Adote um Vereador: propaganda eleitoral começa nesta sexta-feira, no rádio e na TV

Foto: TSE/divulgação

Deu no site do Adote um Vereador:

Nesta sexta-feira, se inicia o programa eleitoral “não-gratuito” no rádio e na TV com a participação de candidatos a prefeito e vereador. Apesar da importância das redes sociais —- com partidos se arriscando a comprar pacotes de disparos de mensagem mesmo que a ação seja considerada ilegal —, os anúncios veiculados em blocos ou durante os intervalos da programação ainda têm impacto no eleitorado.

Dos 14 candidatos a prefeito de São Paulo, quatro não têm direito a um só segundo no ar. Bruno Covas do PSDB, que concorre à reeleição, é o que tem maior tempo à disposição: 3 minutos e 29 segundos. No Brasil, segundo levantamento do G1, um em cada quatro candidatos a prefeito nas capitais não terá tempo de rádio e TV.

Para entender porque tem prefeito sem tempo é preciso recorrer a Lei das Eleições, de nº 9.504/97 e a Resolução TSE n 23.610/2019: 90% do tempo da propaganda no rádio e na TV devem ser distribuídos proporcionalmente ao número de representantes que o partido tem na Câmara dos Deputados. No caso das coligações, entram no cálculo apenas a soma do número de representantes dos seis maiores partidos que fazem parte dela. Os 10% restantes serão distribuídos igualitariamente entre todos os partidos.

Somente os partidos que nas Eleições 2018 atingiram a cláusula de desempenho instituída pela emenda Constitucional  nº 97/2017 terão acesso ao horário eleitoral gratuito. Desta forma, para 2020 os partidos PMN, PTC, DC, Rede, PCB, PCO, PMB, PRTB, PSTU e UP ficarão sem o acesso.

Se a situação já é complicada para quem concorre ao cargo de prefeito, imagine para a turma que pretende uma cadeira na Câmara Municipal. 

Os candidatos a vereador só têm espaço no intervalo das programações. De 70 minutos destinado ao horário eleitoral ao longo do dia, apenas 28 minutos estão reservados ao cargo no legislativo municipal.

No rádio, o programa vai ao ar das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10; enquanto na TV das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40.

E já que estamos aqui para refletir: qual o sentido de a lei eleitoral levar em consideração o número total de deputados na câmara federal, se estamos elegendo candidatos para a câmara municipal? O ideal não seria o número total de vereadores?

Leia mais informações no site do Adote um Vereador

Avalanche Tricolor: que a benção de Espinosa recaia sobre Marcelo Oliveira

Grêmio 2×1 Coritiba

Brasileiro — Arena Grêmio

Homenagem a Marcelo Oliveira foto LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram 15 minutos de bom e ofensivo futebol. Tempo suficiente para o Grêmio marcar os dois gols que lhe dariam a terceira vitória em 13 jogos disputados pelo Campeonato Brasileiro. Antes de garantir os três pontos na tabela, ainda assistiu ao adversário marcar duas vezes — um dos gols muito bem anulado com a ajuda do VAR — e oferecer algum risco à nossa defesa.

A emoção da noite ficou reservada para o apito final quando os jogadores se reuniram no meio do campo para homenagear Marcelo Oliveira, que havia substituído Pepê no último minuto. O lateral de 33 anos fazia ali sua despedida dos gramados, pouco mais de um ano depois de ter sofrido grave lesão e ficado em recuperação por longo tempo. 

Marcelo é baiano, de Salvador. Formou-se na base do Corinthians, passou por clubes do interior paulista, e entre idas e vindas  para a capital, foi campeão da Copa do Brasil, em 2009 —- na primeira partida da decisão foi ele quem deu assistência para o gol corintiano contra o Internacional.

Vestiu as camisas do Atlético Paranaense, do Cruzeiro e do Palmeiras, mas foi quando chegou no Grêmio, em 2015, que se reencontrou com os títulos. Como titular da lateral esquerda, raras vezes de volante e se necessário atuando dentro da área, Marcelo assumiu posição de liderança de um dos grupos mais vencedores da história gremista. 

Mesmo quando seu futebol era questionado diante de atuações irregulares, tinha seu papel de líder exaltado pelo técnico Renato e seus colegas de equipe. Dizem que o comando sobre o elenco no vestiário o levou a essa posição. E foi extremamente importante para manter unida uma equipe que foi campeã da Copa do Brasil, em 2016; da Libertadores, em 2017; da Recopa Sul-Americana, em 2018; e tri-campeão Gaúcha, de 2018 a 2020. 

Sua capacidade em mobilizar os colegas e a proximidade com Renato —- com quem muitas vezes vimos trocando observações enquanto esteve no banco de reservas, ao lado do técnico —- certamente inspiraram a diretoria do Grêmio a convidá-lo a ocupar o cargo de coordenador técnico.

Ao fim do jogo, em entrevista ainda com os olhos marejados pela emoção, Marcelo declarou seu amor ao Grêmio:

É muita emoção falar nesse momento, por tudo que representa para mim estar no Grêmio. Desde que cheguei, na primeira coletiva, falei que estava realizando um sonho. As pessoas mais próximas a mim sabem há quanto tempo tinha esse sonho. 

Que Marcelo seja capaz de transferir para a função técnica o mesmo voluntarismo e liderança que revelou enquanto esteve em campo. E seja abençoado no cargo por aquele que substituirá: Valdir Espinosa —- saudoso e querido Espinosa — que também foi lateral como Marcelo, conquistou o Mundial como técnico do Grêmio e na última passagem pelo clube atuou na função de coordenador, que esteve vaga até esse momento.

Comprar ou não comprar… eis o que está por trás desta decisão

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto: Pixabay

 

A pandemia de coronavírus causada pelo COVID-19 impôs uma série de mudanças de comportamentos como medidas de proteção à propagação do vírus. O fechamento de estabelecimentos comerciais e o medo de sair de casa levaram muitos consumidores a optarem pelo comércio eletrônico.

Segundo dados da Receita Federal, em junho, o volume de vendas virtuais cresceu 70% na comparação com o mesmo mês no ano passado. Dados de empresas administradoras de cartões de crédito também apontam um crescimento no número de vendas e no valor gasto nas compras efetuadas no mesmo período.

Aumento no tempo de uso das telas, publicidade direcionada para os nossos interesses, pagamento facilitado, promoções e compras efetuadas num único clique. Seria esse o combo capaz de interferir na nossa tomada de decisão para comprar de modo racional?   

A tomada de decisão é um processo que envolve escolher uma dentre várias alternativas, em situações que envolvam algum nível de risco ou incerteza. Nesse processo, as alternativas são analisadas, levando-se em conta custo/benefício, consequências a curto e longo prazo, para si e para outras pessoas. 

Quando se está diante daquele produto irresistível, uma “batalha” é travada no nível cerebral, para decidir se iremos ou não comprá-lo. 

Estudos realizados com Ressonância Magnética Funcional mostram que diante de situações prazerosas – e comprar é uma situação prazerosa – são ativadas regiões cerebrais relacionadas à atenção e tomada de decisão, mas também regiões relacionadas às emoções. 

Nessas situações, a ativação de algumas regiões cerebrais gera a sensação de felicidade, mexendo com mecanismos de memória. Assim, manteremos registrado que situações como essa produzem bem estar e, portanto, devem ser repetidas. Por outro lado, regiões responsáveis pela racionalidade também entraram em ação, permitindo que você avalie as consequências, pondere se esse gasto cabe no seu bolso e, finalmente, se decida ou não pela compra. 

Do ponto de vista neuroquímico, alterações nos níveis de dopamina prejudicam especialmente a atividade funcional dos circuitos pré-frontais, regiões cerebrais envolvidas no processo de tomada de decisão, resultando em prejuízos ou comportamentos impulsivos.

Em geral, a compra impulsiva reflete uma baixa análise das consequências e do custo/benefício, favorecida por propagandas, embalagens e promoções. A compra compulsiva, por outro lado, apesar de também refletir um padrão de pouca análise, está associada com atitudes desadaptadas para se lidar com a ansiedade ou angústia, sendo uma maneira de aliviar o estresse ou a tensão, sem considerar a necessidade do produto ou o saldo bancário para isso. O prazer obtido é imediato e passageiro, seguido por sentimentos de culpa, arrependimento e endividamento.

O interesse por compreender os mecanismos neurobiológicos envolvidos na tomada de decisão fez surgir uma nova área de estudos, a neuroeconomia. Baseada nos estudos de economia comportamental, psicologia cognitiva e neurociências, diversas pesquisas em neuroeconomia têm sido desenvolvidas para compreender o processamento de informações e seus efeitos sobre as escolhas, permitindo a melhor compreensão de comportamentos econômicos, como gastar mais do que se ganha. 

Nossas compras não precisam ter sempre motivações racionais, mas diante daquele produto incrível, seja no e-commerce ou em lojas físicas, talvez seja o momento de parar, refletir, buscar um equilíbrio entre a emoção e a razão, compreendendo o que está por trás da nossa ação. Afinal, o planejamento e a análise cautelosa antes da compra ser efetuada não impedem totalmente o arrependimento, mas reduzem as chances de que a felicidade causada pelo consumo seja esquecida logo após a visualização do extrato bancário.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: diversidade em equipes de trabalho aumentará presença de mulheres negras na publicidade

 

“Vejo as marcas sempre como caudatárias do processo, elas chegam já quando já na sociedade esse sentimento latente”— Cecília Russo.

Na busca pela igualdade racial, existem dois movimentos visíveis neste momento na gestão de marcas: um que começa a aparecer nas mensagens publicadas pelas empresas e serviços, e outro que surge internamente nas equipes de trabalho das organizações. Apesar dessas constatações, dois estudos sobre diversidade mostram que a presença de negros na publicidade ainda avança lentamente. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo destacou um levantamento que a TroianoBranding realizou para Editora Abril no qual foram analisados os anúncios publicados na revista Claudia, a partir dos anos de 1960 até 2006. Nos primeiros anos, apenas 1% tinha a presença de mulheres negras, cenário que avançou pouco cinco décadas depois: só 3% das mulheres que apareciam na publicidade eram negras e geralmente representando cozinheiras e empregadas domésticas.

A agência de comunicação Heads, desde fevereiro de 2016, tem feito levantamentos anuais para medir a presença de mulheres negras nos anúncios veiculados em televisão. Apesar do avanço, os resultados registrados estão muito aquém da diversidade da população brasileira:

2016 — 1%

2017 — 4%

2018 — 16%

2018 — 16%

Ou seja, apesar do salto que houve de 2017 para 2018, a representatividade de negras na publicidade ainda é baixa:

“Estamos longe da representação mais igualitária que obedece o perfil da nossa população…” — Jaime Troiano

Uma ação que pode impactar nesses resultados é o interesse de empresas em contratar pessoas negras com a intenção de combater a desigualdade racial. Há algumas semanas, o Magazine Luiza e a Bayer decidiram abrir programas de trainee em que apenas negros podem se inscrever. Cecília Russo destacou em seu comentário a frase dita por Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”:

“A diversidade maior nos nossos quadros de liderança vai gerar resultados maiores. (…) Se tivéssemos mais representatividade de mulheres e negros – que é nossa questão mais sensível hoje – na liderança, teríamos ações mais efetivas. Isso geraria mais vendas e, em última instância, mais retorno aos acionistas”.

Para Cecília e Jaime, a questão racial é emergente — já bastante tardia. As marcas, porém, devem ter cuidado para não fazer desta promessa uma bandeira vazia, construindo um discurso que não se realiza na prática.

“(temos de buscar) essa combinação de justiça social, equidade e resultado — e lucratividade —- nesse universo capitalista”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN e pode ser ouvido, também, em podcast.

Avalanche Tricolor: o Gre-nal é mesmo um jogo único

Grêmio 1×1 Inter

Brasileiro — Arena Grêmio

Mais um gol de Pepê, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Um gol para cada um.

Cada um com um gol de goleador.

Uma expulsão para cada lado.

E um só ponto na tabela.

 

O Gre-nal é mesmo um jogo único. 

Tanto faz quem tá melhor na temporada. 

 

Se Gaúcho ou Brasileiro.

Se Copa do Brasil ou Libertadores.

Se no Humaitá ou na várzea.

 

Gre-nal é …. bem, você sabe o quê.

Sempre vai ter um gol de Pepê.

 

Pra fechar esta Avalanche,

Mesmo sem a alegria de uma vitória:

tem mais dois “uns” para entrar na história.

 

Verdade, saímos de campo sem vencer,

Mas já faz 11 clássicos

Que o Grêmio de Renato 

Não sabe o que é perder.

Conte Sua História de São Paulo: homenagem ao seu Jacinto

Jacinto Afonso do Amaral Sobral

in memorian 

Não nasci aqui, cheguei ao Brasil em 1939, no porto de Santos aos 2 anos, juntamente com minha mãe e minha irmã mais velha. Meu pai, Manuel Afonso era um português muito comunicativo e empreendedor. Ele já havia estado no Brasil em anos anteriores, veio trabalhar com seu irmão mais velho ainda na década de 20 e, acredito, vislumbrou São Paulo como uma cidade muito mais promissora do que a pequena Carapito, aldeia na região norte de Portugal onde nascemos. 

Não lembro com exatidão das nossas primeiras moradias, mas tenho algumas recordações sobre o convívio com outros familiares (tios, tias, primos, quase todos portugueses). Minhas memórias são mais nítidas a partir do início da década de 40, período em que morávamos numa chácara rodeada por vastos morros — região hoje entre o Bosque da Saúde e o Jardim da Saúde — próximo à avenida do Cursino. Não tínhamos energia elétrica e a água era de poço. Nessa época, meu pai era leiteiro, tínhamos umas dez vacas; o leite era vendido nos bairros vizinhos.

Em 1943, aos sete anos, comecei a frequentar a escola, o grupo escolar Princesa Isabel, na Rua Ibirarema, bem em frente ao trecho em que havia um desvio dos trilhos do bonde da linha 30. Íamos a pé para a escola, eu e minha irmã 2 anos mais velha; tínhamos liberdade total em ir e voltar para casa sozinhos. 

A maioria dos veículos de transportes na região eram carroças puxadas por burros e cavalos. Pouquíssimos veículos automotivos circulavam pelas ruas; era época da 2ª guerra e a gasolina não era tão fácil para se adquirir; as bicicletas também eram muito utilizadas como meio de transporte.

Nossa chácara era relativamente perto de uma grande mata que nós chamávamos de Mata do Governo, onde hoje é o Zoológico de São Paulo. Lembro-me muito bem da inauguração do Zoológico, em 1958. Era perto dali, na Avenida Miguel Estéfano, avenida movimentada por carros que iam sentido Anchieta, onde eu gostava de passear de bicicleta.

Mas a melhor recordação da minha infância é a do dia em que chegou o caminhão que meu pai comprou, importado dos Estados Unidos, no início da década de 50. Ele havia desistido das vacas leiteiras e passou a fazer transporte de mercadorias do porto de Santos para São Paulo. Foi uma alegria só quando vi chegar aquele caminhão novinho, um Chevrolet verde, modelo 1951. E como eu não era muito afeito à escola, decidi lançar-me a aventura de acompanhar meu pai nas viagens durante os anos de 1952 a 1953. Meu pai era semi-analfabeto e precisava de minha ajuda nas negociações que fazíamos para transportar as mercadoria  pela recém-inaugurada Rodovia Anchieta.

Jacinto Afonso do Amaral Sobral é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Seu Jacinto escrevei este texto no início do ano. Em agosto, infelizmente nos deixou. Reproduzo essas lembranças a pedido da filha Renata Afonso Sobral que assim também faz uma homenagem em memória do pai. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para ouvir outras história da nossa cidade visite meu blog miltonjung.com.br ou assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Júlio Monteiro, da Megamatte, fala de estratégias do setor de franquias para enfrentar a crise

 

“O franqueador que tampa os ouvidos para as contribuições dos franqueados, está fadado ao insucesso, está fadado a ter somente um pico de expansão e você vê aquilo depois desmoronando” — Júlio Monteiro, CEO da Megamatte

 

Julio Antonio Dias chegou de Portugal e foi morar com uma tia no Rio, nos anos de 1970. Tinha só 15 anos e passou a vender limão na feira. Criou uma casa de suco, virou sócio de quitanda, montou negócio em São Paulo e voltou ao Rio para inaugurar na Galeria Condor, no Largo do Machado a primeira loja da marca Megamatte, em 1994. Hoje, a rede de franquia está sob o comando do filho, o advogado Júlio Monteiro, responsável por cerca de 150 operações em diferentes cidades brasileiras. 

Pai e filho jamais devem ter imaginado que um dia assistiriam a todas suas lojas interromperem suas atividades de uma hora para outra, resultado da pandemia que chegou ao Brasil, em Março. Medidas de emergência tiveram de ser adotadas, a troca de informações foi agilizada  —- com a participação do CEO da franquia em conversas ao vivo pela internet —- e uma espécie de manual de salvação foi definido. No programa Mundo Corporativo, da CBN, Julio Monteiro falou de algumas das medidas adotadas para a rede de franquias se manter em pé, apesar da crise econômica e do medo que tomou conta de franqueados.

“No dia 20 de março, fiz uma live e chamei toda a rede de fornecedores, franqueados, esposas e falei o seguinte: essa é a nossa guerra, é a guerra do equilíbrio, vai ser menos um dia e a retomada começa hoje” 

Além de filtrar informações que fossem relevantes ao negócio, evitando um turbilhão de mensagens desconectadas nem sempre fiéis à verdade, Monteiro disse que a Rede Megamatte se uniu aos franqueados para renegociar os contratos de locação que têm um peso importante nos custos e resultados econômicos das lojas.

“No franchising é preciso ter uma simbiose: franqueado, franqueadora, consumidores e fornecedores. É dessa forma que você mantém o equilíbrio e eu acho que essa estratégia funcionou muito bem nas franqueadoras e nesse momento de pandemia”.

A avaliação de Júlio Monteiro é que a rede reagiu dentro da expectativa que tinha quando traçou as estratégias no início desta crise. As lojas que fecharam o fizeram por problemas anteriores a pandemia, disse o CEO. Ainda segundo ele, nesse período alguns franqueados ampliaram suas participações na rede, fazendo com que hoje mais de 40% desses investidores tenham ao menos duas operações.

“Quando você tem esse envolvimento de operadores e investidores de sua marca, o propósito alinhado a cultura da empresa e uma segurança da franqueadora para esses investidores isso cria, sim, um apetite de investimento”

Com gestores de empresas sendo demitidos de suas funções e profissionais afastados de seus empregos, o mercado de franquias surge como uma oportunidade de negócios aos empreendedores. Perguntado por uma ouvinte do Mundo Corporativo se isto não pode levar aventureiros ao mercado, Monteiro responde:

“Eu gosto das pessoas que buscam por necessidade, porque você vai ter um perfil de pessoas que querem trabalhar. O franchising é um investimento mas também é um lugar de trabalho; você estar no segmento de varejo requer muito envolvimento e participação, é dali que você vai tirar o seu sustento”.

Quanto as pessoas que pensam se vale a pena empreender em franquia, neste momento, Monteiro acredita que sim, mas  recomenda que a escolha não seja feita no calor da emoção: é preciso buscar informações completas, conversar com o franqueador e procurar os franqueados.

A entrevista completa com o CEO da Megamatte Julio Monteiro você assiste no vídeo acima ou pode baixar em seu podcast. O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo, no Canal da CBN no You Tube, às quartas-feiras, 11 horas. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Julian Prado, Jéssica Bernardo, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Pandemia acelera burocracia que libera vacinas, no Brasil

Imagem:Pixabay

 

Se muita gente estagnou diante da pandemia, também é verdade que a situação de emergência e a necessidade de superar as restrições impostas pela Covid-19 acelerou inúmeros processos. Você deve ter percebido isso na sua dinâmica de trabalho, na relação com seus parceiros de negócio e mesmo no seu cotidiano em casa. Quanta gente que jamais havia se encorajado em comprar pela internet agora até esqueceu o caminho do shoppping? 

No Mundo Corporativo, tenho entrevistado gestores e consultores dos diversos setores da economia que identificaram, por exemplo, que a transformação digital avançou “em cinco dias 50 semanas” — foi a expressão usada por Luiza Trajano, do Grupo Magazine Luiza. Hoje, no Jornal da CBN, percebi que o mesmo ocorre com a burocracia. 

Por favor, ao ler a palavra burocracia não a receba de mal-grado: a burocracia é necessária para administração de empresas e realização de determinados trabalhos — sem essa, muitos dos processos se perderiam no tempo e no espaço. 

De volta à minha percepção. Deu-se a partir da entrevista que a Marcella Lourenzetto e eu fizemos com o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes. A Anvisa é a agência de vigilância sanitária responsável por uma série de procedimentos que permitem a produção e a venda de remédios e afins, no Brasil. Sem o certificado da agência talvez você não tenha acesso àquela droga que pode salvar sua vida, que já está à venda lá nos Estados Unidos, por exemplo.

Diante da pressa que estamos —- necessária, diga-se —- por uma vacina que nos proteja do Sars-Cov-2, a Anvisa já havia publicado resolução, no inicio da pandemia, na qual a meta para análise de medicamentos que pudessem ser usados na defesa da saúde da população fosse de no máximo 60 dias. O procedimento legal em vigor dá a agência até um ano para que a resposta seja apresentada. 

Agora, com o avanço das pesquisas em torno de uma vacina anti-Covid-19 e a urgência por uma solução, a Anvisa decidiu aceitar que a documentação científica, que comprove a eficiência de um medicamento, seja enviada mesmo que os testes não tenham sido concluídos. A ideia não é atropelar etapas; é aumentar a velocidade da análise, explicou o dirigente. 

Antes a agência só recebia o pedido de análise dos laboratórios ao fim de todos os testes; agora, aceita receber os documentos preliminares para avaliar as informações e ter agilidade no instante em que a pesquisa estiver concluída. Decidiu abrir o guichê mais cedo para que os laboratórios entreguem seus trabalhos antes de concluídos. 

Dois dias após o anúncio, o primeiro pedido foi protocolado pela AstraZeneca que trabalha em parceria com a Universidade de Oxford no desenvolvimento de uma das vacinas —- neste caso, testada aqui no Brasil sob os cuidados da Fiocruz. A Sinovac, que desenvolve a Coronavac, testada em São Paulo pelo Instituto Butantan, ainda não fez o pedido, mas já demonstrou interesse em encaminhar a documentação disponível.

“A gente colocou na  resolução que foi publicada depois da situação de pandemia  uma meta para nós de 60 dias; então já reduziu-se significativamente considerando um ano que é o prazo legal. Mas a gente acredita que com esse procedimento específico de submissão contÍnua a gente pode reduzir ainda mais esse tempo” — Gustavo Mendes, Anvisa

Isso significa que a vacina, seja ela qual for, já estará disponível no dia 15 de dezembro, como chegou a afirmar o governador de São Paulo, João Doria, entusiasmado em ganhar a corrida contra o Governo Federal? Não. Nenhuma garantia existe para que esse calendário político seja cumprido. Aliás, a maior aposta é de que não se terá a vacina para aplicar nos agentes de saúde antes de janeiro. A ver (e torcer para que os apostadores estejam enganados).

O importante e o que quero destacar aqui é a necessidade de aprendermos com o momento em que estamos vivendo. A Anvisa e sua burocracia se mobilizaram para acelerar processos sem abrir mão da segurança técnica e sanitária que necessitamos ter —- é o que diz. Segurança, qualidade e eficácia ainda são necessários se realmente queremos uma droga que salve vidas e não nos cause mais desafios. O mesmo ocorre em  processos de outros aspectos da nossa vida. A velocidade não pode prejudicar o resultado.

Passada a pandemia, deve-se avaliar se aprendemos a fazer este trabalho com maior rapidez ou se só é possível fazê-lo em casos isolados. Há o risco de com o ritmo acelerado, estressarmos o sistema de análise e provocarmos falhas de avaliação em outras drogas. Por outro lado, podemos descobrir que não é necessário usar o prazo de um ano, previsto em lei, nos demais casos, certificando remédios e vacinas que podem salvar vidas de pessoas que, muitas vezes, têm de importar o produto ou trazê-lo como “contrabando” para o país porque a nossa burocracia —- aí sim com sua conotação negativa —- emperra o desenvolvimento.

 

Sua Marca: IBGE é importante instrumento para o branding

 

Assine o podcast do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

“Branding não resiste se não estiver alinhado com a realidade demográfica da cidade” — Jaime Troiano

A pior cisa que uma marca pode fazer é não para fora e entender as características das pessoas a quem ela se dirige. Existem muitas lentes para serem usadas que permitem essa visão mais apurada, desde observações pessoas, orientadas por sensibilidade e atenção até pesquisas que se aprofundam nos hábitos, comportamentos e crenças de seus consumidores. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram um desses instrumentos que são os dados públicos e muito bem coletados do IBGE — o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

A título de exemplo, é possível identificar que entre 1970 e 2020, a participação de crianças abaixo de 12 anos no Estado de São Paulo caiu pela metade: eram 30% da população e hoje são 15%. Cenário semelhante ao que se encontra quando se calcula a taxa de fecundidade da população brasileira —- representada pelo número médio de filhos que as mulheres têm no período reprodutivo. Conforme o censo de 1970, esse índice era de 5,8 filhos por mulher, em média; em 2010, esse número despencou: 1,9 filho por mulher.

“Imagine como aumenta a concentração de renda familiar em torno de um número menor de crianças; assim, a variedade de coisas que uma criança passa a consumir é bem maior do que quanto a família tem vários filhos” —- Cecília Russo

Ficando apenas na questão de faixa etária, outro dado que se extrai das pesquisas do IBGE é que o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu muito ao longo das décadas e a expectativa de vida, também:

“Por isso cresceram ofertas para a pessoas que estão na maturidade, serviços especiais e instituições que recebem pessoas com mais de 60 anos …. veja como a rede Prevent Senior surgiu e cresceu por se dedicar a esse público” — Jaime Troiano

Entender a demografia da região em que se atua é fundamental para a realização de uma estratégia eficiente de branding, concluem os dois comentaristas. O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Assine o podcast do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Conversa de Primeira: o rádio e a rádio na vida de nossos comentaristas

Foi um dia de festa, reminiscências, boas histórias e tropicões este 1º de outubro em que a rádio CBN completou 29 anos. No Jornal da CBN, tive a oportunidade de comandar duas mesas de conversa que reuniu, virtualmente, todos os nossos comentaristas das faixas das 7h e das 8 h da manhã.

Em Conversa de Primeira, o rádio foi o foco do nosso bate-papo com Pedro Doria, Marcelo Lins, Mário Sérgio Cortella, Walter Fanganiello Maierovitch e Artur Xexéo. Nessa roda, exceção a Doria e Lins, que chegaram mais recentemente ao programa, os outros três, quatro se eu me incluir, são velhos conhecidos do ouvinte.

O Xexéo começou no Liberdade de Expressão com Carlos Heitor Cony e apresentação de Heródoto Barbeiro; hoje faz a Crônica de Sexta, com olhar mais voltado à cultura, sem deixar de observar todo e qualquer outro tema que mexa com o cotidiano das pessoas.

O Cortella já se apresentou em diversos formatos e espaços da programação. Atualmente, temos o privilégio de contar com ele em duas versões: diariamente no Academia CBN e às quartas-feiras, no Meio do Caminho. Pessoalmente, tenho a lembrança de ter sido ele meu primeiro entrevistado, ao vivo, na TV Globo, quando chegava em São Paulo, em 1991.

Maierovitch esteve comigo na época em que apresentei o CBN SP e pela maneira como era capaz de traduzir o juridiquês foi ganhando espaço na programação. Na época do Mensalão e com as sessões do STF transmitidas ao vivo para o Brasil, fez inserções diárias no Jornal da CBN. Atualmente, é nosso colega no Justiça e Cidadania, às quintas-feiras ou a qualquer momento em edição extraordinária. Velho companheiro de guerra, nos conhecemos no Portal do Terra, onde dividíamos bancada do primeiro “telejornal” da internet brasileira.

Marcelo Lins e Pedro Doria, os mais novos, em tempo de casa, além de flamenguistas e cariocas, dão diversidade nos temas do Conversa de Primeira. Um com o olhar voltado para o mundo e o outro com a visão direcionada à tecnologia.

O resultado de nossa Conversa de Primeira de hoje, você ouve aqui:

Em tempo: os tropicões que me referi lá no alto do texto se devem as histórias que fomos levados a contar sobre gafes e falhas no nosso dia a dia, no Estúdio CBN, programa em que participei na tarde desta quinta-feira.