Sua Marca: as vantagens de o Brasil aderir ao Protocolo de Madrid

 

“A adesão ao protocolo de Madrid será importante não apenas para o branding mas para a economia brasileira com tantos exportadores e empreendedores bons que nós temos no Brasil” — Jaime Troiano

O Protocolo de Madrid habilita as empresas e pessoas físicas a solicitarem, através da Organização Mundial da Propriedade Intelectual — OMPI, ligada à Organização das Nações Unidas, o registro de uma marca nacional em outros países. Esse foi o assunto do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e participação de Mílton Jung.

 

No Brasil, o depósito de um pedido de registro de marca é realizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial — INPI. Por enquanto, após esse registro, o empresário interessado em levar sua marca para o exterior precisa fazer o pedido em cada um dos países em que tiver interesse em comercializar o produto. Com a adesão do Brasil ao protocolo, que deve ocorrer até dezembro deste ano, basta fazer a solicitação ao INPI que o órgão enviará a comunicação às demais regiões. O protocolo determina que o prazo máximo de processamento do pedido deve ser de 18 meses —- o que é, também, um avanço para o modelo brasileiro que costuma ser muito mais demorado.

“Esse processo é interessante, pois a gente sempre exportou commodities, mas somos fracos na exportação de marcas. E esse protocolo vai estimular os empresários a internacionalizarem as marcas nacionais, bem como investimentos nacionais no exterior, uma vez que a proteção dos registros no exterior já estará garantida” —- Cecília Russo

Independentemente do interesse de levar sua marca para o exterior ou não, Jaime Troiano e Cecília Russo ressaltam a importância de se registras as marcas criadas aqui no Brasil. Segundo Troiano, por mais de uma oportunidade ao realizarem o cálculo do valor de marca, descobre-se que o empreendedor não a registrou no INPI: “marca sem registro não tem valor”.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: tocando o meu berrante no trânsito da cidade

 

Por Samuel de Leonardo

 

 

O trânsito caótico das grandes cidades é capaz de proporcionar fatos inusitados e porque não dizer surrealistas. Em São Paulo já não é mais possível fugir dos engarrafamentos, não tem como optar por trajetos para amenizar a situação, quer seja pela manhã quer seja à tarde.

 

Sofre aquele que usa o seu automóvel para se locomover, sofre quem se utiliza do transporte público. Padece o motociclista, padece o pedestre, se ferra o ciclista. Todos acabam punidos, todos. São muitos veículos para poucas vias de acesso.

 

No começo da noite, seguia pela Avenida Paulista na faixa central sentido Paraíso. Seguia é força de expressão: estava parado no trânsito e sem perspectiva de melhora. O semáforo abria, fechava, abria. Nada de sair do lugar.

 

Após minutos de espera conseguimos cruzar a Rua Augusta, eu e mais alguns carros apenas. Aí tudo se repete: anda um pouco, para, anda.

 

Confesso que eu não me estresso, aproveito o tempo e vou observando o comportamento de cada vizinho.

 

À minha frente dois veículos, nas faixas à minha esquerda e à minha direita também dois. Percebo que a que vai à minha frente, pelo balançar da cabeça, curtia um som. Pelo retrovisor observo um motorista com duas cabeças, indicando tratar-se de um casal apaixonado. O da minha esquerda cutuca o nariz, tira algo e faz bolinhas. Com um peteleco atira-a pela janela. O da direita acende um cigarro, dá uma longa tragada e com a cabeça para fora lança uma baforada que atinge o motoboy que teima em passar pelo estreito corredor. Uma motorista ao lado apresenta um espetáculo de malabarismo: na mesma mão, cigarro, celular e o dedo indicador apontado para o motoqueiro que acabara de esbarrar em seu retrovisor.

 

Abre-se o farol, não havia como prosseguir, mas o condutor do veículo à minha direita toca a buzina sem cessar insistindo para que os demais invadissem a faixa de pedestre. Ninguém se abalou. Verde, amarelo, vermelho, verde novamente e a situação permanece inalterada.

 

Uma vez mais o motorista do carro ao lado mostrando toda sua impaciência volta a acionar a bendita buzina insistentemente. Como da vez anterior, nenhum condutor dá a mínima.

