Avalanche Tricolor: o Campeonato Gaúcho não me faltará!

Grêmio 1×0 Caxias

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Nos últimos dois anos, só o torcedor gremista é capaz de descrever como foi difícil acompanhar o futebol. A cada partida um sofrimento em particular. Mesmo quando o resultado chegava, o futebol não agradava. Pior ainda quando nem a bola entrava. Não bastava ser maltratada, conspirava contra nós. 

O curioso é que a despeito de tudo que pudesse ter dado errado, nas temporadas de 2021 e 2022, o Campeonato Gaúcho nunca nos decepcionou. Sempre esteve ali a nossa espera, de braços abertos para nos permitir um sorriso em meio a tantos sofrimentos.  Aliás, desde 2018, faça sol ou faça chuva, tenha grama ou buraco no meio do campo, nos capacitamos a disputar as finais estaduais e fizemos prevalecer o peso de nossa camisa. 

Neste 2023 que ainda se inicia para o futebol, lá estava o Grêmio mais uma vez na final, depois de fazer a melhor campanha entre todos os adversários. Diante de nós, um time bem treinado e organizado, tanto quanto aguerrido e tradicional, que se capacitou a decidir o título após derrubar quase todos que encontrou pela frente. Digo quase todos porque nem na primeira nem na última rodada do campeonato nos venceu — foram as únicas duas derrotas que sofreu na competição, demonstrando porque é, atualmente, a segunda melhor equipe  do  Rio Grande do Sul. A terceira, se não me engano, é o Ypiranga de Erechim (por favor, se eu estiver errado me corrija).

O hexacampeonato comemorado, neste início de noite de sábado, sem não antes algumas doses de sofrimento, foi ainda mais especial do que todos os títulos desta sequência. Nossa vitória agora chegou sob o signo da reconstrução e abençoada pelo grito de torcedores que resgataram o prazer de vibrar por um time que preza pela qualidade no futebol. — hoje havia ao menos 51 mil deles na Arena. Não que tenhamos tido uma apresentação de excelência. Houve alguns erros, passes precipitados e desejo de decidir antes da hora — justificável diante da vontade que esses jogadores estavam de atender a paixão do seu torcedor.

De Adriel, jovem goleiro com potencial de oferecer tudo aquilo que o futebol moderno espera de alguém que veste a camisa número 1, a Luiz Suárez, quinto maior goleador do futebol mundial em atividade, admirado em todos os continentes pelos quais passou e motivo de orgulho dos torcedores gremistas, o Grêmio montou uma equipe que tem condições de nos levar muito além das fronteiras gaúchas. 

Temos zagueiros que jogam com personalidade e segurança, um meio de campo bem qualificado, que tem esboçado um toque de bola que tende a melhorar a medida que a temporada avance e um ataque que se ajusta a qualificação de nosso goleador. Talvez sintamos falta de um ou outro jogador para compor o elenco, a medida que as fases decisivas se aproximem. Independentemente do que tenhamos de agregar ao grupo, temos consciência dos nossos predicados.

O que vai acontecer com ao Grêmio neste ano e o quanto a equipe atenderá as expectativas que não são apenas dos torcedores —- muitos dos analistas aqui no centro do país, de onde escrevo, têm se entusiasmado com as nossas possibilidades — somente saberemos mais à frente. De verdade, de verdade, o que posso garantir é que, como nos últimos cinco anos, o Campeonato Gaúcho não nos faltará! E isso me faz muito feliz e desejoso de sair por aí a cantarolar:

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

E Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe,

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Êôô!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, 

Mundo Corporativo: Rosângela Angonese vê nas mulheres o antídoto para os líderes tóxicos

Rosângela Angonese. Foto: Priscila Gubiotti

“O líder precisa saber fazer essa escuta e buscar formar um trabalho colaborativo com as pessoas da sua equipe, eu acho que essa é a essência”

