Mundo Corporativo: Ricardo Triana, do PMI, apresenta 6 megatendências que vão impactar o planejamento do seu negócio e da sua carreira

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“Projetos são tão fundamentais na vida que é melhor preparar a que tenha conhecimento e habilidade para que se faça as coisas acontecerem e não fique apenas na ideia”

Ricardo Triana, PMI

Por acreditar na ideia de que qualquer coisa que acontece, acontece através de projetos e para que as coisas aconteçam de forma efetiva precisamos estar preparados, pesquisadores do PMI — Project Management Institute identificaram seis megatendências que impactam o futuro dos negócios. De acordo com Ricardo Triana, diretor-geral do instituto que reúne gestores de projetos do mundo todo, olhar os negócios, os investimentos e a preparação dos profissionais, a partir dos resultados dessa pesquisa, permitirá que organizações públicas e privadas reajam melhor diante dos desafios que surgirão no mercado.

“… coisas como a nuances demográfica ou a crise climática — você pode estar preparado ou não —, mas isso vai impactar a forma como você decide seus investimentos, como você prepara seu pessoal e atrai talentos”.

A seguir, listo as seis megatendências apresentadas pelo PMI com comentários que o Ricardo Triana fez durante entrevista ao Mundo Corporativo.

Disrupção digital — “é prioritário entender como Inteligência Artificial, como o Machine Learning,  etc, como essas coisas vão acontecer aqui. E não estou falando em entrar em web, não estou falando em criar um aplicativo. Estou falando de criar esse novo ecossistema de  trabalho e entender como funciona, porque não é o problema de definir algo que vai acontecer em dois anos, vai ser agora”.

Crise climática — “80% das empresas (no Brasil) usam material reciclável, quando normalmente, no mundo, a média é 67%; mas isso só não muda a crise climática. Você tem de começar a dizer, quando estou fazendo um investimento, quando estou fazendo uma planta, quando estou fazendo um projeto, como eu estou apoiando a redução da crise climática”.

Movimentos civis, cívicos e de igualdade — “85% das organizações estão acelerando seus programas de diversidade porque já perceberam que têm de fazer alguma coisa e isso não aconteceu por acaso, aconteceu porque existe uma pressão da sociedade para fazer isso … Quando (as pessoas) não são escutadas, existe uma pressão que impacta a economia”. 

Mudanças demográficas — “… temos mais pessoas velinhas que ficaram no trabalho e também temos mais jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Temos que procurar como fazer que eles estejam compartilhando, sendo efetivos, transferindo o conhecimento, ter certeza de que esse conhecimento que as pessoas que têm mais experiência, mais anos na organização não está se perdendo. 

Escassez de mão de obra — “ … porque isso (mudanças demográficas)  também tem muito a ver com a escassez de mão de obra, porque quanto mais as pessoas ficam no mercado, maior a possibilidade de elas começarem a procurar outras oportunidades. Se não fizerem a transferência efetiva de conhecimento, se não estivermos preparando os jovens para darem resultando no dia um e não esperando por um plano de crescimento, de treinamento, etc, não serão efetivos os resultados”.

Mudanças econômicas — “Dos maiores medos que temos na América Latina, em particular no Brasil, é a economia … Um dos setores mais impactados (na pandemia) foi o de manufatura porque a cadeia de suprimentos foi impactada … 15% dos fabricantes de alguma peça de celular, tecnologia, etc, tiveram que interromper sua produção. O que você deveria estar pensando é como eu me preparo para que isso aconteça sem perder a globalização”.

Para se aprofundar em cada uma dessas megatendência e refletir melhor sobre como podemos estar preparados e planejar nossos próximos passos, na organização e na própria carreira profissional, assista à entrevista completa com Ricardo Triana ao Mundo Corporativo e aproveite as informações que estão disponíveis no site do PMI.

O Mundo Corporativo tem produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: entenda o metaverso e reduza o risco da desigualdade digital, recomenda Martha Gabriel

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“O futuro não espera e não perdoa”

Martha Gabriel, futurista

O metaverso — esta que é uma das coisas mais faladas nos últimos anos e, talvez, desconhecida da maioria de nós — existe muito antes do que imaginamos. Parece que surgiu ontem ou, para não ser exagerado, que surgiu durante a pandemia. Mas Martha Gabriel, nossa entrevistada no Mundo Corporativo, garante que já está entre nós há muito tempo. O que acontece agora é que a infraestrutura alavancada, diante dos desafios impostos pela pandemia, possibilitou a ascensão do metaverso —- com o perdão do trocadilho — em uma versão muito mais avançada e viável. 

A expressão metaverso foi criada por Neal Stephenson, escritor americano, e publicada no livro Snow Crash (Nevasca, na edição em português, editada pela Aleph), em 1992. Autor de obras de ficção especulativa, Stephenson ilustrou a ideia futurista com pessoas que usavam avatares de si mesmas para explorar um universo online. E previu o metaverso sucedendo a internet. 

Para Martha Gabriel, futurista e autora do best seller “Você, eu e os robôs” (Atlas), o metaverso começa a se formar no início do mundo digital e a primeira experiência mais próxima do 3D foi o Second Life, criado em 1999 e lançado em 2003, que oferecia um ambiente virtual onde as pessoas interagiam através de avatares. Uma simulação da vida real que não se sustentou pela ausência de estrutura, conexões e máquinas com capacidade de administrar as transações necessárias para o experimento naquela ambiente.

A transformação digital que vinha se constituindo ao longo do tempo e acelerou na pandemia, por uma questão de sobrevivência dos negócios, fez com que tecnologias desenvolvidas anteriormente — tais como o blockchain, as NFTS e as criptomoedas — chegassem a um ponto de maturidade que permite configurar as próximas etapas do metaverso. 

“Da mesma forma que o nosso universo era composto de vários planetas, era composto de empresas, das pessoas, etc, o nosso universo sofreu um upgrade com mais coisas digitais e passa a ser metaverso. Por isso que a gente tem meta: vai além daquilo que era o nosso universo”.

O comerciante que fechou as portas de seu negócio na pandemia e abriu conta comercial no Instagram para vender seus produtos, sem perceber, deu um passo em direção ao metaverso, ainda em um modelo 2D, explica Martha Gabriel. Aliás, ela entende que mesmo a nossa entrevista, gravada por uma plataforma de transmissão de vídeo, com este apresentador e sua entrevistada em espaços diferentes e conectados pela tenologia é uma parte do metaverso. A medida que vamos incluindo novas camadas digitais, mais integrado passamos a estar e mais transações se tornam possíveis. 

“O metaverso é a fusão do on e off. Quanto mais essa fusão acontece mais híbrido nós somos e mais a gente está vivendo o tempo todo nos dois, fluindo entre um e outro”.

Antes de sair por aí “comprando terreno na lua”, é importante ter consciência da possibilidade de participar do metaverso sem gastar dinheiro e da necessidade de entrar nesse universo quando tiver clareza do que pretende realizar, ou seja, ter um objetivo bem definido. 

“Se eu puder dar uma dica aqui pra todo empreendedor, seja pequeno médio ou grande,  entenda o que tá acontecendo mesmo que você não vá usar agora. O metaverso é o de menos. O importante é entender o que está acontecendo nas coisas que estão configurando o metaverso. Porque é isso que vai transformar sua vida. Se você não souber o que é blockchain, inteligência artificial, NFT, dificilmente você consegue aproveitar tudo que está surgindo de possibilidades dentro desse universo misto de on e off”.

Dos riscos que assistimos nesse cenário, bem além da perda de oportunidades e desperdício de dinheiro por desconhecimento, está a possibilidade de as desigualdades social e digital se ampliarem ainda mais. Para Martha é urgente que se faça um “acordo social” porque, desde sempre, quem teve acesso à tecnologia tem acesso ao poder, e isso tende a contemplar apenas pessoas privilegiadas — aliás, como assistimos na pandemia em que os alunos de famílias das classes média e alta deram seguimento aos seus estudos, enquanto boa parcela da população mais pobre viu seus filhos regredirem no conhecimento.

Quanto ao desenvolvimento de carreira, para que estejamos preparados para esse futuro que se avizinha, Martha identifica três grandes categorias de habilidades essenciais: 

  1. Pensamento crítico: para entender as regras do jogo, traçar estratégias, é preciso desenvolver essa habilidade por meio da educação; para saber o que fazer.
  2. Adaptabilidade: temos de ser adaptáveis em um mundo que muda o tempo todo e nessa categoria entram ‘soft skills’ como comunicação, negociação e gestão de equipe; para fazer.
  3. Humanidade: é preciso garantir que não se perca a humanidade e se preserve os conceitos de ética e moral nas relações; como fazer.

“Estou pensando direito? Estou entendendo as regras do jogo? Será que eu continuo humano nesse caminho? Esse é um pensamento fundamental, hoje em dia, porque a gente começa a olhar muito o digital e esquece dessa parte humana que talvez seja o nosso diferencial competitivo”

Seguindo a recomendação da Martha Gabriel, que diz da necessidade de entendermos o que está acontecendo no metaverso, comece por assistir à entrevista completa que fizemos com ela no Mundo Corporativo. Depois, procure suas participações no TED e, finalmente, leia, leia muito porque é pela educação que vamos nos preparar para o futuro e reduzir a desigualdade que se expressa na sociedade.

O Mundo Corporativo tem a produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Luciano Santos, do Facebook, sugere que você seja egoísta em sua carreira (antes de criticar, leia o texto)

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“Tanta gente veio antes, aprendeu tanta coisa, então, tente achar aí a sua maneira e a sua estratégia, mas tenha mentores na sua carreira”

Luciano Santos, Facebook

Seja colaborativo. Compartilhe o seu conhecimento. Escute as pessoas. Entenda a necessidade do seu colaborador. Todas essas frases, não por acaso com o verbo no imperativo, devem ser exercitadas no ambiente de trabalho e nas relações profissionais; e nos remetem a olhar para o outro. Luciano Santos, executivo de vendas do Facebook, concorda com isso, mas, diante do que encontra nas corporações e com as pessoas com quem interage, decidiu-se por fazer um convite diferente: olhe para você mesmo! Parece uma ideia egoísta. De certa parte é mesmo. Mas, se é possível assim dizer, é um “egoísmo saudável”.

