Avalanche Tricolor: uma vitória com o talento de Everton, o “imparável”

 

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Brasileiro – Arena Castelão/Fortaleza CE


 

 

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Everton em mais uma escapada, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas — e endereçado a Thonny Anderson, o menino que em um minuto e meio fez aquilo que vínhamos tendo dificuldade para fazer durante esta e as duas últimas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

 

Aos 35 minutos do segundo tempo, de cabeça, Thonny fez o único e necessário gol nesta vitória sobre mais um adversário que enfrentamos que estava na zona de rebaixamento — os dois times anteriores, para os quais desperdiçamos quatro pontos dos seis disputados, também estiveram ou estão por lá.

 

Peço desculpas a Thonny Anderson porque o lógico seria escrever esta Avalanche sobre ele, que aos 20 anos, emprestado ao Grêmio, tem sido colocado à prova desde o Campeonato Gaúcho. Cotado para sair jogando na partida deste domingo, havia quem o desafiasse a mostrar seu talento, pois estaria devendo o futebol que prometeu nas suas primeiras aparições.

 

Lamento, Thonny, mas meu coração pede para escrever sobre outro jogador — aquele que protagonizou a jogada que permitiu que você fizesse o gol. 

 

Foi Everton quem, no fim do ano passado, me proporcionou a lembrança mais emocionante do futebol nos últimos tempos. Eu estava ali, ao lado dele, em Al Ain, quando nosso atacante entrou na área, cortou para a direita e marcou o gol, já na prorrogação, que nos colocou na final do Mundial de Clubes.

 

Aquele gol parece ter feito nosso atacante desencantar. Parece ter provado a ele próprio o quanto era capaz de fazer com a camisa do Grêmio.

 

Até ali, Everton ameaçava dribles, arriscava alguns chutes e até decidia partidas, mas sempre deixava a ideia de que mais desperdiçava oportunidades do que as aproveitava. Era o jogador que entrava no segundo tempo quando o time não encontrava solução.

 

Hoje, com apenas 22 anos, Everton está muito mais maduro e preciso, sem perder o desejo de ser moleque, que lhe faz acreditar em todas as jogadas, mesmo com a marcação dobrada. Quando recebe a bola, não se satisfaz com o passe para o lado ou o lance burocrático. Quer mais. Olha para frente. Arrisca o drible e consegue passar pelos marcadores.

 

É duramente marcado, empurrado, acossado, mas resiste a todos os algozes. Ele não desiste. Não para nunca. Hoje, sofreu dois pênaltis. No primeiro, o pé foi puxado pela mão do zagueiro, mas o árbitro titubeou e voltou atrás. No segundo, foi derrubado em cima da linha, e o árbitro marcou fora.

 

Quando muitos já temiam mais dois pontos perdidos, a bola foi espantada da nossa área, em uma cobrança de escanteio, e encontrou Everton na nossa intermediária. Ele tocou a bola para a frente, cruzou o meio de campo, atropelou sem dó o marcador e seguiu conduzindo-a em velocidade impressionante.  Ao entrar na área, havia outro zagueiro para pressioná-lo. Everton não se incomodou. Tocou a bola pelo alto e na cabeça de Thonny. Deu de presente ao outro menino do nosso ataque o gol da vitória.

 

Everton comemorou o gol de Thonny apontado o dedo para o céu, enquanto todos nós, inclusive o autor do gol, apontávamos o dedo para ele — o “imparável” Everton.

Conte Sua História de São Paulo: o leão de bronze amigo da família

 

Por Isabel Rubio Vazquez Conde

 

 

Faço parte de uma família de imigrantes espanhóis e tenho muitas histórias para contar mas esta que conto agora acho especialmente interessante:

 

Viemos da Espanha, meu pai, minha mãe e eu, em julho de 1949 — eu com um ano e meio de idade. Inicialmente, ficamos em Rio Claro, interior de São Paulo, onde meu pai tinha uns primos. Alguns meses depois viemos para São Paulo, onde meu pai foi trabalhar na Cia. de Gás, na Rua do Gasômetro, no Brás. Fomo morar próximo da fábrica.

 

Lembro-me do meu pai me levar para brincar no Parque Dom Pedro II, onde tinha uma estátua de bronze de um leão —- era a reprodução de uma obra do artista francês Prospér Lecourtier, especialista em construir estátuas com imagens de animal. Como bom imigrante, tudo que meu pai registrava em foto, ele enviava para a família na Espanha. Era para acompanharem meu crescimento. Isso deve ter sido no início dos anos de 1950.

 

Com as mudanças no Parque Dom Pedro II, a estátua do leão foi transferida para o Parque do Ibirapuera, nos anos de 1960. E havia perdido o contato com ela. Eis qual foi minha surpresa, muitos anos depois, passeando com meu marido e meus filhos, dou de cara com o leão —- e foi aquela festa, contei a história da estátua para meus filhos, lembrei da minha infância …

 

Os anos se passaram e o leão continuou a me acompanhar. Em 2011, visitei a família na Espanha. Minha prima Isa pegou uma foto toda amassadinha na qual aparecia eu, com mais ou menos cinco anos, montada no leão de bronze. Isa me contou que quando recebeu a foto, tinha uns quatro anos e levava a imagem na escola para mostrar para as amiguinhas e contar que tinha um prima que morava no Brasil e montava em uma leão. Era a sensação das meninas. Achei aquilo incrível.

 

Dois anos depois, essa mesma prima esteve no Brasil. E eu não tive dúvida: levei-a ao Parque do Ibirapuera, sem dizer nada, e a apresentei, ao vivo, ao leão mais famoso da nossa infância. Tudo, como aprendi com meu pai, registrado em foto.

 


Isabel Rubio Vazquez Conde é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: André Oliveira alerta que orgulho do empreendedor quebra a empresa

 

 

“Sabe o que quebra as empresas hoje, os pequenos negócios, é uma palavra chamada orgulho; às vezes as pessoa insistem no erro e não pedem ajuda: não tem nada de errado você parar de vender um produto ou mudar de ramo, não tem problema nenhum, faz parte do jogo” — a lição é de André Oliveira, empreendedor desde os tempos em que era um menino de calça curta e atualmente no comando da Credifácil, uma rede com mais de 100 lojas no Brasil. Ele começou vendendo sacolé com o irmão para comprar um presente para mãe, foi para a faculdade, montou seu negócio próprio, teve dificuldades financeiras, quebrou e recomeçou.

 

Entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Oliveira conta o que aprendeu ao longo de sua carreira: “não adianta você ser só querer ser um empreendedor, é necessário você ser ser um gestor”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11h da manhã, pelo site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 11h da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Gustavo Boldrini, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves.

Qual o papel do jornalismo em meio aos boatos da era digital? 

 

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Se me permite, volto ao tempo para começar esta história. Novembro de 1889. Quem dava as cartas era a Monarquia — ao menos é o que acreditava. Dom Pedro II porém era bombardeado por muitas frentes.

 

Os fazendeiros não estavam contentes com o fato de terem de liberar seus escravos sem receber um só tostão. Os progressistas reclamavam que o processo foi muito demorado. Na Igreja, havia descontentamento — as decisões do papa só podiam ser adotadas se autorizadas pelo Rei. No campo militar, a popularidade da monarquia era ainda menor.

 

Apesar da pressão dos republicanos, porém, o alagoano marechal Deodoro da Fonseca, que comandava o Exército, não demonstrava disposição para sair de casa e encarar um golpe de Estado. Mantinha alguma simpatia com a monarquia — o que provavelmente lhe garantia regalias e convites para as festas mais importantes; e sofria de falta de ar —- o que lhe mantinha muitas vezes na cama, como naqueles dias que antecederam a Proclamação da República.

 

A incomodar Deodoro, porém, havia a possibilidade de um desafeto, dos tempos em que serviu no Rio Grande do Sul, Gaspar Silveira Martins, assumir o o cargo de presidente do Conselho de Ministros do Império. Silveira Martins era advogado e político, costumava chamar Deodoro de “Sargentão” e o atacava em discursos na tribuna — rusgas que teriam se iniciado quando Silveira Martins ganhou o coração da Baronesa do Triunfo, que dizem ter sido uma viúva muito bonita e paixão não correspondida de Deodoro — bem, mas isso não tem nada a ver com a nossa conversa.