Preste atenção como seus colegas chegam ao escritório. Observe o olhar deles e o ânimo que demonstram para iniciar o trabalho. Ouça como se cumprimentam, os comentários que fazem e os diálogos que travam. Aliás, perceba a si mesmo, entenda qual é o seu comportamento no ambiente de trabalho ou meça a sua disposição em sair da cama para iniciar o expediente.  Todos esses aspectos dizem muito sobre como são os líderes da sua empresa, porque é nos colaboradores e profissionais que a forma deles agirem se reflete. Se houver tristeza, olhares sem brilho, baixa autoestima, burburinho de corredor e reclamações na sala do café, tenha certeza, você está diante de uma empresa comandada por líderes tóxicos.

Apostar que os dias desses líderes estão contados é ter muita esperança na sensibilidade dos principais executivos das empresas — aqueles que têm o poder em contratar e demitir. A despeito disso, Rosângela Angonese, especialista em comportamento organizacional, se esforça para demonstrar às empresas o quão deletério é esse modelo de liderança. No programa Mundo Corporativo da CBN, a executiva apresentou algumas das ideias que ela e seu colega Ricardo Neves defendem no livro “O fim da liderança tóxica nas organizações” (Editora Neo21).

Rosângela tem estudado o tema a partir dos movimentos que ocorrem no ambiente organizacional, e quando eu perguntei para ela se já havia sido uma líder tóxica, não titubeou na resposta: sim! E explicou:

“A gente precisa demonstrar as nossas fragilidades e dizer “poxa, eu às vezes ainda sou tóxica assim”, “às vezes ainda eu piso na bola”, “às vezes eu ultrapasso o limite”, mas o o mais legal é quando a gente se dá conta disso, refazer a conversa. Eu acho que isso é uma coisa muito importante”.

Como você leu no primeiro parágrafo, os sinais do tipo de liderança que atua na sua empresa estão expressos no escritório em que você trabalha. O chefe persiste no formato comando e controle e os funcionários absorvem a tese do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Os mais talentosos e corajosos tendem a ir embora e os que ficam carregam no mau humor e desânimo, o que impacta em sua produtividade. Se tudo isso acontece porque esses líderes não mudam suas características ou são mudados pela a empresa? 

“A meu ver, a liderança tóxica, que é aquela que não ouve, também é aquela que não ouve não só as palavras mas não ouve os sinais que estão acontecendo ao seu redor, por exemplo, como que as pessoas estão chegando no trabalho, elas estão trazendo algum problema particular, alguma questão que pode estar interferindo na sua satisfação de estar ali?”.

Os tóxicos não enxergam os sinais nos seus colaboradores nem em si mesmo. Muitos, segundo Rosângela, são incapazes de se perceber dessa forma, de entender que suas emoções estão influenciando na dinâmica e no rendimento da empresa. Apesar disso, a autora acredita que o espaço para esse modelo de liderança está se reduzindo. A começar pela fuga de talentos que tem levado às empresas a abrirem os olhos para a dificuldade em reter esses profissionais mais qualificados. Depois, aqueles que assumem os postos de comando, chegam já entendendo que há um novo comportamento sendo exigido pelas equipes de trabalho. E, finalmente, Rosângela credita às mulheres outro ponto de resistência:

“Um elemento que começa a transformar (o ambiente de trabalho) é a presença de mulheres em postos de liderança. Ela pode vir para o ambiente corporativo liderando, sendo feminina, tendo esse modelo feminino. Eu acho que isso seria um grande ganho para as organizações e para toda essa discussão da transformação do modelo da liderança”.

Aos que tem interesse genuíno de mudar sua forma de agir quando ocupam cargos de chefia, Rosângela sugere que inicie por criar um ambiente colaborativo e entenda que a era do chefe sabe tudo acabou. Ninguém mais consegue ter respostas para todas as questões que surgem ou dominar o conhecimento por completo. Para promover a inovação, as empresas precisam de múltiplos conhecimentos e isto vem de diferentes ideias e pensamentos: 

“O papel do novo líder é cuidar de gente, apoiar as pessoas, mandar menos e ouvir mais, e buscar criar um ambiente de colaboração”.

