Foto-ouvinte: Árvores sofrem na cidade de São Paulo

O trabalho de recuperação das áreas verdes de São Paulo parece sempre ameaçado, apesar do esforço de organizações não-governamentais, iniciativas individuais de cidadãos e a ação do abnegado secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, e sua equipe. O Blog do Milton Jung recebeu uma série de imagens feitas por ouvintes-internautas denunciando “crimes” contra árvores, na capital.

Árvore resiste

Esta chegou há mais tempo, e a preocupação do ouvinte-internauta e colaborador deste blog Marcos Paulo Dias é se resistirá a obra feita no estacionamento da Rua Itapeva, 298, na região Paulista.

Árvore afogada pelo cimentoÁrvore afogada pelo cimento

As duas árvores que restaram do quintal das casas desapropriadas em Artur Alvim foram tomadas pelo cimento conforme mostram as imagens do ouvinte-internauta Fábio Pereira. Neste local, as casas tiveram de dar espaço a um viaduto. O alerta à prefeitura não foi suficiente para impedir que estas árvores tivessem sua base coberta de cimento e os galhos decepados. “Estão sendo ‘assassinadas’ aos poucos”, escreveu Fábio.
Árvore em perigo

Uma árvore prestes a tombar, segundo o ouvinte-internauta André Lacerda Lopes, que se sustenta graças a intervenção dos moradores desta rua no bairro do Jaçanã. “Está quase caindo e pode prejudicar toda comunidade”, escreveu.

Clique nas imagens e veja outras fotos enviadas por ouvintes-internautas

Cena de A Favorita é criticada por são paulinos

Confesso minha ignorância em relação a novela “A Favorita” da TV Globo. Que isso jamais seja usado contra mim, por favor. Fui, no entanto, procurar entender o que acontece no folhetim eletrônico do autor João Emanuel Carneiro após minha caixa de correio se encher de mensagens de ouvintes-intenautas indignados com cena que foi ao ar, há dois dias. Nela, dois rapazes discutem qual será o time do menininho que ainda está na barriga da mãe, Maria do Céu, interpretada pela neo-gremista e bela Débora Secco.

A reclamação partiu de são paulinos que não gostaram de ver o personagem gay da novela assumir sua torcida pelo tricolor. Há quem esteja pedindo uma retratação do autor. No site oficial da novela não há nenhuma referência ao fato.

Ao ver a cena lembrei-me de um grande amigo, estudioso da área de marketing e fanático pelo time do Morumbi, que há algum tempo defende a tese de que o São Paulo deveria aceitar a fama de time preferido dos homossexuais e usufruir desta marca como forma de mostrar ao Brasil que está na vanguarda, é um clube aberto à diversidade e que respeita as escolhas pessoais.

Sei que a idéia é difícil de pegar, principalmente em um futebol identificado com a figura do macho, forte, musculoso, e impetuoso. Mas que acabaria com boa parte das piadinhas sem graça que circulam hipocritamente nos bastidores, não tenho dúvida.

Foto-ouvinte: Carona irresponsável

O surfista de ônibus foi flagrado pelo ouvinte-internauta Rodrigo More, na Avenida Sumaré, zona oeste de São Paulo. Irresponsabilidade também percebida na condução do motorista que passou o sinal vermelho às 10 da manhã dessa sexta-feira.

A menininha na carona desta moto assustou o ouvinte-internauta Edu Rodrigues. O uso do capacete é insuficiente para oferecer segurança a uma criança principalmente se levarmos em consideração que o pai (provavelmente) seguia pela ponte estaiada em direção a Marginal Pinheiros.

Acordo às escuras mantém ar envenenado pelo diesel

Texto publicado do site do Nossa São Paulo

As milhares de pessoas e dezenas de organizações que se engajaram nos últimos anos na luta por um diesel mais limpo têm agora um motivo forte para lamentar. Contrariando os interesses públicos e a saúde da população que respira o ar contaminado nas grandes cidades brasileiras, um acordo fechado na madrugada de ontem, sem a participação da sociedade civil, adia por mais quatro anos a comercialização do diesel com menos quantidade de enxofre.

