CBN e Globo tem 13 indicados para Comunique-se

 

A CBN e Rádio Globo, ambos veículos do Sistema Globo de Rádio, foram indicados para a segunda fase do Prêmio Comunique-se 2011, a mais importante premiação do jornalismo brasileiro. Nesta nona edição, a CBN e a Rádio Globo tiveram treze jornalistas indicados entre as categorias.

A votação da segunda fase, com acompanhamento e auditoria da Deloitte, fica aberta pelo site http://www.premiocomunique-se.com.br até o dia 1º de agosto, quando serão definidos os três finalistas. A terceira etapa de votação acontece entre os dias 15 e 30 de agosto e vai definir os grandes vencedores. A festa de entrega do Prêmio Comunique-se 2011 para os mais votados será no dia 13 de setembro, no HSBC Brasil, em São Paulo. Confira os indicados da CBN e Rádio Globo em cada uma das categorias:

Categoria Comunicação

Propaganda e Marketing
– Regina Augusto – CBN

Categoria Colunistas

Colunista de Opinião
– Merval Pereira – CBN

Categoria O Boticário de Jornalista de Sustentabilidade
– Sérgio Abranches – CBN

Categoria Itaú Executivo de Veículos de Comunicação
– Mariza Tavares – Rádio CBN

Categoria Oracle do Apresentador / Âncora
– Adalberto Piotto – CBN
– Carlos Alberto Sardenberg – CBN
– Lucia Hippólito – CBN
– Milton Jung – CBN

Categoria Petrobrás de Jornalista de Economia
Mídia Eletrônica
– Miriam Leitão – Rádio CBN

Categoria TIM de Jornalista de Tecnologia
– Daniela Braum – CBN

Categoria Jornalista Nacional

Mídia Eletrônica
– Lucia Hippolito – Rádio CBN

Categoria Ambev de Jornalista de Esportes

Mídia Eletrônica
– Juca Kfouri – Rádio CBN

Locutor Esportivo
– José Carlos Araújo – Rádio Globo

Velhas e novas implicâncias

 

Falamos sobre qualidade do texto no rádio, semana passada, aqui no Blog e encontrei em meus favoritos o link para o texto que havia sido escrito por João Ubaldo Ribeiro e publicado, originalmente, no jornal O Estado de São Paulo, de domingo (24/04/2011), no qual ele destaca o uso de expressões comuns no noticiário que contaminam o discurso do brasileiro. Vale a leitura:

Semana Santa, bairro quieto e silencioso, jornais sem muitas notícias, uma certa preguiça. Ligo a televisão e um cavalheiro está falando sobre um assunto sem dúvida relevante, a julgar pelo semblante grave com que se dirige à câmera. Já por natureza lerdo de entendimento, cheguei no meio e não consigo atinar qual é o palpitante assunto. E deixo de tentar, assim que ele solta o terceiro ou quarto anacoluto em menos de um minuto. Anacoluto, já comentei aqui, é quando um elemento da oração fica sem função sintática, meio dependurado, como, por exemplo, “o Brasil, ele tem experimentado”, que o homem da televisão acaba de dizer.

Há quem estude esse tipo de fenômeno, porque realmente é interessante, pelo menos para linguistas e cientistas sociais. De alguns anos para cá, sem dar sinal nenhum de que vai embora, está perigando tornar-se regra tacar o anacoluto sempre que se usa um verbo na terceira pessoa. “Os deputados, eles não têm interesse nas reformas”, “o obeso, ele não deve ingerir açúcar” e assim por diante. Fala-se assim em toda parte, com essa espécie de sujeito duplo, e piora quando o falante está dando uma entrevista ou declaração pública, ocasião em que muita gente acha que deve botar paletó e gravata na linguagem. O anacoluto, que em si não tem nada de mau e é até um recurso estilístico, talvez seja visto como sofisticação de linguagem, ou sinal de que quem está falando tem bom conhecimento ou grande convicção do que diz. Sei lá, só sei que implico com esse abuso, que, na minha opinião, aleija a língua.

