar peso demasiado às redes sociais. Tem de olhar também, mas com cuidado”.

 

Destaco a análise do empresário porque vai ao encontro do pensamento que me pauta há algum tempo no comando dos programas na rádio CBN. Jamais podemos nos deslumbrar com o que escrevem nas redes sociais (e mesmo com a opinião enviada por e-mail) entendendo que lá está a opinião de todo o público. O ouvinte indignado tende a escrever mais, se dispõe a parar a atividade que realiza para reclamar, e quando escreve carrega na tinta, sendo até mais duro do que seria diante de um diálogo aberto, frente à frente. A indignação move às pessoas. A satisfação nem sempre. Além disso, os grupos mais articulados e organizados conseguem aparecer mais, fenômeno que ocorre historicamente antes mesmo do surgimento das redes digitais.

 

Recentemente, minha caixa de correio encheu de reclamações contra a decisão do prefeito Fernando Haddad, de São Paulo, de criar faixas exclusivas para ônibus, medida que espremeu os carros nas já insuficientes ruas e avenidas da capital paulista. Eram motoristas incomodados com o transtorno provocado pela prefeitura que privilegiou o transporte coletivo. Assim que os repórteres da CBN foram ouvir os passageiros, coletaram uma enxurrada de opiniões favoráveis devido a redução do tempo das viagens. Tivesse ficado apenas com o pensamento reinante na internet (e-mail, Facebook e Twitter) teríamos transmitido uma impressão errada da cidade em relação a ação da prefeitura.

 

Impossível ignorar as redes sociais, estas já mostraram sua força de mobilização, mas é fundamental que aqueles que tratam com a opinião pública e os que precisam tomar decisões em qualquer instância saibam equilibrar as forças, levem em consideração a parcela silenciosa da sociedade e, principalmente, confiem na experiência e no conhecimento que construíram. Quem sabe, assim, serão um dia elogiados também nas redes sociais.

Governo quer incentivar e-mail e aplicativos brazucas

 

 

Os smartphones produzidos no Brasil terão de sair de fábrica com até cinco aplicativos criados em solo nacional, a partir do mês que vem, e com pelo menos 50, até o fim de 2014, para que os fabricantes se beneficiem de isenção das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins. O Ministério das Comunicações entende que assim estará fomentando o mercado brasileiro de apps. Não é no que acredita o editor do jornal O Globo Pedro Doria que, em sua coluna desta terça-feira, escreve que a pretensão do Governo é marcada pelo desconhecimento; não leva em consideração, por exemplo, que nos smartphones mais baratos não há memória para carregar 50 aplicativos; nem se baseia no costume dos usuários desses modelos de celulares que têm em média 41 apps instalados (dados da Nielsen) e usam apenas 5, na maioria dos casos (dados do Centro PEW). A medida ainda esbarra na falta de mão de obra, pois faltam engenheiros de software com capacidade para atuar nesse mercado. Cálculo da Qualcomm é que dos 2,3 milhões de desenvolvedores que existem no mundo apenas 35 mil estão no Brasil.

 

Logo que li a notícia tive o interesse de contar quantos aplicativos já havia baixado no meu Iphone, comprado recentemente. Cheguei até agora a 67 dos quais apenas pequena parcela uso com frequência, outro tanto acesso de vez em quando e o restante tende a permanecer por lá tomando espaço da tela e da memória. Facebook, Twitter, WhatsApp e o viciante Candy Crush (sobre o qual ainda conversaremos nesse blog) são os que mais clico, além dos nativos da Apple tais como Mensagem, Calendário e Contato. Estou sempre em busca de novidades, mas boa parte das vezes, após baixar o app, o esqueço por lá ou o uso por tempo limitado, o que parece ser o hábito da maioria dos usuários, também. Não tenho a menor ideia de quantos desses que estão no meu Iphone foram fabricados no Brasil. Sei apenas que o último, da rede Adote um Vereador, foi montado dentro da plataforma da Fábrica de Aplicativos, que é ideia brasileira.

 

De volta a coluna de Doria, a sugestão dele é que o Governo se preocupe em ensinar programação nas escolas, estimular mais gente a buscar engenharia de software e montar cursos técnicos de código. São caminhos mais complexos, porém, efetivos para o desenvolvimento desse mercado no Brasil. Lembra, ainda, das iniciativas de instituições, inclusive públicas, que criam ambientes de competição e criação entre desenvolvedores, oferecendo condições para que eles apresentem aplicativos que ajudem o cidadão em diferentes serviços.

 

Além de aplicativos desenvolvidos na pátria Brasil, o Governo Federal está disposto a incentivar a criação de um serviço de correio eletrônico verde-amarelo para concorrer com o Gmail e o Hotmail e restringir a ação de espiões estrangeiros. Aleksandar Mandic, que trabalha na área desde os tempos das BBS e criou, em 1996, o servidor de e-mail que leva seu sobrenome, ao ser consultado pela Época Negócios, definiu assim a ideia do governo brasileiro:

“É uma viagem por que o Brasil não é maior que o mundo. Para isto funcionar, você vai ter que trocar e-mail só dentro deste provedor. Todo mundo vai ter que assinar este provedor, seja você americano, francês ou argentino. Não é bem assim. Ainda que o Correio faça isto, vai ter quantas contas? Um milhão de usuários? Quantas contas de email existem no mundo? Bilhões, provavelmente. Não é todo mundo que vai trocar.”

Pelo que leio dos especialistas, parece que as justificativas para construir um e-mail brazuca e os caminhos para desenvolver aplicativos tupiniquins vão apenas fazer volume na já extensa lista de ideias de jerico produzidas no Brasil.