Para saber mais sobre o livro “O fim das lideranças tóxicas nas empresas” e entender as novas expectativas para as relações de trabalho, assista à entrevista completa com Rosângela Angonese, no Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Rafael Furugen, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Renato Barcellos.

Conte Sua História de São Paulo: suas margens refletem a inteligência e a hipocrisia humana

Francisco Costa

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Em uma manhã de primavera onde a névoa ainda úmida e fria, sobre ti marginal, passeio nesse tapete negro que me leva e me  traz.

Sobre a sua margem direita, observo a inteligência dos homens refletida na arquitetura moderna, nos prédios que nascem rompendo o horizonte

Sobre a sua margem esquerda, em um resquício de natureza, a vida tenta superar ela mesma e reflete a hipocrisia humana, sobre um rio que agoniza e pede socorro.

Oh rio! Quem dera que os homens modernos pudessem olhar para ti com o olhar do criador, aquele que majestosamamente te criou.

Francisco Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Eu passarinho, Mário Quintana e o livro “Escute, expresse e fale!”

De João Scortecci

Texto escrito originalmente em Livros e Autores – histórias do livro e seu entorno

Lendo o livro Escute, expresse e fale! – Domine a comunicação e seja um líder poderoso (Rocco, 2023), dos amigos Mílton Jung e Leny Kyrillos, em coautoria com os comunicadores António Sacavém e Thomas Brieu, no capítulo “No virtual, atenção à palavra propriamente dita” (p. 269), encontrei uma citação do poeta de Alegrete, Rio Grande do Sul, Mário Quintana (1906 – 1994), que não conhecia e que ilustra, com propriedade, o texto da obra.

“A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.”

Em tempos de WhatsApp, a máxima anda fazendo estragos, alguns irreparáveis. Li a mensagem três vezes. Bebi água e aproveitei, fui ao banheiro. Não levei o celular. Tenho evitado fazer isso. Na volta reli, novamente, o imbróglio: longa, estranha e confusa. Na hora, confesso, tive saudade do telefone de fio e do papo olho no olho, quando sentávamos, inteiros, no banco da praça. Liguei de volta, mas a pessoa não atendeu. Escrevi: “Me liga, por favor. Não entendi a mensagem. Perdão!”. Meia hora depois, recebi um “OK” como resposta. No final do dia – tinha até esquecido – quando a dona da mensagem retornou a ligação, com mensagem de texto pelo WhatsApp. “Oi, tudo em paz? Olha, já resolvi, tá, muito obrigada!” E desligou. Rápido assim, sem mercurocromo. Foi aí que fiquei “cabreiro”. Fiquei nas nuvens, sem saber do que, de fato, tratava a sua estranha mensagem.

No livro Escute, expresse e fale!, uma nota sobre o assunto: “Boa parte da troca de informações no cotidiano digital tem duas características que precisam ser examinadas: a primeira, é que o recurso verbal tem sido mais explorado do que o vocal e a segunda é que a comunicação sincrônica (simultânea) perdeu espaço para a comunicação assincrônica.”

Não satisfeito, curioso que sou, até além da conta, até mesmo para validar o que aprendi de novo lendo o livro, liguei de volta – dessa vez pelo telefone fixo – e perguntei, na lata: “Poderia, por favor, me explicar a mensagem que você enviou?”. “Qual mensagem?”. “A mensagem de hoje cedo, pelo WhatsApp”. A moça – não a conheço pessoalmente –, da cidade gaúcha de Porto Alegre, autora de um livro de poesias publicado pela Scortecci Editora, respondeu: “Foi engano. Não era para você! Era para um amigo que trabalha com conserto de panelas de pressão!”. Depois desligou. Foi aí que reli a mensagem, fixando-me na parte em que ela dizia assim: “a danada não está pegando pressão, o que faço?”