A decisão foi tomada na presença do Ministério Público Federal (MPF) e ocorreu entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores. O chamado acordo judicial foi fechado como parte das compensações pelo descumprimento da Resolução Conama 315/02, que estabelecia para o dia 1º de janeiro de 2009 a obrigatoriedade da venda do diesel com, no máximo, 50 partículas por milhão de enxofre (50 ppmS), em todo o País.

O enxofre, altamente cancerígeno, é responsável pela morte de cerca de 3 mil pessoas somente na cidade de São Paulo. Hoje, a concentração da substância no diesel é de 500 ppmS nas regiões metropolitanas e de 2000 ppmS no interior. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a proporção é de 10 ppm e a tendência é chegar a zero no curto prazo. A necessidade de controlar a emissão de poluentes é consenso em todo o mundo. E os efeitos fatais à saúde da população são comprovados cientificamente e, no Brasil, têm a chancela da Faculdade de Medicina da USP.

O acordo firmado ontem deixa claro que o Ministério Público Federal e o governo cederam às pressões e abriram mão de exigir o cumprimento integral da resolução do Conama. “É uma sentença de morte”, enfatiza Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew também lembra o compromisso feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante o seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”, realizado entre os dias 14 e 15 de outubro, de não fechar nenhum acordo sem a participação da sociedade civil. “Isso foi desrespeitado. A palavra do ministro não foi cumprida”, completa.

Foto-ouvinte 1: Salve-se quem puder !

Salve-se quem puder

É a mensagem que surge da estátua de José Bonifácio que sofreu intervenção do artista plástico Eduardo Srur, na Praça do Patriarca. A imagem foi enviada pelo ouvinte-internauta Fábio Davidson. Vários monumentos da cidade foram “protegidos” com o salva-vidas gigante. No CBN São Paulo recebi mensagens de paulistanos que confundiram a ação com uma jogada de marketing de alguma operadora de celular. Outros falaram em “ataque” ao patrimônio público.

Fábio aceitou a provocação:

“Não havia quem não parasse essa semana para olhar. De longe, a cor alaranjada chamava a atenção sobre a escultura escura. Parei, olhei, fotografei e pesquisei. José Bonifácio de Andrada e Silva, escultura de Alfredo Ceschiatti, desde 1972 na Praça do Patriarca, voltou a fazer parte do ambiente.

A arte de Srur está em 25 esculturas em toda a cidade, a fim de “provocar os sentidos e despertar o interesse da população pelas esculturas, patrimônio histórico e seu significado”. As intervenções vão até 14 de dezembro e é possível consultar a lista de monumentos no site do CCBB”

Gestão metropolitana emperrada na Assembléia


Desde 2005, um projeto de lei encaminhado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) que prevê um Sistema de Gestão da Área Metropolitana está parado na Assembleia Legislativa. O prefeito eleito de Diadema Mário Reali (PT) apresentou substantivo na época em que ocupava o cargo de deputado estadual. No entanto, a discussão em torno do assunto avançou pouco e nas entrevistas que realizei nesta semana com os eleitos para a prefeitura das principais cidades da Grande São Paulo ficou evidente a dificuldade para que haja esta coordenação.

Reali explicou como funcionaria este sistema de acordo com a proposta que apresentou na Assembléia Legislativa:

Demissões, paixões e o prazer da promiscuidade

Das boas coisas que o rádio nos proporciona está a proximidade com o público. Pela voz e estilo na apresentação, mesmo emissoras com o formato da CBN no qual a notícia é prioridade, é possível construir uma relação íntima com o ouvinte (no meu caso, com o ouvinte-internauta). É comum as pessoas se dirigirem a nós como se fossemos velhos conhecidos. “Eu estou o dia inteiro com vocês”, diz o motorista de táxi. “Vou para o escritório de manhã e vocês me acompanham”, comenta o executivo. “Aqui em casa, só dá CBN”, fala a senhora. “Vocês parecem fazer parte da minha família” – essa ouvi por telefone.

