Dia Mundial da Voz: “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”

 

Minha primeira experiência em livro surgiu pelas mãos da fonoaudióloga Leny Kyrillos, organizadora de “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), publicado em 2005. Ela convidou 19 especialistas no tema da comunicação para que descrevessem o resultado de seus estudos e pesquisas. Eu era o 20º autor, uma espécie de gaiato neste navio, que  reunia mestres e doutores. Ao contrário dos demais colegas de publicação, era apenas um jornalista que havia aprendido muito mais dentro da redação do que na academia. Minha missão foi falar da vivência ao lado de colegas de profissão e de como uma série de fonoaudiólogas foi fundamental para minha formação. 

 

Para marcar o Dia Mundial da Voz, comemorado no dia 16 de abril, que neste ano tem como tema “Em tempos de distanciamento físico, a voz nos aproxima”, começo hoje a reproduzir, aqui no Blog, o capítulo de minha autoria “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”

 

Milton1

Milton F Jung, o pai, foi a voz do Rio Grande e apresentou o Correspondente Renner

 

 

“Aqui fala o Correspondente Renner …”. Durante 42 anos, esta frase marcou uma das mais tradicionais sínteses noticiosas do rádio brasileira. Uma corneta estridente, com toque militar, era a característica musical que identificava o programa de notícias da Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Já nos seus primeiros acordes, o ouvinte se ajeitava na cadeira, o motorista levantava o som do rádio no carro, as crianças tinham de fazer silêncio. E nos restautaurantes em que o serviço de alto-falante retransmitia a emissora, o barulho diminuir, como testemunhou, certa vez, Claudionor Bayard, garçom de uma churrascaria de Carazinho, cidade do interior do Rio Grande do Sul.

 

“Aqui no restaurante acontece uma coisa engraçada. O serviço de alto-falante funciona na Guaíba o dia inteiro. Quando chega a uma da tarde toca aquela corneta do Rener. O ruído ambiente baixa para mais da metade. As pessoas começam a falar mais baixo e até o barulho dos talheres diminui. Todos prestam atenção no Correspondente Renner”

 

Claro que estou falando de um tempo em que na sala da casa ou no salão do restaurante, o rádio predominava. Os aparelhos de televisão ainda não haviam encontrado seu lugar definitivo nem tinham tamanho suficiente para se sustentarem pendurados nas paredes. Época em que as sínteses noticiosas eram a principal e mais confiante fonte de informação. Naqueles tempos, em Santa Rosa, outra cidade gaúcha, as casas que tinham janelas de frente para a calçada permaneciam abertas. Não havia a necessidade das grades e muros que fazem parte da arquitetura atual. Lá de dentro era possível ouvir o som do rádio que ecoava pelos corredores de madeira e vazava para a rua. Lembro sempre de uma história que ouvi do jornalista Eridison Lemos, que após deixar o interior do Estado, fez sucesso nas redações das rádios Guaíba e Gaúcha.

 

“Quando eu trabalhava numa estação de rádio, em Santa Rosa, meu horário de saudade era a uma da tarde. Morava a uns 500 metros da emissora e ao me dirigir para casa ía ouvindo o Correspondente Renner sem levar nenhum rádio comigo. Eu ouvia pelo rádio dos vizinhos, pois em cada rua ou quadra havia pelo menos uma pessoa ouvindo a Guaíba”

 

Síntese noticiosa é um programa radiofônico em que os principais fatos são apresentados em textos curtos e diretos, com duração que varia de cinco a dez minutos. A locução é feita com velocidade, passando a sensação da urgência dos fatos ali noticiados. A fórmula foi consagrada pelo Repórter Esso que começou a ser transmitido pelas rádios Nacional, do Rio de Janeiro, e Record, em São Paulo, em agosto de 1941. Dezesseis anos depois, em maior de 1957, no Sul do País entrava no ar a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que tinha como destaque na sua programação o Correspondente Renner. O noticiário, que começou com quatro edições diárias, em pouco tempo se transformou na principal fonte de informação do público gaúcho.

