Você está no carro, parado no farol da avenida Nossa Senhora do Ó, ouvindo as notícias na CBN 90.5. Milhares de pessoas em São Paulo e no mundo estão ouvindo as mesmas informações. Um carro entra no posto para abastecer, o ônibus articulado sai do ponto, um caminhão dá seta e troca de faixa. Tudo parece organizado, sincronizado, programado.
Tem coisas para você não olhar: elas estão na sua frente, como o jato que passa no céu azul. Mas você esta distraído e não percebe. Nunca irá perceber. Pois não pertencem a sua vida, a sua realidade.
Você passa por centenas de situações todos os dias e muita coisa escapa da sua atenção. Sim, você vive num grande caos. E apenas em uma pequena parte dele, você consegue habitar e compreender, harmonicamente.
Talvez, devêssemos parar um pouco a nossa corrida diária, andar mais lentamente. Mudar os nossos trajetos habituais, olhar ao redor mais detalhadamente.
O mundo é muito maior do que podemos vivenciar, milhares de acontecimentos são registrados neste exato momento. Histórias maravilhosas, outras nem tanto, estão surgindo e desaparecendo.
Mas você perdeu tudo isto, de noite, assistindo ao Jornal Nacional. Ou esquentando alguma coisa no micro-ondas. O tempo passa por nós e deixa poucas lembranças.
Ouço uma buzina. O farol esta verde. Acorde! Vamos, você esta atrasado para o serviço, seu chefe vai olhar feio novamente e dizer: “muito bonito”.
Coloque os fones de ouvido para experimentar melhor os efeitos sonoros deste podcast:
Carlos Assis é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo
“Tem duas competências que são chaves: a accountability é uma; a capacidade de aprendizado contínuo e ágil é outra. Então a gente precisa se atualizar constantemente. A gente tem de ter prontidão para aprender.”
Armando Lourenzo, EYU
Ao assumir o cargo de liderança você descobre que para alcançar as metas propostas pela empresa dependerá das outras pessoas. Diante dessa realidade, muitos profissionais acabam centralizando as ações, acreditando que com o controle nas mãos a performance vai melhorar e os resultados serão alcançados. Ledo engano, pensa Armando Lourenzo, diretor da EYU no Brasil e América Latina, entrevistado do programa Mundo Corporativo da CBN. Para ele, ao agir dessa maneira, deixa-se de oferecer experiências aos colaboradores, e o líder não cumpre uma de suas funções: agregar valor às pessoas.
“Existe um mantra na sociedade de que ‘eu trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado; eu não concordo com isso, eu acho que a gente tem de tratar as pessoas como elas gostariam de ser tratadas. Aí é você praticar a empatia. É você se colocar não no lugar da outra pessoas, mas entender como ela funciona”
Autor do livro ‘Liderança na prática — como liderar pela primeira vez’, Armando ensina que ter conhecimentos técnicos, tanto do próprio negócio como da função que exerce, são importantes mas não, suficientes:
“Para liderar equipes é crucial desenvolver soft skills. Assumir um cargo de liderança pela primeira vez será, provavelmente uma das fases mais desafiadoras da sua vida profissional”.
Imagine esse desafio sendo assumido em um cenário totalmente incerto e complexo como este imposto pela pandemia. Ao líder —- novato na função ou não —- as exigências são ainda maiores. Na EY, tradicional no setor de consultoria e auditoria, os 300 mil colaboradores foram trabalhar remotamente, em março de 2020. Segundo Armando Lourenzo, o braço acadêmico da instituição ofereceu programas de desenvolvimento pessoal para melhorar a produtividade do trabalho à distância, para resolução de problemas complexos e liderança remota:
“Você tem uma serie de aspectos que estão mudando. A gente está passando por um processo de transformação digital, com uma economia compartilhada, as pessoas querem mais flexibilidade no trabalho, as pessoas querem mais qualidade de vida. O ambiente é totalmente diferente. Se você tiver uma postura de chefe como no século passado, na década de 50, não consegue sobreviver nos dias de hoje”
Algumas sugestões que podem tornar o ambiente virtual mais produtivo e saudável, com base na experiência da EY são:
Gestão de emails, com seleção apenas daqueles que realmente devem ser respondidos;
Estabelecimento claro dos meios de comunicação por onde serão feitos os contatos
Agilidade no feedback, para impedir que ‘fantasmas’ apareçam na comunicação interna dos colaboradores —- o que antes era resolvido no bate-papo de corredor agora pode demorar e se transformar em uma crise em pouco tempo.
Armando Lourenzo chama atenção em especial para os problemas de comunicação que devem ser atacados firmemente. Da mesma forma que é importante fazer cursos de oratória, aprender a se expressar e desenvolver a capacidade de se apresentar por meios virtuais, o diretor da EYU recomenda que se aprenda a escutar:
“Talvez seja o mais relevante a aprender. Muitas vezes, em uma reunião, todo mundo está falando e tem uma pessoa que observa a todos. É ela quem tende a fazer a pergunta que vai mudar por completo o rumo da reunião”.
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
“A questão não é quantas vezes você cai mas quantas vezes você levanta”
Ouvi essa adaptação da frase de Rocky Balboa, personagem das lutas de boxes do cinema, de um dos meus filhos, no bate-papo do café da tarde, Sei lá porque surgiu o assunto, talvez premonição para o que aconteceria à noite. Provavelmente apenas coincidência. Com certeza, inspiração para essa nossa conversa marcada pela frustração de estarmos fora da Libertadores 2021 — fato raro na história gremista, especialmente nesta última década em que fomos campeões, em 2017, e por oito vezes disputamos a mais importante competição das Américas.
A queda não veio em um lance, por mais que os algozes de plantão queiram apontar o dedo para um ou outro jogador. Ela ocorre aos poucos. E é coletiva. Em um gol marcado e mal anulado —- refiro-me ao da primeira partida, lá no Paraguai. Em um, dois e três gols perdidos na cara do goleiro —- claro, que falo do que assistimos na partida de hoje. Na ausência de jogadores importantes ou na presença de outros tão importantes quanto mas sem a necessária condição física. Na dificuldade para montar um time com o talento que necessitamos.
Perde-se uma classificação até mesmo antes disso. A obra de hoje começou a ser construída na campanha claudicante do ano passado (que se encerrou apenas neste 2021). Na perda de pontos que nos colocariam facilmente na Libertadores, sem precisar passar por essa fase preliminar e perigosa, em que tivemos de disputar uma “final” em começo de temporada.
A derrota somente não será maior, se for pedagógica.
Semana passada escrevi que “na Libertadores é preciso até saber perder”. E o Grêmio, com todas as dificuldades (e, repito, um gol muito mal anulado) soube perder na medida certa — inclusive marcando fora de casa, o que lhe daria a classificação com uma vitória simples. Na Arena, começou na frente, dominando e superior em campo — mas não soube vencer. Jogou fora a vantagem que tinha e sucumbiu a qualidade técnica do adversário. E eis aqui mais uma lição a ser aprendida: admitir quando do outro lado havia uma força maior.
É preciso aprender com o revés deste início de temporada e lembrar que surge uma oportunidade rara que é a de ganhar tempo para treinar e se dedicar àquela que é a principal competição nacional, o Campeonato Brasileiro, vencido pela última vez, em 1996. Para isso, Renato terá de reestruturar o time, rever jogadores, investir em novos talentos, acreditar na juventude e encaixar as peças para que o futebol de 2017, que encantou o Brasil, volte a ser praticado em campo.
A tentação de zerar o jogo e começar tudo de novo, como se o que foi feito até aqui tivesse de ser esquecido é enorme. Ao mesmo tempo que perigosa. A ideia de terra arrasada só serve para satisfazer o fogo amigo, geralmente instigado por frustrações pessoais ou visão limitada diante da necessidade de um trabalho de longo prazo. Mudar tudo e todos tornará a derrota desta noite muito pior.
Cair, sentir o cheiro da lona, embrulhar o estômago com o sabor azedo da derrota faz parte da vida. Saber levantar-se e voltar a lutar à altura dos desafios que se impõe na jornada é para poucos. É para os Imortais. E nossa história já provou que somos. Vamos nos erguer!
Presidente do Senado em foto de Jefferson Rudy/Agência Senado
Em algumas semanas, a despeito do esperneio do Governo, teremos a CPI da Covid como protagonista da cena política e dividindo espaço com o mal que lhe deu origem —- refiro-me a doença e não a quem disparou o gatilho do vírus. Hoje, a temos apenas instalada, o que significa pouco apesar do muito esforço que senadores de oposição tiveram de fazer para convencer o STF a obrigar o presidente do Senado a cumprir a lei. Decisão do ministro Luis Roberto Barroso ratificada pelo plenário do tribunal.
Para que a CPI se inicie é preciso que partidos e blocos indiquem seus representantes —- são 18 no total dos quais 11 são os titulares —- em até dez dias. Feito isso, os membros sentam-se à mesa para decidir quem ocupará o cargo de presidente e de relator da comissão. Uma decisão que é tomada em público mas negociada no particular. Em seguida, começam os trabalhos propriamente dito: levantamento de informações, coletas de provas, apuração de fatos e a convocação de depoentes.
Na entrevista desta quarta-feira no Jornal da CBN, o senador Humberto Costa (PT), indicado por seu partido para ser membro da CPI, já deu a dica: o primeiro convidado tem de ser o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Convidado é forma gentil de falar, porque convidado pode declinar do convite. Em CPI, você vai por bem ou por mal. Queiroga deve ir por bem até porque ao assumir o cargo o estrago já havia sido feito. Estará na CPI para dizer qual a estrutura da pasta, as carências, transmitir dados oficiais e tentar driblar as perguntas mais capciosas que serão feitas para colocá-lo em contradição com o presidente.
Falamos na entrevista também do desafio desta comissão de tocar os trabalhos mesmo com as restrições sanitárias que recomendam o afastamento e o “mandato remoto”. O fato tem sido usado pelos governistas para empurrar a discussão com a barriga —- para ser mais exato: com a vacina.
O líder do Governo no Senado Eduardo Gomes (MDB) teve o despudor de sugerir que a comissão começasse somente quando todos estivessem vacinados. Por favor, caro e raro leitor, não entenda mal: quando o Senador diz todos não inclui você ou eu, ele se refere a ele e a seus colegas senadores: “enquanto a CPI não tiver condição de funcionar com pessoas imunizadas, que não possa funcionar presencialmente”. Ou furamos a fila oficialmente pelo bem do Brasil ou não temos CPI para o bem do presidente Bolsonaro, deve ter pensado em sua intimidade.
Marcos Rogério (DEM), outro dos senadores governistas, disse que “os atos da CPI impõem a presença física. O depoente deve estar presencialmente na comissão para não ser orientado; para não ser constrangido; para não ser ameaçado; e até para decretar prisão, em flagrante” —- será que ele está disposto a dar ordem de prisão ao ex-ministro Pazuello, por exemplo? Seria um escândalo, não!
Argumentos frágeis: desde o início da pandemia, nós assistimos a sessões de julgamento online, em diversos tribunais no Brasil —- com direito a gafes e inconfidências cometidas por juízes, promotores, advogados, réus e testemunhas. Até agora não se viu nenhum advogado de defesa convencer os tribunais de que seus clientes estão tendo o direito cerceado ou estão sendo coagidos porque prestam depoimento à distância. Há inúmeros instrumentos de controle à disposição. Basta boa vontade.
Além disso, nada impede que o “convidado” vá depor presencialmente no Senado e tenha na sala apenas a presença do presidente e do relator da CPI, além de assessores mais próximos —- todos devidamente mascarados. Os demais integrantes da comissão tocam os trabalhos de casa mesmo, via internet.
Quanto a mandar prender, não parece ser um problema, já que a polícia do Senado permanece de prontidão na casa. É só enviar um WhatsApp: “teje preso”! — expressão que entrou para o folclore político das comissões parlamentares de inquérito quando foi usada pela senadora Heloisa Helena (PSOL), contra o presidente do Banco Central, Chico Lopes, durante a CPI dos Bancos, em 1999.
Apesar de que os senadores devem tomar cuidado, muito cuidado: a Lei Contra o Abuso de Autoridade, em vigor desde janeiro do ano passado e aprovada por eles como retaliação ao comportamento do Ministério Público, em especial aos da Lava Jato, pode ser acionada se algum dos depoentes se sentir desrespeitado pelos parlamentares. Pau que bate em Chico, bate em Francisco, ensina um ditado da terra da ex-senadora Heloísa Helena.
Foram 280 dias de uma gestação que teve início em 20 de março de 2020 com o fechamento das escolas e órgãos estaduais, em São Paulo. Foi difícil se adaptar, em especial com o teletrabalho: sou professor da rede pública e mediador judicial voluntário no Cejusc, na Barra Funda —- é o centro judiciário de solução de conflitos e cidadania que ajuda as pessoas a entrarem em consenso.
A frase mais recorrente aqui em casa: “vai sair? Use a máscara!”. Assim foi em todas as minhas escapadas do isolamento. Até para chegar no portão, estava paramentado. O mais engraçado foi o dia em que tive de ir ao banco, com máscara, luva, álcool gel e tudo mais a que tinha direito. No caixa eletrônico a surpresa: é preciso usar a digital —- e para tal, tirar a luva. Foi quando percebi a paranoia que estávamos entrando; cheguei a rir da situação.
Foi pela tecnologia que conheci outras pessoas e fiz amizades. As redes sociais amenizaram o isolamento. Em paralelo ao teletrabalho, aproveitei para ler, estudar, ouvir música e meditar. Cozinhar também me ajudou no equilíbrio psíquico e em cultivar o bom humor.
O mais triste foi à morte em vida que observo desde quando saí pela primeira vez à rua. Estamos distantes uns dos outros, mal nos cumprimentamos ou nos olhamos. Gestos de amabilidade foram censurados. Passamos bem longe do desconhecido, e ainda mais longe se for um conhecido sem máscara.
É preciso, sim, muito cuidado, mas há formas de se criar vínculos. Um aceno de mão, um bom dia, um por favor, um muito obrigado —- mesmo que abafado pela máscara. Aos que estão longe, uma mensagem no WhatsApp, no perfil do Instagram …. Pegue o telefone, ligue! Envie flores, cartões, músicas, poesias e orações. Como diz o mantra Baba Nam Kevalam:
Tudo é expressão do amor.
José Augusto da Silva Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo
Diego Souza comemora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Libertadores tem de saber jogar. É uma competição com características próprias. Aguerrida por natureza. Com sabor de rivalidade que extrapola o campo do jogo. Que contrapõe raízes, culturas e valores. Disputada nos bastidores, nos vestiários, nas arquibancadas (quando essas eram ocupadas por torcedores) e em cada centímetro do gramado, mesmo antes de a bola rolar —- lembre-se, já jogamos partida em que jogador foi expulso antes do apito inicial.
O Grêmio sabe que essa é um Copa diferente —- não por acaso somos tri-respeitados por nossos adversários (desculpe-me pelo trocadilho). Que se ganha na bola, no toque e no talento, como fizemos em 2017. Que também se alcança sem tirar o pé da dividida, dando bico para fora do estádio e na catimba malemolente, que impede a dinâmica do jogo. É do jogo.
Em 1983, quando forjamos nossa fama sulamericana, para sobreviver em campo. no sentido literal da expressão, tivemos de ceder um empate impossível de ser alcançado em situação normal —- e aqui, claro, me refiro a Batalha de La Plata na qual empatamos com o Estudiantes, da Argentina, por 3 a 3.
Em 1995, chegamos ao título mais uma vez com um empate fora de casa, após uma vitória retumbante no saudoso Olímpico Monumental. Antes disso, já havíamos provado nossa capacidade de sofrer, resistir e sobreviver, quando soubemos impedir que uma goleada nos tirasse das semifinais da competição.
Hoje à noite, no Paraguai, lamento informar aos torcedores equatorianos e secadores: não souberam nos derrotar. Saímos de campo vivos para a decisão que nos levará à fase de grupos da Libertadores.
E o fizemos a despeito de erro grotesco de arbitragem que anulou aquele que seria nosso segundo gol, ainda no primeiro tempo. Um lance de Alisson, Diego Souza e Ferreira, que vai entrar na lista dos mais belos gols anulados do futebol sulamericano.
Não bastassem todas as dificuldades de enfrentar um time bem montado e de futebol qualificado além do gol erroneamente anulado, antes mesmo de a bola rolar, fomos vitimados pela Covid-19 que tirou quatro jogadores do elenco e deixou longe da casamata o técnico Renato. Fomos impedidos de treinar no meio da semana. Tivemos deslocamento extra com a transferência do jogo de Quito, no Equador, para Assunção, no Paraguai. E mais uma série de jogadores afastados por lesões — sequelas da temporada passada que se encerrou somente neste ano.
Em campo, via-se claramente um time sofrido pelas ocorrências e disposto a resistir. E o fez muito bem até o fim do primeiro tempo quando, como disse, deveria ter saído para o vestiários com 2 a 0 no placar. Enquanto lá na frente Diego Souza foi preciso na finalização para marcar o primeiro gol de cabeça, em raro lance de ataque; Brenno se expressou com segurança lá atrás nas várias bolas disparadas contra o nosso gol.
Foi no segundo tempo que o revés se construiu. Faltaram pernas e posicionamento para segurar a velocidade e toque de bola do adversário que virou o placar — mas não o suficiente para nos tirar da disputa. Resistimos às nossas limitações, aos problemas físicos, a expulsão de um dos nossos zagueiros e a superioridade do time equatoriano. Além de ter um a menos em campo, terminamos a partida sem o principal atacante, com um zagueiro improvisado na lateral direita e um lateral esquerdo improvisado na zaga. Tínhamos ainda um goleiro e um homem de frente com problemas físicos.
Sobrevivemos. E quem conhece a relação do Grêmio com a Libertadores sabe que isso costuma ser fatal para o adversário. Quarta-feira que vem voltaremos à Arena para confirmar nossa presença na Libertadores.
“Eu acredito que excelência é aquilo que você faz diariamente, uma dedicação de ser uma pessoa melhor, seja pessoalmente, seja profissionalmente” Carlos Vaz, Conti Real Estate Investments
Diante de tantas incertezas, o que não pode ser incerto é o seu comportamento diante delas. Essa é uma das lições aprendidas pelo empresário Carlos Vaz que, há 21 anos, desembarcou nos Estados Unidos, para um estágio não remunerado, em um escritório de advocacia, em Boston. Na época tinha algo em torno de US$ 300,00 no bolso e um aluguel a pagar de US$ 350, segundo conta. Até hoje, a Conti Real Estate Investments, empresa que criou e batizou com o sobrenome da mãe, há 11 anos, já registrou mais de US$ 1 bilhão em transações imobiliárias.
Carlos Vaz foi o entrevistado do programa Mundo Corporativo quando falou da trajetória dele, das oportunidades de negócios para brasileiros que querem investir nos Estados Unidos ou que planejam montar empresas por lá:
“O profissionalismo não tem nacionalidade. A coisa mais importante para nós como brasileiros é suar a camiseta todo o dia ..… Nós temos capacidade de competir com o americano, com o japonês, com o europeu ..… Essa gana de fazer o seu melhor, de querer ajudar as pessoas ao seu redor e sempre buscar o profissionalismo …”
O negócio da Conti é captar recursos com investidores, comprar imóveis, que serão alugados, e fazer a gestão financeira e condomininal. Segundo Carlos, a companhia tem atualmente 9 mil apartamentos sendo administrados e cerca de 300 pessoas trabalhando diretamente. Está localizada em Dallas, no Texas, e, em plena pandemia, abriu dois escritórios, em Miami e Rio de Janeiro:
“A pandemia acelerou, facilmente, de cinco a dez anos os negócios. Você percebeu que aquilo tudo que você faz hoje — não é só a sua inteligência, mas também a sua capacidade de se adaptar e sua capacidade de executar. A pandemia nos forcou a fazer as coisas diferentes, a fazer uma adaptação porque aquilo que levou você aqui não levará você lá”.
Filho número 8 de nove irmãos, Carlos diz que a educação oferecida pelos pais e os valores que ensinaram a ele, ainda na época em que viveu em Viçosa, Minas Gerais, foram fundamentais para vencer nos negócios. Mesmo tendo abandonado o curso de direito que iniciou no Brasil, o empresário lembra que, ao chegar nos Estados Unidos, tinha a convicção de que precisaria continuar estudando e realizando cursos, de preferência nas melhores escolas possíveis, pois também seria uma oportunidade para criar relacionamentos.
Para os brasileiros que querem iniciar negócio nos Estados Unidos, uma das recomendações de Carlos é que procure as câmeras de comércio, onde vão encontrar informações relevantes e assistência nas mais diversas áreas. Recomenda que se busque estados e cidades que estejam em crescimento e cita, como exemplo, o Texas.
Sobre as habilidades para liderar uma empresa, o empresário identifica cinco aspectos que devem ser considerados:
Integridade
Excelência
Crescer e aprender
Fazer a diferença
Ter gana e paixão pelo que faz
E conclui:
”Nesse momento de desespero, fé é fundamental. Nosso comportamento não pode ser incerto. Procure sempre estar aprendendo; ouça bastante porque você vai pegar opiniões diferentes; veja o que você quer; não deixe de aprender; de olhar para você mesmo para tentar fazer melhor; e imagine: quando eu chegar a algum lugar, quem eu quero ajudar?”
O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal do Youtube, na página do Facebook e no site da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, às 8h10 da manhã. E está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Matheus Meirelles e Priscila Gubiotti.
Estamos em abril de 2021, mas a corrida eleitoral do próximo ano já tem três fortes candidaturas, ainda que não oficializadas. A primeira é do Presidente da República, como tipicamente acontece devido à regra que permite reeleição. Só não estaria no primeiro turno na hipótese de sofrer processo de impeachment.
A segunda candidatura consolidou-se com a anulação de condenações ao ex-presidente Lula, o maior “asset” eleitoral do PT. Só não seria candidato caso novos desdobramentos jurídicos o inviabilizassem. Ele e Bolsonaro são os políticos mais populares do país, a reproduzir a polarização de 2018, mas terão concorrência.
A terceira candidatura nasceu com o manifesto lançado em 31 de março por uma coalizão de lideranças de “centro-direita” e “centro-esquerda”. Mandetta, Ciro, Huck, Amoedo, Dória e Eduardo Leite inclinariam-se por abrir mão de candidaturas próprias em favor de um nome que tenha apoio de todos.
Embora difícil na prática, a iniciativa foi inteligente ao apadrinhar-se de uma abordagem “conciliatória”, acenando tanto aos ressentidos com o PT como aos decepcionados com Bolsonaro
Sendo uma frente, não deverá se apressar na definição da chapa, afinal candidaturas podem “envelhecer” sendo atropeladas por fatores de “última hora”. No jogo eleitoral, pesa muito o fator “novidade”, que não será mais usufruído nem por Bolsonaro nem por Lula.
O governador do RS, único que citei com nome e sobrenome por ser o menos conhecido no país, é visto como muito “verde”, mas juventude pode ser forte atributo para convencer eleitores. Só Huck teria mais força, sua popularidade tende a aumentar na virada do ano quando assumir as tardes televisivas de domingo. Um dos dois seria o melhor instrumento eleitoral para essa terceira via, mas precisará se entender com aspirações de protagonismo de outros, especialmente Ciro Gomes.
Se quiser ganhar força, a terceira via precisará alimentar expectativas, capitalizando apelos abrangentes como a defesa da democracia. O “centro” precisa resgatar a identidade perdida em 2018, quando acabou confundido com a vitória bolsonarista no antipetismo de então. Terá que descer do muro e se posicionar com mais nitidez em relação às urgências nacionais, como a pandemia e as dificuldades econômicas. Seus articuladores habilmente deixaram de fora o também presidenciável Sérgio Moro, de reputação deteriorada pela suspeição lhe imposta pela justiça. A definição do candidato deve apoiar-se em pesquisas sobre preferência e rejeição, como uma espécie de “primária”.
Uma candidatura de “centro”, se conseguir sobreviver ao primeiro turno, estaria praticamente eleita no segundo pois obviamente teria o reforço de votos “úteis” de petistas ou de bolsonaristas, ou seja, de quem ficar de fora. A pose de “neutralidade” certamente ganharia simpatia entre setores que por natureza são predominantemente conservadores, como militares e igrejas, e que assim talvez se sentissem mais à vontade para não apoiar alguma eventual virada de mesa por parte do presidente Bolsonaro.
Como assim ?
É que algumas teorias, baseadas em pesquisas e manifestações de insatisfação de setores empresariais e financeiros (perderam a paciência com a teimosia do Presidente em subestimar a pandemia) indicam que as chances de reeleição se reduzem diante de uma oposição mais diversa. Tanto que outros nomes já são vistos como eleitoralmente mais promissores por correntes da “direita”, o apresentador Danilo Gentili por exemplo já é ventilado como o “não-político” da vez. Toda eleição tem um assim, tentando convencer a parte ingênua do eleitorado de que é possível ser um candidato “não-político”, sempre tem gente que cai nessa. Ao presidente, não conseguindo reverter a tendência de queda nas pesquisas, só restaria algum ato de exceção como meio de manter-se no poder. Teria força para tamanha encrenca?
Bolsonaro empenhou-se em dar aparência verde-oliva a seu governo, nomeando militares para cargos ministeriais, mas não recebeu o apoio político que esperava das Forças Armadas, vacinadas pelo incômodo que foi administrar o período pós-64. A renúncia conjunta dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica foi indicadora de que a ativa não quer misturar-se com política e poder, atendo-se a seu compromisso constitucional que é mais com a instituição estado, permanente, do que com governos, temporários. Claro que Bolsonaro tem poder sobre as três armas e para justificar um ato de exceção poderia criar algum factóide de “ameaça comunista” diante de uma tendência favorável a Lula. Já na presença de uma terceira via, de “centro”, tal imposição seria ainda menos aceitável, pois os militares teriam o confortável e coerente argumento de que opor-se a um golpe não significa dar apoio à “esquerda”.
Tanto para Bolsonaro como para Lula, teria sido eleitoralmente melhor que se mantivesse a polarização, ambos disputariam votos de aproximadamente 40% do eleitorado que não se identifica nem com um nem com outro. Isso se dilui com a terceira via, que tenta exatamente apoderar-se desses 40%.
Resta a curiosidade sobre o efeito das redes sociais na corrida para 22. Foram determinantes em 2018 e obviamente já estão em plena atividade. Talvez nenhum dos nomes já candidatáveis consiga ter a projeção de influenciadores como Felipe Neto, ou até mesmo alguns participantes de reality shows, se resolvessem entrar na política. A imensa popularidade de pessoas assim oferece uma incógnita muito poderosa em tempos de opinião pública digitalizada, uma candidatura que daí surgisse seria páreo muito duro para concorrentes.
Claro que escrevo aqui sobre o “jogo” eleitoral, seu aspecto publicitário de convencimento, sem nenhum juízo de valor sobre propostas para o país ou sobre capacidade de governar. Nenhum governo pós-ditadura quis aperfeiçoar o sistema político-eleitoral brasileiro, então continuaremos assim, a ver a eleição presidencial sujeita a aspectos midiáticos, com candidatos de conteúdo incerto, e com o agravante de que talvez se reelejam.
Com a devida autorização, reproduzo com destaque neste post, a mensagem, antes privada, enviada pelo Padre Manoel Corrêa Viana Neto, em resposta a texto que publiquei no dia 6 de abril:
Milton a paz! Enviei para ti um argumento plausível e concordo com aquilo que penso sobre a abertura das igrejas, defendida pelo Dr. Taiguara Fernandes de Souza. “Não existe sacramentos virtuais”!
Depois, a pandemia não atinge somente o corpo, mas a psique e a alma e o exercício da religião que não é apenas algo intimista, mas sobretudo comunitário é fundamental nesse momento.
Tenho atendido muitas pessoas que estão sofrendo sobremaneira na alma porque privadas da eucaristia e da participação na igreja.
Quando você fala que somos templos do Espírito Santo, invocando uma passagem de São Paulo aos Coríntios (6,19), não pode esquecer do contexto que esta passagem é citada: o problema da imoralidade e do contra testemunho de cristãos! Ou seja, com uma mentalidade mundana, é por isso que logo a seguir ao versículo por você citado, no 20, ele vai dizer que “fomos comprados por alto preço. Portanto, devemos glorificar a Deus com o nosso próprio corpo”. Isto é, pela fé autêntica e corajosa…
Você já imaginou se os cristãos dos primeiros séculos se intimidassem com a perseguição e se resignassem na sua fé, não celebrando e não se encontrando, mesmo à custa do martírio? Certamente não estaríamos aqui refletindo sobre essa situação…
Já dizia o provérbio latino: “Quot capita, tot sententiae” (quantas cabeças, tantas sentenças). O que me preocupa é o cerceamento de um direito constitucional e soberano: o da liberdade de religião, tanto no foro interno como externo.
Isto é o que eu gostaria de expressar a você no teu post.
Um abraço e que Deus te abençoe!
NB: duas outras mensagens deixadas na área de comentários do blog trazem outros argumentos contrários a minha opinião, exposta no post “É um pecado querer fiéis de joelho nas igrejas diante de um vírus que mata“. Convido-os a ler, refletir e, se entenderem pertinente, deixarem também os seus argumentos, com a mesma generosidade que fizeram aqueles que por lá passaram
Sou católico. Praticante. De ir a missa no domingo (sábado à noite para ser mais preciso). De fazer o sinal da cruz. Rezar para fortalecer os pedidos de quem me pede. Ler a palavra. Ouvir a homilia. Não sou crente, não. O que não significa que seja descrente. Apenas que tenho dúvidas e tento resolvê-las na intimidade das conversas que tenho com minha consciência. A religião quase sempre esteve presente na minha vida. Fiz o passo a passo da cartilha, a começar pelo batismo, seguindo na primeira comunhão, crisma e casamento com véu, grinalda e aliança abençoada. Comecei estudando em colégio de freira e conclui no colégio dos irmãos maristas, em Porto Alegre.
De frequentador assíduo na missa da Igreja do Menino Deus, lá no fim da Getúlio Vargas, à presença frequente na capela da Imaculada Conceição, na esquina aqui de casa, tive longos momentos de ausência. Confesso. Só voltei a genuflectir diante do altar quando deparei com o desespero da vida. Dúvidas sobre minha existência. Busca de respostas para meu comportamento. Medo do que seria capaz de fazer com minha vida — não se assuste, nunca pensei em dar um ponto final, apenas não sabia o que viria depois das reticências.
A pandemia me afastou da igreja. Jamais da reza. Ao contrário. Nunca me apoiei tanto na palavra de Deus como nesses tempos de incerteza
Está aqui na tela do computador, a reprodução de um dos trechos do Livro de Salmos:
Eu olho sempre para o Senhor
pois ele me livra do perigo
…
Livra o meu coração
de todas as aflições”
E se peço que Ele me salve —- assim como a todos que estão em meu entorno e em meu coração —-, faço a minha parte. Em respeito ao que prezo na religião, que é a fortaleza pela vida, nunca mais voltei às missas presenciais. E assim me manterei forte até encontrarmos uma solução para essa desgraça que vivemos.
Foi com alegria que ouvi a voz do Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, no Domingo de Páscoa:
“… a nossa recomendação de celebrar sem a presença do povo nas igrejas não veio de uma proibição: nossa posição vem da preocupação pela situação da pandemia, que está muito grave, com muitos doentes e mortos”
Lamentei que suas palavras não ecoaram de absides à gárgulas de capelas, igrejas, catedrais e abadias. Em muitos locais o que se ouviu foram falas pedindo pela ocupação das naves; e indignação aos limites que governos e autoridades políticas impuseram; foram padres e asseclas reclamando da ausência de fiéis, comparando nosso esforço em nos mantermos em confinamento a cristãos sepultados em catacumbas. Lamentável!
Em uma das missas online que assisti, no Domingo de Páscoa, o padre, jocoso em sua analogia, questionou a proibição às missa e cultos. Perguntou a si mesmo se o vírus, por católico que fosse, só conspiraria contra os fiéis. E renunciaria à contaminação dos passageiros que são transportados aos montes em trens e ônibus. Antes fosse essa uma verdade. Pois bastaria impedir de vez a presença de pessoas nas igrejas e deixá-las circular livremente pelas cidades no transporte público para contermos o assassinato em massa que estamos assistindo no Brasil.
É claro que qualquer um de nós, obrigados a embarcar em um ônibus ou trem lotado, corremos sério risco de contaminação. Infelizmente, como parar por completo a dinâmica de uma cidade parece ser impossível, interromper o transporte público é inconcebível. Mas temos medidas que podem salvar vidas. Impedir aglomerações, rogar para que empresas aceitem a ideia de ter trabalhadores remotos e incentivar o confinamento àqueles que têm essa alternativa, são algumas medidas que estão a nosso alcance.
Proibir reuniões religiosas —- assim como políticas, sociais e esportivas, apenas como exemplo —- é saudável neste momento em que vivemos. Nossos compromissos com Deus podem ser cumpridos à distância. Nossa presença em uma edificação santa é simbólica, necessária quando possível, mas não é essencial. Basta lembrar, meu amigo padre, Coríntios 3:16:
“Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós”