Das boas coisas que o rádio nos proporciona está a proximidade com o público. Pela voz e estilo na apresentação, mesmo emissoras com o formato da CBN no qual a notícia é prioridade, é possível construir uma relação íntima com o ouvinte (no meu caso, com o ouvinte-internauta). É comum as pessoas se dirigirem a nós como se fossemos velhos conhecidos. Eu estou o dia inteiro com vocês, diz o motorista de táxi. Vou para o escritório de manhã e vocês me acompanham, comenta o executivo. Aqui em casa, só dá CBN, fala a senhora. Vocês parecem fazer parte da minha família essa ouvi por telefone.
Quando assumi o comando do CBN São Paulo, oito anos atrás, substituí Miguel Dias, um dos grandes nomes do rádio. Ele havia aceitado convite para trabalhar na TV Record. Alguns anos depois voltou para o Sistema Globo de Rádio como apresentador da Rádio Globo, onde estava trabalhando quando morreu, infelizmente. Por muito tempo ouvintes se dirigiam a mim como se à frente do microfone da CBN ainda estivesse o Miguel. Parecia que não entendiam bem aquela mudança. Havia um estranho no ninho. E este estranho era eu.
Hoje, esta proximidade com o público é ainda maior graças a internet. Ao aceitar o convite para escrever neste blog sabia da responsabilidade que assumia pois estava abrindo um canal que tornaria essa relação íntima em promíscua (no sentido de misturada, baralhada, desordenada). Não era apenas a mim que estava expondo, mas à opinião do ouvinte-internauta, também. Sem direito de censurá-la, a menos que houvesse insultos, agressões, ofensas e baixarias.
Por isso, não me surpreende a cobrança que tem havido há uma semana, seja pelo blog seja pela caixa de correio e, também, de colegas de profissão por um comentário sobre mudanças que ocorreram na CBN. Principalmente as saídas de Sidney Rezende, do Rio de Janeiro, e Roxane Ré, de São Paulo. Dois companheiros de primeiro mandato, pois já estavam na rádio quando cheguei há 10 anos. Eles próprios, neste tempo todo, assistiram às demissões de tantos outros. E outros tantos estarão por aqui quando novas mudanças ocorrerão.
Quanto as demissões, a decisão da Rádio CBN foi explicada pela diretora de jornalismo Mariza Tavares aos veículos de comunicação que trataram do tema, e ocorreram a partir de critérios profissionais e administrativos.
Quanto aos meus ex-colegas, reproduzo aqui o que já havia escrito para Sidney: Aprendi com Max Gehringer que demissão é cuidar da carreira em outra empresa. É assim que estes momentos têm de ser encarados, mesmo que provoquem tristeza.
Quanto aos ouvintes-internautas que escrevem, opinam e cobram, a certeza de que poucas profissões são capazes de despertar esta paixão no público.
Que bom ser jornalista – de rádio e de blog !