 

Com um pouco de sorte conseguimos progresso. Cruzamos a Rua Peixoto Gomide — mais um quarteirão vencido. Outra rua está por vir e assim atingimos mais uma quadra.

 

A história já é sabida: espera, paciência e perseverança. Quando já nem lembrava mais das buzinadas, aquele sujeito regressa à cena, desta vez com mais vigor, dispara o som a toda, põem a cabeça para fora e grita feito um louco:

 

— Seus motoristas de merda, tartarugas, molengas.

 

Ao instante a porta do passageiro do automóvel à sua frente se abre, desce um sujeito de estatura alta, chapéu de caubói à cabeça, todo desengonçado, carregando em suas mãos um instrumento enorme feito de chifre de boi, se aproxima da janela do nervosinho e grita:

 

Neste trânsito errante, só mesmo tocando o meu berrante.

 

Com habilidade, assopra o instrumento emitindo um som alto que a todos contagia. Uma vez, outra vez mais. Como um boiadeiro que acalenta toda a manada.

 

O trânsito continuou na mesma toada, mas as pessoas o aplaudem e entre assobios e gritos, o nervosinho da buzina disfarça um sorriso cessando a sua fúria, tal e qual um animal xucro quando domado.

 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu capítulo da nossa cidade e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: o coach é o co-piloto da jornada do profissional, diz Iaci Rios

 

 

“Eu faço uma comparação do coach como uma pessoa que pega uma carona na jornada de desenvolvimento do indivíduo, vai com ele de co-piloto por um pedaço desta jornada e em um determinando ponto desta trajetória ele desce e a pessoa segue sozinha” — Iaci Rios, IMR Coach e Desenvolvimento

A profissão de coach não é regulamentada na maior parte do mundo, o que não significa que qualquer pessoas esteja habilitada a exercer essa função. O ideal é que o profissional tenha recebido formação específica e seja capaz de entender que, apesar de seu papel ser de apoio ao desenvolvimento individual, não pode interferir nas escolhas do cliente. Esse foi um dos alertas feitos por Iaci Rios, da IMR Coach e Desenvolvimento, representante da Erickson International, no Brasil, entrevistada por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Perguntada sobre cuidados que um profissional deve ter para fazer coaching, Rios recomendou:

“Que procure uma boa formação, uma formação sólida, e para escolher uma formação solida, a escola tem de ter um conjunto de princípios e valores, uma filosofia por trás de seu modelo de ensino, uma boa base conceitual e uma boa metodologia. Essas escolas são provavelmente escolas certificadas pela ICF — International Coach Federation… esse é o caminho”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: um jogo para reescrever a história dessa Libertadores

 

Grêmio 2 x 0 Libertad
Libertadores — Arena Grêmio

 

Gremio x Libertad

Geromel em lance flagrado por LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Há coisas que marcam toda uma campanha. Que fazem a diferença. Que mudam um destino. A expulsão de Geromel foi uma dessas. Nosso Mito se foi e por ele muita gente deve ter baixado a cabeça, dado as costas ao jogo e desistido de lutar.

 

O Grêmio, não! O Grêmio jamais desiste.

 

Nesta mesma Libertadores já houve quem tenha apostado na nossa desclassificação. Traçado o pior dos cenários. Como se não soubesse dos Aflitos, das Batalhas e das histórias heróicas que marcaram nossa trajetória.

 

O Grêmio sempre acreditou!

 

Com um a menos em campo, o Grêmio não recuou. Kannemann e Matheus Henrique se desdobraram em campo. E com eles todo o restante do time se multiplicou. Cada um valia por dois. Solidários, ninguém deixava um só espaço do campo livre para o adversário atacar.

 

O Grêmio se superou!

 

Sem nosso Mito, coube a Renato mitar. Tirou André e colocou David Braz. Tirou Jean Pyerre e colocou Diego Tardelli. E seus pupilos fizeram história no segundo tempo.  

 

O Grêmio é copeiro!

 

Sem medo de jogar, manteve o controle da bola, arriscou dribles e escapadas. Foi em uma delas que conseguimos o escanteio que deu início ao primeiro gol, de Tardelli. Foi em outra, que conseguimos a falta que nos levou ao segundo, de Braz.

 

O Grêmio se agigantou!

 

Com a dupla vantagem no placar e de olho no regulamento, sabia que sair de campo sem levar gol era fundamental. E lutou como um gigante atrás de cada bola que se aproximava de nossa área. Na rara chance de gol do adversário, Paulo Victor foi ágil para impedir qualquer prejuízo — ciente de que era mais um protagonista daquela incrível história que estávamos reescrevendo. 

 

O Grêmio é Imortal!

 

 

 

 

Por que escolho Miriam Leitão

 

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Na reta final de ‘É proibido calar!’, livro que lancei ano passado, a editora pediu que eu convidasse alguém em quem confiasse e admirasse para escrever o prefácio. O primeiro nome que me veio à cabeça foi o de Miriam Leitão, mas confesso que ao mesmo tempo em que tinha certeza de que ela seria a pessoa ideal para apresentar meu trabalho, morria de medo.

 

O prefaciador pode ser considerado o primeiro leitor do seu livro. É a primeira pessoa de fora do projeto a ter contato com o texto. Antes dele, tem-se o autor que imerso emocionalmente no trabalho tem uma visão parcial. O editor e o corretor também participam dessa etapa inicial do processo e têm envolvimento profissional, enviam algumas recomendações e fazem os ajustes necessários.

 

E para “primeiro leitor” de ‘É proibido calar!’ fui escolher logo a Miriam que tem uma produção literária de altíssima qualidade, é detentora de merecido Prêmio Jabuti e tem olhar tão preciso quanto crítico.

 

Quanto atrevimento de minha parte, logo pensei. Que cara de pau, repetia minha consciência. Quando ela aceitou o convite e me pediu para enviar os originais, as pernas tremeram e o coração bateu mais forte. Uma sensação que se repetiria assim que Mário Sérgio Cortella aceitou escrever a orelha do livro — mas este é um outro capítulo.

 

O tempo entre o envio dos originais e o prefácio chegar foi marcado pela ansiedade, que só foi superada pela alegria de ler as palavras que ela havia dedicado. Emocionei-me também ao conhecer um pouco mais das histórias que Miriam vivenciou em família, a começar pela relação com o pai, tão marcante na construção de sua personalidade:

 

“Meu pai, ao contrário dos pais de várias amigas minhas no interior de Minas Gerais, jamais me disse que o destino da mulher era casar e ter filhos. Pelo contrário, dizia que eu me casaria apenas se quisesse, o importante era fazer um curso superior, ter uma profissão e um sonho” —- escreveu

 

Miriam sonhou alto e para alcançar seus sonhos estudou muito, dedicou-se como poucas pessoas e forjou uma carreira impecável no jornalismo —- ela também casou, e teve filhos, e teve netos. Fez-se mulher independente e corajosa. Enfrentou a estupidez dos ditadores. Superou seus torturadores. Lições que reforçaram seu viés humanista. Acreditou na construção de um Brasil melhor e mais justo.

 

Tenho o prazer de tê-la como parceira no Jornal da CBN, onde ocupa seu espaço dedicado à economia com informação apurada e análise crítica — sempre disposta a levar a conversa para além da fronteira dos números que muitas vezes contaminam o noticiário econômico. Olha o ser humano em suas várias dimensões. Em lugar das estatísticas prefere as pessoas. Em lugar de gráficos, privilegia a vida.

 

Foi essa mulher, jornalista, corajosa, crítica, justa e humana, que vimos ser atacada na semana passada. Ataques que partiram de gente intolerante e de autoridade pouco comprometida com a verdade dos argumentos. Ataques que são corroborados por uma turba indisposta ao contraditório e incapaz de entender o papel de um jornalista diante da verdade dos fatos. Que esqueceu que Miriam, ao longo de toda sua carreira, sempre se comportou assim, firme, forte e independente, a despeito de quem esteja no poder.

 

Por ser quem é e por ter enfrentado o que já enfrentou, Miriam, com certeza seguirá sua trajetória que começou a ser percorrida lá atrás, na pequena Caratinga, em Minas Gerais.

 

E por tudo isso, eu sempre vou escolher Miriam Leitão!

A responsabilidade de ter na mesa um troféu com o nome da Ir. Dorothy Stang

 

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“Quando enterramos o corpo da Irmã Dorothy,
em fevereiro de 2005, repetimos
muitas vezes que ‘não estamos
enterrando Irmã Dorothy,
mas sim, estamos plantando’.
Ela é uma semente que vai dar muitos frutos.
Queremos celebrar estes frutos
e as novas sementes que
estes frutos estão lançando”
Dom Erwim Krautles, Bispo Emérito do Xingu (PA)

 

Sexta-feira passada, em Goiânia, fui um dos homenageados no Prêmio de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com a Menção Honrosa Ir. Dorothy Stang. De acordo com o informe da comissão de comunicação da CNBB, a escolha levou em consideração o trabalho que realizo no rádio:

 

“Sua competência profissional aliada a uma sensibilidade cidadã tem um impacto positivo na audiência e colaborado com a formação de valores humanos, critério definido pelos bispos para a escolha de comunicadores”.

 

Dedico-me ao jornalismo há 35 anos e ter o nome selecionado para esse prêmio me deixa, é claro, lisonjeado, mesmo que nunca consiga enxergar de forma evidente os resultados desse trabalho na transformação da sociedade —- e talvez seja melhor assim, caso contrário corre-se o risco de a soberba se sobrepor a causa.

 

Os outros profissionais que receberam a menção honrosa foram Wagner Moura, ator e diretor de Cinema; Sandra Annenberg, jornalista da TV Globo; Vinicius Sassini, jornalista de O Globo; os digital influencers Iara e Eduardo, “caçadores de bons exemplos” e, em homenagem póstuma, o jornalista Ricardo Boechat.

 

Havia sido informado do prêmio dias antes quando, então, a pedido dos organizadores gravei vídeo para agradecer a escolha do meu nome ao lado de outros colegas da mídia e do cinema —- que foi reproduzido durante a cerimônia.

 

Fiz questão de gravar a saudação no Pateo do Collegio, onde surgiu a cidade de São Paulo, no século 16. Foi lá que os jesuítas iniciaram o povoado que se transformaria nesta megalópole. Sempre considerei simbólico que, ao contrário da maior parte das cidades, São Paulo surgiu no entorno de uma escola e não de uma fortaleza.

 

Escolher como cenário o local da primeira escola de São Paulo foi a forma de expressar minha gratidão por ter em mãos um troféu com o nome da Irmã Dorothy que encontrou na defesa dos homens e das mulheres mais simples deste país a maneira de revelar sua missão cristã. Deu a vida por essa causa.

 

Na sua caminhada, Irmã Dorothy foi uma das fundadoras da primeira escola de formação de professores na Transamazônica, a Brasil Grande —- nome que por si só demonstrava o quanto ela e seus companheiros acreditavam que através da educação poderíamos nos desenvolver como nação.

 

Assim, fui ao Pateo do Collegio para lembrar que todos que trabalhamos com comunicação social não podemos jamais perder a noção de que temos também uma missão educadora quando buscamos a verdade, apuramos os fatos, ouvimos o contraditório e questionamos a autoridade estabelecida.

 

Além de agradecer pela gentileza da CNBB, fiz questão de, em vídeo, registrar minha crença que pela educação e com trabalho podemos ajudar a construir um Brasil mais justo, mais ético e mais generoso. Um Brasil grande, como sonhou Irmã Dorothy Stang.

Avalanche Tricolor: gol-gol-gol-goooool de Luan!

 

 

 

Inter 1×1 Grêmio
Brasileiro — Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

 

O sábado começou com ótimas lembranças do clássico. Pelo e-mail soube que Edu Cesar, responsável pelo canal Papo de Bola, havia publicado imagens de um Gre-Nal disputado, em 1983, no Beira-Rio. O jogo em destaque terminou empatado depois de o Grêmio sair atrás no placar, muito parecido com o que aconteceu neste noite —- confira o vídeo alguns parágrafos abaixo.

 

Pelos jogadores que passaram na tela, desconfio que também entramos com time reserva. O jogo era válido pelo Campeonato Gaúcho e disputado em novembro. Vamos lembrar que naquele momento estávamos muito mais dedicados ao Mundial, que haveríamos de vencer em dezembro, no Japão.

 

De qualquer forma, foi bom ver em cena ao menos um dos nossos craques do passado, caso de Paulo Bonamigo que deu início a jogada do segundo gol com um passe de três dedos para a ponta esquerda. Era um volante que combinava muito bem a boa qualidade técnica para sair jogando e a força na marcação.

 

Puxei na memória, mas não consigo lembrar de ter estado no estádio naquele domingo. Seja como for nem o resultado nem os jogadores em campo foram o motivo da alegria que o vídeo me proporcionou. O que mais me tocou foi o fato de que a narração do jogo era do pai, na época em que trabalhou na TV Guaíba.

 

Se você é leitor de primeira viagem nesta Avalanche, esclareço: sou filho de Milton Ferretti Jung —- sim, sou o Júnior —-, que dedicou 60 anos de sua vida ao rádio e por algum tempo ao jornal e à televisão. Foi locutor do principal noticiário do rádio gaúcho e narrador esportivo. Com a inauguração da TV Guaíba, passou a transmitir os jogos pela emissora.

 

 

O pai adaptou sua forma de narrar os jogos quando se transferiu para televisão. Fazia uma descrição mais comedida dos lances e reduziu o grito de gol que havia criado no rádio. Manteve o gol-gol-gol — sua marca registrada —- mas abriu mão do grito mais longo e alto de gol ao final. Entendia que a imagem era suficiente para oferecer ao telespectador a emoção necessária. Foi um craque nessa arte da narração, assim como no jornalismo esportivo de uma forma geral.

 

Ouvi-lo no sábado pela manhã, bateu fundo no coração. Deu saudade não apenas da sua voz, mas da sua presença ao meu lado. Assistimos a muitos jogos juntos. Comemoramos abraçados os gols mais importantes da história do Grêmio. Quando eu assistia aos jogos na cabine da rádio Guaíba, o grito de gol dele sempre vinha acompanhando de um sorriso que era compartilhado comigo, como se quisesse se desvencilhar das amarras que o papel de narrador lhe impunha para me abraçar como torcedores gremistas que sempre fomos. Muitas vezes passei meus braços no entorno da cintura dele para comemorar enquanto cumpria sua função diante do microfone.

 

O pai hoje encara os desafios que a doença o impõe, em Porto Alegre — sequer pode ter a alegria de assistir ao Gre-Nal pela televisão. E se tivesse condições, talvez ficasse frustrado com o futebol jogado nesta noite. Eu estava aqui em São Paulo e assisti à bola ser maltratada de pé em pé, em um jogo no qual as duas equipes entraram com forças medianas, devido aos compromissos mais importantes no meio da semana. Mas juro que ao ver a bola estufar a rede colorada após Luan completar de cabeça o cruzamento de Juninho Capixaba parecia estar ouvindo a voz dele em alto e bom som gritando aos quatro cantos do Rio Grande do Sul: gol-gol-gol- gooooooooool de Luan, o Rei da América!

 

Saudade do seu grito, pai.

Conte Sua História de São Paulo: a saga de Seu Orlando e do caloteiro da padaria

 

Por Andrea Magri

 

 

Seu Orlando (Laurenti) como todos os dias estava de pé na porta de sua padaria… já bem conhecida em São Paulo, principalmente dos descendentes italianos, no coração do Bixiga. Na frente havia o estacionamento, naquela época, meados de 1968, isso era um luxo.

 

Assim, ele viu parar aquele Volkswagen cor vinho com rodas brancas, impecável, novo em folha. De de lá um jovem senhor, talvez uns 45 anos — naquela época, mais de 40 era quase idoso. Mais velho que seu Orlando, que só tinha 30, mas bem apessoado, de mangas de camisa, paletó e sapato nos trinques. Cara de bom cliente, pensou seu Orlando.

 

O cliente pegou tudo que havia de bom e dava sinais de ser bem nascido, já que era conhecedor de queijos e vinhos. Encheu uns quatro cestos e assim que chegou no caixa, colocou a mão em um bolso e em outro …

 

— “Puxa, a carteira deve ter ficado no carro”.

 

— “Sem problema”, respondeu seu Orlando, que logo providenciou um funcionário para levar as compras até o fusca. Deram cinco minutos e o funcionário voltou sem compras, sem cliente e sem dinheiro:

 

—- “Foi embora e nem me deu caixinha”.

 

— “Minha nossa senhora da Achiropita! Não posso acreditar! Que prejuízo! Ele não pagou as compras”, gritou seu Orlando, desesperado.

 

Nem conseguiu pegar no sono naquela noite, só de pensar no golpe do bom cliente.

 

As noites mal dormidas e o prejuízo se dissolveram no tempo. Seu Orlando, empreendedor e trabalhador, fez sociedade com um amigo em uma lanchonete. Já tinha duas filhas e as coisas não eram fáceis. Trabalhava de dia na padaria e à noite, ali na praça Carlos Gomes, em frente ao Cine Joia.

 

Em uma noite daquelas, um homem de cavanhaque e bem vestido chega na lanchonete e pede ao garçom 10 chess-saladas, 5 porções de batata frita, 10 cachorros quentes e queria tudo para viagem. Seu Orlando estava na chapa e ficou curioso para saber quem havia feito aquele pedido todo. Foi quando saiu aos gritos:

 

— “Ei, você! Que está fazendo aí? Veio acertar comigo o que me roubou na padaria, é ?”

 

O safado saiu correndo, atravessou a praça e fugiu no seu fusca. Era o mesmo que havia aplicado o golpe na padaria, fazendo aquela história voltar a atormentar Seu Orlando.

 

Mais de um ano depois, em um domingo, Seu Orlando vai ao açougue da vizinhança. De repente, quem ele enxerga no caixa com sacolas de carne sendo levadas por um empregado até o carro.

 

— “Seu Jorge! Esse é ladrão, seu Jorge! Ele já pagou?

 

— “Que isso, o cliente vai pegar o dinheiro no carro”

 

— “Esse é ladrão! Me roubou na padaria! Do mesmo jeito! Chama a polícia, seu Jorge! Ele quer te roubar! Esse cara é um gatuno!”

 

E o cliente, sem jeito, disse que não precisava levar as encomendas no carro porque ele não era dessas coisas, não. Foi até lá, pegou a carteira, pagou as compras e resolveu sair por cima:

 

— “Você quer me difamar! Chama, sim, a polícia… Eu nem te conheço!

 

Foi, então, que a polícia chegou, o homem deu queixa contra o Seu Orlando, que estava desnorteado e acabou na delegacia para dar explicações do motivo da agressão verbal ao pobre cliente.

 

— “Vai ficar aqui até esfriar a cabeça”, ouviu do delegado, envergonhado e ultrajado.

 

Pois não é que o caminho dos dois cruzou novamente, dias depois.

 

Eram mais de dez da noite e seu Orlando foi ao restaurante ao lado da padaria para tomar um copo de cerveja com o dono, o seu Antonio. Ao chegar, depara com vários homens sentados em uma mesa, jantando. Entre eles, o infeliz. O sangue italiano ferveu e não o deixou sequer pensar!

 

— “É aqui seu próximo calote? Seu Antonio…muito cuidado! Esse é o homem que me roubou na padaria, quis me enganar na lanchonete e ia dar o golpe no açougue! Este é o gatuno que te contei!”

 

E, claro, foi aquele fuzuê. O almofadinha, diante de amigos, desta vez se rendeu com tantos encontros inesperados:

 

— Fala aí, quanto eu fiquei te devendo? Não aguento mais te encontrar. Você já está prejudicando a minha vida.

 

Sacou a carteira recheada de dinheiro, pagou a conta e foi embora. Assim como Seu Orlando, que viu justiça ser feita tantos anos depois. Hoje, ele tem 80 anos, três filhas — Andrea, Paula e Juliana —- e três netos — Luca, Matteo e Sofia. Dona Vilma, a esposa, já se foi. A padaria Basilicata, segue firme no mesmo endereço, há 102 anos, e ainda é da família.

 

Orlando Laurenti é o personagens do Conte Sua História de São Paulo, escrito pela filha, Andrea Magri. A sonorização é do Cláudio Antonio.Escreva o seu texto também e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Alê Prates ensina como preparar equipes engajadas

 

 

“Se a gente pudesse definir engajamento em uma palavra, eu definiria como liberdade, faço porque quero, não preciso de uma força externa para fazer algo, faço porque estou livre e por ser livre eu coloco o meu melhor em jogo” – Alexandre Prates, educador executivo.

Um dos desafios dos líderes nas empresas é construir equipes com profissionais engajados em seus projetos e tarefas. De acordo com o consultor Alê Prates, existem três aspectos que sustentam esse engajamento: a participação efetiva, a frequência e o método. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, ele explica como esses aspectos se revelam no dia a dia dos escritórios:

“É um engano dizer ‘eu fiz o melhor possível’, a gente precisa fazer o que precisa ser feito, ou seja, ter um método, saber qual é o começo, o meio e o fim do que eu preciso fazer”.

Alê Prates ensina que o engajamento só existe quando a iniciativa parte do próprio profissional, do contrário o que temos são equipes comprometidas, que só fazem algo porque existe uma força externa a impulsioná-las —- e isso faz uma tremenda diferença no resultado final.
 

 

Autor do livro “Não negocie com a preguiça — a prática do engajamento para o pleno desempenho” (Editora Best Seller), Prates reconhece que muitas vezes deixamos que a preguiça vença, pois é muito mais sedutora e está sempre pronta a nos oferecer algo prazeiroso:

“Todas as vezes que você pode fazer, você sabe fazer mas você não faz — isso é a preguiça”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) ou pelo Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: a vitória da maturidade

 

 

Bahia 0x1 Grêmio
Copa do Brasil — Arena Fonte Nova/BA

 

Gremio x Bahia

A festa do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio de Renato voltou. Na forma de jogar. E na forma de ganhar.

 

Desde o início da decisão desta noite, o futebol gremista se expressou com o controle do jogo, a troca de passe mais rápida, a triangulação de jogadores aparecendo para receber, a mudança de lado para confundir a marcação e a defesa firme e forte reduzindo o risco de um gol fora de hora (a bem da verdade todo gol tomado é fora de hora).

 

A velocidade de nossos atacantes por um lado e por outro também esteve presente. E foi a partir dela que chegamos ao gol que nos classificou à mais uma semifinal de Copa do Brasil. O passe precioso de Matheus Henrique encontrou Alisson correndo em direção à área e ele não se fez de rogado: deu um corte no primeiro marcador, deu um corte no segundo e chutou com o pé invertido no canto que parecia mais improvável para a bola entrar. E entrou.

 

Em uma temporada na qual nem sempre apareceram essas características que nos puseram em destaque, o que mais me chama atenção é que todas —- ou quase todas —- tem dado sinais de vida quando mais precisamos.

 

Já havia sido assim na reta final da fase de grupos da Libertadores, quando muita gente já não acreditava na nossa capacidade de recuperação.

 

E foi assim na noite de hoje quando tínhamos pela frente o desafio de encarar um time muito bem organizado e batalhador diante de sua entusiasmada torcida. Aliás, desta vez também tivemos de superar o descrédito de críticos. Ainda hoje, ouvi colegas de rádio colocando em dúvida a possibilidade de seguirmos em frente na Copa do Brasil.

 

Sabemos da dificuldade em manter o mesmo ritmo vitorioso por tanto tempo, por mais que se invista na permanência do comando técnico, a começar pelo seu maior nome, Renato, e na busca de reforços para substituir jogadores e formar um elenco mais bem equilibrado. Mas para esses momentos de inconstância, aposta-se na maturidade do grupo. E foi essa maturidade que fez ressurgir o futebol gremista na noite de hoje, em Salvador, quando chegamos a marca de 100 vitórias em Copas do Brasil e nos credenciados a disputar a 14a vez uma semifinal desta competição.

 

Se não bastasse ver o Grêmio de volta com sua força e maturidade, ainda curti essa alegria ao lado de um velho companheiro de torcida,  Gregório, meu filho mais velho, que também voltou após três meses distante do Brasil. A festa foi completa.