A volta à escola e o desafio de proteger os sonhos e a esperança dos jovens do poder destruidor do coronavírus

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa 

Foto: Pixabay

 

A pandemia de COVID-19 tem promovido mudanças em todas as esferas — sociais, educacionais e econômicas — com consequências que ultrapassam os impactos provocados pela infecção. Recentemente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou que a pandemia pode aumentar os fatores de risco para suicídio, convocando ações efetivas para sua prevenção. Isso se torna urgente, uma vez que os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam o suicídio como a segunda causa de morte entre pessoas jovens.

Estudos iniciais sugerem que apesar de crianças e adolescentes serem menos propensos à infecção pelo coronavírus e permanecerem assintomáticos ou com sintomas mais leves da doença, sofrem diretamente seus impactos psicológicos, podendo apresentar ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), com consequências que podem se estender mesmo após o término do isolamento social.

Se por um lado as medidas de distanciamento tornaram-se necessárias, com evidências de eficácia na contenção da doença, reduzindo a propagação do vírus; por outro lado, têm sido associadas com piora nos sentimentos de solidão, desencadeando quadros de depressão e ansiedade. Isso se torna mais acentuado especialmente entre os jovens, tendo em vista a importância das interações sociais nessa fase da vida.

Diversos fatores são apontados como aqueles que impactam a saúde mental durante a pandemia, dentre os quais: incertezas em relação à doença, medidas rígidas de distanciamento social, perda de entes queridos e o fechamento prolongado das escolas.

Atualmente, a escola é considerada uma das principais instituições sociais, uma condição que começou a ser ocupada lá atrás, após a Idade Média. Até aquela época, o meio social, em seu conjunto, era o contexto educativo e todos os adultos eram responsáveis por promover a aprendizagem a partir das experiências pessoais. 

O desenvolvimento da industrialização trouxe mudanças significativas nos séculos XIX e XX, alterando o local de trabalho das residências para as fábricas. As casas passaram a ser locais privativos, com espaços individuais, como quartos e áreas de estudo, e o trabalho passou a fazer parte da vida pública, deslocado para lugares na cidade, exigindo nova organização urbana. 

Isso gerou mudanças na família, que não conseguia mais preparar as crianças para as novas exigências de trabalho, diferente de como era feito anteriormente, muitas vezes em ofícios transmitidos de pais para filhos. Além de preparar o indivíduo para o trabalho, a escola passou a ter uma função social, à medida que possibilitou o convívio com outros indivíduos, além dos familiares, favorecendo as interações e preparando para a vida em sociedade. 

Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, novas mudanças aconteceram, como o aumento no tempo de permanecia dos alunos no ambiente escolar.

Considerando a importância atual que a escola representa nos processos de socialização e o impacto do isolamento social na saúde mental de crianças e adolescentes, a OMS tem alertado aos governantes que analisem com cautela o período pelo qual as escolas permanecerão fechadas. 

Pensar em políticas públicas que envolvam crianças e adolescentes durante a pandemia exige maturidade dos governantes e da sociedade. Impõe afastamento de ideias simplistas, amadoras ou partidárias. Exige ponderação e decisão séria, tendo em vista os perigos desse vírus, que ainda conhecemos tão pouco, e suas consequências nas diversas esferas da vida. 

A COVID-19 já matou quase um milhão de pessoas. Paralelamente, os estudos mostram que a pandemia gerou um aumento de depressão e de TEPT em crianças e adolescentes, considerados fatores de risco para o suicídio.

Como tantos desafios já impostos pelo coronavírus, não parece haver uma resposta fácil sobre a abertura ou manutenção do fechamento das escolas. 

Pais, professores, governantes… somos todos responsáveis pela promoção do bem estar físico, psíquico e social de nossos jovens. Penso no poder devastador do coronavírus nas vidas e na saúde mental… e sem a presunção de propor uma solução definitiva, torço para que as medidas adotadas impeçam que o poder destruidor desse vírus atinja ainda mais os jovens, quer seja em sua saúde física quer seja em sua saúde mental, permitindo seus sonhos e esperanças.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: como escolher o atributo que fará diferença para o seu cliente

“As marcas mais poderosas, aquelas de que mais gostamos, deixam sempre um registro central, nuclear, na nossa mente. Um acúmulo de ideias atrapalha e confunde” —- Jaime Troiano

Os consumidores estão expostos a uma quantidade enorme de informações e as marcas têm obrigação de tornar mais fácil a tarefa deles identificarem quais as qualidades mais perceptíveis do produto ou do serviço oferecidos. Caso contrário, é possível que ele vá buscar no concorrente atributos que não encontrou na marca, apesar deles existirem e apenas não estarem visíveis. 

Como escolher o que é mais importante para qualificar a percepção de uma marca foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN. Um dos exemplos usados no programa é o de uma rede de lavanderias que pode falar da localização, da rapidez no atendimento, do preço ou do serviço de eliminação de manchas, mas, talvez, o cliente se impressione muito mais por uma mensagem pontual: “a roupa volta para sua casa como se tivesse saído da loja”. 

“É muito difícil escolher qual o atributo mais significativo, mas é muito importante. A cabeça do consumidor não consegue absorver tudo o que o dono da marca quer falar” —- Cecília Russo

Um dos métodos científicos usados para se chegar a resposta mais precisa é a análise de regressão estatísticas, na qual são identificados diversos atributos ou características de um produto ou serviço  e com a aplicação de pesquisa se consegue chegar aquele que realmente vai ser absorvido pelo cliente. No entanto, existem algumas atitudes que podem ser adotadas pelo gestor que ajudam nessa decisão:

“Embora não seja tão preciso, em primeiro lugar, é preciso deixar a vaidade de lado, de querer falar de tudo, usar o bom senso, conversar com os clientes e entender o que fazer as marcas mais bem-sucedidas daquele setor de negócios. Não é para copiar, mas para fugir das principais armadilhas” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e está disponível em podcast.

Avalanche Tricolor: entre o certo e o incerto, vamos ao que interessa

 

Grêmio 1×1 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio

Darlan briga pela bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio tem jogado fora boas oportunidades de marcar três pontos, fora e dentro de casa. Lá fora, em partidas que dominava, mas nas quais não conseguiu marcar gols com a mesma frequência de anos anteriores. Cá dentro (ou na Arena), o desperdício chama ainda mais atenção: de 12 pontos disputados ganhou cinco apenas; dos seis últimos pontos, ficamos com um, conquistado no empate deste domingo.

Feitas as contas, o aproveitamento do Grêmio é melhor fora do que dentro de casa. Estranho, não?!? Talvez não!!! Talvez a ausência de público na Arena, desde a retomada do futebol, esteja sendo um dos motivos para o rendimento anormal de um time que costumava amassar o adversário com o empurrão de sua torcida — você há de convir que aqueles gritos programados na caixa de som não enganam ninguém. 

O time troca passe, mas não com a mesma velocidade de antes. Os jogadores se movimentam em ritmo menos intenso no ataque e na defesa. A marcação sofre com tudo isso. O que só me faz ajoelhar e agradecer por termos Geromel e Kannemann na zaga. Sem eles, poderíamos estar ainda mais vulneráveis. Hoje, da dupla titular, o gringo ficou de fora. Que volte logo e em forma.

Somou-se a falta de Kannemann, a ausência de outras peças importantes como Maicon, que ficou pouco tempo em campo (saiu lesionado), e poderia com seu talento fazer a bola rolar mais rapidamente e com sua liderança fazer o time correr; e como Pepê, nosso velocista. 

Luiz Fernando que teve boa atuação nos poucos minutos em campo contra o Bahia, voltou a ser escalado no segundo tempo contra o Fortaleza e dá sinais de que pode se encaixar na equipe. Tem entrado  com vontade e fome de bola —- hoje com vontade além da conta e, ao ser expulso, prejudicou o time que havia feito jogar melhor.

Torcida e time (quase) sempre jogaram juntos nestes anos todos de títulos. Houve até partidas em que a torcida fez mais do que o próprio time. Hoje, essa força motriz está em falta … e tem de ser substituída por outros fatores, porque assim será para todo o ano de 2020. Mais um desafio para Renato que sempre apostou no carisma que tem com o torcedor —- além de seu conhecimento estratégico e comando de grupo —-  para colocar o time no caminho das vitórias.

A perda de pontos importantes, a série de empates e os percalços em casa talvez sejam pela falta do torcedor, talvez sejam pela ausência de alguns jogadores, talvez sejam apenas por que estamos nos reconstruindo em um temporada atípica como essa que vivenciamos. Não temos como saber ao certo.

Dito isso, vamos ao que interessa. 

Nessa sequência de incertezas, a única certeza que tenho é que um bom resultado na retomada da Liberadores, no meio da semana, fará toda a diferença. Que venha a vitória!

Conte Sua História de São Paulo: no bolso da calça, tinha uma moeda de CR$ 0,50

João Coradi Neto

Ouvinte da CBN

Inscreva-se no podcast do Conte Sua Historia de São Paulo

Em dezembro de 1972, eu havia completado 20 anos de vida na querida cidade de Dois Córregos, da qual nunca tinha saído pra conhecer novos lugares, novos horizontes. Tudo ali pra mim bastava. Eu vivia feliz. 

