Mundo Corporativo: Ana Carolina Souza, da Nêmesis, alerta para cuidado com os jovens em um novo ambiente de trabalho

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“Hoje em dia, a diferença no ambiente de trabalho depende justamente dessa vivência, dessa experiência. Quanto mais você experimenta cenários, contextos, convive com pessoas diferentes, mais repertório você ganha”

Ana Carolina Souza, Nêmesis

 O ambiente de trabalho é uma escola, que oferece profundos conhecimentos socioemocionais, que deixou de ser frequentada por quase dois anos, devido a pandemia. Essa realidade imposta pela crise sanitária impactou principalmente a formação dos profissionais jovens que deixaram de “assistir” a seus colegas mais maduros no exercício da função, de compartilhar situações diversas e de se experimentarem a partir dessas diferenças.

É o que concluí da entrevista com a neurocientista Ana Carolina Souza ao Mundo Corporativo quando falamos das perdas e lições que a pandemia propiciou, a medida que levou ao fechamento dos escritórios e “empurrou” os trabalhadores para o modelo remoto ou à distância. Não que essas modalidades fossem uma novidade, mas a urgência do momento fez com que a maioria de nós fossemos levados a esse cenário sem qualquer preparo.

“Você imagina uma sala de aula onde a gente passa informação e as pessoas recebem essa informação, e até novas memórias a partir disso, mas grande parte do nosso aprendizado é implícita, é natural, no convívio. Conforme eu vejo o seu comportamento, eu vejo como você fala, como você reage, eu vou aprendendo também. Então, esse distanciamento compromete essa troca”. 

Além do prejuízo no aprendizado, a combinação de distanciamento do local de trabalho, falta de convivência com colegas e os riscos à vida, acelerou problemas de saúde nos profissionais, tais como estresse, ansiedade, depressão e burnout. A saúde mental dos trabalhadores foi atingida em cheio e se transformou em mais um desafio para os gestores e líderes de equipes, alerta Ana Carolina. Para a sócia-fundadora da Nêmesis, consultoria de pesquisa e educação corporativa, as empresas precisam recriar ambientes de segurança psicológica, que permitam a troca de informação, o relacionamento informal e o crescimento de seus profissionais sob o risco de desperdiçarem talentos:

“O jovem que acabou de entrar nessa organização ainda não tem autonomia. Não consegue fazer o trabalho sozinho, ainda não tem total compreensão da relevância da contribuição que ele traz pra essa equipe. E ele também não conhece tanto as pessoas, não tem tanto entrosamento. Isso vai gerar um comprometimento que é principalmente sobre a questão do bem-estar desse grupo, que são os futuros talentos Nós corremos o risco de fazermos com que esse talentos cresçam na empresa tendo perdido suas habilidades socioemocionais”

O uso da neurociência beneficia a adaptação e preparação dos jovens no ambiente de trabalho, de acordo com Ana Carolina. Por muito tempo, inteligência emocional era capacidade desenvolvida ao acaso, pelas experiências vivenciadas, e atualmente é possível através de treinamentos avançar nesse conhecimento:

“Os treinamentos  têm que ter uma característica de criação de experiência de vivência, quase que uma tutoria”

Para aprender um pouco mais sobre o conhecimento que os estudos da neurociência oferecerem no clima corporativo, na formação cultura e no desenvolvimento das habilidades socioemocionais assista à entrevista completa com Ana Carolina Souza, sócio-fundadora da Nêmesis:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

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