Avalanche Tricolor: pra cumprir tabela

La Equidad 0x0 Grêmio

Sul-Americana – Estádio Bellavista, Equador

Foto: Divulgação / Conmebol / Twitter

Classificado por antecedência e com merecimento, o Grêmio foi para a última partida desta fase de grupos da Sul-Americana com poucas pretensões. Fez o suficiente com o pouco que tinha de jogadores —- apenas 15 viajaram para o Equador e um deles, Pedro Lucas, ainda se sentiu mal antes do jogo. Nenhum dos garotos tinha mais de 21 anos e para a maioria era a primeira chance entre os profissionais. Todo o restante do grupo permaneceu em Porto Alegre treinando para o início do Brasileiro.

Diante da altitude, o Grêmio precisava poupar o fôlego de todos que estavam em campo, sob risco de não ter quem os substituíssem. Ainda sofreu revés logo no início com a lesão de Elias, após uma das muitas entradas violentas da marcação adversária. E desperdiçou um pênalti no segundo tempo em cobrança ruim de Guilherme Azevedo.

Foi o suficiente, mesmo que tenha tido a vantagem de dois jogadores a mais, após as expulsões assinaladas pelo árbitro para coibir a violência do adversário. O importante era  manter a invencibilidade e garantir a melhorar campanha na competição —- muito mais para pela preservação do bom astral dessas últimas semanas do que propriamente pelo destino na Sul-Americana. O que tinha de ser feito já havia sido feito. E fomos ao Equador apenas cumprir tabela. Cumprimos.

Agora é esperar a estreia no Campeonato Brasileiro.

Rádio não é só uma mídia, é o jeito de comunicar

Imagem de 6568315 por Pixabay

“Não há espaço melhor para a construção de relacionamento de um com os outros do que no território da voz”

Transparência é fundamental nessa nossa conversa, caro e cada vez mais raro leitor deste blog. Por isso, saiba que vou falar do que assisti há uma semana no canal Dez Por Cento Mais, no Youtube, que é produzido e apresentado pela minha mulher, Abigail Costa, e pela minha colaboradora de blog, doutora Simone Domingues. Na busca de explicações sobre o comportamento do cidadão diante da pandemia, elas convidaram o antropólogo Michel Alcoforado, de quem sou admirador. Ou seja, minha fala aqui deve ser considerada totalmente parcial nos elogios e afagos.

Pouco me importa, também. Até porque tenho convicção de que se você tirar uma hora da sua semana para assistir ao que as duas levam ao ar, ao vivo, toda quarta-feira, às oito da noite, vai ficar admirado e muito bem informado. O canal é dedicado ao comportamento humano e à saúde mental. 

Na discussão sobre como estamos agindo na pandemia e como agiremos depois dela, provoquei Michel Alcoforado a falar sobre o consumo de informação no rádio. Ouvi muito mais do que poderia desejar.

“A medida que estamos mais dentro de casa, a voz  que acompanha a gente, a voz do rádio, ajuda a gente a construir contexto. O que é muito importante para esse mundo descontextualizado.”

Michel trouxe a própria experiência com o rádio, com o qual acorda todas as manhãs e o acessa através da assistente de voz, que o acompanha pelos cantos da casa. Como boa parte de nós, mais dentro de casa do que fora, por força da pandemia, os dias tendem a ser todos iguais. Mas nosso antropólogo lembra que ao ouvir o Sérgio Abranches, às oito da manhã, sabe que é terça; o Cortella, às sete, é quarta; e o Hora de Expediente, o faz perceber que já são nove da manhã.

É um hábito que começou no século passado, lembra Michel. O rádio marcava a passagem do tempo da avó dele —- das nossas avós e de nossos pais, também. Ela sabia que quando um programa terminava, estava na hora de servir o almoço;  quando se iniciava outro, era a vez do jantar; e havia um que ela não gostava muito, que alertava para o fato de que era tempo de ir para cama.

“A gente tem o rádio de novo marcando essa posição. O rádio sobretudo ganha uma dimensão muito importante, porque a gente já vinha falando tempos atrás sobre a dimensão que a voz tem. E cada vez mais os aplicativos e gadgets das nossas casas vão ser orientados pela onipresença da voz”

Das coisas boas que ouvi Michel Alcoforado dizer foi que o rádio não é só uma mídia, é o jeito de comunicar. Mesmo que esteja sendo reproduzido também no Youtube ou no Globoplay —- como é o caso do Jornal da CBN —-, por mais que seja imagem, não é um programa de TV. É o rádio com sua lógica de construção de comunicação em um outro formato de mídia.

“O áudio como aconchego tem crescido pra caramba. O que acontece é que a tela só lida com um sentido nosso, com a visão, não nos dá um despertar de sentidos. Não consegue. Não é a toa que o filme precisa de um sonoplasta. O audio trabalha com pedaços do nosso campo cognitivo que a tela não é capaz de alcançar”. 

Por vantagens que tenha, o rádio também encara os desafios das demais mídias que é o da pulverização de meios e mensagens —- já conversei várias vezes com você neste blog sobre o volume de informações que somos submetidos todos os dias e o quanto isso reduz nossa capacidade de assimilar o conteúdo, e de apurar nossa sensibilidade para as fontes mais confiáveis. Michel Alcoforado trata do tema a partir da definição de um antropólogo americano Gregory Bateson que diz que informação é todo o dado que gera diferença. Isso significa que talvez estejamos produzido muito dado e pouca informação. Ou notícia.

“Se você não está gerando diferença, você não está informando”.

Como ser diferente no radiojornalismo se toda notícia parece igual? Você entra no portal G1, depois pula para o UOL e navega em qualquer outro site de notícia disponível na sua tela deparando-se com conteúdo muito semelhante. Michel Alcoforado dá a dica —- que você pode ouvir na íntegra e com as devidas referências que a modéstia me impede de reproduzir, no vídeo publicado neste post. Ele fala algo que me move há muitos anos no rádio e que se perdeu no tempo pela forma padronizada como se relata os fatos ocorridos. Ao contrário da matemática, na subjetividade das emoções um mais um não é dois. Portanto, não basta seguir a fórmula correta, aprendida no livro da faculdade, de preencher as lacunas para atender a técnica do lead ou da hierarquia dos dados. Nem o português mais castiço salva essa equação – ao contrário, tende a causar estranheza. 

Michel lembra, por exemplo, a importância que a informação de trânsito tem na programação de rádio, a ponto de as emissoras —- cada vez em menor número —- investirem na cobertura a partir do helicóptero. A observação do tráfego em uma avenida pelo repórter aéreo por si só pode não fazer diferença; mesmo porque o ouvinte que está na região talvez até já saiba mais através do mapa digital que o guia no painel do carro.  Por outro lado, conforme a leitura que o repórter faz, provoca-se empatia, o ouvinte se identifica com a história, enxerga-se como personagem. E protagonista que se vê, experimenta aquele momento conduzido pela voz do jornalista.

Entretenimento é a palavra que Michel Alcoforado usa para definir a forma como devemos conversar com o ouvinte. É preciso saber entreter sua audiência:

“É muito mais do que saber que a Marginal está parada. Eu já sei que Marginal está parada. O que me interessa é como você me conta que a Marginal está parada. É isso que gera diferença”.

Como fazer diferente o mesmo todos os dias é outro dos desafios que precisamos encarar no comando de um programa ou no relato das notícias no rádio. Explorando a imaginação do ouvinte, diz Michel:

“A gente enquanto humano precisa explorar cada vez mais os nossos sentidos … O áudio permite que a gente exercite um ponto fundamental da nossa existência que é a imaginação. E aí você pode usar todos os sinônimos desse negócio que chamo de imaginação: fantasia; o desejo pode ser também uma forma desse lado da imaginação. Mas não há como a gente ser humano sem a capacidade de imaginar. E só nós humanos temos capacidade de imaginar. O áudio abre essa chance para a gente imaginar”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais com a entrevista completa de Michel Alcoforado.

Nossos heróis de cada dia

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

A minha primeira ida ao cinema aconteceu no final da década de 70, para assistir a Superman: o filme, com Christopher Reeve no papel de Clark Kent, retrata um repórter que, ao deparar com uma situação que coloca em risco a vida de sua colega de trabalho, Lois Lane ( Margot Kidder), revela seus super poderes. Ao longo do enredo, torna-se responsável por desviar um ataque de míssil, minimizar os efeitos de uma explosão nuclear e, ainda, alterar a passagem do tempo para salvar sua amada.

Nos dias que se seguiram, era muito comum que eu e meus irmãos colocássemos toalhas de banho amarradas no pescoço, nossas capas, para exibirmos nossos superpoderes, que incluíam pular de um sofá para o outro.

Na atualidade, outros heróis fazem mais sucessos, especialmente aqueles criados pela Marvel, mas os ideais continuam os mesmos: combater os inimigos e criminosos, numa luta incansável para que o bem vença o mal.

Apesar de parecer uma criação da nossa sociedade moderna, heróis com superpoderes são descritos em diferentes culturas e desde tempos remotos, como aqueles retratados em histórias mitológicas da Grécia Antiga.

