A charge do JCBN: a vida dura de Renan Calheiros

 

 

Distante das polêmicas políticas e ignorando as mais de 1,48 milhão de assinaturas pedindo seu impeachment, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) passa o Carnaval na suíte de um dos mais caros spas brasileiro, na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. A infraestrutura para combater o estresse, oferecida aos hóspedes, chama atenção pelo luxo e conforto que vão de atendimento privado de especialistas, tais como psicólogo e fisioterapeuta, a funcionários disponíveis para o incômodo trabalho de fazer e desfazer malas ( e, convenhamos, é chato mesmo). O presidente do Senado e a mulher usufruiram de um pacote de serviços que teria custado R$ 22,2 mil.

 

Ouça aqui a charge eletrônica que encerrou o Jornal da CBN, nesta quinta-feira, uma produção do Thiago, do Paschoal, da Beatriz e do Clésio.

Rádio ao vivo e responsável

 

Por Mílton Jung

 

Por muitos anos o radiojornalismo pecou por entender que o ouvinte estava em busca da notícia em primeira mão quando, na realidade, a busca era pela notícia certa em primeira mão. Até hoje se percebe esta confusão, resultado da precipitação e falta de responsabilidade. Pode ser, também, falta de habilidade para equilibrar agilidade e precisão, conceitos que pautam, cada vez mais, a vida dos jornalistas de uma maneira geral e os de rádio em especial, devido às características intrínsecas do veículo, tais como imediatismo e a instantaneidade. No rádio, ao vivo, o risco se potencializa e a tentação pelo furo pode ferir reputações – sugere-se cautela, apuro e tranquilidade. Toda vez que o jornalista abre mão da precisão em nome da agilidade paga com o que há de mais caro em sua carreira, a credibilidade.

 

Há não muito tempo, os principais veículos de comunicação brasileiros transformaram um incêndio em loja de colchões, na zona sul de São Paulo, em uma tragédia área. A informação que havia chegado truncada às redações era de que um avião da companhia aérea Pantanal havia caído sobre um prédio, próximo da avenida Santo Amaro. A dificuldade em chegar ao ponto do suposto acidente, devido ao congestionamento na região, impedia a confirmação in loco, mas não diminuía a pressão do público e dos chefes sobre os apuradores e repórteres. Sem conseguir uma confirmação por fontes próprias, várias emissoras de rádio e TV, além de portais na internet, se basearam em informação divulgada por um canal a cabo especializado em notícias, a GloboNews, e publicaram uma mentira. Alguns minutos foram suficientes para se perceber o erro, voltar atrás, pedir desculpas e tocar a vida em frente. Nada suficiente para eliminar o vexame e impedir a demissão de colegas.

 

A notícia quando chega à redação precisa ser apurada antes de publicada. Quanto maior seu impacto, maior deve ser a precisão. Pode vir por telefone, por e-mail, através de uma fonte, nas mais diferentes situações. Atualmente, pode circular nas redes sociais, também. É comum percebermos rumores na internet que, mais tarde, se transformarão em fato, e muito mais comum ainda vê-los sumir pela total inconsistência da verdade. Nem sempre dar a fonte para um agência de notícias é suficiente para se eximir da culpa de um erro. O que diferencia o jornalista em momentos como este é a responsabilidade em divulgar o tema, com a velocidade que os veículos e o público exigem, mas com a precisão que a profissão pede.

Do Jornal da CBN: o nosso homem biônico

 

 

Cientistas britânicos construíram o primeiro homem biônico completo do mundo (ou quase). “Rex” é seu nome de batismo, mede dois metros de altura e tem membros, pulmão, rins, coração e até sangue artificial, e foi criado para o documentário “Como construir um homem biônico”, do canal britânico “Channel 4”. O robô custou cerca de 1 milhão de dólares bem mais barato do que o personagem da série de televisão americana, dos anos de 1970, que tinha como ator principal Lee Major no papel de Cyborg, “O Homem de Seis Milhões de Dólares. Para não perder esta corrida pelo homem perfeito, o Jornal da CBN também apresentou, nesta quarta-feira, o seu Homem Biônico:

 

Ouça a charge eletrônica que encerrou a edição de hoje do JCBN, criada pelo Paschoa e pelo Thiago, com participaçãop especial do Clésio.

Acesse nossos APPs e compartilhe suas ideias na CBN

 

Duas mãos, muitas palavras e a música no ritmo da notícia que você ouve na CBN. Estas são marcas do vídeo que incentiva os ouvintes-internautas a acessar os novos aplicativos para Android, Iphone e Ipad. A campanha abre espaço para você compartilhar conosco palavras e mensagens que representam o que sente, deseja ou sonha. Escreva no seu corpo, fotografe, grave e mande para cá: milton@cbn.com.br. Vou adorar dividir estas emoções com toda a comunidade que acompanha a rádio CBN.

 

Um cordel para comemorar os 21 anos da CBN

Prof. Gerardo Carvalho (PROF. PARDAL)
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

Prestem atenção nesta história
Que agora vou lhe contar
Deste amigo professor
Que aprendeu a colocar
O rádio na cabeceira
E a amizade é verdadeira
Que veio a se apaixonar.

 

Formado em Filosofia
Também em Comunicação
Social na UFC
Completando a vocação.
Isso foi em 2002,
Não mais deixei pra depois
O rádio está sempre à mão

 

Fiz duas cadeiras de rádio,
Lá na Universidade
Federal do Ceará,
Quando encontrei de verdade
Um professor vibrador.
Fazia rádio por amor
Tinha credibilidade

 

Era repórter da Povo,
A AM que hoje é parceira
Da CBN, que juntas,
Se tornaram a companheira
Deste humilde jornalista
Que não mais perde de vista
E ouve radio a vida inteira.

 

Foi Luiz Paulo Machado,
Repórter por convicção.
Que me ensinou ouvir rádio
E desde este tempo, então,
Ouvir rádio é tão solene,
Que só mesmo a CBN
Satisfaz minha audição…

 

Às cinco horas já ouço
Ceci Melo ao microfone.
Com suas Primeiras Notícias
“Bota a boca no trombone”.
Dá conta bem do recado
Quem quiser ficar informado?
No rádio a selecione…

 

Vem o Jornal da CBN
Com Milton na locução
Das 6 até às 9 horas
É um show de informação.
Pra ninguém perder de vista
Aqui e ali um comentarista
Faz a sua intervenção!

 

É a vez de Juca Kfouri
Bater sua bola no esporte
Depois vem o Sardenberg
Na economia dando o norte.
E para uma boa crítica
A esta confusa política,
O Merval vem dar suporte.

 

O Gilberto Dimenstein
Com suas curiosidades
Na ciência e educação
Ele só traz novidades.
Na vez de Arnaldo Jabor,
A sua crítica é um terror
A algumas falsas verdades.

 

Max Gehringer entra em ação
Com o “Mundo Cooperativo”
Ele orienta o ouvinte
Pra que este seja vivo
No emprego, em alguma parada
Pois para não dar mancada
Precisa ser criativo.

 

Dan Stulbach, Zé Godoy,
Luiz Gustavo Medina
Na “Hora de Expediente”
Trazem assuntos lá da China.
Cada qual mais engraçado
Dão ali o seu recado
Com uma boa adrenalina.

 

Quando chego em casa à noite
Ouço João Carlos Santana
Que faz da “Sala de Música”
Uma audiência bacana
Já ouvi do rock ao baião
Do zabumba ao violão
Do samba, valsa ao nirvana.

 

Digo, enfim, que a CBN
No país é raridade.
Como Rádio Jornalismo,
Ela alcançou de verdade
Nestes seus 21 ANOS
Toda a credibilidade.

 

Sobre o autor:

 

Escritor, poeta, cordelista, filósofo, bacharel em Comunicação Social (jornalismo);
Professor,Educador de trânsito; Vice-diretor da Escola
Municipal Madre Tereza de Calcutá – Fortaleza
Ex-seminarista franciscano; Autor de “São Francisco do Povo: ontem e hoje”,
Editora Vozes. Autor de mais de 70 títulos de cordel, abordando temas ligados à natureza e
defesa da vida. Recebeu vários prêmios como cordelista e trovador, entre eles, Seduc/Paic/2010; o prêmio Patativa do Assaré pelo Ministério da Cultura

Paulo Roberto, um personagem da história do rádio

 

Aproveitando o Dia do Rádio, comemorado nesta terça-feira, dia 25 de setembro, reproduzo e-mail que recebi da ouvinte-internauta Maria Célia Machado, filha do radialista Paulo Roberto, na qual lembra a importância do pai dela na história do rádio brasileiro. Desde já, agradeço a Maria Célia pela gentileza de nos encaminhar esta mensagem:

 

Acompanhando sua importante série sobre os 90 anos do rádio brasileiro, venho lembrar a figura do médico e radialista Paulo Roberto, cuja importante contribuição ao rádio foi marcada por uma comunicação formativa e informativa: “sobretudo, uma Carreira Honesta”, nas memoráveis palavras de Roquette Pinto, quando lhe conferiu a Medalha de “Honra ao Mérito”.

 

Paulo Roberto iniciou sua carreira no Programa Cazé, na extinta Rádio Phillips. Sua voz simpática, agradável e natural, apresentando textos inteligentes em linguagem coloquial, inovadora para a época, definiram uma atuação ascendente nas Rádios Cruzeiro do Sul (onde exerceu a Direção Artística), Tupi e Nacional. Dotado de grande criatividade, sua produção, marcada por um forte sentido humano e pelo alto nível de seus programas conquistou o público ouvinte.

 

Quem tiver mais de 50 anos poderá se lembrar: “Bandeiras da Liberdade”(à época da II Guerra – em defesa dos países invadidos pelo Reich), “Obrigado, Doutor” (em forma de um rádio-teatro semanal, o médico é o heroi em narrativas trágicas ou divertidas, reais ou imaginárias, num total de 314 programas!), “Honra ao Mérito” ( após ter sua biografia dramatizada, benfeitores e herois de todas origens eram agraciados com Diploma e Medalha de Ouro), “Nada além de Dois Minutos” ( o primeiro “timming” do rádio brasileiro segundo Sérgio Bittencourt), “Lyra de Xopotó” ( semanalmente eram convidadas a se apresentar no Auditório da Rádio Nacional as pequenas Bandas de Música de todo o Brasil), “Gente que Brilha” (apresentando artistas famosos e iniciantes), para não citar todos. Uma série de gravações de discos infantis apresentando uma outra face do seu talento marcou presença, principalmente sua notável interpretação no conto “Pedro e o Lobo” de Prokofieff, sob direção musical de Radamés Gnatalli!

 

Não podemos esquecer das crônicas diárias, pela manhã, ao microfone da Rádio Nacional: “Vamos Viver a Vida” onde Paulo Roberto definiu suas posições pioneiras e agiu diante dos nossos problemas ambientais, educacionais e sociais.

 

Como membro da ABI, Paulo Roberto organizou e instituiu o Departamento Médico da instituição que, hoje, o homeageia guardando o seu nome. Além das inúmeras condecorações que lhe foram concedidas em reconhecimento pelos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega por sua série radiofônica “Bandeiras da Liberdade” e a acima citada Medalha de “Honra ao Mérito”, quando Roquette Pinto enfatizou a importância de sua atuação , Paulo Roberto recebeu o prêmio “Orfeu“ eleito o Melhor Produtor de Rádio de 1958.

 

Terminando, para não me emocionar demais, prefiro transcrever Mário Lago em seu livro “Bagaço de beira-estrada”, após um extenso parágrafo sobre Paulo Roberto, o “amigo de todos os momentos”: “Nunca cheguei a entender por que o levaram a um distrito policial no dia 1º de abril de 1964 (foi posto em liberdade por interferência de Manuel Barcelos), nem por que o demitiram da Rádio Nacional. Não se sabia de ninguém que não gostasse dele. Não participava sequer das campanhas sindicais. Acreditava-se socialista, mas aos princípios teóricos preferia os ensinamentos de Cristo, que, nesses acreditava acima de qualquer coisa”.

 

Cordiais saudações,
Maria Célia Machado
Filha de PauloRoberto

Divertidas histórias do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O Mílton deve conhecer, mesmo sem eu as ter relatado aqui, boa parte das histórias de rádio que, volta e meia, posto neste blog, especialmente aquelas nas quais fui um dos personagens. Às vezes, porém, ele pede que conte algumas que, por não me envolverem, talvez o meu filho não saiba. Vou relatar pequenas e até hilariantes historiazinhas.

 

Aí vai a primeira.

 

Rogério Boelke, hoje plantão titular e apresentador da Rádio Guaíba, antes de trabalhar em Porto Alegre, atuou numa emissora pelotense como repórter. Era ainda, que fique claro, um aprendiz ou, em linguagem jornalística, um foca. Certo dia,foi pautado para cobrir o roubo a uma casa. O ladrão havia entrado pelo telhado, espécie de roubo que ficou conhecida por “rififi”. Se é que alguém desconheça, o nome foi dado a esse crime, a partir de um filme francês, “Du Rififi chez les hommes”, dirigido pelo cineasta Jules Dassin e estrelado por Jean Servais. Na película, a assaltada foi uma joalheria. O roubo fictício foi imitado por criminosos ao redor do mundo.

 

Ao chegar ao local do roubo, Boelke imediatamente ligou para o técnico que se encontrava no estúdio, pedindo-lhe que o colocasse no ar porque iria dar um furo nas concorrentes. Autorização recebida, o apresentador do programa chamou o neófito repórter. Esse, alto e bom som, despejou:
– Estamos aqui pra informar que, nessa noite, uma residência foi assaltada. O ladrão entrou pelo telhado, no tipo de roubo chamado de Rin Tin Tin.

 

No estúdio,o apresentador não se conteve:
– Rogério,esse tipo de roubo é chamado de Rififi.

 

Imediatamente, Rogério tentou se recuperar do erro:
– Ah, claro, me atrapalhei. Rin Tin Tin é o cavalo do Zorro!

 

O apresentador, a custo contendo o riso, fez mais uma correção:
– Rogério, o cavalo do Zorro se chama Tornado.

 

Há controvérsias sobre o verdadeiro nome do cavalo, mas o Zorro esteve presente em tantas histórias que bem pode ter trocado de montaria mais de uma vez.

 

Contarei, em uma dessas quintas-feiras, as aventuras de um velho companheiro da Guaíba que passou boa parte de sua vida imitando o Barão de Munchhausen. Para os que não ouviram falar desse cavalheiro, o Barão é claro, terei muito prazer em o apresentar.

 


Milton ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A linguagem do rádio AM

 

No mês em que comemoramos os 90 anos do rádio no Brasil, fui entrevistado por Saulo de Assis, graduado em comunicação social pela Unimep, para trabalho que desenvolve sobre a linguagem do rádio AM. Divido com você o que penso sobre o assunto, a partir das perguntas formuladas pelo Saulo:

 

– A linguagem jornalística das rádios AM garante a médio/longo prazo a fidelização do público? A linguagem mudou nas últimas décadas para manter audiência e/ou atrair novos públicos? Quais as mudanças?

 

A linguagem do rádio somada ao seu conteúdo é que fidelizam o público. Percebe-se, nas últimas décadas, a popularização desta linguagem provocada pela mudança de perfil do público AM, assim como também se identifica a vulgarização no texto radiofônico, contaminado, cada vez mais, pela linguagem escrita. Esquece-se, o que nos ensinou o jornalista catalão Ivan Tubau , do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, que ao escrever para quem ouve, se deve escrever como quem fala. Teimamos em reproduzir textos de mídias impressas, redigidos para quem lê.

 

– A linguagem empregada no radiojornalismo nos dias de hoje nas emissoras AM atrai os jovens? Se não, por quê?

 

A linguagem empregada no radiojornalismo, pelos motivos que apontei na resposta anterior, não me parece ser o maior atrativo para qualquer dos públicos, seja jovem ou não.

 

Esta questão, porém, me permite abordar o aspecto educativo e de formação que o rádio tem em diferentes camadas da sociedade brasileira. Ao desenvolvermos o conteúdo e a forma desta programação temos de estar ciente deste papel. No tocante a linguagem, por exemplo, é claro que devemos estar com os ouvidos abertos ao que as pessoas dizem, a forma como dialogam e as expressões que usam. Temos de ser capazes de ouvir este rumor popular, esta linguagem falada pelo nosso público, levá-la para dentro da redação, limpá-la e entregá-la de volta levemente melhorada a ponto dessas pessoas a receberem de volta reconhecendo-a como sua.

 

– A diferença de qualidade de áudio do AM para o FM é um fator determinante para o declínio da audiência do AM?

 

A difícil recepção de som das emissoras que transmitem em AM, principalmente nos grandes aglomerados urbanos, tem afastado cada vez mais seu público que busca informações em outras fontes ou nas emissoras em frequência modulada.

 

– Em que medida o processo de digitalização de rádios afeta as emissoras AM?

 

Assim como a internet foi um novo oxigênio para o rádio, a digitalização o será para as emissoras que transmitem unicamente em AM. Porém, o modelo de digitalização a ser implantado terá de ser muito bem estudado, a medida que o alto custo para a recepção destas transmissões poderá torná-lo inacessível ao público do rádio AM, formado por classes sociais mais populares, como a própria mediação de audiência nos mostra.

 

– O sistema de rádio AM corre o risco de ser extinto? Por quê?

 

A enorme dimensão e as diferenças sociais e regionais do país podem levar a sobrevivência do rádio AM, nos moldes de hoje, por muitas décadas ainda. Porém, é evidente a necessidade de uma modernização na transmissão de seu sinal e o apuro maior na qualidade do conteúdo oferecido a um público que tende, pelo maior acesso às informações, ser cada vez mais exigente.

 

– Na CBN, o que está sendo feito para atrair jovens e manter a linguagem acessível e atraente a esse público?

 

Atenção ao que dizem e pensam; percepção do que necessitam, mesmo que eles ainda não tenham identificado estas demandas; adaptação dos temas discutidos na programação; e ocupação dos espaços que hoje usam para consumir informação. São estratégias usadas, nem sempre com êxito, no intuito de atrair os jovens que, por chegarem ao mercado de trabalho, precisam construir novas fontes de informação. Este é o enorme desafio que a rádio CBN tem pela frente, assim como todas as demais empresas que atuam na radiodifusão. Temos de estar cientes de que as novas gerações estão consumindo notícias em outros formatos, e precisamos colocar nossos produtos nestes formatos, por isso a internet é um meio a ser explorado pelo rádio.

 

E se temos realmente interesse em formar estes jovens, temos a obrigação de prezar a boa língua portuguesa. De forma simples, clara e objetiva, como pede a línguagem do rádio.

Conte sua história da CBN

 

Para comemorar os 21 anos de fundação, a rádio CBN convida os ouvintes-internautas a contarem a sua história sobre a emissora. A ideia é reunir textos sobre como você conheceu a CBN, momentos importantes que você acompanhou na emissora, como a rádio faz parte da sua vida. As histórias serão levadas ao ar na voz de nossos profissionais e ficarão registradas no site da CBN. A festa de aniversário é primeiro de outubro, mas você pode enviar seu texto a partir agora para o e-mail aniversario@cbn.com.br. Não esqueça de colocar seu nome completo e a cidade onde mora.

 

Estou fora da promoção, apesar de também ser ouvinte desta emissora desde “pequeninho”, conforme contei neste Blog na época em que fui convidado para apresentar o Jornal da CBN, no início do ano passado. Mesmo assim reproduzo aqui o post que publiquei para motivar você a também contar a sua história da CBN:

Ao chegar em São Paulo, em 1991, repórter da TV Globo, pedi ajuda aos colegas na busca de informações sobre a cidade. Precisava de uma fonte confiável e me sugeriram a rádio que só tocava notícia. A CBN acabara de ser inaugurada, emissora que inovava a programação com a grade toda voltada ao jornalismo.

 

Foi assim, por recomendação, que descobri a rádio na qual fui trabalhar sete anos depois a convite do jornalista Heródoto Barbeiro, então meu colega na TV Cultura. Era o retorno para o veículo que havia me lançado na carreira jornalística, em 1984, quando atuei na Guaíba de Porto Alegre.

 

Cheguei na CBN apenas para cobrir férias e em alguns meses fui definitivamente contratado. No início apresentei o programa do meio-dia, em seguida o das cinco da tarde, para após alguns anos me estabelecer no CBN SP, onde aprendi muito sobre a cidade. Foi debatendo os temas de São Paulo, elencando seus problemas e suas soluções e transformando aquele espaço em um fórum de discussão que forjei minha cidadania paulistana.

 

Lá se foram pouco mais de 12 anos desde que falei pela primeira vez na CBN e, nesta segunda-feira, recebo uma oportunidade única. Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me confiou o comando do Jornal da CBN em substituição ao colega que me abriu a porta da emissora. Heródoto levará seu talento e experiência para a TV RecordNews.

 

Duplo desafio: assumir o posto que foi, desde a fundação da rádio, de um dos profissionais que mais admiro e ancorar o principal jornal da CBN. Para amenizar o peso destas tarefas, conto com o apoio de uma das mais competentes equipes de jornalismo do País.

 

Em 20 anos, passei de ouvinte a âncora do Jornal da CBN. Era muito mais do que eu poderia querer. Agradeço a todos que sempre me ajudaram a fazer das coisas que mais gosto na vida: jornalismo.

O rádio completa 90 anos no Brasil

 

 

Três capítulos do livro Jornalismo de Rádio (Editora Globo) que lancei em 2004 e falam do surgimento dese veículo no Brasil, há 90 anos, e como foi sua invenção:

 


SÍMBOLO DA MODERNIDADE

 

Imagine se visitando uma dessas feiras de informática. Centenas de pessoas cruzando os corredores e você lá no meio, com os olhos arregalados para os equipamentos de última geração, duvidando que um dia se tornem acessíveis ao público.

 

Lembro do sucesso que fez a edição do Jornal 60 Minutos, da TV Cultura de São Paulo, quando durante a transmissão conversei ao vivo, através de um videofone, com um repórter que participava de uma exposição de tecnologia. O equipamento era novidade, isso pouco antes do fim do século XX.

 

Cito essa passagem para convidá-lo a voltar quase um século no tempo e se pôr no lugar das pessoas que, em 7 de setembro de 1922, tomaram as dependências do pavilhão da Exposição Internacional do Rio de Janeiro. O ambiente era festivo, o país comemorava o centenário da Independência. Pelos alto-falantes era possível ouvir transmissões feitas alonga distância, sem fio — ou wireless, para usar expressão da moda, na época. O mesmo som chegava a receptores espalhados em outros pontos da Capital Federal, além de Niterói, Petrópolis e São Paulo.

 

Roquette Pinto esteve por lá e se encantou com o que ouvia, apesar de ser ruim o som que saía dos alto-falantes instalados na exposição. O barulho era infernal, com muita gente falando ao mesmo tempo, e a música e os discursos reproduzidos arranhavam os ouvidos. No meio da multidão também estava Renato Murce, que dedicaria a vida ao rádio. No depoimento registrado no livro Histórias que o rádio não contou (Harbra, 1999), de Reynaldo C. Tavares, Murce afirma ter percebido logo que algo novo surgia. Menos preocupado com a confusão, viu a curiosidade e a desconfiança dos rostos ao redor.

 

A primeira pessoa que falou ao microfone de rádio, em uma estação instalada no Sumaré, pela Western Eletric, foi o presidente Epitácio Pessoa. E o povo,que se juntava na exposição do centenário, uma multidão incalculável, era pior do que São Tomé. Estava vendo, ouvindo e não acreditando. Como que em um aparelhinho, pequenino, lá longe, sem nada, sem fio, sem coisa nenhuma, podia ser ouvido à distância? E ficava embasbacado. Mas não nasceu para o Brasil propriamente o rádio, porque não havia ainda quase nenhuma rádio receptora. Era de galena, muito complicado. E quase ninguém podia ouvir a não ser aqueles que estivessem ali presentes. E os que ouviram, ouviram o Guarani, de Carlos Gomes, irradiado diretamente do Teatro Municipal. Esta foi a primeira experiência do rádio no Brasil.

 

Vale ressaltar: há quem defenda que a primeira emissora do Brasil foi a Rádio Clube de Pernambuco, fundada por jovens do Recife, em abril de 1919. Apesar de os registros mostrarem que a experiência estava mais próxima da radio telefonia, não deixe de citar o fato, principalmente se falar de rádio por aquelas bandas. A propósito, como veremos a seguir,a história da radiodifusão é marcada por dúvidas e controvérsias.


 

PADRE E BRUXO

 

Uma conversa do presidente da República Rodrigues Alves com um de seus assessores, no Palácio do Governo, no Rio de Janeiro, em 1905, pode ter tirado de um brasileiro o direito de ser reconhecido como o inventor do rádio. O representante do governo havia acabado de visitar o padre Roberto Landell de Moura, de quem ouviu explicações sobre algumas geringonças inventadas por ele. Coisas como telefônio, teleauxifônio e anematofono, espécies de telefone e telégrafo sem fio e de transmissores de ondas sonoras — a maioria já patenteada por ele, nos Estados Unidos, em 1904.

 


Jamais escreva o nome desses aparelhos em texto a ser transmitido pelo rádio. Se tiver que fazê-lo, grife as palavras. A norma serve para demais palavras estranhas e/ ou estrangeiras.Os locutores agradecem.

 

Bem que o padre de 44anos, nascido em PortoAlegre, se esforçou para convencer o enviado do Palácio que os aparelhos montados por ele poderiam estabelecer comunicação com qualquer ponto da Terra, por mais afastados que estivesse um do outro.

 

Não se sabe se foi devido às limitações intelectuais do assessor, que talvez não tenha entendido o que lhe era apresentado; se pelo fato de o padre ter solicitado dois navios da esquadra brasileira para uma demonstração pública dos seus inventos; ou se o assessor ficou assustado ao ouvir que um dia ainda seriam possíveis comunicações interplanetárias. Certo é que, ao voltar ao Palácio, o burocrata, a exemplo de um carimbo de repartição pública, foi taxativo:”esse padre é um maluco”.

 

Não era novidade para Landell de Moura. Ele já fora várias vezes transferido de paróquia, ou mesmo de cidade, acusado de ser impostor, herege e bruxo. Acusações dirigidas a ele, em 1892, quando, utilizando uma válvula amplificadora com três eletrodos, transmitiu e recebeu a voz humana. O feito se deu em Campinas, interior paulista, e nem mesmo ouvindo as pessoas foram capazes de acreditar.



 

FEZ-SE O SOM

 

O mérito de Landell de Moura, reconhecido apenas após a morte, em 1928, é evidente quando se pesquisa a história do surgimento do rádio. Do telégrafo, termo que surgiu no fim do século XVIII à telefonia, já no século XIX, muitos avanços levaram à radiodifusão. Estudos sobre a eletricidade e suas características se somaram até chegar ao aparelho que, atualmente, existe na casa da maioria dos brasileiros e nos carros, também.

 

O professor de física James Clerk Maxwell, em 1863, mostrou como a eletricidade se propagava sobre forma de vibração ondulatória. Teoria usada 24 anos depois pelo físico alemão Heinrich Rudolf Hertz, e desenvolvida pelo francês Edouard Branly, em 1890, e pelo britânico Oliver Lodge, em 1894.

 

Naquela época, Landell de Moura já havia assustado muita gente por aqui com seus inventos, e feito, inclusive, suas primeiras experiências com transmissão e recepção de sons por meio de ondas eletromagnéticas. Há registros de que usou a válvula amplificadora em testes pelo menos dois anos antes do equipamento ter sido apresentado ao mundo pelo americano Lee DeForest.

 

Não cabe aqui discutir de quem é o mérito da invenção, pois há muita controvérsia, mesmo entre os estudiosos do tema.

 

Até o nome de Guglielmo Marconi como inventor do rádio é contestado. Mas o italiano teve seus méritos — e como teve. Industrial com visão empreendedora, percebeu em vários inventos já patenteados a possibilidade de desenvolver novos aparelhos, mais potentes e eficazes. Foi o que fez para chegar à radio-telegrafia, em1896.

 

Já no início do século XX, o russo David Sarnoff, que trabalhava na Marconi Company, afirmou ser possível desenvolver uma “caixa de música radio-telefónica que possuiria válvulas amplificadoras e um alto-falante, tudo acondicionado na mesma caixa”. Tal equipamento seria o protótipo do rádio como veículo de comunicação de massa.

 

A indústria de radiodifusão nasceu, de fato, em 2 de novembro de 1920, em Pittsburgh, quando a KDKA foi ao ar, graças a Harry P. Davis, vice presidente da americana Westinghouse. Essa mesma empresa, dois anos mais tarde, traria equipamentos para a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, ao lado da Western Eletric. Harry acompanhava com entusiasmo o resultado do trabalho artesanal de Frank Conrad, que transmitia músicas e notícias captadas por receptores de galena, inicialmente construídos pelos próprios usuários e, em seguida, produzidos em série pela empresa.

 


Para não cometermos injustiça, combinamos assim: na hora de redigir um texto deixe os títulos de lado. “Marconi, o inventor do rádio”, “Landell de Moura, o homem que apertou o botão da comunicação” e “Roquette Pinto, o pai do rádio brasileiro” são clichês que devem ser substituídos por informações que agreguem valor à notícia e ajudem a esclarecer o ouvinte. Lembro de um boletim que gravei para a TV Globo, em 1991, antes de uma reunião do Mercosul, em São Paulo, e disse que o Paraguai era o “Paraíso do Contrabando”. Na ocasião, um correspondente internacional comentou, balançando a cabeça em sinal de reprovação: “o que seria dos jornalistas sem os clichês…”. Aprendi a lição e reproduzo o fato para que você não passe pelo mesmo constrangimento.