Expressividade: sorrir dá significado à mensagem

 

Leia mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

smile-191626_960_720

foto: Pixabay

 

O VALOR DE UM SORRISO

“Sorria!
Seu sorriso deixa outras pessoas felizes e
Também faz você feliz.
Um sorriso vale mais que mil palavras”

O texto acima, poesia de gosto duvidoso, foi parar pendurado no espelho lateral de meu carro em um sinal fechado de São Paulo. Estava dentro de um saquinho de plástico acompanhado de chicletes e balas. Tudo por R$ 1,00. Convenhamos que por este preço e com tantos produtos sendo oferecidos, não dava mesmo para querer um Machado de Assis. Seja como for, o papel amarelo com o texto impresso ficou guardado no bolso da calça porque me chamou atenção o fato de o autor anônimo ter substituído “imagem” por “sorriso” no ditado popular.

 

Não sei se vale mil palavras, mas sorrir é outra forma de expressar sentimento e, portanto, se comunicar. Foi-se o tempo do apresentador carrancudo ser sinônimo de credibilidade. Atualmente, cara fechada é traduzida por medo, mau humor ou burrice. Desculpe-me pela expressão, mas é isso mesmo. Quando você cruza com alguém que costumeiramente está com o semblante cerrado e lábios apertados, desconfie da inteligência dele.

 

Durante a apresentação da notícia ou em uma palestra, sorrir no momento certo dá significado ao texto. Em alguns momentos, revela concordância com o fato relatado. Se irônico, o sorriso ganha a força de um editorial. Feito com naturalidade e no momento certo pode, inclusive, provocar a cumplicidade do público. Caso contrário, gera oposição. Por favor, não exagere. Ninguém precisa ficar espalhando sorrisos a torto e a direito. Dar uma boa gaitada somente se for em família ou no encontro de amigos e, mesmo assim, se a piada tiver qualidade, se não vai parecer falso.

 

O bom humor também é importante porque, além de quebrar algumas resistências, comuns quando se fala em ou para o público, ajuda as pessoas a perceber melhor a mensagem que está sendo transmitida. Não se arrisque, no entanto, a contar piadas se esta não é sua praia. Muitas vezes, com o objetivo de tornar o ambiente mais agradável, o comunicador tenta uma brincadeira que soa de mau gosto. Tire a temperatura da audiência, verifique qual o tom correto da notícia, antes de tentar a sorte. Sensibilidade é a palavra-chave.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

STF deve desmembrar apuração contra Bolsonaro e Moro pedida pela PGR

 

O ministro Celso de Mello anuncia hoje a sua decisão sobre o pedido de autorização feito pelo procurador geral da República para que se investigue a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, terem cometido diversos crimes.

 

O procurador Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira, para abrir um inquérito sobre os fatos narrados por Sérgio Moro, quando anunciou a saída dele do Ministério da Justiça.

 

Surpreendeu o tom do pedido; pois Augusto Aras não pediu apenas que se investigue o que o ex-ministro disse sobre Bolsonaro. Pediu que Moro seja ouvido em depoimento para detalhar as acusações e apresentar documentos que sustentem essas acusações, se estas existirem, e imputa a ele também a possibilidade de crimes.

 

Quais crimes que foram elencados pelo procurador, que podem recair ou sobre Bolsonaro ou sobre Moro, dependendo o caso: “falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra”.

 

A análise do pedido está sendo feita pelo ministro decano Celso de Mello que hoje deve anunciar sua decisão autorizando a investigação e desmembrando a investigação. A persistirem os sintomas, fica no STF a investigação sobre as acusações contra o presidente Jair Bolsonaro. E as acusações contra Sérgio Moro, vão para a primeira instância —- isso ocorrerá porque Moro não tem foro privilegiado.

 

Nestas circunstância e tomada a decisão, é muito provável que o pedido do Procurador Augusto Aras torne ainda mais complicada a situação do presidente Jair Bolsonaro, do que imaginava quando entrou com o pedido de autorização de investigação. Bolsonaro estará muito mais exposto em um palco relevante como o STF, onde não goza de muita simpatia. E Moro ficará a cargo da primeira instância, em processo mais longo, que tende a ser extinto por arquivamento.

 

A decisão pelo desmembramento deve ser anunciada ainda nesta segunda-feira.

Mundo Corporativo: Daniel Castanho fala das vantagens para as empresas que se comprometeram a não demitir

 

“A empresa está tomando conta do que há de mais nobre, que é o trabalho do seu funcionário” — Daniel Castanho, empresário

Um manifesto apresentado a 40 empresários brasileiros transformou-se em um movimento com adesão de mais de 4.500 empresas que se comprometeram a não demitir nenhum funcionário até o dia 1º de junho, apesar das dificuldades econômicas provocadas pelo novo coronavírus. O empresário Daniel Castanho, um dos criadores do “Não demita”, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN, calcula que 2 milhões de empregos foram garantidos neste período.

 

Esta edição do Mundo Corporativo foi gravada de casa — seguindo as recomendações de isolamento social — com vídeo captado por uma câmera de Iphone e áudio por um aparelho TieLine.