A comunicação escrita depende exclusivamente do valor da palavra; não há ênfase, entonação ou gestos para se fazer entender. É o preto no branco! Guardei a mensagem – depois apago, talvez – e procurei por Quintana, na estante, no “Eu passarinho”, ali na janela do dia, quase sol, cantando possivelmente um voo, de distâncias e horizontes. Gosto dos amigos que – pacientemente – explicam-me tudo, até com o silêncio, ou um olhar, com brevidade e sincronia poética.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: jingle bom é como chiclete e não esconde a marca

Imagem do comercial da Casas Pernambucana (reprodução Youtube)

“Se nós somos assim (musicais), seria muito difícil as marcas e sua comunicação não se encontrarem com música também”

Jaime Troiano

O Brasil sempre foi um país musical por excelência. A mistura de nossas heranças portuguesas, africanas e indígenas criou um sincretismo religioso, alimentar e comportamental muito especial, único no mundo. Uma riqueza que se revela na música que nos acompanha desde o início. Com todo esse histórico seria de se estranhar se as marcas não bebessem também dessa fonte. O resultado é que cada brasileiro tem em mente ao menos um jingle inesquecível.  

“Nossa cultura musical é muito forte e as marcas sabem se servir disso”

Cecília Russo

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo além de cantarolarem alguns desses refrões e mexer com nossa memória afetiva, também comentaram sobre os cuidados que as marcas devem ter ao explorar esse recurso:

“Quantas vezes a gente fala “eu vi um comercial lindo”,  mas não lembra  a marca “. 

Jaime Troiano

O talento está em fazer um jingle que conquiste o consumidor sem esconder a marca. Uma tarefa que não é fácil e apenas alguns artistas sabem fazer bem feito. Caso de Heitor Carillo criador de “Não adianta bater”, música do início dos anos de 1960, que anunciava as ofertas das Casas Pernambucanas:  

“Quem bate?
É o friiiio….
Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. Nas Casas Pernambucanas, é que eu vou aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores, eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas, nem vou sentir o inverno passar.” 

O nosso maestro Paschoal Junior resgatou esse e outros jingles que ficaram famosos ao longo do tempo e foram lembrados por Jaime e Cecília no bate-papo matinal de sábado, no Jornal da CBN. Você pode ouvi-los no arquivo de áudio publicado a seguir. Antes, fica a recomendação dos nossos comentaristas:

“Jingle é como chiclete, gruda mesmo. Se você, empreendedor ou  que tem um pequeno ou médio negócio, se puder use esse recurso para sua marca”

Jaime Troiano

Avalanche Tricolor: com dentadura em campo, Grêmio empata e decide o Hexa na Arena

Caxias 1×1 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul RS

Tinha torcedor no alto do prédio vizinho ao estádio. Cheiro estranho de churrasquinho na porta. Alambrado no entorno do gramado. E se tinha alambrado, claro, tinha gente gente pendurada nele, se não para que serviria o alambrado. Tinha até dentadura arremessada para dentro do campo — só não ficou ainda muito claro se propositalmente ou por descuido na emoção do grito de gol. Mais do que a ‘chapa’ – nome próprio da dentadura para os gaúchos —, que aterrissou próximo da linha lateral depois de se chocar com o braço do repórter, havia buracos no meio do caminho por onde o futebol deveria passar, o que sempre faz a bola desviar ou ajuda a prender o jogo. Foi nesse cenário que o Grêmio deu início a mais uma final que pode lhe garantir o sexto título Gaúcho consecutivo. 

Jogando no Centenário e diante do time da casa que está invicto desde a segunda rodada da competição — perdeu na estreia para o Grêmio —, encontramos todas as dificuldades que se pode querer em um campeonato estadual. A começar pelo próprio adversário, bem treinado, disciplinado e consciente de seu potencial, que cresce frente a sua torcida e não tem medo de cara feia como comprovou ao despachar o Inter na semifinal.