Luciano é autor do livro “Seja Egoísta Com a Sua Carreira – descubra como colocar você em primeiro lugar em sua jornada profissional e alcance seus objetivos pessoais” (Editora Gente) e explicou seu objetivo em entrevista ao Mundo Corporativo:

“As pessoas consideram o que os familiares falam, o que o chefe fala, e sempre se colocam em último lugar. Então, eu falo que o título (do livro) é um pouco de exagero; é uma provocação, para a gente ter consciência que, se eu não me colocar como protagonista da minha própria carreira, ninguém vai”.

Considerando o melhor dos sentidos para esse egoísmo defendido por Luciano, ele assume que o foi durante a carreira, por instinto, muito mais do que por ensinamento. Nessa linha, sempre que possível privilegiou o aprendizado ao salário. Por duas vezes, deixou empregos que remuneravam mais por empregos que o ensinariam mais. A despeito da formação em letras, migrou para o ramo da tecnologia, tendo passado pelo UOL, Google e, agora, Facebook. Diz ter sido um acidente o fato de o profissional de letras com pós-graduação em comunicação jornalística se transformar em profissional de tecnologia. Um acidente provocado por intervenção do irmão que havia estudado processamento de dados e o ensinou a acessar e-mails e navegar na internet — duas habilidades que eram diferenciais competitivos na época em que se iniciou na carreira.

“Eu estava procurando uma vaga de redator júnior, algo ligado à minha formação. Meu irmão insistiu para colocar no meu currículo. Não tinha colocado esse dado tão importante. Eu coloquei, mandei para Folha de São Paulo, que na época tinha aquele projeto junto com a Abril, chamado Universo Online, o UOL, e só porque meu irmão me deu aquela mentoria de currículo e eu coloquei aquelas duas pequenas informações acabei parando no UOL e Isso mudou completamente a minha carreira”.

Cuidar bem do seu currículo é um dos passos para “ser egoísta” na carreira. É o primeiro elemento do que Luciano chama de tripé da empregabilidade: currículo, narrativa e networking: 

  • Currículo — um erro muito comum é não colocar algumas experiências  que são absolutamente relevantes.
  • Narrativa — uma entrevista bem sucedida nada mais é do que uma história bem contada; esteja preparado para contar a sua história.
  • Networking —  é o irmão direto da indicação, a melhor forma de ingressar no mercado de trabalho. Networking é estratégia de longo prazo que deve ser alimentada em toda carreira e não apenas quando o profissional perde o emprego.

Ao consultar 1.500 profissionais, Luciano Santos encontrou 60% deles infelizes em suas carreiras, e muitos extremamente infelizes, o que leva a uma série de problemas de saúde e comportamento: burnout, ansiedade, e dificuldade em tomar decisões. Ele entende que são múltiplos  os motivos que levam a esse cenário e destaca dois: o primeiro é a falta de treinamento de lideranças; e o segundo, a falta de consciência sobre como gerencias a própria carreira”

“… como eu tomo uma decisão? Eu devo planejar minha carreira? De que maneira eu comunico com o meu líder? Tem muitas coisas que a gente pode aprender e não só pode como deve aprender a fazer”

Assista ao vídeo  completo da entrevista com Luciano Santos ou ouça o podcast do Mundo Corporativo.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Cláudia Pombal, da DaVita, diz que diversidade tem de estar na cultura da empresa

Imagem reproduzida da @DavIta, no Twitter

“Cultura vai muito além do que a gente bota numa parede, do que a gente faz no discurso. Cultura são os hábitos, são os costumes do dia a dia que nos levam a ter essa realidade”

Cláudia Pombal, DaVita

A diversidade no ambiente corporativo tem de ser legítima e genuína. Mais mulheres entre os colaboradores não é suficiente para que se tornem reais os benefícios que a pluralidade de visões pode trazer. É preciso que isso faça parte da cultura organizacional e tenha o engajamento dos líderes da empresa. É o que Cláudia Pombal, diretora de Recursos Humanos da DaVita Tratamento Renal, defendeu em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“A empresa tem de estimular que a mulher tenha esse protagonismo no ambiente de trabalho, bem como a mulher também tem de entender o seu valor e se colocar, também, nesse lugar. É uma combinação do ambiente ser favorável e a atitude das mulheres”.

A DaVita tem cerca de seis mil colaboradores e 70% são mulheres, muitas em postos de liderança — um facilitador nessa conta é o fato de atuar no setor da saúde em que as funções de enfermagem e auxiliar de enfermagem tradicionalmente são exercidas por mulheres. O grupo nasceu nos Estados Unidos há 20 anos e chegou ao Brasil em 2015, onde mantém 91 operações com presença em clínicas de diálise e hospitais. Por aqui, há um processo de expansão que se acelerou nos dois últimos anos, com 43 aquisições, em 2020 e 2021.

Para enfrentar a pandemia, a empresa teve de conviver com experiências diferentes ao mesmo tempo, pois se funcionários de áreas administrativas migraram para o trabalho remoto, os que atendem os pacientes tiveram de se manter na linha de frente. Houve maior demanda de serviços, o que obrigou a  DaVita a contratar em ritmo acelerado. Cláudia conta que em um dos períodos da pandemia, foram contratados 150 funcionários em apenas 15 dias. Uma das ações desenvolvidas pelo grupo foi a criação de auxílio psicológico para colaboradores e familiares.  Houve, ainda, maior preocupação com o engajamento das equipes, aprofundamento do olhar sobre as particularidades de cada uma das operações e um aprendizado intenso quanto a exigência de todos serem mais flexíveis, diante das mudanças de cenários.

“A pandemia veio para falar: tudo que você tem como crença é muito legal, te trouxe até aqui, mas não te leva para o próximo passo. Então, repensa e repensa rápido, e reconstrói muitas coisas no caminho”.

Cláudia é economista de formação e apesar de gostar muito de números se apaixonou mesmo foi por cuidar de pessoas e, por isso, logo cedo buscou conhecimento no setor de RH e foi convidada para atuar nesta área:

“Eu sou muito feliz e muito realizada. É um caminho incrível. Você aprende muito todo dia, é desafiada a lidar com gente e é algo que não tem fórmula, não tem receita”.

Assista à entrevista de Cláudia Pombal, ao Mundo Corporativo:

Colaboram com o programa: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Sandra Nalli, da Escola do Mecânico, ensina que lugar de mulher é onde ela quiser

Foto divulgação da Escola do Mecânico

“Quanto mais você estuda,  mais capacitado você se torna”

Sandra Nalli, Escola do Mecânico

Loira, baixinha e mulher! Diante desse perfil, homens — especialmente homens — se espantavam quando chegavam no centro automotivo em que Sandra Nalli trabalhava, em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Ela não era a recepcionista. Era a mecânica! Era quem dava as ordens no local. Com a sabedoria de alguém que começou cedo na profissão e sempre apostou no conhecimento como diferencial, Sandra se agigantava assim que passava a ensinar os motoristas sobre o que impedia que seu carro estivesse funcionando bem.

Tinha apenas 14 anos quando começou a receber aulas de  mecânica na oficina em que trabalhou. Foi jovem aprendiz. Depois, decidiu levar a prática para jovens internos da Fundação Casa. Nesse momento, percebeu o quanto poderiam ser transformadores na vida daqueles meninos e meninas os ensinamentos que havia acumulado até então: 

“A empresa que eu gerenciava, que era uma rede de serviços automotivos, precisava contratar profissionais qualificados e eu não encontrava no mercado. Aí, comecei a fazer esse trabalho dentro da fundação. E a observar que tinham meninos que de alguma forma poderiam ser recuperados, voltar à sociedade e, até mesmo, serem incluso no mercado de trabalho”.

Ao programa Mundo Corporativo, Sandra Nalli disse que o trabalho voluntário na Fundação Casa, começou a ganhar forma de negócio quando alugou um pequeno escritório no centro de Campinas e mandou grafitar na parede: “Escola do Mecânico”.

“Eu acabei quebrando algumas barreiras e hoje eu tenho bastante orgulho em dizer que eu sou a fundadora da Escola do Mecânico e que nós temos um grupo de mulheres que estudam com a gente também e que a gente pretende incluí-las no mercado de trabalho”

A sala transformou-se em escola, e a escola em uma rede que, atualmente, tem 35 unidades, em nove estados brasileiros. Naturalmente, a escola passou a ter “cadeiras” ocupadas por meninas, inspiradas na história de Sandra. O sucesso e protagonismo dela também abriram o olhar de parceiros de negócios que entenderam que não existe reserva de mercado para homens:

“A gente tem depoimentos aqui de alguns colegas, donos de oficinas, que em um primeiro momento tinham restrições em contratar mulheres mecânicas. Hoje, a gente tá com o segundo pedido de colocação de mão de obra (feminina) para mesma mesma oficina. Significa dizer que que foi bem sucedido, né?”.

Em 2018, Sandra deu mais um passo na sua jornada para criar oportunidades no mercado de trabalho, criou o “Emprega Mecânico”, um aplicativo que conecta empresas e oficinas com profissionais em busca de emprego:

“O mecânico não está no Linkedin, e a nossa ferramenta é adaptada para esse tipo de ofício”.

Além de mecânico, a intenção da Escola é preparar os alunos para serem gestores dos seus negócios. Assim como Sandra foi aprender no Sebrae sobre a necessidade de criação de um plano de negócios, identificação de barreiras e oportunidades, localização do empreendimento e fluxo de caixa, agora transfere esse conhecimento aos estudantes. De acordo com a executiva, 20% dos alunos querem empreender, abrir um negócio próprio — uma oficina de motocicleta, de reparos automotivos, de caminhões, ônibus e maquinário agrícola. 

Além do conhecimento técnico e das estratégias de gestão, Sandra Nalli ensina na Escola do Mecânico, que é preciso ser resiliente diante das dificuldades que se tem para empreender no Brasil, especialmente se forem mulheres; disciplina, muito estudo e muita coragem:

“Eu me lembro quando eu fui empreender. As pessoas diziam assim: você tá louca, vai sair de um emprego, você tem um emprego extremamente interessante, você levou 20 anos para chegar nessa posição e agora vai pedir demissão. Se eu acredito no  que eu vou fazer, então, tem de quebrar o paradigma do medo, também!”

Em tempo: “loira, baixinha e mulher”, foi assim que Sandra Nalli se descreveu durante a entrevista, tá!

Assista ao programa Mundo Corporativo da CBN com Sandra Nalli, fundadora da Escola do Mecânico

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da CBN. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Lídia Abdalla, do Grupo Sabin, destaca a riqueza da diversidade nas empresas

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“Quanto mais a gente tiver um time diverso mais a gente vai ter uma empresa com diferentes visões, diferentes experiências. E isso tem um diferencial competitivo para os negócios”

Lídia Abdalla, Grupo Sabin

Diversidade gera mais diversidade. É a conclusão que se chega ao se observar a história do Grupo Sabin, que atua no segmento de medicina diagnóstica desde 1984, quando foi fundado por duas empresárias. Para ter ideia, a instituição hoje tem uma mulher na cadeira de presidente e 74% dos postos de liderança ocupados por mulheres. Do total de 6,3 mil colaboradores, 77% são mulheres. A presidente Lídia Abdalla, que está no cargo desde 2014, ensina que o investimento em equipes heterogêneas do ponto de vista de gênero, etnia e geracional, o respeito às diferenças e o reconhecimento da capacidade de cada um são a principal estratégia para o engajamento dos colaboradores.

“Ficam buscando resposta para “como eu engajo meu time, como o deixo motivado”. Eu digo, deixa as pessoas serem da forma que são e respeite-as de verdade. Isso produz o engajamento das pessoas, um senso de dono do negócio que é impressionante”.

Lídia Abdalla, entrevistada do programa Mundo Corporativo, diz que, além do maior engajamento dos funcionários, por perceberem o respeito que a empresa tem com eles,  o investimento em diversidade também gera uma riqueza maior no debate no momento em que se está em busca do desenvolvimento de novos serviços e produtos.

A executiva traz exemplos da carreira dela para ilustrar como pessoas que se sentem respeitadas têm a tendência de crescer profissionalmente, investindo no seu conhecimento. Entrou na empresa assim que se formou como farmacêutica bioquímica, em 1999. De trainee a presidente, desenvolveu-se em áreas técnicas e gerenciais, fez MBA em gestão de empresas e cursos de finanças corporativas, por exemplo. Com a segurança oferecida pelo grupo, investiu na carreira sem abrir de seus desejos pessoais:

“As minhas escolhas podem ser feitas sem eu ter que abrir mão da minha carreira; sem eu ter que abrir mão, também, de estar buscando conhecimento, especialização e desempenho .O desempenho na nossa atividade como profissional pode, sim, ser conciliado com as nossas escolhas pessoais, também”.

O Grupo Sabin está em 12 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde foi fundado. Atende a 68 cidades em 318 unidades e tem mais de 6,5 milhões de clientes. Além de contar com a criatividade das equipes internas, que Lídia entende ser resultado da diversidade de gênero, etnia e geracional, mantém um programa de investimento em startups, que permite ter acesso às novidades no seu setor de atuação. 

“A gente é um grande investidor de startups sempre pensando em desenvolver novas soluções para os nossos negócios e também estimulando esse ecossistema de inovação, no Brasil. Há um grande desafio que também é um grande investimento nosso que é a qualificação no desenvolvimento dos nossos profissionais para estarem atentos e acompanhando toda essa evolução tecnológica”.

Assista à entrevista completa de Líder Abdalla ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Rijarda Aristóteles diz que conhecimento e convicção deram protagonismo às mulheres

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“O conhecimento é algo que liberta. Talvez seja a única forma que nós, individualmente, temos de nos libertarmos”. 

Rijarda Aristóteles, Clube Mulheres de Negócios de Portugal

Construir cenários, identificar oportunidades e entraves, e analisar as perspectivas nos mais diversos setores. Esse exercício, aprendido na formação em Relações Internacionais, foi essencial na decisão de Rijarda Aristóteles trocar o Brasil por Portugal, em 2014 — um país pelo qual se apaixonou, depois de ter descartado Itália, França e Inglaterra. Foi lá, também, que deparou com um considerável número de mulheres brasileiras que desistiram de dar seguimento às suas carreiras profissionais, assim que deixaram o Brasil. Incomodada com essa situação e percebendo que eram pessoas com um tremendo potencial e baixa autoestima, Rijarda passou a se reunir com essas mulheres, sempre com a intenção de incentivá-las a serem protagonistas através do conhecimento.

“Não é o conhecimento por osmose, como eu digo. É o conhecimento profundo, o conhecimento pesquisado, conhecimento que você para e vai ler 500 vezes aquela frase até entender o que realmente quer ser dito ali.  É nisso que eu eu acredito, nisso que está a a nossa liberdade, a liberdade de ser que é muito mais do que a de ter”.

Rijarda Aristóteles é a primeira convidada de uma série de entrevistas que o Mundo Corporativo levará ao ar, neste mês, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher. Movida por aquela tentação de traçar cenários, ela  fundou o Clube Mulheres de Negócios de Portugal, em março de 2020. Sim, o clube foi uma reação de mulheres empresárias e empreendedoras diante do enorme desafio que se iniciava com a pandemia:

“Nós tivemos que ressignificar muita coisa, muitas verdades. Nós tivemos que repensar tudo. Por exemplo, a questão emocional. As emoções começaram a ter um protagonismo que há muito era latente e que havia sempre um movimento para abafá-las, como se  fosse algo de menor importância, como se ter emoção ou expressar emoção, fosse algo frágil e por consequência algo feminino”. 

Doutora em história, Rijarda entende que, independentemente de função que exerça, cargo que ocupa e autoridade que tenha, todos nós fomos levados a repensar a forma como nos relacionamos. Houve a necessidade de uma revisão nos valores que moviam as pessoas, não apenas no ambiente de trabalho, mas um olhar para dentro:

“Percebemos que a finitude era palpável. Aquela ideia de que não tínhamos tempo de parar para pensar e seguíamos adiante; que nós éramos seres quase infinitos. Que não morreríamos. A morte foi muito latente nesse período”.

Na mudança de comportamento ou, ao menos, na revisão de comportamento, ganhou-se do ponto de vista pessoal. Uma vitória com impacto coletivo, na avaliação da empresária brasileira, nascida em Fortaleza, mãe de Artur e esposa de Giovanni, como se apresenta em redes sociais. No ambiente de trabalho, os líderes foram levados a avaliar melhor sua relação com os colaboradores, pois perceberam quão estava defasada a ideia de que o funcionário está na empresa para servir e, em troca do serviço, recebe salário. Foi um basta no utilitarismo:

“Hoje em dia, nós temos que pensar o funcionário como um ser humano que passou assim como eu por todo esse esse processo. Ninguém ficou  impune pelo que nós passamos”. 

Esse novo olhar, que considera a saúde emocional dos profissionais, também pautará os planos de retorno ao ambiente de trabalho que, na avaliação de Rijarda, não será mais 100% home office, porque nem todos os negócios das empresas estão adaptados para essas condições. Seja híbrido ou seja presencial, ela recomenda que os colaboradores sejam chamados para participar desse debate, pois o ambiente de trabalho é dele, devendo se transformar em um espaço de bem-estar que permita que todos cresçam profissionalmente e de forma saudável. 

O Clube Mulheres de Negócios de Portugal é uma plataforma que une mulheres que falam a língua portuguesa e torna acessível o conhecimento e a realização de negócios. As mais de 100 integrantes, que são identificadas como embaixadoras, que estão em oito países e quatro continentes, terão a oportunidade de se encontrar presencialmente, nessa semana, nos dias 7 e 9, em Porto e Lisboa. Oportunidade para avançarem no debate sobre o protagonismo feminino no cenário corporativo que, para Rijarda, é uma realidade sem volta, porque as mulheres não permitirão esse retorno. 

As transformações vieram pela convicção e pelo conhecimento, explica Rijarda, a medida que as mulheres estão mais bem preparadas, estudam mais, têm mais mestrado e doutorado, e publicam mais artigos:

“Se você empresário não pensa na mulher como uma parceira, do ponto de vista da equidade, para que seu negócio cresça, você está dando tiro no pé”.

Assista à entrevista de Rijarda Aristóteles ao Mundo Corporativo.

O Mundo Corporativo vai ao aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa é gravado às quartas-feiras, 11 horas da manhã, quando você pode assistir pelo canal da CBN no Youtube, no Facebook ou no site da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Ricardo Guerra, CIO do Itau, diz que a transformação digital começa na mudança de cultura da empresa

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“Aprender o que a tecnologia de hoje significa, como é que ela é utilizada, como é que ela faz parte do business, propriamente dito: esta é, sem dúvida nenhuma, o grande desafio para as empresas”

Ricardo Guerra, Itau

Sabe o cara da TI? Mudou de cara! Antes era o jovem que você chamava para dar um jeito no computador da empresa que estava lento, ajudar a baixar um programa e, quantas vezes, resolver uma questão crucial para começar o trabalho: “esqueci minha senha”.  Não que esse cara não esteja lá para dar aquela força, mas a tecnologia da informação, há muito tempo, mudou seu perfil: de área de suporte para a de estratégia.  Falei do assunto com Ricardo Guerra, CIO do Itau, instituição que atua no setor bancário um dos que sofreram maior impacto com a transformação tecnológica.

“Se voltarmos uns 20 anos, até menos, a tecnologia era vista pelas empresas como uma área de apoio. As empresas terceirizavam a tecnologia. Era uma grande fábrica de projetos. Eu tenho uma ideia e a tecnologia me entrega para que esta se torne realidade”

Das mudanças que surgiram, Ricardo pontuou o fato de as empresas terem passado a usar a tecnologia como vantagem competitiva, especialmente aproximando-a do cliente:

“ … para que a tecnologia entendesse qual o problema do cliente, onde estão as oportunidades e como é que ela trabalha para agregar valor pra organização no fim do dia”.

Toda esse progresso exige muito mais dos profissionais de tecnologia de informação. Um aprofundamento em temas que pareciam distantes da área como a antropologia, porque no momento em que se pensa em soluções para as pessoas é preciso entender o comportamento delas. O Ricardo, nosso entrevistado, assistiu a essa evolução dentro do próprio Itau, onde trabalha desde 1993. Para ter ideia, o grande passo tecnológico naqueles anos iniciais foi a implantação do primeiro site do banco na internet brasileira:

“Foi em 1995. Foi uma experiência incrível, porque foi uma inovação tecnológica gigantesca para gente. Não tínhamos o conhecimento para isso. Muitos de nós, tiveram que parar para estudar que tipo de tecnologia a gente estava falando. Era desconhecido! Tivemos que parar para profissionalizar o uso da internet para que a gente pudesse levar isso até o cliente. Foi um momento de carreira muito interessante de muito aprendizado”.

A complexidade da transformação tecnológica — termo usado pelo Ricardo na nossa conversa —- impõe desafios aos líderes que estão à frente das equipes de trabalho, como é o caso dele que assumiu o cargo mais alto na área da tecnologia do banco, o de Chief Information Officer. Na entrevista, o CIO do Itau identificou três ações importantes que os líderes devem realizar. O primeiro movimento foi uma mudança de metodologia de trabalho mais ágil, mais integrado, mais colaborativo e mais próximo do cliente e do negócio. Apenas com essa mudança cultural foi possível dar o segundo que foi um processo mais agressivo de mudança tecnológica. E o terceiro passo foi a integração da tecnologia com as diversas áreas do negócio.

“E tudo isso embasado por uma grande mudança cultural de empoderamento, de menos hierarquia, de mais leveza no trabalho. Aqui tem uma série de elementos de mudança de ambiente de trabalho, de mudança de como os líderes falam e incentivam as pessoas, inspiram as pessoas”.

No começo da nossa conversa, Ricardo não aceitou o título de o “cara da tecnologia”, disse que o setor depende de dezenas de outras pessoas, do trabalho em equipe e da colaboração. Agora, com certeza, ele tem a cara dos novos profissionais de tecnologia, porque apesar de ter iniciado sua carreira há 29 anos, soube mudar sua forma de atuar, pensar e liderar equipes.

Assista à entrevista completa com Ricardo Guerra, CIO do Itau, no Mundo Corporativo, que está completando 20 anos: 

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos. 

Mundo Corporativo: Flávia Ávila, da InBehaviorLab, fala do frete grátis e do comportamento do consumidor

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“Quanto mais você entende você, mais você consegue fazer coisas efetivas para o outro”

Flávia Ávila, InBehaviorLab

Foi nosso colega de CBN, Thassius Veloso que, brincando com seus seguidores no Twitter, escreveu dia desses que duas expressões que ele adora ouvir é “eu te amo” e “frete grátis”. Thassius sabe do que fala. Entende muito do cenário digital e acompanha o crescimento do comércio eletrônico no mundo, tanto como profissional quanto como consumidor. Para as reações diante da primeira expressão, recomendo a leitura do livro “Por que amamos”, do filósofo Renato Noguera. Para nosso comportamento frente a entrega de graça, sugiro a entrevista com Flávia Ávila, da InBehaviorLab, no programa Mundo Corporativo. 

Flávia é mestre em Economia Comportamental, pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra; organizou o primeiro Guia de Economia Comportamental e Experimental, do Brasil; e criou a InBehavior Lab — consultoria em que aplica o conhecimento e a experiência desenvolvidos ao longo de seus estudos e carreira. Aliás, a tese de doutorado dela foi sobre o frete grátis, inspirada na observação de que, na época em que estudava em Londres, livrarias já vendiam livros na loja ou na internet pelo mesmo preço, não cobravam o valor da entrega:

“A teoria racional diria que poderíamos cobrar um valor pequeno para a entrega, que o consumidor nem sentiria. Depois de ter estudado o assunto, aprendi que quando o consumidor já planejou a compra e vê aquele frete, por menor que seja, pensa: será que não tem outro mais barato?”

A Economia Comportamental ensina que nós sempre comparamos as coisas e quanto menos comparações nós tivermos, mais rapidamente vamos agir. No caso, fechar a compra. Ensinamentos que surgem a partir de uma série de experimentos e instrumentos de medição de comportamento que ajudam na elaboração de estratégias do comércio – e não apenas o eletrônico. 

Flávia destaca uma das ferramentas que usa na consultoria que é o experimento de campo, aplicado, por exemplo, em uma ação da Heineken para reduzir o número de motoristas que consomem álcool. Os pesquisadores promoveram nos bares pequenas intervenções que levavam o motorista a parar e pensar no hábito de misturar bebida e direção. Uma das medidas foi convidá-los a assinar o “juramento do motorista” e em troca ganhavam uma porção de batatas fritas. Mesmo que informal, ao colocar o nome no papel, o motorista assumia com ele próprio o compromisso de não beber. Resultado: nos locais em que houve a intervenção reduziu-se em 25% o número de motoristas que bebiam.

Os estudos sobre o comportamento do ser humano também servem para que o consumidor tenha mais consciência das atitudes que adota, evitando alguns padrões que podem ser prejudiciais e oferecendo a possibilidade de escolhas melhores:

“A gente observa que, quando tem uma coisa muito incerta como agora, tendemos a exacerbar, amplificar, o que chamamos de vieses: essa tomada de decisão mais impulsiva, instintiva, emocional. Por quê? Porque a gente está sobrecarregado mentalmente e algumas decisões tomamos de forma corriqueira e sem consideramos (seus efeitos)”.

Por falar em vieses. Flávia alertou para a influência que os vieses de confirmação e o de ancoragem geram nas nossas decisões. O primeiro se caracteriza diante da busca de certificações que apoiem a nossa ideia. Porém, como estamos crentes na escolha que fizemos, a mente é incapaz de absorver qualquer mensagem que vá na contramão da nossa hipótese. O segundo, se dá a partir da autoridade que construímos diante de nossas equipes de trabalho ou grupos de convivência, que, em algum casos, confiam tanto na decisão que, mesmo desconfiando de seu resultado, são incapazes de se contrapor. É preciso ter consciência desses padrões de comportamento para permitir que novas ideias — contrárias, especialmente — surjam no cenário. 

Na conversa com Flávia, aproveitei o conhecimento dela para tratar do consumo de um produto que tem se disseminado na sociedade contemporânea —- quando deveria ser banido: a desinformação, batizada de fake news. E ela não tem uma notícia boa, não! Estudos mostram que a notícia verdadeira nem sempre é captada pelo nosso cérebro, porque ela é normal, não é absurda. Diante de uma notícia falsa, escandalosa, inédita — por exemplo, 90% das pessoas não se vacinaram — o cérebro entra em modo de atenção e capta a informação. Mesmo que reconheça ser falsa,  já está na mente e pode influenciar os processos decisórios, inconscientemente.

“Um dos pontos é fazer uma ‘dieta cerebral’. Ter noção de que mesmo quando é mentira, captamos a informação. E evitar de pegar (informação) de fontes que não são confiáveis, que vão afetar nossa decisão de agora e a nossa decisão futura”.

Assista a entrevista completa com Flávia Ávila, CEO e fundadora da InBehaviorLab, no Mundo Corporativo: o frete é grátis.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: André Dratovsky, da Elleve, investe em cursos de alto impacto para mudar vida de jovens

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“Hoje a informação está muito latente. O conhecimento é muito perecível. Então para os profissionais de hoje em dia, o conhecimento precisa estar mais acessível, mais rápido e mais pontual”.

André Dratovsky, Elleve

Pode ser um curso de mecânico automotivo. Pode ser de cientista de dados. A despeito da área, o que importa é que o aluno ao ter acesso a esse conhecimento esteja capacitado a assumir funções que o mercado de trabalho mais necessita. Foi essa ideia que moveu André Dratovsky e seus sócios a criarem a Elleve, uma fintech dedicada ao financiamento estudantil de cursos livres, técnicos e profissionalizantes A plataforma conecta o estudante diretamente com as instituições de ensino e com o mercado de trabalho, ajudando na evolução da carreira profissional. 

André foi entrevistado pelo Mundo Corporativo, programa que está completando 20 anos, em 2022. A educação sempre foi uma crença do nosso trabalho, pois sabemos que é através dela que podemos desenvolver pessoas – e desenvolvê-las não apenas profissionalmente. Nós investimos na educação com a disseminação da boa informação; a Elleve, o faz oferecendo crédito especialmente a alunos de baixa renda:

“Nós pensávamos: como é que a gente cria um impacto na vida das pessoas que seja perene, que seja duradouro, e que seja autossustentável. A resposta para isso não foi muito difícil, nós chegamos nela através da educação. Na educação baseada em competências e que trouxesse no curto prazo aquilo que as pessoas precisam para inserção ou para o crescimento profissional”.

Nem todo aluno tem condições de encarar quatro ou cinco anos de uma formação superior, devido a aspectos econômicos e a necessidade de manter uma jornada de trabalho intensa. A solução é investir em cursos de curta duração e alto impacto. Um exemplo que André trouxe ao programa:

“Até hoje, se você queria trabalhar com marketing digital com vendas digitais e e-commerce,  a formação mais tradicional era a de administração de empresas, que te leva através de um currículo de quatro anos, bastante denso, mas muitas vezes desnecessário para aquela atividade que você precisa fazer”.

A Elleve foi fundada em 2020 e está com cerca de 6 mil alunos financiados que pagam taxas que variam de 0% a 2%, ao mês, dependendo do programa. André conta que o modelo permite acesso aos jovens, independentemente da condição financeira dele, gera emprego e renda no futuro. Quanto as instituições de ensino, têm uma captação mais de alunos, risco menor de evasão escolas e garantia de pagamento das mensalidades.

“Se o curso tem muito sentido para aquele perfil de jovem, se a escola tem um bom histórico de empregabilidade dos seus alunos egressos, e se o mercado de trabalho está buscando profissionais com aquelas características daquele aluno pós-formado naquela escola, por mais que aquele aluno tenha problemas financeiros, ainda assim a gente consegue aprovar o crédito daquela pessoa”.

Conheça mais sobre a história da Elleve e como você pode usufruir dos benefícios da plataforma que conecta estudantes e escolas, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.