 

Castanho é o presidente do conselho de administração e um dos fundadores do grupo Ânima Educação, que reúne 12 instituições educacionais, mais de 118 mil alunos e cerca de 8 mil educadores. Ele conta que assim como muitas pessoas, assustadas com os riscos que a pandemia poderia gerar, correram aos supermercados para fazer estoques de uma grande variedade de produtos, donos de empresas e executivos imaginaram que seria necessário demitir profissionais para manter suas empresas saudáveis, em um primeiro momento. Porém, foi possível mostrar que a manutenção dos empregos, era um compromisso ético e moral que as empresas deveriam assumir:

“… se você demitir alguém agora, a pessoa não vai ter nem a possibilidade de mandar o seu currículo, nem de sair de casa, então é o momento do empresário não demitir”

No início do movimento, alguns empresário alegaram que não teriam condições de assumir o compromisso de não demitir, porém, mudaram de ideia a partir do instante em que perceberam que seus concorrentes estavam dispostos a manter seus profissionais. Em seguida, viram o impacto positivo que a medida gerava entre seus colaboradores e clientes:

“O movimento gera comprometimento dos funcionários e valorização por parte dos consumidores”

Com base em experiência desenvolvida no comando da Ânima Educação, empresa da qual foi um dos fundadores, Castanho recomenda que os empresários sejam muito transparentes com seus colaboradores. Em 2009 e 2013, por exemplo, o grupo adquiriu instituições de educação que estavam com os salários atrasados e dificuldades financeiras, e decidiu chamar todos os professores e funcionários e abrir os números, o faturamento, a dívida, o tamanho da folha de pagamento:

“Você tem de entender todo mundo como empreendedor, são todos seus sócios naquele momento, são empreendedores arriscando com o CNPJ do outro; então olhe para todo mundo que trabalha na sua empresa como seu sócio e fale com eles como nós vamos reinventar essa empresa com um novo formato e tudo mais … “

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: o dono da doceria do Brás era a cara do Tenente Rip Masters

 

Por Celia Corbett
Ouvinte da CBN

 

caetano-pinto-1

A Rua Caetano Pinto na altura do Laboratório Fontoura, no Brás Foto: ouvinte CBN

 

 

Eu tinha quatro anos, em 1958, e morava com a família na Rua Caetano Pinto, uma travessa da Avenida Rangel Pestana, no coração do Brás. Meu pai Hélio, era escrevente de cartório; minha mãe Ottilia, dona de casa; e mais três filhos: Márcia, Carlos e eu… a Celinha.

 

Morávamos em um prédio, com quatro andares, que para a arquitetura que dominava as construções da região era muito moderno. Tinha um elevador que subia e descia ao meu bel prazer (e quando o Sr Quirino, o zelador, não via, né?).

 

Na Caetano Pinto, eu me lembro de que à esquerda era o Laboratório Fontoura, do famoso biotônico. A loja do Sr. Regis, que vendia porcelanas. E quase na frente do terraço do meu prédio uma doceria. O dono era a cara do Tenente Rip Masters, da série de TV Rim Tim Tim.

 

Meus irmãos me diziam que o Tenente fechava a doceria e corria para TV. Eu ficava na janela à espreita. Assim que o Tenente fechava a loja, eu ligava o aparelho de TV, que na época demorava a sintonizar —- tempo suficiente para Rip Masters aparecer no Forte Apache.

 

Santa inocência!

 

Seguindo, à direita eu tinha a IRFM – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. E lá trabalhava o meu nonno, Francisco Ferrari, Chefe de Almoxarifado. Eu ouvia o sonoro apito da fábrica todos os dias, que norteava o horário de muitos moradores do bairro.

 

Como esquecer a Paróquia de Nossa Senhora de Casaluce, que os napolitanos fundaram. Até hoje só existem duas no mundo dedicadas a ela: a de Nápoles e a de São Paulo. A festa da paróquia era incrível e o que mais me fascinava, além da comilança, era o “pau de sebo”.

 

Nos domingos, atravessávamos a Avenida Rangel Pestana e lá estava a casa dos meus nonnos na Maria Domitila, ao lado do Parque Dom Pedro II, do Gasômetro e da Assembleia, no Palácio 9 de Julho, palco de grandes atividades políticas.

 

Um pouco mais adiante perto das Avenidas do Estado e Mercúrio tinha o Mercado Municipal de São Paulo, que segundo contava meu nonno, sua primeira função foi a de armazém de pólvora e munições. Acredita?

 

Lindo mesmo era o Parque Dom Pedro II cortado pelo Rio Tamanduateí que nas suas margens tinham os “chorões” com seus galhos caindo para o leito do rio. Lá, também, tinha o delicioso Parque Shangai, um dos parques de diversões mais movimentados no Brasil, durante muitos anos.

 

Foi no Parque Dom Pedro II que o nonno Francisco, me ensinou a andar de bicicleta —- aprendi, mas claro que no dia em que retiramos as rodinha de suporte, levei um tombo que rendeu muitas lágrimas.

 

Em 1960, nós mudamos para Vila Mariana, em uma casa própria, e colocamos na nossa mala de recordações as lembranças daquela comunidade italiana, o sonoro apito da fábrica dos Matarazzo, as festas de Casaluce e o domingo no Parque Dom Pedro II.

 

Célia Corbett é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade.

Expressividade: é preciso coerência entre a palavra, o corpo e a voz

 

Leia mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

emotions-371238_1280 2

Foto: Pixabay

 

SOBRANCELHA EDITORIAL

“É um absurdo aqueles estilosos âncoras sul-americanos que comentam a notícia e emitem opiniões. Isso não é jornalismo. Não se deve nunca fazer gestos dramáticos ao anunciar um fato. Os sentimento têm que ficar absolutamente de fora”

A crítica ao modelo de âncora que existe no telejornalismo brasileiro é de um dos mais carismáticos jornalistas da televisão americana, Bernard Shaw, que, por sinal, iniciou sua carreira em uma emissora de rádio, em Chicago. Durante 20 anos como profissional da CNN, Shaw participou das principais coberturas políticas nos Estados Unidos em reportagens, entrevistas e mediando debates eleitorais. Em 16 de janeiro de 1991, era um dos três repórteres da CNN que atraíra a audiência de mais de 1 bilhão de telespectadores com a cobertura da primeira noite do ataque das forças aliadas, na “Operação Tempestade no Deserto”, em Bagdá, no Iraque, Antes de se transformar em âncora da CNN, Shaw foi chefe do escritório da ABC News na América Latina e correspondente da CBS News.

 

O formato defendido por Bernard Shaw foi consagrado por Walter Cronkite, na década de 1960. O âncora era uma das personalidades mais respeitadas pela sociedade americana e fez da cobertura da Guerra do Vietnã um capitulo na história do telejornalismo internacional. Sua oposição explícita à guerra foi decisiva para o repúdio generalizado que se verificou nos anos 70. Uma das mais marcantes passagens da carreira de Cronkite foi em um dos raros momentos em que deixou de lado a postura de “âncora americano”, defendida por Shaw, ao declarar publicamente sua inconformidade com a presença dos Estados Unidos no Vietña, logo após voltar do campo de batalha, em 1969:

“… fica cada vez mais claro para mim que a única saída racional será negociar, não como vitorioso, mas como um povo honrado que jurou defender a democracia e fez o melhor possível”

O mais impressionante no poder de persuasão de Walter Cronkite não estava nas palavras, mas nos gestos. A expressão facial tinha significado. Expresava uma opinião, sim —- por mais que âncoras americanos defendam a tese de que não é este seu papel. Cronkite abusava do que Bernard Shaw definiu, em entrevista à jornalista Maria Cristina Poli, reproduzida pelo programa Vitrine, da TV Cultura, como “sobrancelha editorial”.

 

Bernard Shaw, que soube usar como poucos a tal sobrancelha, chamava atenção para um detalhe sobre os olhos capaz de revelar sentimentos. Mais do que isso, opinião. Levante as sobrancelhas logo após uma reportagem com um político negando qualquer envolvimento naquele famoso caso de corrupção, e o telespectador não terá dúvida: você coloca a palavra do político em dúvida. Guardadas as devidas proporções, a combinação da sobrancelha com os olhos no momento certo pode representar tanto quanto um editorial de um jornal impresso. Imagine unir a isto os movimentos do corpo e a palavra. É a expressividade que diante da câmera de vídeo ganha vida.

 

O psicólogo e professor americano Albert Mehrabian demonstra em pesquisa que 55% da transmissão da mensagem do orador para o receptor se dá através do corpo, gesto e expressão facial; 38% dependem da intensidade, tonalidade e outras características da voz; e apenas 7%, da palavra. Percentuais assim postos, leve em consideração o fato de que a maioria das entrevistas apresentadas nos telejornais, assim como as notícias lidas pelos apresentadores, é feita em plano fechado. E vamos compreender a responsabilidade que o rosto tem na comunicação. Nele se encontram informações e sentimento. De tristeza à alegria, de dor à satisfação, de ódio ao amor. Nesta composição, sobrancelhas e olhos se somam ao movimento da boca e dos lábios.

 

Os chineses desde muitos séculos avaliavam a personalidade dos indivíduos através da face. No mundo ocidental, o entendimento de que as relações interpessoais são mais influenciadas por canais de comunicação não-verbais do que verbais, apesar de mais recente, já vem do início do século passado. No entanto, manter a harmonia entre o que se diz e o que se expressa é uma tarefa que exige apuro técnico. Você quer transmitir tranquilidade mas não pára de morder os lábios. Quer demonstrar concentração, mas os olhos estão distantes e voltados para cima. Pensa em agradar a amiga que lhe deu aquele vestido duas vezes maior do que seu número, e retribui com um sorriso sem graça.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Estudo mostra risco de colapso no atendimento a Covid-19 em cidades brasileiras

 

face-mask-5024710_1280

 

Ouvi agora há pouco, a informação de repórter da CBN que o Rio não tem mais vagas de UTI na rede estadual e os único leitos disponíveis estão no Sul do Estado, havendo mais de 350 pacientes a espera de atendimento. A notícia desta manhã vai ao encontro dos dados que divulgamos mais cedo, no Jornal da CBN, a partir de estudo que mostra a capacidade de atendimento a pacientes com COVID-19, em leitos de enfermaria, leitos de UTI e respiradores mecânicos, nas principais capitais brasileiras. A simulação tem como base o ritmo de crescimento no número de pacientes infectados e necessitando atendimento, registrado em 19 de abril, pelo Ministério da Saúde —- esse trabalho tem sido atualizado a cada três dias.

 

São apresentados três cenários para cada uma das cidades analisadas. A taxa de ocupação tem como base 2019 — em dois cenários essa taxa de 2019 é reduzida em 50% e toda a oferta é destinada para pacientes com COVID-19; no terceiro cenário, toda a taxa de ocupação de leitos e respiradores é destinada às pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

 

Nas simulações se prevê que de 5% a 12% dos infectados tenham de receber atendimento hospitalar. Em um dos casos, o atendimento ocorre pelos serviços público e privado, conforme a cobertura dos planos de saúde; e nos outros dois, considera-se que o coronavírus atinja as populações mais pobres e aí a demanda aumenta na rede pública, com 80% dos atendimentos.

 

O trabalho foi realizado pela doutora Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e chefe do departamento de Saúde Global e População. Na entrevista ao Jornal da CBN, ela comentou que a atual pandemia ‘expõe as desigualdades locais da população’, já que se verifica a inexistência de infraestrutura em algumas regiões, o que deixa as pessoas mais expostas. Conforme essa exposição ocorre, maior é a pressão do sistema de saúde, especialmente no setor público, onde leitos e respiradores provavelmente não esteja mais à disposição nas primeiras semanas de maio, conforme a cidade analisada.

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevisa Dra Márcia Castro, da Universidade de Harvard

 

RIO DE JANEIRO

 

Conforme o estudo, no Rio de Janeiro, o melhor cenário prevê que a rede pública alcançará o seu limite no dia 2 de maio, ou seja, em oito dias, com a ocupação de todos os leitos de enfermaria e de UTI; se houver leitos extras, esse limite será alcançado no dia 4 de maio — em qualquer uma das duas situações, o número de respiradores mecânicos é capaz de atender os pacientes até o dia 14 de maio. Ou seja, teremos respiradores, mas não teremos leitos, já na primeira semana do mês.

 

O pior cenário para o Rio, aquele que prevê uma quantidade bem maior de atendimento na rede pública, e com 12% dos infectados precisando de leitos, o colapso se dará agora na UTI; dia 28 de abril, nas enfermarias; e, na primeira semana de maio, no caso de ventiladores mecânicos.

 

O Rio, em todas as simulações até tem respiradores por um tempo considerável, mas faltarão leitos.

 

FORTALEZA

 

Em Fortaleza, a persistirem os sintomas, o colapso no atendimento está prestes a acontecer. No melhor cenário, já estará faltando leito de UTI; no dia seis de maio, não se terá mais leito de enfermaria; e no dia 8 de maio, chega-se ao limite de uso de respiradores. Ou seja, em Fortaleza, mesmo com leitos extras e hospital de campanha, não haverá mais espaço em UTI. As enfermarias e os respiradores serão suficientes apenas para a primeira semana de maio.

 

DISTRITO FEDERAL

 

No Distrito Federal, a falta de UTIs já será sentida agora e de enfermarias, nos dias 5 ou 6 de maio. Os ventiladores são suficientes para atender os pacientes até os dias 11 de maio. Na pior hipótese até o fim da próxima semana. Há um risco, portanto, de o colapso ocorrer já na semana que vem. De uma maneira geral, haverá respiradores para os pacientes de COVID-19, mas será necessário a criação urgente de leitos de UTI.

 

MANAUS

 

Manaus é um caso dramático: o sistema entra em completo colapso em duas semanas se não forem criados novos leitos de enfermaria e UTI e colocados à disposição mais respiradores mecânicos. No melhor cenário, dia 26 agora chega-se ao limite das UTIs; no dia cinco de maio, chega-se ao limite das enfermarias, e no dia 9 de maio, o número de respiradores não será mais suficiente para as pessoas.

 

Ainda durante a entrevista, a Dra Márcia fez questão de ressaltar que a única forma de se conseguir conter esse colapso em algumas das principais cidades brasileiras é com isolamento social acirrado, evitando circulação e aglomeração de pessoas e respeitando distanciamento. Maior será o caos quanto menor for o isolamento e as medidas restritivas. E diante disso, ela lamenta que falte um discurso único e focado neste sentido, no Brasil.

Sua Marca: experiências que valorizam a proximidade com o cliente

 

“Uma loja pode ser apenas um ponto de vendas, mas pode ser um ponto de observação, análise; é um grande laboratório” — Jaime Troiano

Uma das mais renomadas consultorias do mundo, a McKinsey, decidiu abrir uma loja em um shopping de Minnesota, nos Estados Unidos, em uma ação que chamou atenção do público e de gestores na área de branding. Falamos desse tema no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, em programa que foi ao ar no dia 14 de março, na CBN.