 

O Correspondente Renner teve quatro apresentadores em toda sua história, que se encerrou em 1999 quanto a empresa patrocinadora que emprestava o nome à síntese não renovou contrato com a Guaíba. Atualmente o patrocinador é a Portocred. A mudança foi apenas no nome já que a emissora manteve as demais características do programa. A começar pelo apresentador Milton ferrete Jung que durante 35 anos foi reconhecido como a “voz do Renner”. fato que lhe garante desde então um recorde. É o locutor que há mais tempo apresenta um mesmo noticiário no Brasil.

 

Aqui, caro leitor, peço licença para uma pausa nesta conversa. Há necessidade de alguns esclarecimentos urgentes antes que você desista desta leitura e pule logo par ao próximo capítulo.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, mesma produção deste que lhe escreve. É natural do Rio Grande do Sul, assim como o autor deste texto. Trabalha na Rádio Guaíba, de Porto Alegre, como já fiz no início da minha carreira, lá pelos anos 80. Narra futebol, como já tentei certa vez em televisão. Se não bastasse tem o mesmo nome do acima assinado. Não se espante. Apesar das coincidências não sou eu, não. Mesmo porque ainda não fui contaminado pelo vírus que toma conta de alguns jogadores de futebol que costumam falar deles próprios na terceira pessoa: “O Zé Bedeu chega para somar”, o “o Zé Bedeu promete que vai jogar com muita raça e determinação”. E dê-lhe Zé Bedeu pra lá e pra cá na entrevista do próprio. As nossas semelhanças não são mera coincidência. O Milton, personagem desta história, além de ser tudo aquilo que já descrevi, é meu pai. Posso garantir, contudo, que a presença dele neste texto tem razões bem mais lógicas do que somente os laços familiares, como você verá mas adiante.

 

Esclarecimentos à parte, vamos em frente.

 

Seja pelas questões familiares, seja pelo costume de boa parte dos gaúchos, ouvir o Correspondente Renner era uma obrigação em casa. Quantas vezes minha mãe não abusou de nossa ingenuidade para garantir silêncio e respeito na sala logo que o noticiário começava: “vamos ficar quieto, crianças, se não o pai de vocês vai acabar ouvindo esta bagunça”. Anos depois, mesmo sem ainda ter lido os ensaios de Marsahl McLuhan, percebi que aquela caixa de madeira de onde saía o som da voz de meu pai não tinha ouvidos. Não demorou muito para outros fatos bem mais relevantes naquela transmissão me chamarem atenção.

 

TUDO ESTAVA CARO DE MAIS

 

José Sarney era o presidente da República. Na política, o Brasil ainda aprendia a viver no regime democrático. Na economia, um caos. A inflação era galopante. o preço da gasolina, ainda sob controle “rígido” do governo, subia a cada semana. E no Correspondente Renner, Milto Ferretti Jung traduzia a indignação do cidadão apenas com o recurso da voz. A mudança de tom que beirava a ironia, a quebra de ritmo na frase e a articulação mais precisa da palavra ao informar o novo valor do livro da gasolina expressavam um sentimento que aproximava o radialista do seu público. Tornava-o cúmplice do ouvinte, propiciando a identificação do receptor com aquilo que era transmitido.

 

Foi naquele período que, pela primeira vez, percebi o poder que o locutor de notícias tinha de persuadir o público através da expressividade da voz. Uma lição marcante para quem começava a sonhar com a oportunidade de se transformar em jornalista e colocar em prática aquilo que aprendera dentro de casa. Mais Importante ainda porque esta ferramenta me soava inusitado para a época, principalmente se o assunto era a síntese noticiosa. Imperava no rádio o padrão impostado quase monocórdio. Mas valia o “vozeirão” do que a expressão.

 

O incômodo popular com as constantes mudanças de preços naqueles tempos de inflação draconiana — nós já vivemos épocas assim, não lembra mais? — era reporduzido na ênfase da narração de Milton Ferretti Jung. Daquela forma, o locutor conspirava, consciente ou não, contra a retórica objetiva do rádio na qual a linguagem usada na construção do discurso era direta e reta. Sem espaço a interpretações, imaginavam os autores da tese.

 

Poucos locutores arriscavam novas fórmulas na apresentação das notícias mesmo porque ainda havia os mitos da imparcialidade e da objetividade da informação. Como se a simples seleção dos fatos transmitidos e a própria ordem com que estes são apresentados já não expressassem uma ideia. Até hoje, manuais de radiojornalismo de algumas emissoras reforçam a necessidade de se manter estes dois componentes na edição de um programa. Confundem imparcialidade com isenção e objetividade com correção.

 

Mostrem-me um jornalista imparcial e eu lhe apontarei uma mentida. Este só existe na teoria acadêmica. Você nasce, vive, convive, aprende, entende e pensa. Em cada etapa deste processo sofre influência. Cria suas próprias teses. Desenvolve suas ideias ou as copia. O jornalista — parafraseando aquele ministro do Trabalho —- também é ser humano. Tem seus valores e a partir deles toma partido, às vezes tem partido. Quase sempre torce para este ou aquele. Vibra com seu time de futebol, reza nesta ou ora naquela religião. Preza alguns, desgosta de outros e odeia mais tantos. Onde está a imparcialidade?

 

A meta tem de ser outra. Ao jornalista cabe a isenção ao executar se trabalho. Esta é possível. Aliás, é necessária. Deve ter respeito com o entrevistado, esteja este na seção dos que preza, desgosta ou odeia (se houver problema com este último, tome um Engov antes e outro depois que passa). Não há jornalismo sem o contraditório. Os diferentes pontos de vista devem ser apresentados para que o público tenha a sua própria opinião. É na busca da isenção que se afasta o risco de os meios de comunicação transformarem-se em doutrinários, instrumentos de grupos econômicos, políticos e religiosos.

 

Amanhã, leia a segunda parte do capítulo Santo de casa não faz milagre mas tem expressão, do livro “Expressividade, da teoria à prática”

A intenção de compra do brasileiro e as lições para o Varejo, em meio a pandemia

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

blur-1850082_960_720

foto Pixabay

A IEMI Inteligência de Mercado pesquisou os consumidores de roupas e calçados, e afirma que 67% dos brasileiros não deverão comprar nas próximas semanas durante a crise do coronavírus.

Convenhamos, é uma informação catastrófica para os que atuam neste mercado.

 

 

Entretanto, vale atentarmos aos demais dados da pesquisa, realizada em 31 de março e 1º de abril, com amostra via web de 410 pessoas. Universo Brasil de classes A B e C, D, E.

 

 

Usando como fonte dados próprios e do IBGE, a IEMI registra que para os 210 milhões de habitantes correspondente a população brasileira, é vendido o montante de 6,3 bilhões de peças de roupas ao valor de R$ 231,3 bilhões, o que significa um consumo per capita de 30 peças ao ano, equivalente a R$ 1.100,00.

 

 

Dos  R$ 231,3 bilhões,  98,3% vêm da venda de lojas físicas e apenas 1,7% de e-commerce.  O detalhe é que o crescimento que está havendo anualmente é de 2,5% para o mundo físico contra 33% para o virtual.

 

shoes-549066_960_720

Foto Pixabay

 

 

O mesmo processo aparece com os calçados: dos R$ 55,4 bilhões,  97,8% são de vendas físicas e 2,8% virtuais. Também no setor, o crescimento é de 1,2% para as vendas físicas contra 28% para o e-commerce.

 

 

Cabe ressaltar que esses índices, nessa tendência crescente, deverão se acentuar devido a digitalização generalizada que todos estamos vivenciando com a quarentena estabelecida em função do coronavírus.

 

 

Dentre as mudanças previstas, uma certeza entre nós brasileiros: a universalização dos processos digitais. Essa situação em que o varejo de forma geral, considerando as 5 milhões de lojas físicas contra 50 mil digitalizadas, ou seja, 1% com e-commerce, dará obrigatoriamente um passo à frente, talvez até maior que o de Armstrong.

A pesquisa da IEMI informa ainda que do grupo dos consumidores que pretendem comprar roupas e calçados, neste período do coronavírus, 76% o farão pela internet.
Os canais de comunicação que estão sendo usados com as lojas são o site das marcas (58%), o WhatsApp (38%), o aplicativo da loja (38%) e o Instagram (37%).

O futuro, mesmo que distante minimamente, é sempre um desafio, entretanto, neste caso, é muito pouco arriscado dizer que o omnichannel é uma obrigatoriedade para o varejo. Assim como foi a computação, e  até como foi o telefone.

 

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Virada vocal: “em tempos de distanciamento físico, a voz nos aproxima”

 

 

budapest-1280521_960_720

 

 

O Dia Mundial da Voz, data que surgiu em movimento criado em São Paulo, é comemorado todo 16 de abril. Neste ano, não será diferente. E, claro, o coronavírus e seus efeitos pautarão as atividades programadas. A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia promoverá a Virada Vocal, em uma série de eventos online. Leia a seguir o material de divulgação da SBF, compartilhe a informação nas suas redes sociais e aproveite para se desenvolver pessoal e profissionalmente com o conhecimento que estará disponível:

Em um momento em que a maioria da população está isolada em suas casas, como é possível ficar mais perto? Seja para estar com familiares, amigos ou no meio profissional, a tecnologia tem tido papel importante para que uns estejam presentes na vida dos outros, tanto por texto e imagem, como principalmente pela voz.
 

 

Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia lança a Virada Vocal, evento que contará com 24h de programação on-line para tratar sobre este aspecto que é tão significativo na comunicação.
 

 

“O nosso objetivo com a ação é destacar a importância da voz em nosso cotidiano pessoal e profissional para nos expressar e, especialmente no contexto de distanciamento físico, de nos aproximar, identificando os cuidados necessários que precisamos ter com ela e tudo o que a envolve.”, conta Dra. Lívia Lima, coordenadora do departamento da Voz da sociedade.
 

 

A ação faz parte da Campanha Amigos da Voz, realizada anualmente para conscientizar a população a respeito dos cuidados com a voz e em alinhamento ao Dia Internacional da Voz, celebrado em 16/04. O tema escolhido para 2020 é “Em tempos de distanciamento físico, a voz nos aproxima”, levando em consideração o cenário atual e toda a mudança de rotina e mercado promovida pelo aparecimento do novo coronavírus.
 

 

Entre os destaques da agenda estão as palestras “Impacto da Covid-19 no mercado da música”, “Profissionais da voz e epidemias: recomendações e cuidados”, “Voz e jornalismo”, “voz e comunicação do professor” e “Demandas fonoaudiológicas no atendimento de voz e comunicação da população trans e travesti”.
 

 

“Não queremos falar apenas com um indivíduo, mas diversos deles. Isso inclui fonoaudiólogos, claro, mas também professores, jornalistas, cantores e leigos. Todos aqueles que têm voz, por fim”, afirma Dra. Thays Vaiano, vice-coordenadora do Departamento da Voz da SBFa.
 

 

A programação, totalmente gratuita, começa às 20h do dia 15 e vai até as 20h do dia 16 de abril.
 

 

AGENDA
 

 

O quê: Virada Vocal
 

 

Quando: De 15/04 a 16/04, às 20h
 

 

Onde:https://www.youtube.com/user/SBFaorg

Sua Marca: mantenha uma linguagem empática e seja fiel a seus princípios

 

 

“Ninguém está imune aos efeitos da epidemia; de um jeito ou de outro, todos nós — e as marcas, também — precisamos refletir sobre este momento e o nosso papel neste cenário” Jaime Troiano

A pandemia do Sars-Cov-2 exige muita sensibilidade na comunicação das marcas, pois os erros vão falar muito mais alto do que os acertos. No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, conversei com Jaime Troiano e Cecilia Russo sobre os desafios dos gestores de marcas diante da crise provocada pelo novo coronavírus.

 

Para os comentaristas, as marcas não devem mudar sua personalidade nem dar qualquer passo além daqueles que já têm praticado ao longo de sua história. Ao mesmo tempo, devem compreender que não dá para fazer de conta que nada está acontecendo e precisam desenvolver uma visão empática, como explica Cecília Russo:

“Há marcas que têm demonstrado um interesse genuíno de estender a mão e transferir apoios e recursos para a sociedade, compreendendo que é preciso doar tempo e estrutura, com mudança na linha de produção e oferta de materiais que ajudam a combater a pandemia como máscaras, álcool em gel e respiradores”

Alguns riscos que as marcas correm é o de ficarem tentadas a adotarem atitudes oportunistas, assim como de negarem todas os valores que mostraram até agora. Sejam fieis a seus princípios, diz Jaime Troiano:

“Sem citar nomes, há algumas marcas em que os dirigentes saíram da linguagem habitual de cuidado e atenção com os consumidores e usaram um discurso que nega essa sua forma de se relacionar com o mercado”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Daniel Motta, da BMI, fala da importância de a empresa ter cultura sólida e estratégia bem definida

 

“Existe uma ingenuidade talvez das organizações de acreditarem que elas conseguem moldar, forjar o contexto no qual elas atuam. Não é verdade. Na verdade, a força é sempre exógena, e cabe ao grupo de líderes entender isso e ter humildade para entender isso e desafiar suas próprias crenças e paradigmas, o que é bastante difícil” —- Daniel Motta, BMI

O processo de construção da cultura de uma empresa é coletivo e resultado da soma de como que as pessoas que fazem parte da organização pensam, agem, tomam decisões, gerenciam riscos e criam vínculos. Esse foi um dos temas do programa Mundo Corporativo, da CBN, que entrevistou Daniel Motta, CEO da BMI — Blue Management Institute, consultoria dedicada a estratégias e culturas de grandes corporações.

 

Ao longo da entrevista, o jornalista Mílton Jung também falou do resultado de pesquisa realizada pela BMI com 100 executivos que atuam em 71 empresas, no ano passado. Pela quinta edição seguida, o estudo avaliou a performance de CEOS e suas organizações.

 

Uma das constatações, destacada por Daniel Motta, se refere ao fato de esses líderes investirem a maior parte do seu tempo às questões internas da empresa: 52,3% da agenda do C-Levels são gastos com encontros gerais e tarefas operacionais e 22% com assuntos urgentes; somente 25,8% das tarefas estão dedicadas a ações com impacto no longo prazo. Além disso, passam quase dois terços da vida dentro do escritório.

 

Motta recomenda:

“Não olhar só para as questões internas, e a gente sabe que as agendas internas são bastante demandantes, mas se perguntar quanto do meu tempo — e aqui a gente fez uma pesquisa de alocação de tempo —- esta dedicado a algo diferente da minha rotina de gestão do dia a dia. Esse é um ponto fundamental que serve para qualquer tamanho de empresa, para qualquer tipo de controle”.

Mesmo tendo sido gravada antes do início da crise do coronavírus, a entrevista de Daniel Motta nos mostra que empresas com uma cultura sólida e diversificada, assim como com uma estratégia bem definida, tendem a enfrentar com maior firmeza momentos de enorme desafio como agora.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Gabriela Varella, Juliana Prado, Artur Ferreira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Triste de quem é refém de heróis e mitos

 

ba2f7a4c-c351-4bb4-91d8-299fee19e902.JPG.640x360_q75_box-107,0,4847,2666_crop_detail

Site CBN/Foto: Pablo Jacob, Agência O Globo

 

As últimas horas têm sido intensas. Mais intensas do que as anteriores. Seja porque a extensão do confinamento nos exige mais da mente, do corpo e da alma, seja porque a cada dia, o número de mortos aumenta e esses mortos ganham nome e sobrenome —- às vezes, muito mais próximos de nós do que desejaríamos.

 

Fosse apenas o risco que a doença nos traz, já seria suficiente para termos dias com sofrimento e preocupação. Soma-se a esse cenário inédito nas nossas vidas, porém, comportamentos estranhos de autoridades públicas e cidadãos anônimos.

 

No Palácio, o discurso do confronto prevalece, independentemente de quem seja o inimigo. A impressão que tenho é que o Governo tomou das mãos da oposição a bandeira  do “quanto pior, melhor”. Se não, o que foi este início de semana, em que o Presidente — às vésperas de assistir à ampliação de brasileiros infectados e mortos, e hospitais lotados —- ameaça demitir o líder da equipe que combate a doença, em mais um declaração marcada pelo desatino, no domingo.

 

A turma do deixa disso entrou em ação, na segunda-feira. O STF falou. O Congresso ameaçou. Os generais apaziguaram. E o Presidente recuou fazendo cara de mau — de criança que foi contrariada. Em seguida, e já era noite em Brasília, o Ministro da Saúde Luis Henrique Mandetta fez um pronunciamento com críticas veladas e ironia em relação ao Presidente. Até ao sugerir leitura para acalmar, mandou recado: disse que leu o Mito da Caverna, de Platão — e não entendeu. Nós entendemos o recado dele.

 

O inacreditável é que o Presidente e o Ministro são partes de um mesmo Governo que diz ter um só inimigo com “nome e sobrenome”: Sars-COV-2. Não têm, não. Sinalizam o tempo todo que um é inimigo do outro, nenhum aceita ser coadjuvante, enquanto o novo coronavírus protagoniza uma devassa na vida dos brasileiros.

 

Em meio a tudo isso, a massa se digladia na praça pública que se transformou as redes sociais. Agride com palavras, usa informações falsas, ataca sem dar atenção à lógica e enxerga em qualquer análise que se faça uma teoria da conspiração.

 

Nesta terça-feira, das mensagens que recebi, várias alertavam para o risco de quem defende o Ministro da Saúde, que não seria flor que se cheire, estaria comprometido com manobras políticas e planos de saúde. Seu herói tem pés de barro, dizia uma delas. Outros traziam críticas ao Presidente e vinham acompanhadas de coisas do tipo: “vocês é que elegeram o Mito, agora embalem”.

 

Como jornalista, cubro fatos, apuro a verdade e contextualizo o cenário. Não tenho ídolos, menos ainda mitos e heróis. Se o caminho percorrido é o certo, relato; se é o errado, denuncio. Se usa a ciência como pauta, pergunto para esclarecer. Se usa as crenças, questiono. Evito confundir mensagem e mensageiro. E se esse aponta o rumo certo pela maneira errada, digo o que entendo ser o certo e o errado. Não tenho compromisso com personagens nem narrativas. Se acerto, cumpro minha obrigação; se encerro, peço desculpas.

 

Herói? Mito? Triste de quem vive em busca de um. Vai se frustrar, com certeza; e afundar na ilusão. Vai se transformar em refém de sua idolatria. Perder a capacidade de discernimento e a análise crítica. Desperdiçar a beleza do livre pensar. De sonhar!

 

Sua Marca: o branding tem ferramentas para preservar a saúde das marcas

 

“O branding dá esse sentido de eternidade às marcas, mesmo sabendo que um dia ela terá de sair do mercado para dar espaço a outras ” — Cecília Russo

Assim como os seres humanos, as marcas nascem, têm seu período de desenvolvimento — quando compreendem o mercado que atuam, onde estão seus clientes e competidores —, passam por uma fase de evolução, até alcançarem a maturidade. Como trabalhar diante dessa realidade a gestão de marcas, foi o assunto que conversei com Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

O branding é hoje um conjunto de processos e de instrumentos que permite estender muito o ciclo vital das marcas e fazer com que ela continue atendendo seus clientes e consumidores por muito tempo. No entanto, Jaime e Cecília lembram que a maioria fica pelo caminho —- pesquisas mostram que nove em cada 10 marcas não chegam a envelhecer.

 

O essencial é fazer uma profilaxia frequente, ou seja, realizar trabalhos de manutenção e prevenção da marca, para renovar essa vitalidade. E evitar dois grandes comodismos, como destacou Jaime Troiano:

“Imaginar que se está indo bem, ‘deixa como está, nada vai dar errado’; ou cair na tentação de querer mudar tudo para renovar — isso é perigoso porque despersonaliza a sua marca”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Velocidade é a alma do negócio

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

departure-platform-371218_960_720

foto Pixabay

 

Todos sabemos que a velocidade é essencial para competir, e o Corona vírus que nos ataca agora acionou a corrida para a sobrevivência, da vida e dos negócios.

 

Vamos aos negócios.

 

Magalu, o maior Shopping Center virtual do Brasil, diante do desafio do Sars-Cov-2, decidiu propiciar aos micros, pequenos varejistas e autônomos, que pudessem vender via e-commerce para evitar consequências desastrosas da paralisação obrigatória.

 

Em cinco dias, fez o que estava planejado para cinco meses, e ofereceu ao mercado varejista físico, composto de 5 milhões de empresas, as quais apenas 1% tem venda digital, a alternativa da venda virtual.

 

Para tanto, o risco da instabilidade do sistema foi considerado, porém a expertise da companhia e a oportunidade de disponibilizar para os Microempreendedores Individuais MEI com faturamento de até R$ 81 mil, e no Simples, com faturamento até R$ 5 milhões, e para pessoas físicas, foi fundamental para acelerar o processo.

 

Ao parceiro pessoa jurídica, o Magalu oferece vender seu estoque para os 20 milhões de clientes existentes no e-commerce e nas mais de 1000 lojas físicas da empresa.

 

As pessoas físicas poderão vender através do Facebook, Instagram, WhatsApp e de lojas virtuais próprias criadas pelo sistema para os 20 milhões de clientes, ofertando 7 milhões de produtos de 15 mil vendedores do Market Place Magalu. Além de poder vender porta a porta assim que findar as restrições de locomoção.

 

De outro lado, o mundo dos call centers ficou congestionado pelas empresas em busca da ampliação de seus canais de atendimento. A Sercom, por exemplo, fundada em 1993, com 6.400 funcionários, 12 milhões de interações mensais, passou a receber diariamente de 12 a 15 propostas de novos clientes. Essa era a média padrão mensal. Estes novos clientes são empresas que em função da quarentena precisam responder ao atendimento de seus consumidores de forma remota.

 

Para atender a nova demanda dentro das atuais circunstancias, a Sercom teve que ajustar seu quadro de colaboradores ao trabalho externo gradativamente em suas residências, além de acentuar o sistema de “Smart Chat”. Esta ferramenta permite a comunicação via SMS, WhatsApp e Telefone, além de possibilitar o “Chatbot” que é a utilização de robôs com alternativa de atendimento humano quando houver necessidade. É um método que amplia por quatro a atuação de atendimento de cada operador, e possibilita a intervenção da supervisão para direcionar a melhor forma de resposta.

 

Ao mesmo tempo, o Grupo Sercom desenvolveu recentemente uma plataforma para Plano de Saúde Sênior de atendimento remoto para gerontologia via WhatsApp, com objetivo de dar velocidade às solicitações dos beneficiários, e evitar congestionamentos, em momento no qual a eficácia é fundamental. Ferramenta essencial para enfrentar a demanda atual.

 

No setor de tecnologia digital, a Hi Platform, plataforma de relacionamento com o consumidor, nos primeiros cinco dias de recolhimento teve mais de 500 pedidos de chat para atendimento remoto. As empresas buscam habilitar seus agentes de atendimento para o trabalho home office.

 

A tecnologia do Chat possibilita aos operadores atenderem de casa pelo servidor da empresa, inclusive com a transferência entre eles e os departamentos. E pela integração ao WhatsApp permite que o número do APP seja divulgado, evitando o telefone.

 

Para atender ao necessário aumento de disponibilização dos canais de atendimento em virtude da crescente demanda a Hi Platform sugere que sejam usados chats bots plugados nos canais digitais para dúvidas frequentes e para automatizar processos. E estão disponíveis.

 

Toda essa movimentação para buscar corresponder a nova demanda deverá causar inovações e melhorias, que deverão permanecer, e certamente quando o vírus sair de cena deveremos estar preparados para um crescimento qualificado e veloz.

 

É uma aposta e tanto.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: saiba qual o índice de satisfação do seu consumidor

 

“Não deixe de saber o quanto o mercado gosta e prefere a sua marca” — Jaime Troiano

Consultorias e institutos de pesquisa usam diversas formas para medir a satisfação de seus consumidores. Um dos indicadores é o NPS — Net Promoter Score, criado por Frederick Reichheld, e publicado pela primeira vez em uma revista da Universidade de Harvard, em 2003. Desde lá, transformou-se em um sucesso e tem sido aplicado tanto para captar a opinião sobre serviços e produtos, como organizações e pessoas.

 

Para Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, o segredo do NPR é a forma simples e acessível como a medição é feita. Para identificar o grau de satisfação e lealdade dos consumidores, o pesquisador pergunta “de 0 a 10, o quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a um amigo ou alguém que você goste?”.

 

Reichheld classificou os clientes em três grupos, conforme a nota dada:

Promotores — de 9 a 10
Neutros — de 7 a 8
Detratores — de 0 a 6

O NPS é a diferença entre o percentual de promotores e os de detratores. Por exemplo, se houver 70% de promotores e 15% de detratores, o NPS é 55. O percentual de neutros não é levado em consideração.

 

Aqui no Brasil, a opinionbox.com publicou no último trimestre do ano passado um cálculo de NPS para o mercado de fast food, após realizar 2 mil entrevistas sobre 13 marcas do setor.

 

As três empresas que se destacaram com melhor NPS foram:

McDonald’s P = 60 D = 22 NPS = 38
Burger King P = 63 D = 29 NPS = 34
Subway P = 59 D = 31 M{S = 28

Leia também o artigo “Os consumidores são os novos vendedores”, de Carlos Magno Gibrail a propósito do uso do NPR

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã

Mundo Corporativo: como organizar o voluntariado na sua empresa

 

“Hoje, fazer trabalho voluntário tem um valor enorme para os processos seletivos, demonstrar o que você faz, escrever isso no currículo até para ser admitido em uma grande universidade, tanto dentro do Brasil como fora do Brasil, tem um valor enorme” — Angela Dannemann, Itau Social

A ação voluntária tem sido valorizada dentro das empresas como uma das formas de aproximar colaboradores, formar equipes mais coesas e expressar propósitos que movem as organizações. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social, destacou que o voluntariado traz benefícios para o colaborador, a empresa e a sociedade.

 

Dannemann identificou alguns caminhos que devem ser percorridos para que o voluntariado alcance seus objetivos, especialmente no público-alvo a que se destina. Para ela, o primeiro passo é a empresa entender o que já está acontecendo dentro da organização, a partir dos diversos interesses de seus colaboradores. Geralmente, descobre-se que ações voluntárias já são realizadas por alguns grupos de profissionais e o ideal é dar sequência a esses projetos, colaborando com experiências da própria organização:

“Trazer essas qualidades da gestão para uma ação voluntaria é muito valioso”.

Ao planejar as atividades é importante que se identifique o tamanho da equipe que está disposta a se engajar no programa, oferecer orientação estratégica, definir recursos, tempo de dedicação, material e infraestrutura necessários. Atuar com organização faz toda a diferença, mas Dannemann alerta:

“O voluntariado deve ter metas para alcançar, mas não pode ser colocar metas para o voluntário alcançar”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, 8h10, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Gabriela Varella, Artur Ferreira, Rafael Furugen, Isabela Ares, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.