 

Dois meses depois, eu estava descendo na Estação da Luz, na capital. Sozinho, com uma pequena mala de roupas, e apenas um endereço na mão — no qual já estavam vivendo meus pais, dois irmãos e quatro irmãs, que haviam se mudado para lá três meses antes de mim; e tendo deixado para trás duas irmãs que estavam casadas. 

Com dificuldade e de madrugada, encontrei meu destino, que estava escrito em um pedaço de papel —- novo começo, nova vida. 

Assim que o dia clareou percebi a séria dificuldade em que viviam meus familiares. Todos desempregados e ansiosamente me esperando. Eu era o único que tinha trabalho — vim para a capital transferido pelo banco em que era funcionário: o Banco de São Paulo S/A — Emissor, que logo foi incorporado pelo Banco do Estado de São Paulo S/A, o Banespa.

Vivíamos com o meu salário de onde saía o dinheiro para pagar aluguel, água,  energia e comida para todos. No dia do pagamento, eu entregava tudo na mão da minha mãe, responsável por controlar as contas. Ela separava moedinhas de CR$ 0,50 centavos de cruzeiros, me dava duas por dia para a passagem de ônibus da Penha ao centro, do centro à Penha, na zona leste de São Paulo. Algumas das moedas eram para meus irmãos saírem de casa em busca de emprego.

Pegava o ônibus logo cedo e passava  o dia apalpando o bolso para me certificar que a outra moeda estava guardada para garantir a viagem de volta. No horário do almoço, para que meus colegas não percebessem que eu não tinha dinheiro para comer, perambulava pelas ruas próximas ao banco, olhando para os restaurantes e lanchonetes com seus pratos e salgados  — o que fazia aumentar ainda mais minha fome. À noite, em casa, geralmente era servido arroz puro. De vez em quando, tínhamos das salsichas, ou dois, três ovos que mamãe cozinhava e dividia em partes iguais para todos na mesa.

Comecei a ficar com raiva da cidade, achava que não era lugar pra morar. Lá no interior, apesar de ter tido uma infância pobre, nunca tinha me faltado algo pra comer. Pensava comigo: “quero voltar, esta cidade é cruel, aqui não dá pra viver”. 

Com o tempo, em casa, alguns arrumaram um emprego aqui outro acolá, às vezes provisório. E cada dinheiro extra nos ajudava a resistir na capital. 

Meus dias foram ficando melhores. O que era raiva virou resiliência. E nessa transformação, surgiu a admiração. Percebi que a cidade nunca havia sido cruel comigo. São Paulo simplesmente me testara para ver seu eu era digno de viver nela.

Aumentou meu círculo de amigos, meus familiares se firmaram no trabalho e fui me apaixonando pela cidade, que havia me recebido de braços abertos e dado todas as oportunidades para que eu e minha família crescesse.  

Hoje, agradeço por tudo que conquistei. Minha esposa, dois filhos, três netas e amigos que moram em meu coração. Sinto-me privilegiado. Nunca deixarei de amar a pequena Dois Córregos, a qual sempre procuro citar nos mais de 800 poemas que escrevi, muitos dos quais publicados em 22 livros, sempre com o apoio da Editora Matarazzo, presidencial pela querida Thaís Matarazzo. 

Da mesma forma que jamais esquecerei de onde nasci, também não deixarei de amar São Paulo que, para mim, é a melhor cidade do mundo.

João Coradi Neto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: ter negros na liderança é estratégico para empresas, diz Luana Genót do ID_BR

”A gente precisa entender que olhar para a população negra no Brasil não é favor, é estratégia de negócios, é ética e é também lei” — Luana Genót  ID_BR

O interesse de empresários brasileiros na promoção da igualdade racial aumentou de maio até agora, mesmo com a crise provocada pela pandemia do coronavírus. Quem observou essa mudança de comportamento foi Luana Genót, diretora-executiva do ID_BR Instituto Identidades do Brasil. O curioso é que, em um país onde a violência contra os negros se expressa no cotidiano e nas estatísticas, foi um fator externo que motivou essa reação.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, a jornalista disse que a instituição, fundada por ela em 2016, passou a ser mais procurada por dirigentes empresariais, aqui no Brasil, desde o assassinato de George Floyd, por policiais do estado de Minessota, lá nos Estados Unidos.

Luana entende que o movimento seja resultado do forte impacto gerado pelo crime que levou pessoas às ruas em diferentes partes do Mundo e foi acompanhado de perto pela mídia internacional. Lamenta, porém, que a violência sofrida pela população negra no Brasil não provoque essa mesma indignação. De acordo com o Atlas da Violência 2020, os casos de homicídio de pessoas negras aumentaram 11,5% em uma década, enquanto os de não negros reduziram em 12,9%.

“Costumo dizer que a gente não precisa mais de pessoas negras morrendo para ter um posicionamento antirracista ao longo do ano e também não precisa ser só um caso que venha de fora”

O ID_BR atua com a ideia de acelerar o processo de igualdade racial no mercado de trabalho e ajuda as empresas a desenvolverem estratégias que incentivem a presença de negros em cargos de liderança. Segundo Luana, apesar de ter triplicado o número de negros com ensino superior completo, nos últimos dez anos, isso não se reflete nas corporações sobretudo no alto escalão. É preciso mudar a cultura, torná-la mais inclusiva.

“É uma pauta que tem de ser transversal; não é uma pauta só de recrutamento; é uma pauta de posicionamento; é uma pauta de comunicação; é uma pauta estratégica para toda a empresa que quer crescer para além de olhar só a metade da população do Brasil. Tem de olhar a população por inteiro”.

Na campanha ‘Sim à Igualdade Racial”, promovida pelo ID_BR, são identificados três estágios de atuação das empresas:

Compromisso —- as empresas são estimuladas a desenvolver durante um ano ações de sensibilização e letramento racial; fazem um diagnóstico de sua realidade e iniciam o desenho de suas metas e prazos de inclusão de profissionais negros  a serem atingidos. 

Engajamento — as empresas estão há, pelo menos, dois anos desenvolvendo as ações e já estão um pouco mais avançadas. Para além do desenho, nessa etapa, elas também implementam políticas de metas atreladas às áreas e prazos.

Influência —  as empresas estão há, pelo menos, três anos atuando na pauta, têm resultados tangíveis sobre a presença de pessoas negras em cargos de liderança e influenciam toda a cadeia produtiva e demais segmentos no seu entorno na busca pela igualdade racial.

As experiências de Luana, do instituto e das empresas engajadas na defesa da igualdade racial mostram que a sociedade ganha como um todo, a partir do momento que este tema passa a fazer parte da estratégia corporativa:

“Não olhar para isso de forma estratégica, não investir nesta temática é uma forma de simplesmente dizer: ‘ah, eu não sabia’. Mas agora a população está cada vez mais cobrando isso. Então, esse tem sido o nosso convite para as lideranças que ainda se veem surpresas diante desses cenários que no meu ver não deveria causar nenhuma surpresa”

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido, ao vivo, no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubioti. 

Como apresentar uma aula pelo rádio e ganhar a audiência do seu aluno

O rádio é transformado em sala de aula na pandemia (Foto: Pixabay)

 

Tem em Osório, no Rio Grande do Sul; tem em Pindamonhangaba, em São Paulo; tem em Mulungu; no Ceará; e tem também em Ruy Barbosa, na Bahia. Tem aula sendo apresentada no rádio em várias partes do Brasil, desde que as escolas fecharam devido ao risco de contaminação dos alunos com a pandemia.

Sem a tecnologia mais avançada à disposição, sem sinal de internet na região e sem celulares na mão, alunos recebem o conteúdo possível sintonizando emissoras locais ou comunitárias. Prefeituras, professores e gestores de educação tiveram de se adaptar diante das carências de cada região. Com o material didático e uma dose grande de resiliência os alunos tentam absorver o conhecimento através de um veículo no qual a maioria só ouvia música.

Com a preocupação de reduzir o prejuízo no aprendizado desses jovens —- e mesmo de adultos que se alfabetizam no EJA —-, o Núcleo de Estudos de Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) elaborou um guia para que os professores tirem proveito dos recursos que o rádio oferece.

São 10 dicas que podem ajudar o professor, beneficiar os alunos e fornecer a você, que imagina um dia trabalhar com o veículo, na área da educação ou não, um conhecimento básico sobre como transmitir da melhor forma a mensagem pelo rádio. São dicas para situação de emergência, porque o rádio pode ser ainda mais bem explorado. Mas deixemos esses outros recursos para quando a situação se acalmar.

O guia leva a assinatura dos professores Luiz Artur Ferraretto, doutor em comunicação e dos maiores entusiastas do rádio que conheço, e Fernando Morgado, mestre em economia criativa. O trabalho se inicia inspirado por frase de Edgar Roquette-Pinto, pai da radiodifusão brasileira, criador da primeira emissora no Brasil:

“Ensine quem souber, o que souber, a quem não souber”

Com “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de Covid-19”, o NER trata de elementos que estão ao alcance dos educadores, e não cai na tentação de querer ensinar o professor a dar aula, mesmo que algumas das dicas a seguir sejam muito úteis para o dia a dia na escola —- quando isso se tornar possível novamente.

O trabalho completo vale a pena ser baixado. O arquivo está disponível no site do Núcleo de Ensino de Rádio. A seguir, um resumo de cada passo e a minha recomendação: faça essa caminhada junto com o seu aluno:

1 — Conheça como funciona o rádio

“Do final do século passado até a atualidade, o rádio não mudou e, ao mesmo tempo, mudou muito”. Muitas mudanças no campo da tecnologia e transmissão do sinal; e a perseverança na ideia de que a relação apresentador e ouvinte ou professor e aluno se baseia em um diálogo que se altera “entre uma espécie de palestra e algo próximo de bate-papo”. Nessa conversa, um desafio para quem precisa da atenção do aluno “o caráter sonoro da mensagem permite que o ouvinte realize outra atividade em paralelo à escuta”.

2 — Não tenha medo de falar ao microfone

Todo mundo estranha quando ouve sua voz pela primeira vez em uma gravação. Não se preocupe. É apenas a falta de costume de ouvir a si mesmo. Seus alunos já o conhecem pela voz e vocabulário que usa. O NER chama atenção para que ninguém se intimide por não ter aquilo que se consagrou no passado como voz de locutor de rádio: “falar claramente é muito mais importante do que possuir um vozeirão”. 

Outra sugestão que entendo ser relevante. Sua fala vai além da sua voz, inclui gestos, expressões e postura, portanto “se na sala de aula e no dia a dia você gesticula, faça o mesmo ao falar em rádio”. A palavra ganha vida.

3 — Não fale sozinho

Formem duplas ou trios de professores, assim o que seria um monólogo vira conversa e a mensagem chega mais agradável ao ouvinte. Um recurso pode ser a entrevista com pessoas que ajudem a ilustrar a temática abordada.

4 — Bata papo com a turma

“Como fazem os comunicadores, vocês precisam fingir que conversam com o seu público, criando uma espécie de bate-papo imaginário com alunas e alunos” e para que isso funcione é preciso conhecer bem o público para o qual se destina o conteúdo.

5 — Explore o ambiente dos alunos

Como já dito, no rádio você disputa a atenção do ouvinte com outros estímulos que estão à sua volta. Entre no cotidiano do seu aluno. Use expressões tais como: “você que está escutando a gente em sua casa, cuidando do irmãozinho menor enquanto a mãe foi para o trabalho …” etc

6 — Vá direto ao assunto

A mensagem no rádio é altamente fugaz ou volátil, lembra o guia. Então, vá direto ao assunto, descrevendo-o com começo, meio e fim. Se me permitem os autores do texto, dou meu pitaco: “seja simples, direto e objetivo” — é o mantra da boa comunicação.

7 — Ensine em módulos

A transmissão no rádio é a simulação de uma conversa. Não se trata de um bate-papo de mesa de bar. Precisa ser uma comunicação planejada, não necessariamente escrita —- recomenda-se que não o seja. Faça um roteiro dos temas e separe o conteúdo em blocos de 5 a 10 minutos, crie novos estímulos e volte ao assunto em seguida para manter a atenção do aluno.

 

8 —  Pare e pense

A cada passo é necessário analisar o que foi realizado e quais os resultados obtidos. Faça uma autoavaliação do lado de quem emitiu o conteúdo.

9 — Seja redundante

Com bom senso, é claro. No começo da aula explique o que será tratado e, no meio do caminho, retome alguns pontos de forma resumida. Sempre que tiver alguma informação que precisa ficar na memória do ouvinte, não se reprima: repita a sentença.

10 — Comece tudo de novo

A cada novo programa como a cada nova aula, saiba que você vai precisar recomeçar. Se os passos anteriores foram dados com sensates, o recomeça será apenas uma consequência, ensina o guia.

Bom programa, ótima aula e se cuide!

Avalanche Tricolor: a Primavera está chegando

 

Bahia 0x2 Grêmio

Brasileiro — Estádio de Pituaçu, Salvador/BA

 

Alisson comemora o primeiro gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Renato é gênio.

Alisson é craque.

Vanderlei, nunca reclamei.

Grêmio mostra a que veio no Campeonato. 

Exagerado?!? Não sou eu, não! 

Exagerados eram os corneteiros que insistiam em pregar a desgraça alheia diante de resultados pouco convincentes. O desempenho estava abaixo do esperado, sem dúvida. Jamais neguei. E se o caro e raro leitor deste blog duvida do que escrevo, basta ler a Avalanche “Que toquem as cornetas”, escrita duas rodadas atrás.

O que não aceitava — e sigo não aceitando — era o exagero da crítica que usava palavras como “fracasso”, “teimosia” e “preguiça” para descrever um time que conquistou o Campeonato Gaúcho, recentemente; mantém a longa invencibilidade contra seu principal rival; vendeu o seu maior craque —- aliás, considerado até então o maior em atuação nos campos brasileiros —-; está em reconstrução porque tem de recolocar peças em lugares de jogadores consagrados; e ainda espera a recuperação física de um grupo que sentiu muito a parada provocada pela pandemia.

A vitória contra o Bahia, fora de casa, talvez amenize o toque das cornetas, pois mesmo com todos os desfalques, mostrou que o DNA do time de Renato se mantém. Saber resistir a força do ataque do adversário, apesar de desfalques em boa parte do sistema defensivo, e aproveitar com precisão a única oportunidade real de gol até aquele momento, 25 minutos do primeiro tempo, deram tranquilidade para o Grêmio colocar a bola no chão, trocar passes e se movimentar com um pouco mais de velocidade.

O curioso é que o time que insistia em não cobrar escanteios com bola cruzada dentro da área, acabou marcando seu primeiro gol na cobrança de lateral a longa distância. Na combinação do arremesso feito por Cortez e o cabeceio de Diego Souza, Alisson foi premiado com um chute certeiro da entrada da área. Merecido gol para um cara que se sacrifica em campo para sustentar o esquema de jogo de Renato — e muitas vezes não é reconhecido por sua função.

Daí pra frente, o Grêmio esboçou o futebol que gostamos e que se seguir evoluindo vai calar de vez os corneteiros. A despeito de uma série de outras boas jogadas, o segundo gol bem ilustrou este momento que estamos reconstruindo: o passe de Everton, o recém-chegado, foi especial. Olha para um lado e dá um tapa para o outro, em velocidade e com precisão. Darlan, recém-alçado ao time titular, que havia participado do inicio do lance, deslocou-se no sentido contrário e se colocou livre para receber o presente do colega de ataque. Marcou seu primeiro gol no time principal — que seja o primeiro de muitos.

O Grêmio está distante de ser o time que Renato, seu grupo e os torcedores esperam. Muito mais longe estava, porém, da imagem construída por parte daqueles que o criticam —- e incluo aqui, especialmente, torcedores insatisfeitos com a própria vida, que descontam tudo naqueles que nos representam em campo. 

A retomada da vitória e a recuperação física e psicológica de alguns jogadores serão muito importantes para a sequência  do calendário, com o revezamento entre Brasileiro e Libertadores, neste mês de Setembro —- o que me faz lembrar que depois do Inverno vem a Primavera.

A Moda no pós-pandemia pode melhorar a economia e a sustentabilidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Foto: Pixabay

 

O cenário vivenciado pela ação do Covid-19 está acelerando mudanças que viriam em ritmo mais lento, como a digitalização, hoje obrigatória. Ao lado de inúmeras projeções e sugestões para enfrentar os desafios por vir, destacamos a preocupação em criar empregos.

 

A empregabilidade nacional que já vinha com taxas desconcertantes teve acentuada queda; e a priorização na criação de empregos é absolutamente essencial para a volta à normalidade econômica e social no país.

 

Nesse contexto, há uma combinação de fatores que levam necessariamente ao setor de vestuário como um dos segmentos mais estratégicos para o processo de melhoria da taxa de emprego, da sustentabilidade e de novas oportunidades de negócio. Ou seja, o setor é intensivo de mão de obra, é um dos mais poluidores, é gigantesco em valor e é altamente potencial para inovações.

 

A indústria da Moda só perde para a indústria da construção civil na absorção de mão de obra. É intensiva de mão de obra, ao mesmo tempo que é de baixo capital de investimento. É o posto de trabalho criado com o menor investimento entre todas as indústrias — além do aspecto social nas camadas carentes da população.  

 

A indústria brasileira de confecção de roupas perdeu competitividade para a Ásia. Sofremos eliminações em todos os parques industriais de produção de roupas — das costureiras externas individuais, das costureiras externas de grupos, dos grandes confeccionistas até as grandes corporações industriais.

 

O cenário negativo para a indústria nacional ainda se acentuou devido a moda ter enveredado para o fast fashion, tão propício ao produto descartável — com prejuízo da qualidade de mão de obra e com o estrago feito no meio ambiente, pelas características da execução e do uso. Entretanto, no cenário de hoje, o fast fashion perdeu o protagonismo, assim como a Ásia começou a gerar incerteza para o negócio da moda brasileira, pela convulsão política, sanitária e econômica — afinal, o dólar com instabilidade de picos de até 50% é inadministrável.

 

Em relação à sustentabilidade estamos diante de um negócio de 2,4 trilhões de dólares anuais, que emprega 75 milhões de pessoas, e vão ao lixo 500 bilhões de dólares. 1/3 das pessoas usam as roupas apenas no primeiro ano da compra. É bom lembrar que a maior parte dos países do mundo tem um PIB bem inferior aos 2,4 trilhões da Moda, e o PIB do Brasil é em torno desse valor. Stanley Jones da ONU Meio Ambiente, fonte destes dados, lembra que os impactos do uso de agrotóxicos nas colheitas de algodão não podem ser esquecidos. 

 

Daniela Chiaretti, do Valor, em março, já reportava que a indústria da Moda polui mais que navios e aviões, respondendo por 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, sendo o segundo setor da economia que mais consome água, e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. Os oceanos recebem 500 mil toneladas de microfibras sintéticas por ano, e as pessoas consomem 60% a mais de peças do que há 15 anos.

 

Por isso, a Moda começou a agir, embora ainda reduzidamente.

 

A H&M comercializa 95% de itens com algodão orgânico ou reciclado. A Ikea criou uma cortina cuja tecnologia ajuda a limpar a poluição de ambientes internos. A Prada lançou com sucesso mochilas feitas de plásticos recolhidos dos oceanos. A Adidas prevê renda de 1 bilhão de dólares em tênis desenvolvido com material natural.  A Osklen lançou bolsas com o couro  do Pirarucu.

 

A Carteira 2019 do ISE Índice de Sustentabilidade Empresarial BOVESPA já conta com expressivas empresas do varejo como a Renner, C&A e Lojas Americanas. A Malwee está inserida totalmente em projeto de sustentabilidade, assim como a Marisol no setor infantil já trocou o “consumidor” por “usuário”.

 

Na última NRF Retail’s Big Show, em janeiro deste ano, significativo evento do varejo norte americano, ficou evidenciado um conjunto de novos modelos de comercialização para o vestuário.

 

Lojas que abrem espaço para a venda de roupas usadas: second hand — onde se destacam inclusive as grandes marcas centenárias do mercado do luxo. Sistemas de locação de roupas, com alternativas de clubes em que há uma rotação permanente de suprimentos para clientes que recebem em casa periodicamente novos produtos. Sistemas de reciclagem onde são recolhidas roupas usadas para reaproveitamento do todo ou de parte das peças. 

 

Essas inovações já estão colocadas à disposição do mercado por consultorias especializadas, internas e externas a algumas empresas pioneiras. Na verdade, parte dessas ações o mercado de automóveis já disponibiliza. Compre seu carro novo e dê o usado de entrada. Ou alugue um carro para o fim de semana. Ou faça um leasing.

A Manancial, especializada em sustentabilidade criou o projeto Linha Certa, que objetiva criar soluções de mão de obra feminina para a indústria de confecção nos presídios femininos, cumprindo vários dos Princípios e Objetivos da ONU. A meta da Manancial é entregar para as confecções uma alternativa para exercer uma relação de ganha-ganha com todos os envolvidos no processo. Resolverá a produção das peças, dará uma profissão e uma remuneração para as presidiárias, além da redução das penas.

 

No rol das especulações sobre as resultantes do vírus, há uma tendência a esperar o aumento da humanização nas relações sociais, e talvez uma empatia mais presente. O projeto Linha Certa acolhe perfeitamente a melhora nas relações humanas, além de contribuir inegavelmente para a empregabilidade. 

 

NE: Para aprender um pouco mais sobre este tema, inscreva-se, de graça, e assista à palestra do autor deste post, Carlos Magno Gibrail com Angela Garcia, hoje, no encerramento do ENCOAD 2020

 

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Eleições presidenciais nos EUA

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

imagem: Pixabay

 

As eleições presidenciais norte-americanas, por conta da modelagem e extensão que adotam, determinam um ponto de convergência entre analistas e pesquisadores: a sua complexidade. Isso é compreensível. A Carta da Filadélfia, objeto de apenas duas alterações nessa matéria desde 17/09/1787, delegou aos Estados-membros a regulamentação do processo eleitoral. Com isso, cada um dos 50 eventos regionais que se sucede país afora de fevereiro a junho tem o seu próprio contorno.

 

Diante da liberdade para a etapa inicial do processo de escolha dos pretendentes, na ausência de uma forma consagrada, constam três modalidades de participação dos eleitores, não necessariamente filiados. Levando em conta os últimos pleitos, 35 unidades estaduais realizam primárias, cinco optam pelas convenções e o restante organiza caucuses. Refira-se que enquanto aquelas primeiras são revestidas de contornos formais, as últimas beiram a informalidade, correspondendo a uma espécie de festividade organizada por grupos de filiados ou militantes das candidaturas. Após essa maratona, os partidos realizam uma convenção nacional para homologar o nome que disputará a Casa Branca. O candidato ao cargo de vice-presidente geralmente é o segundo colocado das prévias ou uma indicação consensual pelo candidato à presidência.

 

Registrados para o embate nacional, os principais candidatos passam então a percorrer mais uma vez o país em eventos e comícios entre os meses de julho a novembro buscando convencer o eleitorado, agora não apenas acerca das suas propostas, mas especialmente de votar, visto que este ato é facultativo em terras americanas. Apuradas as urnas e transcorrido um mês da eleição, um colégio eleitoral formado por 538 delegados estaduais se reúne e elege o mandatário ianque para os quatro anos seguintes.

 

Item conclusivo do processo, o pleito indireto mantém intacto o espírito constitucional cimentado pelos fundadores da nação no sentido de que a essência democrática está assentada na representatividade do Poder Legislativo, esse sim, a ser eleito diretamente pela população. Isso se deve, segundo estudiosos e historiadores do sistema político dos EUA, ao temor de que o poderio presidencial pudesse derivar em despotismo, caractere decisivo à ruptura com a Coroa Britânica. Tal formato, sempre vale referir, embora longevo, não encontra resistência entre os americanos.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (2ª ed. 2020, Verbo Jurídico). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Desafio à frente: recalculando …

 

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

 

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“Mais coisas sobre nós mesmos nos ensina a terra que todos os livros.

Porque nos oferece resistência.

 Ao se medir com um obstáculo o homem aprende a se conhecer”

Antoine de Saint-Exupéry

 

 

Muitas pessoas se recordam de Saint-Exupéry por seu famoso livro O Pequeno Príncipe (1943). Durante meu pós-doutorado na França, conheci sua história como piloto do correio aéreo francês, através de suas experiências descritas no livro Terra dos Homens (1939).  Um livro poético cujas frases muitas vezes me faziam voltar e ler novamente por conta de suas narrativas tão profundas sobre a vida, amizade e heroísmo. Imaginar o que era pilotar aviões que atravessavam oceanos com uma única hélice e sem pressurização, aviões cujos motores não ofereciam segurança e falhavam de repente, com “barulheira de louça quebrada”, me fazia refletir que isso era possível graças à coragem daqueles pilotos.

 

Na vida cotidiana somos convidados ao enfrentamento de desafios. Situações que vão exigir reinvenção, novas atitudes, mudança, mas acima de tudo coragem. Coragem para acreditar em nós mesmos e trilhar outros caminhos.

 

Construir novos objetivos e se engajar para atingi-los pode ser uma tarefa árdua. Quem nunca pensou: “isso é demais para mim” ou “não vou dar conta”? Por costume ou hábito, muitas vezes as pessoas estão insatisfeitas com o modo como estão vivendo, mas não conseguem mudar. Preferem a certeza ao risco, numa ilusão de que assim estão seguras, protegidas dos perigos da vida. Subestimando a própria capacidade de superar os desafios, desconsideram que a incerteza é uma das características do mundo que vivemos.

 

Mudanças levam tempo, exigem planejamento e dedicação. Mudanças geram autoconhecimento, nos permitindo enxergar potencialidades que nem sabíamos que eram nossas. Geram aprendizagem. O mais curioso é que ao decidirmos realizar algo diferente, as transformações se iniciam, produzindo novos comportamentos. Pense em alguém que decidiu aprender a cozinhar ou dirigir, a praticar uma atividade física, um segundo ou terceiro idioma, trocar de emprego… a decisão inicial gerou uma ação, um comportamento direcionado para atingir esse objetivo.

 

As estruturas neurobiológicas localizadas nos lobos frontais, mais especificamente no córtex pré-frontal, desempenham um papel essencial na formação de metas e objetivos, bem como no planejamento de estratégias necessárias para alcançá-los. Além disso, o córtex pré-frontal é responsável pela avaliação do sucesso ou fracasso das ações realizadas e o estabelecimento de novas estratégias, quando se torna necessário mudar o curso de ações ou pensamentos de acordo com as exigências do ambiente.  

 

Uma vez ouvi o CEO de uma empresa dizer que atingir um objetivo em nossa vida deveria ser como usar o aplicativo de trânsito: você coloca o destino que deseja chegar e segue o trajeto definido. E se errar? Para isso existe o “recalculando”. Não é desistindo, é recalculando.

 

Apesar de Albert Einstein ser sinônimo de genialidade, ter desenvolvido a teoria da relatividade e ter sido eleito o mais memorável físico de todos os tempos; suas palavras servem de incentivo para aqueles momentos nos quais a gente quase joga a toalha, pensa em desistir, mas se recorda que vale a pena tentar novamente:

 

“Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objetivos mesmo que esses pareçam impossíveis, a próxima tentativa pode ser a vitoriosa”.

 

Se assim era para o gênio, imagine para nós, pobres mortais! Diante de novos objetivos, surgem os obstáculos, mas a gente se empenha, se esforça, desenvolve habilidades… se conhece e se supera. Como no aplicativo de trânsito, a gente recalcula e chega lá.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung