Sua Marca: saiba equilibrar repetição com inovação

 

“São as duas grandes vertentes do bom branding, combinar o quanto eu me inspiro com o que dá certo, já conhecido, e o quanto eu preciso arriscar com as coisas que não existem” – Jaime Troiano

A distância que separa a repetição da inovação costuma ser mais sutil do que pensamos. As marcas que mostraram novos caminhos não saíram do zero, estavam inspiradas em ações já realizadas mas não temerem se arriscar na busca do novo. O equilíbrio entre inovação e repetição foi o tema da conversa do jornalista Mílton Jung com Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.

 

O gestor de marcas tem de fazer um cuidadoso mapeamento do que o mercado, as pessoas, os consumidores dizem, pensam e, principalmente, sentem. Pois ao conquistar esse conhecimento abre novas fronteiras e dá um impulso para além dos limites conhecidos e mais ocupados por outras marcas.

 

Uma das lições que aprendeu ao longo da carreira, segundo Troiano, foi que se você der ao consumidor apenas aquilo que ele pede, cuidado porque alguém pode oferecer algo que ele nunca tinha visto antes e pelo qual vai se apaixonar.

 

Já Cecília Russo lembra de uma marca com a qual trabalhou há 25 anos, dedicada ao mercado de congelados, que teve enorme dificuldade para se firmar, pois o consumidor ainda não estava preparado para aquela novidade:

“A inovação tem um timing para acontecer”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: invista tempo e energia naquilo que você é bom, sugere Eduardo Ferraz

 

 

“Nenhum de nós tem mais de cinco tarefas importantes no trabalho, no emprego ou em uma carreira; quem tem cinco atividades e não gosta de três, vai ter uma carreira medíocre”— Eduardo Ferraz, consultor.

A personalidade do ser humano é como um prédio, tem características estruturais que não mudamos, por isso temos de nos esforçar para mexer no acabamento. Para isso, é necessário identificar os pontos fracos e fortes e investir tempo e energia para melhorar aqueles aspectos em que já somos bons. É o que defende o consultor Eduardo Ferraz, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Como essa discurso, Ferraz busca desmentir o mito de que as pessoas podem fazer qualquer coisa desde que queiram fazê-las:

“A gente consegue mudar o acabamento —- a pintura, a decoração, os eletrodomésticos — mas não muda o prédio de lugar”.

Autor do livro “Seja a pessoa certa no lugar certo”, Eduardo Ferraz fala de estratégias que devem ser adotadas pelos profissionais para progredir na carreira, como aprimorar o autoconhecimento no que identifica como as cinco grandes dimensões que compõe a personalidade:

1. Conheça seu perfil comportamental
2. Descubra o que o motiva
3. Identifique seus principais talentos
4. Aprimore suas atitudes
5. Corrija seus pontos limitantes

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter (@CBNOficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN; domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast. Você pode acompanhar o Mundo Corporativo também no canal da CBN no You Tube e no Spotify. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

Bancos e lojas avançam no Brasil e são engolidos por eletrônico na China

 

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo estudo publicado na revista EXAME*, no ranking 2019 das marcas mais valiosas do Brasil, as instituições financeiras desbancaram as cervejarias do topo, enquanto o varejo se sobrepôs pelos aumentos dos índices de valorização.

Bradesco e Itaú com 35% de valorização superaram Skol e Brahma. O Magazine Luiza, em 7º lugar, teve crescimento de 276%; a Renner, em 9º, apresentou evolução de 132%;  e as Americanas, em 16%, mostrou alta de 23%.

Visivelmente, o mercado atesta a performance no omnichannel das varejistas Magazine Luiza e Americanas como fator alavancador do crescimento.

 

O caso Magazine Luiza é emblemático desde os primeiros passos que foram dados na implantação das vendas pela internet. Houve muita criatividade ao iniciar a venda pelas esposas dos funcionários, como uma vantagem e oportunidade de aumento de renda familiar. E, também, não se pode ignorar o conceito posterior de Marketplace, fundamental para a maturidade do sistema de e-commerce.

 

A Renner, por sua vez, há tempos vem desenvolvendo atenção especial na atualização das coleções e foco no estilo relacionado com o aspecto comportamental, fazendo com que hoje a prioridade na experiência de compras permita oferecer o diferencial para se destacar no mercado de moda.

 

Clique aqui para ter acesso ao resultado completo do Marcas Category Brand Value 2019

 


Enquanto isso, na China os números remetem a dois fenômenos.

 

Alibaba, o gigante do varejo eletrônico, e Tencent, o grandioso portal de serviços de internet, cujas plataformas de meio de pagamento, respectivamente Alipay e WeChar Pay, aglutinam 94% do movimento total chinês, em torno de US$ 13 trilhões anuais — desvinculado do sistema bancário convencional, operando tanto com moeda local chinesa e moedas de outras regiões.

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Na América, através do Facebook, está sendo apresentada a Libra, como uma criptomoeda a ser lançada pela Libra Networks que administrará todo o processo do ecossistema, incluindo suas reservas. Ao mesmo tempo terá a composição de parceiros fortes como Visa, Mastercard, Uber, Spotify; condição sustentável para uma empresa global. Assim como os 2,23 bilhões de usuários do Facebook.

 

Para o Facebook, o Brasil é importante, pois com 130 milhões somos o terceiro maior país com número de usuários, após Estados Unidos e Índia.

 

E para os brasileiros, será importante a Libra Networks?
Como Bradesco e Itaú reagirão?

 

Diante destas dúvidas temos a China na frente e à nossa frente a eminente disrupção de um secular sistema financeiro.

 

Apostas abertas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

E foi dada a largada!

 

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A rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo não é novidade. Do campo político aos gramados de futebol, a turma dos dois estados —- em especial das duas capitais —- nunca deixou barato para o outro lado. Na música, na moda e até nos hábitos entorno da mesa do boteco as diferenças sempre foram motivos de discussão.

 

Como vim do Sul, nunca me meti nessa história — até porque sei de alguns gaúchos (não é mesmo, Getúlio?!?) que mais causaram confusão do que ajudaram a apaziguar os ânimos. Por isso, fiquei com um pé atrás logo cedo quando vi no meu WhatsApp o tema proposto para o bate-papo matinal com meus colegas que apresentam o CBN Primeiras Notícias, diretamente do estúdio do Rio de Janeiro: “vamos falar dessa briga entre RJ x SP?”.

 

Era muito cedo e o olhar ainda estava embasado pelo sono, o que me fez demorar um pouco para entender que a discussão que pretendiam promover tinha como foco a disputa pela sede do Grande Prêmio de Fórmula 1, provocada pelo desejo do presidente Jair Bolsonaro de levar o evento de volta para o Rio, onde já foi disputado nos anos de 1978 e de 1981 a 1989 — ideia rechaçada pelo governador João Doria que empunhou a bandeira da resistência em nome de São Paulo.

 

Essa é uma briga de cachorro grande.

 

Primeiro, pelo fato de contrapor desejos de dois dos maiores e mais importantes estados brasileiros.

 

Segundo, tem como foco um dos principais eventos esportivos anuais do planeta, a Fórmula 1, que só no ano passado rendeu à capital paulista R$ 344 milhões e gerou perto de 10 mil empregos.

 

E para fechar o circo, é protagonizada por duas lideranças políticas do momento.

 

De um lado temos o presidente Jair Bolsonaro que nos últimos dias rasgou a fantasia. Ele que criticava a possibilidade de reeleição durante a campanha, a ponto de considerá-la responsável por parte dos malfeitos da política nacional, não esconde o desejo de concorrer a mais um mandato, mesmo que não tenha completado sequer seis meses do primeiro. Dá a impressão de que o palanque eleitoral é seu palco preferido.

 

De outro lado, temos o governador João Doria que sempre revelou sua ansiedade pelo poder, a ponto de ter interrompido o trabalho na prefeitura para disputar o Governo do Estado, quando até os cupins do Palácio dos Bandeirantes sabiam que o sonho dele era mesmo o Palácio do Planalto.

 

Semana passada, os dois já haviam ensaiado uma disputa constrangedora. Durante visita conjunta ao Centro Paraolímpico Brasileiro, em São Paulo, provocado por Bolsonaro, Doria aceitou o desafio de fazer exercícios de flexão de braços —- sabe aquelas brincadeiras sem graça de adolescentes em busca de afirmação? Pois é, foi isso mesmo que eles fizeram.

 

Agora, resolveram exercitar outra parte do corpo muito apropriada aos políticos: a língua.

 

Bolsonaro falou, ontem, que a F1 tem 99% de chances de ser do Rio e cutucou o governador paulistano afirmando que se ele é pré-candidato à Presidência deve pensar no Brasil em primeiro lugar.

 

Doria não se fez de rogado. Respondeu que não é hora de eleição, mas de gestão. Hoje, voltou ao tema após receber o CEO da F1, Chase Carey — o mesmo que esteve na companhia do presidente um dia antes. Em lugar de apenas defender sua posição, acelerou contra o concorrente ao ironizar o local onde o Rio quer construir o autódromo: em Deodoro só da para chegar de cavalo, disse o governador paulista.

 

Como falei logo cedo e reitero aqui, essa é uma briga de cachorro grande e não vou me meter nela de graça, até porque Bolsonaro e Doria demonstraram que o Grande Prêmio de Fórmula 1 é apenas coadjuvante nessa disputa. Em jogo está o espaço que cada um ocupará no grid de largada das eleições de 2022. Sim, políticos tem sempre o olhar voltado para o futuro. Deles.

Conte Sua História de SP: és imensidão espraiando diante dos meus olhos!

 

Por Vera Carreiro
Ouvinte da CBN

 

 

São Paulo, cidade gigante em todos os sentidos: no tamanho, nas oportunidades, na emoção, no coração! São Paulo, a cidade que palpita, estertora, estrebucha, não para, não dorme!

 

São Paulo da miscelânea cultural, dos imigrantes, dos migrantes, dos poetas, dos cantores, dos artistas.

 

São Paulo dos contrastes, dos mendigos, vagabundos, trabalhadores, adultos, crianças, jovens e anciãos, ricos, pobres, arrogantes, humildes, mansa, embrutecida, alegre, triste, evoluída, estagnada, muito bela, muito feia!

 

São Paulo de todos os matizes, de todas as misturas, de todos os superlativos, de todos os diminutivos, de todos os problemas e todas as soluções. Se fosse escrever sobre todos os teus atributos, precisaria de um livro imenso, do teu tamanho, por isso, simplesmente me aterei à impressão, causada em mim, ante teus pés: Nossa! Como és Grande! És o mundo dentro de uma cidade!

 

És imensidão espraiando diante dos meus olhos! Sinto que minha visão é pobre e diminuta perto do teu tamanho. Cidade a perder de vista, com teus arranha-céus, praças onde cantam bem-te-vis e sabiás, ruas estreitas, avenidas largas e modernas, a maior frota de carros e veículos já vista, pessoas de todos os tipos e lugares se misturando, um formigueiro sem tamanho! O bonito e o feio se confundem em ti.

 

És hospitaleira, recebendo a todos com enormes braços abertos, oferecendo teu abrigo, teu sustento, tuas facilidades, teus horizontes, tuas oportunidades infinitas e, ainda, teus viadutos e marquises aos desabrigados.

 

E, por seres assim, tão mãezona, é que abrigas também o lado menos bonito da cidade. É porque teus tutelados menos nobres não te honram com trabalho, disciplina, boas ações, bons sentimentos e versam para o crime, a desordem, a ociosidade, a delinquência, o estelionato, etc.

 

És concomitantemente rica e pobre. Proporcionas, a cada um, o que procura ou faz por merecer: ao rico de ideais, de vontade e trabalho, a riqueza; ao pobre de ideais e de vontade, a pobreza.

 

Ofereces a oportunidade reivindicada a qualquer pessoa, sem distinção, nem discriminação, como um imenso coração de “mãe”!

 

Vera Carreiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para participar desta série, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

 

Sua Marca: aprenda com as boas práticas da concorrência

 

 

“A vida é cheia de egolatria, de pessoas apaixonadas por si mesmo, quando eu posso me inspirar por aquilo de bem feito que os outros fizeram” —- Jaime Troiano.

Inspirados em frase de Isaac Newton na qual diz que “se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”, os especialista em branding da CBN alertam para a importância de as empresas observarem, sem preconceito nem arrogância, as boas ações realizadas por outras marcas, especialmente as concorrentes.

 

No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo defendem que os gestores de marcas tenham humildade para reconhecer as boas práticas, identificar quais as barreiras que foram encontradas e entender as soluções desenvolvidas.

“Todo trabalho de branding deveria começar olhando os gigantes, o que eles fizeram de certo e como alavancar a minha performance a partir de coisas que me inspiram ou de coisas que servem de farol para o que não fazer porque deram erradas” — Cecília Russo

Agora, atenção: inspirar-se não é copiar. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, Russo e Troiano fazem questão de destacar que as marcas têm de compreender também sua personalidade, as características do produto ou serviço que oferece e o comportamento do seu consumidor.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: funcionários têm de ser encorajados a apontar irregularidades, diz João Uchoa

 

 

“… a política de compliance vai existir, vai funcionar desde que existam mecanismos de monitoramento contínuo, junto aos funcionários e as pessoas  que se relacionam com a empresa. Ela funciona, sim. Ela não funciona se for algo que você simplesmente divulgou, passou para os funcionários, mas você  também não monitora” — João Vieira Uchoa

As ações de combate a corrupção, os enormes prejuízos registrados por empresas com conduta ética pouco recomendáveis e a aprovação de uma  série de leis que impõem sistemas de controle nos setores públicos e privados levaram empresários e profissionais brasileiros a investirem mais na criação de políticas de compliance e programas de integridade. 

 

No Mundo Corporativo, da CBN, o consultor João Vieira Uchoa fez alertas sobre mecanismos que devem ser levados em consideração no momento em que essas regras são criadas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, o fundador da empresa SP Auditores também falou da importância da implantação de mecanismos que ofereçam aos funcionários segurança para que eles identifiquem irregularidades que coloquem a empresa em risco.

 

A SP Auditores, fundada há 15 anos, atua com auditores internos nas companhias, gerenciamento de gestão de riscos e desenvolvimento de portal para recebimento de denúncias, sugestões e reclamações, segundo Uchoa. Ele conta que as empresas onde presta serviço têm de concordar que “nenhum funcionário é imprescindível”. Ou seja, se comprovada a denúncia feita, o colaborador, seja quem ele for, deve ser punido.

 

Ao se referir aos resultados alcançados com o método que a consultoria dele desenvolveu, Uchoa disse:

” … as empresas perderam em torno de 8% do seu faturamento bruto com desvios de recursos, desse percentual 40% são identificados porque funcionários ou terceiros —- agentes externos que são fornecedores, clientes, concorrentes —- fizeram denúncias”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

Do pula-pula ao monociclo, um passeio da piada à evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O sueco Adam Mikkelsen, da cidade de Mamo, profissional disruptivo e colecionador de sucessos, anunciou o lançamento do Pula-Pula como elemento de mobilidade urbana. E alertou que não era piada.

 

Não pegou!

 

No Hora de Expediente, da CBN, o Pula-Pula analisado como um dos temas e tido como modal, não emplacou e fez com que o episódio radiofônico enveredasse pelo humor, e pelo viés da diversão esportiva.

 

Ouça o quadro Hora de Expediente, que foi ao ar no Jornal da CBN

 
Coincidentemente, dias antes, tínhamos sido convidados a imergir no recente mundo das alternativas urbanas de mobilidade da cidade de São Paulo por um aficionado do setor: Marcio Canzian, ex-publicitário e atual empresário do segmento de equipamentos onde convivem patinetes, bikes e monociclos elétrico-eletrônicos.

 

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A startup disruptiva do Marcio, na Vila Olímpia SP, corresponde ao clima urbano e contemporâneo esperado na arquitetura, no visual merchandising e no atendimento, mas contrasta até certo ponto com a expectativa do perfil do cliente. Na medida em que não são os millennials que preenchem plenamente seus espaços.

 

Uma análise do portfólio de produtos da ELETRICZ dá a pista na medida em que os patinetes elétricos e as bikes são os produtos padrão, mas a estrela máxima da loja é o monociclo elétrico, para o qual parte do público é mais maduro. Provavelmente o mesmo da turma do Hora de Expediente.

 

Para Canzian, cujo “mindset” está focado na facilidade de locomoção e na melhoria do meio ambiente, a aposta é nos micros modais, mas como carro-chefe de seu negócio o monociclo tem a principal atenção na evolução do produto, na produção e na comercialização. Daí a constância de viagens à China, terra de seu fornecedor e desenvolvedor, onde como piloto atento municia a evolução deste processo.

 

Por esta única roda do monociclo, plena de tecnologia, que agora faz parte da extensão de seu corpo, largou as quatro rodas de uma super BMW, uma agência de propaganda e se dedica ao futuro através de veículos que possam trazer mais conforto e prazer.

 

Hoje, está buscando local no Rio para instalar a segunda loja, nos moldes da Vila Olímpia — com exposição e pista para aprendizado. Ao mesmo tempo se prepara para estruturar um sistema de franquia na busca de outros apaixonados pela mobilidade urbana e com o necessário espírito empreendedor.

 

Vale a pena visitar o site da Eletricz, depois ir até a loja e dar umas pedaladas nas bikes — e, claro, umas equilibradas nos patinetes e nos monociclos.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Código de defesa de usuário do serviço público: “um direito fundamental”

 

 

Por Cezar Miola
Conselheiro do TCE-RS

 

 

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No dia 17 (hoje), entra integralmente em vigor o chamado Código de Defesa do Usuário do Serviço Público (Lei nº 13.460/2017), que trata sobre a defesa e participação dos usuários do serviço público. Embora editada há quase dois anos, a norma teve sua vigência escalonada, começando por União, Estados e municípios com mais de 500 mil habitantes. Agora, será obrigatória para todos os entes locais brasileiros, inclusive aqueles com menos de 100 mil habitantes, até então desobrigados do cumprimento da lei justamente em razão dessa vigência gradativa. Para se ter dimensão do impacto desse marco, no Brasil, dos 5.570 municípios, 5.253 (94,3%) têm até 100 mil habitantes; no Rio Grande do Sul, são 478 (96,2%) dos 497. Em resumo, a lei prevê medidas visando à melhoria da qualidade dos serviços públicos.

O festejado Norberto Bobbio já disse que a administração pública deve estar “em público”. Para além da Lei de Acesso à Informação, o Brasil conta hoje com mais um grande canal para assegurar que isso se materialize. Do que se sabe, muitos municípios ainda não se adequaram, deixando de implementar instrumentos como a publicação da Carta de Serviços, a instalação de ouvidorias e dos conselhos de usuários, além de outras exigências.

Por isso, a importância de se colocar o assunto em evidência. Os Tribunais de Contas fiscalizarão o tema, mas o importante não é tratar apenas de punições pelo descumprimento da norma. O mais efetivo, e definitivo, é que os agentes públicos se conscientizem a respeito, concretizando uma norma que em tudo se conecta com o princípio republicano.

 

 

De fato, é necessário tirar a lei do campo das boas intenções e, com isso, construir uma relação verdadeiramente dialógica (e não imperial) entre o Estado e a sociedade. Mas se, de um lado, tem relevo a atuação estatal, é igualmente imprescindível a participação do cidadão, cabendo ao mesmo buscar informações e encaminhar demandas, com base nos instrumentos colocados à sua disposição. Esse é, senão o único, o melhor caminho para se obter um serviço público ágil, eficiente e efetivo.

Conte Sua História de São Paulo: quando escutei a primeira música dos Beatles

 

Por Reinaldo Carmo Milito

 

 

Quando nasci em maio de 1952, minha família morava no Bom Retiro, na rua José Paulino, 752. É de lá que tenho as minhas lembranças mais remotas –- uma espingardinha de rolha, presente de Natal; minha bisavó Angela; e os meus primeiros heróis, Maurício e o irmão dele de quem eu não lembro o nome — dois garotos judeus que eram nossos vizinhos.

 

Lá por 1955, mudamos para a Casa Verde, numa casa próxima à ponte sobre o Rio Tietê. Ainda não existia a Avenida Braz Leme e no local ficava o nosso campo de futebol e uma enorme área que era nosso cenário imaginário para as inúmeras batalhas com espadas de madeira, inspirados por Ivanhoé, ou de tiroteios com falsos rifles e revólveres a la Bat Masterson, Daniel Boone, ou pelo falso Zorro, que na verdade era o Cavaleiro Solitário e seu amigo Tonto!

 

Em 1962, fomos morar no centro – esquina da Avenida Rio Branco com Ipiranga. Morávamos no 12º andar do Edifício Agulhas Negras e a vista me fascinava porque até então eu só tinha visto a cidade no plano do chão!

 

Levei comigo as empolgações das brincadeiras de rua; e a lateral da banca do Adão, um ex-boxeador, era o nosso gol. É lógico que o jogo sempre terminava no 1 X 0. A primeira bolada na banca, o Adão, um negro sarado com mais de 1,80 de altura e um físico avantajado, botava medo em qualquer um, imediatamente apitava o final do jogo!

 

Meu parceiro de artes era o Edson, filho do Sr Francisco que era o zelador do prédio. Curtíamos também subir no terraço que ficava no 22º andar e de lá soltar aviõezinhos de papel para disputar qual o que chegava mais longe!

 

Fazia parte do meu mundo maravilhoso, a garagem de onde saíam as lotações para Santos – Expresso Zefir – que ficava na Avenida Ipiranga. Eu era maluco pelo Simca Chambord e era ali que eu me realizava, pois a frota era formada por Simcas e Aero Willys.

 

Um pouco mais adiante, quase na famosa esquina cantada pelo Caetano em Sampa, tinha uma loja de disco e foi onde escutei a primeira música dos Beatles. Posso dizer sem sombra de dúvidas que a minha vida mudou depois daquele dia! Todo dia eu passava lá e pedia para o rapaz: — “por favor, coloque aquela música”. A música era “I Wanna Hold Your Hand”!

 

As matinês de domingo do Cine Metro, com Festival de Tom e Jerry, o cachorro quente da Salada Record, o pudim de leite do Bar Cinelândia na esquina da São João com a Dom José de Barros, o mate gelado, o pão francês da Padaria Irradiação, os doces da Dulca e os pastéis com caldo de cana das pastelarias que ficavam em frente ao prédio onde eu morava são inesquecíveis. Sem falar da pizza brotinho da Casa Italiana, na Rua Antonio de Godoy, em frente ao Cine Boulevard.

 

Ainda não existia a Galeria do Rock porque ele, o rock, estava gatinhando! Ela era a Grande Galeria, ao lado do Cine Art Palácio. Conheci cada pedaço do centro de São Paulo e meu local preferido era a Galeria Prestes Maia por causa das escadas rolantes! O Anhangabaú era o palco para os desfiles de fanfarras e militares, nas datas comemorativas à Independência, Proclamação da República, e outros eventos cívicos. Era ali que se viam os “papa filas” e onde ficava o famoso “buraco do Ademar”.

 

Tudo me fascinava no centro. O som da sirene da Gazeta, que informava o meio-dia, o presépio do Largo Paiçandu, nos dezembros, as lojas Mesbla e Mappin e a quantidade de cinemas que existiam num raio de 200 metros da minha casa. Conheci quase todos os porteiros dos cinemas porque eu os perturbava para me deixarem entrar sem pagar o ingresso!

 

Minha família mantinha uma pequena indústria na Casa Verde e o colégio que eu estudava também ficava lá. Todo dia eu ia e voltava de bonde. Ficava eufórico quando eu vinha no bonde do “bailarino”, apelido do motorneiro mais simpático e conhecido de São Paulo. Eu vinha ao lado dele prestando atenção em tudo e perturbando-o para me deixar pisar no pino localizado no assoalho que era a buzina do bonde – “délém, délém, délém…”

 

Durante os dois anos que morei no centro tive a oportunidade de ver de perto o desfile do time campeão da Copa de 62, a passagem do presidente francês Charles De Gaulle e o movimento que levou à Revolução de 1964, dentre tantos outros eventos. Vi a São Silvestre com partida e chegada na Cásper Líbero, na virada do ano, e a construção do Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Izabel, desde o seu início até a inauguração.

 

Uma experiência ímpar vivida, dando uma ideia de certa inocência popular naquela época, eu vivi na Praça da Sé. A praça toda tomada de gente, assistindo ao jogo da seleção brasileira contra a Tchecoslováquia, pela Copa de 62, num telão enorme que simulava um campo de futebol. Ouvia-se a narração pelos alto falantes espalhados nos postes da praça e o telão mostrava a suposta localização da bola através de uma luz acesa. Aquilo era o máximo. Nunca vou esquecer o momento do gol do Brasil!

 

Enfim, eu trago vivas essas lembranças com uma felicidade imensa e ao mesmo tempo muita tristeza por ver no que se transformou o centro de São Paulo, a cidade que eu amo de paixão!

 

Apesar de ter morado só os primeiros três anos no Bom Retiro, foi lá que eu passei os melhores momentos da minha adolescência e foi durante um fórum entre amigos, ex-alunos do Colégio Alarico Silveira, que, embalado pelas lembranças que cada um trouxe, me inspirei a escrever esse poema:

AS NOSSAS “PENNY LANES”

As ruas do Bom Retiro são as nossas “Penny Lanes”,
Cada uma com seu cheiro cada uma com seu jeito
Infelizmente nada mais está como antes,
Lá nas bandas da Bandeirantes.

 

Por onde ando e para onde olho não canso de ver desgraça
Até o Luso Brasileiro foi demolido na Rua da Graça.
Muita saudade do Jardim da Luz, do bonde e da Salada Record.

 

Hoje vejo o olhar sofrido estampado em rosto latino
Dos muitos que trabalham na José Paulino.
Judeu virou coreano, grego virou chinês,
italiano virou boliviano só o pãozinho ainda é francês
apesar do português ter virado nordestino,
pois agora é do Evanilson a padaria que era do Jacinto, lá na Rua Silva Pinto.

 

Já não tem mais Cine Paris, nem a fábrica de canetas Sheaffer
Muito menos a da Ford e tampouco o Radar Tantã.
Nem a Casa Walter funciona mais ali, na Barra do Tibagi.

 

O Marechal ainda resiste ao tempo, assim como a Igreja Santo Eduardo.
A barbearia do Oswaldo ainda existe só que agora é o Belizário que faz barbas e cabelos de velhos e novos freqüentadores do bairro, ao lado do bar do “Pinga”.

 

A padaria ainda está lá na esquina só que a turma não vai mais lá
Ah, ainda é a mesma, a feira da Rua Jaraguá.
Ainda tem “Antonio Coruja”, “Javaés” e “Newton Prado”,
“Guarani”, “3 Rios” e “Mamoré”,
“General Flores”, “Anhaia e “Solon”
E também “Ribeiro de Lima”, “Prates” e “Julio Conceição”,

 

Mas se um dia a Rua dos Italianos virar Rua dos Coreanos
Juro que morro do coração!

Reinaldo Milito é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.