O Panamá, na Copa do Mundo, é uma metáfora da sua vida

 

alnojh9umyfqp1oxwjms

Gol de Baloy, do Panamá, em foto do site oficial da FIFA

 

A Copa já está em sua segunda metade, seleções já se despediram e outras estão com as malas prontas para voltar para casa. Teve gente perdendo pênalti, levando frango e dando de bico ou de três dedos para marcar gols. Teve gente que perdeu as estribeiras e outros a oportunidade de calar a boca. Teve gente que brilhou e me emocionou — eu choro muito fácil e o esporte tem esse predomínio no meu coração.

 

À medida que os dias se passavam e os jogos aconteciam, arriscava escrever algumas linhas porque gosto de futebol e adoro assistir à Copa. Procrastinar, porém, foi o exercício que mais pratiquei nessas duas semanas. Posso elencar alguns motivos para isso: estou em fase de finalização de um novo projeto que me impôs muita pressão e emoção — sim, não é só o esporte que me emociona —- assim como tive de dedicar algumas horas do dia para recuperar-me fisicamente de uma lesão que não estava no meu roteiro.

 

Nenhuma desculpa, porém, se sobrepõe ao fato de que bastava colocar a cabeça no lugar, ensaiar alguns pensamentos e soltar a palavra revelando meu sentimento por essa competição singular que é o mundial de futebol. Não sei se você — caro e raro leitor deste blog —- concorda comigo, mas a Copa não se compara a nenhuma outra disputa — desculpe-me se entre os poucos e bons que me leem existem aqueles que preferem a NBA, se entusiasmam com a velocidade da Fórmula 1 ou têm predileção pelos Jogos Olímpicos. Gosto de todos eles, mas a Copa é do Mundo.

 

Onde mais presenciaríamos a alegria contagiante de torcedores do Panamá? Uma alegria que se expressou no primeiro gol marcado pela sua seleção em um Mundial, mesmo diante da estrondosa goleada que levava da Inglaterra, na manhã de domingo. Comemoraram como se fosse o gol da vitória. Verdade seja dita, era o gol da vitória. Era a vitória de uma nação que já havia assistido ao grande feito de conquistar o direito de estar entre as maiores do mundo. A vitória de quem se dá o direito de ser feliz.

 

O gol marcado pelo zagueiro Felipe Baloy, 37 anos — de passagem claudicante pelo meu Grêmio de Porto Alegre, no início desse século –, foi a melhor metáfora que poderíamos ter assistido sobre a vida que vivenciamos. Somos useiro e vezeiro em reclamar das coisas que acontecem em nosso entorno: é o vizinho barulhento, é o ônibus que atrasou, é o chefe que reclamou, é a equipe que não produziu, é o cliente que não comprou e é o parceiro que partiu. É um 7 a 1 todo o dia.

 

Dedicamos tanto tempo em praguejar aqui e lamentar ali que nos esquecemos de comemorar nossas conquistas. Sim, elas acontecem a todo instante, mas somos incapazes de enxergá-las seja porque supervalorizamos os males seja porque almejamos o sucesso alheio. Queremos uma casa do tamanho da do primo rico da família; um carro mais novo do que o do amigo no clube; um crachá mais poderoso do que o colega da firma; um salário maior do que o “daquele incompetente que não faz nada na vida”.

 

Queremos o que é dos outros e desdenhamos nossas conquistas pessoais. Deixamos de saborear o prazer de acordar ao lado da mulher amada, de beijar os filhos que ainda dormem quando estamos saindo de casa, de cumprimentar o motorista do ônibus com um sorriso no rosto e de perguntar ao porteiro da empresa como andam as coisas. No trabalho, menosprezamos o poder do “bom dia”, do “por favor” e do “obrigado”. Não conjugamos os verbos agradecer e elogiar. Desperdiçamos a chance de comemorar o gol nosso de cada dia, porque estamos mais preocupados com o placar do adversário.

 

Se essa Copa nos deu alguma lição até aqui foi que, na vida, nem sempre podemos ser a Inglaterra; na maior parte das vezes nos é reservado o papel de Panamá — coadjuvante no cenário, mas protagonista de sua própria história.

Mundo Corporativo: empresas e funcionários devem investir em negociação cooperativa, diz juiz do trabalho

 

 

As empresas e os funcionários poderiam se beneficiar muito se em lugar de partirem para discussões na Justiça, muitas vezes em uma situação de confronto, investissem na negociação. De acordo com o juiz do trabalho Rogério Neiva as empresas brasileiras têm hoje depositados e parados em contas judiciais cerca de R$ 71 bilhões, dinheiro que poderia estar rendendo mais em outras aplicações ou sendo investindo em projetos e serviços. Um desperdício, segundo ele, que seria evitado se houvesse mais empenho na negociação de conflitos.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Neiva diz como as empresas e funcionários podem se organizar para chegarem a acordos que atendam o interesse das duas partes — o que chama de “negociação cooperativa”. Também sugere que os profissionais aproveitem a oportunidade que existe no mercado de se transformarem em negociadores.

 

Neiva, que é autor do livro ‘Técnicas e Estratégias de Negociação Trabalhista (LTr), diz que saber ouvir é uma das características mais importantes para quem pretende se aprofundar na função de negociador:

 

“A primeira característica de um bom negociador é saber ouvir; e saber ouvir exige uma técnica de negociação que nós chamamos de escuta ativa: a pessoa tem de saber ouvir e sinalizar que está ouvindo. E quando o faz, ela está oferecendo ao seu interlocutor algo que é muito valioso que é a atenção; e com isso ele pode contribuir com o diálogo e ao mesmo tempo obter informações relevantes para a condução do processo de negociação”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Até quando as festas barulhentas continuarão impunes?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

PANCADÃO

reprodução do Bom Dia São Paulo

 

É inexplicável que o poder público e a força da mídia não consigam parar bailes funks e pancadões, que atormentam sonoramente a vizinhança onde se estabelecem.

 

Dia 11 de junho, o Bom Dia São Paulo da TV Globo exibiu imagens através de drone, gravadas por um morador, que mostravam decibéis acima do permitido, bem como intensa movimentação de pessoas na área do Real Parque — zona de edifícios e casas de alto padrão. O detalhe: não foi possível exibir as músicas devido ao baixo calão das letras.

 

Essa situação de desconforto é comum na região do Morumbi, onde Paraisópolis semanalmente ancora bailes cujo som se estende por um enorme espaço geográfico devido a altura exorbitante das músicas.

 

Moradores já fizeram denúncias aos órgãos policiais e judiciais competentes, mas salvo algumas medidas paliativas e temporárias, até hoje nada se resolveu. E o barulho continua.

 

Danos sociais, psicológicos, de saúde de bebês e crianças, desvalorização de imóveis e insegurança, tem passado despercebido pelas autoridades competentes.

 

Por que não reprimir esta agressão à região?

 

O Capitão Fabio Fonseca, responsável pelo policiamento do Morumbi, segundo a Globo, disse que os moradores estão exagerando e já deveriam estar satisfeitos por viverem em casas confortáveis.

 

A verdade é que este ponto de desrespeito ao silêncio não se restringe ao Morumbi. Toda a cidade precisa receber atenção do poder público na alçada que é dele.

 

A Cidade e o Estado têm órgãos competentes suficientes para agir.

 

Ministério Público, Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Segurança, por que não proteger os que agem na lei?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: pessoas e empresas estão com fórmulas antigas para situações novas, diz Roberto Shinyashiki

 

 

“As pessoas estão com fórmulas antigas para situações novas e, infelizmente, a gente vê isso não só no empresário e no profissional, mas vê na administração, também”.

 

O alerta é do psiquiatra e empresário Roberto Shinyashiki que tem se dedicado a entender quais as novas demandas das empresas e dos negócios. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, ele diz que a velocidade com que as mudanças ocorrem exige nova postura profissional tais como saber ler o interlocutor, entender o ser humano e perceber qual será a próxima necessidade do seu cliente.

 

Shinyashiki, autor do livro “Pare de dar murro em ponta de faca e seja você maior” (Editora Gente), convida as pessoas a reavaliarem seus conceitos e identificarem se não estão insistindo em soluções que não se adaptam às novas necessidades do mercado. Ao mesmo tempo, chama atenção das empresas para que mudem seus procedimentos e renovem seus líderes para que não percam seus principais valores:

 

“Os bons profissionais querem mais responsabilidade, eles querem trabalhar para um chefe que eles admiram; as pessoas não se despedem da empresa, se despedem do chefe, pedem demissão do chefe, demitem o chefe, as pessoas querem trabalhar em um lugar que elas aprendam”

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves

O futuro dos shoppings não deve ser visto sob ameaça, pois soluções são visíveis

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

elephant-1191266_960_720.jpg

 

O fechamento de grande número de Shopping Centers nos Estados Unidos ao mesmo tempo em que existe aqui uma taxa de ocupação abaixo do padrão, têm precipitado previsões pessimistas quanto ao futuro de nossos empreendimentos.

 

A realidade é que o futuro não deve ser visto sob ameaça, pois as soluções estão visíveis.

 

A inevitável adaptação ao mundo eletrônico e a absorção do omnichannel não é mais desconhecida. Separar os dois canais não é mais cabível. De outro lado, a ordem é ofertar produtos e serviços mais aderentes ao mundo físico que preencham as novas necessidades do consumo.

 

Isso foi constatado tanto no Congresso da ALSHOP, há uma semana em São Paulo, quanto na RECon The Global Retail Real Estate Convention da ICSC International Council of Shopping Centers, em Las Vegas, de 20 a 23 de maio.

 

No caso americano, os empreendimentos foram instalados em áreas suburbanas. Hoje, para atender aos “millennials” precisam se deslocar para áreas urbanas. Esse passado dá uma vantagem aos Shopping Centers brasileiros, que desde a origem procuraram centros de população adensada.

 

De acordo com Luiz Marinho, em artigo de Mercado & Consumo, que cobriu o evento de Las Vegas, 90 Shopping Centers investiram U$ 8 bilhões em revitalização, trocando produtos por experiência. Foram instaladas áreas de descanso, paisagismo, música agradável, com o intuito da maior permanência do consumidor sem a preocupação exclusiva do comercial. E até os nomes começaram a mudar. De “Shopping” ou “Mall”, para “Town Center” ou “Village”.

 

No Brasil, onde temos a incontestável aprovação do formato Shopping Center pela população e a vantagem da localização urbana desde a origem, não será difícil enfrentar as novas necessidades da demanda. Implantar o omnichannel, mudar o mix de lojas, focar no lifestyle e enfim passar de “produtos” para “experiência”.

 

Talvez nem pense em outro nome. Embora a Eliana Tranchesi, visionária, pensasse no conceito e na marca. Era a Vila Daslu.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: a Copa vai começar, ainda bem!

 

Sport 0x0 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

40806598015_0e1cfbffff_z.jpg

Geromel, o Mito, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Trabalhei com esporte em alguns momentos da minha carreira profissional, especialmente no início, na primeira parte dos anos de 1980 quando fui repórter de campo —- como chamamos essa turma que fica atrás do gol e correndo atrás de jogador ao fim da partida. Na época estava na rádio Guaíba, em Porto Alegre.

 

Já em 1990, fui produtor de programa de esportes da rádio Gaúcha, durante a Copa da Itália. De Porto Alegre, marcava e gravava entrevistas, redigia textos e preparava o roteiro que o âncora apresentava aos ouvintes. Fiquei apenas no mês do Mundial e cheguei a fazer alguns jogos do Campeonato Gaúcho até receber convite para trabalhar com uma produtora de vídeo que me fez viajar por boa parte das cidades do Rio Grande do Sul — e aí o assunto não era mais futebol.

 

Em São Paulo, no início dos anos 2000, graças a Juca Kfouri e a RedeTV! tive a oportunidade de narrar jogos de futebol — da Champions League, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil — além de algumas partidas de tênis. Foi uma experiência e tanto: imagine que transmiti a final da Copa do Brasil de 2001, entre Corinthians e Grêmio, na qual fomos campeões, sob o comando de Tite.

 

Quando pensei que a cobertura esportiva se resumiria a bate-papos nos programas de rádio e TV que apresentei em diferentes emissoras aqui na capital paulista, o Portal Terra me ofereceu uma chance única: cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Diretamente da Cidade do Cabo apresentei programa que movimentava repórteres pelo país e trocava opinião com comentaristas e internautas. Foi emocionante.

 

O clima que envolve uma Copa do Mundo é contagiante. Turistas de todas as partes se encontram, se fantasiam e se divertem. Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter vivenciado parte dessa sensação durante o Mundial aqui no Brasil — mesmo que a maioria de nós prefira deixar para lá o que aconteceu naquela competição e continue a pagar a conta dos gastos mal feitos.

 

A Copa vai começar novamente, nessa quinta-feira, e independentemente do mau humor de alguns brasileiros — há quem diga que não são apenas alguns —, estou bastante entusiasmado com o que veremos nos gramados. A história dessa competição nos dá certeza de que atos heróicos estão para acontecer a qualquer momento. São jogadores, muitos dos quais jamais ouvimos falar, que superam dores e decepções, que se tornam heróis e algozes, que alegram e frustram, que estão a beira de cair no ostracismo da mesma maneira que podem se transformar em ícones de uma nação.

 

Cada Mundial é um capítulo à parte do futebol. Cada seleção tem seu próprio desafio. Cada jogador, uma expectativa diferente. Para uns estar em campo é a vitória; para outros só a vitória interessa. Há os que se satisfarão se tiverem a chance de perfilar ao lado de seus colegas na foto antes do jogo. Há os que só terão a alegria confirmada quando registrarem um selfie agarrado na taça de campeão.

 

Gosto de Copa e desta vez no papel de admirador do futebol me programarei para assistir aos principais jogos na TV. Vou parar para ver o Brasil de Tite. E, evidentemente, vou dedicar uma torcida especial para Geromel, que sonho ver saindo do banco de reservas para decidir um jogo complicado da nossa seleção. Sim, porque mesmo que eu goste de Copa e torça para o Brasil, a camisa que visto continuará sendo a mesma: a do Grêmio.

 

Aliás, o Grêmio é um dos motivos pelos quais não via hora desta Copa na Rússia começar. Estávamos precisando urgentemente de uma longa parada para colocar as coisas no lugar, respirar fundo, recuperar condicionamento físico, curar lesões e dores e voltar a jogar o futebol mais bonito do Brasil que, sem dúvida, não foi esse que mostramos na noite desta quarta-feira.

 

A Copa vai começar, ainda bem.

Deixem-me em paz, pombas!

 

O artigo a seguir foi escrito em 2012, ano em que tive o privilégio de ocupar a coluna da última página da revista Época São Paulo — hoje extinta. Lembrei dele quando li, semana passada, que a cidade aprovou lei que proíbe as pessoas de alimentarem e confinarem pombos e obriga os moradores a usarem redes de proteção e outros obstáculos em suas casas para impedirem que as aves se alojem no local. A boa notícia é que os pombos sumiram lá de casa depois deste artigo — será que eles leram?

 

statue-185435_960_720

 

Escrevo este texto com um olho na tela e outro no telhado, de onde partem ameaças à minha integridade física e moral. Os ataques não são recentes, ocorrem desde que cheguei a São Paulo, em 1991, e fui trabalhar na antiga sede da TV Globo, na Praça Marechal Deodoro, de frente para o Minhocão. No alto daqueles prédios antigos viviam centenas de pombos, que pareciam ter me escolhido como alvo preferencial para suas necessidades. Não foram poucas as vezes em que tiveram sucesso, manchando meu terno e me impedindo de trabalhar. Cheguei a fazer uma “pindura” na lavanderia mais próxima – que, desconfio, era financiada pelo estrago que os pombos causavam aos indefesos pedestres.

 

Ao trocar de emprego, imaginei que estaria livre das famigeradas aves, mas logo percebi que minha vida não seria fácil na cidade. Os pombos me seguiram até em casa e lá se estabeleceram. Vizinhos afirmam que eles chegaram antes de mim, atraídos por um morador antigo, que, acredite, alimentava os bichinhos e cuidava deles como se fossem de estimação. Atitudes desse tipo só contribuem para infestar São Paulo e emporcalhar fachadas e calçadas.

 

Os estudiosos culpam os navegantes europeus, que trouxeram a espécie ao Brasil no século XVI, para servi-la no almoço. O prato não deve ter agradado os nativos, o que ajudou as aves a se multiplicar com extrema rapidez. O imaginário popular também não colaborou em nada a conter sua proliferação: tem gente que insiste em enxergar o símbolo da paz onde deveria ver um rato com asas. O que sei é que os pombos me deixaram paranóico – e nada me tira da cabeça que sua presença está ligada a uma conspiração dos columbiformes para me atazanar.

 

Assim que aterrissaram em casa, os pombos ocuparam o parapeito das janelas e começaram a confabular num idioma que eu desconheço. Às vezes se atreviam a olhar para dentro do quarto, com aquele jeito de gente intrometida, como se estivessem em busca de um lugar mais confortável para morar. Descobri uma cola que causaria desconforto ao bando e o expulsaria sem provocar males aos pombos. Esse ponto é importante, e faço questão de divulgá-lo, porque a espécie é protegida pelo Ibama. Sim, meu senhor: embora eu não POSSA prejudicar a saúde deles, os pombos são livres para me transmitir piolhos e até 70 tipos de doenças, como a complexa criptococose, que atinge o sistema nervoso. Isso mesmo, minha senhora: esses animais com cara de santo (ao menos do Espírito Santo) são um risco à saúde pública. E praticamente imbatíveis, conforme minha experiência.

 

A tal cola só foi capaz de transferir os pombos por poucos metros, da janela para o telhado. Lá no alto, construíram casa, constituíram família, invadiram o forro e passaram a fazer um barulho insuportável farfalhando suas asas para lá e para cá. Não respeitam sequer a hora da novela. O pátio, de tão sujo, precisa ser limpado diariamente. Apelei para outros expedientes. Recomendaram-me um apito que os espantaria, uma pílula anticoncepcional capaz de impedir sua reprodução, um revólver de pressão para abater os mais inconvenientes, e até a estátua de uma coruja, considerada seu predador natural. Fiasco atrás de fiasco. Logo a estátua da coruja se transformou num heliponto de pombos. Na última investida, cerquei a casa com uma rede de proteção. Desconfio que, mais uma vez, não vá dar em nada. É o que parece me dizer o olhar tranquilo e vitorioso do pombo que, pousado no telhado, me observa neste instante, enquanto termino de escrever.

Avalanche Tricolor: um futebol que vai deixar saudades

 

Grêmio 1×0 América-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

&nbsp

 

 

Eram 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. Havia uma lateral a nosso favor — daqueles lances que na maior parte das vezes é marcado pela burocracia de um arremesso com a mão para alguém que esteja mais próximo e sem marcação. Cortez arremessou a bola para Thaciano, que havia escapado por trás dos zagueiros ao lado da grande área. Nosso atacante dominou e devolveu a bola para Cortez, que passou para Cícero, que recuou para Luan, que viu Cortez correndo entre os zagueiros em direção ao gol. Nosso lateral voltou a receber a bola pelo alto e de cabeça procurou Jael. O marcador foi mais rápido e fez o corte, mas Arthur recuperou em seguida, passou para Everton e nosso atacante chutou para a defesa parcial do goleiro adversário (veja o lance acima).

 

Como disse, tudo aconteceu aos 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. O lance talvez apareça no resumo do jogo que as emissoras de televisão costumam mostrar nos programas esportivos — caso contrário corre o risco de ficar esquecido diante do gol que marcamos aos 32 do primeiro tempo, que por sinal foi uma pintura: Cícero, que estava no campo de defesa, foi capaz de ver a disparada de Everton e com um lançamento preciso o colocou dentro da área em condições de empurrar a bola para dentro do gol.

 

O gol foi realmente belíssimo, mas preferi destacar o lance descrito no primeiro parágrafo desta Avalanche — e destacado no vídeo que ilustra este post — porque vejo nele muito do que é o Grêmio dos tempos atuais — do que é o Grêmio de Renato: jogadores que impõem uma dinâmica muito veloz de troca de posições, que passam a bola com confiança e têm coragem de arriscar jogadas de efeito, sem medo de errar.

 

Nem sempre tudo isso se realiza em gol, mas confesso minha felicidade em ver meu time jogando dessa maneira, valorizando a posse de bola e a tratando com o talento que somente os grandes times do futebol mundial são capazes de fazer. Houve outros tantos momentos interessantes na partida, como o drible de Everton na lateral de campo, aos 33 do segundo tempo, quando girou no ar, trocou a bola de um pé para o outro e deixou seu marcador caído no gramado.

 

Mais importante ainda é saber que esses não são lances raros de serem vistos nas partidas jogadas pelo Grêmio, mesmo quando o resultado não é o que desejamos. Digo tudo isso para registrar aqui, caro e raro leitor desta Avalanche, que independentemente da posição que estejamos até a parada do Campeonato Brasileiro — que acontecerá no meio dessa semana que se inicia —, terei de encontrar algo para conter minha ansiedade em ver novamente o Grêmio em campo. A competição nem parou para a Copa do Mundo e eu, confesso, já estou com saudades.

Mundo Corporativo: líderes medíocres geram resultados medíocres

 

 

“Se a gente tem líderes que chegam só até um patamar de desenvolvimento humano, a gente não pode esperar que essa empresa vá além disso, porque essa capacidade está diretamente relacionada a capacidade de mudança e desenvolvimento das pessoas que estão liderando”. A necessidade de as empresas investirem no potencial de seus líderes e de terem consciência da influência que eles exercem sobre os colaboradores é defendida por Renata Abreu, coach executiva e consultora organizacional. Ela foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Abreu defende a aplicação de técnicas da psicologia positiva na formação dos profissionais para que se tenha ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos: “nós fomos socializados para acreditar que se a gente se esforçar muito a gente vai ter sucesso, e finalmente quando a gente tiver sucesso a gente vai ser feliz, e não tem nada errado de a gente querer mais, o errado esta em a gente apostar na nossa felicidade depois desse sucesso”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Gustavo Boldrini, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: a clausura de universitárias, no Ipiranga

 

Por Martha Catalunha
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Finalzinho da colorida e extravagante década de 1970, vivia eu num pensionato de freiras para moças universitárias, no belo bairro do Ipiranga, com seus suntuosos e remanescentes palacetes e mansões, inúmeros conventos e colégios religiosos, pertinho do Museu do Ipiranga – referência cívica nacional – com seus pomposos jardins inspirados no modelo francês de Versalhes.

 

Chamávamos carinhosamente de pensionato da “Irmã Stella”, a freira cuidadora daquele espaço, que trazia seus aposentos luzindo em limpeza e organização, e se dirigia a nós com austeridade, determinação e retidão.

 

Numa tarde de sábado, chegaram duas mocinhas interioranas, com suas malas e caras assustadas, indecisas, subindo vagarosamente as brilhantes e reluzentes escadas de mármore branco (orgulho de Ir. Stella), que conduziam à nossa “clausura de universitárias”, mirando cada santo, cada vitral, cada degrau… Era a Irene e a sua amiga Neli.

 

Olhei seus semblantes ainda inocentes, me aproximei e perguntei de onde vinham, onde viviam. Ali conversamos sobre nossos planos, nossos sonhos e seguimos eu e Irene até hoje, compartilhando nossas dores, realizações, frustrações, objetivos e sonhos.

 

Nos anos de 1990, tivemos a expansão das faculdades. A Universidade São Marcos anexou-se ao “pensionato da Ir. Stella”. As dependências de nossa clausura onde nos confidenciamos, selamos amizades, rimos, choramos, dividimos abraços, alegrias, entusiasmos, fizemos refeições com o ebulidor* e um rabo quente*, onde vivemos o alvorecer de nossas juventudes, tornaram-se salas de aula, bibliotecas e laboratórios.

 

A alvura e resplandecência da primorosa escada de mármore foi substituída pela amarelidez de tocos de cigarros impiedosamente nela jogados por displicentes jovens universitários.

 

Os santos de Irmã Stella que fincavam seus olhares altivos e severos nos amedrontando quando cometíamos alguma travessura, foram retirados deixando o vazio e a nostalgia preencherem seus lugares.

 

Me contaram que Irmã Stella e Irmã Dolores faleceram há muito tempo.

 

E nossa alvinitente juventude segue hoje em nossos corações, ora por escadas, ora por senderos, mas sempre aquecida pelas saudades de outrora.

 

*rabo quente = cabo de base elétrica, que, ligado na eletricidade coloca-se numa vasilha para aquecimento de água, leite, etc.
*ebulidor = espécie de cafeteira/leiteira elétrica com a mesma finalidade do anterior.

 

Martha Catalunha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.