É engraçado esse negócio de querer enfarpelar a linguagem, quando se fala em circunstâncias formais, mesmo que apenas numa breve entrevista para um noticiário de televisão. Muitos se empertigam, abandonam sua maneira habitual de expressar-se e não só passam a caprichar nos anacolutos e similares, como na escolha das palavras, principalmente verbos terminados em “izar”. O que em casa seria usado, na entrevista é utilizado, assim como não se vê mais nada, só se visualiza. “Comerciar” praticamente não existe mais e chegará talvez o dia em que os que comerciam serão comercializantes. Aliás, ninguém vende mais nada, só comercializa.

Acho que foi essa necessidade de usar palavras por algum motivo consideradas preferíveis, ou chiques, que ocasionou o triste banimento dos verbos “botar” e “pôr”, preteridos universalmente por “colocar”. Ainda não vi referência a galinhas colocadeiras, em lugar de poedeiras, mas já li sobre galinhas colocando ovos e o dia das colocadeiras não deve tardar. Destino semelhante teve “penalizar”, que de uma só cajadada botou (colocou, já ouvi isso até em narrações esportivas) “prejudicar” para escanteio e nos obrigou a ficar, se for o caso, comiserados ou condoídos com o sofrimento alheio, mas nunca penalizados. Ainda no setor de banimentos, temos o caso de “difícil”, que, quem sabe se por ser politicamente incorreto, é hoje sempre substituído por “complicado”. E acredito que estamos presenciando o degredo talvez permanente da locução “por causa de”. Acho que maioria de vocês nem deu por isso, mas agora prestem atenção e notarão. Ninguém mais diz “por causa de”, diz “por conta de”. “Ficou em casa por conta de uma dor de cabeça”, “brigou por conta de uma dívida”.

E o “você”? Continua também, mais firme do que nunca. “Você armar um time ofensivo é mole, o que você não pode é deixar a defesa adiantada demais, porque aí você fica exposto a contra-ataques que você poderia evitar, se você posicionasse melhor a zaga.” E “jovial”? Creio que deve resignar-se a não querer mais dizer “cortês” ou “afável”. Já fiz uma checagem entre conhecidos e me surpreendi com a quantidade de gente que o liga a juventude. E o “então”? Observem como é cada vez maior o número de pessoas que inicia uma resposta com um “então” de significado obscuro. “Você foi lá hoje?” perguntamos. “Então”, começa a outra pessoa. “Não, não fui.” Acho que já tem gente que só responde depois de dizer “então”, deve ser cabalístico.

E “acontecer de”, como em “aconteceu de eu ver”? Não existe a menor necessidade desse “de” aí e o verbo sempre passou muito bem sem essa preposição. Prescinde dela como em “aconteceu ele estar presente”, ou se usa a integrante “que”. Imagino Caymmi cantando “acontece de eu ser baiano, acontece de ela não ser”. E “meio que”, que é isso? “Ele estava meio que preocupado com a situação”, “ela ficou meio que na dúvida” – que faz esse “que” aí? E “combinar de”? “Combinar” jamais teve necessidade desse “de”.

Finalmente, é cada vez mais observável que a tendência é dizer “brasileiros e brasileiras”. O plural no masculino, como era a regra, parece que não está valendo mais. Agora é “eleitoras e eleitores”, “agricultores e agricultoras”, “professores e professoras”. A tendência, imagino eu, será eliminar as palavras comuns de dois gêneros. Teremos, assim, “estudantos e estudantas”, “dentistos e dentistas”, “crianços e crianças” e – por que não? – “pessoos e pessoas”. Isso é reforçado pela preferência que a presidente Dilma tem revelado. Ele não somente quer ser chamada de “presidenta” – o que, aliás, já está dicionarizado – como, quando tem plateia, dirige a palavra aos presentes distinguindo o gênero deles, como, por exemplo, “operários e operárias”. Tudo bem, a língua é viva e não para de mudar. Mas não se pode deixar que ela corra solta, a norma culta é indispensável para a sobrevivência da língua como instrumento de comunicação científica e artística. Além disso, certas coisas acabam não dando certo. Por exemplo, a presidente pode preferir ser presidenta, mas, quando mencionada na condição mais genérica de “governante”, duvido que ela queira ser designada pela forma feminina da palavra.