Na mitologia grega, os heróis eram personagens que estavam numa posição intermediária entre os homens e os deuses. Possuíam poderes especiais, superiores aos dos humanos, como inteligência e força, que os tornavam capazes de vencer inimigos ou atuar em missões impossíveis; por outro lado, como não eram deuses, apresentavam algumas fragilidades psicológicas ou corporais, semelhantes aos seres humanos.

Hércules, por exemplo, era conhecido por sua força física. Foi capaz de vencer doze tarefas difíceis que lhe foram propostas, mostrando-se poderoso contra seus inimigos. Matou diversos monstros, ganhou todas as categorias dos jogos olímpicos e venceu a própria morte.

Seja através da mitologia grega ou dos personagens da Marvel, as aventuras e fantasias criadas pelas ações dos super-heróis, de certo modo, resgatam um ideal coletivo: a esperança de que a justiça prevaleça e que o bem se perpetue.

Especialmente em momentos nos quais sobram desafios a serem superados, e na ausência de medidas eficazes que possam resgatar direitos básicos, como segurança, comida e vacina, o faz de conta parece invadir nossa imaginação.

Aguardamos pelo momento no qual um grande feito seja realizado e atinja a todos de maneira equitativa. Aguardamos pelo momento no qual atrocidades e injustiças não aconteçam mais.

Possivelmente, essa expectativa se desenvolve como um modo de proteção diante de noticias e realidades tão difíceis de serem assimiladas. Buscamos na fantasia um universo paralelo, capaz de resgatar a esperança,  apesar das durezas da vida.

 Talvez a nossa imaginação ou ideias prévias nos permitam pensar nos heróis como aqueles que são capazes de vencer monstros e ataques, exterminam inimigos e realizam feitos impossíveis a nós, seres humanos.

No entanto, provavelmente, um olhar mais cuidadoso nos revele a existência de pessoas que, apesar de não terem poderes especiais, realizam diariamente ações que modificam a vida alheia. Não apresentam forças sobrenaturais ou coragem extrema, mas agem na vida cotidiana atendendo aos interesses coletivos.

Imagino que você, assim como eu, consiga se recordar de algumas dessas pessoas, frequentemente anônimas, que nos ensinam que o verdadeiro heroísmo não é um dom ou algo além dos limites humanos. Pelo contrário. São pessoas comuns, talvez raras, mas comuns; nas quais poderíamos nos inspirar e descobrir que não são as capas ou os símbolos que as diferenciam.  Não é coragem excessiva. É determinação em fazer o que deve ser feito.

Duelam bravamente todos os dias e, muitas vezes, enfrentam lutas internas que quase as fazem fraquejar, porém, se levantam, não se intimidam com os obstáculos.

E, semelhantes ao heróis dos quadrinhos ou do cinema, passam por nós disfarçados de médicos, bombeiros, professores, vizinhos, amigos, desconhecidos. Heróis de uma vida real que reasseguram a esperança de que os vilões ainda serão derrotados e que poderemos viver seguros e felizes nesse nosso planeta.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: o Tetra é nosso, os guris do Grêmio!

Grêmio 1×1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Ferreirinha comemora o gol do título em foto de Lucas Uebel/Grêmio GBPA

Havia um guri no gol, de sorriso largo e braços ainda maiores, que conhece o Gre-Nal como a palma de sua luva —- Brenno fez sua estreia no Grêmio em um clássico, e até hoje não perdeu nenhum. Havia um guri na zaga em lugar de Kannemann: Ruan, que segue a passos largos o futebol maduro de seu companheiro de área, Geromel. Outro guri ocupou a lateral para substituir Rafinha, expulso ainda no primeiro tempo. E Vanderson cumpriu sua função com a seriedade de um veterano e a velocidade de guri que é.

No meio de campo, havia um guri, Matheus Henrique, que sustentado por um craque, Maicon, e um leão de volante, Thiago Santos, pode soltar seu talento com a bola no pé, distribuir o jogo e aparecer dentro da área para impor perigo ao adversário. Foi ele quem soube escapar da marcação na intermediária gremista, deixar seu adversário estatelado no chão e avançar à fronteira inimiga no início da jogada  do gol do título, ainda no primeiro tempo da partida.

No ataque não faltavam guris. Havia Léo Pereira, desde o início, e Ricardinho e Pepê (sim, não esqueça que o nosso atacante que ruma agora à Europa tem apenas 24 anos), que entraram no segundo tempo para dar desespero nos marcadores. 

Havia o maior de todos os guris: o gigante de 1,71 metro de altura, Aldemir dos Santos Ferreira, o Ferreirinha. Com 23 anos, nosso ponta esquerda encanta o torcedor e enlouquece o sofredor.

Foi ele quem recebeu a bola final daquela jogada iniciada por Matheus e distribuída por Diego Souza —- o goleador que aos 35 anos bota a bola na rede e dança como se fosse um menino. Foram dele, Ferreirinha, os dribles que o deixaram na cara da goleira, as gingas que desnortearam seus marcadores, a bola roubada na defesa e a vibração pelo desarme para a lateral, que tiraram o adversário do sério.

Já disse e repito, Ferreirinha é o futebol jogado com prazer:

“Raro atacante que dribla sem vergonha. Que irrita o marcador com seu talento. Que joga pra frente, em direção ao gol. E invariavelmente consegue chegar ao seu destino”. 

Havia guri no gol, na defesa, no meio de campo e no ataque. Havia guri se desdobrando para salvar nossos vacilos, endiabrando o zagueiro, desarmando o atacante e dominando o jogo com talento e muita garra. Havia Brenno, Vanderson, Ruan, Matheus Henrique, Léo Pereira, Ricardinho, Pepê e Ferreirinha. 

E em cada um desses guris, havia um pouco de mim. Do meu prazer de ser gremista. Das lágrimas que derramei no vestiário do Olímpico no passado. Do choro de alegria naquela vitória de 1977. Da felicidade de uma conquista comemorada. Do quadragésimo título estadual, do tetra Gaúcho, de sete anos sem perder um clássico em casa e de um domínio que —- guris que hoje vestem a camisa do Grêmio não têm ideia — eu nunca havia assistido na época em que eu era realmente um guri lá no Sul.

Obrigado, Grêmio e sua gurizada por me darem a alegria de comemorar mais um título ao lado dos meus guris, aqui em São Paulo.

Sua Marca: marcas brasileiras precisam mais de São João do que de Halloween

“Temos de ser mais São João do que Halloween”

Jaime Troiano

Como brasileiros gostamos bastante de festas juninas —- sim, estamos às vésperas do início dos festejos —, uma atividade genuinamente nacional. Esse mesmo sentimento, porém, nem sempre se reflete na nossa relação com as marcas. O que está por trás desse olhar estranho às nossas marcas?  O malinchismo pode ser uma resposta, disse Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. 

La Malinche é como Malinalli Tenépatl, de origem nahuátl, passou para a história. Ela é apresentada como amante de Hernán Cortés e o teria ajudado, como tradutora, na Conquista da América pelos espanhóis. Virou substantivo. Significa algo como aquele que valoriza o estrangeiro em detrimento de sua cultura. Para Jaime, o malinchismo em relação às marcas é um traço latino-americano, não apenas brasileiro: 

“Valorizamos marcas estrangeiras, palavras estrangeiras …” 

Cecília Russo destaca que esse comportamento não parte apenas do consumidor. É das próprios gestores das marcas. Para ela, muitas vezes falta o sentido de orgulho, de bater no peito e se afirmar como merecedora de prestígio:

“Tem muita marca que parece que já entra no jogo combalida, perdendo antes do apito de início do jogo, meio com um espírito vira-lata”.

Mas há esperança. E bons exemplos a negar essa prática.

A Natura é uma delas — uma brasileira que faz história, ressalta sua brasilidade e sai pelo mundo na compra de outras marcas, como The Body Shop, Aesop e Avon. Tem o exemplo dos bancos, também: Itau e Bradesco, as marcas mais conhecidas no setor são nacionais. E o clássico caso da Havaianas: 

“Ela entra no jogo batendo no peito e isso faz toda a diferença (traz até a bandeira brasileira no seu produto)”

Para aproveitar melhor esse potencial que marcas brasileiras têm, Jaime e Cecília  sugerem que os responsáveis pelo ‘branding’ — ops, perdão pelo estrangeirismo —  busquem espaço próprio em lugar de apenas reproduzirem modelos estrangeiros. Devemos usar o ‘benchmarking’— caramba, de novo? —- que é entender as referências inspiradoras em uma área de negócios, mesmo aquelas que estão no exterior, e criar soluções próprias, diz Cecília:

“O problema é que ficamos mais reprodutores de modelos do que criadores de soluções legítimas e nossas” 

Por fim, mesmo que pareça contraditório, as marcas devem ganhar respeitabilidade e valor do lado de fora do país para aumentar seu prestígio aqui entre nós. Ou seja, usar o malinchismo a favor das marcas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: o operário que virou escritor

José Jorge Porto 

Ouvinte da CBN

Foto de Rodolfo Quirós no Pexels

Em abril de 1975 deixei a terra natal, no interior de Pernambuco, para encontrar trabalho em São Paulo. Fui morar na casa da minha irmã, ali em Guaianazes. Demorou pouco para o primeiro emprego. Na PEM Engenharia, na Vila Mariana, como ajudante de eletricista. A primeira obra foi um marco: o prédio da IBM, na Tutóia com a 23 de Maio — a primeira estrutura de concreto revestido com vidro. 

Marcantes e difíceis estes tempos. Ganhava um salário mínimo. Passava frio. Mas mesmo as dificuldades me encantavam. Logo me matriculei numa escola estadual ali, em Guaianazes, no Jardim São Paulo. Ano seguinte, ingressei em uma escola técnica de eletrônica. Lá na primeira obra — que durou quatro anos — fui promovido à oficial eletricista e depois encarregado de eletricista. Até hoje quando passo diariamente dirigindo ali na 23 de maio que vejo aquele prédio meu coração fica alegre.

Meu esforço me levou à universidade, me formei em filosofia, Gestão Estratégica de Empresas e Engenharia Elétrica, fiz várias especializações. Hoje, também dou aulas em ambientes corporativos.

Em março de 2020, um dos diretores da empresa TEMON onde trabalho, me antecipou as férias porque aos 63 anos eu não poderia ficar exposto ao coronavírus. Com três dias em casa, reciclei dois bancos de madeira. E a ansiedade em ficar parado em casa não passava.

Comecei a escrever algumas coisas e percebi que nascia um aprendiz de escritor.  Em parte das escritas, reproduzi conversar com um amigo irmão, o Cleyton. 

Cento e quarenta páginas depois, o livro ficou pronto e a Editora Laços aceitou publicar “Reflexões para gestores”, em que abordo principalmente os desafios, habilidades e competências que um gestor precisa ter, saindo de uma visão tecnicista para uma visão contemporânea, levando o gestor a transformar o trabalho em algo gratificante para todos, ao  autoconhecimento na construção de uma empresa ética, competitiva e mais humana.

José Jorge Porto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da cidade, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. O quadro vai ao aos sábados, 10h30, no CBN SP

Mundo Corporativo: Paulo Castello, da Fhinck, diz que pandemia mostra que trabalhamos mais do que precisamos

Photo by Tima Miroshnichenko from Pexels

“Nós fomos treinados a trabalhar em fábrica. Você  tem de repetir procedimentos. Agora tem uma migração para personalização. O trabalho vai ser pessoal, você vai ser o seu próprio CNPJ.”

Paulo Castello, Fhinck

Com o uso de recursos digitais, a empresa percebeu que um dos departamentos sempre apresentava queda de produtividade e foco no trabalho, no fim da tarde. Por cerca de um mês fizeram quatro testes para entender como melhorar o desempenho do grupo. Trocaram a disposição dos colaboradores, mexeram no desenho do escritório,  reduziram o expediente de oito para seis horas e depois para quatro horas. Tudo devidamente medido, a conclusão foi de que com apenas seis horas de trabalho, o grupo renderia melhor, manteria a mesma produtividade em todo o expediente e ainda ganharia duas horas de lazer.

Paulo Castello, CEO e fundador da Fhinck, contou essa história ao Mundo Corporativo, para sustentar a ideia de que trabalhamos mais do que necessitamos, uma tese que vem sendo defendida ao longo do tempo, desde que se passou a questionar o processo fabril que ainda molda as relações de trabalho em boa parte do mundo. O empresário sempre esteve conectado ao tema da inovação que, pelo que se percebe, não se restringe a tecnologia, apesar desta ser essencial nesses tempos.

Foi para encontrar soluções tecnológicas que permitissem a medição do desempenho operacional, da produtividade e da qualidade de vida dos colaboradores, que Paulo fundou a Fhinck Business Solution, em 2014, uma “startup brasileira”, como faz questão de ressaltar:

“A gente usa inteligência artificial. Nosso software coleta dados enquanto você trabalha, o tempo de cadeira, fora da cadeira, sistemas que usa, tendências e comportamentos”.

Uma das mudanças identificadas com a pandemia em que a maior parte das empresas mandou seus colaboradores para casa foi o aumento de até 22% do foco dos colaboradores no trabalho. Estudos desenvolvidos na Universidade de Harvard e pelo MIT já haviam mostrado essa tendência. Após o investimento em ‘open space’, que são os ambientes corporativos abertos, sem salas ou cubículos funcionando como estações de trabalho, aumentou a interação das pessoas e o fluxo de ideias. Por outro lado, as distrações cresceram na mesma proporção. Em casa, o profissional concentra-se por mais tempo e de forma mais efetiva. 

O problema é que a maioria dos profissionais não foi preparada para o home office e acaba perdendo o controle sobre a sua jornada, com danos psicológicos e físicos. Paulo conta que na própria Fhinck, um mês depois de todos os funcionários estarem em trabalho remoto, descobriu-se que a maioria não estava almoçando direito:

“Com nossa tecnologia travamos as agendas de trabalho de todos, do meio-dia às duas da tarde. Aumentamos o horário de almoço, porque em casa precisamos preparar a comida, ao contrário de quando estamos no escritório, que se vai ao restaurante”. 

Os dados ajudam a entender de uma forma mais ampla todas as tendências e padrões da jornada de trabalho, inclusive riscos trabalhistas:

“Se os RHs não prestarem muita atenção ou terão problemas trabalhistas ou terão problema de evasão de talentos para outras empresas que vão propiciar um ambiente de trabalho mais regular. Com uma rotina mais estruturada”

A previsão é que um dos legados da pandemia e do ‘home office’ forçado será o modelo híbrido na forma de trabalho, com parte das funções sendo realizadas em escritórios e outra à distância. No futuro, não muito distante, Paulo entende que os contratos terão de de se adaptar porque haverá uma mudança radical no formato atual, com expediente em horário comercial, das 8 da manhã às 5 da tarde. Haverá a possibilidade de os profissionais não serem exclusivos de uma empresa, mas fazerem aquilo que gostam e como gostam, em tarefas a serem contratadas através de plataformas digitais, com demandar específicas. 

“É importante não ficar preso a modelos do passado”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às 11 da manhã, pelo site da CBN e pelas páginas da rádio no Facebook e no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; domingo, às dez da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast.

Avalanche Tricolor: “aí vem o Grêmio!!!” e outros capítulos do rádio gaúcho

Aragua 2×6 Grêmio

Sul-Americana — Caracas/Venezuela

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Os que tiveram o privilégio de ouvir transmissões de futebol na época de ouro do rádio gaúcho têm na memória o grito que marcava a entrada do time do Grêmio no estádio Olímpico. ‘Aí vem o Grêmio!!!’ — com direito ao alongamento de todas as vogais e tom de voz firme —- era a senha do repórter de campo João Carlos Belmonte para a explosão de alegria do torcedor que recepcionava seus jogadores aos gritos e sob foguetório. Ele ficava com microfone da Rádio Guaíba em punho ao lado da escadaria que dava acesso ao gramado e a medida que os jogadores se posicionavam em fila, citava nome a nome, e a cada nome o coração batia mais forte no nosso peito.

O ritual se repetia no Beira Rio com o time da casa —- e dizem as más línguas com uma pitada maior de alegria, reveladora; eu não concordo. Mas como esse espaço tem suas exclusividades, vou me ater a emoção que Belmonte provocava na nossa torcida. Era mágico. Transgressor. Porque seu olhar e palavras devassavam o escurinho do túnel, quase sagrado, tantos eram os ídolos que se reuniam a espera da batalha. Belmonte descrevia a movimentação dos jogadores, a conversa ao pé da orelha e os gritos motivacionais, tudo hoje naturalizado pelas câmeras de televisão e pelo insípido cerimonial de entrada em campo.

Quando Belmonte fazia do rádio magia, eu era  guri de manga curta, ouvinte e gremista encantado pelas palavras dele.

Vibrava no cimento do Olímpico acompanhando a festa comandada pelo repórter de rádio que mexia duplamente com a minha imaginação. Por torcedor que era e por jornalista que sonhava ser. Transformei-me repórter de campo anos à frente. Anos luz distante do talento de Belmonte e outras feras que fizeram o rádio gaúcho ser dos melhores do Brasil. Ele e a mulher Ligia —- recentemente falecida — eram amigos dos meus pais e faziam parte de um círculo de casais, ligados ao jornalismo, que saíam quase toda semana para jantar. Isso me gerou alguma intimidade com o Belmonte e com muita gente boa do meio. E colaborou para minha escolha de carreira.

Certamente, foi essa mesma convivência que fez Roberto Villar e o Caco Belmonte seguirem a carreira jornalística. Eles são os filhos da Ligia e do Belmonte e foram os responsáveis por convencer o pai a escrever suas histórias, curiosidades, estratégias e furos de reportagem no livro “Fala, Belmonte! Memórias do cronista esportivo”(Farol3 Editores). Um exemplar está aqui em casa, lido e guardado junto a outros três que deveriam, obrigatoriamente, fazer parte de um caixa literária sobre o jornalismo esportivo: “Olha Gente – As histórias de Lauro Quadros”, escrito pelo próprio; “Pedro Carneiro Pereira — O narrador de emoções”, de Leandro Martins, e, claro, “Milton Ferretti Jung. Gol, Gol, Gol, Um Grito Inesquecível na Voz do Rádio”, de Kátia Hoffmann.