Sem contar que fomos a campo, pela segunda partida seguida, com um time meia boca. Titulares lesionados e com elenco sem muitas escolhas, recorremos até a jogador que estava praticamente descartado, caso de Lucas Silva, que, registre-se, esteve longe de comprometer e quase marcou o seu de fora da área. Claramente, porém, o entrosamento é diferente.

Tomamos o gol muito cedo, aos 8 minutos, após tropeço na bola e descuido do setor defensivo, o que faria tudo ficar ainda mais difícil. Por curioso, foi quando passamos a jogar melhor, colocando a bola no chão, trocando passes e pressionando a defesa adversária. Algumas tentativas de ataque e uma sequência de escanteios foram premiadas com o gol de Vina, nos acréscimos. O empate que levamos para o intervalo permaneceu até o fim da partida, mesmo tendo jogado a maior parte do segundo tempo com um jogador a mais. O time da casa teve uma expulsão, justa expulsão, aos oito minutos do segundo tempo.

Se sobrou paciência em alguns momentos para fazer a bola rodar de lá para cá, faltou repertório e sintonia nos movimentos, especialmente no tempo complementar quando tivemos de encarar uma forte e bem ajeitada retranca. Suárez bem que se esforçou, saiu da área, deu passes preciosos, chutou a gol mas não conseguiu marcar o seu. Bitello e Cristaldo também apareceram com frequência dentro da área, sem sucesso. 

Ao fim e ao cabo, levamos a decisão para a Arena, onde temos 100% de aproveitamento nesta temporada, com arquibancada cheia, sem alambrado e, espero, nenhuma dentadura solta no gramado — a não ser a de Luis Suárez.

O Grêmio está um jogo do Hexa! 

Mundo Corporativo: Reynaldo Naves, da Olivia, sugere narrativas disruptivas para que pessoas e empresas mudem

Reynaldo Naves no estúdio do Mundo Corporativo da CBN, em foto de Priscila Gubiotti

Falar de como a tecnologia impacta a sua vida é “chover no molhado” — perdão por usar uma expressão de uma época em que as mudanças ocorriam de forma bem mais lenta do que atualmente. Todos sabemos como nosso cotidiano, nossas relações, nosso trabalho e nossas empresas estão passando por uma enorme migração diante da transformação digital. A despeito disso, se a ideia é acompanhar esses processos toda e qualquer organização tem de focar suas ações no desenvolvimento das pessoas. Quem fez esse alerta foi Reynaldo Naves, sócio e gestor da Olivia, no Brasil, consultoria internacional especializada em transformação organizacional.

“É preciso fazer o que chamamos de ‘twin transformation’ que é fazer a transformação digital, fazer a transformação focada em sustentabilidade a partir das pessoas, porque no dia a dia, para as coisas acontecerem, é que a cultura aparece. Então, se você não tiver uma orquestração da tua visão, dos teus serviços e da tua arquitetura a cultura que se instala  pode estar desbalanceada”. 

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Reynaldo explicou que o risco de a estratégia e a cultura estarem desconectadas  é o de as pessoas não verem sentido nas mudanças e quando isso ocorre os colaboradores tendem a produzir menos e os talentos vão embora.

“Esse é o grande paradigma. A gente tem que perceber que a estratégia — esse como e onde a gente chega — não pode estar desconectada de comportamentos coerentes, consistentes e congruentes com isso”.

A proposta da Olivia, de acordo com Reynaldo, é buscar formas disruptivas nos projetos de transformação organizacional a partir da criação de narrativas inspiradoras, simples e objetivas. Para ele, a complexidade do mundo já é grande demais diante de tantas ferramentas e soluções que surgem a cada instante — ciência de dados, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo. É preciso identificar o que realmente é importante para a organização, sem a tentação de querer repetir fórmulas criadas para outras realidades. Na conversa que tivemos antes do programa se iniciar, Reynaldo havia comentado que uma das coisas que mais o incomoda é quando o gestor o procura e anuncia: “quero implantar a cultura do Google na minha empresa”.  Vai dar errado, diz ele! Você não é o Google!

