O rádio na cobertura do 11 de Setembro

 

Para lembrar os 10 anos dos atentados de 11 de Setembro, reproduzo neste post trechos do livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), que publiquei em 2004, no qual, entre tantas histórias, conto como foi a cobertura na rádio CBN dos ataques nos Estados Unidos.

Para ler o texto completo sobre os bastidores desta cobertura da CBN, compre o livro aqui

E ouça aqui o plantão CBN com a primeira notícia sobre o atentado em Nova Iorque

Onze de setembro de 2001 se inicia, antecedido por uma cortina musical tocada na velocidade da emergência que marca as edições extraordinárias no rádio. O primeiro par[agrafo do mais dramático capítulo escrito pelo terrorismo internacional na era moderna é anunciado, ironicamente, em trinta segundos, tempo reservado na comunicação do mundo capitalista para a venda de produtos e a oferta de serviços. No texto improvisado que descreve a cena inicial do prédio em chamas, de 110 andares e 412 metros de altura, se oferece ao público o que seria a propaganda de maior impacto dos grupos anti-americanos.

Os meios de comunicação multiplicam a mensagem enviada por Osama Bin laden e pela Al Qaeda, através de pilotos suicidas e aviões-bomba. Cada veículo, usando de seus recursos característicos para conquistar o público ansioso pela informação. A televisão estava lá quando o segundo Boeing acertou a torre sul do World Trade Center, quinze minutos após o primeiro ataque, transmitindo ao vivo o “espetáculo”. O rádio propagou o feito terrorista narrando o acontecimento em off tube, como nos grandes jogos internacionais de futebol— sem precisar pagar pelos direitos de transmissão. A internet também calçou a cobertura nas imagens da TV, na noticia do rádio e nas informações das agências internacionais, a maioria levando em tempo real material colhido pela CNN.

Nas ruas, o pedestre tem atenção despertada pelo anúncio do painel eletrônico: “Terroristas arremessam aviões sobre WTC”. Na tela do telefone celular, o texto do serviço de mensagem informa; “Torres gêmeas em fogo, após ataque terrorista”. O pager na cintura da calça chama: “Terror no ar: avião com passageiros atinge Pentágono”. Jornais e revistas mobilizam redações para rodar o mais cedo possível uma edição extraordinária — prática abandonada desde o advento da internet.

A sociedade informativa, fenômeno na virada do Terceiro Milênio, acorda para viver o dia que ainda não acabou.

MAIS UM DIA DE TRABALHO

O CBN São Paulo, programa que apresento desde 1999, estava apenas começando. Era hora de falar do esporte com os destaques dos clubes. Antes, já havíamos passado em revista a tropa de repórteres. Cada um apresentando a informação que cobriria naquela manhã. Meteorologia, trânsito, estradas e aeroportos, informações da cidade — este é o nosso foco das 9h30 ao meio-dia, horário destinado ao noticiário local na rádio CBN, que tem boa parte da programação dedicada aos temas nacionais e internacionais.

Logo cedo, após ler um jornal diário, assistir aos telejornais da manhã e ouvir um trecho da programação da rádio, havia negociado com a produção, pelo viva voz do celular no carro, a pauta do dia. A produtora Fabiana Boa Sorte, na redação, havia feito o balanço das reportagens que poderiam entrar gravadas; conversado com o chefe de reportagem para saber quais assuntos seriam cobertos pelos repórteres; e feito varredura nos demais jornais impressos. Também já recebera, pelo correio eletrônico, sugestões de ouvintes e assessores de comunicação.

Ao entrar no ar, duas entrevistas estavam fechadas — ou seja, os convidados estavam disponíveis para falar sobre o tema nos horários propostos. Ainda se aguardava o retorno de um terceiro entrevistado. Não tinha sido encontrado pela produção até aquele momento. Alguém da assessoria dele ficara de telefonar de volta. Os comentaristas␣ tinham assuntos decididos. Os cartuchos com reportagens, sonoras e teasers gravados, estavam separados, cada um com sua devida cabeça redigida em laudas de computador. Ao operador de áudio Paschoal␣Júnior, que comanda a mesa de som responsável por levar a rádio ao ar, havia sido passada as orientações do que seria apresentado. Ele, por sua vez, havia feito algumas sugestões a partir de notícias que lera no jornal ou ouvira na programação da rádio, desde às seis horas da manhã. O pessoal da área técnica é parte integrante da equipe de jornalismo, e tem de ser consultado. Essa interação facilita o andamento do trabalho.

Em geral, buscamos tratar de questões relacionadas à vida do cidadão. Fatos que mexem com o dia a dia do paulistano. Ações de participação da comunidade, à medida em que a parceria com o poder público deve ser incentivada. Também orientam nossa pauta denúncias contra desrespeito aos direitos humanos e a fiscalização do que as autoridades públicas fazem com nosso dinheiro.

