Grêmio 2×1 Vasco
Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Empurrado pelo torcedor e motivado pelo treinador, o Grêmio venceu um dos adversários diretos pela classificação à Série A. Saiu atrás, com um gol tomado logo nos primeiros minutos, não esmoreceu e virou o placar ainda no primeiro tempo. Bitello fez um gol de “chiripá”, nome de uma indumentária que os gaúchos vestiam antigamente que serviu para batizar esses chutes que saem meio enviesado mas chegam ao seu destino. O outro, de Thaciano, aos moldes “carretão”, aquela máquina movida por tração animal capaz de moer o que havia no caminho.
Jogou melhor que o adversário e brigou de igual para igual — o verbo é mais apropriado para o que os dois times apresentaram na disputa pela bola na etapa final.
Enquanto jogou futebol, o fez com intensidade e velocidade, haja vista o gol da virada: se iniciou com o corte da defesa, a bola foi para Thaciano que encontrou Biel disparando na frente, em uma desabalada correria; o mesmo Thaciano chegou livre na cara do gol, recebeu e marcou. Contra-ataque de carteirinha.
Quando o futebol não se expressava mais, demonstrou dedicação, esforço e entrega. Teve carrinho com direito a vibração de zagueiro, catimba para conter o desespero do adversário, um goleiro que fez ao menos duas grandes defesas e um ferrolho com três e até quatro volantes de marcação para impedir a pressão no fim da partida.
Seis pontos à frente do quinto colocado e com 92% de chances de se classificar, faltam agora nove partidas para o fim do campeonato, quatro delas em casa quando teremos o torcedor no cangote para fazer o time resistir ao adversário, e ao futebol precário. Será preciso marcar pontos fora de casa, também, para não corrermos riscos.
A maior motivação está na promessa do treinador de que a meta é subir e o bom futebol a gente vê depois —- suficiente para engajar uma torcida desacreditada no potencial do clube, desde a tragédia do ano passado. Curiosamente, nada diferente do que tínhamos até aqui — até os velhos desafetos do torcedor estiveram todos em campo na tarde deste domingo —, mas o futebol é assim mesmo: a narrativa vale mais do que os fatos. E enquanto a narrativa for vitoriosa, prevalecerá. Que siga sendo ao menos até que a gente se livre dessa maldição. Estamos na contagem regressiva.







