Mundo Corporativo: Beatriz Sairafi, da Accenture, mostra as vantagens que a chegada da geração 50+ traz às empresas e aos jovens

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“A liderança é a primeira que precisa abrir as portas. Não adianta a gente fazer isso num cantinho da organização. Tem que ter de fato apoio e,  muitas vezes, você começa com um grupo de pessoas apoiando e depois os outros se contagiam e a agenda avança” 

Beatriz Sairafi, Accenture

Um administrador, com 63 anos, que fez toda sua carreira na área ambiental e, desde 2017, estava fora do mercado de trabalho. Uma advogada que, aos 54, já havia dedicado parte de sua vida profissional a uma multinacional e estava desempregada há dois anos. Dois exemplos de pessoas que, mesmo estando desempregadas e tendo passado dos 50 anos, tiveram talento e conhecimento reconhecidos pelo programa de diversidade geracional implantado pela Accenture, no Brasil. Os dois, assim como cerca de 130 colaboradores com mais de 50 anos, foram contratados durante a pandemia. Ao apostar na maturidade profissional, a empresa de consultoria e tecnologia, de atuação global, deu segmento às políticas afirmativas que começaram há 15 anos, e já abriram as portas para mulheres, deficientes, negros e pessoas LGBTQIA+. 

Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, explicou que a decisão de investir na diversidade surgiu quando se percebeu que eram diversos, também, os públicos com os quais a empresa trabalhava:

“Nós atendemos e trabalhamos com vários segmentos de clientes, no setor financeiro, de consumo, de varejo, de saúde, de  recursos naturais. Imagina a diversidade de clientes que o nosso negócio atende. E para isso eu preciso ter de fato pessoas diversas. Se eu não tiver pessoas que realmente tem uma especialidade diferente da outra, a gente não vai conseguir fazer o melhor pelos nossos clientes”. 

A despeito de Beatriz ser do setor de Recursos Humanos, ela explica que a agenda de transformação das empresas não depende do RH, tem de ser uma agenda dos líderes porque, além de fazer parte de um planejamento de longo prazo, é necessário uma mudança ampla na cultura corporativa e isso só acontecerá diante de gestores humanizados e engajados nas mudanças. Esse movimento não se resume a abrir vagas, exige ambientes apropriados, profissionais abertos ao novo e diverso e uma comunicação efetiva entre os setores: 

“Somos uma organização em que 60% são milênios, 20% são ‘centênios’. E a gente falou: ‘puxa vida, será que o grupo mais jovem vai apoiar’.  Nossa. super apoiou e teve muito orgulho de fazer parte de uma jornada de transformação para o mercado e não só para nós”.

E, convenhamos, não haveria porque não apoiar. Profissionais conscientes tendem a perceber rapidamente as vantagens que a convivência geracional proporciona para toda a equipe de trabalho:

“Muitas vezes falta uma experiência técnica, mas a maturidade emocional e as competências pessoais; já terem vivido e passando por tanta coisa, faz com que em uma situação que parece urgente, a pessoa fala: ‘não, calma!’. Isso traz maturidade emocional e uma perspectiva de vida, uma experiência complementar aos jovens. É uma troca muito rica, onde todos têm aprendido um com o outro. E a gente ainda tem muito a explorar essa relação”.

O programa de incentivo aos profissionais 50+ seguiu modelo semelhante aos implantados em anos anteriores para outros segmentos: começa pelo recrutamento; identificação de líderes influenciadores, que são chamados de sponsors (ou patrocinadores);  formação de comitês com pessoas que se voluntariam a trabalhar com o tema; diálogo permanente para ouvir as necessidades; capacitação dos profissionais contratados; e, finalmente, aplicação de métricas para identificar de forma precisa os resultados alcançados. 

Para Beatriz, entender as demandas dos públicos que se pretende alcançar é fundamental para que se tenha o engajamento dos colaboradores:

“Então, a gente percebe que o índice de engajamento cresce muito quando as pessoas simplesmente podem ser quem elas são, porque não dá para você contribuir com o seu melhor e dar o seu melhor também para a empresa, com as suas ideias, com o seu talento, com toda a sua bagagem, se você tiver que entrar no script. Se você tiver que não falar algumas coisas porque pode ser mal interpretado”. 

Engajamento que fica evidente na fala de nossa entrevistada quando provocada a tratar da atuação dela dentro da empresa, onde consegue, a partir de seu trabalho, alcançar seus propósitos. Dentre eles, o interesse em fazer a diferença e construir um mundo melhor:

“A gente tem uma responsabilidade muito grande de mudar o nosso entorno. Acho que esse essa é uma missão minha mas de RH como um todo”.

Para entender como é possível levar essa discussão e implantar programas em favor da diversidade dentro da empresa em que você atua, vale a pena assistir à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Beatriz Sairafi, da Accenture:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

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