Para escrever notícia no rádio, conte sua história

 

O post sobre o texto no rádio, escrito nesta terça-feira, proporcionou bons comentários aqui no blog. Em um deles, assinado pela estudante do segundo ano de jornalismo Kelly de Conti, foi reproduzido texto de Rosental Calmon Alves que faço questão de destacar neste espaço:

É muito normal, nas redações de rádio, o editor condenar um texto à lata de lixo e depois pedir ao redator que conte o que estava escrito (não como estava, naturalmente). Ao terminar a resposta, o editor fala: ‘Brilhante! É isso que eu quero. Reescreva exatamente como você acaba de me contar.’ E, muitas vezes sem perceber direito a lição, o redator volta à máquina meio intrigado, tentando lembrar, textualmente, como foi a conversa com o chefe. A essa simplicidade a gente só chega quando consciente das caracterizações do trabalho. Basicamente, precisamos saber: a) que escrevemos para alguém ler e alguém ouvir, sem possibilidade de outra leitura, em caso de não entendimento de algum detalhe; b) que, apesar de suas particularidades, o processo comunicativo, do qual estamos participando, deve aproximar-se do interpessoal, ou seja, devemos procurar o nível de uma conversa informal; c) que as notícias devem ser escritas objetivamente, de forma direta; d) que devemos dizer o máximo, com o mínimo de palavras, mas sem forçar.”

Boa notícia, também, na mensagem deixada pela professora de radiojornalismo Débora Menezes que revela seu cuidado para que o texto de rádio seja mais bem tratado. Como disse a ela, é da academia que iremos contaminar as redações.

A história do Chapeuzinho Vermelho no rádio

 

Tem uma brincadeira antiga na qual uma mesma notícia é apresentada em diferentes versões, adaptada ao estilo editorial de cada jornal, revista ou programa de televisão. Um exercício para entender melhor a mídia e mostrar como a forma de pensar do veículo e o próprio público-alvo podem influenciar a abordagem do assunto. A primeira vez em que me deparei com este texto a notícia em questão era o fim do mundo e havia coisas curiosas como acusação contra partidos políticos, destaque para as perdas econômicas e até uma, nunca esqueço, que destacava em letras garrafais: “O Rio Grande do Sul vai acabar“. Claro, se referia a um jornal gaúcho.

Nessa segunda-feira, recebi e-mail do ouvinte-internauta Joaquim S. Falcão Neto mostrando como a história de Chapeuzinho Vermelho seria contada na imprensa brasileira. Já conhecia este texto, também. Mas havia uma provocação interessante na mensagem copiada por ele: “E na CBN, como vocês noticiariam?”

A pergunta me permite falar um pouco sobre algo que me incomoda há bastante tempo no rádio brasileiro: o texto. Com as exceções de praxe, deixamos de lado o desenvolvimento de uma escrita apropriada para o veículo, o que significa dizer, apropriada para o ouvinte. E o que vem a ser isto? Escrevi no livro Jornalismo de Rádio, editado pela Contexto, sobre o assunto:

O jornalista catalão Iván Tubau, professor do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, em seu livro Periodismo oral (Paidós, 1983), ensina que ao escrever para quem ouve, deve-se escrever como quem fala. O redator de rádio tem de levar em consideração que a notícia será falada; não pode se prender ao texto escrito do jornal, da agência de notícias ou internet, fontes de sua redação. Precisa recriá-lo. No rádio, assim como na televisão, a compreensão tem de ser imediata. Não se dá ao ouvinte o mesmo direito que o leitor tem de voltar atrás sempre que alguma ideia for percebida.

Mais adiante, reproduzo outro ensinamento de Tubau:

Quem escreve para rádio e televisão deve ouvir a algaravia da rua, ordená-la e limpá-la um pouco e devolvê-la levemente melhorada a seus emissores primigênios, procurando que estes a sigam conhecendo como sua.

Digo tudo isso para, finalmente, responder ao interesse do Falcão Neto. A notícia do Chapeuzinho Vermelho no rádio, muito provavelmente, seria “copiada e colada” de algum outro veículo de comunicação, infelizmente, como ocorre na maioria das vezes, sem nem mesmo se atentar para o interesse editorial que moveu o veículo-fonte.