“Cultura não se copia. E a outra coisa é que quando você tem essa narrativa a forma como você faz as pessoas vivenciarem essa mudança ela tem que ser vivencial, ela tem que ser inesquecível” 

Repetindo o ensinamento de um dos maiores especialistas em cultura organizacional, o americano Roger Connor — “change the culture, change the game”-, Reynaldo defende que as experiências implantadas nas empresas têm de ser disruptivas porque assim consegue-se mudar as crenças que mudam os comportamento que fazem com que você haja de forma diferente alcançando resultados diferentes: 

“Essa é a grande sacada do processo que é a partir das pessoas alavancar a tua estratégia e não top-down”.

Sim, é de baixo para cima, mas o líder é fundamental para que as mudanças aconteçam. Apesar de o processo ser bem estruturado para que as pessoas atuem na transformação, Reynaldo lembra que é “na última milha” que o sucesso se realiza. Um espaço que sequer tem um script, porque é o espaço do exemplo: 

“O sucesso de uma transformação é, quando um líder tem um plano na mão, o como ele faz isso, o como ele engaja ou o como ele escuta ou o como ele coloca no ar a contribuição dos outros”.

Quando tratamos de transformação organizacional não falamos apenas das grandes corporações. As mudanças se fazem necessárias em empresas de todos os tamanhos. Por isso, pedi para Reynaldo deixar sugestões a pequenos e médios empresários interessados em sobreviver ao atropelo causado pelas novas tecnologias e as mudanças de comportamento:

  1. A sua empresa é o seu exemplo: esteja conectado no comportamento que atrai clientes para crescer; crie um código de conduta; e mantenha a coerência entre o que diz que faz e o que realmente faz;
  2. Invista em tecnologia: existem soluções para pequenos negócios; invista em tecnologia de gestão da empresa para ter os dados
  3. Saiba se o cliente está satisfeito: ao fazer isso, não tome decisão sozinho, converse com o pessoal que está na linha de frente, veja se eles entendem o cliente, quais problemas que eles tem com os clientes e, a partir disso, faça as mudanças necessárias.

Para entender mais sobre como fazer as transformações no seu negócio para estar adaptado às demandas atuais, assista à entrevista completa com Reynaldo Naves, da Olivia:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: Ibirapuera, o parque que me reconcilia com a humanidade

Claudia Signorini

Ouvinte da CBN

Parque do Ibirapuera, foto de Renata Carvalho/Helicoptero da CBN

Há quase quarenta anos moro num prédio a poucos quilômetros do parque do Ibirapuera.

Para mim, que deixei uma casa com quintal e jardim, frequentar esse parque foi como encontrar o éden.

Costumo fazer minhas caminhadas em volta do lago duas ou três vezes por semana. Acompanho extasiada a mudança das estações: a época dos ipês, roxos, amarelos e brancos, esses últimos de breve duração; a época das sibipirunas, das tipuanas, das primaveras, dos pessegueiros em flor, numa florescência luxuriante.

E o que dizer dos pássaros e aves que povoam esse parque: sabiás, bem-te-vis, sanhaços, joões-de-barro, patos, mergulhões, cisnes, até os utilíssimos urubus nas suas vestes negras e andar pendular. E a pérola das pérolas, a garça cinza, imponente, elegante, nem sempre visível, infelizmente.

O parque também é um lugar de encontro.

Sempre paro para conversar com os frequentadores que levam seus cães para passear, como eu fazia com minhas duas vira-latas cujas cinzas deixei neste mesmo parque no local em que as soltava para correr.

Costumo cumprimentar os funcionários que trabalham no parque, os seres invisíveis como eu os chamo. Paro para tomar água de coco na barraca do Duda. Chamo a atenção dos skatistas que invadem a pista dos pedestres.

Bato palmas para os que jogam o lixo nos recipientes adequados. Sento num dos bancos do parque para observar todos os sons, as cores, os perfumes que esse maravilhoso parque me oferece.

No fim de minhas caminhadas eu me sinto em plena comunhão com a natureza e de certa forma reconciliada com a humanidade.

Claudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

A memória do amanhã

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

A nossa memória em foto de Miray Bostancu0131 on Pexels.com

“Seu futuro ainda não está escrito, o de ninguém está.

 Seu futuro será o que você quiser, então faça dele algo bom”

Frase do filme “De volta para o futuro”

No filme “De volta para o futuro”, Marty McFly (Michael J. Fox) é um jovem que aciona acidentalmente uma máquina do tempo, construída pelo cientista Dr. Emmett Brow, sendo transportado para o passado. No fim da trama, Marty volta para o ano de 1985 e tenta salvar o Dr. Brown, mas chega tarde demais para impedir que ele fosse baleado. Surpreendentemente, o cientista acorda e revela que ao tomar conhecimento da carta que o alertava sobre seu assassinato, se muniu previamente de um colete à prova de balas.

Longe da ficção e sem a possibilidade de alterarmos alguns desfechos em nossa vida, precisamos lembrar de pegar o guarda-chuva porque a previsão alertou que mais tarde o tempo muda. Precisamos lembrar que às 8:00 o remédio precisa ser tomado, que dia 10 vence o boleto da mensalidade da escola, que acabou o ovo e precisamos passar no mercado antes do jantar. E o livro que você pegou na biblioteca? Era para ser entregue ontem!

Pois é! Essa máquina do tempo que nós humanos temos, chamada memória, nos permite recordar eventos passados, mas também nos possibilita criar intenções voltadas para o futuro, nos orientando naquilo que ainda vai acontecer.

A memória prospectiva compreende um conjunto de habilidades cognitivas envolvidas na capacidade de planejar uma intenção e se recordar dessa intenção, em algum ponto do futuro, em momento ou contexto específico, possibilitando que as ações sejam realizadas.

Em outras palavras, significa “manter em mente” o que precisa ser feito e se lembrar disso no momento certo!

A memória prospectiva é um dos sistemas mais utilizados no cotidiano e envolve tarefas como se lembrar de um compromisso, como uma reunião de trabalho ou consulta médica, transmitir um recado, organizar os detalhes de uma viagem que vai acontecer e pagar as contas no dia do vencimento.

Diversas estratégias podem ser usadas para amenizar possíveis falhas na memória prospectiva, como recorrer a agendas, alarmes, realização de lista de tarefas e lembretes.

Apesar de tantos avanços tecnológicos e científicos, nossa capacidade de viajar pelo tempo só é possível – ainda – através dos nossos recursos mentais. Nossa mente tem essa capacidade incrível de retomar situações passadas e antecipar o futuro, através da imaginação.

Não sei você, mas eu fico pensando: se tivesse um jeito da gente olhar o futuro, saber o que nos aconteceria, será que a gente seria mais feliz? Será que a gente conduziria a vida de uma outra maneira?

Não temos spoiler. Não temos um bilhete nos alertando dos riscos, como no filme, o que nem sempre nos permite um colete à prova de balas, à prova de tristezas, decepções ou sofrimento. Mas temos a capacidade de olhar para o nosso momento presente e construir uma ponte com o nosso futuro, com sonhos e esperança.

Ainda é possível: A máquina do tempo pode travar, mas ela acaba ligando novamente! Não foi assim com o Marty McFly?

Então, faça as suas anotações, escreva um bilhete para você. Mas não coloque ali apenas a reunião ou a conta que você não pode esquecer. Das obrigações a gente até se lembra com mais facilidade.

Escreva aquilo que pode fazer a sua viagem para o futuro valer a pena. Aquilo que todos os dias você precisará se recordar, porque lhe é valioso. A sua memória do amanhã.

Dr. Brown estava certo: “seu futuro ainda não está escrito, o de ninguém está”. Então faça dele algo bom!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Avalanche Tricolor: Adriel “Lara” é Gigante!

