Paulo Roberto, um personagem da história do rádio

 

Aproveitando o Dia do Rádio, comemorado nesta terça-feira, dia 25 de setembro, reproduzo e-mail que recebi da ouvinte-internauta Maria Célia Machado, filha do radialista Paulo Roberto, na qual lembra a importância do pai dela na história do rádio brasileiro. Desde já, agradeço a Maria Célia pela gentileza de nos encaminhar esta mensagem:

 

Acompanhando sua importante série sobre os 90 anos do rádio brasileiro, venho lembrar a figura do médico e radialista Paulo Roberto, cuja importante contribuição ao rádio foi marcada por uma comunicação formativa e informativa: “sobretudo, uma Carreira Honesta”, nas memoráveis palavras de Roquette Pinto, quando lhe conferiu a Medalha de “Honra ao Mérito”.

 

Paulo Roberto iniciou sua carreira no Programa Cazé, na extinta Rádio Phillips. Sua voz simpática, agradável e natural, apresentando textos inteligentes em linguagem coloquial, inovadora para a época, definiram uma atuação ascendente nas Rádios Cruzeiro do Sul (onde exerceu a Direção Artística), Tupi e Nacional. Dotado de grande criatividade, sua produção, marcada por um forte sentido humano e pelo alto nível de seus programas conquistou o público ouvinte.

 

Quem tiver mais de 50 anos poderá se lembrar: “Bandeiras da Liberdade”(à época da II Guerra – em defesa dos países invadidos pelo Reich), “Obrigado, Doutor” (em forma de um rádio-teatro semanal, o médico é o heroi em narrativas trágicas ou divertidas, reais ou imaginárias, num total de 314 programas!), “Honra ao Mérito” ( após ter sua biografia dramatizada, benfeitores e herois de todas origens eram agraciados com Diploma e Medalha de Ouro), “Nada além de Dois Minutos” ( o primeiro “timming” do rádio brasileiro segundo Sérgio Bittencourt), “Lyra de Xopotó” ( semanalmente eram convidadas a se apresentar no Auditório da Rádio Nacional as pequenas Bandas de Música de todo o Brasil), “Gente que Brilha” (apresentando artistas famosos e iniciantes), para não citar todos. Uma série de gravações de discos infantis apresentando uma outra face do seu talento marcou presença, principalmente sua notável interpretação no conto “Pedro e o Lobo” de Prokofieff, sob direção musical de Radamés Gnatalli!

 

Não podemos esquecer das crônicas diárias, pela manhã, ao microfone da Rádio Nacional: “Vamos Viver a Vida” onde Paulo Roberto definiu suas posições pioneiras e agiu diante dos nossos problemas ambientais, educacionais e sociais.

 

Como membro da ABI, Paulo Roberto organizou e instituiu o Departamento Médico da instituição que, hoje, o homeageia guardando o seu nome. Além das inúmeras condecorações que lhe foram concedidas em reconhecimento pelos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega por sua série radiofônica “Bandeiras da Liberdade” e a acima citada Medalha de “Honra ao Mérito”, quando Roquette Pinto enfatizou a importância de sua atuação , Paulo Roberto recebeu o prêmio “Orfeu“ eleito o Melhor Produtor de Rádio de 1958.

 

Terminando, para não me emocionar demais, prefiro transcrever Mário Lago em seu livro “Bagaço de beira-estrada”, após um extenso parágrafo sobre Paulo Roberto, o “amigo de todos os momentos”: “Nunca cheguei a entender por que o levaram a um distrito policial no dia 1º de abril de 1964 (foi posto em liberdade por interferência de Manuel Barcelos), nem por que o demitiram da Rádio Nacional. Não se sabia de ninguém que não gostasse dele. Não participava sequer das campanhas sindicais. Acreditava-se socialista, mas aos princípios teóricos preferia os ensinamentos de Cristo, que, nesses acreditava acima de qualquer coisa”.

 

Cordiais saudações,
Maria Célia Machado
Filha de PauloRoberto

Divertidas histórias do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O Mílton deve conhecer, mesmo sem eu as ter relatado aqui, boa parte das histórias de rádio que, volta e meia, posto neste blog, especialmente aquelas nas quais fui um dos personagens. Às vezes, porém, ele pede que conte algumas que, por não me envolverem, talvez o meu filho não saiba. Vou relatar pequenas e até hilariantes historiazinhas.

 

Aí vai a primeira.