 

A principal intenção da McKinsey foi usar o ambiente físico de uma loja para observar o comportamento do consumidor no ponto de vendas. De acordo com Jaime e Cecília, desta maneira a empresa de consultoria conseguiu uma proximidade maior com a vida real dos clientes e um entendimento melhor do que fazem e como agem os consumidores no momento de comprar ou experimentar um produto.

 

A experiência da McKinsey é identificada como um modelo de extensão de marcas:

“Vai além da extensão de marca; se pensar que é um grande laboratório, faz todo o sentido: vendo produto e em troca ganho conhecimento”, comentou Jaime.

Uma outra forma de se estender uma marca para públicos e setores diferentes do original é a abertura de lojas no estilo pop-up, criadas para funcionar por tempo limitado, não muito longo, o suficiente para atiçar a curiosidade do consumidor — também úteis para testar novos mercados.

 

A Cheetos, da Pepsico, fez esse investimento ao criar uma loja, na avenida Paulista, na qual convidava o público a interagir em salas temáticas e conhecer o mascote Chester Cheetah e sua família — gerou uma experiência que apenas o consumo do seu produto não conseguiria proporcionar.

As pop-ups têm dois papeis: “mostrar a marca de uma outra forma, em geral mais interativa e criar um “buzz”, uma novidade em torno dela”, explica Cecília.

O que as experiências de extensão de marcas, destacadas pelos dois comentaristas, mostram é o valor da proximidade com o seu público.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Expressividade: a evolução de âncoras e apresentadores de rádio e TV

 

Leia o nono trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

radio-1773304_960_720

Foto: Pixabay

 

O RÁDIO NÃO ACABOU, VIVA A TV!

 

Foi em uma canal de televisão a cabo, desses que você encontra quase que por acaso enquanto está zapeando, que assisti a um debate com ex-figurões do rádio paulista. Gente respeitável que fez história nos tempos do galena —- este foi o nome herdado pelos receptores de rádio fabricados no início do século 20 devido ao sulfeto de chumbo em estado bruto, conhecido por galena, aplicado na peça que permitia a sintonia da emissora. Entre casos interessantes e discrepantes, os entrevistados uniram seus vozeirões para decretar: o rádio morreu. Para eles nada mais o que se faz atualmente é comparável com a programação que encantava a sociedade brasileira na era de ouro do rádio. Tempos em que, dos programas de auditório aos humorísticos, do radiojornalismo às radionovelas, celebridades surgiam e atores de talento indiscutível eram lançados para o delírio de um público que se amontoava nos estúdios para assistir, ao vivo, aos espetáculos. Paulo Gracindo, Mário lago, Ary Barroso, Emilinha Borba e Marlene são personagens desta que talvez tenha sido a primeira expressão da indústria cultural no Brasil.

 

É incontestável a decadência registrada a partir de 1955 quando a televisão já ganhava forma no País. Naquela época, profissionais de rádio migravam para o novo veículo acompanhados das verbas publicitárias. A televisão também encampava a programação radiofônica lhe acrescentando a imagem. Foi daí que vieram os teleteatros de sucesso estrondoso com os atores passando a ganhar fama à medida que reconhecidos pelo público. Era uma época ainda pobre na dramaturgia televisiva mesmo porque não havia constituído personalidade. A atriz Suely Franco lembrou de alguns desses momentos em entrevista a Rádio CBN. Ela começou na televisão como garota-propaganda da TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1958. Não era coisa fácil. Os comerciais eram ao vivo e à base do improviso; não existia videotape. Ao falar sobre a importância do teleteatro no surgimento de talentos, Suely Franco comentou:

“Não há porque voltar ao tempo e reviver o teleteatro. A televisão desenvolveu uma linguagem própria e o teleteatro evoluiu para as novelas e minisséries. Eles somente existiam porque a televisão ainda buscava uma maneira de oferecer dramaturgia ao público.”

A televisão que em seus primeiros anos importou programas, profissionais e dinheiro do rádio, repetiu, também, comportamento e forma, naquela época. Os apresentadores das atrações radiofônicas, que levaram sua fama para o novo veículo, deram continuidade, nos shows de auditório, teleteatros e telejornais, ao modelo de comunicação que estavam acostumados. Paulo Tapajós, compositor, pesquisador de música popular e um dos principais construtores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro — que desde o início de suas transmissões, em 1936, apresentava artistas ao vivo, radioteatro e notícia —- em programa especial da BBC Brasil sobre a história do rádio brasileiro, falou de como a televisão dependia do rádio:

“As primeiras experiências de televisão no Rio de Janeiro foram através da Rádio Nacional. Uma empresa francesa veio ao Rio oferecendo equipamentos, isso muito antes da TV Tupi existir. Nós fizemos pequenas transmissões, inclusive do nosso auditório de rádio com a apresentação de programas, se não me engano, como o Arco da Velha. Vários artistas se caracterizaram. E nós transmitimos para alguns receptores espalhados em pontos do Rio de Janeiro. Era uma transmissão dirigida”

Não por acaso durante muitos anos se ouviu na televisão a mesma voz embolada dos locutores de rádio que ficava ainda mais sem sentido diante das câmeras. Faltava expressividade. Na voz e nos gestos. Porque os movimentos de corpo eram restritos, ainda mais na apresentação dos telejornais em que qualquer aceno poderia ser entendido como falta de seriedade.

 

O Jornal Nacional, da TV Globo, estreou em 1º de setembro de 1969, e seus dois apresentadores titulares, Cid Moreira e Hilton Gomes, praticamente copiavam a voz e a postura dos locutores de rádio, agora em um estúdio de televisão —- não poderia ser diferente, afinal aquela era a escola deles. Sérgio Chapelin, que, assim como os demais apresentadores da época, havia iniciado carreira no rádio, assumiu uma das cadeiras da bancada do Jornal Nacional, em 1973. Ele formou, ao lado de Cid Moreira, uma das mais famosas duplas do telejornalismo brasileiro, e, em entrevista ao documentário “Âncora no Ar”, projeto experimental de Conclusão de Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, justifica o modelo de comunicação adotado:

“A tentativa era você fazer um jornal bem radiofônico para que o telespectador não cochilasse diante da pobreza de imagens que se tinha. Então, se trabalhava com o quê? Com fotos e com arte que produzia alguma coisa”.

O próprio Jornal Nacional, que reforçou a ideia do apresentador de TV com postura radiofônica em seus primeiros anos de vida, foi responsável pela mudança deste comportamento. Gradual, é verdade, porque ao desenhar o formato de apresentação de seu principal telejornal, a Rede Globo optou pelo comportamento clássico, mais tradicional, que já havia sido superado nos Estados Unidos. Haja vista que, enquanto Cid Moreira era referência de apresentação no Brasil, o jornalista americano Walter Cronkite comandava o mais importante noticiário da televisão americana, o CBS Evening News, havia pelo menos sete anos. Lá, o rosto sisudo, o olhar estático no texto e as mãos, se restringindo ao movimento de trocas de laudas, não traduziam mais credibilidade. Os apresentadores haviam adotado a identidade do a âncora. Os jornalistas assumiam a apresentação das notícias e tinham participação efetiva na execução do telejornal.

 

O modelo americano não foi implantado na TV Globo devido ao momento político de restrições de liberdades. A emissora nascia no momento mais duro do regime militar. Era o governo do general Emílio Garrastazu Médici. Haveria dificuldade, ainda, para encontrar jornalistas capacitados para a apresentação de notícias em televisão —- aqueles que tinham boa voz costumavam ser radialistas —- ou de aceitar a linha editorial, que não se atrevia a fazer oposição à ditadura já que era uma concessão pública.

 

Seja qual tenha sido o motivo, ao assumir o modelo clássico de apresentação, a TV Globo influenciou as emissoras concorrentes no Brasil, retardando a chega do âncora ao telejornalismo brasileiro —- fato que, de certa maneira, atrasou o desenvolvimento de recursos que proporcionariam mais expressividade na apresentação. Por contraditório que pareça, mesmo com a opção pelo formato tradicional tendo sido mantida durante muitos anos no Jornal Nacional, foi neste programa que o público começou a identificar as primeiras mudanças na forma de apresentação. Intervenções frequentes do jornalista Armando Nogueira, na época diretor de jornalismo da Rede Globo, com orientações específicas a cada um dos apresentadores, em pleno estúdio de gravação, levaram Sérgio Chapelin e Cid Moreira a uma entonação diferente — por mais que o cacoete radiofônico predomine na locução de ambos até os dias de hoje. A dificuldade para esta mudança pode ser vista na afirmação de Chapelin, em depoimento ao documentário “Âncora no Ar”:

“O Armando Nogueira sempre dizia para a gente: ritmo, ritmo, ritmo. E eu imaginava que era falar como no rádio”.

A interferência —- positiva, diga-se de passagem —- de Armando Nogueira na forma de apresentação dos locutores não se limitou aos recursos vocais. Havia a preocupação com a redação, como explica o próprio jornalista:

“Os jornalistas de televisão escreviam como se fosse para o jornal impresso. O ritmo das frases era incompatível com o tempo da televisão que exigia períodos curtos e orações diretas”.

Foi no início da década de 1970 que surgiu o primeiro trabalho de fonoaudiologia voltado especificamente para a comunicação na televisão, com a contratação, pela TV Globo, de Glorinha Beuttenmüller, sobre quem falaremos mais adiante. Essa foi uma das muitas colaborações da emissora na mudança do formato de apresentação de notícias nos veículos de comunicação eletrônicos, porque mais tarde iria influenciar, também, o rádio brasileiro.

 

Em 1975 —- em pleno Governo João Figueiredo — a Bandeirantes decidiu quebrar um paradigma da televisão no Brasil. Enquanto as demais concorrentes copiavam o modelo da TV Globo, a emissora paulista lançava o Jornal da Bandeirantes com apresentação de Ferreira Martins —- este, típico exemplar do modelo tradicional —- e Joelmir Beting —- que se transformou no primeiro jornalista brasileiro a apresentar um telejornal, como explica no documentário “Âncora no Ar”:

“A gente estava testando um novo formato para um novo conteúdo. De um apresentador-comentarista, não locutor … Até se fez alguns anúncios que diziam que aqui quem trata a notícia é quem entende da notícia, quem faz a notícia, descaracterizando completamento o trabalho do locutor”

As diferenças na forma de apresentação ficavam mais evidentes à medida que Ferreira Martins seguia desenvolvendo sua locução com base no texto escrito, enquanto Joelmir improvisava —- seja por competência, seja por carência. Muitas vezes o jornalista teve de conversar com o telespectador para encobrir uma falha técnica. A improvisação e a intimidade do apresentador com a notícia resultaram em um novo formato que iria ganhar mercado na década seguinte.

 

Nos anos 80, com a democratização do País, mudou, também, o comportamento da audiência. O telespectador pedia jornalistas comprometidos com ele. Gente que agisse de maneira natural, falasse olhando no seu olho, tivesse opinião e expressão. A mudança de postura da audiência levou os apresentadores de televisão a trocar seu comportamento no ar. Os ombros relaxaram, o olhar ganhou naturalidade, e a locução, um tom coloquial. Foi um aprendizado difícil porque havia uma sociedade em transformação que reivindicava novas atitudes. Os jornalistas sabiam disso, mas tinham poucas referências no mercado nacional. Foram criando de maneira intuitiva ferramentas mais apropriadas para o vídeo. Alguns encontravam respaldo no trabalho de fonoaudiólogas, que estudavam novas técnicas de apresentação, Houve mudanças cenográficas, inclusive. O Jornal Nacional, por exemplo, mudava o enquadramento burocrático dos apresentadores, dando movimento às câmeras e profundidade no cenário —- a intenção era mostrar ao público que as notícias, também, tinham abordagem mais completa. A qualidade da comunicação deu um salto a olhos vistos. Olhos dos telespectadores, o que é melhor.

 

Já o rádio, tão importante para o surgimento da televisão na década de 1950, passou a ser influenciado por esta. À medida que os apresentadores dos telejornais começaram a aplicar técnicas de fonoaudiologia dando para cada tipo de notícia uma entonação diferente, modulando o tom da voz e a intensidade, entre outro recursos, os locutores foram obrigados a mudar o que até então era o padrão radiofônico. Ao renovar na forma e no conteúdo, o veículo contratou os prognósticos mais pessimistas. Existem, atualmente, quase 3 mil emissoras brasileiras que cobrem 96% do território nacional e atingem 95 milhões de pessoas todos os dias. Está em 90% dos domicílios e em 83% da frota de carros. Ganhou vida também na tecnologia à medida que a velha galena, que já havia se transformando com o transistor, ainda ganhou ares futuristas, ao incorporar os bits e se propagar no mundo pela internet.

 

Experiências atuais de emissoras radiojornalísticas como a CBN, Bandeirantes e Jovem Pan põem em dúvida o atestado de óbito apresentado naquele debate a que me referi no início deste capítulo. Um programa que, por sinal, era para comemora os 80 anos de vida do rádio no Brasil.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Expressividade: prefira falar em pé

 

Desde a semana passada, divido com você o capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril. Agora, você lê a oitava parte deste capítulo:

microphone-1562354_960_720

 

EM PÉ, POSIÇÃO COM SENTIDO

 

Visite um  estúdio de rádio e você verá lá dentro a mesa com os microfones, várias cadeiras em volta e um computador ao centro. Vá a uma emissora de televisão e você encontrará uma bancada para a apresentação do programa. Em ambos os casos, os apresentadores ficam sentados. Posição que, se mantida por longo tempo, é, comprovadamente, prejudicial à saúde. Os reflexos desta postura podem ser sentidos, por exemplo, na coluna, com a pressão sobre as vértebras e dores nas costas; na circulação do sangue, provocando formigamento nas pernas; e na própria respiração.

Ao permanecer sentado você pressiona o diafragma, músculo que separa da cavidade torácica a abdominal e, como já comentamos no capítulo anterior, que intervém ativamente na respiração.

O problema é mais frequente para os profissionais de rádio que apresentam programas, algumas vezes, por até três horas, sem direito a sair do lugar (na televisão, a tendência é que a duração seja menor). A situação é semelhante para quem costuma realizar palestra que na maioria das vezes acontece atrás de uma mesa e sentado. Falar por muito tempo nestas condições provoca desconforto e cansaço que podem ser notados na voz.

 

Na televisão, há algum tempo, já assistimos a telejornais em que os apresentadores estão em pé. Longe da posição estática imposta pelas bancadas, eles se movimentam pelo cenário que pode ser, inclusive, virtual, dado os recursos técnicos à disposição. A intenção foi criar mais um artifício para atrair o telespectador tornando a apresentação mais ágil e expressiva. A medida beneficia também a respiração proporcionando uma fala mais confortável.

 

No início da história do rádio havia um número considerável de programas apresentados em pé. Nos de auditório, o apresentador interagia com o público. No radioteatro, os atores tinham mais facilidade para dramatizar as cenas. Com o fim dessa linha de programas, os locutores foram parar nas cadeiras. A postura tornou ainda mais formal a narração dos textos. Era uma época em que os radialistas tinham de ter de preferência uma voz grave e potente. Enchiam o peito de ar, baixavam o queixo e olhavam por debaixo das sobrancelhas cerradas, imitando os tenores nas óperas, para soltar o vozeirão. Os recursos técnicos eram limitados, o que de certa maneira prejudicava os que não se encaixavam nesse perfil. Com o tempo, o padrão radiofônico se desenvolveu, atendendo a exigência do próprio público. Apesar dos avanços, os radialistas permanecem sentados em suas cadeiras por comodismo ou porque os estúdios ainda são construídos à moda antiga.

 

Conheço, até hoje, apenas um âncora de rádio no Brasil que arriscou mudar de posição. O jornalista Heródoto Barbeiro, já apresentado no capítulo anterior, responsável por um programa que tem três horas e meia de duração, na Rádio CBN, começou a experiência intercalando alguns momentos sentados, outros em pé. Logo essa passou a ser a posição preferencial. Mais adiante, simplesmente aboliu a cadeira. Com um microfone acoplado ao fone de ouvido, ao estilo das operadoras de serviços de atendimento telefônico, ganhou mobilidade. Enquanto fala, comenta ou entrevista, se movimenta. Ao dar pequenos passos massageia os pés no chá com mais benefícios à saúde. Quando quer descansar, inova mais uma vez. Fica de cócoras, encostado na parede.

 

Com fonoaudiólogos integrando as equipes de trabalho das emissoras de rádio e a aplicação de recursos de economia, talvez se consiga mudar o hábito que ainda impera no rádio. Logo aí em frente, tempo não tão distante, imagino estúdios em que o locutor possa falar em pé, com bancadas altas e tendo à disposição cadeiras para quando este entender oportuno. A novidade certamente provocará narizes torcidos e muxoxos nos corredores. Mas, afinal, não é isso que sempre acontece quando há quebra de comportamentos?

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Oito passos para implantar um autoatendimento customizado e eficiente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

chatbot-3589528_1280

Ilustração Pixabay

 

Se você já vivenciou uma situação em que não consegue expor suas necessidades no relacionamento com marcas de serviços e produtos que comprou ou pretende comprar, ou recebeu insistentes propostas de empresas da qual já era cliente, temos a boa notícia que estes são inconvenientes do passado. Ao menos para empresas bem digitalizadas e centradas nos clientes.

 

O curioso é que a busca pelo bom atendimento, almejado desde os primórdios do comércio, pode agora se aproximar de um padrão, otimizado por ferramentas do mundo digital.

 

A frase de Fábio Costa da Salesforce, dita no Mundo Corporativo da CBN, sobre a relação cliente/empresa, é emblemática para este contexto quando afirmou que:

“Para o CRM, no mínimo, a empresa precisa saber do cliente o tanto que ele sabe da empresa”.

A propósito do bom atendimento, Fabio Miranda, da Hi Platform, aposta no autoatendimento digital como a solução adequada e pertinente ao momento de transição que vivenciamos.

 

Vale para os serviços e para as compras. Com 1.200 clientes Hi Platform, perfazendo 10 milhões de contatos mensais, Fábio tem observado uma evolução do autoatendimento e detectado que 60% das solicitações são simples, e podem ser atendidas com baixo custo, ficando as interações mais complexas, por exemplo, para o chat ou em última instância para o telefone.

 

Com o crescente aumento atual dos volumes demandados, a economia resultante é significativa. Em média, o custo unitário fica em R$, 070, enquanto para o telefone os valores variam de  R$ 7 a R$ 14.

 

Para um sistema consistente Miranda sugere uma série de providencias, entre as quais destacamos:

 

  1. Entenda o perfil do seu consumidor, seus hábitos online e offline, padrões de consumo, e canais que interage  (Facebook, Instagram, Twitter, telefone, Chat, e-mail)
  2. Mapeie os assunto e serviços mais frequentes e utilizados, e quais podem ser automatizados e quais os mais críticos.
  3. Monte uma estratégia omnichannel.
  4. Automatize, tenha uma central de relacionamento no site, com FAQ inteligente, Chatbots plugados no Facebook, Messenger, Chat online, Wapp, Blog. Faça integrações com uma URA para ter canal de voz e romper com a barreira do on e offline obtendo uma estratégia de automatização de ponta a ponta.
  5. Monte um núcleo responsável pela digitalização da operação, e mantenha gestão, refinamentos, melhorias, treinamentos e profissionais adequados.
  6. Enxergue a área como investimento, e com a automatização aplique os recursos obtidos reinvestindo em áreas que impactem a experiência dos clientes. Que tal um professor de educação física atendendo a área de artigos esportivos?
  7. Utilize a automação também internamente, com Chatbot como intranet, e podendo alimentar o CRM automatizadamente.
  8. Invista na cultura da empresa, para que todos entendam as mudanças.

 

Considerando os procedimentos elencados por Miranda, inferimos que as ferramentas disponibilizadas podem oferecer um autoatendimento customizado ao cliente.

 

Cabe então às empresas contratar sistemas que não desapontem seus clientes. Eles estão à disposição.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.