O Comércio não pode parar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Estamos diante de um fenômeno global latente. De um lado, alguns líderes políticos mundiais estão se distanciando da ciência, ao desconsiderar o efeito das mudanças climáticas, e mais recentemente ao negar o risco do coronavírus. Ao mesmo tempo há uma polarização política e econômica nos movimentos sociais extremos de direita e de esquerda.

 

Entretanto, descasos do conhecimento científico não impediram que severas medidas de prevenção estejam em vigor no mundo inteiro para enfrentar o SARS-CoV-2.

 

O cenário brasileiro não é diferente e o varejo, um dos mais importantes segmentos da nossa Economia, está cumprindo quarentena compulsória de 15 dias. Método indicado para a saúde e temerário para a economia, se houver necessidade de prolongamento e não ocorrer assistência governamental com recursos financeiros.

 

Por isso, o IDV — Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, que reúne as 70 maiores empresas do setor, empregando 750 mil pessoas em 30 mil estabelecimentos e 200 centros de distribuição, com faturamento de R$ 345 bi, após videoconferência realizada ontem, sugeriu:

— O governo irrigue fortemente a economia, e atenda estados e municípios para permitir a prorrogação de impostos e taxas por 120 dias;

 

— As empresas concedam férias individuais e coletivas, licença remunerada, utilização de banco de horas, redução de salários e outras medidas;

 

— As autoridades liderem, unidas as ações para a saúde e a economia para evitar uma profunda recessão

 

— O Governo retome imediatamente as atividades assim que haja possibilidade no aspecto da saúde da população

Cabe ressaltar que dentro desse segmento identificamos que os supermercados não estão preparados para atender demandas de entregas a domicílio e delivery de pedidos via e-commerce. Nas cidades onde estão os centros de difusão do vírus, como São Paulo, devido a concentração populacional, há prazos de duas semanas, ou até interrupções de entregas.

 

É incompreensível que a exaustiva “omnicanalidade” não comparece na hora da verdade. No que tange a perda de oportunidade, o papel mais constrangedor cabe aos Shopping Centers. No momento em que são obrigados a fechar as portas físicas não dispõem das portas virtuais.

 

A ABRASCE, entidade que os representa, se tivesse os Market Places de cada empreendedor, poderia estar em campanha certa, no momento certo para divulgar a alternativa certa. Mas, estava estudando uma forma de não se comprometer com os inquilinos e até agora não concluiu o acordo inicialmente acertado com a ALSHOP, que representa os lojistas de Shopping.

 

O desafio para o varejo de Shopping de como atuar com as portas fechadas, agora ficou fácil de enxergar. O primeiro passo é se preparar para o delivery e para o e-commerce e as redes sociais. A partir de aí testar outros modelos de como chegar ao consumidor, inclusive considerando que virão outros comportamentos de compra.

 

É hora de priorizar as 24hs de atendimento. O comércio não pode parar.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Louco pra correr pro abraço!

 

Por Christian Müller Jung

 

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Fui instigado a escrever algumas linhas pelo meu irmão Mílton. Não tenho o hábito de escrever quando estou em casa, normalmente arrumo tempo no trabalho na espera entre uma agenda e outra. A questão é que neste momento precisamos ficar em casa!

 

Gosto de estar por aqui, porém a determinação de não sair parece criar uma áurea nebulosa que não me permite relaxar. Faço o de sempre. Atividades que normalmente fazemos quando moramos em uma casa: retoco a pintura, lixo alguma parede, conserto o degrau da escada, rejunto o piso de basalto do pátio … pequenos ajustes para preencher o tempo, ocupar a cabeça e disfarçar o peso das informações.

 

Cada toque de mensagem no celular nesses dias tem sido um novo susto, que vem acompanhado de mais uma medida do Governo; mais um áudio de um médico qualquer que jamais ouvimos falar, mas que fala pelos cotovelos; mais um vídeo com o Marcos Mion e aquele visual de quem brigou com o barbeiro.

 

Claro que o problema não é visual, mas o conteúdo do vídeo: um alerta catastrófico do que poderemos vivenciar em alguns dias se as medidas que estão sendo tomadas não forem observadas com seriedade pela população. Como se diz aqui no sul: “me caiu os butiá do bolso“!

 

Lembro sempre como seria bom se tivesse mantido a terapia. A gente fraqueja. Mas como tudo na vida sempre tem o lado bom.

 

Nunca achei que a falta de uma abraço fosse tão significante. Sinto falta de tudo, de tudo aquilo que até poucos dias estava ao meu alcance e eu passava sem dar muita atenção: o passeio das pessoas, as bicicletas se enfileirando entre os carros e os malabaristas nos semáforos. Aliás, como será que tá essa gente que vive sempre nessa corda banda da vida!

 

Do meu pátio, consigo enxergar toda a metade do prédio que construíram faz pouco tempo aqui na frente de casa. São apartamentos bonitos e bem caros, diferentes da realidade da minha rua quando fui apresentado a ela, há 52 anos. Quase não tenho mais os vizinhos de antigamente uns entregaram os terrenos em troca de uma boa oferta em dinheiro, outros entregaram os pontos e já partiram desta para uma melhor. E lá do pátio, tentando me distrair com rejunte do piso, olho pra cima, vejo alguém na janela ou na sacada e sinto uma baita vontade de gritar.

 

Um grito de afeto que fica engasgado. Não sei o que essa gente que não me conhece iria pensar, mas independentemente da minha angústia ou loucura, tenho me sentido pronto para vivenciar cada detalhe, cada pequena criatura que queira tão somente dividir o espaço nesse planeta, só pelo simples fato de estar viva.

 

E lá vai mais uma dupla de sabiás tomar banho no prato d’água da minha Golden Retriever. Ela não se importa. Sem sequer dar um latido, divide o pote que muitas vezes fica seco pela bagunça que os pássaros fazem. Talvez saiba lidar melhor com essas coisas para as quais deveríamos dar mais atenção sem que tivéssemos que ficar enclausurados para reconhecer: o poder das pequenas coisas do dia a dia.

 

Dizem que a gente aprende no amor ou na dor. A vida tem disso. Nos apronta algumas para nos ensinar o valor de algo tão simples como o direito de sair à rua só para ver alguém sorrindo!

 

Não vejo a hora de correr para o abraço!

 

Christian Müller Jung é publicitário, mestre de cerimônia e meu irmão

Já que não lava a boca, use água e sabão para lavar as mãos

 

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Imagem PIXABAY

 

Histeria, interesse político, coisa da China, gente mal intencionada e invenção da imprensa — são os culpados de sempre que estão na lista dos críticos que me escrevem diariamente por e-mail ou rede social. Uma gente incomodada com o noticiário sobre o coronavírus que não vê motivo para as medidas que estão sendo adotadas e param a economia —- há quem aposte, como o presidente Jair Bolsonaro, que um dia vamos descobrir que foram todos enganados “pelos governadores e pela imprensa”.

 

O que vai acontecer no futuro não sei, mas hoje o Mundo já registra 374.921 pessoas infectadas, 16.441 mortas e 100.927 recuperadas. Aqui no Brasil, nos aproximamos dos 2 mil casos e já temos 34 mortes, por enquanto apenas dois recuperados. Esta é a realidade. Se existe algum engano nesses números é que estão subestimados, pois muita gente está andando por aí com o SARSCoV2 a bordo e não aparece nas estatísticas. Ou porque encarou os sintomas como uma gripe ou sequer teve os sintomas —- o que não o impede de ser um transmissor do vírus.

 

Saiba que também estou assustado com as restrições que estamos enfrentando. Deixei negócios de lado, tive de suspender projetos e sigo no ar na CBN graças a tecnologia que me permite trabalhar de casa. Não pense que isso me consola, não. Apesar de estar trabalhando fico constrangido em saber que outros colegas têm de estar na redação. Por mais que as medidas preventivas estejam sendo adotadas gostaria que todos pudéssemos estar dentro de casa neste momento, sem exceção.

 

Além dos tradicionais discursos de que somos torcedores do quanto pior, melhor, há quem questione fazendo uso de estatísticas erradas e verdades distorcidas. Dizem que a gripe mata e infecta muito mais gente. Que o Brasil tem de se preocupar com o sarampo e a dengue, que são mais graves. E o coronavírus é apenas uma “gripezinha” — foi o que ouvimos do presidente e fizeram eco alguns dos empresários que o apoiam.

 

Conversei com o doutor Luis Fernando Correia, meu colega na CBN e comentarista do Saúde em Foco, para entender se poderíamos estar exagerando na ‘dose do remédio’.

 

Da conversa, tirei algumas conclusões que reproduzo a seguir.

 

É verdade —- e ele sempre disse isso, mesmo antes de sermos apresentados a esta pandemia —- que gripe, dengue e sarampo devem ser levados a sério. Tanto quanto é verdade que o novo coronavírus exige medidas restritivas, nunca antes vistas; que precisamos privilegiar o distanciamento social, nos confinarmos em casa e protegermos os idosos.

“Se alguém diz que ele (SARSCoV2) é menos letal do que o influenza (que causa a Gripe Sazonal) não está acompanhando os artigos científicos que estão sendo publicados diariamente”, comentou.

A Gripe Sazonal mata 0,1% dos pacientes infectados. O SARSCoV2 está bem acima disso. De acordo com reportagem publicada pelo El País, há dois dias, na Itália é de 8%, na Espanha 4%, na França 2% e na Coreia do Sul 1%. Na Alemanha, um caso que chama atenção de especialistas, a letalidade é menor, 0,36% — baixa em relação ao mundo e mesmo assim acima da letalidade da gripe. Lá na China, onde a epidemia apareceu pela primeira vez, calcula-se que 2,9% dos infectados em Wuhan, capital da província de Hubei, morreram.

 

Um aspecto que torna ainda mais assustadora esta pandemia é o fato de que o SARSCoV2 tem um preferência pelos velhos enquanto o Influenza ataca mais as crianças. Como os idosos, também são alvos os que têm doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, males digestivos ou respiratórios e câncer. Fato que tem levado Bolsonaro a dizer outra asneira: o cara não morre do coronavírus, ele morre porque tinha outras doenças e pegou coronavírus. Esquece que, apesar de ter outras doenças, o cara continuaria vivo se não tivesse sido infectado.

 

Outro erro ao querer minimizar os efeitos do SARSCoV2 usando como exemplo o Influenza: para este tem vacina — e, aliás, a campanha se iniciou nesta segunda-feira —; para o novo coronavírus, não.

 

Leia o que disse o Doutor Luis Fernando Correia:

“Ainda não temos uma vacina contra esse vírus. Apesar de ter o seu genoma já descrito, desde o início de Janeiro, e notícias tenham sido divulgadas da descoberta de vacinas, essas vacinas precisarão passar pelo processo de avaliação científica para que sua segurança e eficácia sejam descritas e, também, pelo processo de fabricação validado pelos órgãos reguladores mundiais (FDA/USA e EMEA/Europa). Isso nos deixa com uma previsão de que a vacina pode estar disponível em cerca de 12 a 18 meses, não antes disso”.

E os remédios que têm sido citados em reportagens?

“Não existe medicamento efetivo contra o novo Coronavírus. Alguns medicamentos … estão sendo testados, porém ainda são testes em laboratórios e precisam passar por testes em pacientes e também precisam ter sua eficácia validada científicamente”.

Dito isso, meu pedido a você que insiste em escrever fazendo ameaças a mim e a minha família, ofendendo meus colegas de jornalismo e usando dados mentirosos para justificar seu pensamento; a você que perde seu tempo enviando e-mails ou invadindo redes sociais para me criticar; a você que desacredita na ciência e no conhecimento: já que você não lava a boca com água e sabão — como minha mãe  sugeria a todos que proferissem impropérios — ao menos lave bem as mãos, siga a risca o protocolo respiratório, fique em casa e proteja os nossos idosos.

 

Em tempo: se o seu ódio ainda lhe permitir, ouça as conversar diárias que tenho com o  Dr Luis Fernando Correia, ao vivo, às 9h30 da manhã, no Jornal da CBN. Quem sabe um dia nós não conseguiremos convencê-lo de que você está sendo enganado por seus líderes e crenças.

Da sala de casa para o Mundo: Jornal da CBN começa a ser apresentado em “home office”

 

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Chegou a hora de se recolher. A partir desta segunda-feira, transformo minha mesa de trabalho em casa em estúdio avançado da CBN. A rádio tem seguido as orientações dos órgão de saúde, buscado proteger seus profissionais, desde a primeira hora. Gestores, editores, redatores, alguns produtores e quem mais puder exercer sua função de casa, está fazendo. A ordem é reduzir ao máximo a circulação de pessoas na redação e oferecer todo apoio para aqueles que precisam estar de corpo presente. Tem uma turma como os operadores de áudio e técnicos de som que se compara com médicos e bombeiros — sem eles, seria o fim. Que sejam reconhecidos!

 

Dos programas da CBN, somente o Jornal da CBN ainda não havia entrado no sistema de emergência devido a complexidade para levá-lo ao ar por quatro horas e para toda rede CBN Brasil. Porém, estarmos todos dentro do estúdio, ao mesmo tempo, desde cedo, era um risco à operação. Qualquer caso suspeito de coronavírus, levaria todos para casa e inviabilizaria o Jornal.

 

A partir de agora, apresento de casa e contaremos com o apoio presencial e essencial da Cássia Godoy — que se dedica ao Jornal da CBN e ao CBN Brasil. Decisão que protege a mim, a ela e a todos os demais que ainda precisam circular pela redação.

 

Aqui em casa, improvisamos um estúdio com equipamento de primeira, que faz parte da infraestrutura da CBN, uma mesa de som TieLine, conectada a rede de fibra da internet que leva o som até a central técnica da CBN, na avenida Jornalista Roberto Marinho, em São Paulo — além de microfone e fone apropriados. O equipamento está instalado na minha mesa de trabalho, onde tenho o computador que permitirá o acesso ao iNews, um software no qual são publicadas reportagens, edições e textos redigidos por nossos jornalistas — a maioria já trabalhando de suas casas. O WhatsApp será uma das formas de comunicação entre o Guilherme Dogo, que é o produtor no estúdio, a Cássia e eu.

 

Apresentar o programa de casa me exigirá atenção redobrada porque terei em minha volta mais estímulos do que costumo ter no estúdio da CBN. Minha família também está por aqui, todos em suas estações de trabalho no sistema de “home office”. Ah, tem Bocelli e Geromel, meus gatos, que costumam acordar de madrugada ao meu lado e tendem a dormir sobre a mesa em que trabalho durante o dia — que agora servirá de mesa de estúdio.

 

É estranho mas não inusitado. Em meus primeiros anos de rádio, nos anos de 1980, tive uma experiência curiosa. Na época, trabalhava na rádio Guaíba de Porto Alegre e fazia minha primeira participação, logo depois das seis da manhã, com informações do aeroporto Salgado Filho. Diante da necessidade de reduzir custos, a rádio combinou que eu continuaria atualizando as notícias do aeroporto — condições para voar, voos atrasados, lotação dos aviões entre outros assuntos —, mas diretamente de casa.

 

Era fim de madrugada quando acordava e ligava para os balcões das companhias aéreas — Varig, Vasp e Transbrasil —, para a torre de controle e para o telefone do ponto de táxi que ficava em frente ao aeroporto. Os motoristas descreviam o movimento de passageiros e informavam a temperatura registrada pelo termômetro de rua. Com esse arsenal de informações, me preparava para entrar no ar na Guaíba.

 

Encerrava meus boletins informando a temperatura na cabeceira da pista, uma forma que encontrei para dar um pouco mais de realidade aos fatos, quando de verdade eu estava falando, ao vivo, da cabeceira da minha cama. Registre-se que
em nenhum momento, no bate-papo com o âncora do Jornal, dizia que estava no aeroporto para não perder a confiança do ouvinte assim como não comentava que estava em casa  — algumas vezes fui traído pelo nosso cachorro de estimação, que latia “diretamente do pátio”.

 

Se no ar tudo transcorria normalmente e a prestação de serviço atendia a expectativa do público, lá na minha casa, em Porto Alegre, eu me tornei um estorvo para meu irmão. Imagine que nós dividíamos um quarto e, portanto, todos os dias, às seis da manhã, ele era acordado aos berros por minhas notícias sobre saídas e chegadas de aviões e, claro, a temperatura na cabeceira da pista. Foi difícil para ele e constrangedor para mim, mas nada que estragasse nosso companheirismo, mantido até os dias de hoje.

 

Nessa segunda-feira, vou repetir essa experiência, com uma diferença e tanto: em lugar de cinco minutos de boletim caseiro, apresentarei um programa de quatro horas. Conto com a tolerância dos meninos, da esposa e dos gatos, afinal eles sabem que todo desconforto e privações de agora tem um objetivo muito maior: cuidarmos uns dos outros e preservarmos a saúde de todos.

Conte Sua História de São Paulo: o primeiro congestionamento antes mesmo de nascer

 

Thalita Pires
Ouvinte da CBN

 

 

Minha mãe, Vera Lucia, estava em trabalho parto para ter meu irmão mais novo, em 26 de abril de 1989. Eram seis horas da manhã. Ela estava em posição pélvica e a indicação era uma cesariana. O drama é que os partos da mamãe eram relâmpago. Eu nasci em duas horas, desde o momento em que ela sentiu a bolsa estourar.

 

Nós morávamos no Campo Limpo, na zona Sul. E o hospital era o São Luiz, do Itaim. Meu pai a colocou no carro e partiu. Imagine o trânsito. Minha mãe em trabalho de parto, apavorada e com o risco de meu irmão nascer dentro do carro em um posição que poucos obstetras aceitam fazer em parto normal. Os dois parados no congestionamento da periferia de São Paulo.

 

Não havia corredor de ônibus para cortar os outros carros. Papai cortou o que pode de caminho pelas quebradas entre o Campo Limpo e o Morumbi. Quando chegou a ponte do Morumbi para atravessar a Marginal Pinheiros: fechada. Havia se iniciado uma obra há pouco tempo para a construção da nova ponte. Na época as pontes João Dias e do Morumbi tinham duas faixas para ir e duas para voltar.

 

A opção de papai foi seguir até a João Dias ou a Bandeirantes, mas estava claro que não haveria tempo. De repente, ele viu o portão do canteiro de obras abrir para a passagem de um caminhão. Acelerou e invadiu o canteiro, pondo a correr um grupo de engenheiros e funcionários que estavam com plantas de papel na mão. Para abrir caminho minha mãe gritava: “meu filho está nascendo”. Acho que eles não entenderam porque responderam com uma sequência de nomes impublicáveis.

 

Após essa manobra ousada, eles chegaram a maternidade e foram recebidos pela obstetra que ainda teve tempo de fazer uma gracinha: “olha a bundinha do bebê aqui” …. E assim nasceu meu irmão mais novo, o Thomas.

 

Thalita Pires é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: como fazer da casa um ambiente de trabalho melhor

 

 

 

“ …. pouco a pouco, fui entendendo que os fatores fundamentais são foco, disciplina e organização”. —- Carlos Júlio, Gestão Descomplicada da CBN

“Uma coisa importante é você dedicar tempo para eles (os filhos), você está em casa, muitos não vão entender que o pai está em casa e não está brincando com eles, então tem de estabelecer esses momentos durante o dia” — Milton Beck, CEO do Linkedin

Para combater a disseminação do coronavírus, milhares de trabalhadores foram obrigados a transformar um espaço de suas casas em ambiente corporativo. O Home Office, conceito que surgiu nos anos de 1990, com o objetivo de reduzir os custos de instalação de equipamentos e infraestrutura das empresas, de uma hora para outra foi imposto a gestores e colaboradores como estratégia para proteger a saúde física dos profissionais e financeira dos negócios.

 

Para ajudar nesta adaptação, o Mundo Corporativo da CBN ouviu a palavra de dois especialistas no tema: Milton Beck, CEO do Linkedin, e Carlos Julio, CEO do Echos Laboratório de Inovação e comentarista do quadro Gestão Descomplicada, que vai ao ar no Jornal da CBN 2ª edição.

 

A seguir, faço uma relação das dicas e comentários mais importantes que eles apresentaram durante a nossa entrevista:

  1. Comporte-se como se estivesse no trabalho — mesmo em casa, você está no trabalho, então mantenha rotina similares, como horário de acordar, tomar o café, trocar o pijama por uma roupa mais apropriada para a função que você vai exercer.

  2. Crie um espaço específico para trabalhar, mesmo que seja no seu quarto, e tente reproduzir nele algumas características do seu escritório: computador, telefone, cadeira confortável, ferramentas tecnológicas à disposição, água e café ao seu alcance.

  3. Faça uma agenda das tarefas do dia, defina logo cedo aquilo que você não pode deixar de fazer, identifique suas metas —- assim como você faria no seu escritórioCuidado para não se dispersar diante de uma série de outros estímulos que têm à disposição em casa.

  4. Respeite os horários de início e fim de expediente.

  5. Estar em Home Office não significa que você é trabalhador 24 horas ao dia

  6. Converse com sua família sobre como será seu ritmo de trabalho e a importância de não ser interrompido.

  7. Saiba que interrupções vão ocorrer, as crianças vão falar e o cachorro vai latir; aceite esses situações.

  8. Se tiver filhos pequenos, ajuste sua agenda e inclua atividades com eles.

  9. Crie momentos de pausa, para comer, pensar ou conversar com as pessoas na sua casa —- momentos de descompressão são importantes.

Recado para os líderes e gestores:

  1. Seja claro e comunique as mudanças organizacionais com rapidez.

  2. Esteja disponível para consultas a todo momento.

  3. Não exagere na quantidade de informações emitidas.

  4. Marque horários para conversar em grupo, oportunidade para fazer um balanço do que se fiz no dia anterior e do que terá de ser feito e para ouvir soluções que colaboradores tenham encontrado para o Home Office mais eficiente.

  5. Jamais esqueça que algumas conversas são confidenciais ou sensíveis e tanto o líder como sua equipe podem estar em ambientes com pessoas estranhas à empresa.

Ferramentas sugeridas para tornar o trabalho mais produtivo:

Slack —- permite trocar mensagens rapidamente entre membros de uma equipe e a criação de diversos grupos de trabalho, aumenta a produtividade das conversas de trabalho, excluindo a necessidade de e-mails ou mensagens via WhatsApp.

 

Skype —- serviço de chamada de voz e vídeo

 

Zoom —- serviço de vídeo conferência

 

Hangouts Meet do Google —- para equipes que precisam conversar por vídeo

 

Remote Pulse da SAP — ferramenta que mede a evolução do trabalho em tempo real.

 

Microsoft Teams —- serviço corporativo de mensagens

 

WeTransfer  —  programado compartilhamento de arquivos grandes pela Internet

 

Google Drive — serviço de armazenamento na nuvem de arquivos como textos, fotos, vídeos e músicas.


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Quais os efeitos que uma pandemia pode ter sobre nós?

 

Por Simone Domingues

 

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Ilustração: PIXABAY

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”
                                                                                                          José Saramago

Muito além dos efeitos epidemiológicos amplamente divulgados e sobre a saúde das pessoas, há um outro conjunto de consequências que perpassam as mentes dos que vivem esse momento. Na obra de ficção “Ensaio sobre a cegueira” (1995), José Saramago nos apresenta uma epidemia de cegueira inexplicável e analisa profundamente os efeitos psicológicos e comportamentais que a mesma desencadeia nas personagens do livro. Diante do caos da epidemia, destaca-se o lado humano mais sombrio, na luta pela sobrevivência; porém, por outro lado, a ausência da visão permite captar, através dos outros sentidos, inesperadas sutilezas advindas das relações sociais e afetivas. Como que antevendo os dias atuais, Saramago antecipa no seu livro as consequências psíquicas provocadas pela pandemia de coronavírus: o caos e o temor do desconhecido deflagrando comportamentos inesperados. Inesperados, mas não necessariamente ruins ou negativos.

 

A percepção do caos fez surgir uma forma de emoção coletiva, um misto de medo e ansiedade. Medo do perigo imediato de contaminação, fazendo com que adotemos medidas protetivas razoáveis, como lavar as mãos ou não abraçar os amigos. Ansiedade, gerada pela sensação de tensão e apreensão de que algo ruim possa acontecer e que foge ao nosso controle, removendo do nosso horizonte as certezas quanto a um futuro calculado dentro dos nossos projetos de vida. De certo modo, as conquistas obtidas com os avanços científicos e tecnológicos, especialmente no campo da medicina, promoveram uma sensação de segurança para as nossas fragilidades, especialmente relacionadas ao adoecimento.

Luc Ferry, filósofo francês contemporâneo, alerta para um tema atual, o transumanismo, cujas crenças de que os avanços tecnológicos e científicos, incluindo a própria medicina, conduziriam à perfeição infinita do ser humano, obtida, por exemplo, com a capacidade de recombinar o DNA.

Diante desta perspectiva, havia uma certa sensação de vitória sobre a natureza, decorrente da capacidade da nossa razão resolver todos os nossos problemas. Tal sensação é abruptamente destroçada quando um pequenino vírus se espalha pelo mundo em uma velocidade assustadora, desafiando governos e a própria ciência, que não responde ao desafio na mesma medida e rapidez com que ele se apresenta.

 

Embora as pandemias sejam recorrentes, como a peste negra, que dizimou no século XIV quase um terço da população e a gripe espanhola, ocorrida em 1918, que contaminou mais de 500 milhões de pessoas, é possível que os reflexos psíquicos hoje sejam muito diferentes. Na primeira havia uma interpretação mística dos fatos e, na segunda, uma guerra devastadora já vinha causando ampla destruição humana. A pandemia do coronavírus nos surpreende em nosso apogeu como humanidade tecnológica e da informação. Talvez por isso o medo e ansiedade por ela provocados sejam ainda maiores. Nós sabemos tudo, em tempo real, com gráficos e informações atualizadas a cada hora, mas ainda não sabemos qual será o desfecho exato ao final deste ciclo. Ao mesmo tempo, parece haver uma tolerância maior com os cancelamentos ou situações adiadas, os imprevistos…talvez pela percepção de que não nos atinge individualmente, mas a todos.

 

As mudanças nos comportamentos tornaram-se bruscas e imediatas. Como se adequar ao novo formato de trabalho? Home Office até meses atrás soava como privilégio. Mães terem mais tempo para ficarem com seus filhos em casa? Isso seriam férias…Ter tempo para ler aquele livro ou ver aquela série que você tanto queria… De repente nos vemos todos em casa, num isolamento social que visa nos proteger, mas que também remete a forma inédita de solidariedade – a de não propagar a infecção.

 

Muitas destas adaptações vão na contramão do individualismo racional que o desenvolvimento e a globalização geraram. Estarmos reclusos hoje, sem poder ir ou vir, reflete um cuidado com o outro. Estamos descobrindo novas formas para agir, tentando salvar a nós mesmos e aos que nos rodeiam. Essa reclusão acende reflexões e possivelmente nos prepara para novos valores, novas atitudes.

Como reagiremos? Resgatando o individualismo primitivo e egoísta que busca tão somente a sobrevivência imediata, nos transformando em consumidores de máscaras, álcool-gel, remédios e alimentos? Ou será que o racionalismo das últimas décadas terá nos deixando um legado positivo, que aproveitaremos daqui em diante? Não por uma ilusória onipotência, mas de uma forma mais equilibrada em que conciliaremos todas as conquistas da razão e da tecnologia em sintonia com nossos afetos.

Esse enorme desafio global está exigindo de nós um novo repertório de comportamentos, nos proporcionando uma forma de empatia, permitindo um (re)encontro com esta coisa que está dentro de nós e que não tem nome, essa coisa que somos. Talvez assim possamos enxergar novas possibilidades, a partir da cegueira que nos atingia.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Os consumidores são os novos vendedores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Moda feminina foi um dos destaques na pesquisa Foto: PIXABAY

 

Oportunamente, tendo em vista o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, comemorado no domingo, a Hi Platform, empresa especializada no mercado de e-commerce, fez uma pesquisa de satisfação com os consumidores nos 69 segmentos em que atuam os 760 e-commerces que atende.

 

Com o nome de “Estudo de Satisfação do E-consumidor 2019”, o levantamento considerou o período de janeiro a dezembro, e  usou a metodologia do NPS Net Promoter Score.

 

O NPS mede a satisfação do cliente a partir da pergunta “ de uma escala de 0 a 10 quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a outra pessoa? ”.

De 0 a 6 ficam os Detratores.

 

De 7 a 8 os Neutros

 

De 9 a 10 os Promotores.

O escore é estabelecido diante do cálculo do percentual de Promotores (P) e Detratores (D) da marca que é aplicado na fórmula P – D/Número de respondentes.

As empresas são classificadas em escalas, de maneira que na escala entre -100 a 0 fica a zona Crítica, entre 1 e 50 a zona de Aperfeiçoamento, entre 51 e 75 a zona de Qualidade, e entre 76 e 100 a zona de excelência.

O destaque positivo ficou com o setor de Moda Feminina, seguido por Calçados e Cosméticos, enquanto que Viagens, Seguros, Moda Masculina e Artigos para festa estão na zona de Aperfeiçoamento.

 

Foram também computados pelo levantamento os reviews, ou seja, as avaliações efetivadas pelos consumidores para produtos adquiridos, atendimento, entrega e processo de compra desde a escolha do produto até a efetivação da compra.

 

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Cosméticos também aparecem com boa performance Foto: PIXABAY

 

Para quem há 20 anos ouviu muito a contragosto que jamais se compraria Moda pela internet, é no mínimo satisfatório identificar que a Moda está na zona de Excelência em termos de satisfação do consumidor de e-commerce. Ao mesmo tempo é importante ao pessoal da Moda masculina observar a diferença entre as notas obtidas com a Moda feminina, porque em princípio as roupas masculinas têm menos variáveis.

 

Foram 2,7 milhões de avaliações. Cosméticos, Calçados e Moda feminina ficaram com o destaque.

 

Outro item mensurado foi relativo a elogios e críticas, quando surpreendentemente houve predominância quase absoluta de elogios.

 

A pesquisa incluiu a medição das interações com perguntas e respostas entre consumidores e marcas, somando 820 mil comunicações, onde Cosméticos, Móveis e Colchões, e Moda Feminina lideraram.

 

Para Fernando Shine especialista em experiência do consumidor em e-commerce da HiPlatform e responsável pelo levantamento ressaltou que:

“Os consumidores são os novos vendedores. E a troca de informações não só soluciona dúvidas para um ou para outro, como cria feedbacks que, na maioria das vezes, esclarece dúvidas de outros consumidores. Isso gera credibilidade e cumplicidade dentro do ambiente digital”

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O desafio do coronavírus exige responsabilidade social, respeito à ciência e estatura política

 

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ilustração: PIXABAY

 

Esta segunda-feira sequer terminou mas já pode ser vista como um dia muito estranho na vida do brasileiro; assim como têm sido estranhos os últimos dias pelo Mundo, que, dê joelhos, assiste à disseminação de um vírus que surgiu, até onde se sabe, em 17 de novembro, em uma província chinesa e, às vésperas de completar quatro meses, se espalha pelos continentes, contamina mais de 167 mil pessoas e matou cerca de 6 mil e 400.

 

Aqui no Brasil, somos mais de 200 infectados —- e seremos muito mais em poucos dias. Mesmo porque outros tanto já devem estar passeando com o novo coronavírus sem saber e colocando em risco a vida especialmente dos mais idosos.

 

Nestes dias estranhos, escolas param, serviços são suspensos, empresas deixam de produzir, o dinheiro não circula e a economia despenca … fronteiras são fechadas e voos são restritos … estender à mão ao outro é proibido, beijar e abraçar nem pensar.

 

Ouça as recomendações feitas pelo presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr Clóvis Arns da Cunha, em entrevista ao Jornal da CBN

 

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Da mesma forma que o coronavírus se expressa, falam alto autoridades médicas e cientistas orientando a população, dando a dimensão exata dos perigos que corremos, mostrando os caminhos da prevenção, pesquisando soluções nos laboratórios e fazendo projeções da estrutura necessária para atender os afetados mais graves.

 

Falam alto também autoridades políticas, adotando medidas que estejam ao seu alcance; algumas exageradas, outras que negligenciam o conhecimento. Muita coisa com resultado positivo — ainda bem.

 

Ouça o que disse o secretário nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, logo cedo ao Jornal da CBN:

 

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Lamentavelmente, nem todos têm a consciência que deveriam ter: falam em coisa do demônio, conspiração internacional, fantasia da mídia …. Tem cidadão que desdenha o perigo. Um fugiu dos médicos para não fazer o teste de coronavírus, no Distrito Federal; e um outro correu do hospital ao saber que o exame deu positivo para Covid-19, em Belo Horizonte. Nos condomínios, há os que criticam as restrições de acesso às áreas sociais. E muitos, mas muitos mesmo, ainda não entenderam o desafio que nos ronda.

 

O Presidente agiu com irresponsabilidade —- como chefe da Nação teria de dar o exemplo, evitar presença em público e respeitar ordens médicas: não fez uma coisa nem outra.

 

Colocou seu interesse político acima do da Nação ao incentivar que as pessoas fossem às ruas, em aglomerações, e para defender causas antidemocráticas.

 

Cometeu crime de responsabilidade sanitária. Demonstrou sua estatura para comandar o Brasil diante da crise que estamos vivendo.

Avalanche Tricolor: a bola tem de parar

 

Grêmio 3×2 São Luiz
Gaúcho —- Arena Grêmio

 

 

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Jogadores usam máscara em protesto, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

A máscara no rosto dos jogadores gremistas e o cumprimento protocolar com os cotovelos, logo após o hino, foram imagens fortes de uma partida de futebol que não deveria ter ocorrido. As arquibancadas vazias —- cena que havia se repetido em outros jogos do fim-de-semana —- reforçavam a falta de noção das autoridades que fecharam os portões para não abrirem mão do espetáculo.

 

Do jogo jogado, foram atípicos o gol marcado pelo adversário aos 28 segundos de partida e a vantagem ampliada aos 18 minutos iniciais —- especialmente se compararmos a performance das duas equipes até aqui na competição. O Grêmio jogava em casa e  fora de sintonia —- quase como se não quisesse estar participando daquele momento. Aliás,  não estava mesmo pelo que se via no protesto da entrada de campo e pelas palavras de Renato antes de a bola rolar.

 

A mudança feita pelo técnico aos 20 minutos do primeiro tempo, com a entrada de Jean Pyerre, em lugar do lateral Orejuela, mostrou que o problema não era apenas de falta de foco, era também de falta de qualidade no toque de bola. O time passou a comandar a partida, apesar de não conseguir fazer os gols que o levariam à virada.

 

Após desperdiçar uma, duas, três, várias chances de gol, fez o primeiro ao fim do primeiro tempo, e voltou para o segundo disposto a colocar as coisas no lugar. Thiago Neves empatou ao marcar pela primeira vez com a camisa gremista e Diego Souza, que o substituiu na sequência, fez o da vitória após cobrança de falta —- na qual chutou primeiro com o pé direito e acertou em cheio o rebote da barreira com o pé esquerdo.

 

O placar estava definido, os três pontos garantidos e a liderança da chave, no Campeonato Gaúcho, mantida. Nada disso foi suficiente para superar a insatisfação de quem se viu obrigado a entrar em campo porque o show não podia parar.

 

Para ter ideia, apenas de jornalistas e radialistas inscritos para cobrir a partida havia mais de 110 profissionais. A eles se somam comissões técnicas, árbitros e funcionários, que precisam trabalhar para dar suporte ao jogo. Uma legião de cerca de 350 pessoas que foram à Arena, neste domingo.

 

Espera-se que não seja preciso levar em frente a ameaça feita por Renato, em nome dos jogadores, de convocar uma greve caso os dirigentes não anunciem até amanhã a paralisação de todas as competições, no Brasil.