Conte Sua História de São Paulo: sem nostalgia, esta é uma cidade vertical

Por Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

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Rua Jurubatuba, na confluência de três bairros – Vila Mariana, Aclimação e Paraíso — batizada depois com o nome de Dr Artur Saboia. A velha casa em que nascemos, eu e meu irmão caçula, ainda existe, transformada pelo atual proprietário em estúdio musical. Na  minha infância, a rua em declive era de terra batida, terminando num barranco. Nele havia muitas bicas onde nós moradores nos abastecíamos quando faltava água nas torneiras.

O lixo das casas era recolhido por carroças puxadas po burros. Era triste vê-los escorregar na lama nos dias de chuva e serem açoitados, pobrezinhos, para que continuassem a puxar a carroça pesada.

Perto havia um imenso campo coberto por um matagal para onde meu irmão mais velho me levava para caçar borboletas ou empinar pipas. Era ele mesmo que as fazia com gravetos retirados do mato, papel de seda comprado na vendinha perto de casa e trapos velhos para fazer os rabichos.

Brincávamos na rua sem que nossos pais ficassem preocupados com o que pudesse nos acontecer. Pular corda — “batalhão, lhão, lhão, quem não entra é um bobão — amarelinha, pegador, roda — senhora sanja coberta de ouro e prata, descubra seu rosto, queremos ver sua cara.

No verão, caçávamos os siriris que voavam em torno dos postes de luz. Havia muitos vagalumes e os guardávamos em caixinhas de fósforo para ver quando eles se iluminavam.

Inesquecíveis as figuras que povoavam nossa rua. A Maria Lavadeira, sempre com uma trouxa de roupa branca sobre a cabeça. A Maria Bruxa, velha esfarrapada, suja, desgrenhada, alguns poucos dentes podres na boca, com correntes de ouro em volta do pescoço, que era o pavor das crianças. A dona Celina, mirradinha, dentuça e com birote, oferecendo as famosas toalhas da Ilha da Madeira. No tempo em que meus irmãos mais velhos eram pequenos até cabreiro passava vendendo leite fresco de cabra que ele ordenhava na hora.

Eu ia à escola de bonde. Preferia aquele aberto com reboque porque adorava o seu balanço.  Na rua onde passavam os bondes , a Domingos de Morais, havia vários cinemas que frequentei com minha mãe durante toda minha adolescência. Cine Cruzeiro, onde se podia assistir a dois filmes com o mesmo bilhete. Hoje é um supermercado. O cine Phoenix, agora uma agência do Banco do Brasil. E Sabará que também deu lugar a um supermercado.

Incrível como a cidade verticalizou, os jardins com roseiras orvalhadas deram lugar a garagens cimentadas e as crianças não brincam mais nas ruas.  Não existem mais quintais, jardins, hortas com árvores frutíferas.

Recordo esses momentos porque fazem parte da minha biografia,  sem nenhuma nostalgia, sem nenhuma saudade. E sinto-me privilegiada por ter vivido tanto tempo e ter sido testemunha de todas essas mudanças em São Paulo.

Claudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  um tubarão e cinco motivos para encarar a concorrência

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“Veja seu concorrente não apenas como ameaça, mas como uma oportunidade de continuar aprendendo”

Jaime Troiano

Há quem garanta que a história a seguir não é de pescador, apesar de ser de pescaria. Aqui está contada porque Jaime Troiano e Cecília Russo a consideram uma excelente metáfora para o mundo dos negócios e das marcas —- que afinal é o nosso negócio:

Com os barcos japoneses precisando buscar peixes cada vez mais distante da costa, o produto chegava no mercado em qualidade inferior a exigida. O uso de freezer para manter os peixes frescos logo impactaram no sabor e fizeram aumentar as reclamações. Criou-se tanques que mantinham os peixes vivos até a chegada ao porto. Nem isso foi suficiente para agradar o exigente paladar dos japoneses, pois os peixes, a medida que tinham comida à exaustão e nenhum esforço para se manterem vivos naquele espaço de aparente segurança, perdiam vitalidade e isso influenciava no sabor da carne. Foi, então, que surgiu a ideia de colocar pequenos tubarões nos tanques dos navios, o que obrigava os peixes a se “virarem” para ficarem vivos. O movimento constante, mantinha o frescor da carne. E as vendas aumentaram. 

O tubarão, claro, é o concorrente da sua marca, que muito se teme, mas que é essencial para manter a vitalidade do negócio —- sem contar que, a presença dele no mercado, perpassa por uma questão ética: consumidores tem de ter o direito sagrado de escolha. A despeito dessa que é uma regra do capitalismo, Jaime e Cecília identificaram cinco boas razões para se incentivar a presença de concorrentes no branding. 

  • A existência de concorrentes é fundamental  para definir qual é o melhor posicionamento da marca — aquele  posicionamento em que a marca explora melhor suas potencialidades.
  • As marcas que lutam contra concorrentes se aprimoram adaptando-se mais depressa às necessidades dos consumidores. 

“As marcas mais fortes do mercado, as marcas líderes não são o que são à toa. Mas, sim, porque acompanham o tempo todo o que fazem seus concorrentes”.

Jaime Troiano
  • Uma grande vantagem do mercado concorrencial para as marcas ocorre dentro da empresa.: o reconhecimento de que existem concorrentes lá fora, diminui a vaidade corporativa.
  • Melhora nossa capacidade de entender o que pensam e sentem os consumidores. Quando eles são cativos de uma única marca não vemos como podem ser atendidos de outras formas. 
  • Estimula o pensamento criativo de quem fabrica, de quem planeja o marketing e a comunicação. Para quê? Para descobrir novos caminhos, novos produtos, novas formas de vender, nossas extensões de marca etc.

“Os melhores profissionais que já conheci vieram de empresas assim, que estão todo dia se reinventando. Enfim, concorrente nos ajuda a ser melhor e ajuda a entrega que fazemos aos consumidores.”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo:


Avalanche Tricolor: a velha imagem na minha TV do quarto

Ponte Preta 0x0 Grêmio

Brasileiro – Moisés Lucarelli, Campinas/SP

O quarto que escolhi para assistir à estreia do Grêmio na série B era o mesmo da final de 2005. Está bem mais mobiliado e decorado, com espaços distribuídos para o vestir e o dormir, móveis bem acabados e feitos à medida. Antes era um vazio com uma cama de casal em uma ponta, um armário de roupa que quase não era capaz de acolher todas as vestes e, do outro lado, uma bancada simples de duas portas para sustentar a televisão de tubo — a que está pendurada na parede, atualmente, não traz as mais modernas funcionalidades nem apresenta-se com imagem de mega, ultra, super-qualidade, mas dá para o gasto.

Confesso que não fui parar no quarto por escolha própria. Foi a dinâmica da casa, no sábado à tarde, que  me fez deixar a sala onde costumo torcer pelo Grêmio — lá onde mantenho a cadeira do Olímpico  e as camisas de meus ídolos, que já foram assunto recente desta Avalanche. Porém, quando percebi que o espaço que ocupava era o mesmo em que assisti à “Batalha dos Aflitos”, entendi que poderia haver ali um sinal positivo, afinal, mesmo que por linhas tortas —- tivemos de contar com a incompetência do adversário, a destreza de Galatto e uma sorte inacreditável —, naquele ano nos tornamos campeões da Série B e fizemos história com um resultado aparentemente impossível, diante das circunstâncias.

Claro que os tempos são outros. O Grêmio mudou. Nós todos mudamos. Sou 17 anos mais maduro —- não que isso faça diferença quando eu esteja com o modo torcedor ativado. E os meninos, que acolheram o pai que chorava com o título de 2005, têm hoje vida própria. Dos dois, o mais velho foi quem se manteve ao meu lado nas partidas do Grêmio. Esteve comigo nesse sábado. E ficou bastante incomodado com o comentário que fiz pouco antes da cobrança de pênalti por Lucas Silva. Não que ele seja superticioso, mas parece ser adepto da máxima “no creo en brujas pero que las hay las hay”. Falei em voz alta: esse pênalti vai dizer muito do que será a Série B para o Grêmio, em 2022.

Minha sensação era que a chance de marcar um gol na metade do primeiro tempo, em partida que tínhamos superioridade técnica e contra uma equipe ainda abalada pelo rebaixamento no campeonato estadual, daria uma enorme tranquilidade na estreia do campeonato e começaríamos na ponta da tabela, mesmo jogando fora de casa. Ao mesmo tempo que desperdiçar aquela oportunidade seria a demonstração de que o destino está disposto a nos proporcionar mais uma saga forjada por sofrimento e dor. 

O que aconteceu na cobrança, o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, já deve saber a essa altura do campeonato — se não, basta olhar o placar no alto deste texto. Por sua vez, se minha premonição se confirmará, somente as próximas rodadas dirão. Por via das dúvidas, sexta-feira que vem já me programei: estarei na Arena para torcer pelo Grêmio. Quem sabe a imagem que verei, ao vivo, seja melhor do que a que passou na tela da minha velha televisão do quarto. 

