Avalanche Tricolor: bah, é claro que vamos vencer mais esta!

 

Nós 7×1 Eles
Arena Grêmio

 

 

 

Bateu uma baita saudade de ti! Já vão algumas semanas em que ligo a TV para te assistir e não te encontro. Ontem foi quarta, liguei a TV e nada. A quinta está chegando ao fim, e nada de novo. Esses dias até tinha um daqueles momentos mágicos que tu me proporcionaste —  que baita goleada foi aquela no clássico, heim ?!?  Mas era gravado, acontecido tempos atrás. Queria te ver agora.

 

Estou louco pra te ver em campo de novo, tocando a bola com aquela categoria que encantou o Brasil e conquistou a América. Aquele passe rápido, o deslocamento veloz e a movimentação que deixa o zagueiro deles tonto em campo. Aquela defesa impecável, com Geromel e Kannemann colocando os atacantes deles no bolso.

 

Tô com muita saudades das vitórias suadas, das goleadas implacáveis e dos troféus levantados. Das brigas em campo. Sim, até desses momentos sinto saudades, até porque me remetem aos tempos em que nos conhecemos. Tempos em que a bola era o que menos interessava. A gente queria vencer, de qualquer jeito, no campo e na briga.

 

Desde que conquistamos o Mundo as coisas mudaram um pouco. Ficamos meio bestas e exigindo bola rolando, craque em campo e gol de placa. Mas, confesso, de vez em quando bate uma saudade louca de quando bastava ganhar uma dividida de bola no meio de campo para comemorarmos na arquibancada.

 

Continuamos comemorando as dividas vencidas, mas queremos mais: queremos que a jogada prossiga, que alguém apareça na ponta, que nosso ponta dê o drible da vaca, deixe seu marcador estatelado na grama e o cruzamento termine com a bola no fundo do poço (puxa, pai, bateu outra saudade, agora de você, que criou este jargão no futebol gaúcho).

 

Sim, tô com uma baita saudade. E saudade, como ensina meu amigo e filósofo Mário Sérgio Cortella, é aquilo que nos deixa saudáveis, que permite que a gente faça uma saudação. É  “a lembrança daquilo que já foi e que a gente gosta de fazer passar de novo pelo coração”.

 

Hoje, tudo aquilo que fizemos juntos me passou no coração, enquanto ouvia a palavra do presidente Romildo Bolzan Jr. — ele próprio que recentemente, como é de se esperar de um Imortal, venceu a peste.

 

Bolzan relatou o que o Grêmio está fazendo para driblar as dificuldades sanitárias e econômicas. Como está preservando seu patrimônio, seus valores e seus jogadores. Como se planeja para vencer este adversário tão minúsculo quanto violento. E como pretende sair desta batalha — talvez a mais difícil que já enfrentamos — mais forte e mais unido do que nunca estivemos.

 

Bah, que saudade eu tô de ti! Volta logo Grêmio, volta!
 

 

Sua Marca: duas dicas de livros sobre marcas, mídias e comportamento

 

” … a gente tem de ter essas ferramentas, o investigativo, essa capacidade de pensar, e aí o que a gente lê é muito alimento para tudo isso” —- Cecília Russo

O papel da leitura na gestão de marcas e desenvolvimento de carreira é fundamental a medida que temos a necessidade de desenvolver o olhar crítico sobre as coisas, o que nos permite aprofundar a análise e buscar soluções para os desafios do negócio. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com o jornalista Mílton Jung, na rádio CBN., e trouxeram duas indicações de livros que ajudam a refletir sobre a função das marcas na sociedade.

 

Um dos livros é “O fim da Idade Média e o Início da Idade Mídia”, de Walter Longo, publicado pela Alta Books, que discute o universo de informação no qual vivemos nos tempos atuais. Para Jaime Troiano, o livro alerta para o fato de que se temos uma quantidade enorme de dados à disposição é preciso estar preparado para extrair o que realmente nos interessa, fazendo deles uma ferramenta de desenvolvimento do seu negócio.

“O Big Data não é Big Ideia”

O outro livro é “A Era Do Ressentimento. Uma Agenda Para O Contemporâneo”, de Luis Felipe Pondé, publicado pela Leya Editora. Dentre tantas áreas da vida humana que o filósofo analisa em seu livro, Cecília Russo destaca um dos trechos do livro que se refere ao mundo das marcas:

“As marcas, portanto, deverão cumprir cada vez mais o papel de dizer o que é essencial como valor (e fazer esse valor valer, uma vez que seus produtos são confiáveis naquilo que ela diz representar) e separar o joio do trigo na vida dos contemporâneos desesperados por sentido que os prenda em vínculos incerto e dolorosos” (pag.104)

Ou seja, diz Russo, é a tese que os profissionais de branding defendem há algum tempo sobre o compromisso que as marcas têm de serem confiáveis, de dizerem, expressarem e agirem naquilo que acreditam ser, de forma genuína, verdadeira.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

“Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários”, diz Papa Francisco

 

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A homilia do Papa Francisco, em uma Praça São Pedro, no Vaticano, vazia, foi uma das mais simbólicas imagens que assistimos nestes dias de confinamento e distanciamento social. Falou isolado, mas falou para milhões de pessoas que receberam suas palavras pelos meios de comunicação tradicionais e por centenas de canais na internet.

 

Publico o texto, que pode ser encontrado na página oficial do Vaticano, assim como o áudio com a leitura gravada, em português, por Christian Müller Jung. Reserve 12 minutos do seu dia, ouça a mensagem e reflita

 

 

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro… E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

 

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»

 

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida.

É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho.

Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

 

Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

 

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).

Conte Sua História de São Paulo: o relógio-cuco que marcou as horas da minha vida

 

Por Luiz carlos Silva
Ouvinte da CBN

 

Existem alguns objetos da nossa casa que marcam profundamente nossa vida. Lembro-me quando papai ganhou um relógio cuco. Todo final de semana, ele e o Sr. Heitor jogavam baralho, um jogo chamado Presidente. O jogo era silencioso e para quebrar a monotonia começavam acirrada discussão sobre política.

 

Após o término de uma partida, o Sr .Heitor levantou-se da poltrona irritado, pois tinha perdido, caminhou até a cozinha e trouxe uma caixa de papelão que foi colocada sobre a mesa. Quando viu que era um relógio cuco, papai marejou os olhos e deu um forte abraço no Sr.Heitor.

 

O relógio era de madeira maciça, envernizado, tinha vários entalhes artísticos; o pêndulo, a corrente e o peso eram cromados; os números eram em algarismo romano com um pequeno cristal colocado sobre cada um deles; os ponteiros eram dourados e brilhantes. Tinha sido fabricado na Inglaterra. Fomos advertidos por papai que jamais deveríamos dar corda no relógio, pois ele ficaria encarregado desta tarefa —- precavendo-se das nossas mãozinhas destruidoras.

 

Após ouvir as orientações de papai, sentamos no chão, embaixo do relógio e ficamos aguardando pacientemente o passarinho aparecer. O tic-tac constante enchia toda a sala e a nossa ansiedade aumentava a cada movimento do ponteiro, o silêncio era total, até o instante em que se abriu uma portinha e saiu um lindo passarinho de madeira com penas multicoloridas cobrindo o corpo e se pôs a cantar. A portinha fechou-se e saudamos o mais novo amiguinho do nosso lar com palmas e gritos.

 

Era o cuco que avisava mamãe quando tinha que nos dar algumas colheradas de um fortificante chamado “Emulsão Scoth” —- nessa hora, eu odiava o relógio e cheguei mesmo a praguejar o inocente passarinho. O agradável aroma de café sendo coado coincidia com os seis cucos emitidos pelo passarinho —- era a hora que o papai levantava-se para ir ao trabalho.

 

Os cucos acompanharam-me desde as primeiras letras aprendidas na cartilha Caminho Suave, na  Admissão, no ginásio e parte do primeiro ano do colegial. Era o relógio que controlava meu tempo de estudos. Foi o cuco que me acordou no primeiro dia de trabalho como office-boy numa Cia. de Seguros da cidade, assinalou o horário para encontrar com a minha primeira namorada e denunciava-me quando chegava atrasado em casa.

 

Saí de casa aos 17 anos para estudar no interior, ao regressar meses depois não encontrei mais o relógio. Disseram-me que havia quebrado e tinham doado para um carroceiro que passava constantemente na rua onde morávamos, em São Paulo. Olhei para a parede e restava apenas a marca com seu formato. Abaixei a cabeça com tristeza e ouvi alguns tic-tacs na minha imaginação.

 

Luiz Carlos Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: psicóloga Marli Arruda dá dicas de como líderes e colaboradores têm de agir diante da crise do coronavírus

 

“Lógico, a gente tem de produzir , tem de continuar dando os resultados para a empresa, mas antes de tudo, antes de falar “você já entregou o relatório?”, “você já enviou o relatório X”, pergunte tá tudo bem, bom dia, como está você e a sua família” — Marli Arruda, psicóloga

O novo coronavírus está impondo os mais diversos desafios à humanidade, obrigando ao menos um terço da população a viver sob medidas restritivas e já tendo matado mais de meio milhão de pessoas. No cenário empresarial, um número incontável de profissionais foi levado a trabalhar em casa e se adaptar, muitas vezes sem nenhuma estratégia programada, à necessidade de atuar em equipe mesmo à distância. Gestores e líderes dessas equipes, por sua vez, tiveram de redobrar esforços para manter a produtividade e engajar o grupo, mesmo diante desta adversidade nunca antes vista.

 

A psicóloga organizacional Marli Arruda identificou alguns comportamento que precisam ser adotados por líderes e colaboradores neste momento. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, mesmo que distante, ela diz que o gestor tem de se mostrar presente, demonstrando calma na relação com o seu time, tendo equilíbrio emocional para abordar os colaboradores e tomar decisões, demonstrar interesse genuíno pelo outro e exercitar a escuta ativa:

“… escuta o que a pessoa não fala, o que ela não consegue expressar de uma forma clara, o que tem nas nuances daquela comunicação.… é me preocupar e parar em ouvir a pessoa”.

Arruda faz uma analogia com as recomendações de emergência nos vôos quando somos lembrados que em caso de despressurização as máscaras cairão do teto e devemos primeiro colocar em si mesmo e depois nas crianças:

“As pessoas, agora, o que mais elas precisam é de um líder, alguém que tome à frente que diga, olha, vamos fazer dessa forma, … e dizer vamos por esse caminho e não por aquele caminho”.

Em relação aos colaboradores que estão em “home office”, Arruda sugere:

“A disciplina nesse momento ela é fundamental, e sempre comparar, lá no meu trabalho como eu estaria agora, o que eu estaria fazendo, então sempre fazer essa correlação para poder se manter disciplinado em casa porque há vários estímulos ali que podem dispersar e a pessoa perder a sua produtividade”.

Autora do livro “Estratégias em gestão de pessoas para colorir seus negócios —- manual prático para engajar equipes”, Arruda lista alguns cuidados para quem está em “home office”, seja o líder da equipe ou o colaborador:

—- mantenha uma comunicação uniforme: quando não há comunicação, há interpretação; quando há comunicação errada, há pânico

 

—- tem de engajar a família, explicar a situação e as suas necessidades

 

—- administrar bem o seu tempo diante dos muitos estímulos que temos em volta

 

—- estabelecer um período para olhar as noticias e responder as redes sociais

 

—- respeitar seus horários de trabalho, de almoço e fim de expediente

 

—- criar pausas durante o seu dia

 

— seja tolerante com você e com o outro

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Gabriel Damião, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti

O Comércio não pode parar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Estamos diante de um fenômeno global latente. De um lado, alguns líderes políticos mundiais estão se distanciando da ciência, ao desconsiderar o efeito das mudanças climáticas, e mais recentemente ao negar o risco do coronavírus. Ao mesmo tempo há uma polarização política e econômica nos movimentos sociais extremos de direita e de esquerda.

 

Entretanto, descasos do conhecimento científico não impediram que severas medidas de prevenção estejam em vigor no mundo inteiro para enfrentar o SARS-CoV-2.

 

O cenário brasileiro não é diferente e o varejo, um dos mais importantes segmentos da nossa Economia, está cumprindo quarentena compulsória de 15 dias. Método indicado para a saúde e temerário para a economia, se houver necessidade de prolongamento e não ocorrer assistência governamental com recursos financeiros.

 

Por isso, o IDV — Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, que reúne as 70 maiores empresas do setor, empregando 750 mil pessoas em 30 mil estabelecimentos e 200 centros de distribuição, com faturamento de R$ 345 bi, após videoconferência realizada ontem, sugeriu:

— O governo irrigue fortemente a economia, e atenda estados e municípios para permitir a prorrogação de impostos e taxas por 120 dias;

 

— As empresas concedam férias individuais e coletivas, licença remunerada, utilização de banco de horas, redução de salários e outras medidas;

 

— As autoridades liderem, unidas as ações para a saúde e a economia para evitar uma profunda recessão

 

— O Governo retome imediatamente as atividades assim que haja possibilidade no aspecto da saúde da população

Cabe ressaltar que dentro desse segmento identificamos que os supermercados não estão preparados para atender demandas de entregas a domicílio e delivery de pedidos via e-commerce. Nas cidades onde estão os centros de difusão do vírus, como São Paulo, devido a concentração populacional, há prazos de duas semanas, ou até interrupções de entregas.

 

É incompreensível que a exaustiva “omnicanalidade” não comparece na hora da verdade. No que tange a perda de oportunidade, o papel mais constrangedor cabe aos Shopping Centers. No momento em que são obrigados a fechar as portas físicas não dispõem das portas virtuais.

 

A ABRASCE, entidade que os representa, se tivesse os Market Places de cada empreendedor, poderia estar em campanha certa, no momento certo para divulgar a alternativa certa. Mas, estava estudando uma forma de não se comprometer com os inquilinos e até agora não concluiu o acordo inicialmente acertado com a ALSHOP, que representa os lojistas de Shopping.

 

O desafio para o varejo de Shopping de como atuar com as portas fechadas, agora ficou fácil de enxergar. O primeiro passo é se preparar para o delivery e para o e-commerce e as redes sociais. A partir de aí testar outros modelos de como chegar ao consumidor, inclusive considerando que virão outros comportamentos de compra.

 

É hora de priorizar as 24hs de atendimento. O comércio não pode parar.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Louco pra correr pro abraço!

 

Por Christian Müller Jung

 

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Fui instigado a escrever algumas linhas pelo meu irmão Mílton. Não tenho o hábito de escrever quando estou em casa, normalmente arrumo tempo no trabalho na espera entre uma agenda e outra. A questão é que neste momento precisamos ficar em casa!

 

Gosto de estar por aqui, porém a determinação de não sair parece criar uma áurea nebulosa que não me permite relaxar. Faço o de sempre. Atividades que normalmente fazemos quando moramos em uma casa: retoco a pintura, lixo alguma parede, conserto o degrau da escada, rejunto o piso de basalto do pátio … pequenos ajustes para preencher o tempo, ocupar a cabeça e disfarçar o peso das informações.

 

Cada toque de mensagem no celular nesses dias tem sido um novo susto, que vem acompanhado de mais uma medida do Governo; mais um áudio de um médico qualquer que jamais ouvimos falar, mas que fala pelos cotovelos; mais um vídeo com o Marcos Mion e aquele visual de quem brigou com o barbeiro.

 

Claro que o problema não é visual, mas o conteúdo do vídeo: um alerta catastrófico do que poderemos vivenciar em alguns dias se as medidas que estão sendo tomadas não forem observadas com seriedade pela população. Como se diz aqui no sul: “me caiu os butiá do bolso“!

 

Lembro sempre como seria bom se tivesse mantido a terapia. A gente fraqueja. Mas como tudo na vida sempre tem o lado bom.

 

Nunca achei que a falta de uma abraço fosse tão significante. Sinto falta de tudo, de tudo aquilo que até poucos dias estava ao meu alcance e eu passava sem dar muita atenção: o passeio das pessoas, as bicicletas se enfileirando entre os carros e os malabaristas nos semáforos. Aliás, como será que tá essa gente que vive sempre nessa corda banda da vida!

 

Do meu pátio, consigo enxergar toda a metade do prédio que construíram faz pouco tempo aqui na frente de casa. São apartamentos bonitos e bem caros, diferentes da realidade da minha rua quando fui apresentado a ela, há 52 anos. Quase não tenho mais os vizinhos de antigamente uns entregaram os terrenos em troca de uma boa oferta em dinheiro, outros entregaram os pontos e já partiram desta para uma melhor. E lá do pátio, tentando me distrair com rejunte do piso, olho pra cima, vejo alguém na janela ou na sacada e sinto uma baita vontade de gritar.

 

Um grito de afeto que fica engasgado. Não sei o que essa gente que não me conhece iria pensar, mas independentemente da minha angústia ou loucura, tenho me sentido pronto para vivenciar cada detalhe, cada pequena criatura que queira tão somente dividir o espaço nesse planeta, só pelo simples fato de estar viva.

 

E lá vai mais uma dupla de sabiás tomar banho no prato d’água da minha Golden Retriever. Ela não se importa. Sem sequer dar um latido, divide o pote que muitas vezes fica seco pela bagunça que os pássaros fazem. Talvez saiba lidar melhor com essas coisas para as quais deveríamos dar mais atenção sem que tivéssemos que ficar enclausurados para reconhecer: o poder das pequenas coisas do dia a dia.

 

Dizem que a gente aprende no amor ou na dor. A vida tem disso. Nos apronta algumas para nos ensinar o valor de algo tão simples como o direito de sair à rua só para ver alguém sorrindo!

 

Não vejo a hora de correr para o abraço!

 

Christian Müller Jung é publicitário, mestre de cerimônia e meu irmão

Já que não lava a boca, use água e sabão para lavar as mãos

 

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Imagem PIXABAY

 

Histeria, interesse político, coisa da China, gente mal intencionada e invenção da imprensa — são os culpados de sempre que estão na lista dos críticos que me escrevem diariamente por e-mail ou rede social. Uma gente incomodada com o noticiário sobre o coronavírus que não vê motivo para as medidas que estão sendo adotadas e param a economia —- há quem aposte, como o presidente Jair Bolsonaro, que um dia vamos descobrir que foram todos enganados “pelos governadores e pela imprensa”.

 

O que vai acontecer no futuro não sei, mas hoje o Mundo já registra 374.921 pessoas infectadas, 16.441 mortas e 100.927 recuperadas. Aqui no Brasil, nos aproximamos dos 2 mil casos e já temos 34 mortes, por enquanto apenas dois recuperados. Esta é a realidade. Se existe algum engano nesses números é que estão subestimados, pois muita gente está andando por aí com o SARSCoV2 a bordo e não aparece nas estatísticas. Ou porque encarou os sintomas como uma gripe ou sequer teve os sintomas —- o que não o impede de ser um transmissor do vírus.

 

Saiba que também estou assustado com as restrições que estamos enfrentando. Deixei negócios de lado, tive de suspender projetos e sigo no ar na CBN graças a tecnologia que me permite trabalhar de casa. Não pense que isso me consola, não. Apesar de estar trabalhando fico constrangido em saber que outros colegas têm de estar na redação. Por mais que as medidas preventivas estejam sendo adotadas gostaria que todos pudéssemos estar dentro de casa neste momento, sem exceção.

 

Além dos tradicionais discursos de que somos torcedores do quanto pior, melhor, há quem questione fazendo uso de estatísticas erradas e verdades distorcidas. Dizem que a gripe mata e infecta muito mais gente. Que o Brasil tem de se preocupar com o sarampo e a dengue, que são mais graves. E o coronavírus é apenas uma “gripezinha” — foi o que ouvimos do presidente e fizeram eco alguns dos empresários que o apoiam.

 

Conversei com o doutor Luis Fernando Correia, meu colega na CBN e comentarista do Saúde em Foco, para entender se poderíamos estar exagerando na ‘dose do remédio’.

 

Da conversa, tirei algumas conclusões que reproduzo a seguir.

 

É verdade —- e ele sempre disse isso, mesmo antes de sermos apresentados a esta pandemia —- que gripe, dengue e sarampo devem ser levados a sério. Tanto quanto é verdade que o novo coronavírus exige medidas restritivas, nunca antes vistas; que precisamos privilegiar o distanciamento social, nos confinarmos em casa e protegermos os idosos.

“Se alguém diz que ele (SARSCoV2) é menos letal do que o influenza (que causa a Gripe Sazonal) não está acompanhando os artigos científicos que estão sendo publicados diariamente”, comentou.

A Gripe Sazonal mata 0,1% dos pacientes infectados. O SARSCoV2 está bem acima disso. De acordo com reportagem publicada pelo El País, há dois dias, na Itália é de 8%, na Espanha 4%, na França 2% e na Coreia do Sul 1%. Na Alemanha, um caso que chama atenção de especialistas, a letalidade é menor, 0,36% — baixa em relação ao mundo e mesmo assim acima da letalidade da gripe. Lá na China, onde a epidemia apareceu pela primeira vez, calcula-se que 2,9% dos infectados em Wuhan, capital da província de Hubei, morreram.

 

Um aspecto que torna ainda mais assustadora esta pandemia é o fato de que o SARSCoV2 tem um preferência pelos velhos enquanto o Influenza ataca mais as crianças. Como os idosos, também são alvos os que têm doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, males digestivos ou respiratórios e câncer. Fato que tem levado Bolsonaro a dizer outra asneira: o cara não morre do coronavírus, ele morre porque tinha outras doenças e pegou coronavírus. Esquece que, apesar de ter outras doenças, o cara continuaria vivo se não tivesse sido infectado.

 

Outro erro ao querer minimizar os efeitos do SARSCoV2 usando como exemplo o Influenza: para este tem vacina — e, aliás, a campanha se iniciou nesta segunda-feira —; para o novo coronavírus, não.

 

Leia o que disse o Doutor Luis Fernando Correia:

“Ainda não temos uma vacina contra esse vírus. Apesar de ter o seu genoma já descrito, desde o início de Janeiro, e notícias tenham sido divulgadas da descoberta de vacinas, essas vacinas precisarão passar pelo processo de avaliação científica para que sua segurança e eficácia sejam descritas e, também, pelo processo de fabricação validado pelos órgãos reguladores mundiais (FDA/USA e EMEA/Europa). Isso nos deixa com uma previsão de que a vacina pode estar disponível em cerca de 12 a 18 meses, não antes disso”.

E os remédios que têm sido citados em reportagens?

“Não existe medicamento efetivo contra o novo Coronavírus. Alguns medicamentos … estão sendo testados, porém ainda são testes em laboratórios e precisam passar por testes em pacientes e também precisam ter sua eficácia validada científicamente”.

Dito isso, meu pedido a você que insiste em escrever fazendo ameaças a mim e a minha família, ofendendo meus colegas de jornalismo e usando dados mentirosos para justificar seu pensamento; a você que perde seu tempo enviando e-mails ou invadindo redes sociais para me criticar; a você que desacredita na ciência e no conhecimento: já que você não lava a boca com água e sabão — como minha mãe  sugeria a todos que proferissem impropérios — ao menos lave bem as mãos, siga a risca o protocolo respiratório, fique em casa e proteja os nossos idosos.

 

Em tempo: se o seu ódio ainda lhe permitir, ouça as conversar diárias que tenho com o  Dr Luis Fernando Correia, ao vivo, às 9h30 da manhã, no Jornal da CBN. Quem sabe um dia nós não conseguiremos convencê-lo de que você está sendo enganado por seus líderes e crenças.

Da sala de casa para o Mundo: Jornal da CBN começa a ser apresentado em “home office”

 

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Chegou a hora de se recolher. A partir desta segunda-feira, transformo minha mesa de trabalho em casa em estúdio avançado da CBN. A rádio tem seguido as orientações dos órgão de saúde, buscado proteger seus profissionais, desde a primeira hora. Gestores, editores, redatores, alguns produtores e quem mais puder exercer sua função de casa, está fazendo. A ordem é reduzir ao máximo a circulação de pessoas na redação e oferecer todo apoio para aqueles que precisam estar de corpo presente. Tem uma turma como os operadores de áudio e técnicos de som que se compara com médicos e bombeiros — sem eles, seria o fim. Que sejam reconhecidos!

 

Dos programas da CBN, somente o Jornal da CBN ainda não havia entrado no sistema de emergência devido a complexidade para levá-lo ao ar por quatro horas e para toda rede CBN Brasil. Porém, estarmos todos dentro do estúdio, ao mesmo tempo, desde cedo, era um risco à operação. Qualquer caso suspeito de coronavírus, levaria todos para casa e inviabilizaria o Jornal.

 

A partir de agora, apresento de casa e contaremos com o apoio presencial e essencial da Cássia Godoy — que se dedica ao Jornal da CBN e ao CBN Brasil. Decisão que protege a mim, a ela e a todos os demais que ainda precisam circular pela redação.

 

Aqui em casa, improvisamos um estúdio com equipamento de primeira, que faz parte da infraestrutura da CBN, uma mesa de som TieLine, conectada a rede de fibra da internet que leva o som até a central técnica da CBN, na avenida Jornalista Roberto Marinho, em São Paulo — além de microfone e fone apropriados. O equipamento está instalado na minha mesa de trabalho, onde tenho o computador que permitirá o acesso ao iNews, um software no qual são publicadas reportagens, edições e textos redigidos por nossos jornalistas — a maioria já trabalhando de suas casas. O WhatsApp será uma das formas de comunicação entre o Guilherme Dogo, que é o produtor no estúdio, a Cássia e eu.

 

Apresentar o programa de casa me exigirá atenção redobrada porque terei em minha volta mais estímulos do que costumo ter no estúdio da CBN. Minha família também está por aqui, todos em suas estações de trabalho no sistema de “home office”. Ah, tem Bocelli e Geromel, meus gatos, que costumam acordar de madrugada ao meu lado e tendem a dormir sobre a mesa em que trabalho durante o dia — que agora servirá de mesa de estúdio.

 

É estranho mas não inusitado. Em meus primeiros anos de rádio, nos anos de 1980, tive uma experiência curiosa. Na época, trabalhava na rádio Guaíba de Porto Alegre e fazia minha primeira participação, logo depois das seis da manhã, com informações do aeroporto Salgado Filho. Diante da necessidade de reduzir custos, a rádio combinou que eu continuaria atualizando as notícias do aeroporto — condições para voar, voos atrasados, lotação dos aviões entre outros assuntos —, mas diretamente de casa.

 

Era fim de madrugada quando acordava e ligava para os balcões das companhias aéreas — Varig, Vasp e Transbrasil —, para a torre de controle e para o telefone do ponto de táxi que ficava em frente ao aeroporto. Os motoristas descreviam o movimento de passageiros e informavam a temperatura registrada pelo termômetro de rua. Com esse arsenal de informações, me preparava para entrar no ar na Guaíba.

 

Encerrava meus boletins informando a temperatura na cabeceira da pista, uma forma que encontrei para dar um pouco mais de realidade aos fatos, quando de verdade eu estava falando, ao vivo, da cabeceira da minha cama. Registre-se que
em nenhum momento, no bate-papo com o âncora do Jornal, dizia que estava no aeroporto para não perder a confiança do ouvinte assim como não comentava que estava em casa  — algumas vezes fui traído pelo nosso cachorro de estimação, que latia “diretamente do pátio”.

 

Se no ar tudo transcorria normalmente e a prestação de serviço atendia a expectativa do público, lá na minha casa, em Porto Alegre, eu me tornei um estorvo para meu irmão. Imagine que nós dividíamos um quarto e, portanto, todos os dias, às seis da manhã, ele era acordado aos berros por minhas notícias sobre saídas e chegadas de aviões e, claro, a temperatura na cabeceira da pista. Foi difícil para ele e constrangedor para mim, mas nada que estragasse nosso companheirismo, mantido até os dias de hoje.

 

Nessa segunda-feira, vou repetir essa experiência, com uma diferença e tanto: em lugar de cinco minutos de boletim caseiro, apresentarei um programa de quatro horas. Conto com a tolerância dos meninos, da esposa e dos gatos, afinal eles sabem que todo desconforto e privações de agora tem um objetivo muito maior: cuidarmos uns dos outros e preservarmos a saúde de todos.