 

Ao perceber que o Marechal relutava em sair para a luta, o major Sólon — meu conterrâneo, nascido em Porto Alegre, Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro — usou de sua rede de amigos e comparsas e espalhou boatos pelo Rio de Janeiro, de que a Guarda Nacional iria atacar unidades do exército e havia ordem de prisão contra Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant — um republicano de primeira hora. O boato correu solto por ruas, bares e clubes do Rio até chegar aos ouvidos do Marechal que, então, achou atrevimento de mais. “Viva a República!” —- teria dito após convocar os soldados a derrubar a Monarquia e voltar para casa.

 

Perdão se me estendi nesta introdução que versa sobre o passado diante de pergunta tão objetiva e atual. Quis mostrar, porém, que se hoje estamos em busca de soluções para conter a influência do que se denominou ‘fake news’ — e sou contra o termo por motivos que explico logo à frente —, é importante perceber que esse fenômeno não é recente e foi usado em diversos momentos da história, no Brasil e no Mundo. Espalhar boatos, mentir, distorcer fatos e rever versões para mobilizar pessoas contra ou a favor de um causa são artifícios antigos que até hoje fazem parte da nossa sociedade. A grande diferença é que, atualmente, temos ferramentas que permitem o crescimento exponencial dessas informações fraudulentas, aumentando seus efeitos.

 

Quando questiono o uso da expressão ‘fake news’ para informações fraudulentas, o faço para mostrar que ‘fake news’ é falso até no nome, porque seu produto pode ser tudo menos notícia (ou ‘news’). Notícia é resultado de trabalho jornalístico que tem como base a busca constante da verdade possível — e ao dizer ‘possível’ o faço porque nem sempre a verdade absoluta se revela em um primeiro momento. Há casos que começam a ser contados por um caminho e acabam se revelando diferente à medida que a apuração avança.

 

Exemplo: em 11 de setembro de 2001, um avião se choca em um prédio, o mais emblemático de Nova Iorque; às câmeras transmitem a cena para o mundo e as emissoras de rádio levam à informação aos ouvintes. Assim como fiz de um estúdio em São Paulo, milhares de jornalistas pelo mundo noticiavam um acidente aéreo com dimensão ainda impossível de se identificar, mas relevante por todas as circunstâncias que tínhamos até aquele momento. Éramos todos produtores de ‘fake news’ dada a verdade que se revelou em seguida? Não! Estávamos apenas relatando a verdade possível até então, porque aquela era uma história que se construía ao vivo. Em nenhum instante, até percebermos a verdade que se escondia naquela imagem, após a soma dos acontecimentos que se sucederam ao primeiro avião que se espatifou no prédio, publicou-se algo com a intenção de ludibriar o público.

 

Buscava-se a verdade.

 

Eis aí o papel do jornalista em um ambiente no qual os fatos e versões se sucedem e são construídos pelas mais diversas fontes; em um momento, em que as pessoas recebem, por dia, um volume de informação cinco vezes maior do que há 30 anos; e em um cenário no qual essas mensagens são transmitidas em altíssima velocidade e nós temos cada vez menos tempo para gerenciar esse conhecimento — ou para refletir sobre esse conhecimento.

 

Buscar a verdade exige apuração, construção de uma rede confiável de fontes, curiosidade para descobrir os fatos que compõem a história, desconfiança para não ser vítima de versões fraudulentas, observação atenta ao ocorrido e humildade para não ser refém do erro.

 

Nessa busca, leve-se em consideração, também, o que aprendi com Zuenir Ventura, jornalista e escritor de mão cheia: “jornalismo é apuração, investigação, é usar o saber do outro (…) no jornalismo você estuda. Quando você faz uma matéria tem uma hierarquia do saber, você se informa sobre a matéria, procura ouvir quem sabe mais do que você” — disse-me ele em uma entrevista na rádio CBN.

 

O jornalismo feito com liberdade é o melhor antídoto para as informações falsas produzidas propositalmente com o objetivo de atacar pessoas ou instituições. Isso não significa que não cometemos erros. O jornalismo e os jornalistas erram, sim, mas têm a responsabilidade de assumir seus erros e pagam por eles. Identificada a falha, corrigem, pedem desculpas e conforme o prejuízo que tenham cometido podem ser acionados na Justiça.

 

É preciso que se entenda, também, que a produção de informações fraudulentas é uma covardia contra o cidadão — mesmo que essas surjam para confirmar sua visão de mundo, um dos motivos para essas mensagens ganharem dimensão muito rapidamente.

 

Na parte final do filme “The Post”, de Steven Spielberg, a atriz Meryl Streep, no papel de Kay Graham, a proprietária do ‘The Washington Post’, conversa com Tom Hanks, que faz as vezes do editor-chefe Ben Brandlee. No diálogo, Kay reproduz frase do marido dela, Philip Grahan, que comandava o jornal até a sua morte: “Notícias são os primeiros rascunhos da história”.

 

Os produtores de informações fraudulentas têm como objetivo escrever histórias falsas; os jornalistas têm como missão rascunhar a história até onde for possível em busca de sua versão final — a verdade. Isso faz uma baita diferença na vida do cidadão e da democracia.

 

Em resposta a Beatriz Lima, estudante de jornalismo, que realiza monografia sobre o tema “fake news”.

Avalanche Tricolor: tá difícil, chama o Luan

 

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Libertadores – Arena Grêmio

 

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Luan comemora único gol da partida em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dias estranhos vivemos nesta semana.

 

A paralisação do setor de transportes de carga mexeu no cotidiano dos brasileiros. Os caminhões deixaram de entregar as mercadorias, interromperam o tráfego nas estradas e prejudicaram o trânsito nas cidades.

 

O alimento deixou de chegar aos armazéns e o pouco que chegou teve preços majorados. O combustível ficou escasso e as filas de motoristas nos postos são enormes — imagem que só perde em escândalo para o preço cobrado na bomba.

 

Sem abastecerem, os ônibus diminuem o número de viagens e os passageiros ficam mais tempo no ponto. O serviço de lixo é suspenso, a rota da polícia é reduzida e as ambulâncias correm o risco de não sair dos hospitais. Os aviões voam com restrições e os correios desistem de prestar o serviço.

 

O governo não tem de onde tirar dinheiro porque gasta muito e gasta mal. Quando poderia melhorar o gasto, chafurdou na lama da corrupção. A Petrobras também foi destroçada por corruptos e gente de má-fé, e na reconstrução impôs regras de preço que pressionam o bolso de quem já está com dificuldade — o dólar sobe, o preço do barril sobe e a conta chega na bomba de combustível.

 

O cidadão está cansado de pagar a conta dos desmandos e mesmo sentido no seu dia as dificuldades impostas pela crise no abastecimento sinaliza apoio a reclamação dos caminhoneiros. Esses reclamam com razão porque ficam sem manobra para negociar preço, os custos aumentam e o frete não compensa. Por trás deles, escondidos na boleia, estão empresários, donos de enorme frotas de caminhão, que, sem direito à greve, empurram os motoristas para a frente das manifestações.

 

No cenário político, aproveitadores reagem, populistas gritam e extremistas ocupam espaço com discursos baseados em ideias mentirosas e fraudulentas. Há os que sequer sabem fazer conta, os que têm medo de por a cabeça para fora e os sem-noção, que agem como se nada estivesse ocorrendo a sua volta. Poucos buscam o equilíbrio da fala e o meio-termo nas ações.

 

E o que tudo isso tem a ver com o tema central dessa coluna, autodenominada Avalanche Tricolor?

 

Foi esse caos que me tomou o tempo nessas últimas 48 horas, me impediu de escrever a Avalanche logo após o jogo como costumo fazer desde 2008, e de agradecer a Luan por seu talento e precisão nos chutes.

 

Quando todos os caminhos estavam fechados e a bola teimava em desviar nos buracos do gramado mal-cuidado — Renato tem razão em reclamar —, nosso camisa 7 chamou a responsabilidade para si, usou de sua autoridade com a bola no pé e encontrou uma solução para resolver de vez nossos problemas em campo. Assim, o Grêmio encerra a primeira fase líder invicto de seu grupo e com a segunda melhor campanha da Libertadores.

 

Luan para presidente!

Zoologicamente falando

 

 

Quando um garoto de 12 anos pensa o que pensa — e você lê a seguir o que ele está pensando — é sinal que temos esperança na mudança. Valeu por compartilhar com a gente!