Mundo Corporativo: entenda o metaverso e reduza o risco da desigualdade digital, recomenda Martha Gabriel

Reprodução Facebook

“O futuro não espera e não perdoa”

Martha Gabriel, futurista

O metaverso — esta que é uma das coisas mais faladas nos últimos anos e, talvez, desconhecida da maioria de nós — existe muito antes do que imaginamos. Parece que surgiu ontem ou, para não ser exagerado, que surgiu durante a pandemia. Mas Martha Gabriel, nossa entrevistada no Mundo Corporativo, garante que já está entre nós há muito tempo. O que acontece agora é que a infraestrutura alavancada, diante dos desafios impostos pela pandemia, possibilitou a ascensão do metaverso —- com o perdão do trocadilho — em uma versão muito mais avançada e viável. 

A expressão metaverso foi criada por Neal Stephenson, escritor americano, e publicada no livro Snow Crash (Nevasca, na edição em português, editada pela Aleph), em 1992. Autor de obras de ficção especulativa, Stephenson ilustrou a ideia futurista com pessoas que usavam avatares de si mesmas para explorar um universo online. E previu o metaverso sucedendo a internet. 

Para Martha Gabriel, futurista e autora do best seller “Você, eu e os robôs” (Atlas), o metaverso começa a se formar no início do mundo digital e a primeira experiência mais próxima do 3D foi o Second Life, criado em 1999 e lançado em 2003, que oferecia um ambiente virtual onde as pessoas interagiam através de avatares. Uma simulação da vida real que não se sustentou pela ausência de estrutura, conexões e máquinas com capacidade de administrar as transações necessárias para o experimento naquela ambiente.

A transformação digital que vinha se constituindo ao longo do tempo e acelerou na pandemia, por uma questão de sobrevivência dos negócios, fez com que tecnologias desenvolvidas anteriormente — tais como o blockchain, as NFTS e as criptomoedas — chegassem a um ponto de maturidade que permite configurar as próximas etapas do metaverso. 

“Da mesma forma que o nosso universo era composto de vários planetas, era composto de empresas, das pessoas, etc, o nosso universo sofreu um upgrade com mais coisas digitais e passa a ser metaverso. Por isso que a gente tem meta: vai além daquilo que era o nosso universo”.

O comerciante que fechou as portas de seu negócio na pandemia e abriu conta comercial no Instagram para vender seus produtos, sem perceber, deu um passo em direção ao metaverso, ainda em um modelo 2D, explica Martha Gabriel. Aliás, ela entende que mesmo a nossa entrevista, gravada por uma plataforma de transmissão de vídeo, com este apresentador e sua entrevistada em espaços diferentes e conectados pela tenologia é uma parte do metaverso. A medida que vamos incluindo novas camadas digitais, mais integrado passamos a estar e mais transações se tornam possíveis. 

“O metaverso é a fusão do on e off. Quanto mais essa fusão acontece mais híbrido nós somos e mais a gente está vivendo o tempo todo nos dois, fluindo entre um e outro”.

Antes de sair por aí “comprando terreno na lua”, é importante ter consciência da possibilidade de participar do metaverso sem gastar dinheiro e da necessidade de entrar nesse universo quando tiver clareza do que pretende realizar, ou seja, ter um objetivo bem definido. 

“Se eu puder dar uma dica aqui pra todo empreendedor, seja pequeno médio ou grande,  entenda o que tá acontecendo mesmo que você não vá usar agora. O metaverso é o de menos. O importante é entender o que está acontecendo nas coisas que estão configurando o metaverso. Porque é isso que vai transformar sua vida. Se você não souber o que é blockchain, inteligência artificial, NFT, dificilmente você consegue aproveitar tudo que está surgindo de possibilidades dentro desse universo misto de on e off”.

Dos riscos que assistimos nesse cenário, bem além da perda de oportunidades e desperdício de dinheiro por desconhecimento, está a possibilidade de as desigualdades social e digital se ampliarem ainda mais. Para Martha é urgente que se faça um “acordo social” porque, desde sempre, quem teve acesso à tecnologia tem acesso ao poder, e isso tende a contemplar apenas pessoas privilegiadas — aliás, como assistimos na pandemia em que os alunos de famílias das classes média e alta deram seguimento aos seus estudos, enquanto boa parcela da população mais pobre viu seus filhos regredirem no conhecimento.

Quanto ao desenvolvimento de carreira, para que estejamos preparados para esse futuro que se avizinha, Martha identifica três grandes categorias de habilidades essenciais: 

  1. Pensamento crítico: para entender as regras do jogo, traçar estratégias, é preciso desenvolver essa habilidade por meio da educação; para saber o que fazer.
  2. Adaptabilidade: temos de ser adaptáveis em um mundo que muda o tempo todo e nessa categoria entram ‘soft skills’ como comunicação, negociação e gestão de equipe; para fazer.
  3. Humanidade: é preciso garantir que não se perca a humanidade e se preserve os conceitos de ética e moral nas relações; como fazer.

“Estou pensando direito? Estou entendendo as regras do jogo? Será que eu continuo humano nesse caminho? Esse é um pensamento fundamental, hoje em dia, porque a gente começa a olhar muito o digital e esquece dessa parte humana que talvez seja o nosso diferencial competitivo”

Seguindo a recomendação da Martha Gabriel, que diz da necessidade de entendermos o que está acontecendo no metaverso, comece por assistir à entrevista completa que fizemos com ela no Mundo Corporativo. Depois, procure suas participações no TED e, finalmente, leia, leia muito porque é pela educação que vamos nos preparar para o futuro e reduzir a desigualdade que se expressa na sociedade.

O Mundo Corporativo tem a produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o Tchaikovsky de Perus

Por Flávio Cruz

Ouvinte da CBN

Quando você fica um certo tempo longe de sua terra, as imagens, os aromas, as visões e as lembranças se tornam ainda mais fortes. Por isso, é que, às vezes, me lembro do vilarejo onde passei minha infância, com especial intensidade. 

Perus, norte da Grande São Paulo, não era, como agora, um aglomerado de casas e comércio. Ao contrário, era então, uma paisagem quase bucólica. A estrada de ferro, antes chamada de Santos—Jundiaí, ainda corta o local bem no meio e tem, como acompanhante, um rio que vai serpenteando ao seu lado e, no caminho, divide a praça principal. 

O rio e a ferrovia formam, assim, uma espécie de vale cercado de elevações — ou morros, como dizíamos. Na minha infância ainda era tudo muito espalhado, não havia tantas casas e estavam como que semeadas pelas elevações; enquanto o comércio, os bancos, o cinema e tudo mais, estavam no centro do bairro, em volta da praça. 

De um dos  lados saía uma rua, na verdade uma rampa íngreme, que chamávamos de Morro do Cartório, e que levava a algumas habitações mais para cima, inclusive a casa onde eu morava. O cartório – o Tabelionato Farias – ficava no meio desta rua, que subia, subia e continuava subindo. 

Lá embaixo, no começo, estava a igreja católica, cuja padroeira era a Santa Rosa de Lima. 

E antes de continuar a andar pela “cidade”, quero parar um pouco por aí. Era uma igreja como outra qualquer, branca, com uma torre, sino. Sei que mudou, desde então. Toda tarde, às seis horas, algo muito especial acontecia. 

Nessa época, a essa altura do dia, as pessoas estavam encerrando as atividades, fechando o comércio, voltando para casa. Então, com uma pompa e força inusitadas para todos, soava o “Concerto no. 1 para Piano e Orquestra de Tchaikovsky”. 

O som saía das torres da pequena igreja e ecoava pelas montanhas, pelas ruas, entrava nas casas, ia, ia, para além das fronteiras do nosso bairro. Era vibrante, imponente, poderoso, sensacional. Enchia os ouvidos, o ar e a alma. 

Depois de algum tempo, o som baixava, sem desaparecer. Entrava então  a voz de um locutor, altivo e pomposo: 

“Ao som deste prefixo musical, vai ao ar o Serviço de Alto-Falantes da Paróquia da Santa Rosa de Lima de Perus”. 

Não podia haver nada mais solene do que isso. Naquele momento, Perus e sua paróquia eram mais importantes que o Vaticano, que Roma, que Aparecida do Norte, Brasília ou Rio de Janeiro. Éramos insuperáveis. Tudo parava por alguns segundos, pelo menos na minha imaginação. Nem sei o que o locutor falava depois. Talvez banalidades, anúncios locais… Não importa. Naquela hora era Tchaikovsky.  E  Tchaikovsky  era o papa. Ele nos aproximava de Deus, mais do que qualquer sermão, livro, exortação. Era um momento simplesmente lindo, majestoso…

O locutor era meu irmão, o Bonifácio. Ele faleceu há alguns anos e entre as inúmeras coisas boas e bonitas de que me recordo a seu respeito, essa foi a mais apropriada que achei para homenageá-lo.

Como dizem meus filhos, “era a sua cara”… Tchaikovsky em Perus, São Paulo.

Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie você também seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco passos para construir a sua marca

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“O produto tem de ser bom, tem ter qualidade, porque não existe marca boa com produto ruim”

Jaime Troiano

Começar um negócio nunca é fácil, por mais entusiasmados que os novos empreendedores estejam. A tarefa se tornará mais simples a medida que alguns processos sejam respeitados, a começar pelo desenvolvimento do produto e serviço, que exigem planejamento, tempo e recursos. É depois dessa etapa que se inicia a jornada em busca de uma marca que se identifique com os propósitos do negócio e entregue aquilo que está sendo prometido. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano trouxeram um guia de construção de marca, com cinco passos que podem ser seguidos independentemente do ramo em que se pretende atuar: loja, roupa, escola, oficina técnica … enfim, o negócio você cria. A marca, a gente ajuda.

Vamos ao passo a passo:

  1. Definir o público-alvo com que a marca quer conversar: raramente uma marca fala para todo mundo, por isso decidir o perfil dos clientes é ponto de partida sempre. Uma dica: faça uma descrição completa, não apenas em termos sócio demográficos, mas também comportamentais.
  2. Definir o posicionamento: quais são os diferenciais do seu negócio? O que se quer que as pessoas pensem dele? É preciso listar diferenciais e eleger os mais relevantes. Um posicionamento não pode ser uma extensa soma de atributos, pois as pessoas não conseguirão captar tudo.
  3. Nome da marca: tem de estar apoiado no produto e na promessa que o negócio carregará. O nome não conseguirá contar tudo, mas não pode atrapalhar. Fuja do lugar-comum e busque algo que ajude você a ser lembrado. Nomes muito genéricos ficam perdidos na paisagem. 
  4. Criar logotipo e identidade visual: essa etapa vai guiar todas as expressões da marca — design, fachada, ambiente, símbolos e cores — para dar coerência ao negócio, e, por isso, temos que respeitar o posicionamento definido no passo dois.
  5. Fazer a comunicação: é preciso que o público conheça a marca e passe a considerá-la. Nessa etapa entram todas as iniciativas de comunicação, on e offline, desde fazer parcerias com outros negócios, usar as redes sociais, fazer publicidade e desenvolver conteúdo que podem ser aproveitados nas mais diversas mídias.

“Dediquem-se a construir um produto excelente, claro, mas não atropelem a construção da marca. É a partir dela que seu produto vai acontecer”

Cecília Russo

No programa que você ouve a seguir, Jaime e Cecília ilustram os cinco passos para construção da marca, tendo como exemplo o desenvolvimento de um buffet infantil. Vale a pena ouvir para entender como você pode aplicar a fórmula no seu produto ou serviço:

Avalanche Tricolor: redivivo e pentacampeão!

Grêmio 2×1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Festa gremista em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Puxei a cadeira azul claro, de ferro, relíquia original do saudoso Olímpico, pra frente da TV, pouco antes de a decisão dessa tarde de sábado se iniciar. Foi a maneira que encontrei de reviver as finais que me levavam ao estádio da Azenha, geralmente ao lado do pai. Hoje, substituo aquela companhia incrível com quem confidenciava minhas preocupações e ansiedades com a performance de nosso time pela dos filhos, especialmente a do mais velho, o Gregório. E talvez pela presença deles — e dele —, tenho, também, muito mais pudor em revelar meu sentimento e entusiasmo, por juvenil que costumam parecer.

Não foram apenas o estádio e o meu decoro que mudaram. Naqueles tempos de Olímpico, às decisões eram reservadas o domingo, dia santo, sagrado e de festa para algumas culturas e religiões. Dia de futebol para todos os brasileiros — hoje não mais. As finais eram um privilégio dos dois grandes de Porto Alegre, com as exceções de praxe. Atualmente, os times do interior se mostram presentes e tem beliscado a taça com muito mais frequência. Haja vista que os cinco títulos seguidos conquistados pelo Grêmio foram disputados contra quatro times diferentes.

Tudo é muito diferente se comparar com o que vivenciei no passado, quando levantar o troféu de campeão Gaúcho era a maior das vitórias almejadas. Desde lá, sonhamos mais alto, ganhamos o Brasil, estendemos nossas fronteiras ao continente e alcançamos o topo do Mundo.

Nessas reviravoltas da vida da bola, cá estávamos nós, mais um vez, depositando todas nossas fichas nessa competição — e assistir à decisão sentado em um cadeira do Olímpico, mesmo que em frente a televisão, fez do sábado um “domingo de final”.

Redivivos no gramado estavam Everaldo, Babá, Alcindo e Joãozinho. Havia Anchieta, Tarcísio, Iura e Loivo. Não faltaram Bonamigo, Cristovão, Cuca e Valdo. Nem Danrlei, Adilson, Paulo Nunes e Jardel. Todos craques que de alguma maneira ficaram na minha memória. E na história do Grêmio.

Redivivo na cadeira do Olímpico estava eu, o guri que forjou sua personalidade nas dependências do velho estádio, apreciando o sabor de uma conquista estadual.

Redivivo, na Arena, neste sábado, estava Roger que entrou para o seleto grupo de gremistas que conquistaram o título gaúcho como jogador e técnico, completando um ciclo que havia sido interrompido em 2016 quando desperdiçou o direito de ser campeão no comando do time com uma derrota na semifinal.

Redivivo estava o Grêmio, de Geromel, que, após o revés de 2021 e os tropeços no início de 2022, volta a ser campeão. Penta Campeão!

Mundo Corporativo: Luciano Santos, do Facebook, sugere que você seja egoísta em sua carreira (antes de criticar, leia o texto)

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“Tanta gente veio antes, aprendeu tanta coisa, então, tente achar aí a sua maneira e a sua estratégia, mas tenha mentores na sua carreira”

Luciano Santos, Facebook

Seja colaborativo. Compartilhe o seu conhecimento. Escute as pessoas. Entenda a necessidade do seu colaborador. Todas essas frases, não por acaso com o verbo no imperativo, devem ser exercitadas no ambiente de trabalho e nas relações profissionais; e nos remetem a olhar para o outro. Luciano Santos, executivo de vendas do Facebook, concorda com isso, mas, diante do que encontra nas corporações e com as pessoas com quem interage, decidiu-se por fazer um convite diferente: olhe para você mesmo! Parece uma ideia egoísta. De certa parte é mesmo. Mas, se é possível assim dizer, é um “egoísmo saudável”.

Luciano é autor do livro “Seja Egoísta Com a Sua Carreira – descubra como colocar você em primeiro lugar em sua jornada profissional e alcance seus objetivos pessoais” (Editora Gente) e explicou seu objetivo em entrevista ao Mundo Corporativo:

“As pessoas consideram o que os familiares falam, o que o chefe fala, e sempre se colocam em último lugar. Então, eu falo que o título (do livro) é um pouco de exagero; é uma provocação, para a gente ter consciência que, se eu não me colocar como protagonista da minha própria carreira, ninguém vai”.

Considerando o melhor dos sentidos para esse egoísmo defendido por Luciano, ele assume que o foi durante a carreira, por instinto, muito mais do que por ensinamento. Nessa linha, sempre que possível privilegiou o aprendizado ao salário. Por duas vezes, deixou empregos que remuneravam mais por empregos que o ensinariam mais. A despeito da formação em letras, migrou para o ramo da tecnologia, tendo passado pelo UOL, Google e, agora, Facebook. Diz ter sido um acidente o fato de o profissional de letras com pós-graduação em comunicação jornalística se transformar em profissional de tecnologia. Um acidente provocado por intervenção do irmão que havia estudado processamento de dados e o ensinou a acessar e-mails e navegar na internet — duas habilidades que eram diferenciais competitivos na época em que se iniciou na carreira.

“Eu estava procurando uma vaga de redator júnior, algo ligado à minha formação. Meu irmão insistiu para colocar no meu currículo. Não tinha colocado esse dado tão importante. Eu coloquei, mandei para Folha de São Paulo, que na época tinha aquele projeto junto com a Abril, chamado Universo Online, o UOL, e só porque meu irmão me deu aquela mentoria de currículo e eu coloquei aquelas duas pequenas informações acabei parando no UOL e Isso mudou completamente a minha carreira”.

Cuidar bem do seu currículo é um dos passos para “ser egoísta” na carreira. É o primeiro elemento do que Luciano chama de tripé da empregabilidade: currículo, narrativa e networking: 

  • Currículo — um erro muito comum é não colocar algumas experiências  que são absolutamente relevantes.
  • Narrativa — uma entrevista bem sucedida nada mais é do que uma história bem contada; esteja preparado para contar a sua história.
  • Networking —  é o irmão direto da indicação, a melhor forma de ingressar no mercado de trabalho. Networking é estratégia de longo prazo que deve ser alimentada em toda carreira e não apenas quando o profissional perde o emprego.

Ao consultar 1.500 profissionais, Luciano Santos encontrou 60% deles infelizes em suas carreiras, e muitos extremamente infelizes, o que leva a uma série de problemas de saúde e comportamento: burnout, ansiedade, e dificuldade em tomar decisões. Ele entende que são múltiplos  os motivos que levam a esse cenário e destaca dois: o primeiro é a falta de treinamento de lideranças; e o segundo, a falta de consciência sobre como gerencias a própria carreira”

“… como eu tomo uma decisão? Eu devo planejar minha carreira? De que maneira eu comunico com o meu líder? Tem muitas coisas que a gente pode aprender e não só pode como deve aprender a fazer”

Assista ao vídeo  completo da entrevista com Luciano Santos ou ouça o podcast do Mundo Corporativo.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o charme da gente simples nos tempos da minha Oscar Freire

Por Yip Cho Paul

Ouvinte da CBN

Vivi grande parte de minha infância, dos seis aos 13 anos, na rua Oscar Freire. Não na Oscar Freire das butiques cheias de glamour e da gente elegante. Na Oscar Freire da gente simples e das casinhas singelas. Elegantes — que eu me lembre, e que me marcaram — só havia mesmo dois lugares: o antigo ateliê de Clodovil Hernandes e o restaurante Frevinho — este ainda lá, embora não exatamente no mesmo local. Passava por eles sempre que ia à Rua Augusta. Essa sim, famosa e imortalizada pela música de Ronnie Cord, da Jovem Guarda. Era repleta de lojas, e com bondes subindo e descendo. Visitava com frequência uma loja de armarinho, onde tínhamos o costume de comprar lã; e, também, sempre passávamos em frente à loja Zogbi.

Cursei os dois primeiros anos do primário em uma escola de freiras, a Madre Maria Eugênia. Ia a pé com minhas irmãs, sempre tomando cuidado para atravessar a perigosa Avenida 9 de Julho. A escola tinha um amplo bosque e, nesse bosque, uma pequena gruta com a estátua da Virgem. Toda segunda-feira havia missa e nós, alunos, atravessávamos o bosque para chegar à igreja ao lado do colégio Assunção. O colégio, particular, ainda existe, já a minha antiga escola foi vendida em meados de 1970 para ser demolida e, com outros prédios, dar lugar ao supermercado Eldorado, depois Carrefour e atualmente Shopping Pamplona. Na época, os pais reclamaram do absurdo de uma escola dar lugar para um supermercado. Coisas do progresso? Pelo menos a estátua da Virgem foi conservada quando o supermercado foi construído. Hoije, já não sei o que foi feito dela.

Naquela tempo, andava-se muito. Não raramente tínhamos que subir ladeira acima até a Paulista para chegar na agência de Correios. 

Quem já viu a ladeira da Rua Ministro Rocha Azevedo deve saber da dificuldade de se subir até o espigão a pé! Mas, felizmente, havia a ladeira da Rua Padre João Manuel, um pouquinho menos íngreme, ainda assim, árdua! Coitado do meu irmão que estudava no Dante Alighieri e tinha que escalar o morro todos os dias! Haja pernas e fôlego! Sorte que para ir ao supermercado não se precisava andar muito. Ficava logo na esquina. Hoje, o supermercado Hispania deu lugar ao Pão de Açúcar.

Quanto à casa em que eu morava, era geminada, tipo “linguiça”, muito estreita, com cerca de quatro metros de largura e 40 de profundidade. Fuçando os documentos  — sim, na época eu já gostava de fuçar! —, descobri que a casa tinha história: fora construída por um imigrante, doceiro, de nome David Kopenhagen! Quem diria! Pena, a casa não existe mais. Como muitas outras foi vendida para empreendimento imobiliário e, em 1976, mudei-me para o Brooklin. Mas aí  já é outra historia.

Yip Cho Paul é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para  ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A certeza fugaz dos políticos

Foto Governo do Estado de São Paulo

A incerteza da política é a certeza que temos à disposição. Mesmo que pesquisas mostrem realidades presentes e o olhar sobre a história passada possam nos oferecer algum rumo, impossível certificar os acontecimentos do futuro. Esta quinta-feira, em especial, foi representativa desta realidade que vivenciamos na política brasileira. De certo mesmo apenas que o presidente Jair Bolsonaro e seus pares fariam movimentos enaltecendo o Golpe Criminoso, Assassino e Militar de 1964 — se alguém se surpreendeu com a nota falaciosa da “junta militar” que reúne as três armas e o ministério da Defesa merece o selo de ingenuidade. 

No cenário eleitoral a incerteza se fez minuto a minuto, neste 31 de março: a cada nota, bastidor e repercussão que ouvíamos sobre os destinos de João Dória e Sérgio Moro —- dois dos tais candidatos da terceira via (ou seria a via do acostamento?) — a certeza se tornava mais fugaz. A de Moro menos do que de Dória. 

O ex-juiz, ex-ministro e ex-candidato à presidência da República acordou certo de que teria sua intenção ao estrelato frustrada: antes mesmo de exercer seu papel como político do Podemos (ex-PTN) trocou de partido e assinou compromisso com o União Brasil, a fusão do DEM com o PSL. Após sonhar com a cadeira no Palácio do Planalto vai ter de se contentar, se eleito, com uma poltrona no plenário na Câmara dos Deputados — onde está fadado a ser uma voz isolada, sem apoio e sem projeto, porque a política (e os políticos) não perdoa.

Nada mais incerto, porém, do que os motivos que levaram aos movimentos de João Dória que ameaçou ficar no Governo, desistir da candidatura à presidência, afundar com as possibilidades de eleição a governador do seu vice, Rodrigo Garcia, assim como a de manutenção do poder que o PSDB tem no Estado, e confirmar a pecha de traidor —- que os bolsonaristas impuseram a ele.  

Doria teria brigado com gente muito próxima dele no Palácio dos Bandeirantes ao perceber que seria vítima de um golpe intra-partido, com seus pares se preparando para embarcar em um campanha ao lado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Chutou o balde ao dizer em voz alta para que todos os corredores do palácio, no bairro do Morumbi, ouvissem que ficaria no governo até o fim do ano, podendo, quem sabe, ser candidato à reeleição. E abandonando a disputa nacional.

Depois de mexer com a agenda dos tucanos e de outros animais da política brasileira, Dória fez um gesto de paz a Rodrigo Garcia — que já anunciava afastamento da secretaria que ocupa e recebia recados de que haveria um pedido de impeachment contra o governador na Assembleia Legislativa. Ideia de jerico e de propósito vingativo, porque fica difícil de entender qual seria a alegação para sinalizar o impedimento de Doria. Pedalada eleitoral?

Em seguida, o PSDB publicou nota confirmando que Doria é o candidato do partido à presidência — papel que tem tanto valor quanto a promessa que ele havia feito, em 2016, de que cumpriria os quatro anos de mandato à frente da prefeitura de São Paulo. 

À tarde, sob os holofotes e sobre um palanque montado no Palácio, Doria fez entrada triunfal para anunciar que “se é desejo do povo, eu não fico”. Por favor, não confunda: as aspas são minhas. Dória jamais falou isso. Talvez tenha pensado. 

A jornalistas se disse “tranquilo” (as aspas são deles) naquele momento porque havia garantido o apoio explícito do PSDB e afastado qualquer risco de um golpe nas prévias que lhe conferiram o título de pré-candidato à presidência da República.

Doria blefou, é o que dizem alguns —- ideia compartilhada por seu adversário direto, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, desde cedo, em conversas reservadas no Palácio do Piratini. 

Doria brigou — é o que se ouve a partir dos gritos que ecoaram no Palácio dos Bandeirantes. Brigado pensou mesmo em desistir, em uma decisão mais viceral do que política. E, a partir de sua querência, provocou desespero na ala que apoiava Rodrigo Garcia. Diante do desespero, as peças se moveram para agradá-lo  e demovê-lo da ideia de ficar sentado na cadeira de governador, o que inviabilizaria a eleição de Garcia e dificultaria a vida de candidatos a prefeito e deputados estaduais do PSDB. 

Doria foi marqueteiro, como sempre foi, e armou tudo para chamar atenção para o evento em que anunciaria sua renúncia ao Governo do Estado que abriria caminho para a disputa ao Governo Federal. Essa é a possibilidade menos real de todas que surgiram nos comentários públicos e nas conversas de bastidor. 

Ao fim e ao cabo, Doria acordará na sexta-feira certo de que saiu mais forte deste episódio. Eduardo Leite levantará da cama  seguro de que, em breve, será chamado para compor uma chapa com Simone Tebet do MDB. Rodrigo Garcia abrirá a janela do Palácio dos Bandeirantes confiante de que este será seu novo endereço até o fim de 2026. Enquanto, Bolsonaro e Lula estarão convictos de que não aparecerá ninguém capaz de abalar a trajetória deles ao segundo turno das eleições. 

Diante da certezas desses que aí estão, me resta lembrat de frase que teria sido dito por Marques de Maricá: 

“Os homens preferem geralmente o engano, que os tranquiliza, à incerteza, que os incomoda”.