Mundo Corporativo: Danilo Talanskas, ex-Ge HealthCare, defende que a ética é a base do ESG

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‘Uma empresa que sempre teve um comportamento ético não depende do selo ESG. Vai simplesmente confirmar alguma coisa que já vinha sendo feita”

Danilo Talanskas, consultor de empresas

“Qual o valor da nota que o senhor quer?”. A pergunta que demonstra o interesse do vendedor em atender as necessidades de seu cliente, também revela conduta ética que se normaliza nas relações de trabalho. Na hora de abastecer o carro, pagar a refeição ou comprar um produto para a empresa, o colaborador acrescenta 10, 20, 50 reais a mais. O fornecedor não vê mal nenhum em aceitar o pedido, até porque sabe que assim vai garantir a fidelidade do cliente. O que não se considera é que tanto um como o outro demonstram uma flexibilidade ética preocupante, especialmente em um momento em que assistimos às empresas querendo se posicionar na agenda ESG — sigla que traduzida para o português significa ambiental, social e governança.

A relação da ética com a governança ambiental, social e corporativa foi o tema da entrevista do consultor Danilo Talanskas, no terceiro episódio do Mundo Corporativo ESG. Danilo comandou a Otis South America, Rockwell Automation do Brasil e GE Healthcare; hoje é consultor de empresas e lançou, recentemente, o livro “Lições de guerra, vencendo as batalhas de sua carreira”(Afigitis).

“A ética é a escolha que você vai fazer diante dos diversos desafios e dilemas que temos dentro da área corporativa. Sem dúvida. eles são muitos e você os tem desde o início da carreira”.

Consciente de que dúvidas sobre que comportamento adotar podem surgir nos diversos estágios da vida profissional, Danilo se lembra de uma lição aprendida em treinamentos sobre conformidade dos quais participou na época em que comandava a Ge Healthcare: 

“Se você tiver uma dúvida, se você não souber bem o passo que você vai dar, se não houve uma instrução específica, pense: como você se sentiria se essa sua decisão fosse publicada na primeira página do jornal de amanhã”.

Para que essa conduta faça parte da cultura da empresa —- e somente assim será possível cumprir a agenda ESG —-, Danilo lembra da necessidade de as lideranças estarem comprometidas com o tema, que precisam dar o exemplo diante dos dilemas éticos que surjam.

“A minha experiência é de que a total transparência é sempre o melhor caminho, mas ela começa quando a a empresa, o negócio, é transparente nos seus objetivos … Isso ajuda nos bons momentos e ajuda nos maus momentos a compreensão do negócio e o engajamento em busca das soluções”.

Dentre as batalhas corporativa que Danilo Talanskas descreve está a resistência que os profissionais devem ter diante de vantagens que possam ser oferecidas de maneira ilegal. Ele explica que talvez se deixe de fechar alguns contratos por não se aceitar negociações ilícitas, mas que, a longo prazo, os resultados aparecerão:

“O mais importante é saber que a gente não pratica atos éticos pelos resultados e sim pelos princípios. Então, sendo fiel aos seus princípios, você sempre terá portas abertas”.

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo ESG com o consultor de empresas Danilo Talanskas:

Mundo Corporativo: é preciso simplificar a comunicação na estratégia ESG, diz Alex Carreteiro, da PepsiCO Brasil

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“Eu acho que a gestão tem que ser humanista, tem que ser feita com amor e com respeito ao próximo, e ao fazer isso a gente põe o limite muito alto; não, tem não tem limites de fato” 

Alex Carreteiro, CEO PepsiCo Brasil

Com agrônomos acompanhando o cultivo da batata, certificando e orientando os agricultores para melhorias contínuas no campo, e uma logística que permite que o produto saia da plantação para o pacote em dois dias a PepsiCo Brasil tem conseguido avançar no tema da sustentabilidade. Em 2019, foi apontada como referência na Agricultura de Nova Geração com 100% das batatas produzidas de forma sustentável. Isso foi possível,  a partir de trabalho desenvolvido em parceria com 120 agricultores que assumiram o compromisso de cumprir 175 requisitos para viabilizar o programa de agricultura sustentável. 

O caso dos snacks de batatas Lay’s é contado por Alex Carreteiro, CEO da PepsiCo Brasil, uma das maiores indústrias de alimentos e bebidas do mundo, no segundo episódio do programa Mundo Corporativo ESG. Na entrevista, o executivo falou da transformação estratégica batizada de PepsiCo Positive, lançada em 2021, que se baseia em três pilares: agricultura positiva, cadeia de valor positiva e escolhas positivas:

“O consumidor está cada vez mais consciente e exigente nesses temas. Então, esse avanço tem sido muito impulsionado pelas empresas, mas também pelos consumidores. A diferença está na forma de comunicar ou na forma de agir”.

Dentro desta visão de que havia necessidade de a empresa se comunicar de maneira mais simples e melhor com os consumidores para que identifiquem as ações que, em alguns casos, já faziam parte do processo de produção, a PepsiCO passou a colocar no mercado embalagens de seus produtos com a foto dos agricultores que são os responsáveis pelo plantio e cultivo dos grãos, que são ingredientes dos produtos vendidos pela empresa. 

“A maneira de comunicar tem sido também muito importante. Porque muitas vezes, a gente já fazia; agora estamos acelerando da agricultura sustentável para a regenerativa; e a a gente quer trazer isso para o consumidor”.

Em outro dos pilares que fazem parte da transformação estratégica da empresa, a cadeia de valor positiva, há preocupação em relação ao consumo de água, ao transporte das mercadores e as embalagens usadas nos produtos fabricados pela PepsiCo, segundo Alex. No caso da água, um exemplo é a fábrica de Itu em que todo o volume de água necessário para o seu funcionamento é reutilizado, zerando o desperdício, em uma técnica que será, em breve, estendida à fábrica de Curitiba. Há investimento, ainda, em material reciclado a partir das embalagens:

“Cada vez mais, eu diria, a cadeia de valor é relevante para criar uma economia circular e poder reutilizar essas embalagens de volta; e ter um mínimo de desperdício para ter uma emissão de carbono zero, que é a nossa ambição até 2040”. 

Na área social, uma dos programas destacados por Alex é o de equidade racial que surgiu a partir de um dos grupos de afinidade que atuam na empresa com o objetivo de promover a diversidade. Esse programa inspirou a criação do MOVER — Movimento de Equidade Racial — que reúne 47 empresas, muitas delas concorrentes, que juntas têm cerca de um milhão de colaboradores:

“O que queremos é impactar três milhões de negros até 2030 e dez mil líderes negros”. 

Para conhecer como funcionam os programas de governança ambiental, social e corporativa, da PepsiCO Brasil, assista ao vídeo completo da entrevista com Alex Carreteiro:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: em estratégia ESG, Heineken proporciona conta de luz mais barata ao consumidor, explica Mauro Homem

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“Sustentabilidade não é sobre o seu tamanho ou sobre sua capacidade de investimento; é muito mais sobre a sua intenção e o quanto o genuíno você está indo nessa direção”

Mauro Homem, Heineken

As empresas têm percebido que não alcançarão o sucesso que esperam sem terem relevância significativa nas áreas ambiental, social e de governança. A despeito de seu tamanho ou finalidade, cada uma cria sua própria estratégia para expressar esse compromisso, adaptando-a a seus processos de produção e ao segmento que representa. A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, por exemplo, definiu três  blocos de atuação e, um deles, está diretamente ligado ao impacto que os produtos que leva ao mercado tem na saúde do consumidor. Assim, está entre suas prioridades desenvolver campanhas pelo consumo equilibrado e responsável de álcool. 

Na estreia da série Mundo Corporativo ESG —- em que destacaremos nos próximos meses ações em favor da governança ambiental, social e corporativa —, Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken, explicou como o tema evoluiu ao longo dos anos dentro da empresa, deixando de focar apenas nas questões ambientais:

“A gente sabe que uma empresa que produz cerveja naturalmente tem que lidar com questões relacionadas ao consumo de álcool. Isso é uma grande preocupação; e a Heineken é vanguardista nessas discussões de consumo equilibrado. Ainda mais agora, desde o advento da Heineken 0.0 e do portfólio  de menor teor alcoólico, também”.

Na área social, o foco está na diversidade e inclusão com incentivo para a maior participação de mulheres e negros, em especial em postos de liderança. Além das quatro paredes, a Heineken também age no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade, através do Instituto Heineken Brasil. São três os públicos atendidos: os ambulantes. os catadores de material reciclável e os jovens.

“No caso dos jovens em posição de vulnerabilidade, temos dois grandes olhares: o primeiro, é a relação saudável e equilibrada com o álcool, para que esse jovem não vá para o consumo nocivo; e o segundo é a geração de empregos”.

Do ponto de vista ambiental, que faz parte do tripé estratégico da cervejaria, o impacto começa dentro da própria empresa, com implantação de sistemas mais eficientes de gestão hídrica, por exemplo. Em outro programa que se iniciou com bares e restaurantes e agora se estende ao cliente final, a Heineken criou uma plataforma que conecta geradores de energia limpa e os consumidores, oferecendo energia mais barata. Isso mesmo que você leu: ao se cadastrar no programa, além de consumir energia renovável, o custo da sua conta de luz vai diminuir. 

Mauro explica que a geração distribuída é mais eficiente por ter menos perda técnica, e uma incidência de impostos diferenciada, podendo gerar redução de 15 a 20% no valor da  conta de luz para os consumidores. O cadastro, de graça, deve ser feito no site Heineken Energia Verde. Infelizmente, nem todas as concessionárias de energia elétrica permitem essa substituição por fontes renováveis. Mas, já podem se beneficiar do programa, os moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, algumas cidades do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo —- neste caso apenas nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.

“O potencial é enorme. Nossa ambição e chegar em pelo menos 50% de todos os nossos bares e restaurantes, quase um milhão de pontos de venda no Brasil. E é um volume muito grande de clientes, também. Mas poderíamos chegar a pelo menos 50% até 2030”

A transformação que as empresas tiveram de encarar diante do conceito ESG — sigla de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — provocou mudanças na forma de os profissionais atuarem, gerou novos desafios e abriu oportunidades. O próprio Mauro viu sua carreira ser influenciada por essa nova visão, quando a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental. Ele fez gestão ambiental na USP, em Piracicaba, interior de São Paulo  —- em lugar de seguir a trilha mais consolidada da engenharia ou direito, como imaginavam pessoas próximas. Buscou outras formações na área de administração e iniciou-se na carreira profissional, na Danone. Lá atuou pela primeira vez na área ambiental e, depois, foi cuidar de relações governamentais.

A sustentabilidade —- já com essa visão mais ampla em que o social e a governança se alinhavam às preocupações ambientais —- voltou à carreira de Mauro na Heineken, para onde se transferiu há quatro anos. Antes da vice-presidência que ocupa, atuou com a comunicação corporativa:

“Eu acho que os profissionais precisam buscar cada vez mais essa conexão com os problemas do mundo exterior e traduzir isso em oportunidades também por um ambiente corporativo. Então, acho que é nesse sentido que os profissionais têm tido cada vez mais oportunidades. É nisso que eu vejo as carreiras mais próximas na área de sustentabilidade, também”.

Assista ao primeiro episódio da série Mundo Corporativo ESG com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Beatriz Sairafi, da Accenture, mostra as vantagens que a chegada da geração 50+ traz às empresas e aos jovens

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“A liderança é a primeira que precisa abrir as portas. Não adianta a gente fazer isso num cantinho da organização. Tem que ter de fato apoio e,  muitas vezes, você começa com um grupo de pessoas apoiando e depois os outros se contagiam e a agenda avança” 

Beatriz Sairafi, Accenture

Um administrador, com 63 anos, que fez toda sua carreira na área ambiental e, desde 2017, estava fora do mercado de trabalho. Uma advogada que, aos 54, já havia dedicado parte de sua vida profissional a uma multinacional e estava desempregada há dois anos. Dois exemplos de pessoas que, mesmo estando desempregadas e tendo passado dos 50 anos, tiveram talento e conhecimento reconhecidos pelo programa de diversidade geracional implantado pela Accenture, no Brasil. Os dois, assim como cerca de 130 colaboradores com mais de 50 anos, foram contratados durante a pandemia. Ao apostar na maturidade profissional, a empresa de consultoria e tecnologia, de atuação global, deu segmento às políticas afirmativas que começaram há 15 anos, e já abriram as portas para mulheres, deficientes, negros e pessoas LGBTQIA+. 

Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, explicou que a decisão de investir na diversidade surgiu quando se percebeu que eram diversos, também, os públicos com os quais a empresa trabalhava:

“Nós atendemos e trabalhamos com vários segmentos de clientes, no setor financeiro, de consumo, de varejo, de saúde, de  recursos naturais. Imagina a diversidade de clientes que o nosso negócio atende. E para isso eu preciso ter de fato pessoas diversas. Se eu não tiver pessoas que realmente tem uma especialidade diferente da outra, a gente não vai conseguir fazer o melhor pelos nossos clientes”. 

A despeito de Beatriz ser do setor de Recursos Humanos, ela explica que a agenda de transformação das empresas não depende do RH, tem de ser uma agenda dos líderes porque, além de fazer parte de um planejamento de longo prazo, é necessário uma mudança ampla na cultura corporativa e isso só acontecerá diante de gestores humanizados e engajados nas mudanças. Esse movimento não se resume a abrir vagas, exige ambientes apropriados, profissionais abertos ao novo e diverso e uma comunicação efetiva entre os setores: 

“Somos uma organização em que 60% são milênios, 20% são ‘centênios’. E a gente falou: ‘puxa vida, será que o grupo mais jovem vai apoiar’.  Nossa. super apoiou e teve muito orgulho de fazer parte de uma jornada de transformação para o mercado e não só para nós”.

E, convenhamos, não haveria porque não apoiar. Profissionais conscientes tendem a perceber rapidamente as vantagens que a convivência geracional proporciona para toda a equipe de trabalho:

“Muitas vezes falta uma experiência técnica, mas a maturidade emocional e as competências pessoais; já terem vivido e passando por tanta coisa, faz com que em uma situação que parece urgente, a pessoa fala: ‘não, calma!’. Isso traz maturidade emocional e uma perspectiva de vida, uma experiência complementar aos jovens. É uma troca muito rica, onde todos têm aprendido um com o outro. E a gente ainda tem muito a explorar essa relação”.

O programa de incentivo aos profissionais 50+ seguiu modelo semelhante aos implantados em anos anteriores para outros segmentos: começa pelo recrutamento; identificação de líderes influenciadores, que são chamados de sponsors (ou patrocinadores);  formação de comitês com pessoas que se voluntariam a trabalhar com o tema; diálogo permanente para ouvir as necessidades; capacitação dos profissionais contratados; e, finalmente, aplicação de métricas para identificar de forma precisa os resultados alcançados. 

Para Beatriz, entender as demandas dos públicos que se pretende alcançar é fundamental para que se tenha o engajamento dos colaboradores:

“Então, a gente percebe que o índice de engajamento cresce muito quando as pessoas simplesmente podem ser quem elas são, porque não dá para você contribuir com o seu melhor e dar o seu melhor também para a empresa, com as suas ideias, com o seu talento, com toda a sua bagagem, se você tiver que entrar no script. Se você tiver que não falar algumas coisas porque pode ser mal interpretado”. 

Engajamento que fica evidente na fala de nossa entrevistada quando provocada a tratar da atuação dela dentro da empresa, onde consegue, a partir de seu trabalho, alcançar seus propósitos. Dentre eles, o interesse em fazer a diferença e construir um mundo melhor:

“A gente tem uma responsabilidade muito grande de mudar o nosso entorno. Acho que esse essa é uma missão minha mas de RH como um todo”.

Para entender como é possível levar essa discussão e implantar programas em favor da diversidade dentro da empresa em que você atua, vale a pena assistir à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Beatriz Sairafi, da Accenture:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: “Posicionem-se”, é o que Renata Spallicci, da Apsen, pede às mulheres

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“A gente passou a viver o que eu gosto de chamar de flow corporativo, que é quando a coisa de fato entra nas veias dos colaboradores, quando realmente as pessoas passam a acreditar  no planejamento, a visão de futuro”

Renata Spallicci, Apsen

De estagiária a vice-presidente. A frase que acompanha parte do material de divulgação do livro mais recente de Renata Spallicci, mesmo que precisa, diz pouco sobre a história desta executiva. Esconde que a trajetória dela foi na empresa da família — o que poderia diminuir os méritos de sua carreira profissional — tão pouco deixa explícito que o estágio final dessa jornada, até aqui, somente se deu porque ela liderou o “sonho grande” de, em cinco anos, dobrar de tamanho a Apsen Farmacêutica. Sonho sonhado e alcançado, em 2020, quando o laboratório passou a faturar R$ 1 bilhão.

A Apsen foi criada pelos avós, Mario e Irene Spallicci, em um laboratório no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em 1969. Atualmente está sob o comando do pai, Renato, que foi quem a convidou para ser estagiária na empresa. Na entrevista ao Mundo Corporativo, Renata conta que ao se apresentar para o trabalho — “fui ali toda bem vestida” – em lugar da sonhada mesa de escritório com seu nome em um placa, recebeu crachá de funcionária do almoxarifado, onde começou carregando caixas, recebendo e distribuindo produtos. 

Levantar peso não chegava a ser um desafio impossível para a moça que tem no fisiculturismo uma de suas paixões. Ela, porém tinha clareza de que seu desenvolvimento profissional dependeria muito mais dos estudos e da busca do conhecimento do que propriamente dos laços de família. Passou por processos de coaching, mentoria e mastermind; e é formada em engenharia química, pós-graduada em administração e com MBA para CEOs pela FGV.  Hoje, Renata Spallici é vice-presidente executiva da Apsen.

A meta  de elevar o faturamento da empresa passou pela construção de um planejamento que, segundo Renata, tem como etapas iniciais “a visão clara de futuro” e a necessidade de se levar essa visão de forma organizada e com objetivos estratégicos para cada uma das áreas envolvidas, até alcançar os objetivos individuais. A autora do livro “Sucesso é o resultado de times apaixonados” ressalta a importância de contar com o engajamento dos colaboradores nesse processo de desenvolvimento. 

“O primeiro passo foi conquistar as pessoas e plugar o sonho individual do colaborador no sonho corporativo … Falando assim parece simples, mas é um trabalho árduo, é um trabalho de muita consistência, porque você tem que conversar e repactuar as conversas ao longo de muito tempo, exige  uma mudança de cultura”.

Em um dos vários trabalhos que realiza fora da empresa, Renata se dedica a mentoria de mulheres, no programa Winning Woman EY, no qual prepara lideranças femininas, muitas das quais atuando em empresas familiares como ela. Chama atenção para a importância dessas mulheres se fortalecerem tendo voz ativa e perdendo o medo de errar:

“Muitas delas são fundadoras, têm um talento específico, desenvolveram algum produto incrível .. mas eu percebo que têm dificuldade de sentar na cadeira delas e assumir o papel e as responsabilidades. Então, uma das coisas que eu trabalho muito com a com as minhas mentorandas é justamente isso: posicionem-se!”.

Para que o crescimento profissional se realize, Renata recomenda que sejamos capazes de atuar dentro da empresa com o “senso de dono”,  o que pode ser lido como mais um jargão corporativo, desses que repetimos sem entender seu sentido. Não para esta executiva, escritora, fisiculturista e rainha de bateria —- sim, Renata também desfila no carnaval paulistano.  Para ela, é fundamental que se entenda que “se a gente quer crescer, tem que ser empreendedor dentro do negócio do qual a gente participa”.

Assista agora à entrevista completa com Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, ao Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Ana Carolina Souza, da Nêmesis, alerta para cuidado com os jovens em um novo ambiente de trabalho

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“Hoje em dia, a diferença no ambiente de trabalho depende justamente dessa vivência, dessa experiência. Quanto mais você experimenta cenários, contextos, convive com pessoas diferentes, mais repertório você ganha”

Ana Carolina Souza, Nêmesis

 O ambiente de trabalho é uma escola, que oferece profundos conhecimentos socioemocionais, que deixou de ser frequentada por quase dois anos, devido a pandemia. Essa realidade imposta pela crise sanitária impactou principalmente a formação dos profissionais jovens que deixaram de “assistir” a seus colegas mais maduros no exercício da função, de compartilhar situações diversas e de se experimentarem a partir dessas diferenças.

É o que concluí da entrevista com a neurocientista Ana Carolina Souza ao Mundo Corporativo quando falamos das perdas e lições que a pandemia propiciou, a medida que levou ao fechamento dos escritórios e “empurrou” os trabalhadores para o modelo remoto ou à distância. Não que essas modalidades fossem uma novidade, mas a urgência do momento fez com que a maioria de nós fossemos levados a esse cenário sem qualquer preparo.

“Você imagina uma sala de aula onde a gente passa informação e as pessoas recebem essa informação, e até novas memórias a partir disso, mas grande parte do nosso aprendizado é implícita, é natural, no convívio. Conforme eu vejo o seu comportamento, eu vejo como você fala, como você reage, eu vou aprendendo também. Então, esse distanciamento compromete essa troca”. 

Além do prejuízo no aprendizado, a combinação de distanciamento do local de trabalho, falta de convivência com colegas e os riscos à vida, acelerou problemas de saúde nos profissionais, tais como estresse, ansiedade, depressão e burnout. A saúde mental dos trabalhadores foi atingida em cheio e se transformou em mais um desafio para os gestores e líderes de equipes, alerta Ana Carolina. Para a sócia-fundadora da Nêmesis, consultoria de pesquisa e educação corporativa, as empresas precisam recriar ambientes de segurança psicológica, que permitam a troca de informação, o relacionamento informal e o crescimento de seus profissionais sob o risco de desperdiçarem talentos:

“O jovem que acabou de entrar nessa organização ainda não tem autonomia. Não consegue fazer o trabalho sozinho, ainda não tem total compreensão da relevância da contribuição que ele traz pra essa equipe. E ele também não conhece tanto as pessoas, não tem tanto entrosamento. Isso vai gerar um comprometimento que é principalmente sobre a questão do bem-estar desse grupo, que são os futuros talentos Nós corremos o risco de fazermos com que esse talentos cresçam na empresa tendo perdido suas habilidades socioemocionais”

O uso da neurociência beneficia a adaptação e preparação dos jovens no ambiente de trabalho, de acordo com Ana Carolina. Por muito tempo, inteligência emocional era capacidade desenvolvida ao acaso, pelas experiências vivenciadas, e atualmente é possível através de treinamentos avançar nesse conhecimento:

“Os treinamentos  têm que ter uma característica de criação de experiência de vivência, quase que uma tutoria”

Para aprender um pouco mais sobre o conhecimento que os estudos da neurociência oferecerem no clima corporativo, na formação cultura e no desenvolvimento das habilidades socioemocionais assista à entrevista completa com Ana Carolina Souza, sócio-fundadora da Nêmesis:

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Mundo Corporativo: Ricardo Triana, do PMI, apresenta 6 megatendências que vão impactar o planejamento do seu negócio e da sua carreira

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“Projetos são tão fundamentais na vida que é melhor preparar a que tenha conhecimento e habilidade para que se faça as coisas acontecerem e não fique apenas na ideia”

Ricardo Triana, PMI

Por acreditar na ideia de que qualquer coisa que acontece, acontece através de projetos e para que as coisas aconteçam de forma efetiva precisamos estar preparados, pesquisadores do PMI — Project Management Institute identificaram seis megatendências que impactam o futuro dos negócios. De acordo com Ricardo Triana, diretor-geral do instituto que reúne gestores de projetos do mundo todo, olhar os negócios, os investimentos e a preparação dos profissionais, a partir dos resultados dessa pesquisa, permitirá que organizações públicas e privadas reajam melhor diante dos desafios que surgirão no mercado.

“… coisas como a nuances demográfica ou a crise climática — você pode estar preparado ou não —, mas isso vai impactar a forma como você decide seus investimentos, como você prepara seu pessoal e atrai talentos”.

A seguir, listo as seis megatendências apresentadas pelo PMI com comentários que o Ricardo Triana fez durante entrevista ao Mundo Corporativo.

Disrupção digital — “é prioritário entender como Inteligência Artificial, como o Machine Learning,  etc, como essas coisas vão acontecer aqui. E não estou falando em entrar em web, não estou falando em criar um aplicativo. Estou falando de criar esse novo ecossistema de  trabalho e entender como funciona, porque não é o problema de definir algo que vai acontecer em dois anos, vai ser agora”.

Crise climática — “80% das empresas (no Brasil) usam material reciclável, quando normalmente, no mundo, a média é 67%; mas isso só não muda a crise climática. Você tem de começar a dizer, quando estou fazendo um investimento, quando estou fazendo uma planta, quando estou fazendo um projeto, como eu estou apoiando a redução da crise climática”.

Movimentos civis, cívicos e de igualdade — “85% das organizações estão acelerando seus programas de diversidade porque já perceberam que têm de fazer alguma coisa e isso não aconteceu por acaso, aconteceu porque existe uma pressão da sociedade para fazer isso … Quando (as pessoas) não são escutadas, existe uma pressão que impacta a economia”. 

Mudanças demográficas — “… temos mais pessoas velinhas que ficaram no trabalho e também temos mais jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Temos que procurar como fazer que eles estejam compartilhando, sendo efetivos, transferindo o conhecimento, ter certeza de que esse conhecimento que as pessoas que têm mais experiência, mais anos na organização não está se perdendo. 

Escassez de mão de obra — “ … porque isso (mudanças demográficas)  também tem muito a ver com a escassez de mão de obra, porque quanto mais as pessoas ficam no mercado, maior a possibilidade de elas começarem a procurar outras oportunidades. Se não fizerem a transferência efetiva de conhecimento, se não estivermos preparando os jovens para darem resultando no dia um e não esperando por um plano de crescimento, de treinamento, etc, não serão efetivos os resultados”.

Mudanças econômicas — “Dos maiores medos que temos na América Latina, em particular no Brasil, é a economia … Um dos setores mais impactados (na pandemia) foi o de manufatura porque a cadeia de suprimentos foi impactada … 15% dos fabricantes de alguma peça de celular, tecnologia, etc, tiveram que interromper sua produção. O que você deveria estar pensando é como eu me preparo para que isso aconteça sem perder a globalização”.

Para se aprofundar em cada uma dessas megatendência e refletir melhor sobre como podemos estar preparados e planejar nossos próximos passos, na organização e na própria carreira profissional, assista à entrevista completa com Ricardo Triana ao Mundo Corporativo e aproveite as informações que estão disponíveis no site do PMI.

O Mundo Corporativo tem produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: entenda o metaverso e reduza o risco da desigualdade digital, recomenda Martha Gabriel

Reprodução Facebook

“O futuro não espera e não perdoa”

Martha Gabriel, futurista

O metaverso — esta que é uma das coisas mais faladas nos últimos anos e, talvez, desconhecida da maioria de nós — existe muito antes do que imaginamos. Parece que surgiu ontem ou, para não ser exagerado, que surgiu durante a pandemia. Mas Martha Gabriel, nossa entrevistada no Mundo Corporativo, garante que já está entre nós há muito tempo. O que acontece agora é que a infraestrutura alavancada, diante dos desafios impostos pela pandemia, possibilitou a ascensão do metaverso —- com o perdão do trocadilho — em uma versão muito mais avançada e viável. 

A expressão metaverso foi criada por Neal Stephenson, escritor americano, e publicada no livro Snow Crash (Nevasca, na edição em português, editada pela Aleph), em 1992. Autor de obras de ficção especulativa, Stephenson ilustrou a ideia futurista com pessoas que usavam avatares de si mesmas para explorar um universo online. E previu o metaverso sucedendo a internet. 

Para Martha Gabriel, futurista e autora do best seller “Você, eu e os robôs” (Atlas), o metaverso começa a se formar no início do mundo digital e a primeira experiência mais próxima do 3D foi o Second Life, criado em 1999 e lançado em 2003, que oferecia um ambiente virtual onde as pessoas interagiam através de avatares. Uma simulação da vida real que não se sustentou pela ausência de estrutura, conexões e máquinas com capacidade de administrar as transações necessárias para o experimento naquela ambiente.

A transformação digital que vinha se constituindo ao longo do tempo e acelerou na pandemia, por uma questão de sobrevivência dos negócios, fez com que tecnologias desenvolvidas anteriormente — tais como o blockchain, as NFTS e as criptomoedas — chegassem a um ponto de maturidade que permite configurar as próximas etapas do metaverso. 

“Da mesma forma que o nosso universo era composto de vários planetas, era composto de empresas, das pessoas, etc, o nosso universo sofreu um upgrade com mais coisas digitais e passa a ser metaverso. Por isso que a gente tem meta: vai além daquilo que era o nosso universo”.

O comerciante que fechou as portas de seu negócio na pandemia e abriu conta comercial no Instagram para vender seus produtos, sem perceber, deu um passo em direção ao metaverso, ainda em um modelo 2D, explica Martha Gabriel. Aliás, ela entende que mesmo a nossa entrevista, gravada por uma plataforma de transmissão de vídeo, com este apresentador e sua entrevistada em espaços diferentes e conectados pela tenologia é uma parte do metaverso. A medida que vamos incluindo novas camadas digitais, mais integrado passamos a estar e mais transações se tornam possíveis. 

“O metaverso é a fusão do on e off. Quanto mais essa fusão acontece mais híbrido nós somos e mais a gente está vivendo o tempo todo nos dois, fluindo entre um e outro”.

Antes de sair por aí “comprando terreno na lua”, é importante ter consciência da possibilidade de participar do metaverso sem gastar dinheiro e da necessidade de entrar nesse universo quando tiver clareza do que pretende realizar, ou seja, ter um objetivo bem definido. 

“Se eu puder dar uma dica aqui pra todo empreendedor, seja pequeno médio ou grande,  entenda o que tá acontecendo mesmo que você não vá usar agora. O metaverso é o de menos. O importante é entender o que está acontecendo nas coisas que estão configurando o metaverso. Porque é isso que vai transformar sua vida. Se você não souber o que é blockchain, inteligência artificial, NFT, dificilmente você consegue aproveitar tudo que está surgindo de possibilidades dentro desse universo misto de on e off”.

Dos riscos que assistimos nesse cenário, bem além da perda de oportunidades e desperdício de dinheiro por desconhecimento, está a possibilidade de as desigualdades social e digital se ampliarem ainda mais. Para Martha é urgente que se faça um “acordo social” porque, desde sempre, quem teve acesso à tecnologia tem acesso ao poder, e isso tende a contemplar apenas pessoas privilegiadas — aliás, como assistimos na pandemia em que os alunos de famílias das classes média e alta deram seguimento aos seus estudos, enquanto boa parcela da população mais pobre viu seus filhos regredirem no conhecimento.

Quanto ao desenvolvimento de carreira, para que estejamos preparados para esse futuro que se avizinha, Martha identifica três grandes categorias de habilidades essenciais: 

  1. Pensamento crítico: para entender as regras do jogo, traçar estratégias, é preciso desenvolver essa habilidade por meio da educação; para saber o que fazer.
  2. Adaptabilidade: temos de ser adaptáveis em um mundo que muda o tempo todo e nessa categoria entram ‘soft skills’ como comunicação, negociação e gestão de equipe; para fazer.
  3. Humanidade: é preciso garantir que não se perca a humanidade e se preserve os conceitos de ética e moral nas relações; como fazer.

“Estou pensando direito? Estou entendendo as regras do jogo? Será que eu continuo humano nesse caminho? Esse é um pensamento fundamental, hoje em dia, porque a gente começa a olhar muito o digital e esquece dessa parte humana que talvez seja o nosso diferencial competitivo”

Seguindo a recomendação da Martha Gabriel, que diz da necessidade de entendermos o que está acontecendo no metaverso, comece por assistir à entrevista completa que fizemos com ela no Mundo Corporativo. Depois, procure suas participações no TED e, finalmente, leia, leia muito porque é pela educação que vamos nos preparar para o futuro e reduzir a desigualdade que se expressa na sociedade.

O Mundo Corporativo tem a produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Luciano Santos, do Facebook, sugere que você seja egoísta em sua carreira (antes de criticar, leia o texto)

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“Tanta gente veio antes, aprendeu tanta coisa, então, tente achar aí a sua maneira e a sua estratégia, mas tenha mentores na sua carreira”

Luciano Santos, Facebook

Seja colaborativo. Compartilhe o seu conhecimento. Escute as pessoas. Entenda a necessidade do seu colaborador. Todas essas frases, não por acaso com o verbo no imperativo, devem ser exercitadas no ambiente de trabalho e nas relações profissionais; e nos remetem a olhar para o outro. Luciano Santos, executivo de vendas do Facebook, concorda com isso, mas, diante do que encontra nas corporações e com as pessoas com quem interage, decidiu-se por fazer um convite diferente: olhe para você mesmo! Parece uma ideia egoísta. De certa parte é mesmo. Mas, se é possível assim dizer, é um “egoísmo saudável”.

Luciano é autor do livro “Seja Egoísta Com a Sua Carreira – descubra como colocar você em primeiro lugar em sua jornada profissional e alcance seus objetivos pessoais” (Editora Gente) e explicou seu objetivo em entrevista ao Mundo Corporativo:

“As pessoas consideram o que os familiares falam, o que o chefe fala, e sempre se colocam em último lugar. Então, eu falo que o título (do livro) é um pouco de exagero; é uma provocação, para a gente ter consciência que, se eu não me colocar como protagonista da minha própria carreira, ninguém vai”.

Considerando o melhor dos sentidos para esse egoísmo defendido por Luciano, ele assume que o foi durante a carreira, por instinto, muito mais do que por ensinamento. Nessa linha, sempre que possível privilegiou o aprendizado ao salário. Por duas vezes, deixou empregos que remuneravam mais por empregos que o ensinariam mais. A despeito da formação em letras, migrou para o ramo da tecnologia, tendo passado pelo UOL, Google e, agora, Facebook. Diz ter sido um acidente o fato de o profissional de letras com pós-graduação em comunicação jornalística se transformar em profissional de tecnologia. Um acidente provocado por intervenção do irmão que havia estudado processamento de dados e o ensinou a acessar e-mails e navegar na internet — duas habilidades que eram diferenciais competitivos na época em que se iniciou na carreira.

“Eu estava procurando uma vaga de redator júnior, algo ligado à minha formação. Meu irmão insistiu para colocar no meu currículo. Não tinha colocado esse dado tão importante. Eu coloquei, mandei para Folha de São Paulo, que na época tinha aquele projeto junto com a Abril, chamado Universo Online, o UOL, e só porque meu irmão me deu aquela mentoria de currículo e eu coloquei aquelas duas pequenas informações acabei parando no UOL e Isso mudou completamente a minha carreira”.

Cuidar bem do seu currículo é um dos passos para “ser egoísta” na carreira. É o primeiro elemento do que Luciano chama de tripé da empregabilidade: currículo, narrativa e networking: 

  • Currículo — um erro muito comum é não colocar algumas experiências  que são absolutamente relevantes.
  • Narrativa — uma entrevista bem sucedida nada mais é do que uma história bem contada; esteja preparado para contar a sua história.
  • Networking —  é o irmão direto da indicação, a melhor forma de ingressar no mercado de trabalho. Networking é estratégia de longo prazo que deve ser alimentada em toda carreira e não apenas quando o profissional perde o emprego.

Ao consultar 1.500 profissionais, Luciano Santos encontrou 60% deles infelizes em suas carreiras, e muitos extremamente infelizes, o que leva a uma série de problemas de saúde e comportamento: burnout, ansiedade, e dificuldade em tomar decisões. Ele entende que são múltiplos  os motivos que levam a esse cenário e destaca dois: o primeiro é a falta de treinamento de lideranças; e o segundo, a falta de consciência sobre como gerencias a própria carreira”

“… como eu tomo uma decisão? Eu devo planejar minha carreira? De que maneira eu comunico com o meu líder? Tem muitas coisas que a gente pode aprender e não só pode como deve aprender a fazer”

Assista ao vídeo  completo da entrevista com Luciano Santos ou ouça o podcast do Mundo Corporativo.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Cláudia Pombal, da DaVita, diz que diversidade tem de estar na cultura da empresa

Imagem reproduzida da @DavIta, no Twitter

“Cultura vai muito além do que a gente bota numa parede, do que a gente faz no discurso. Cultura são os hábitos, são os costumes do dia a dia que nos levam a ter essa realidade”

Cláudia Pombal, DaVita

A diversidade no ambiente corporativo tem de ser legítima e genuína. Mais mulheres entre os colaboradores não é suficiente para que se tornem reais os benefícios que a pluralidade de visões pode trazer. É preciso que isso faça parte da cultura organizacional e tenha o engajamento dos líderes da empresa. É o que Cláudia Pombal, diretora de Recursos Humanos da DaVita Tratamento Renal, defendeu em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“A empresa tem de estimular que a mulher tenha esse protagonismo no ambiente de trabalho, bem como a mulher também tem de entender o seu valor e se colocar, também, nesse lugar. É uma combinação do ambiente ser favorável e a atitude das mulheres”.

A DaVita tem cerca de seis mil colaboradores e 70% são mulheres, muitas em postos de liderança — um facilitador nessa conta é o fato de atuar no setor da saúde em que as funções de enfermagem e auxiliar de enfermagem tradicionalmente são exercidas por mulheres. O grupo nasceu nos Estados Unidos há 20 anos e chegou ao Brasil em 2015, onde mantém 91 operações com presença em clínicas de diálise e hospitais. Por aqui, há um processo de expansão que se acelerou nos dois últimos anos, com 43 aquisições, em 2020 e 2021.

Para enfrentar a pandemia, a empresa teve de conviver com experiências diferentes ao mesmo tempo, pois se funcionários de áreas administrativas migraram para o trabalho remoto, os que atendem os pacientes tiveram de se manter na linha de frente. Houve maior demanda de serviços, o que obrigou a  DaVita a contratar em ritmo acelerado. Cláudia conta que em um dos períodos da pandemia, foram contratados 150 funcionários em apenas 15 dias. Uma das ações desenvolvidas pelo grupo foi a criação de auxílio psicológico para colaboradores e familiares.  Houve, ainda, maior preocupação com o engajamento das equipes, aprofundamento do olhar sobre as particularidades de cada uma das operações e um aprendizado intenso quanto a exigência de todos serem mais flexíveis, diante das mudanças de cenários.

“A pandemia veio para falar: tudo que você tem como crença é muito legal, te trouxe até aqui, mas não te leva para o próximo passo. Então, repensa e repensa rápido, e reconstrói muitas coisas no caminho”.

Cláudia é economista de formação e apesar de gostar muito de números se apaixonou mesmo foi por cuidar de pessoas e, por isso, logo cedo buscou conhecimento no setor de RH e foi convidada para atuar nesta área:

“Eu sou muito feliz e muito realizada. É um caminho incrível. Você aprende muito todo dia, é desafiada a lidar com gente e é algo que não tem fórmula, não tem receita”.

Assista à entrevista de Cláudia Pombal, ao Mundo Corporativo:

Colaboram com o programa: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.