 

Rogério Boelke, hoje plantão titular e apresentador da Rádio Guaíba, antes de trabalhar em Porto Alegre, atuou numa emissora pelotense como repórter. Era ainda, que fique claro, um aprendiz ou, em linguagem jornalística, um foca. Certo dia,foi pautado para cobrir o roubo a uma casa. O ladrão havia entrado pelo telhado, espécie de roubo que ficou conhecida por “rififi”. Se é que alguém desconheça, o nome foi dado a esse crime, a partir de um filme francês, “Du Rififi chez les hommes”, dirigido pelo cineasta Jules Dassin e estrelado por Jean Servais. Na película, a assaltada foi uma joalheria. O roubo fictício foi imitado por criminosos ao redor do mundo.

 

Ao chegar ao local do roubo, Boelke imediatamente ligou para o técnico que se encontrava no estúdio, pedindo-lhe que o colocasse no ar porque iria dar um furo nas concorrentes. Autorização recebida, o apresentador do programa chamou o neófito repórter. Esse, alto e bom som, despejou:
– Estamos aqui pra informar que, nessa noite, uma residência foi assaltada. O ladrão entrou pelo telhado, no tipo de roubo chamado de Rin Tin Tin.

 

No estúdio,o apresentador não se conteve:
– Rogério,esse tipo de roubo é chamado de Rififi.

 

Imediatamente, Rogério tentou se recuperar do erro:
– Ah, claro, me atrapalhei. Rin Tin Tin é o cavalo do Zorro!

 

O apresentador, a custo contendo o riso, fez mais uma correção:
– Rogério, o cavalo do Zorro se chama Tornado.

 

Há controvérsias sobre o verdadeiro nome do cavalo, mas o Zorro esteve presente em tantas histórias que bem pode ter trocado de montaria mais de uma vez.

 

Contarei, em uma dessas quintas-feiras, as aventuras de um velho companheiro da Guaíba que passou boa parte de sua vida imitando o Barão de Munchhausen. Para os que não ouviram falar desse cavalheiro, o Barão é claro, terei muito prazer em o apresentar.

 


Milton ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A linguagem do rádio AM

 

No mês em que comemoramos os 90 anos do rádio no Brasil, fui entrevistado por Saulo de Assis, graduado em comunicação social pela Unimep, para trabalho que desenvolve sobre a linguagem do rádio AM. Divido com você o que penso sobre o assunto, a partir das perguntas formuladas pelo Saulo:

 

– A linguagem jornalística das rádios AM garante a médio/longo prazo a fidelização do público? A linguagem mudou nas últimas décadas para manter audiência e/ou atrair novos públicos? Quais as mudanças?

 

A linguagem do rádio somada ao seu conteúdo é que fidelizam o público. Percebe-se, nas últimas décadas, a popularização desta linguagem provocada pela mudança de perfil do público AM, assim como também se identifica a vulgarização no texto radiofônico, contaminado, cada vez mais, pela linguagem escrita. Esquece-se, o que nos ensinou o jornalista catalão Ivan Tubau , do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, que ao escrever para quem ouve, se deve escrever como quem fala. Teimamos em reproduzir textos de mídias impressas, redigidos para quem lê.

 

– A linguagem empregada no radiojornalismo nos dias de hoje nas emissoras AM atrai os jovens? Se não, por quê?

 

A linguagem empregada no radiojornalismo, pelos motivos que apontei na resposta anterior, não me parece ser o maior atrativo para qualquer dos públicos, seja jovem ou não.

 

Esta questão, porém, me permite abordar o aspecto educativo e de formação que o rádio tem em diferentes camadas da sociedade brasileira. Ao desenvolvermos o conteúdo e a forma desta programação temos de estar ciente deste papel. No tocante a linguagem, por exemplo, é claro que devemos estar com os ouvidos abertos ao que as pessoas dizem, a forma como dialogam e as expressões que usam. Temos de ser capazes de ouvir este rumor popular, esta linguagem falada pelo nosso público, levá-la para dentro da redação, limpá-la e entregá-la de volta levemente melhorada a ponto dessas pessoas a receberem de volta reconhecendo-a como sua.

 

– A diferença de qualidade de áudio do AM para o FM é um fator determinante para o declínio da audiência do AM?

 

A difícil recepção de som das emissoras que transmitem em AM, principalmente nos grandes aglomerados urbanos, tem afastado cada vez mais seu público que busca informações em outras fontes ou nas emissoras em frequência modulada.

 

– Em que medida o processo de digitalização de rádios afeta as emissoras AM?

 

Assim como a internet foi um novo oxigênio para o rádio, a digitalização o será para as emissoras que transmitem unicamente em AM. Porém, o modelo de digitalização a ser implantado terá de ser muito bem estudado, a medida que o alto custo para a recepção destas transmissões poderá torná-lo inacessível ao público do rádio AM, formado por classes sociais mais populares, como a própria mediação de audiência nos mostra.

 

– O sistema de rádio AM corre o risco de ser extinto? Por quê?

 

A enorme dimensão e as diferenças sociais e regionais do país podem levar a sobrevivência do rádio AM, nos moldes de hoje, por muitas décadas ainda. Porém, é evidente a necessidade de uma modernização na transmissão de seu sinal e o apuro maior na qualidade do conteúdo oferecido a um público que tende, pelo maior acesso às informações, ser cada vez mais exigente.

 

– Na CBN, o que está sendo feito para atrair jovens e manter a linguagem acessível e atraente a esse público?

 

Atenção ao que dizem e pensam; percepção do que necessitam, mesmo que eles ainda não tenham identificado estas demandas; adaptação dos temas discutidos na programação; e ocupação dos espaços que hoje usam para consumir informação. São estratégias usadas, nem sempre com êxito, no intuito de atrair os jovens que, por chegarem ao mercado de trabalho, precisam construir novas fontes de informação. Este é o enorme desafio que a rádio CBN tem pela frente, assim como todas as demais empresas que atuam na radiodifusão. Temos de estar cientes de que as novas gerações estão consumindo notícias em outros formatos, e precisamos colocar nossos produtos nestes formatos, por isso a internet é um meio a ser explorado pelo rádio.

 

E se temos realmente interesse em formar estes jovens, temos a obrigação de prezar a boa língua portuguesa. De forma simples, clara e objetiva, como pede a línguagem do rádio.

Conte sua história da CBN

 

Para comemorar os 21 anos de fundação, a rádio CBN convida os ouvintes-internautas a contarem a sua história sobre a emissora. A ideia é reunir textos sobre como você conheceu a CBN, momentos importantes que você acompanhou na emissora, como a rádio faz parte da sua vida. As histórias serão levadas ao ar na voz de nossos profissionais e ficarão registradas no site da CBN. A festa de aniversário é primeiro de outubro, mas você pode enviar seu texto a partir agora para o e-mail aniversario@cbn.com.br. Não esqueça de colocar seu nome completo e a cidade onde mora.

 

Estou fora da promoção, apesar de também ser ouvinte desta emissora desde “pequeninho”, conforme contei neste Blog na época em que fui convidado para apresentar o Jornal da CBN, no início do ano passado. Mesmo assim reproduzo aqui o post que publiquei para motivar você a também contar a sua história da CBN:

Ao chegar em São Paulo, em 1991, repórter da TV Globo, pedi ajuda aos colegas na busca de informações sobre a cidade. Precisava de uma fonte confiável e me sugeriram a rádio que só tocava notícia. A CBN acabara de ser inaugurada, emissora que inovava a programação com a grade toda voltada ao jornalismo.

 

Foi assim, por recomendação, que descobri a rádio na qual fui trabalhar sete anos depois a convite do jornalista Heródoto Barbeiro, então meu colega na TV Cultura. Era o retorno para o veículo que havia me lançado na carreira jornalística, em 1984, quando atuei na Guaíba de Porto Alegre.

 

Cheguei na CBN apenas para cobrir férias e em alguns meses fui definitivamente contratado. No início apresentei o programa do meio-dia, em seguida o das cinco da tarde, para após alguns anos me estabelecer no CBN SP, onde aprendi muito sobre a cidade. Foi debatendo os temas de São Paulo, elencando seus problemas e suas soluções e transformando aquele espaço em um fórum de discussão que forjei minha cidadania paulistana.

 

Lá se foram pouco mais de 12 anos desde que falei pela primeira vez na CBN e, nesta segunda-feira, recebo uma oportunidade única. Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me confiou o comando do Jornal da CBN em substituição ao colega que me abriu a porta da emissora. Heródoto levará seu talento e experiência para a TV RecordNews.

 

Duplo desafio: assumir o posto que foi, desde a fundação da rádio, de um dos profissionais que mais admiro e ancorar o principal jornal da CBN. Para amenizar o peso destas tarefas, conto com o apoio de uma das mais competentes equipes de jornalismo do País.

 

Em 20 anos, passei de ouvinte a âncora do Jornal da CBN. Era muito mais do que eu poderia querer. Agradeço a todos que sempre me ajudaram a fazer das coisas que mais gosto na vida: jornalismo.

O rádio completa 90 anos no Brasil

 

 

Três capítulos do livro Jornalismo de Rádio (Editora Globo) que lancei em 2004 e falam do surgimento dese veículo no Brasil, há 90 anos, e como foi sua invenção:

 


SÍMBOLO DA MODERNIDADE

 

Imagine se visitando uma dessas feiras de informática. Centenas de pessoas cruzando os corredores e você lá no meio, com os olhos arregalados para os equipamentos de última geração, duvidando que um dia se tornem acessíveis ao público.

 

Lembro do sucesso que fez a edição do Jornal 60 Minutos, da TV Cultura de São Paulo, quando durante a transmissão conversei ao vivo, através de um videofone, com um repórter que participava de uma exposição de tecnologia. O equipamento era novidade, isso pouco antes do fim do século XX.

