No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha a série de textos escritos por pessoas em situação de rua acolhidas no Arsenal da Esperança, antiga Hospedaria dos Imigrantes. O autor de hoje se identificou apenas como Fábio e escreve um poema sobre um dos mais tradicionais bairros da cidade:
Reprodução de foto do livro “Os desafios de uma pandemia”, do Arsenal da Esperança
Quando voltei, foi difícil acreditar.
Me bateu desespero.
Deu até vontade de chorar.
Confesso, chorei… não deu para suportar.
O que antes era um grande curral social
Hoje, chora em prantos
Ruas desertas, portas fechadas
Mais parecia faroeste, cidade fantasma
Meu Brás, oh, meu Brás!
Nas ruas onde me criei; aprendi a arte do comércio.
A comercializar, comercializo.
Devido às circunstâncias, por algum momento
Até mesmo manguear, mangueei
Meu Brás, oh, meu Brás!
Não vejo a hora disso tudo acabar.
Os que nesse genocídio
Junto com Deus, esteja a vos olhar.
E quando acabar…
Sacolas cheias novamente
Compra, vende, movimentação de gente
Das gentes, povos e etnias
Temos um arsenal de costura
Bolivianos, quem diria!
Pretos, Brancos, Pardos e Índios.
Somos o maior polo comercial.
Da América Latina.
Meu Brás, oh, meu Brás!
Coração de São Paulo.
Hoje bate por aparelhos.
A esperança renasce, no vagão do trem.
No soar da voz, de mais um marreteiro
Meu Brás, oh, meu Brás!
A metrópole comercial da América Latina.
A cidade do comércio, que antes não dormia.
Hoje descanse em paz, feitos da pandemia.
Fábio, do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
A noite da Copa do Brasil, de quarta-feira, começou com o ônibus do Atlético Mineiro sendo atacado por tresloucados torcedores do Flamengo. As cenas absurdas se voltaram para dentro do Maracanã, que tiveram portões arrombados e invasão de torcedores sem ingresso. Longe dali, em Santos, novamente as bestas se expressaram, a partir do comportamento de torcedores do Santos que explodiram foguetes contra os jogadores do Corinthians. No apito final, um torcedor correu para dentro do gramado até agredir o goleiro Cássio.
As declarações de indignação se espalharam no noticiário, os pedidos de punição falaram mais alto e notas de repúdio foram publicadas. Nada que vá impedir que os violentos voltem a agir com a conivência de parte da comunidade futebolística, a começar pelos próprios jogadores que deveriam ser os mais preocupados em tentar amenizar os ânimos nas arquibancadas.
Falo dos jogadores porque eles exercem forte influencia sobre os torcedores a medida que são ídolos, reverenciados e têm importância singular no espetáculo — além de serem os principais alvos dos ataques cometidos. Os fatos que assistimos no Rio talvez se realizassem da mesma forma, mas não há como negar que a promessa pública de Gabriel Barbosa, de que o Atlético conheceria o “inferno” no Maracanã, foi combustível para a agressividade de torcedores sem controle. Detentor dos benefícios que os grandes jogadores têm e merecem, Gabigol precisa também entender que de mãos dadas aos direitos conquistados está a responsabilidade — que não foi exercida na declaração explosiva da semana anterior.
Frases de efeito, troca de provocações e deboches sempre fizeram parte da crônica esportiva, muitas vezes incentivados pelos jornalistas. Infelizmente, o que antes se resumia a “guerra de palavras”, hoje é estopim para gente desequilibrada que leva para os estádios e organizadas suas frustrações e recalques. Portanto, não se tem mais espaço para esse comportamento. O discurso dos boleiros terá de se adaptar a estes tempos sob o risco deles serem as maiores vítimas, em breve.
Em Santos, outro gesto de jogadores me chamou atenção. Logo após o torcedor, que de maneira covarde tentou agredir Cassio pelas costas, ser derrubado no chão por seguranças, jogadores do Santos vieram para defendê-lo como se a besta voadora fosse vítima de uma agressão. Teriam, sim, de ser solidários com Cássio, como o foi Marcos Leonardo que impediu que o goleiro corintiano fosse atingido de forma mais violenta. O torcedor que invade o gramado não apenas é um perigo pelo que ele próprio pode cometer, mas também serve de inspiração para outros que estão na arquibancada, podendo provocar um tragédia no estádio. Portanto, tem de ser condenado e não abraçado pelos jogadores.
É claro que cartolas de federações e dirigentes de futebol teriam de estar à frente de medidas para controlar o comportamento violento dos torcedores. Assim como todos aqueles que investem e lucram com o futebol precisariam estar atentos para essa sequência lamentável de ocorrências. Agora, se os jogadores ficarem de braços cruzados e, pior, tomarem atitudes que sirvam de combustível ou de alimento para essas bestas, o preço a ser pago poderá ser fatal.
“O valor não tem a ver com idade e sim com a entrega que se faz todos os dias”
Cecília Russo
Frágeis, fugazes e maleáveis. Assim são as relações sociais e econômicas, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do conceito de modernidade líquida. Diante deste cenário, imagine o desafio de marcas, empresas e serviços que se propõem à longevidade. Por isso, inspirar-se naquelas que foram capazes de superar a barreira dos 100 anos ajuda a encontrar caminhos que influenciam tanto a gestão do negócio quanto o comportamento do consumidor. Jaime Troiano e Cecília Russo foram ainda mais longe: trouxeram de Portugal a experiência de marcas com mais de 200 anos de existência.
O maior exemplo apresentado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é o da livraria Bertrand, uma rede varejista de livros que existe desde 1732 —- sim, isso mesmo, estamos falando do século 18. Em um mundo em que as marcas nascem todos dias, assim como desaparecem, ter uma que beira os 300 anos é fantástico, especialmente porque persiste em área tão fundamental como a cultura.
Cecília reproduziu no programa, o texto escrito pelos gestores da Bertrand que diz muito do seu sucesso:
“Passa o tempo, mudam-se as gerências, mas ficam os livros. É verdade, são já quase trezentos anos de uma História que se confunde com a de Lisboa. Bertrand é hoje o nome da mais antiga e maior rede de livrarias em Portugal. A nossa História ensinou-nos a cumplicidade com o leitor, a lealdade. Fazemos questão de lhe oferecer as mais atuais obras do mercado, os best sellers do momento, mas também de ter em estante, ao seu dispor, os títulos de referência e uma variedade editorial que desafia leitores de diferentes gostos e idades. Fazemos História, estando no presente. Atuais, atentos, ainda apaixonados pelo LIVRO.”
Dessas linhas que resumem a visão da livraria sobre o seu negócio, Cecília identificou três mensagens que servem de lição aos gestores de marcas:
Compromisso com o leitor: coloque seu cliente no centro, sempre, é o que ensina a Bertrand. Tenha cumplicidade e se lembre que tudo começa com um profundo respeito e amor às pessoas.
Capacidade de evoluir, preservando: a Bertrand traz o novo e o antigo juntos, ensinando que uma coisa não “mata” a outra. Ou, cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho, como alertamos frequentemente.
Amor pelo que faz: a paixão pelo negócio alimenta o poder de uma marca. Sem que os gestores sejam apaixonados pela área, pelo que vendem ou pelo que oferecem, teremos uma gestão burocrática, mecânica e fria.
Outra referência lusitana: Porcelana Vista Alegre, fundada em 1824. Foi a primeira unidade fabril dedicada à porcelana em Portugal. E, assim como muitas outras marcas longevas, teve um fundador obstinado, José Ferreira Basto, que levou à risca o ideário liberal da época, tendo se tornado o primeiro exemplo de livre iniciativa de Portugal.
“Isso mostra uma outra face das marcas que sobrevivem ao tempo. Elas nascem de um ideal e trazer alguma ousadia desde o nascimento. Se nos transportarmos para aquela época e nos colocarmos nos sapatos do senhor João, veremos que ele foi um visionário. Marcas precisam dessa visão de futuro”.
Atualmente, é possível encontrar marcas centenárias também aqui no Brasil, cada qual com sua característica própria: a Granado que está com 152 anos; a Hering, com 142; a União, com 136; a Klabin, com 123; e a Gerdau com 120 anos. Todos persistem porque souberam alimentar a relação com os consumidores, mantiveram-se relevantes e não se descuidaram de seus produtos.
Ouça o comentário completo do Jaime Troiano e da Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com a sonorização do Cláudio Antônio”
“Quanto mais alto o voo, maior a queda”, diz o ditado.
Diante de experiências de vida que parecem desafiadoras, muitas vezes, relutamos em assumir riscos, desejamos garantias e, em geral, evitamos as situações por medo dos desfechos ou resultados.
Medo de quê?
Medo da perda.
Medo da perda de tempo, de pessoas, do tempo perdido com as pessoas.
Medo do arrependimento.
Desejamos certezas porque acreditamos que se o resultado não for como o esperado, que se algo der errado, nossa infelicidade será tão intensa que não seremos capazes de suportar.
Tememos os julgamentos e críticas, alheios e de nós mesmos.
Não raro, criamos em nossas mentes previsões catastróficas, exageramos na intensidade e duração de um resultado, sem antes mesmo considerar as diversas possibilidades que se abrem diante de nós, quando nos permitimos conhecer novos horizontes.
Evitamos agir e assumir riscos, como se isso fosse escudo para um sofrimento futuro, ignorando que viver uma vida aprisionados pelo medo, coloca bolas de chumbo em nossos pés, nos aprisiona.
E isso também não seria uma forma de sofrimento?
Tememos as quedas por desconsiderar que nos possibilitarão experiências, conhecimentos sobre nós mesmos que poderão nos orientar para o futuro.
Por que conseguimos tirar as rodinhas de apoio da nossa bicicleta?
Porque assumimos tolerar o risco da queda, descobrir como a gente poderia se equilibrar e, desde então, ter confiança em nossa ação.
Talvez a gente precise testar as nossas previsões, reduzir a necessidade de certeza e aumentar a confiança na nossa habilidade de enfrentamento.
E se ainda assim a gente continuar com medo, então sugiro que possamos nos inspirar nas palavras de Martin Luther King:
“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”.
Você está pronto para decolar?
Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung.
Leio, muitas vezes, que devemos confiar no nosso potencial para atingir o objetivo sonhado.
São muitos formadores de autoestima com os mais diferentes nomes de palestras, projetos e linhas de pensamento. Parece uma epidemia de treinadores que invadem o seu universo e criam no mundo da expectativa e da excelência profissional um vácuo transformador: o que deveria ser uma alavanca para o sucesso vira um congelamento intelectual.
Qual a capacidade que temos de nos enxergar?
Qual o ponto de equilíbrio entre a prepotência, diante de suas qualificações, e a humildade, que o impede de reconhecer quem você realmente é?
Confesso que sou muito cuidadoso nessa ideia de vender meu próprio trabalho com autoelogios. Adepto do ditado que “elogio em boca própria é vitupério”, não me sinto à vontade de elencar minhas qualidades. Dizer-se detentor de postura correta, leitura perfeita, elegância, boa voz, naturalidade .. enfim, se intitular o “Senhor da Competência”. Mesmo porque isso se acaba no primeiro tropeço no próximo texto.
Sei dos meus defeitos e para alguns não tem correção. Questiono-me, assisto-me, e apresento meu trabalho para amigos e colegas em busca de parâmetros para saber como estou me saindo.
Pode ser insegurança? Pode.
Pode ser bom senso? Claro que pode.
Prefiro me expor aos amigos do que ao ridículo de me atribuir títulos dos quais eu não me sinto completo para dizer que os tenho. O tempo traz aprendizado.
Lembro das minhas primeiras solenidades e leituras de textos em voz alta.
Sofrível, mas necessárias.
Hoje, sinto-me preparado, porém muitas vezes sufocado por essa onda de treinamento da mente que acaba colocando sua vivência no limbo.
Somos uma consequência de vários fatores. Experiências às vezes felizes e às vezes traumáticas. Somos o resultado de atitudes que tomamos e também das que deixamos para trás.
Somos uma matemática em que se soma aos poucos.
É preciso juntar de uma a uma a capacitação profissional. Ninguém sabe de onde você vem, do que se alimenta ou quais os seus sonhos e fraquezas, apesar de todos terem absoluta certeza que você pode ser mais e melhor.
Até quando? Até quando teremos que acreditar que a razão do sucesso está no que não conseguimos alcançar; está na palavra do outro. Sim, esse outro que muitas vezes se diz detentor de postura correta, leitura perfeita, elegância, boa voz, naturalidade .. que, no fundo, não tem a mesma coragem e determinação que você de no dia seguinte, simplesmente, “levantar e lutar”!
Christian Müller Jung é mestre de cerimônia por profissão, publicitário por formação e meu irmão de nasceça
“A gente evita trabalhar com aquelas soluções de curtíssimo prazo que eventualmente não são sustentáveis. Então, basicamente a gente olha para medidas que são corretas mas que elas fundamentam uma mudança, que elas são estruturantes”
Maurício Salton, Família Salton
A história começa na Itália, onde nasceu Antonio Domenico Salton, mas foi escrita no Brasil, quando os filhos decidiram profissionalizar a produção de vinho que o patriarca havia iniciado de maneira informal —- como era comum entre os imigrantes que trocaram a terra natal pela terra brasilis. Desde 1910, a Família Salton expandiu seus negócios, em especial no sul do país, e mais de um século depois é considerada uma das principais vinícolas brasileiras.
Por si só, a longevidade alcançada pelo grupo nos remeteria a ideia de sustentabilidade que marca as pautas da série especial do Mundo Corporativo ESG, que chega ao seu nono episódio. A Salton, porém, foi parar no centro da nossa conversa porque, além de ser centenária, decidiu ser pioneira no setor vitivinícola ao elaborar o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), divulgado recentemente. Para Maurício Salton, diretor-presidente da empresa, a iniciativa está em sintonia com a preocupação do grupo com a governança ambiental, social e corporativa:
“A gente tem dentro da nossa estrutura de empresa propósitos bem definidos nesse aspecto, que conversa muito com o ESG. Nós elencamos esse trabalho como um trabalho protagonista para essa estratégia”.
As quatro unidades da Salton foram escrutinadas pelos pesquisadores: duas delas no Rio Grande do Sul — Bento Gonçalves e Santana do Livramento — e duas em São Paulo — em Jarinu e na capital. No inventário, foram considerados nesta primeira etapa do projeto emissões de atividades agrícolas, processos industriais, gerações de resíduos e compra de energia elétrica. A vinícola identificou a emissão de 950,54 toneladas de CO²; em contrapartida, devido as práticas implantadas, foram removidas 15.786,91 de toneladas de CO². Ou seja, ao puxar o traço, o resultado foi positivo em 14.836,38 toneladas.
“Esse primeiro escopo de trabalho acabou sendo bastante representativo para a empresa. Trouxe já alguma luz de melhorias que a gente poderia executar, e a gente tem feito isso. Ele traz essa visão então preliminar dessa trajetória da empresa que no nosso entendimento é uma trajetória de médio e longo prazo”
Dos projetos que a Salton pretende desenvolver, a partir do levantamento realizado, Maurício destacou o que tem como conceito a economia circular, transformando parte dos resíduos que a empresa gera em um composto que substituirá a lenha e oferecerá potencial calorífico às caldeiras das unidades fabris.
Em outra ação em parceria com universidades, agora com a Federal de Santa Maria, a Salton fez um mapeamento ambiental do Bioma Pampa, onde se tem a Campanha Gaúcha, área fronteiriça com o Uruguai, que atualmente é a segunda maior produtora de uvas do Brasil, atrás apenas da Serra Gaúcha. Com esse projeto, foi possível desenvolver técnicas sustentáveis no manejo vitícola, ajudando a preservar a área e não criando atividades que pudessem competir ou prejudicar o bioma:
“Na nossa propriedade em Santana do Livramento, fizemos uma ação para entender algumas vegetações, algumas culturas que a gente poderia utilizar nos nossos vinhedos para que a gente mantivesse esse equilíbrio. Isso foi muito interessante porque a gente também teve uma redução de utilização de herbicidas”
A vitivicultura é a cultura que menor impacto ambiental gera no Bioma Pampa, segundo informa a própria Salton. Nos estudos desenvolvidos com as universidades conclui-se que os vinhedos mantém o equilíbrio natural do Bioma Pampa por se tornam sumidouros de carbono, ou seja, absorvem CO2 da atmosfera e contribuem diretamente para preservação da fauna e flora local, evitando impactos no efeito estufa.
“Um negócio hoje precisa ter um equilíbrio muito forte. A gente não pode priorizar elementos que são voltados especialmente para a questão econômica, deixando outras frações que são importantes para o crescimento da empresa e para uma sustentação do negócio no que diz respeito à nossa postura no aspecto social, no aspecto ambiental, no aspecto de governança.”
Assista à entrevista completa com Maurício Salton, diretor-presidente da Família Salton, ao Mundo Corporativo ESG:
Colaboram com o programa Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.
Geromel perfeito como sempre, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Há 17 anos, o Grêmio renascia para o futebol em uma partida que entrou para a história, enfrentando o mesmo adversário desta noite. Na época, foi protagonista de um feito inacreditável que ganhou nome e sobrenome: Batalha dos Aflitos. Daquele tempo, não apenas por coincidência, estavam, hoje, na Arena, Galatto, Anderson e Lucas Leiva. Mais do que eles, estava em campo o mesmo espírito aguerrido de um time que se notabilizou pelos resultados impossíveis, a ponto de ter conquistado o direito de usar “Imortal” como epíteto. E isso foi essencial para a vitória neste fim de sexta-feira que, guardadas as devidas dimensões, também nos fez renascer.
A sequência de partidas invictas e a presença constante nas últimas rodadas na zona de classificação não eram suficientes para o time conquistar a admiração e o engajamento dos torcedores. A qualidade do futebol jogado era sofrível. A bola, maltratada. A vergonha da queda estava na postura dos jogadores que pareciam entrar em campo arqueados. O constrangimento de estar na Segunda Divisão falava mais alto do que o desejo de deixá-la.
Hoje, depois de um primeiro susto, que não durou muito mais do que três minutos, a postura do Grêmio foi outra. A marcação forte lá na frente sufocou o passe de bola adversário. A precisão das nossas jogadas era visível com a aproximação dos setores, o deslocamento mais rápido dos jogadores e a chegada frequente ao gol adversário. Uma entrega que não se via até então com tanta intensidade, por mais que alguns jogadores se esforçassem para oferecer isso ao torcedor.
Quando se aproximava o fim da primeira tempo, dirimindo qualquer temor de que o que assistíamos era apenas uma ilusão, abrimos o placar com um gol de Ferreirinha, que começa a voltar à equipe depois de longo período de lesão. No segundo tempo, mesmo que o ritmo tivesse diminuído, a ideia de jogo imposta por Roger se mantinha, com alguns jogadores se destacando acima da média, como Villasanti e Biel. Aos 34 da etapa final, após uma sequência de jogadas no ataque, Bruno Alves concluiu de cabeça e ampliou o placar para dois a zero.
Era, sem dúvida, um Grêmio diferente que assistíamos em campo. E o torcedor logo entendeu o recado, oferecendo em troca seu apoio e incentivo. Aplaudiu, cantou e vibrou como nunca nesta temporada. A alegria do futebol estava de volta, mesmo com algumas limitações e deficiências que precisam ser corrigidas. Roger sabe disso e tem se esforçado nesse sentindo, já prevendo o aproveitamento dos reforços que chegam — em especial Lucas Leiva, sim, nosso volante que iniciou sua jornada na Batalha.
Agora já estamos há onze jogos invictos, seguimos na quarta posição mas já pedindo passagem para os poucos adversários que estão acima na tabela de classificação. O Grêmio ressurgiu para o futebol nesta noite sob o comando de Geromel que tem sido, sem dúvida, o principal jogador desta equipe, pela sua liderança e pela qualidade que desfila nos gramados. O que fez na Arena nesta sexta-feira foi coisa de outro mundo. Colocou os atacantes adversários no bolso, desarmou, deu chapéu, driblou, saiu para o ataque e ofereceu assistência aos seus colegas. Ninguém mais do que ele merecia ver o Grêmio redivivo para o futebol.
Reprodução de foto do livro “Os desafios de uma pandemia”, do Arsenal da Esperança
No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha a série de textos escritos por pessoas acolhidas no Arsenal da Esperança, antiga Hospedaria dos Imigrantes. O autor de hoje é Marcelo José
Em primeiro lugar queria falar sobre o antes e o depois da pandemia. Como era minha vida! Eu possuía um ótimo emprego como motorista de caminhão que entregava cerveja artesanal numa das regiões mais chiques do Rio de Janeiro, pois esta cerveja era muito cara, nem todo mundo podia consumir a não ser os grandes magnatas.
O caminhão que eu trabalhava era zerado, muito bonito; claro, porque fazia parte do padrão da empresa. Para você ter ideia, os uniformes eram lavados na própria empresa. Tinha teste de bafômetro todo dia pela manhã para motorista e ajudante. Todos tinham que estar com cabelos e barba feitos.
Todas as sextas-feiras tinha um jogo de futebol que a própria empresa patrocinava, com direito a carne de qualidade e, claro, muita cerveja. Os funcionários que quisessem podiam levar mulheres e filhos. Como era bom este ambiente familiar. Tínhamos, também, todos os benefícios de uma grande empresa.
Mas um dia pela manhã, fomos pego de surpresa por uma grande catástrofe que assolava a todo mundo – a grande pandemia. Na primeira semana pensei que era uma coisa passageira, mas infelizmente a coisa era muitíssimo séria.
Havia rumores na empresa que haveria cortes. Eu me lembro bem que todos estavam muito tensos, mas eu, muito otimista, pensei que logo, logo, esta tempestade iria passar.
Mas, infelizmente, depois de três anos de empresa, um dos sócios chamou a todos pela manhã e começou a conversar no pátio com todos. Eu me lembro muito bem suas primeiras palavras, que dizia que do faxineiro ao presidente geral, todos eram importantíssimos para a empresa e para que ele não fosse injusto com ninguém as demissões seriam feitas por sorteio, claro cada um na sua função. E infelizmente eu fui um dos sorteados. A empresa honrou com todos os compromissos comigo, sem faltar nada.
Cheguei na minha casa e falei para minha esposa que eu tinha sido uns dos sorteados. Nós choramos muito por que tínhamos que nos adequar à realidade. Reduzir gastos em todas as áreas das nossas vidas, como ir à pizzaria, churrascaria, ao shopping, compras do mês. Chegamos a ficar sem luz por duas semanas, tínhamos que ficar enclausurados na nossa própria casa. O nível de estresse era tão grande que começamos a discutir por coisas banais e, infelizmente, um casamento de 20 anos foi por água abaixo. Isto foi, infelizmente, o que a pandemia me causou.
Que Deus Abençoe a todos nós.
Que dias melhores virão.
Amém.
Marcelo José, do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Das redes sociais, a que mais uso é o Twitter, por onde deixo alguns palpites, opiniões, informações e recados, desde 2008, quando o ‘passarinho’ estava ainda no ninho, aqui no Brasil. Com o recente interesse de Elon Musk na compra da empresa, falou-se de muitas mudanças, em especial a ideia do “liberou geral” que o visionário confunde com “liberdade de expressão”. Mas também tratou-se de temas mais comezinhos como o botão “editar” que permitiria a correção de muitos erros cometidos na pressa de publicar.
Sem opinião formada sobre o segundo tema — quanto ao primeiro sou defensor da ideia de que deve sempre haver um mínimo de moderação diante do impacto que as redes têm na vida e na reação das pessoas — , já tive vontade de voltar atrás no que escrevi. Não que eu quisesse rever minha opinião. Queria apenas ter usado uma palavra mais apropriada e, principalmente, corrigida — quando erros na grafia ou na concordância se revelavam. Não pude!
Não apenas não tive essa possibilidade como percebi um fenômeno. Se você publicar uma mensagem com erro e, em seguida, republicar a mesma mensagem com a correção, tenha certeza: a mensagem com erro vai ser retuitada muita mais do que a corrigida. Pode ser que seja pelo fato de que a primeira, por primeira que foi, chegue a mais pessoas antes da segunda, impulsionada por um algoritmo que costumo não entender bem como funciona.
Diante do fato, desisti de manter a mensagem errada em respeito a quem já havia comentado, clicado ou retuitado. Simplesmente apago. Abri mão do engajamento ou alcance que a mensagem com erro poderia ter me oferecido em troca da tranquilidade em saber que aquele erro não iria mais tão longe assim, causando uma série de estragos. No caso de erros ortográficos ou de concordância, imagine, alguém pode repeti-lo depois em um retuíte, no recado enviado ao chefe, no bilhetinho para a namorada ou em qualquer outra situação, construindo uma imagem ruim por minha culpa. Não me perdoaria!
Escrevo sobre esse assunto, porque me incomoda a superdependência às métricas que hoje pauta desde decisões editoriais até o ângulo em que você vai tirar uma foto. O título, o lead, a abordagem, a imagem, a cor, a disposição na página, o assunto a ser tratado, o SEO … tudo parece contaminado por aquilo que o algoritmo nos permite e pelos números que alcançamos. A reportagem não é boa pelo conteúdo, profundidade e forma com que é apresentada; é boa se teve engajamento. Se antes já havia essa tentação na busca da atenção, hoje com a possibilidade de se medir quase tudo em tempo real, o risco de nos transformarmos em refém das métricas, multiplica-se.
Não quero desdenhar o conhecimento que aprofundamos sobre o funcionamento da engrenagem digital nem mesmo estou desmerecendo a importância de se conseguir audiência para o conteúdo que realizamos, mas se temos um compromisso —- e aí estou aqui pensando em um dos papeis do jornalismo profissional —- é com a precisão da informação. Publicar uma informação errada, identificar o erro e mantê-la errada é ser cúmplice de algoritmos que tanto criticamos por serem impulsionadores da intolerância, a medida que reforçam comportamentos e não estimulam a troca de ideias entre os diversos.
Por isso, caro e cada vez mais raro estudante de jornalismo que me acompanha neste blog, se me permitir, faço uma sugestão: sempre que uma informação estiver publicada com erro, apague-a; republique-a corrigida. Comunique seu público. E se alguém vier reclamar do prejuízo às métricas, lembre-o de uma expressão tipicamente italiana: “vaffa …”
“Olhe para esse momento como uma maratona, no longo prazo, e não como uma corrida de velocidade, tentando ganhar terreno em pouco tempo”
Cecília Russo
Após dois anos turbulentos, com as restrições impostas pela pandemia, o setor de turismo volta a ter excelente oportunidade de retomar contato com seus clientes, devido o início das férias de inverno, no Brasil. Quase como a possibilidade de oferecer uma segunda “primeira impressão” a turistas que viajam internamente e internacionalmente, neste período do ano. O alto custo das passagens aéreas e a desvalorização da moeda brasileira no exterior, faz crescer as expectativas de quem atua no turismo interno —- e para todos esses, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresenta quatro sugestões às marcas do setor:
1. Entenda o consumidor
Tenha consciência de que o consumidor sofreu nesse período, talvez tenha até mesmo perdido parentes e amigos para a Covid. Provavelmente, viveu uma vida mais limitada, restrita. Não dá, então, para ignorar isso e fingir que estamos retomando de onde paramos, em março de 2020. É preciso respeitar e celebrar esse consumidor
“Imagine chegarmos num hotel e sermos recebidos como se nada tivesse acontecido nesses dois anos? Mas, se ao contrário, ao entrarmos no quarto e encontrarmos um bilhetinho gentil da direção do hotel celebrando omomento de retomada, tudo ficará melhor na nossa estadia. E um bilhete não custa nada, então não há desculpa para não fazê-lo”.
Cecília Russo
2. Sinalize as mudanças
Mostre que sua marca também se transformou nesses dois anos. Mudanças que podem estar nas medidas sanitárias adotadas, no procedimento de limpeza dos ambientes e na criação de espaços livres ou de um manual com orientações básicas sobre o que fazer diante de sintomas de doença.
“Nada que gere pânico Nada que gere pânico, mas que mostre empatia e cuidado pelo turista. Isso trará uma sensação de mais segurança e criará a percepção de que o hotel, a empresa de turismo, a companhia aérea está cuidando de verdade”.
Cecília Russo
3. Ofereça tratamento diferenciado
As exigências impostas pela crise sanitária aumentaram as regras de controle e acesso, diante disso é preciso que quanto mais rígidas sejam as normas, mais simpático tem de ser o atendimento. Pedir RG, informações e certificado de vacinação, por exemplo, se justifica, mas a abordagem tem de ser com o olhar voltado para o cliente e as palavras, recheadas de gentileza.
“Minha dica então é treinar muito bem sua equipe para estar preparada para cobrar as exigências necessárias de forma a acolher esse turista, e não de encurralá-lo”.
Jaime Troiano
4. Não queira tirar o atraso
Bastam a inflação alta e a perda de poder econômico. O cliente não pode ser punido pelos dois anos de resultados negativos da sua empresa. Majorar os preços na tentativa de recuperar os prejuízos anteriores vai afastar ainda mais o turista.
“Aqui não falo apenas das tarifas de hotel, tarifas aéreas e essas coisas, mas também em serviços extras. Em geral, é nesses extras que preços altos aparecem, numa estratégia para tirar o atraso”.
Jaime Troiano
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior:
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.