 

 

Por Matheus Nucci Mascarenhas
Colégio Notre Dame de Campinas, 7º ano

 

 

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Era o último dia de aula, uma sexta-feira enobrecedora, ensolarada e quente. Todos afobados, cansados e atordoados pelas longos conteúdos do ano, o costume do fim das aulas. Nesse dia, particularmente especial a mim, houve uma tarefa, criada pelos professores, com intuito de desviar seus alunos do prosaico: um debate. O incrível e controverso debate. O tema escolhido pelo docente foi este: “É correto existir zoológicos, ou não?”. Assim nós pudemos escolher o lado que achávamos correto. De repente, uma classe unida por fortes laços de amizade e interesses, dividiu-se em duas partes: os contrários e os favoráveis. Na realidade não eram somente os contrários e os a favores, mas sim extremamente opositores, ou extremamente defensores do tema.

 

 

Naquele momento, refleti um pouco sobre isso, mas agora, desenvolvo melhor meu raciocínio e vos digo, por quê? Por quê, sempre que um assunto envolve alguma decisão ou opinião, a divisão é feita através de pólos? Isso me incomoda. Por que sempre há de ter uma tão grande divisão? E vejo que isso não acontece somente na escola. Porque as opiniões políticas também são sempre assim. É um absurdo a maneira como é comum que qualquer um, que ouve um comentário de outro, rotule essa pessoa em algum dos pólos opinativos, somente por ouvir um comentário fraco, cujo autor nem havia ainda adicionado sua correta nem completa opinião. Ou seja: é uma conclusão precipitada e injusta sobre o discurso feito pelo locutor

 

 

Parece que sempre há a vontade insaciável do ser humano de enquadrar alguém em algum posicionamento, mesmo sem haver indícios de polarização, tanto na fala, quanto no comportamento da pessoa, que acaba sendo vítima de um processo invisível de aprisionamento a algum polo opinativo — mesmo que quem tenha projetado tal preconceito não tivesse essa intenção.

 

 

Ou você é de esquerda, ou, de direita! Ou você é “petralha”, ou é “coxinha”! Ou é fanático, ou é ateu! Ou é um carnívoro sem redenção, ou é um vegano que protege até os insetos peçonhentos. Parem com isso, não há a mínima necessidade de exercer esse antagonismo.

 

 

Fracamente, as ideias extremistas defendidas por pessoas que se dizem pertencentes aos pólos opinativos são igualmente incoerentes, e pressupõem a imediata suposição de que aquele que pensa diferente está errado. Além de não terem bases sólidas de argumentação, esses radicais em geral não têm a capacidade reflexiva necessária para construir fundamentos pertinentes que confirmem suas ideologias.

 

 

Tomemos como exemplo os atuais gurus políticos dos extremos. Ambos os líderes têm seus graves problemas, mas ambos são considerados “santos” por seus seguidores mais fiéis, que se deixam levar pela ingenuidade, formando uma imagem deturpada do ex-presidente Lula, ou do senador Bolsonaro. Os próceres dos extremos. Do outro lado, muitos os veem como demônios, como ameaças terríveis, consideram-os endiabrados. Mas algo não está certo. Por que os classificamos como santos ou demônios?

 

 

O fato é que esses personagens brasileiros não são nem capetas, nem anjos, são apenas pessoas, políticos que, apesar de divergentes, carregam consigo simbologias e anseios das pessoas comuns. O que os conecta é que representam o radicalismo, são extremos.

 

 

Já dizia Gregório Duvivier, escritor e humorista, em suas crônicas do Estadão, o mundo da razão não é preto nem branco, mas sim cinza, pois cinza é o meio termo e o meio termo é a razão. Um exemplo prático é que no cérebro humano, a razão cerebral se concentra em um local chamado de massa cinzenta, que é da cor cinza, mostrando que até o local onde fica o bom senso no nosso cérebro detém a cor cinza.

 

 

Não é preto nem branco, a razão das pessoas não é preta e branca, retomando, mas sim cinza, com tons diferentes de cinza, quanto maior a mudança da coloração cinza original, mais desvirtuada e próxima a leviandade essa pessoa estará. Lula e Bolsonaro estão presentes na escala de cinza mas não no cinza original, estando classificados em escalas mais claras ou escuras de cinza (à modê de cada um).

 

 

Na realidade, não existem extremos pólos opinativos políticos, dados por um representante, mas dados pelos seguidores dos representantes, que, geralmente, transformam esse dogmas em supostos pensamentos, esquerdistas ou direitistas. Seus líderes somente, em sua maioria, denominam-se nesses polos políticos para criar uma marca, legado e característica para ser seguida, se não seu propósito político não é frisado e comentado pelo povo.

 

 

Percebemos que nenhum polo fabulados pelos seguidores é corretos. Pense, onde é melhor viver? No polo Sul, ou, polo Norte? Ainda por cima no pólo Sul e Norte idealizados pelos pelos seguidores dos próceres. Definitivamente em nenhum desses lugares! Onde devemos viver mesmo é na linha do Equador, na “cinzenta” linha do equador, onde as ideias boas e coerentes que estavam presentes em cada polo fabulado, são trazidas a vigor.

 

 

Leitor não sei se você percebeu, mas, as ideias favoráveis dos polos em conjunto podem ser a chave para salvar nosso querido país. A união faz a força, a extrema divisão faz a inanição brasileira.

 

 

Termino o texto relembrando a fatídica cena de gritos desesperados, desesperados por atenção e querendo, exaltados, mostrar o sentido e afirmar a veracidade de sua opinião. Enfim uma sala de aula antes unida, acaba ardendo no calor da briga por uma simples opinião zoologicamente certa ou errada, dependendo de seus insensatos pontos de vista extremistas. Até mesmo zoológicos podem causar polarização, acredite.

 

 

“Num mundo quase sempre governado pela corrupção e arrogância pode ser difícil se manter firme nos princípios literários e filosóficos.” Olivia Caliban

Fundo árabe deverá dinamizar a SPFW de Paulo Borges

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As transformações de tecnologia, de comunicação e de comportamento pressionam mudanças nos desfiles de moda dos grandes centros lançadores de tendências. Enquanto isso, a SPFW recebe o capital árabe de Abu Dhabi, através da compra de 50,5% das ações da Luminosidade, braço da INBRANDS, pelo IMM participações, de propriedade do fundo de investimentos Mubadala Development Company.

 

 

Em tese esta capitalização deverá contribuir para que Paulo Borges, a estrela criativa do Morumbi Fashion, que acompanhou as mudanças para chegar até aqui com a SPFW45, desenvolva um modelo que responda aos desejos de consumo atuais — de acionistas, patrocinadores e consumidores.

 

 

A nova acionista possui 25% do Rock World S.A., dona da “Rock in Rio”, organiza o “Rio Open Tennis”, o “Cirque du Soleil” no Brasil e eventos de UFC.

 

 

Tudo indica que a espetacularização da Moda será levada em consideração. Cogita-se de expansão geográfica e de calendário, de venda de ingressos para atividades paralelas, e da convergência com espetáculos de música, esporte, arte e gastronomia.

 

 

São hipóteses relevantes.

 

 

O desfile de moda tem uma função importante dentro do setor. É um canal de comunicação e glamourização das marcas e produtos. Entretanto o ritmo padronizado que vinha sendo exercido passou a ser contestado em várias facetas.

 

 

Desde a dicotomia entre apresentar conceitos ou práticas — ou seja, roupas de passarela ou moda usável. Até as questões de hoje, entre o ver e o ver e comprar.

 

 

A distância entre o consumidor e o espetáculo, criando uma elitização em nome da profissionalização ainda é um ponto a ser resolvido.

 

 

Por essas arestas, acreditamos que sócios familiarizados com o espetáculo possam equacionar as questões que possibilitem maior relação e participação do consumidor com a moda.

 

 

Vamos aguardar.

 

 

Até a próxima SPFW.

 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: é o preço da fama

 

 

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Brasileiro – Vila Capanema/Curitiba-PR

 

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Luan sofre na marcação em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

‘O Grêmio é o time a ser batido neste ano’ — ouvi de um dos jogadores do time adversário de hoje, na transmissão pela TV. A frase se repete jogo após jogo. Tem sido assim ao fim de todas as partidas do Grêmio independentemente da competição que e sstejamos disputando. É quase um mantra dos adversários. É como se jogassem uma competição à parte — tem o campeonato que estão disputando e tem o jogo contra o Grêmio.

 

O adversário abre mão de jogar bola e se satisfaz se conseguir impedir que o Grêmio jogue, mesmo que a bola esteja sob nosso domínio na maior parte do tempo — como aliás voltou a ocorrer hoje. É tão surreal o comportamento dos rivais que quando conseguem tomar a bola mal sabem o que fazer com ela — já havíamos assistido a algo semelhante quando disputamos o clássico na Arena, há uma semana.

 

Eles não tem culpa. Não adianta reclamar.

 

É o preço da fama e do futebol bem jogado que nos levou ao título do Gaúcho, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Recopa Sul-Americana e do vice do Mundial. Da mesma maneira que Renato soube preparar a equipe para levantar todos esses troféus, terá de organizá-la para driblar essa situação que se repetirá rodada após rodada. Terá de encontrar no elenco — e fica a torcida que todos se recuperem em breve — soluções para mudar o cenário da partida sempre que deparar com essas circunstâncias.

 

O importante é ter paciência e saber que os pontos desperdiçados contra dois adversário da parte de baixo da tabela — ficamos apenas com dois pontos dos seis disputados contra equipes da Zona de Rebaixamento, nas duas últimas rodadas — por enquanto podem ser recuperados ao longo da competição. Especialmente quando estivermos diante dos adversários diretos — aqueles que entram no campeonato para vencer. 

 

E como temos um time mais propício aos grandes jogos que venha logo a quarta-feira quando teremos Libertadores.

Conte Sua História de São Paulo: as amoras das Perdizes viravam potes de geleia

 

Por Michael Roubicek
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Michael Roubicek:

 

 

Eu passei minha infância toda no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. O nome do bairro vem da existência de uma granja que vendia perdizes e galinhas no Largo Padre Péricles, no início do século 20. Os costuma dizer: “vou lá nas perdizes….”. Era um bairro bem diferente do que é hoje — não era periferia, mas era muito tranquilo.

 

Nós vivíamos ali na rua Ministro Godoy – pertinho do que viria ser a PUC de São Paulo. Lembro quando o prédio novo da universidade foi construído. Lá no fim da da década de 1960. Os tratores abriram um buraco no muro que dava para a rua e, meu irmão e eu, entrávamos para colher quilos de amoras das árvores que lá existiam. Amoras que minha mãe transformava em vidros e mais vidros de geléia.

 

Nós vivíamos na rua. O programa era voltar da escola, almoçar, fazer a lição de casa e correr para a rua encontrar os amigos da vizinhança. Jogávamos taco e futebol a tarde inteira. Os gols eram os portões das casas opostas, de cada lado da rua. De vez em quando tínhamos que interromper o jogo porque passava um carro — fato raro na época.

 

Às vezes, a bola descia a ladeira da Rua Caiubi e tínhamos que buscá-la lá embaixo, no mato em volta do córrego. Nem o córrego nem o mato existem mais, pois se transformaram no que é hoje a Avenida Sumaré.

 

De vez em quando, meu irmão e eu, mais a turminha da rua, dávamos voltas por locais mais distantes, sempre a pé. Um dia, decidimos por uma grande aventura: ir até o Canal 4, antiga Rede Tupi, lá na antena, no Sumaré, que dava para ver de casa.

 

Conseguimos chegar até lá, mas nos perdemos na volta e ficamos rodando pelas ruas. Fomos perguntando para as pessoas e já no início da noite chegamos de volta. E lá estavam todos os pais na calçada, mortos de preocupação com os meninos que desapareceram. Nessa noite fomos pra cama sem jantar, de castigo. Pelo menos escapamos das palmadas.

 

Michael Roubicek é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: é preciso mensurar o propósito, diz Gustavo Succi

 

 

“Se tem uma coisa que eu aprendi com a minha empresa é que a gente precisa arrumar um jeito de mensurar propósito; ele continua como algo emocional, inspiracional, mas eu preciso medir: o que eu não meço eu não aprimoro”.

 

A opinião é do consultor Gustavo Succi, entrevistado do jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Ele tem se dedicado a mostrar a executivos e os demais profissionais que é possível encarar o trabalho de uma maneira mais criativa que vai gerar felicidade e impactar na produtividade.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Gustavo Boldrini, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.