A minha frente, o computador recebia mensagens de todo o tipo. A quantidade de spams (material enviado para os correios eletrônicos sem autorização nem utilidade) é enorme e atrapalha a avaliação criteriosa daqueles que merecem alguma atenção.␣Já desperdicei meu tempo levantando a seguinte estatística: de cada vinte e-mails que aterrissam na caixa de correio eletrônico, cinco merecem ser abertos, dos quais três têm de ser respondidos e apenas um tem direito e respeito para ser registrado no ar. Além do correio eletrônico, navegava na internet em busca de informação e acessava as agências de notícias. Um televisor sobre a mesa, ao lado do computador, estava ligado na Globonews, canal de notícias 24 horas, da Rede Globo de Televisão. Entrávamos no ar para mais um programa. Mas era 11 de setembro de 2001.

FOGO NO AR

A agência internacional acabara de anunciar, em apenas uma linha, o incêndio na torre, em Nova York, provocado pelo choque de um avião, e a Globonews interrompia a programação para reproduzir imagens, ao vivo, da CNN. Pelo canal interno, todas as emissoras da CBN eram comunicadas de que em trinta segundos seria formada rede para notícia extraordinária. Imediatamente, quem estava no ar em Cuiabá, Curitiba, Maringá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília ou qualquer ponto do país em que houvesse retransmissora da Central Brasileira de Notícias parou a entrevista, a reportagem, seja lá o que estivesse sendo apresentado, para ouvir o Plantão CBN, transmitido do estúdio em São Paulo.

Com base nas primeiras informações, anunciei o incêndio no World Trade Center, imaginando um acidente de avião ocorrido há apenas dez minutos. Disse que seria um Boeing 737, mas se descobriu em seguida que o avião era modelo 767, duas␣ vezes mais pesado e com quase o dobro de capacidade para transportar passageiros. Encerrado o plantão, continuamos em rede descrevendo as imagens. O apresentador da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, passou a dividir o comando da programação.

Às 10h03, logo após a leitura do Repórter CBN — síntese noticiosa com duração de dois minutos, que vai ao ar de meia em meia hora —,transmiti ao vivo, o choque do segundo avião, com a voz revelando o impressionante da cena.

Até aquele instante ainda era difícil entender o que acontecia à nossa frente. Impossível não se emocionar, porém, com as imagens. Produtores no Rio e em São Paulo já haviam ligado para correspondentes em Nova York, em Washington e na Europa. Apuradores haviam levantado detalhes nas agências. Quem conhecia alguém nos Estados Unidos, correu para o telefone em busca de informação. Na redação, todos os monitores estavam sintonizados nas emissoras a cabo americanas. O escritório da BBC Brasil também foi acionado. E a cobertura se iniciara há apenas seis minutos.

DEU NO RÁDIO

O “espetáculo” do 11 de setembro foi planejado para ser transmitido pela televisão. A diferença de tempo entre o choque de um e outro avião nas torres gêmeas vai ao encontro dessa idéia. O primeiro, da␣ American Airlines, chamou atenção das emissoras americanas que circulam por Nova York com suas equipes móveis de alta tecnologia.

Quem anda pelas grandes avenidas de Manhattan se depara a todo o momento com os técnicos, sem a companhia de repórteres, em pequenos e ágeis furgões. Haveria tempo suficiente para se direcionar uma câmera para o prédio que se enxergava de vários pontos da ilha. Daí a facilidade para reproduzir, ao vivo e a cores, o segundo ataque.

O recado enviado pelo segundo avião, o Boeing da United Airlines, era claro. Se alguém não havia entendido até então o que estava acontecendo — e eu, que transmitia tudo aquilo, não entendia␣ mesmo — ali estava a verdade. Um ataque programado para se transformar em fenômeno midiático. A câmera era a única forma de contato do mundo com aquele cenário. A aproximação do local atingido era impossível. Toda e qualquer leitura que se fez naquelas primeiras horas foi construída a partir da imagem.

Apesar de o episódio ter privilegiado a televisão, como ocorre nos shows de entretenimento, no Brasil, o rádio teve papel importante na cobertura jornalística do 11 de setembro. No momento em que o ataque se iniciou, boa parte das pessoas não estava mais em casa. Encontravam-se no carro, a caminho do trabalho, ou haviam chegado ao escritório. Nas escolas e universidades, as aulas tinham começado. Muita gente se deslocava a pé nas ruas de comércio. Com esse quadro e com base em análise comparativa da audiência, arrisco dizer que a maioria da população ficou sabendo do atentado pelo rádio.

Números do Ibope deixam evidente a supremacia da programação radiofônica em relação à televisiva na faixa das nove às dez da manhã. Chega a ser, em média, três vezes maior o número de pessoas que ouvem rádio nesse horário do que os que assistem à televisão. Mesmo no decorrer do dia, o número de ouvintes supera o de telespectadores. Pesquisa do␣ Ibope, citada pelo Jornal do Brasil, mostra que no terceiro trimestre de 2003 os ouvintes foram 2.967.603, enquanto os telespectadores não passaram de 2.408.560, entre seis da manhã e sete da noite, no estado de São Paulo.

Não tenho dúvida de que, alertado pelo plantão da rádio jornalística da cidade, o ouvinte saiu à procura do primeiro aparelho de televisão que houvesse nas proximidades. Reação provocada em todo o cidadão que, por outros meios de comunicação, até mesmo o telefonema de um vizinho, teve acesso à notícia. Mas, ao encontrar os canais que reproduziam as imagens da CNN para o mundo, esse cidadão se deparou com âncoras, repórteres e comentaristas atuando como se estivessem no rádio.

Sem acesso à “cena do crime”, a solução foi voltar as câmeras para o local do atentado e, por telefone, conversar com pessoas que escaparam do prédio em chamas, acionar correspondentes internacionais, entrevistar especialistas, falar com autoridades políticas e policiais em uma linguagem muito próxima à do rádio. Os programas jornalísticos na televisão não têm humildade suficiente para aceitar o uso do telefone como meio de informação. Um repórter que esteja diante da notícia, mas sem uma câmera, terá dificuldade de convencer o editor de que o fato deve ser transmitido, apesar da falta de imagem. Foi com o surgimento das emissoras de notícias 24 horas, como Globonews e Bandnews, que esse formato passou a ser aceito na TV brasileira, apesar de ainda encontrar muitas restrições. Antes disso, repórter ou entrevistado falando por telefone era␣cena rara na televisão. Por mais fascinante que seja a TV, fenômeno de massa de enorme impacto na sociedade, a imagem por si só não informa. É perigosa a idéia de que a câmera aberta diz tudo. De que o cidadão não carece de um intermediário para explicar o que vê. Precisa, sim. A reflexão, o questionamento e a apuração dos fatos são imprescindíveis para que o processo de comunicação se complete. Jornalistas e público não podem se tornar reféns da imagem.

O rádio contou para as pessoas o que acontecia no 11 de setembro e elas foram ver na televisão. Encontraram seus apresentadores favoritos fazendo rádio, apesar da imagem. E que imagem.


Leia o restante do texto, no livro Jornalismo de Rádio

Avalanche Tricolor: Que saudade !

 

Grêmio 2 x 2 Atlético MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi uma noite para relembrar os anos 1990. Naquela época trabalhava na TV Cultura e deixava a redação lá pelas 10 da noite quando o jogo do Grêmio já havia se iniciado. Pegava meu carro, ligava o rádio e escorregava o ponteiro do dial até o ponto mais à esquerda, próximo dos 500 mghz. Era ali que conseguia sintonizar, entre chiados e descargas elétricas, emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Ou a Guaíba ou a Gaúcha, dependia da condição meteorológica. Demorava no caminho, estendia meu caminho e dava preferência às Marginais, onde o som ficava um pouco melhor. Na maior parte das vezes era difícil até mesmo de distinguir quando o gol era do Grêmio ou do adversário.

Ontem à noite, saí de uma palestra da comunicação quando a partida do Grêmio estava se iniciando. Abri o Ipad, cliquei no aplicativo da rádio CBN e acessei a emissora de Belo Horizonte que estava com sua equipe no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Durante todo o caminho até minha casa, demorado devido ao congestionamento, ouvi a partida em seus detalhes sem qualquer interferência. Transformei meu moderno tablet no velho radinho de pilha com a vantagem dele me permitir acesso a emissoras que não são aqui da cidade.

As diferenças de como e o que ouvia nos anos de 1990, infelizmente, não se resumem a qualidade do som e o meio de transmissão. Naquela época, o time era treinado por Luis Felipe Scolari e dava orgulho torcer por aqueles jogadores.

CBN e Globo tem 13 indicados para Comunique-se

 

A CBN e Rádio Globo, ambos veículos do Sistema Globo de Rádio, foram indicados para a segunda fase do Prêmio Comunique-se 2011, a mais importante premiação do jornalismo brasileiro. Nesta nona edição, a CBN e a Rádio Globo tiveram treze jornalistas indicados entre as categorias.

A votação da segunda fase, com acompanhamento e auditoria da Deloitte, fica aberta pelo site http://www.premiocomunique-se.com.br até o dia 1º de agosto, quando serão definidos os três finalistas. A terceira etapa de votação acontece entre os dias 15 e 30 de agosto e vai definir os grandes vencedores. A festa de entrega do Prêmio Comunique-se 2011 para os mais votados será no dia 13 de setembro, no HSBC Brasil, em São Paulo. Confira os indicados da CBN e Rádio Globo em cada uma das categorias:

Categoria Comunicação

Propaganda e Marketing
– Regina Augusto – CBN

Categoria Colunistas

Colunista de Opinião
– Merval Pereira – CBN

Categoria O Boticário de Jornalista de Sustentabilidade
– Sérgio Abranches – CBN

Categoria Itaú Executivo de Veículos de Comunicação
– Mariza Tavares – Rádio CBN

Categoria Oracle do Apresentador / Âncora
– Adalberto Piotto – CBN
– Carlos Alberto Sardenberg – CBN
– Lucia Hippólito – CBN
– Milton Jung – CBN

Categoria Petrobrás de Jornalista de Economia
Mídia Eletrônica
– Miriam Leitão – Rádio CBN

Categoria TIM de Jornalista de Tecnologia
– Daniela Braum – CBN

Categoria Jornalista Nacional

Mídia Eletrônica
– Lucia Hippolito – Rádio CBN

Categoria Ambev de Jornalista de Esportes

Mídia Eletrônica
– Juca Kfouri – Rádio CBN

Locutor Esportivo
– José Carlos Araújo – Rádio Globo

Velhas e novas implicâncias

 

Falamos sobre qualidade do texto no rádio, semana passada, aqui no Blog e encontrei em meus favoritos o link para o texto que havia sido escrito por João Ubaldo Ribeiro e publicado, originalmente, no jornal O Estado de São Paulo, de domingo (24/04/2011), no qual ele destaca o uso de expressões comuns no noticiário que contaminam o discurso do brasileiro. Vale a leitura:

Semana Santa, bairro quieto e silencioso, jornais sem muitas notícias, uma certa preguiça. Ligo a televisão e um cavalheiro está falando sobre um assunto sem dúvida relevante, a julgar pelo semblante grave com que se dirige à câmera. Já por natureza lerdo de entendimento, cheguei no meio e não consigo atinar qual é o palpitante assunto. E deixo de tentar, assim que ele solta o terceiro ou quarto anacoluto em menos de um minuto. Anacoluto, já comentei aqui, é quando um elemento da oração fica sem função sintática, meio dependurado, como, por exemplo, “o Brasil, ele tem experimentado”, que o homem da televisão acaba de dizer.

Há quem estude esse tipo de fenômeno, porque realmente é interessante, pelo menos para linguistas e cientistas sociais. De alguns anos para cá, sem dar sinal nenhum de que vai embora, está perigando tornar-se regra tacar o anacoluto sempre que se usa um verbo na terceira pessoa. “Os deputados, eles não têm interesse nas reformas”, “o obeso, ele não deve ingerir açúcar” e assim por diante. Fala-se assim em toda parte, com essa espécie de sujeito duplo, e piora quando o falante está dando uma entrevista ou declaração pública, ocasião em que muita gente acha que deve botar paletó e gravata na linguagem. O anacoluto, que em si não tem nada de mau e é até um recurso estilístico, talvez seja visto como sofisticação de linguagem, ou sinal de que quem está falando tem bom conhecimento ou grande convicção do que diz. Sei lá, só sei que implico com esse abuso, que, na minha opinião, aleija a língua.

É engraçado esse negócio de querer enfarpelar a linguagem, quando se fala em circunstâncias formais, mesmo que apenas numa breve entrevista para um noticiário de televisão. Muitos se empertigam, abandonam sua maneira habitual de expressar-se e não só passam a caprichar nos anacolutos e similares, como na escolha das palavras, principalmente verbos terminados em “izar”. O que em casa seria usado, na entrevista é utilizado, assim como não se vê mais nada, só se visualiza. “Comerciar” praticamente não existe mais e chegará talvez o dia em que os que comerciam serão comercializantes. Aliás, ninguém vende mais nada, só comercializa.

Acho que foi essa necessidade de usar palavras por algum motivo consideradas preferíveis, ou chiques, que ocasionou o triste banimento dos verbos “botar” e “pôr”, preteridos universalmente por “colocar”. Ainda não vi referência a galinhas colocadeiras, em lugar de poedeiras, mas já li sobre galinhas colocando ovos e o dia das colocadeiras não deve tardar. Destino semelhante teve “penalizar”, que de uma só cajadada botou (colocou, já ouvi isso até em narrações esportivas) “prejudicar” para escanteio e nos obrigou a ficar, se for o caso, comiserados ou condoídos com o sofrimento alheio, mas nunca penalizados. Ainda no setor de banimentos, temos o caso de “difícil”, que, quem sabe se por ser politicamente incorreto, é hoje sempre substituído por “complicado”. E acredito que estamos presenciando o degredo talvez permanente da locução “por causa de”. Acho que maioria de vocês nem deu por isso, mas agora prestem atenção e notarão. Ninguém mais diz “por causa de”, diz “por conta de”. “Ficou em casa por conta de uma dor de cabeça”, “brigou por conta de uma dívida”.

E o “você”? Continua também, mais firme do que nunca. “Você armar um time ofensivo é mole, o que você não pode é deixar a defesa adiantada demais, porque aí você fica exposto a contra-ataques que você poderia evitar, se você posicionasse melhor a zaga.” E “jovial”? Creio que deve resignar-se a não querer mais dizer “cortês” ou “afável”. Já fiz uma checagem entre conhecidos e me surpreendi com a quantidade de gente que o liga a juventude. E o “então”? Observem como é cada vez maior o número de pessoas que inicia uma resposta com um “então” de significado obscuro. “Você foi lá hoje?” perguntamos. “Então”, começa a outra pessoa. “Não, não fui.” Acho que já tem gente que só responde depois de dizer “então”, deve ser cabalístico.

E “acontecer de”, como em “aconteceu de eu ver”? Não existe a menor necessidade desse “de” aí e o verbo sempre passou muito bem sem essa preposição. Prescinde dela como em “aconteceu ele estar presente”, ou se usa a integrante “que”. Imagino Caymmi cantando “acontece de eu ser baiano, acontece de ela não ser”. E “meio que”, que é isso? “Ele estava meio que preocupado com a situação”, “ela ficou meio que na dúvida” – que faz esse “que” aí? E “combinar de”? “Combinar” jamais teve necessidade desse “de”.

Finalmente, é cada vez mais observável que a tendência é dizer “brasileiros e brasileiras”. O plural no masculino, como era a regra, parece que não está valendo mais. Agora é “eleitoras e eleitores”, “agricultores e agricultoras”, “professores e professoras”. A tendência, imagino eu, será eliminar as palavras comuns de dois gêneros. Teremos, assim, “estudantos e estudantas”, “dentistos e dentistas”, “crianços e crianças” e – por que não? – “pessoos e pessoas”. Isso é reforçado pela preferência que a presidente Dilma tem revelado. Ele não somente quer ser chamada de “presidenta” – o que, aliás, já está dicionarizado – como, quando tem plateia, dirige a palavra aos presentes distinguindo o gênero deles, como, por exemplo, “operários e operárias”. Tudo bem, a língua é viva e não para de mudar. Mas não se pode deixar que ela corra solta, a norma culta é indispensável para a sobrevivência da língua como instrumento de comunicação científica e artística. Além disso, certas coisas acabam não dando certo. Por exemplo, a presidente pode preferir ser presidenta, mas, quando mencionada na condição mais genérica de “governante”, duvido que ela queira ser designada pela forma feminina da palavra.


Para escrever notícia no rádio, conte sua história

 

O post sobre o texto no rádio, escrito nesta terça-feira, proporcionou bons comentários aqui no blog. Em um deles, assinado pela estudante do segundo ano de jornalismo Kelly de Conti, foi reproduzido texto de Rosental Calmon Alves que faço questão de destacar neste espaço:

É muito normal, nas redações de rádio, o editor condenar um texto à lata de lixo e depois pedir ao redator que conte o que estava escrito (não como estava, naturalmente). Ao terminar a resposta, o editor fala: ‘Brilhante! É isso que eu quero. Reescreva exatamente como você acaba de me contar.’ E, muitas vezes sem perceber direito a lição, o redator volta à máquina meio intrigado, tentando lembrar, textualmente, como foi a conversa com o chefe. A essa simplicidade a gente só chega quando consciente das caracterizações do trabalho. Basicamente, precisamos saber: a) que escrevemos para alguém ler e alguém ouvir, sem possibilidade de outra leitura, em caso de não entendimento de algum detalhe; b) que, apesar de suas particularidades, o processo comunicativo, do qual estamos participando, deve aproximar-se do interpessoal, ou seja, devemos procurar o nível de uma conversa informal; c) que as notícias devem ser escritas objetivamente, de forma direta; d) que devemos dizer o máximo, com o mínimo de palavras, mas sem forçar.”

Boa notícia, também, na mensagem deixada pela professora de radiojornalismo Débora Menezes que revela seu cuidado para que o texto de rádio seja mais bem tratado. Como disse a ela, é da academia que iremos contaminar as redações.

A história do Chapeuzinho Vermelho no rádio

 

Tem uma brincadeira antiga na qual uma mesma notícia é apresentada em diferentes versões, adaptada ao estilo editorial de cada jornal, revista ou programa de televisão. Um exercício para entender melhor a mídia e mostrar como a forma de pensar do veículo e o próprio público-alvo podem influenciar a abordagem do assunto. A primeira vez em que me deparei com este texto a notícia em questão era o fim do mundo e havia coisas curiosas como acusação contra partidos políticos, destaque para as perdas econômicas e até uma, nunca esqueço, que destacava em letras garrafais: “O Rio Grande do Sul vai acabar“. Claro, se referia a um jornal gaúcho.

Nessa segunda-feira, recebi e-mail do ouvinte-internauta Joaquim S. Falcão Neto mostrando como a história de Chapeuzinho Vermelho seria contada na imprensa brasileira. Já conhecia este texto, também. Mas havia uma provocação interessante na mensagem copiada por ele: “E na CBN, como vocês noticiariam?”

A pergunta me permite falar um pouco sobre algo que me incomoda há bastante tempo no rádio brasileiro: o texto. Com as exceções de praxe, deixamos de lado o desenvolvimento de uma escrita apropriada para o veículo, o que significa dizer, apropriada para o ouvinte. E o que vem a ser isto? Escrevi no livro Jornalismo de Rádio, editado pela Contexto, sobre o assunto:

O jornalista catalão Iván Tubau, professor do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, em seu livro Periodismo oral (Paidós, 1983), ensina que ao escrever para quem ouve, deve-se escrever como quem fala. O redator de rádio tem de levar em consideração que a notícia será falada; não pode se prender ao texto escrito do jornal, da agência de notícias ou internet, fontes de sua redação. Precisa recriá-lo. No rádio, assim como na televisão, a compreensão tem de ser imediata. Não se dá ao ouvinte o mesmo direito que o leitor tem de voltar atrás sempre que alguma ideia for percebida.

Mais adiante, reproduzo outro ensinamento de Tubau:

Quem escreve para rádio e televisão deve ouvir a algaravia da rua, ordená-la e limpá-la um pouco e devolvê-la levemente melhorada a seus emissores primigênios, procurando que estes a sigam conhecendo como sua.

Digo tudo isso para, finalmente, responder ao interesse do Falcão Neto. A notícia do Chapeuzinho Vermelho no rádio, muito provavelmente, seria “copiada e colada” de algum outro veículo de comunicação, infelizmente, como ocorre na maioria das vezes, sem nem mesmo se atentar para o interesse editorial que moveu o veículo-fonte.

Haverá aqueles colegas de rádio que lerão este post – é pretensão minha acreditar que algum deles lê este blog? – e logo pensarão consigo mesmo: “eu não faço assim” ou “na minha rádio, não”. Se for verdadeira a reação, parabéns. Você é um dos poucos que ainda se lembram do ouvinte ao redigir para o rádio.

Vejo vozes

 

Reproduzo coluna escrita pela escritora Cláudia Tajes publicada no Caderno 2 do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul. E o faço sem perdão nem licença usufruindo um direito que ela não me deu mas que como prima, espero, não me negue jamais. E o faço, também, porque fala de rádio, fala de minha família, fala de minha infância, e fala (ou escreve) com o estilo que lhe é peculiar:

Um dos grandes baratos do rádio é inventar rostos para as vozes que a gente escuta. No meu caso, basta ligar o rádio para a figura do locutor surgir na minha cabeça, mesmo que eu não saiba como ele é. É impossível ouvir uma voz sem imaginar a cara que ela tem. A curiosidade é que nenhum dos locutores que conheci era parecido com a imagem que eu fiz. A surpresa é outra das mágicas do rádio.

Adoro rádio desde criança, tanto porque meu pai passou o gosto aos filhos, quanto pela convivência com o tio Milton Jung, o lendário Correspondente Renner. Engraçado é que um dos programas preferidos de sábado, ir com irmãos e primos à rádio para ver o tio narrar, trouxe também uma decepção da infância: descobrir que não era o Milton quem tocava a cornetinha característica do início do noticiário.

Nessa época fui apresentada, nos aniversários de família, às vozes do professor Ostermann e do Lauro Quadros, e como era bom ver que eles pareciam o nosso rádio de casa quando falavam as coisas mais simples, um sim para a torta fria, um não para a salada de batata.

Outra voz: a da Katia Suman. Muito antes de se transformar em um cabelão familiar para os telespectadores, a Katia pedia um paracetamol na farmácia e o atendente se derretia: Katia Suman! Incrível como ninguém esquece uma boa voz.

A da Sara Bodowsky, por exemplo, eu não esqueço de ouvir, nas vezes em que a madrugada me pega de pé. E quem não lembra da voz que precedeu a da Sara, a do Jayme Copstein, então a companheira dos noctívagos e insones?

Nos últimos tempos, por conta dos convites para participar de um ou outro programa, tenho visto muitas vozes de perto. As dos meus queridos amigos do Cafezinho, vejo praticamente todas as semanas. Da turma Gre-Nal comandada pelo Serginho Couto, também. Depois que a gente vê vozes, ouvi-las no rádio ganha outro prazer.

Volta e meia alguém diz que o jornal vai terminar, que o livro vai morrer, que o CD já era. Sobre o rádio, ninguém arrisca uma previsão desse tipo. A impressão é que ele se espraia cada vez mais, invadindo o celular, a internet e o que mais chegar. Para que as vozes do locutor que nos acompanha e do cantor que tanto amamos não nos abandonem jamais.

Sem voz, só som instrumental da pesada: o novo CD do Arthur de Faria & Seu Conjunto, Música para Ouvir Sentado. Faltam palavras para dizer como é bom.

Meu filho, o rádio e o futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Meu filho, o Christian, também tem um Blog, como o Mílton, mas, se o deste é quase que totalmente dedicado às coisas de São Paulo, tirante o espaço chamado Avalanche Tricolor, invariavelmente postado após jogos do seu Grêmio (nosso, aliás), e este que escrevo todas as quintas-feiras, o do caçula dos irmãos Jung trata de um objeto de sua paixão. Basta que eu diga o nome do blog para que fique claro aos pacientes leitores que me concedem sua atenção qual o principal assunto abordado nele: MacFuca. Sugiro a quem gosta de carros antigos,especialmente os da marca Volkswagen, que tiveram sua época no Brasil e no mundo, que dêem uma olhadinha no MacFuca.

Toda regra tem a sua exceção,diz um adágio mais velho do que eu. O MacFuca não fugiu dela. Às vezes, além de falar em fucas, no seu e nos alheios, escreve sobre o seu pai. Afinal, se existem pais corujas, há filhos que também são. Quem se der ao trabalho de ler o desta semana vai encontrar uma história que começa com um crachá, no qual se vê uma foto de um jovem de 18 anos (os narradores de futebol diriam que se trata de um garoto) que chegava ao seu segundo emprego. Saíra de uma pequena rádio e buscava espaço em outra que, embora ainda sem ter completado um ano, já podia ser considerada grande, uma vez que pertencia a uma empresa importante no Sul: a Companhia Jornalística Caldas Jr. e, de certa forma, herdava a tradição desta: a Rádio Guaíba.

A história só começou pela imagem do crachá, para ilustrar o texto do Christian. Mais abaixo, está uma foto de um rádio que pertencera ao avô paterno do…meu filho. Os leitores, sempre sagazes, já descobriram, é claro, quem era o jovem da fotografia. Quanto ao rádio, tinha Wells como marca. Quem o olhasse por detrás, veria que possuía uma entrada para toca-discos. Nesta, resolvi introduzir um fone e descobri que podia o usar como se fosse um microfone. Daí a passar a narrar as partidas de futebol-de-mesa dos meus amigos, em minha casa, foi um pulinho.

Fazia, sem me dar conta, minha primeira experiência “radiofônica”, muito distante ainda do teste que acabei realizando, com sucesso, na Rádio Canoas, em 1954. Quatro anos depois,estreava na Guaíba. Nesta, fui locutor comercial, radioator, apresentador de notícias e narrador de futebol.

Em 1964,o então chefe do Departamento de Notícias me escolheu para apresentar a síntese informativa mais importante da Emissora – o Correspondente Renner – que esteve presente na programação da Guaíba desde a sua inauguração. Como escrevi na quinta-feira anterior, já com outros patrocinadores a partir de 1999, o ciclo foi interrompido e só retomado, para minha alegria, nessa segunda-feira, 2 de maio, conforme anunciei que seria, aqui neste meu espaço.

Choveram e-mails e torpedos de ouvintes que se confessavam saudosos do Correspondente e, a modéstia que, desta vez, se dane, deste locutor que, neste momento, não lhes fala, mas escreve, tomado por insopitável prazer.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A volta da síntese noticiosa

 

Por Milton Ferretti Jung

Dia 30 de abril de 2010. Saía do ar, nesta data,o Correspondente Renner, síntese informativa que vinha sendo irradiada desde a fundação da Rádio Guaíba e era um marco na programação da emissora. Ao deixar de ser apresentado já não tinha a chancela de seu primeiro patrocinador. Este, porém, quando alguém fazia referência à síntese informativa, geralmente continuava sendo citado. O nome – Correspondente – e o sobrenome – Renner – permaneciam na cabeça dos ouvintes, que teimavam em não se acostumar com as novas e mais recentes denominações do noticiário. Com Renner a patrociná-lo, o noticioso teve quatro apresentadores: Ronald Pinto, Mendes Ribeiro, Ênio Berwanger e este seu criado.

Vou ter de falar, com a devida licença dos leitores, na primeira pessoa. Explico: comecei a apresentar o Correspondente Renner em 1964 e cumpri esta agradável tarefa até a sua penúltima edição, da qual não fui o apresentador, o que me poupou uma leitura que faria, provavelmente, com imensa tristeza. Afinal, cheguei a ser o locutor que, no Brasil, permaneceu mais tempo apresentando o mesmo noticiário. Eron Domingues e Lauro Hagemann, locutores do Repórter Esso, aquele no Rio, este no Rio Grande do Sul, síntese que balizou o Renner, marcaram época na radiofonia brasileira, mas ficaram no ar menos tempo que eu. Confesso que ambos foram meus mestres. No início, tentava imitá-los,o que durou até encontrar meu próprio estilo.

No próximo dia 30, data do quinquagésimo-terceiro aniversário da Rádio Guaíba, o Correspondente estaria de aniversário. Eu escrevi estaria? Ledo engano. Vou revelar agora o motivo pelo qual, data vênia do responsável por este blog, meu filho Mílton Jung, estou tratando de um assunto que, embora possa parecer estranho aos paulistas, toca-nos – a mim e a ele – muito de perto, uma vez que eu ainda sou locutor da Guaíba e o Mílton começou nela sua exitosa carreira radiofônica.

Há menos de um mês,Solange Calderon,Diretora de Programação da Rádio,convocou-me para dar-me uma notícia das mais alvissareiras: o Correspondente voltará ao ar um ano e dois dias depois de ter deixado a programação da Guaíba.E,praticamante,nos mesmos moldes dos bons tempos. E com o mesmo nome porque patrocinado pelo Banco Renner.

Os alunos de jornalismo gaúchos – o Mílton e a nossa Diretora estiveram entre eles – poderão, novamente, escolher como tema para o trabalho de encerramento do curso, o Correspondente Renner. Tenho certeza que os ouvintes desta síntese informativa,os antigos, que se diziam saudosos dela, e os que aprenderão a apreciá-la por sua credibilidade, serão nossos ouvintes, de segunda a sábado, às 09h, 13h, 18h50min e 20h.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Twitter e rádio no ETC_SP

 

Entusiasmados e estudados, twitteiros discutiram o fenômeno que se transformou o microblog (alguém ainda chama assim?) na transmissão de informação e fortalecimento da sociedade, em mais uma edição do ETC_SP, na Livraria da Vila, na capital. Sob o comando de José Luis Goldenberg (@jlgoldfarb), a conversa se iniciou com o relato do sucesso que é a campanha #doeumlivro que, pelo Twitter, arrecadou cerca de 200 mil exemplares.

Neste ano, o CBN SP apoiou a mobilização e arrecadou livros durante o programa de aniversário da capital, no Pateo do Colégio, que ajudaram a construir a biblioteca da Associação Esportiva Unidos da Doze, do Parque Doroteia, extremo sul da cidade. O Paulo Toledo da Unidos (@unidosdadoze) descreveu como o rádio mexeu com outras pessoas e destacou a abertura de diálogo que o Twitter permitiu com autoridades.

Na oportunidade que tive para falar, lembrei de como conseguimos, no CBN SP, provocar a reação da sociedade para reconstruir uma biblioteca de escola estadual, na Região Metropolitana de São Paulo, que havia sido queimada pelo fogo colocado por vândalos. Era uma época pré-Twitter e a história que contei serviu para chamar atenção que com todo o valor que as redes sociais têm hoje nada acontecerá se não houver pessoas e ideias por trás dos movimentos.

Ouvi coisas interessantes dos muitos participantes. Abrirei mão de reproduzir seus nomes, pois certamente vou trocar alhos com bugalhos e serei injusto com seus autores. Como a intenção é construir na rede uma inteligência coletiva, sei que a turma que esteve lá na livraria não vai se importar. E meu desafio será descrevê-las no estilo Twitter, com até 140 carcteres:

@ O Twitter é apenas a ferramenta, nós somos a comunicação

@ O Twitter somos nós fazendo comunicação, sem intermediários e o controle das grandes corporações

@ Existem três tipos de usuário no Twitter: a celebridade, o expert e nós

@ Bom usuário mistura: afetividade (conversa), autoralidade (opinião) e conhecimento (informação)

@ Tradução: o bom usuário mistura amor, ideias e conteúdo

@ O Twitter retomou a oralidade de antes de Gutemberg. Conversamos pelos dedos

@ Com as redes sociais, a marca de uma corporação agora está nas mãos dos outros

@ No ND se não deu no cordel, não aconteceu. O Twitter é o cordel da era moderna

@ Campanha no Twitter fez Natal (RN) barrar a inspeção veicular que, nos moldes propostos, prejudicaria a cidade