Por Simone Domingues

Especialmente na semana que comemoramos o Dia das Mães, o estereótipo materno invade os meios de comunicação, enaltecendo aquela que sabe de todas as coisas, que é a rainha do lar, capaz de tudo suportar.
Ao longo do tempo, o conceito de maternidade sofreu profundas mudanças históricas e culturais, mas a manutenção de uma visão poética e romantizada, por vezes, limita discussões e não corresponde à realidade de inúmeras mulheres.
Maternidades típicas e atípicas.
Maternidade que por vezes vai além da noite mal dormida, da dúvida entre o aleitamento materno ou a mamadeira, do choro de cólica ou de colo.
Mães atípicas.
Sua maternidade é construída com o filho que tem deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Falo sobre essas mães. Mães que muitas vezes são esquecidas.
Descobriram com a maternidade uma jornada de desafios que excedem os padrões.
Frequentemente estão sozinhas ou são acompanhadas por olhares que englobam um misto de pena e responsabilização.
Onde falharam?
A pergunta que também ressoa em seus pensamentos, gerando culpa e impotência.
Não falharam.
Fizeram e fazem o melhor que podem, mas como não são heroínas, e sim mulheres de carne e osso, nem sempre conseguem fazer tudo o que gostariam.
Por vezes faltam recursos financeiros e educacionais, acesso a tratamentos adequados, apoio familiar, medidas governamentais. Mas não faltam o seu empenho, a sua dedicação, seu amor genuíno e uma vontade de seguir em frente mesmo quando parece não haver mais energia capaz de sustentar o seu corpo cansado, exausto pela rotina.
Lutam batalhas mais penosas, quando precisam exigir que seus filhos sejam incluídos e não sofram os preconceitos de uma sociedade cuja medida de valor se baseia excessivamente na análise de desempenhos acadêmicos e sucessos profissionais em detrimento do afeto.
Perdem a paciência, sentem tristeza. Perdem o sono, sentem medo.
Vocês não são perfeitas, queridas mães. E está tudo bem. O que não vai bem é a nossa incapacidade de acolher a sua preocupação e o seu pranto, de conhecer as suas necessidades e lhes oferecer uma ajuda eficaz.
Sim. Nós que somos mães, pais, filhos ou irmãos típicos, estamos falhando com vocês.
Parabéns para cada mãe. Para cada uma que apesar de não ter superpoderes, pode simplesmente ser. E isso, vamos combinar, já dá um trabalho danado!
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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung








