Mundo Corporativo: Orlando Merluzzi diz como melhorar o clima entre os colegas na empresa

 

 

“As empresas que têm sucesso, têm um bom clima organizacional. Há três elementos que sustentam um bom clima organizacional: o respeito, a ética e a confiança” Orlando Merluzzi, MA8 Management Consulting Group

Assédio moral, bullying e falta de confiança são alguns dos problemas que apareceram com maior frequência no ambiente de trabalho, segundo pesquisa realizada com 1.287 profissionais que atuam aqui no Brasil. De acordo com os dados publicados pela MA8 Management Consulting Group, 62% dos colaboradores já sofreram assédio moral no local de trabalho, 44% disseram que foram vítimas de bullying e apenas 32% confiam nos seus colegas.

 

No Mundo Corporativo, da CBN, o jornalista Mílton Jung entrevistou o CEO da MA8, Orlando Merluzzi que falou do desafio que os gestores de empresas e departamentos de recursos humanos têm pela frente na tentativa de melhorar o clima organizacional, levando em consideração o cenário identificado na terceira edição desta pesquisa:

“Um ambiente ruim faz com que boa parte das pessoas se sintam mal, se as pessoas se sentem mal no ambiente para onde elas vão? Na primeira oportunidade, elas vão tentar sair. É aquele momento em que os currículos estão voando pelo mercado”.

Para Merluzzi, um ambiente com um bom clima organizacional é muito mais susceptível ao sucesso e um sucesso que se mantém ao longo do tempo. O papel dos líderes é fundamental e uma das competências necessárias para que transformação ocorra é a comunicação:

“O clima organizacional é construído no dia a dia. É como a reputação. Pra isso há um processo de gestão de comunicação. Comunicação aberta, franca, transparente. Difundindo e compartilhando conhecimento. Isso traz confiança”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: se ele falou, tá falado!

 

 

 

 

Vasco 1×3 Grêmio
Brasileiro — Estádio de São Januário, RJ

 

 

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Renato em destaque na foto do GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

 

Tem quem não goste dele. Acham que fala de mais. Marrento, costumam chamá-lo. Um falastrão, criticam outros. Há quem entenda nas palavras dele à imprensa recados apenas para animar seus jogadores no vestiário.

 

 

Digam o que quiserem, Renato é genial.

 

 

Na noite desta quarta-feira, mais uma vez ele mostrou o que alguns dizem ser a “estrela” de Renato. Para mim, é visão de jogo mesmo. Atrevido, tanto quanto era como jogador, mexeu no time ainda no primeiro tempo, antes da primeira meia hora de partida. E quando o fez foi para substituir um marcador por um atacante. Sabia que precisava de mais intensidade lá na frente se realmente quisesse fazer valer sua promessa da semana passada de que o Grêmio estará na Libertadores 2020.

 

 

Trocou Michel por Pepê e o guri maluquinho correspondeu — como, aliás, tem feito uma partida atrás da outra, inclusive contra esse mesmo adversário, no primeiro turno, quando marcou os dois gols da nossa vitória. Depois de forte pressão gremista, aproveitou um chute de fora da área para empatar o jogo.

 

 

O intervalo ainda não havia chegado e Renato já estava fazendo sua segunda substituição. Perdeu Thaciano machucado. Sua escolha foi por outro guri, Darlan — que teve personalidade para colocar a bola embaixo do pé, organizar o meio de campo e trocar passes com seus companheiros. Que baita jogador, disse um dos comentaristas da televisão.

 

 

Mal iniciado o segundo tempo, a escolha de Renato mais uma vez correspondeu. Foi  Darlan quem desarmou o adversário no meio do campo e deu início à jogada do segundo gol, marcado por Everton — o endiabrado Everton.

 

 

O Grêmio de Renato, mesmo tendo sido escalado sem sete dos jogadores considerados titulares — alguns fora por suspensão e outros por lesão — e saído atrás no placar, não apenas virou a partida e ampliou a diferença com um gol de pênalti, sofrido e marcado por Luciano, como, também, dominou o jogo. Fez de São Januário sua casa. 

 

 

Ao fim da partida, o Grêmio já aparecia na quinta posição do Campeonato Brasileiro. Mesmo que possa haver alguma mudança com os resultados dessa quinta-feira, o justo e o certo é que Renato está cumprindo com sua palavra. Ele garantiu que o Grêmio estará na Libertadores novamente. E se ele falou, tá falado!

Às vésperas de ano eleitoral, poucas cidades têm mecanismos anticorrupção

 

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Com a proximidade de mais um ano eleitoral, em breve candidatos a prefeito e a vereador começarão a aparecer na sua região. Uma gente sempre cheia de propostas tentadoras e ideias mirabolantes. É a oportunidade, também, que você tem de fazer seus pedidos e reivindicações: investimento em saneamento, ruas mais limpas e sem buraco, mais gente para atender no posto de saúde e vagas suficientes nas creches para receber todas as crianças do bairro

 

Quem sabe colocar na lista medidas para combater à corrupção?

 

O dinheiro desviado do Orçamento para ajudar amigos e comparsas faz falta nos investimentos que realmente podem transformar a qualidade de vida do cidadão. Por isso, ter mecanismos que permitam a identificação de desperdício de dinheiro público, transparência nos gastos e canais de denúncia à população são medidas urgentes na maioria das cidades brasileiras.

 

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Não Aceito Corrupção, com ajuda de pesquisadores da FEA/USP, de Ribeirão Preto, identificou que boa parte dos nossos municípios não tem estruturas para identificar e punir casos de corrupção, tais como o funcionamento de ouvidoria e corregedoria, leis apropriadas, programas de integridade ou código de ética para servidores.

 

A primeira decepção surge quando se vê que das 1.037 cidades com mais de 20 mil habitantes procuradas pelos pesquisadores, apenas 1/3 respondeu a demanda, apesar de terem sido acionadas através da Lei de Acesso à Informação.

 

Das que aceitaram participar da pesquisa, apenas 24% disseram ter as quatro funções de controle —- ouvidoria, auditoria, corregedoria e secretaria —-, que o Instituto considera ser o modelo ideal. Entre as capitais, 41% responderam ter todos esses mecanismos.

O que é uma Corregedoria?

 

É um órgão de controle interno e de apuração e correição de irregularidades administrativas. É a área responsável por conduzir investigações e processos que podem resultar em penalidades a servidores ou empregados públicos, bom como a pessoas jurídicas. A corregedoria tem de ter capacidade de, em um tempo razoável, processar as denúncias e representações que receber, dando uma resposta socialmente adequada e evitando impunidade dos envolvidos em razão do decurso do tempo

 

O que é uma Ouvidoria?

 

É um espaço em que o cidadão pode apresentar sugestões, elogios, solicitações, reclamações e denúncias. É uma espécie de “ponte” entre o cidadão e a Administração Pública. A Ouvidoria recebe as manifestações dos cidadãos, analisa, orienta e encaminha às áreas responsáveis pelo tratamento ou apuração do caso.

 

(com base em informações da CGU)

Roberto Livianu, que está à frente do Instituto Não Aceito Corrupção, chama atenção para o fato de cidades como Santo André e Ribeirão Preto, ambas em São Paulo, apesar de serem ricas, grandes e cenário de casos extremos de corrupção — a primeira com o assassinato do prefeito Celso Daniel e a segunda com a prisão da prefeita Dárcy Veras — não mantém uma controladoria ou uma corregedoria, que poderiam identificar novos desmandos na administração municipal.

 

Diante do resultado dessa pesquisa, quando a turma passar aí na sua região pendido seu voto, faça o candidato se comprometer com a criação de órgãos de controle e mais transparência na maneira como o dinheiro público é gerido na cidade.

 

Claro que o candidato vai dizer que se compromete. Que está 100% sintonizado com a sua ideia. E é contra essa ladroagem que anda solta no Brasil. Promessa não tem custo.

 

Então, não esqueça de pedir para ele assinar esse compromisso, dizer como vai trabalhar no combate à corrupção, que mecanismos existem para conter a roubalheira e qual projeto de lei pretende apresentar.

 

Se o “fazedor de promessas” já tiver ocupado cargo de prefeito ou vereador, inclua mais uma pergunta nesse questionário informal: — Por que o senhor (ou a senhora) não adotou ou defendeu essas medidas contra à corrupção até agora?

Avalanche Tricolor: sem jamais perder o prazer de jogar bola

 

 

Grêmio 3×0 Botafogo
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

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Fotos: Itamar Aguiar/Agencia Freelancer – Flickr: GrêmioFBPA

 

Havia uma espécie de ressaca da Libertadores no ar. Os gremistas não eram mais de 10 mil na Arena —- muito pouco para uma partida disputada no meio da tarde de domingo. Em campo, percebia-se o constrangimento de alguns jogadores em encararem a volta ao gramado. Disse constrangimento, jamais diria medo.

 

Considerando que somos um time e uma torcida que nos acostumamos a vencer nesses últimos anos — de Gaúcho a Libertadores, de Copa do Brasil a Recopa Sulamericana —-, este domingo não poderia ser diferente, depois do que aconteceu no meio da semana. Estávamos encabulados. Receosos.

 

Pensando bem, o reencontro precisava mesmo ser assim — como um relacionamento amoroso que às vezes enfrenta revés e as partes sabem que se amam e precisam pedir desculpas uma para a outra.

 

Se havia alguma dúvida sobre os sentimentos que ecoavam no vazio das cadeiras da Arena, as palavras do capitão Maicon ao fim do primeiro tempo explicavam muito bem o momento pelo qual o Grêmio passa. Ele foi o autor do gol que abriu o placar e a defesa adversária, logo cedo; além de ter tomado conta do meio de campo com passes bem colocados, assistências qualificadas e uma gana que se revelava sempre que algo não dava certo.

 

“Quando ganha não está tudo certo e quando perde não é terra arrasada. Jogo a jogo nós vamos retomar o nosso lugar. Precisamos acreditar na força da nossa equipe. Estamos sempre brigando por títulos. E esse ano não foi diferente. Temos um objetivo e vamos buscar” — disse Maicon.

 

As palavras do capitão também sinalizaram que o grupo está consciente que só existe uma maneira de superar a tristeza da desclassificação da forma como ocorreu: voltar a joga bola, muita bola.

 

Foi o que se fez no segundo tempo, quando aceleramos o passe, criamos com intensidade e forçamos o adversário a errar até sairem o segundo e o terceiro gols que garantiram nossa vitória. Um de Thaciano e outro de Everton.

 

Talvez demore um pouco. Talvez sequer duas rodadas — até porque no próximo domingo nós teremos o clássico regional. Seja lá qual for o tempo necessário, tenho certeza de que a simbiose criada entre time e torcida voltará. Porque jamais devemos perder o prazer de jogar bola assim como o de assistir ao bom e vitorioso futebol do Grêmio.

Mundo Corporativo: Nelmara Arbex fala de sustentabilidade e reputação

 

 

 

 

“Uma forma muito boa de você simplificar este conceito é imaginar que sustentabilidade pode ser resumido como a busca de qualidade de vida para muitos, por muito tempo. Sustentabilidade tem dentro dela, da palavra, o conceito de tempo. É uma coisa que se mantém com o tempo” — Nelmara Arbex, Boston College

Há algum tempo, sustentabilidade foi conceito relacionado apenas a questões ambientais, porém desde os anos 1940, quando a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já havia a ideia de as empresas também deveriam assumir a responsabilidade na manutenção da qualidade de vida das pessoas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Nelmara Arbex, CEO da Arbex & Cia e professora do Boston College, falou de como a reputação das empresas está relacionada a forma como as corporações têm atuado na agenda da sustentabilidade:

“Como que a empresa ajuda a encarar os problemas que a sociedade tem como críticas? Esse comprometimento — não só falar, mas agir — para resolver problemas que a sociedade tem faz parte da construção da reputação”

Arbex também alertou que os líderes são fundamentais na construção do capital reputacional de uma organização”

“Se você estiver em uma posição para tomar uma decisão de negócios e você precisa de um parâmetro para saber quão sustentável sua decisão está sendo, você deveria pensar se esta decisão busca a melhoria de qualidade de vida de muitos e por muito tempo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao. ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento no canal da CBN no You Tube ou em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: incontestável, meninos

 

Flamengo 5×0 Grêmio
Libertadores — Maracanã, RJ

 

Gremio x Flamengo

Everton em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Meninos,

 

Vocês nunca viveram o que vivi. Não sabem o que foram os anos na fila sem um só campeonato para comemorar. Em uma época em que os campeonatos se limitavam a um só —- ao estadual. Nosso horizonte não se estendia além da fronteira do Rio Grande. Era ser campeão gaúcho ou não se era nada.

 

O pai passou por longos e intermináveis anos sem um só título. Sofrendo no cimento do Olímpico. Amargando o sabor da sequência de derrotas. Chorando no ombro do vô. Era ele quem me abraçava, passava a mão no cabelo molhado pelo suor, beijava minha testa e sempre tinha uma palavra de consolo. Sempre era capaz de me estimular a acreditar que no ano que vem seria diferente. Foi um ano, foram dois, três, quatro …. oito anos sem qualquer motivo para comemorar.

 

Nas manhãs após a derrota, eu acordava e pedia para a mãe para não ir a aula. Alegava uma dor no estômago. Uma indisposição qualquer. Ela, solidária, me mandava de volta para a cama com olhar de compaixão. Compreendia que a dor era no coração. Um coração apaixonado e forjado no sofrimento.

 

Vocês, meninos, nunca viveram o que vivi.

 

Quando apresentei o Grêmio a vocês já não cabíamos mais no Rio Grande. Havíamos conquistado o Brasil, a América e o Mundo. Verdade que o primeiro título que festejamos lado a lado foi aquele da Batalha dos Aflitos —- mesmo assim vocês só se aprochegaram ao time no momento mais épico da temporada. Não tiveram a amargura de ver nossa camisa nos campos da Segunda Divisão.

 

Vocês, meninos, descobriram o Grêmio quando a Imortalidade já havia migrado do hino para a nossa história, com vitórias incríveis, impossíveis. Por isso, não devem ter entendido bem o que aconteceu nessa quarta-feira, no Maracanã, especialmente depois dessa sequência de anos em que nos acostumamos a dar a volta olímpica, levantar troféus e comemorar títulos após títulos. Como é possível perder de forma tão acachapante como nesta semifinal? —- imagino que seja o que passa na cabeça de vocês nesta noite quando me olham em silêncio. Respeitosamente.

 

Meninos, vocês não viveram o que eu vivi.

 

E por viver o que eu vivi, posso lhes dizer com toda a segurança que o resultado desta noite foi a vitória de uma equipe que soube ser superior —- muito superior —-, que investiu muito mais do que qualquer um dos seus adversários, que se estruturou para chegar onde chegou, que pensou grande e jogou como os grandes. Uma equipe que merece nosso aplauso pelo que faz.

 

A superioridade neste momento é incontestável, meninos. E reconhecer essa superioridade é necessário, por mais dolorosa que uma derrota como esta possa ser para cada um de nós —- para o pai principalmente, né!

 

Agora, se tudo que vivi com o Grêmio até hoje realmente valeu a pena — seja vibrando, seja sofrendo, seja chorando —- é porque aprendemos no revés, identificamos as falhas, soubemos levantar a cabeça, corrigimos os erros e fomos resilientes ao enfrentar os piores de nossos momentos. E assim será mais uma vez, tenho certeza — mesmo que hoje eu esteja me sentindo como aquele menino, lá dos tempos de Porto Alegre, com vontade de pedir licença para a mãe para não sair da cama e esperar a dor passar. 

 

Um abraço que salva vidas

 

 

Uma tragédia estava prestes a ocorrer. O jovem de 18 anos, ex-aluno, entra na escola com uma espingarda nas mãos. Aparentemente, a intenção dele era se matar. Diante da cena, estudantes saem em fuga pelos corredores, desesperados. Uma das câmeras de segurança registra o momento em que o técnico de futebol da escola já havia tomado a espingarda das mãos do jovem e lhe oferece um abraço. Assim, abraçados, os dois se movem pelo corredor da escola. E uma vida, ao menos uma, é salva.

 

O fato ocorreu em maio deste ano, no interior da escola de Parkerose, em Portland, no estado americano de Oregon. O vídeo somente foi divulgado há alguns dias. Os dois personagens que aparecem em destaque são o jovem Angel Granado-Diaz e o treinador Keanon Lowe.

 

“Eu só queria que ele soubesse que eu estava lá. Eu disse a ele que estava lá para salvá-lo. Eu estava lá por uma razão e que essa é uma vida que vale a pena ser vivida”, disse Lowe em entrevista.

 

Quantos dos jovens que conhecemos — assim como Granado-Diaz —, tudo que esperam é um abraço para salvá-los da tristeza, da depressão, do desalento, de distúrbios que, na maior parte das vezes, são silenciosos mas não invisíveis. Jovens que nós pais nem sempre somos capazes de perceber que precisavam de uma porta aberta para contar sua angústia e compartilhar seus desejos. Uma porta que fechamos quando não encontramos tempo para conversar com eles — afinal temos que trabalhar muito para darmos a eles o direito de viver um pouco melhor (que contradição, não é mesmo?). Uma porta que fechamos quando nos fechamos em torno de nossas prioridades e problemas. Que trancamos, sempre que consideramos suas lamúrias coisa de adolescente — o tempo resolve, costumamos dizer.

 

Em seu comentário desta terça-feira, no quadro Rio + Limpo, que vai ao ar às 8h50, no CBN Rio, meu colega André Trigueiro falou do tema, baseado na repercussão da cena flagrada no Oregon. Alertou para o fato de as escolas também estarem preparadas para acolher esses meninos e meninas, criarem canais de comunicação, promoverem campanhas informativas e colocarem pessoas capacitadas a escutar os adolescentes.

 

Trigueiro contou a experiência da UERJ — Universidade do Estado do Rio de Janeiro —- que por ser um espaço acessível ao público foi cenário de suicídios de muitos jovens ao longo do tempo até que decidiu assumir a responsabilidade de mudar este quadro. Criou uma disciplina de arquitetura protetiva, orientou os guardas patrimoniais a perceberem movimentações suspeitas, levou os voluntários do CVV —- Centro de Valorização da Vida para suas dependências e faz campanhas com mensagens espalhadas no campi.

 

Diante do fato de que os jovens estão tomando atitudes extremas cada vez mais jovens, estratégias como a da UERJ e de outras instituições educacionais precisam ser estendidas a todas as escolas e centros de convivência dos adolescentes. Ter gente preparada para ouvir sem julgar, apenas com a intenção de acolher, identificar o problema, orientar com palavras ou direcionar a profissionais especializados: “ter alguém disponível para ofertar uma escuta atenciosa e amorosa”, disse Trigueiro. Alguém para nos dar um abraço — como isso faz falta na nossa vida.

 

Como economistas que ganharam Nobel encontram respostas para combater a pobreza

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer

 

O momento mundial em que os movimentos políticos refletem posições direitistas e os números apontam para o crescimento das diferenças socioeconômicas, onde os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, o Nobel premiou a Economia do Desenvolvimento. E obteve excepcional difusão — inclusive neste espaço, pois na segunda-feira passada, Mílton Jung conversou com Miriam Leitão, e na quarta-feira entrevistou a Diretora do Laboratório de Ação Contra a Pobreza J-PAL para a América Latina do MIT, Paula Pedro, sobre essa premiação.

 

A área econômica que abrange a pobreza aliada a presença da segunda mulher premiada acumular o fato de ser a pessoa mais jovem a receber o Nobel explicam em parte a extraordinária repercussão que obteve. A outra parte é devido ao sucesso do trabalho realizado para indicar as melhores práticas na diminuição da pobreza, através de métodos de medições de campo, que se convencionou denominar de economia do desenvolvimento.

 

Se nos países mais pobres nos últimos 20 anos o PIB per capita dobrou, a mortalidade infantil caiu pela metade e 80% das crianças frequentam a escola, em contrapartida, ainda 700 milhões de pessoas vivem com rendimento abaixo do suportável, cinco milhões de crianças morrem antes dos cinco anos de idade, e metade das crianças do mundo saem da escola sem alfabetização suficiente e aritmética necessária.

 

Com perguntas simples no campo experimental projetado, focando em grupos ou individualmente, esses economistas desvendaram informações suficientes para melhorar a aplicação dos recursos escassos existentes.

 

Por exemplo, num estudo de campo se descobriu que a redução de alunos por professor não teve mudança no resultado dos estudantes. Entretanto, se a contratação do professor era por período ao invés de permanente o resultado mudou para melhor.

 

Ao focar atenção nos alunos fracos houve significativa melhora nos resultados, e este método foi aplicado em mais de 100 mil escolas na Índia.

 

A inadequação entre os currículos e o ensino que não correspondem às necessidades dos alunos foi um dos fatores geradores do absenteísmo de alunos e professores.

 

Na área da saúde, um medicamento de desparasitação para infecções parasitárias foi oferecido de graça e 75% dos pais aplicaram em seus filhos. Quando se cobrou 1 dólar apenas 18% o fizeram. Foram feitos experimentos similares que obtiveram a mesma resposta, concluindo-se que as pessoas pobres não respondem ao preventivo na saúde.

 

Através de pesquisa na vacinação, se descobriu que a qualidade do serviço e a disponibilidade contribuem para a baixa atenção das pessoas pobres à saúde. Ao disponibilizar equipes volantes e atenciosas em um experimento de campo a taxa de vacinação subiu de 6% para 18%. Subiu para 39% quando ofereceram um saco de lentilha para vacinarem os filhos. Como se vê, surge aqui um problema pois 61% ficam sem vacina.

 

Em virtude do viés presente, que faz as pessoas pobres postergarem investimento para o futuro em função de racionalidade limitada, a OMS recomendou a distribuição gratuita a mais de 800 milhões de crianças em idade escolar do medicamento de desparasitação.

 

Em uma pesquisa sobre benefícios para o uso de fertilizantes se identificou que se tornam mais eficazes quando distribuídos de forma temporária, pois os de forma permanente vão perdendo eficácia.

 

Enfim, vale ressaltar que parte dessas pesquisas de campo podem ser aplicadas em outras regiões, o que confere ao sistema da economia do desenvolvimento um aspecto político importante. Ao mesmo tempo os investimentos futuros nessa área da economia do desenvolvimento deverão considerar a pesquisa de campo como uma importante ferramenta.

 

Como disse Miriam Leitão: “o comitê acertou em cheio na escolha desse prêmio”

 

Salve aos laureados:

Abhijit Banerjee, 57, MIT
Esther Duflo, 46, MIT
Michael Kremer, 54, Harvard

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: acabou o faz de conta

 

Fortaleza 2×1 Grêmio
Brasileiro — Arena Castelão, Fortaleza/CE

 

GRÊMIO x FORTALEZA

 

Lá se foram quase três semanas em que fizemos de conta que estávamos mesmo preocupados com o Campeonato Brasileiro. Comemoramos uma goleada, festejamos a aproximação do G4, desdenhamos de um empate e desgraçamos alguns dos nossos em duas derrotas. Criticamos bolas mal divididas, passes curtos demais, a demora para chegar na marcação e os gols desperdiçados. Cruzamos os dedos para que nenhuma lesão ocorresse e pedimos aos céus para que os lesionados se recuperassem.

 

Reclamamos do juiz e do VAR como se os erros deles mudassem nosso destino nesta temporada. Maldizemos os adversários apenas porque fizeram sua parte —- sem entender que eles não tem outra coisa a fazer neste ano do que jogar toda sua sorte e suor no Brasileiro.

 

Fizemos até projeções para a quarta-feira que vem com base no que assistimos em campo nesses dias todos —- como se não soubéssemos que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Arriscamos falar em mudança de posicionamento, troca de jogadores e experiências nunca antes experimentadas na esperança de que algo mágico seja capaz de nos garantir a classificação à final da Libertadores.

 

Passamos todo esse tempo entre uma decisão e outra com conversas diversionistas, enganando a si próprio, neste jogo de faz de conta apenas para disfarçar a tensão diante do que realmente nos interessa. E o que nos interessa é a Libertadores. É a decisão desse meio de semana que pode nos colocar em uma final inédita de jogo único, disputada em campo neutro contra um argentino qualquer que se capacite a chegar até lá, também.

 

Nada do que aconteceu nesses dias que se passaram foi suficientemente significativo para nos dar a resposta que buscamos e o resultado que almejamos. Acreditar que o intervalo entre as duas decisões seria definitivo é não entender a maneira de ser do Grêmio. Não lembrar do que já fomos capazes de fazer nesta mesma temporada.

 

Refresque sua memória. Pense nos prognósticos da fase de grupos da Libertadores quando emendamos um tropeço atrás do outro e muita gente já nos considerava carta fora do baralho. Em três jogos, apenas um ponto. Nos três seguintes, três vitórias e a classificação. Nas oitavas até que foi fácil, com um 5 a 0 contra o Libertad, no placar agregado. Nas quartas, porém, perdemos em casa, e na casa do adversário saímos atrás no placar.

 

Fizemos um primeiro jogo ruim na semifinal da Libertadores, em especial no primeiro tempo. E mesmo assim, chegamos vivos e fortes para a segunda partida, graças aquele gol aos 42 minutos do segundo tempo, de Pepê —- quando mais uma vez muita gente já previa o pior.

 

Nosso desempenho até aqui não nos dá nenhuma garantia de que seremos competentes a ponto de superar nosso adversário e sua torcida. Assim como nossos resultados até agora não dão a ninguém o direito de desmerecer nossa capacidade. Quem quiser arriscar qualquer palpite que o faça por sua conta e risco. De minha parte, estarei onde sempre estive nesse tempo todo: torcendo pelo Grêmio, sempre, em qualquer circunstância e diante de qualquer adversidade! 

Conte Sua História de São Paulo: na pensão da Dona Nair

 

Por João Fernando A. Palomo
Ouvinte da CBN

 

 

Vivi em São Paulo, em 1978. Estudava na Avenida Paulista, em um cursinho famoso da época e morava na Brigadeiro Luis Antonio, numa pensão para estudantes de uma senhora chamada Dona Nair. No fim daquele ano, passei na faculdade, em Campinas, e abandonei a capital. Formado voltei para Santa Cruz, minha cidade natal. Mas nunca esqueci de São Paulo

 

São Paulo consegue ser grande e mesmo assim nos permite encontrar coisas de cidade pequena. Ao lado da pensão onde morava tinha uma loja de velas, que achávamos que era para macumba.Um dia, eu e meus colegas, fomos conversar com a Dona Doraci e ficamos amigos dela. Conversávamos de tudo. Até de futebol ela passou a entender de tanto que eu deixava “A Gazeta Esportiva”no balcão da loja —- isso depois de passar por lá no fim da tarde, ler todo o jornal, bater um papo com ela e voltar para a pensão. Coisa de interior numa cidade grande!

 

O tempo se foi, eu casei, tive filhos e, depois que cursaram a faculdade em outra cidade do interior, não é que eles foram trabalhar em São Paulo? Primeiro a filha. Depois o filho. Claro que voltei a frequentar a cidade novamente. Ao menos uma vez por mês visitava os filhos e aproveita para viver um pouco da múltipla e agradável vida que São Paulo proporciona.

 

“Pai, durante a semana não é assim” — alertava meu filho que trabalha hoje próximo do Shopping Morumbi e mora na Berrini.

 

“Pai, o trânsito hoje tá bem tranquilo” — comentava a filha em pleno sábado querendo dizer que durante a semana era bem pior.

 

Mas voltariam para São João?

 

Não, claro que não, dizem os dois, ambos perfeitamente integrados no cotidiano de São Paulo. Minha filha casou-se com um paulistano e desde que foi para São Paulo sempre trabalhou, ainda que já trocado de empresa por duas vezes. Meu filho também trocou uma vez, mas igualmente nunca ficou desempregado.

 

São Paulo, que eu já amava tanto, me deu mais motivos para continuar apaixonado pela cidade: acolheu meus filhos. E como não gostar de quem recebe os filhos da gente de forma tão carinhosa?

 

João Fernando Alves Palomo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também mais um capítulo da nossa cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br