Essa ‘coleção’ conta, em cada capítulo e livro, um pouco do que se fez no radiojornalismo e esportivo brasileiro, através da história de seus protagonistas —- dois deles dedicados à narração, Milton, o pai, e o Pedrinho; dois à reportagem e ao comentário esportivo, Lauro e Belmonte. Deve ser preservada porque traz a memória de um rádio que, mesmo permanecendo forte, já foi mais influente na opinião pública. Hoje, é inimaginável a cena de um repórter de campo regendo um coro de milhares de torcedores no ‘parabéns à você’ em homenagem ao jogador aniversariante com quem conversa ao microfone. Belmonte era capaz. 

É interessante saber como eram as jornadas internacionais em uma época pré-internet, a dificuldade de deslocamento, o improviso das estruturas e a qualidade com que se conseguia levar os fatos aos ouvintes, Em “Fala, Belmonte!” vale uma dedicação especial à cobertura do título Mundial do Grêmio, em 1983. Sim, Belmonte viveu intensamente aqueles momentos:

“Dias após o Grêmio conquistar a Libertadores de 1983, fui enviado ao Japão. Missão: desbravar Tóquio e remeter matérias à Rádio Guaíba e Correio do Povo, gravar um programa de uma hora para a TV2 Guaíba. Além disso, havia a missão ‘secreta’ de contratar linha 24 horas, disponível antes e depois do jogo final, conectando o nosso hotel e o estádio com a emissora em Porto Alegre”

Belmonte viveu e vive aqueles momentos, mesmo que aposentado. Conversei com ele dia desses para agradecer pelo envio do livro, oportunidade em que relembramos algumas passagens que teve com o pai. E na qual percebi que mantém uma das marcas de sua personalidade. Amigos mais próximos dirão que é a avareza — fama desmentida pelo próprio Caco Belmonte, no texto de introdução. Belmonte, para mim, além de referência jornalística, sempre foi um cara bem humorado. Alegre com o que fazia. E disposto a deixar seus ouvintes ainda mais felizes — como ficávamos lá no Olímpico, todas as vezes que ele anunciava: “aí vem o Grêmio !!!”

PS: sei que o caro e raro leitor desta Avalanche entenderá minha disposição de escrever sobre João Carlos Belmonte em lugar de ocupar este espaço, como sempre faço, com mais uma goleada gremista no exterior. A partida da noite de ontem era fava contada, apesar de ter me divertido muito em ver os guris brincando com a bola em campo. E o que importa mesmo nesta semana, vai acontecer domingo, em mais um Gre-Nal. Pena que o Belmonte não estará na beira do gramado para chamar a torcida ao delírio.

O discurso do ex-chanceler

Ernesto Araújo em depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

O ex-ministro Ernesto Araújo virou meme, na CPI da Covid. Logo ele que fez fama explorando a velocidade e eloquência das mensagens por rede social. Nenhum de seus inimigos — e fez muitos na passagem pelo Itamaraty — escapava dos disparos verborrágicos, aplaudidos por seguidores mais fiéis e impulsionados por robôs programados. 

Diante dos senadores, falou fino. Estava irreconhecível. A propósito, nem mesmo ele se reconheceu quando exposto a textos e declarações desastrosas dos tempos em que ocupava sala no Itamaraty. Nem 30 minutos havia transcorrido de seu depoimento e já ouvira um dos senadores lhe chamando de mentiroso.

Ao contrário das frases histriônicas e ofensas que marcaram seu “reinado”,  foi reticente nas respostas e claudicante nas afirmações. Revelou insegurança e medo. Abusou de barreiras verbais enquanto buscava as palavras mais apropriadas para a circunstância. Um recurso comum àqueles que não estão certos do discurso que fazem. Que revela a falta de repertório e vocabulário.

A barreira verbal, me explica a doutora, colega e amiga Leny Kyrillos, ocorre de diversas formas. Há os que repetem expressões —— verdade, tipo, né —-; há os que esticam vogais ou consoantes, gerando um ruído que atrapalha a comunicação. Há os que conseguem transforma-lá em silêncio, gerando a ideia de reflexão —- o que é positivo.

Ao substituir o silêncio entre as palavras pelo ruído, Ernesto Araújo desperdiçou o direito à reflexão e transmitiu hesitação.

Para o ouvinte, isso torna a fala enfadonha, confusa e ainda mais demorada, gerando a perda de paciência. Testes feitos com discursos semelhantes em que, em lugar do silêncio, produzia-se o som de vogais estendidas, passaram a noção de que neste segundo caso o intervalo entre as palavras eram muito maior. 