Haverá aqueles colegas de rádio que lerão este post – é pretensão minha acreditar que algum deles lê este blog? – e logo pensarão consigo mesmo: “eu não faço assim” ou “na minha rádio, não”. Se for verdadeira a reação, parabéns. Você é um dos poucos que ainda se lembram do ouvinte ao redigir para o rádio.

Vejo vozes

 

Reproduzo coluna escrita pela escritora Cláudia Tajes publicada no Caderno 2 do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. E o faço sem perdão nem licença usufruindo um direito que ela não me deu mas que como prima, espero, não me negue jamais. E o faço, também, porque fala de rádio, fala de minha família, fala de minha infância, e fala (ou escreve) com o estilo que lhe é peculiar:

Um dos grandes baratos do rádio é inventar rostos para as vozes que a gente escuta. No meu caso, basta ligar o rádio para a figura do locutor surgir na minha cabeça, mesmo que eu não saiba como ele é. É impossível ouvir uma voz sem imaginar a cara que ela tem. A curiosidade é que nenhum dos locutores que conheci era parecido com a imagem que eu fiz. A surpresa é outra das mágicas do rádio.

Adoro rádio desde criança, tanto porque meu pai passou o gosto aos filhos, quanto pela convivência com o tio Milton Jung, o lendário Correspondente Renner. Engraçado é que um dos programas preferidos de sábado, ir com irmãos e primos à rádio para ver o tio narrar, trouxe também uma decepção da infância: descobrir que não era o Milton quem tocava a cornetinha característica do início do noticiário.

Nessa época fui apresentada, nos aniversários de família, às vozes do professor Ostermann e do Lauro Quadros, e como era bom ver que eles pareciam o nosso rádio de casa quando falavam as coisas mais simples, um sim para a torta fria, um não para a salada de batata.

Outra voz: a da Katia Suman. Muito antes de se transformar em um cabelão familiar para os telespectadores, a Katia pedia um paracetamol na farmácia e o atendente se derretia: Katia Suman! Incrível como ninguém esquece uma boa voz.

A da Sara Bodowsky, por exemplo, eu não esqueço de ouvir, nas vezes em que a madrugada me pega de pé. E quem não lembra da voz que precedeu a da Sara, a do Jayme Copstein, então a companheira dos noctívagos e insones?

Nos últimos tempos, por conta dos convites para participar de um ou outro programa, tenho visto muitas vozes de perto. As dos meus queridos amigos do Cafezinho, vejo praticamente todas as semanas. Da turma Gre-Nal comandada pelo Serginho Couto, também. Depois que a gente vê vozes, ouvi-las no rádio ganha outro prazer.

Volta e meia alguém diz que o jornal vai terminar, que o livro vai morrer, que o CD já era. Sobre o rádio, ninguém arrisca uma previsão desse tipo. A impressão é que ele se espraia cada vez mais, invadindo o celular, a internet e o que mais chegar. Para que as vozes do locutor que nos acompanha e do cantor que tanto amamos não nos abandonem jamais.

Sem voz, só som instrumental da pesada: o novo CD do Arthur de Faria & Seu Conjunto, Música para Ouvir Sentado. Faltam palavras para dizer como é bom.

Meu filho, o rádio e o futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Meu filho, o Christian, também tem um Blog, como o Mílton, mas, se o deste é quase que totalmente dedicado às coisas de São Paulo, tirante o espaço chamado Avalanche Tricolor, invariavelmente postado após jogos do seu Grêmio (nosso, aliás), e este que escrevo todas as quintas-feiras, o do caçula dos irmãos Jung trata de um objeto de sua paixão. Basta que eu diga o nome do blog para que fique claro aos pacientes leitores que me concedem sua atenção qual o principal assunto abordado nele: MacFuca. Sugiro a quem gosta de carros antigos,especialmente os da marca Volkswagen, que tiveram sua época no Brasil e no mundo, que dêem uma olhadinha no MacFuca.

Toda regra tem a sua exceção,diz um adágio mais velho do que eu. O MacFuca não fugiu dela. Às vezes, além de falar em fucas, no seu e nos alheios, escreve sobre o seu pai. Afinal, se existem pais corujas, há filhos que também são. Quem se der ao trabalho de ler o desta semana vai encontrar uma história que começa com um crachá, no qual se vê uma foto de um jovem de 18 anos (os narradores de futebol diriam que se trata de um garoto) que chegava ao seu segundo emprego. Saíra de uma pequena rádio e buscava espaço em outra que, embora ainda sem ter completado um ano, já podia ser considerada grande, uma vez que pertencia a uma empresa importante no Sul: a Companhia Jornalística Caldas Jr. e, de certa forma, herdava a tradição desta: a Rádio Guaíba.

A história só começou pela imagem do crachá, para ilustrar o texto do Christian. Mais abaixo, está uma foto de um rádio que pertencera ao avô paterno do…meu filho. Os leitores, sempre sagazes, já descobriram, é claro, quem era o jovem da fotografia. Quanto ao rádio, tinha Wells como marca. Quem o olhasse por detrás, veria que possuía uma entrada para toca-discos. Nesta, resolvi introduzir um fone e descobri que podia o usar como se fosse um microfone. Daí a passar a narrar as partidas de futebol-de-mesa dos meus amigos, em minha casa, foi um pulinho.

Fazia, sem me dar conta, minha primeira experiência “radiofônica”, muito distante ainda do teste que acabei realizando, com sucesso, na Rádio Canoas, em 1954. Quatro anos depois,estreava na Guaíba. Nesta, fui locutor comercial, radioator, apresentador de notícias e narrador de futebol.

Em 1964,o então chefe do Departamento de Notícias me escolheu para apresentar a síntese informativa mais importante da Emissora – o Correspondente Renner – que esteve presente na programação da Guaíba desde a sua inauguração. Como escrevi na quinta-feira anterior, já com outros patrocinadores a partir de 1999, o ciclo foi interrompido e só retomado, para minha alegria, nessa segunda-feira, 2 de maio, conforme anunciei que seria, aqui neste meu espaço.

Choveram e-mails e torpedos de ouvintes que se confessavam saudosos do Correspondente e, a modéstia que, desta vez, se dane, deste locutor que, neste momento, não lhes fala, mas escreve, tomado por insopitável prazer.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A volta da síntese noticiosa

 

Por Milton Ferretti Jung

Dia 30 de abril de 2010. Saía do ar, nesta data,o Correspondente Renner, síntese informativa que vinha sendo irradiada desde a fundação da Rádio Guaíba e era um marco na programação da emissora. Ao deixar de ser apresentado já não tinha a chancela de seu primeiro patrocinador. Este, porém, quando alguém fazia referência à síntese informativa, geralmente continuava sendo citado. O nome – Correspondente – e o sobrenome – Renner – permaneciam na cabeça dos ouvintes, que teimavam em não se acostumar com as novas e mais recentes denominações do noticiário. Com Renner a patrociná-lo, o noticioso teve quatro apresentadores: Ronald Pinto, Mendes Ribeiro, Ênio Berwanger e este seu criado.

Vou ter de falar, com a devida licença dos leitores, na primeira pessoa. Explico: comecei a apresentar o Correspondente Renner em 1964 e cumpri esta agradável tarefa até a sua penúltima edição, da qual não fui o apresentador, o que me poupou uma leitura que faria, provavelmente, com imensa tristeza. Afinal, cheguei a ser o locutor que, no Brasil, permaneceu mais tempo apresentando o mesmo noticiário. Eron Domingues e Lauro Hagemann, locutores do Repórter Esso, aquele no Rio, este no Rio Grande do Sul, síntese que balizou o Renner, marcaram época na radiofonia brasileira, mas ficaram no ar menos tempo que eu. Confesso que ambos foram meus mestres. No início, tentava imitá-los,o que durou até encontrar meu próprio estilo.

No próximo dia 30, data do quinquagésimo-terceiro aniversário da Rádio Guaíba, o Correspondente estaria de aniversário. Eu escrevi estaria? Ledo engano. Vou revelar agora o motivo pelo qual, data vênia do responsável por este blog, meu filho Mílton Jung, estou tratando de um assunto que, embora possa parecer estranho aos paulistas, toca-nos – a mim e a ele – muito de perto, uma vez que eu ainda sou locutor da Guaíba e o Mílton começou nela sua exitosa carreira radiofônica.

Há menos de um mês,Solange Calderon,Diretora de Programação da Rádio,convocou-me para dar-me uma notícia das mais alvissareiras: o Correspondente voltará ao ar um ano e dois dias depois de ter deixado a programação da Guaíba.E,praticamante,nos mesmos moldes dos bons tempos. E com o mesmo nome porque patrocinado pelo Banco Renner.

Os alunos de jornalismo gaúchos – o Mílton e a nossa Diretora estiveram entre eles – poderão, novamente, escolher como tema para o trabalho de encerramento do curso, o Correspondente Renner. Tenho certeza que os ouvintes desta síntese informativa,os antigos, que se diziam saudosos dela, e os que aprenderão a apreciá-la por sua credibilidade, serão nossos ouvintes, de segunda a sábado, às 09h, 13h, 18h50min e 20h.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Twitter e rádio no ETC_SP

 

Entusiasmados e estudados, twitteiros discutiram o fenômeno que se transformou o microblog (alguém ainda chama assim?) na transmissão de informação e fortalecimento da sociedade, em mais uma edição do ETC_SP, na Livraria da Vila, na capital. Sob o comando de José Luis Goldenberg (@jlgoldfarb), a conversa se iniciou com o relato do sucesso que é a campanha #doeumlivro que, pelo Twitter, arrecadou cerca de 200 mil exemplares.

Neste ano, o CBN SP apoiou a mobilização e arrecadou livros durante o programa de aniversário da capital, no Pateo do Colégio, que ajudaram a construir a biblioteca da Associação Esportiva Unidos da Doze, do Parque Doroteia, extremo sul da cidade. O Paulo Toledo da Unidos (@unidosdadoze) descreveu como o rádio mexeu com outras pessoas e destacou a abertura de diálogo que o Twitter permitiu com autoridades.

Na oportunidade que tive para falar, lembrei de como conseguimos, no CBN SP, provocar a reação da sociedade para reconstruir uma biblioteca de escola estadual, na Região Metropolitana de São Paulo, que havia sido queimada pelo fogo colocado por vândalos. Era uma época pré-Twitter e a história que contei serviu para chamar atenção que com todo o valor que as redes sociais têm hoje nada acontecerá se não houver pessoas e ideias por trás dos movimentos.

Ouvi coisas interessantes dos muitos participantes. Abrirei mão de reproduzir seus nomes, pois certamente vou trocar alhos com bugalhos e serei injusto com seus autores. Como a intenção é construir na rede uma inteligência coletiva, sei que a turma que esteve lá na livraria não vai se importar. E meu desafio será descrevê-las no estilo Twitter, com até 140 carcteres:

@ O Twitter é apenas a ferramenta, nós somos a comunicação

@ O Twitter somos nós fazendo comunicação, sem intermediários e o controle das grandes corporações

@ Existem três tipos de usuário no Twitter: a celebridade, o expert e nós

@ Bom usuário mistura: afetividade (conversa), autoralidade (opinião) e conhecimento (informação)

@ Tradução: o bom usuário mistura amor, ideias e conteúdo

@ O Twitter retomou a oralidade de antes de Gutemberg. Conversamos pelos dedos

@ Com as redes sociais, a marca de uma corporação agora está nas mãos dos outros

@ No ND se não deu no cordel, não aconteceu. O Twitter é o cordel da era moderna

@ Campanha no Twitter fez Natal (RN) barrar a inspeção veicular que, nos moldes propostos, prejudicaria a cidade

Twitteiros culturais se encontram em São Paulo

 

Reproduzo a seguir convite do pessoal do Encontros de Twitteiros Culturais que se realiza neste sábado, em São Paulo. Eu estarei lá para falar da campanha CBN SP e #doeumlivro e o poder de mobilização do rádio:

Está marcado! Dia 19.03-11 sábado das 17 as 19 horas na Livraria da Vila da Fradique ( Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros SP), o 1º ETC_Sampa de 2011, o 9º encontro em São Paulo, com o tema: TWITTER E MOBILIZAÇÃO.

Convidados: Pedro Toledo presidente da ONG @unidosdadoze e Milton Jung jornalista – CBN @miltonjung, sob mediação de José Luiz Goldfarb @jlgoldfarb

Durante o ano de 2010, através do Twitter Paulo Toledo idealizou a criação de um espaço cultural para as crianças atendidas pelo Projeto de Futebol Unidos da Doze, Parque Dorotéia, Cidade Ademar, periferia de SP. E foi pelo Twitter que surgiu grande mobilização de apoio (incluindo campanha #Doeumlivro e rádio CBN) que culminou na inauguração da Sede da ONG com amplo espaço para leitura e cinema (apoio da Sec Estadual de Cultura).
Vamos passar a limpo esta linda e profícua experiência mostrando o poder de mobilização social do Twitter.

Você é nosso convidado, para acompanhar e twittar, vamos usar a hashtag #ETC_BR para unir o Brasil.

Pelo direito de opinar e escolher

 

A internet nos abriu inúmeras possibilidades e democratizou a transmissão de informação e opinião. Infelizmente, este espaço nem sempre é usado da melhor maneira possível e os abusos são frequentes em especial quando bárbaros se aproveitam do anonimato. É comum identificarmos na área destinada aos comentários ofensas pessoais, baixaria e despropósitos. Em muitos casos vira terra de ninguém ou de alguém que confunde aquilo com liberdade de expressão.

Foi muito dura a luta por este direito no Brasil. Por nascimento, minha geração já se apoderou quando boa parte da violência da ditadura havia passado. Peguei, na luta estudantil, apenas o fim deste processo e me orgulho daqueles que me antecederam e foram corajosos o suficiente para encarar a situação. Sei lá se eu teria tanta.

Por tudo isso, é justo o desejo de que os fóruns abertos para discussão pública fossem mais bem valorizados, explorados de forma a agregar valor à sociedade. Sempre foi esta a minha vontade. O que parece não foi assim entendido por alguns ouvintes-internautas que acompanharam o bate-papo com minha colega Ceci Melo que precede o Jornal da CBN – quatro escreveram reclamando, acusando-me de ser contra a liberdade de expressão.

O tema principal da conversa era a decisão da Justiça que condenou o rapaz que, por ciúmes e vingança, publicou na internet fotos nuas de sua ex-namorada e usou para isso o e-mail dela. Ceci ficou incomodada com o fato de que ao ler os comentários deixados em um site havia pessoas que defendiam a atitude do ex-namorado. Disse a ela para não perder tempo com estas mensagens. Não valem a pena.

E sustento esta posição. Precisamos selecionar o que lemos ( o que vemos e ouvimos, também). É um direito nosso (meu e seu, também). Deixei de ler comentários deixados em alguns sites e o faço apenas naqueles espaços que considero mais adequados, onde sejam publicados temas qualificados menos propensos a baixaria; blogs que apresentem argumentos coerentes mesmo que defendam posições diferentes das minhas; fóruns de discussão nos quais o moderador impede palavras de baixo calão e ofensas pessoais, por exemplo.

Diga-se, reproduzo este comportamento em relação a todas as mídias: livro, jornal, rádio e TV.

Nada disso, porém, pode ser confundido com algum interesse meu em cercear as opiniões alheias. Cada um escreve o que quiser, expõe sua personalidade como achar melhor, desnuda seu espírito nas palavras que publica, e assume a responsabilidade por seus atos (apesar de muitas vezes o fazer de maneira covarde); mas eu continuarei selecionando minhas fontes.

Neste blog que escrevo, os comentários têm moderação muito mais por uma questão de segurança do sistema, pois todas as opiniões são publicadas – exceção àquelas (raras) que contenham ataques pessoais a terceiros. Com frequência respondo a cada um que me dá a honra de usar este espaço para publicar sua opinião, hábito que mantenho desde quando a interação com o ouvinte-internauta era feita apenas por e-mail (começou em 1998, na CBN).

Faço este esclarecimento pois acredito na máxima de que comunicação não é o que digo mas o que você entende. E, pelo que li nas mensagens enviadas pelos ouvintes-internautas – duas no e-mail, uma no Twitter e uma neste blog -, não gostaria de que estes e outros mais que não se pronunciaram ficassem com a impressão de que defendo qualquer tipo de censura.

Convido-os, sim, a ajudarem a qualificar este espaço democrático conquistado pela sociedade, tomando-o para si e comentando com argumento e coerência – o que, me parece, já o fazem dada a qualidade das opiniões enviadas.