Quando assumi o comando do CBN São Paulo, oito anos atrás, substituí Miguel Dias, um dos grandes nomes do rádio. Ele havia aceitado convite para trabalhar na TV Record. Alguns anos depois voltou para o Sistema Globo de Rádio como apresentador da Rádio Globo, onde estava trabalhando quando morreu, infelizmente. Por muito tempo ouvintes se dirigiam a mim como se à frente do microfone da CBN ainda estivesse o Miguel. Parecia que não entendiam bem aquela mudança. Havia um estranho no ninho. E este estranho era eu.

Hoje, esta proximidade com o público é ainda maior graças a internet. Ao aceitar o convite para escrever neste blog sabia da responsabilidade que assumia pois estava abrindo um canal que tornaria essa relação íntima em promíscua (no sentido de misturada, baralhada, desordenada). Não era apenas a mim que estava expondo, mas à opinião do ouvinte-internauta, também. Sem direito de censurá-la, a menos que houvesse insultos, agressões, ofensas e baixarias.

Por isso, não me surpreende a cobrança que tem havido há uma semana, seja pelo blog seja pela caixa de correio – e, também, de colegas de profissão – por um comentário sobre mudanças que ocorreram na CBN. Principalmente as saídas de Sidney Rezende, do Rio de Janeiro, e Roxane Ré, de São Paulo. Dois companheiros de primeiro mandato, pois já estavam na rádio quando cheguei há 10 anos. Eles próprios, neste tempo todo, assistiram às demissões de tantos outros. E outros tantos estarão por aqui quando novas mudanças ocorrerão.

Quanto as demissões, a decisão da Rádio CBN foi explicada pela diretora de jornalismo Mariza Tavares aos veículos de comunicação que trataram do tema, e ocorreram a partir de critérios profissionais e administrativos.

Quanto aos meus ex-colegas, reproduzo aqui o que já havia escrito para Sidney: “Aprendi com Max Gehringer que demissão é cuidar da carreira em outra empresa”. É assim que estes momentos têm de ser encarados, mesmo que provoquem tristeza.

Quanto aos ouvintes-internautas que escrevem, opinam e cobram, a certeza de que poucas profissões são capazes de despertar esta paixão no público.

Que bom ser jornalista – de rádio e de blog !

Você sabia que o trânsito de SP está melhor ?

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15 horas para liberar marginal e 140km, nesta quinta. Foto de Cátia Toffoletto

Eu não. Mas é o que garante a CET que arrumou esta desculpa para justificar o recuo em relação às restrições aos caminhões modelo VUC na cidade. De acordo com medidas anunciadas antes das eleições, a prefeitura pretendia incluir os VUCs no rodízio de caminhões impedindo a circulação das 10 da manhã às quatro da tarde.

Os VUCs são mais apropriados para circular em regiões urbanas devido seu tamanho reduzido. Têm no máximo 6,30m de comprimento por 2,20 de largura. Existem 10 mil caminhões deste modelo rodando na cidade. A proibição sempre foi considerada injusta pois empresários de transporte de carga haviam sido induzidos a usar estes caminhões para facilitar a circulação em São Paulo e agora sofreriam com as restrições.

Hoje, a Companhia de Engenharia de Tráfego em uma nota de caráter político* e não técnico prorroga o início das restrições para daqui seis meses. “Isso foi possível em virtude dos ótimos resultados das medidas de restrição a caminhões, que chegaram a reduzir em mais de 30% os índices de lentidão, em determinadas horas do dia”, diz o informe assinado pela Secretaria Municipal dos Transportes.

Soa irônico o conceito ótimo usado na nota da SMT no dia em que São Paulo enfrentou, pela manhã, 140 quilômetros de congestionamento devido a demora na retirada da carga e de caminhão que tombou na Marginal Tietê.

*A preocupação dos efeitos políticos da decisão chegaram ao ponto de a nota da SMT iniciar-se com o seguinte texto: “Conforme havia sido anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab, há três meses, …”.