 

Cito essa passagem para convidá-lo a voltar quase um século no tempo e se pôr no lugar das pessoas que, em 7 de setembro de 1922, tomaram as dependências do pavilhão da Exposição Internacional do Rio de Janeiro. O ambiente era festivo, o país comemorava o centenário da Independência. Pelos alto-falantes era possível ouvir transmissões feitas alonga distância, sem fio — ou wireless, para usar expressão da moda, na época. O mesmo som chegava a receptores espalhados em outros pontos da Capital Federal, além de Niterói, Petrópolis e São Paulo.

 

Roquette Pinto esteve por lá e se encantou com o que ouvia, apesar de ser ruim o som que saía dos alto-falantes instalados na exposição. O barulho era infernal, com muita gente falando ao mesmo tempo, e a música e os discursos reproduzidos arranhavam os ouvidos. No meio da multidão também estava Renato Murce, que dedicaria a vida ao rádio. No depoimento registrado no livro Histórias que o rádio não contou (Harbra, 1999), de Reynaldo C. Tavares, Murce afirma ter percebido logo que algo novo surgia. Menos preocupado com a confusão, viu a curiosidade e a desconfiança dos rostos ao redor.

 

A primeira pessoa que falou ao microfone de rádio, em uma estação instalada no Sumaré, pela Western Eletric, foi o presidente Epitácio Pessoa. E o povo,que se juntava na exposição do centenário, uma multidão incalculável, era pior do que São Tomé. Estava vendo, ouvindo e não acreditando. Como que em um aparelhinho, pequenino, lá longe, sem nada, sem fio, sem coisa nenhuma, podia ser ouvido à distância? E ficava embasbacado. Mas não nasceu para o Brasil propriamente o rádio, porque não havia ainda quase nenhuma rádio receptora. Era de galena, muito complicado. E quase ninguém podia ouvir a não ser aqueles que estivessem ali presentes. E os que ouviram, ouviram o Guarani, de Carlos Gomes, irradiado diretamente do Teatro Municipal. Esta foi a primeira experiência do rádio no Brasil.

 

Vale ressaltar: há quem defenda que a primeira emissora do Brasil foi a Rádio Clube de Pernambuco, fundada por jovens do Recife, em abril de 1919. Apesar de os registros mostrarem que a experiência estava mais próxima da radio telefonia, não deixe de citar o fato, principalmente se falar de rádio por aquelas bandas. A propósito, como veremos a seguir,a história da radiodifusão é marcada por dúvidas e controvérsias.


 

PADRE E BRUXO

 

Uma conversa do presidente da República Rodrigues Alves com um de seus assessores, no Palácio do Governo, no Rio de Janeiro, em 1905, pode ter tirado de um brasileiro o direito de ser reconhecido como o inventor do rádio. O representante do governo havia acabado de visitar o padre Roberto Landell de Moura, de quem ouviu explicações sobre algumas geringonças inventadas por ele. Coisas como telefônio, teleauxifônio e anematofono, espécies de telefone e telégrafo sem fio e de transmissores de ondas sonoras — a maioria já patenteada por ele, nos Estados Unidos, em 1904.

 


Jamais escreva o nome desses aparelhos em texto a ser transmitido pelo rádio. Se tiver que fazê-lo, grife as palavras. A norma serve para demais palavras estranhas e/ ou estrangeiras.Os locutores agradecem.

 

Bem que o padre de 44anos, nascido em PortoAlegre, se esforçou para convencer o enviado do Palácio que os aparelhos montados por ele poderiam estabelecer comunicação com qualquer ponto da Terra, por mais afastados que estivesse um do outro.

 

Não se sabe se foi devido às limitações intelectuais do assessor, que talvez não tenha entendido o que lhe era apresentado; se pelo fato de o padre ter solicitado dois navios da esquadra brasileira para uma demonstração pública dos seus inventos; ou se o assessor ficou assustado ao ouvir que um dia ainda seriam possíveis comunicações interplanetárias. Certo é que, ao voltar ao Palácio, o burocrata, a exemplo de um carimbo de repartição pública, foi taxativo:”esse padre é um maluco”.

 

Não era novidade para Landell de Moura. Ele já fora várias vezes transferido de paróquia, ou mesmo de cidade, acusado de ser impostor, herege e bruxo. Acusações dirigidas a ele, em 1892, quando, utilizando uma válvula amplificadora com três eletrodos, transmitiu e recebeu a voz humana. O feito se deu em Campinas, interior paulista, e nem mesmo ouvindo as pessoas foram capazes de acreditar.



 

FEZ-SE O SOM

 

O mérito de Landell de Moura, reconhecido apenas após a morte, em 1928, é evidente quando se pesquisa a história do surgimento do rádio. Do telégrafo, termo que surgiu no fim do século XVIII à telefonia, já no século XIX, muitos avanços levaram à radiodifusão. Estudos sobre a eletricidade e suas características se somaram até chegar ao aparelho que, atualmente, existe na casa da maioria dos brasileiros e nos carros, também.

 

O professor de física James Clerk Maxwell, em 1863, mostrou como a eletricidade se propagava sobre forma de vibração ondulatória. Teoria usada 24 anos depois pelo físico alemão Heinrich Rudolf Hertz, e desenvolvida pelo francês Edouard Branly, em 1890, e pelo britânico Oliver Lodge, em 1894.

 

Naquela época, Landell de Moura já havia assustado muita gente por aqui com seus inventos, e feito, inclusive, suas primeiras experiências com transmissão e recepção de sons por meio de ondas eletromagnéticas. Há registros de que usou a válvula amplificadora em testes pelo menos dois anos antes do equipamento ter sido apresentado ao mundo pelo americano Lee DeForest.

 

Não cabe aqui discutir de quem é o mérito da invenção, pois há muita controvérsia, mesmo entre os estudiosos do tema.

 

Até o nome de Guglielmo Marconi como inventor do rádio é contestado. Mas o italiano teve seus méritos — e como teve. Industrial com visão empreendedora, percebeu em vários inventos já patenteados a possibilidade de desenvolver novos aparelhos, mais potentes e eficazes. Foi o que fez para chegar à radio-telegrafia, em1896.

 

Já no início do século XX, o russo David Sarnoff, que trabalhava na Marconi Company, afirmou ser possível desenvolver uma “caixa de música radio-telefónica que possuiria válvulas amplificadoras e um alto-falante, tudo acondicionado na mesma caixa”. Tal equipamento seria o protótipo do rádio como veículo de comunicação de massa.

 

A indústria de radiodifusão nasceu, de fato, em 2 de novembro de 1920, em Pittsburgh, quando a KDKA foi ao ar, graças a Harry P. Davis, vice presidente da americana Westinghouse. Essa mesma empresa, dois anos mais tarde, traria equipamentos para a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, ao lado da Western Eletric. Harry acompanhava com entusiasmo o resultado do trabalho artesanal de Frank Conrad, que transmitia músicas e notícias captadas por receptores de galena, inicialmente construídos pelos próprios usuários e, em seguida, produzidos em série pela empresa.

 


Para não cometermos injustiça, combinamos assim: na hora de redigir um texto deixe os títulos de lado. “Marconi, o inventor do rádio”, “Landell de Moura, o homem que apertou o botão da comunicação” e “Roquette Pinto, o pai do rádio brasileiro” são clichês que devem ser substituídos por informações que agreguem valor à notícia e ajudem a esclarecer o ouvinte. Lembro de um boletim que gravei para a TV Globo, em 1991, antes de uma reunião do Mercosul, em São Paulo, e disse que o Paraguai era o “Paraíso do Contrabando”. Na ocasião, um correspondente internacional comentou, balançando a cabeça em sinal de reprovação: “o que seria dos jornalistas sem os clichês…”. Aprendi a lição e reproduzo o fato para que você não passe pelo mesmo constrangimento.

Ouvintes escrevem sobre os 90 anos do rádio no Brasil

 

A série de reportagem produzida pela CBN sobre os 90 anos do rádio, que serão comemorados no dia 7 de setembro, sexta-feira, têm provocado muitas lembranças e comentários de ouvintes-internautas. Um dos que se entusiasmaram foi o jornalista Paulo Brum, gaúcho erradicado em Brasília. Reproduzo a seguir o texto enviado por ele, antes deixo o link para o trabalho da repórter Nathalia Toledo que apresenta arquivos históricos do rádio brasileiro:

 


Acesse aqui a série de reportagens sobre o 90 anos de rádio, da CBN

 

 


Por Paulo Brum

 

Mais uma vez volto a escrever-lhe, dessa vez para falar do rádio. Hoje pela manhã escutei toda a discussão sobre a breve história do rádio no Brasil, Rádio Nacional, Mairink Veiga, Paulo Gracindo, Emilinha Borba, Mario Lago, e outros tantos imortais!
 

 

Há alguns anos fui entrevistado pela BBC sobre a importância do rádio, sobre a escuta da BBC em ondas curtas, etc. Essa entrevista resultaria anos depois na emissão de notícias da BBC para o Brasil, como a que hoje transmite a CBN.

 

Bem, digo isso para registrar minha devoção ao rádio, desde a infância, no interior do Rio Grande do Sul, único meio de comunicação com o Brasil e o mundo.

 

O rádio servia para enviar recados de parentes e pessoas que estavam na cidade para quem estava no interior, no campo. Eram recados de alguém que estava enfermo, de algum falecimento ou nascimento, de alguém que estava viajando e desceria em tal ou qual encruzilhada, ou de alguma encomenda, um medicamento, que viria pelo ônibus.

 

As notícias da capital, Porto Alegre, eram escutadas pela manhã, geralmente tomando um mate. As rádios Farroupilha e Gaúcha eram, e ainda são, as mais escutadas.

 

A novela Direito de Nascer está na minha memória, ainda garoto. Minha mãe, irmã, tias, juntavam-se próximas ao rádio para escutá-la. Choradeira geral, muitas vezes. Lembro-me também do Morro dos Ventos Uivantes. Morria de medo, não ia dormir enquanto o pessoal também não fosse. O vento e o uivo do cão eram aterrorizantes, então.

 

As emissões das Copas do Mundo, não havia televisão, eram emocionantes. O som parecia ir e vir, dava realmente a impressão de distância continental.

 

Também eram escutadas rádios do Uruguai, da Argentina. Lembro-me das emissões da Rádio El Mundo, do programa “Montevideo de Noche”, da voz rouca e absolutamente sensual de uma locutora, que embalava a imagens de adolescência com músicas que não chegavam ao interior do Rio Grande do Sul, Zitarrosa, Mercedes Sosa, tangos, jazz, etc

 

Quando os Tupamaros sequestraram o Embaixador do Brasil no Uruguai, Dias Gomide, juntamente com o agente da CIA, Dan Mitrione, no frio do inverno, juntávamo-nos todos ao redor do rádio para acompanhar. Pelotas estava ao lado da fronteira, meu pai era trabalhista e ia seguidamente conversar com o Brizola em Montevidéu. A preocupação era grande. Se a ditadura aqui também apertasse, para onde ir?

 

Durante a ditadura a única forma de saber o que realmente acontecia no Brasil era pelas ondas curtas, pela BBC, Rádio França Internacional, Central de Moscou e até pela Voz da América. Escutei discursos intermináveis de Fidel Castro pela Rádio Havana, Território Livre da América (sic).

 

Campanhas em defesa dos presos políticos no Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Nicarágua, África do Sul, Mandela e outros países e pessoas que naqueles momentos da Guerra Fria sofriam com ditaduras sanguinárias.

 

A guerra do Vietname também nos atingia, mesmo no hemisfério sul, no Rio Grande. Escutar os Beatles pela BBC era o máximo, sensacional!

 

Também eram tempos em que a utopia ainda fazia parte do nosso imaginário de um futuro igualitário, humano, justo, fraterno. Esse encantamento daria lugar a outra realidade anos depois, já na democracia, fim da guerra fria, queda das colônias portuguesas, Revolução dos Cravos, queda do Franquismo, Perestróika, Bin Laden, Torres Gêmeas de Nova Iorque, invasão do Iraque, Afeganistão…

 

Ainda hoje mantenho esse costume de escutar rádio, pela manhã, em casa, no carro, em qualquer lugar onde esteja. Já há algum tempo deixei de escutar as ondas curtas, mas reconheço que elas chegam a lugares onde a internet, com todo o seu alcance, ainda não chega.

A história de um radialista fugitivo

 

Milton Ferretti Jung

 

Esta é mais uma história de rádio. Sei que quando escrevo sobre tal tema garanto, pelo menos, o interesse de um leitor: o Mílton, comandante deste blog, cujo gosto por este veículo sem o qual, é voz corrente, brasileiro não vive, rivaliza com o meu. Aliás, ele me mandou um e-mail, um dia desses, sugerindo que, volta e meia, contasse minhas experiências radiofônicas ou as vividas pelos meus colegas de profissão. Então, aí vai mais uma por mim protagonizada.

 

Corria o ano de 1977,véspera de uma Copa do Mundo que seria disputada na Argentina. Nossa seleção, que não obtivera sucesso na anterior, com sede na Alemanha, precisou participar das Eliminatórias do Mundial, competição em que não estava se saindo bem. Fui escalado para narrar Colômbia x Brasil. Ser escolhido pelo chefe da equipe esportiva da Rádio Guaíba, Armindo Antônio Ranzolin, para narrar um jogo desta envergadura era um privilégio. Meus companheiros na viagem com destino a Bogotá eram o comentarista Ruy Carlos Ostermann, o repórter João Carlos Belmonte e o operador Ronaldo Krebs.

 

Deixamos Porto Alegre num voo que nos levou a São Paulo. Lá (ou aí, como queiram) embarcamos para o destino final: a capital colombiana. Depois de uma escala em Manaus, viajamos mais algumas horas até desembarcar em Bogotá, onde chegamos no dia 4 de fevereiro, uma sexta-feira. No aeroporto de Eldorado tive minha primeira experiência com os 2.591 metros de altitude desta cidade andina. Há quem fique com falta de ar. Não foi o caso de nenhum do nosso grupo. Fomos de táxi para o Tequendama, hotel de cinco estrelas, um luxo. Nossa estada em Manaus seria de vinte dias. A seleção brasileira marcou para o domingo, 6 de fevereiro, um amistoso contra o Millionários, na época um dos mais badalados clubes de futebol bogotano.

 

No sábado, à noite, saímos a caminhar e acabamos jantando numa boate de bom nível. Até então, eu não tivera qualquer problema com a altitude. Comemos bem e bebemos moderadamente. Afinal, não se pode cometer qualquer tipo de exagero em véspera de uma jornada esportiva internacional. Voltamos os quatro para o Tequendama. Era madrugada e acordei com o estômago que parecia ter virado ao avesso. Se estivesse no México, pensaria estar sofrendo do Mal de Montezuma. Diz a lenda que todo estrangeiro que visita a Cidade do México arrisca-se a sofrer dele. Acordei mal. Não quis almoçar. Fomos para o El Campin para cobrir o amistoso da seleção brasileira contra o Millionarios. Narrei o jogo sentindo-me como um condenado. Meus companheiros foram passear na noite dominical de Bogotá. Fiquei sozinho no hotel e aproveitei para telefonar à Varig. Perguntei se a empresa tinha voo na segunda para o Brasil. Tinha, mas eu fui posto na lista de espera. Trocamos de hotel. No apartamento deste, dei um susto no Ruy ao lhe informar que eu logo iria para o aeroporto disposto a retornar a Porto Alegre. Solidariamente, os outros três me acompanharam. Antes, porém, sem que eu soubesse,o Ruy telefonara para a Guaiba comunicando que eu retornaria.

 

Voltei. O Ranzolin pediu ao Antônio Britto, coordenador do esporte,que me convencesse a retornar a Bogotá. O futuro governador gaúcho teve sucesso na empreitada. No dia seguinte, voei de retorno. No dia 20 de fevereiro narrei o  zero a zero de Brasil e Colômbia. Meu castigo foi pagar a viagem de volta. “Al fin y al cabo”, não tive prejuízo. As nossas diárias eram excelentes. O Belmonte, que viajava muito a serviço da Guaíba, com o que poupou em diárias, conseguiu construir sua casa. Talvez eu escreva alguma história sobre o João Carlos Belmonte.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

“O rádio não vai embora, vai para todos os lugares”

 

O caro e raro leitor deste blog é testemunha do esforço que faço para defender a tese de que a internet foi o oxigênio do rádio e nós jornalistas que atuamos no meio temos de estar sempre dispostos a experimentar as ferramentas que esta tecnologia inovadora nos oferece. Verdade que muitas vezes não me sinto recompensado por este exercício, a medida que o resultado que imagino alcançar ao me aproximar do cidadão quase sempre está aquém da minha expectativa. Talvez seja resultado dá má avaliação que faço do potencial de cada recurso ou da má utilização deste recurso. Mas vamos parar de choradeira se não até você, raríssimo companheiro, vai embora desta página sem nem mesmo chegar ao segundo parágrafo.

 

Nesta semana, fiquei muito satisfeito ao ler reportagem com o CEO da NPR, Gary Knell, publicada no site Nieman Journalism Lab, da Fundação Nieman de Harvard, na qual o entrevistado fala de como a National Public Radio ou rede pública de rádio dos Estados Unidos está se adaptando às novas tecnologias. Recentemente, a organização entregou seu departamento de jornalismo e de programação de rádio para Kinsey Wilson, chefe do setor de mídia digital da NPR. Esta foi a primeira grande mudança realizada por Gary Knell, que assumiu o cargo de CEO há três meses. Para o jornalista Andrew Phelps, que o entrevistou, “um sinal claro de que a NPR não é mais apenas uma rádio”.

 

Para o CEO da NPR a intenção é mostrar que não deve mais existir distinção entre as plataformas nas redações e com este trabalho alcançar o público mais jovem, além de diversificar racial, geográfica e politicamente a emissora. Um aspecto interessante na entrevista de Knell é quando chama atenção para o fato de mais da metade da audiência do rádio estar, atualmente, no carro: “os americanos estão vivendo em seus carros cada vez mais, às vezes imagino que vamos dormir e comer dentro dos nossos carros, devido ao trânsito” – isto me soa familiar, não !? Esta realidade tem levado fabricantes a investirem em carros conectados, com tecnologia digital que permita os motoristas a acessar todo tipo de informação que esteja na rede. “Se não estivermos nessas plataformas, estamos mortos”, disse Knell.

 

Sem mais detalhes, fica-se sabendo na entrevista que a NPR tem trabalhado com a Ford para explorar novos recursos a serem instalados nos automóveis e parte desta tecnologia estará abordo dos novos modelos que saem da fábrica. Com o rádio de carro na web, por exemplo, as emissoras ganham dimensão global, e o ouvinte pode acompanhar o noticiário de sua emissora preferia onde quer que esteja. Ao anunciar as mudanças no comando da NPR, Gary Knell brincou com as palavras em mensagem publicada no Twitter: “radio isn’t going away, it’s going everywhere” – algo como “o rádio não vai embora, vai para todos os lugares”.

 

Agora que terminou de ler este post no blog que escrevo na rádio CBN, ouça a nossa programação seja no computador, no telefone celular ou no tablet, esteja onde você estiver.

Suellen, 20 anos com a CBN

 

Hoje, senti como missão escrever sobre minha relação com a Central Brasileira de Notícias.

No caminho ao trabalho, pela manhã, estava acompanhando um depoimento da Lúcia Hipólito em comemoração aos 20 anos de criação da rádio, assim como acompanhei os dos diversos jornalistas nos dias anteriores. Mas, somente hoje, a idade dessa jovem informante me causou estranhamento.

_Vinte anos… Mas, como assim, se eu tenho 27?!_ Pensei.

Minha surpresa se deu pelo fato de eu me lembrar ter escutado a CBN durante a vida inteira. Me surpreendi ao perceber que a rádio é mais nova que eu e não bem mais velha como imaginava.

Talvez, pela imagem que criei da rádio quando ainda era criança. Ouvia tantas informações e sobre tudo, que não podia imaginar que, a época, a CBN fosse tão menina quanto eu.

Enquanto algumas pessoas iam formando seu gosto musical pelos discos de vinil de seus pais e irmãos mais velhos, eu – que sou primogênita, fui influenciada pelo rádio do carro do meu pai, que só tocava notícias.

No caminho da escola, do hospital, passeios e viagens ia me acostumando com a vinheta que se tornou parte do meu acervo musical.

No início, não gostava tanto assim. Como criança, queria ouvir outros assuntos que não fossem tão adultos. Mas essa implicância durou pouco tempo.

Rapidamente, fui pegando gosto pelas informações. Queria estar sempre antenada!

Foi assim que, indiretamente, acabei virando porta-voz da rádio.

Chegando ao trabalho, se sinto falta de alguém, já me adianto: “a recepcionista vai chegar atrasada. Tem um engarrafamento no trânsito. Acabei de ouvir na CBN”.

No assunto da hora do almoço, às vezes me pego concordando sobre algum assunto: “é mesmo! Eu ouvi isso na CBN”.

Com pouco tempo de namoro, inocentemente, perguntei ao meu namorado cujas características marcantes são, ser musical e nerd: _Você não escuta notícias? _ Estava tão acostumada a não ouvir músicas no carro, que achava aquilo estranho.

Era engraçado perceber que eu acabava lhe mantendo informado sobre a queda da bolsa, ou dicas de investimento, assuntos com os quais não tenho muita afinidade. Até que, no dia 5 de outubro, ele me cumprimenta à noite dizendo:

_Soube que o Steve Jobes morreu?

Eu respondi surpresa:

_Não… Onde viu isso???

Ele rebateu:

_Acabei de ouvir na CBN.

Achei aquilo no mínimo inusitado.

Talvez, ele só vá saber ao ler esse texto que, o livro “Saga Brasileira” presente dado no dia de seu aniversário foi uma dica da CBN não ouvida por mim, mas pela minha mãe, que durante o dia ouve todas as dicas sobre gastronomia, cultura e tantos mais e nos mantém mais informados quando chegamos em casa.

Nunca tinha parado para pensar nesse tipo de interação, mas o aniversário da rádio me fez parar e rir de tudo isso.

Outro dia, ao passar pela recepção da empresa onde trabalho, ouvi a vinheta que me acompanhou e acompanha ainda hoje.

_ Você está ouvindo CBN?_ Perguntei surpresa.

A moça respondeu:

_Sim! Preciso me manter informada, quero passar num concurso público.

Ri mais uma vez de tudo isso.

Achei, então, que deveria compartilhar com vocês o quanto são influentes sobre a minha vida e a de muitos brasileiros.

Ouvindo a voz de vocês, aprendo todos os dias como ser feliz profissionalmente, como não ficar louca com as dívidas do cartão de crédito, como escolher o político em que vou votar, o restaurante em que vou jantar, formo minha opinião sobre os mais diversos assuntos, até mesmo sobre o futebol que não rendeu nada no fim de semana. E isso faz parte da minha vida!

Parabéns pelo trabalho!

Meu nome é Suellen de Oliveira Sá. Sou professora, ativista de direitos humanos e ouvinte da CBN. Essa é a minha história de amor com a rádio.