Grêmio 2 (5)x(4) 1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Adriel defendeu dois pênaltis. Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há exatos cinco anos, assistimos a uma das mais incríveis e decisivas defesas protagonizadas por um goleiro. Foi em Guayaquil, contra o Barcelona equatoriano, em uma semifinal de Libertadores da América. Não fosse a intervenção antológica de Marcelo Grohe teríamos colocado em risco a classificação. Estava dois a zero para nós quando o goleiro — que se sagraria campeão da Libertadores naquele 2017 — impediu, aos três minutos do segundo tempo, o gol de Ariel que traria o adversário para o jogo novamente.

Por coincidências do calendário, neste 25 de março, coube a um outro goleiro gremista ser protagonista da partida que nos manteve na disputa do hexacampeonato gaúcho. Adriel, com apenas 22 anos e do alto de seu 1,95 metro, fez um jogo seguro, a despeito do adversário ter exigido pouco dele. Sempre que precisou, porém, estava na posição correta e ainda ajudou o time a chegar mais rapidamente ao ataque com reposições preciosas. No gol que sofreu no início do segundo tempo, Adriel foi vítima de uma bola que maliciosamente desviou na coxa de um dos zagueiros gremistas. Tinha pouco a fazer naquela circunstância, além de lamentar a falta de sorte. 

O Grêmio encontrou forças para virar a partida impondo-se com qualidade e força frente a um adversário que já demonstrava desgaste na marcação e dificuldade para manter a bola em seu domínio. O gol de empate veio dos pés de Bitello que lançou a bola para dentro da área e encontrou Thaciano. Nosso polivalente jogador já atuo na lateral direita e na ponta direita. Saiu como titular na tarde deste sábado ocupando a posição de volante. E no segundo tempo foi colocado a jogar mais à frente. E foi lá na frente que de cabeça recebeu o lançamento e concluiu de cabeça, devolvendo ao torcedor a esperança da classificação à final (por favor, não deixem Thaciano ir embora).

O gol da virada veio depois de uma série de tentativas frustradas. E ninguém mais frustrado do que Luís Suárez que na partida anterior desperdiçou um pênalti e não conseguiu concluir a gol as várias oportunidades criadas nesse sábado. Coube a Bruno Alves, que havia falhado no gol adversário, completar de cabeça às redes e levar a decisão para os pênaltis.

Foi, então, que Adriel se impôs. Imenso embaixo das traves amedrontou o primeiro marcador e o induziu ao erro — a cobrança foi parar no pé do poste esquerdo do nosso goleiro. Tentou desestabilizar os demais batedores, mas teve dificuldade de encontrar o canto certo da cobrança. Nas duas vezes em que acertou o lado em que a bola vinha, não permitiu que ela alcançasse as redes. 

Adriel foi imenso embaixo dos paus e sua habilidade garantiu a presença na sexta final consecutiva do Campeonato Gaúcho. Confesso, estava com saudades de goleiros pegadores de pênaltis — tais como Marcelo Grohe que segue fazendo das suas no futebol saudita. Não que essa seja obrigação deles. Antes das cobranças decisivas é necessário que demonstrem segurança nos 90 minutos de partida. Nosso goleiro que até pouco tempo sequer completava o banco de reservas e, recentemente, assumiu a posição de titular, tem oferecido ao torcedor a devida tranquilidade. Sai bem do gol, está bem posicionado, sabe jogar com os pés e distribui a bola com tranquilidade Porém, a diferença entre os goleiros e os grandes goleiros se expressa nos momentos mais decisivos. Adriel foi apresentado pela primeira vez a um desses momentos desde que assumiu a posição no time principal. E dele saiu como herói da classificação. 

Esse baiano, nascido em Ilhéus, que começou jogando no Sparta do Tocantins — clube que por coincidência tem as cores azul, preto e branco — e surgiu na base gremista deve saber —- como todos nós torcedores sabemos — que somos o único time do mundo que tem o nome de um goleiro no hino: Eurico Lara.

Um time que faz homenagem a um goleiro no seu hino precisa ter um grande goleiro no seu time. Adriel “Lara” é Gigante!