Nesses tempos de internet: a hesitação gera  mais do que impaciência e ruídos. É matéria-prima para memes. Nas redes sociais, circularam posts, vídeos, áudios e montagens com destaques aos piores momentos de Araújo. No senso comum, tendemos a dizer que, por medo, ele gaguejou, o que nos remete a ideia errada de que as pessoas que sofrem de disfemia ou disfluência são inseguras.  

Pessoas com transtorno de fluência não são necessariamente inseguras — podemos até dizer que são tão seguras ou não quanto qualquer outra. Ao contrário de Ernesto Araújo, o gago sabe o que dizer, mas tem dificuldade neurobiológica para ajustar o tempo da fala e a duração dos sons —- fator que pode ser corrigido de diversas maneiras.

Lembre-mo-nos de Nelson Gonçalves, ícone da música brasileira, um gago de sucesso estrondoso. Ou do Príncipe Albert que alçado a rei, George VI, superou sua gagueira para convocar o Reino Unido às armas, na Segunda Grande Guerra —- história bem contada no premiado filme ‘O Discurso do Rei’.

Nelson Gonçalves, George VI assim como tantos outros gagos ilustres que conhecemos ao longo da história têm ou tiveram uma disfunção da fala. Ernesto Araújo tem uma disfunção moral —- e para isso não tem solução.

Em tempo:

Ouça o comentário de Leny Kyrillos, que foi ao ar dia 21 de maio, no CBN Brasil

Saúde mental não é um bicho de 7 cabeças

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Mariana Montrazi no Pexels

O filme ´´Bicho de Sete Cabeças“ (2000), dirigido por Laís Bodanzky, se tornou aclamado no cinema brasileiro ao provocar reflexões sobre os abusos praticados nos hospitais psiquiátricos, desde o uso de eletrochoques como punições às internações de longa permanência que promoviam o isolamento e exclusão social de pacientes, com pouca ou nenhuma finalidade terapêutica.

Infelizmente, essa foi a realidade de muitos doentes mentais até a década de 80, quando novas medicações permitiram uma transformação no atendimento psiquiátrico, que substituiu as longas internações por tratamentos ambulatoriais. Paralelamente, inúmeras denúncias de maus tratos e desrespeito aos direitos humanos desses pacientes permitiram o crescimento de movimentos antimanicomiais, levando ao desmonte de grandes hospitais psiquiátricos no Brasil.

Tal movimento teve início na década de 70, com o médico italiano Franco Basaglia, na cidade de Trieste, cujos ideais preconizavam a desinstitucionalização do paciente psiquiátrico e sua reinserção na sociedade, considerando que os modelos psiquiátricos de tratamento, vigentes até então, contribuíam com a exclusão e opressão dos pacientes.

Esses ideais se difundiram por vários países, incluindo o Brasil, cujo movimento envolveu a defesa pelos direitos humanos e pelo resgate da cidadania dos pacientes com transtornos mentais, contribuindo, ainda, para o movimento da Reforma Psiquiátrica.

Com o lema “por uma sociedade sem manicômios”, profissionais, pacientes, familiares e instituições acadêmicas questionaram o modelo de assistência centrado nas internações, denunciaram as violações aos direitos dos pacientes e propuseram um novo modelo de atenção em saúde mental, incluindo ações para a reabilitação psicossocial através da inserção pelo trabalho, cultura e lazer.

Pessoas com transtornos mentais já foram perseguidas e executadas nos tribunais da inquisição. Pessoas com transtornos mentais já foram internadas e torturadas.

Pessoas com transtornos mentais muitas vezes se tornam invisíveis ou permanecem rotuladas por uma sociedade que ainda concebe a doença mental como sinônimo de fragilidade. 

Atualmente, falar sobre transtornos mentais deixou de ser assunto restrito aos consultórios de psiquiatria e psicologia. Especialmente com a pandemia e as mudanças por ela impostas, temas como depressão e ansiedade se tornaram mais acessíveis e até mesmo mais familiares para muitos de nós.  

De certo modo, isso revela mudanças históricas e culturais significativas relacionadas à saúde mental, apesar da ocorrência, ainda frequente, de estigmas e preconceitos.

Será que estamos mais conscientes? Será que descobrimos, finalmente, que o adoecimento mental faz parte da nossa humanidade?

No dia 18 de maio, comemoramos o Dia Nacional de Luta Antimanicomial. Um movimento que trouxe novas perspectivas para as pessoas com transtornos mentais. Um movimento que abriu caminhos que ainda percorremos, para que novas mudanças ocorram e permitam que “bicho de sete cabeças” seja apenas nome de filme e não sinônimo das dificuldades enfrentadas na promoção e tratamento em saúde mental.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung