Avalanche Tricolor: o empate no Gre-Nal

 

 

Grêmio 0x0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Luan supera a marcação, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Não foi o massacre que alguns dos nossos anunciaram ao fim da partida. Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra.

 

 

No Gre-nal da tarde de sábado, que marcou o início da rodada do Campeonato Brasileiro, dominamos toda a partida e a bola rodou entre os pés gremistas por quase 70% do jogo. Chutamos mais a gol, cobramos muito mais escanteio, roubamos mais a bola e, provavelmente na única estatística que perdemos para o adversário, erramos menos passes.

 

 

Se quiser incluir aí nos seus números, também tivemos muito mais pênaltis não-marcados — fala-se em dois, mas podem ter sido três os lances em que o árbitro não enxergou a irregularidade. Nem ele nem o amigo dele que fica assistindo à partida na linha de fundo. Se pudesse voltar ao tempo, certamente teria me preparado para atuar nessa função — já imaginou, assistir a todos os jogos pertinho do gol, não pagar ingresso, não fazer nada e ainda ganhar uma grana para isso?

 

 

Apesar da supremacia gremista, o gol não saiu. Encontramos um adversário com 11 jogadores na marcação. Às vezes 12, como no primeiro tempo, quando Maicon enfiou a bola entre os marcadores e encontrou Cortez dentro da área e de frente para o gol — o árbitro fez o que os marcadores não tinham conseguido. Às vezes 13, como na tentativa de cruzamento de Madson, no segundo tempo, em que a bola foi parar no escanteio depois de desviar no braço do marcador — neste lance nem o juiz nem seu amigo viram nada.

 

 

Saímos de campo com sabor de derrota, como disse Luan logo após o jogo — pouco depois de ter sido agredido por um adversário que estava no banco de reservas e entrou em campo apenas para causar confusão, e não foi punido nem teve seu nome registrado na súmula pelo árbitro.

 

 

Saímos de campo descontentes, como disse Maicon ao analisar o sentimento do único time disposto e em condições de jogar bola. Descontentes porque também era o único time em campo capaz de fazer aquilo que o técnico do adversário havia desejado em entrevista antes do jogo: um futebol bonito.

 

 

O Grêmio jogou o futebol bonito que o caracteriza porque só sabemos jogar assim. Mas o futebol nem sempre privilegia os melhores — é dos poucos esportes que permite que os medíocres perseverem. E sorriam ao fim da partida, mesmo depois de terem sido completamente dominados e massacrados taticamente.

 

 
Ops, perdão! Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra. Hoje, os caras tinham mesmo que comemorar! Empataram com o melhor time do Brasil.

Mundo Corporativo: Luciano Meira diz como ser produtivo na era da sabedoria

 

 

 

 

 

 

A necessidade de as empresas estarem sempre em busca de resultados imediatos não pode ser justificativa para que se atropele o bem-estar das pessoas. O alerta é do consultor Luciano Alves Meira —- entrevistado do jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Meira é um dos fundadores da Caminhos, empresa que trabalha com desenvolvimento humano, e escreveu o livro “A segunda simplicidade — bem-estar e produtividade na Era da Sabedoria” no qual defende que a preocupação das organizações seja ajudar seus profissional a se desenvolverem de forma plena:

 

 

“Se as organizações tivessem um olhar mais diferenciado — vamos partir para um desenvolvimento mais integral das pessoas sem nos preocupar agora com o resultado de curto prazo — os resultados de longo prazo seriam infimamente maiores do que são hoje; eu digo que isso é um limitador do próprio capitalismo, do sistema que estamos vivendo; é não saber olhar para o ser humano com toda sua potencialidade”

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Gustavo Boldrini, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: o passeio com papai nas lojas do centro

 


Por José Antonio Braz Sola
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN José Antonio Braz Sola:

 

 

Início dos ano de 1960. Morávamos em Pinheiros, perto do Largo. Eu tinha uns sete anos idade e minha irmã, quatro. Nos domingos, em que meu pai — que era comerciário — tinha folga, passeávamos com ele, de ônibus ou de bonde, enquanto a mamãe, em casa, cuidava do almoço mais caprichado da semana.

 

Frequentávamos o Parque da Água Branca, onde podíamos ver e até tocar alguns dos bichinhos que nos encantavam — especialmente bois, vacas e cavalos.

 

Eu ficava particularmente feliz quando passava em frente ao Palestra Itália, sede do clube pelo qual já era e ainda sou apaixonado

 

Fazíamos passeios também no Centro, onde ficávamos maravilhados com as vitrines das lojas mais conceituadas da cidade, nas Ruas Barão de Itapetininga, 24 de Maio, na rua do Arouche e na Praça da República.

 

Na Praça do Patriarca admirávamos a vitrine da Kopenhagen, que estava sempre ornamentada maravilhosamente, sobretudo em datas especiais como Páscoa e Natal. Aliás, em dezembro era obrigatório ver e falar com o Papai Noel, no Mappin. Tinha também o presépio mecanizado, na Galeria Prestes Maia.

 

O dinheiro do papai era pouco, mas ele dava um jeitinho de nos oferecer um lanche — sempre acompanhado do insubstituível Guaraná Caçula Antárctica. Sou capaz de sentir o sabor enquanto escrevo essas lembranças da minha querida São Paulo.

 

José Antonio Braz Sola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: a alegria de Thaciano é a alegria da gente

 

 

Grêmio 3×1 Goiás
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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A emoção de Thaciano registrada na lente de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Na história do futebol, a partida desta noite na Arena ficará apenas para as estatísticas. Se conseguirmos chegar ao Hexa da Copa do Brasil, poderá ter algum destaque e os gols de Alisson e Thaciano aparecerão no DVD do título — aliás, ainda produzem este material ou nos contentamos com o que está publicado no You Tube? Pergunto porque sou do tempo em que o legal era ter no arquivo o disco com os gols, produzidos pela Rádio Guaíba (mantenho vários deles aqui em casa).

 

O Grêmio já havia garantido a classificação às quartas-de-final no primeiro jogo quando venceu por 2 a 0 na casa do adversário. Nesta noite, teria apenas de confirmar a passagem e por isso Renato preferiu investir no time alternativo. O próprio adversário não via muitas chances de recuperação e também entrou em campo com seus reservas.

 

O público de pouco mais de 12,5 mil pessoas sinalizava a importância desta partida em meio a tantos outros jogos decisivos que estão na nossa agenda.

 

Mesmo com a pouca relevância da partida, ver Cícero, na posição de segundo volante, meter bola dentro da área no pé de Alisson, como no primeiro e terceiro gols do jogo, é alvissareiro. A temporada congestionada de jogos exigirá muito do elenco, e jogadores que estão no banco terão de ser usados com maior frequência se pretendemos nos manter vivos em todas as competições que disputamos.

 

Cícero já tem seu lugar na história com o gol que nos encaminhou o título da Libertadores, em 2017. Alisson é o 12º titular a ponto de já ser um dos goleadores do time, mesmo entrando sempre no segundo tempo. Com a possibilidade de sair jogando e demonstrando tremenda agilidade em campo — como hoje — fez dois gols e deu assistência para outro.

 

E é sobre o outro gol que quero falar com você, caro e raro leitor desta Avalanche — o gol de Thaciano, marcado aos 30 minutos do segundo tempo, quando a classificação já estava confirmada. A jogada foi bonita, sim, com a bola sendo conduzida por Alisson até a entrada da área e sendo passada por trás dos zagueiros. Foi tanta precisão que havia não um, mas dois jogadores em condições de chutar.

 

Quem chutou foi Thaciano — um garoto de 22 anos, prestes a completar 23, no próximo sábado. Com nome estranho, Thaciano Mickael da Silva, nasceu em Campina Grande, na Paraíba, estado muito bem representado por seu sotaque, como foi possível ouvir na entrevista pós-jogo. Começou no Porto de Pernambuco, foi parar no Boa Esporte, em Minas, time ao qual pertence até hoje —- ele está emprestado ao Grêmio.

 

Thaciano chegou a jogar no início da temporada no time de jovens que representou o Grêmio em boa parte da fase de classificação do Campeonato Gaúcho. Fez pouco, como fez pouco quase todo aquele time. Desde lá, ficou treinando entre os reservas e nunca mais havia tido oportunidade entre os titulares.

 

Hoje saiu no banco e foi chamado por Renato para substituir Lima, aos 26 do segundo tempo, quando a partida ainda estava empatada. Em quatro minutos apareceu dentro da área, recebeu a bola de Alisson, fez um giro sobre a própria perna e marcou seu primeiro gol com a camisa do Grêmio.

 

O desequilíbrio provocado pelo chute a gol o deixou de joelhos para comemorar. Os olhos se fecharam e a expressão no rosto, registrada pelas câmeras da televisão, revelava sua emoção. Ensaiou um choro pela alegria do gol. E foi retribuído pelo abraço dos colegas que perceberam o que representava aquele momento para o jovem atacante.

 

Mesmo que a partida de hoje, frente a tantas apresentações magistrais registradas pelo time de Renato neste ano, fique apenas nas estatísticas e, tomara, no roteiro do Hexa da Copa do Brasil, ver a emoção de Thaciano deu uma relevância especial para o jogo desta noite, na Arena.

 

A alegria dele é a alegria dos garotos da pelada que um dia sonharam jogar em um time grande — é a alegria que eu sonhei ter um dia na minha vida.

Igreja em shopping

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Igreja Batista da Lagoinha, no shopping (foto: divulgação)

 

Em Betim – MG, o Shopping Monte Carmo, em atitude inovadora, abriga a Igreja Batista da Lagoinha, desde agosto de 2017.

 

O Estadão de domingo, em artigo que destaca mudança de foco do Shopping, traz o relato da inédita abertura de área para cultos religiosos.

 

Segundo Maria Chiara, autora da reportagem, a intenção do Monte Carmo visa a ocupação de espaços vazios — tema familiar ao Shopping, pois na abertura tinha apenas 12 lojas em área de 34 mil m2. Quando foi vendido pela Saphyr para a Sodepar a vacância era de 52%, em 2016. Hoje é de 15%.

 

A igreja passou a fazer parte do grupo de serviços que são oferecidos, como os Correios, a Receita Federal e a Faculdade Pitágoras. A esse respeito o testemunho do gerente Cesar Miranda ressalta:

 

“A igreja é um ‘case’ de sucesso, que se converteu em aumento de receita para inúmeras operações do shopping”

 

Acreditamos que mais do que um caso, esta pode ser uma questão de várias vertentes, diferentemente de mudança de foco ou de esquizofrenia dos shoppings, como citado por Márcia Sola do IBOPE.

 

Se há um consenso que mesmo as modernas empresas afeitas às novas tecnologias e propensas ao omni-channel e ao unified commerce também sofrem as consequências das mudanças e desejos do novo consumidor, não há unanimidade quanto ao caminho a seguir.

 

Uma das dificuldades ao prever o futuro é a impossibilidade de visualizar as quebras de paradigmas que virão, pois como sabemos a incerteza é a única certeza.

 

Ainda assim, neste caso de Betim, se creditarmos o depoimento de Miranda ao afirmar que houve benefícios a outras unidades, podemos inferir que esta cadeia positiva pode ser um condutor ao estilo de vida. E a experiência de compra dentro de um centro comercial homogêneo leva a um Lifestyle, que pode ser o caminho futuro.

 

Eliana Tranchesi foi quem melhor traduziu esta possibilidade com a Daslu. A volta ao futuro de Eliana pode ser a via de diferenciação.

 

O rígido lifestyle reflete bem a segmentação comportamental de hoje, com tribos hermeticamente alinhadas.

 

Que venham os shoppings por LIfestyle!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Falando com as máquinas

 

Amazon-Alexa

 

Dia desses testei pela primeira vez o uso do sistema de voz para pedir orientação ao aplicativo de trânsito — parece incrível que o recurso esteja disponível há tanto tempo e eu continue a dedilhar os endereços onde pretendo chegar. É cultural. Mesmo a TV conectada que recebe comando de voz segue sendo acionada em casa pelo controle remoto. Sempre fiz assim. Nunca me senti confortável falando com uma máquina — ainda que tenha dedicado a vida a falar com um microfone.

 

Ao telefone, quando procuro o call center de algumas empresas, a máquina que me atende tenta disfarçar sua falta de humanidade. Se esforça para revelar intimidade que não existe entre nós. Faz perguntas com reticências, mas não me engana. É máquina como qualquer outra e minhas respostas saem em tom de constrangimento. Acho estranho.

 

Por outro lado, minha sobrinha americana mais nova já faz lição de casa com auxílio de uma assistente digital, para a qual faz perguntas ao deparar com uma dúvida ou pede música para acompanhá-la enquanto realiza os trabalhos escolares. Lá no país em que mora quase um quinto das casas têm assistentes de voz — logo ocuparão o cômodo das nossas casas aqui no Brasil, em grande escala, também, porém antes a maioria delas terá de falar em português.

 

As novas gerações estão aderindo muito rapidamente a esses equipamentos, talvez até em maior velocidade do que aderiram aos smartphones. Nós, migrantes digitais, também vamos nos acostumar com essa realidade. E o que para mim ainda é constrangimento ganhará ares de naturalidade.

 

Relatório da National Public Media, contou o Globo dia desses, mostra que a maior parte dos americanos usa os assistentes para ouvir música (60%), responder a uma pergunta (30%), contar uma piada (18%) —- convenhamos, que coisa mais sem graça —, falar sobre o clima (28%), ligar o rádio (13%) — esta eu gostei —, dar notícias (13%) e programar o alarme (13%).

 

Como em todos os avanços tecnológicos que impactam nossos hábitos é preciso cuidado — corremos o risco de criarmos filhos que falam mais com as máquinas do que com os pais. Ou com os amigos.

 

Aliás, já estamos fazendo isso — e o inimigo nas são as máquinas — como se percebe em reportagem da edição dominical de O Globo, na qual traduz texto da pesquisadora Rachel Simmons, publicado originalmente no Washington Post.

 

Segundo ela, estudo de uma empresa de saúde identificou que a turma mais velha do que minha sobrinha, jovens de 18 a 22 anos, forma a geração mais solitária de americanos.

 

Jovens solitários, que triste!

 

Apesar do uso constante de equipamentos eletrônicos — como celulares e assistentes digitais — , estes estão longe de serem os responsáveis pela solidão. O grande mal constatado é o excesso de tarefas na fase entre o fim do ensino médio e o período na universidade.

 

Com agenda repleta, eles e elas têm pouco tempo para o convívio — mesmo que estejam realizando trabalhos em grupo. Não conversam sobre a vida, têm de falar de compromissos.

 

Pesquisa de Calouros da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) de 2015, que inclui respostas de 150 mil estudantes em tempo integral de mais de 200 faculdades e universidades, mostrou que o número de alunos de primeiro ano que passavam 16 ou mais horas por semana com os amigos caiu pela metade em dez anos —- são apenas 18%.

 

Mesmo se a oportunidade de relaxar surge, ficam constrangidos, pois temem serem vistos como pessoas desocupadas, sem objetivo na vida. Sofrem pressão em casa, na escola, dos gestores e dos grupos sociais em que sobrevivem.

 

Se realmente decidirmos entregarmos nossos filhos mais novos à companhia de assistentes digitais, acreditando que preencheremos a lacuna de nossa ausência, é provável que os próximos estudos revelem crianças solitárias — menininhos e menininhas que deixarão de conversar amenidades, sequer saberão como olhar no olho do outro e incapazes de exercitar a generosidade.

 

Simmons escreve que “a capacidade de fazer amigos atrofia se não for usada”.

 

Precisamos de amigos para confidenciar nossas angústias e nossos filhos precisam de pais mais próximos e dispostos a conversar com eles sempre que forem “acessados” — com a mesma agilidade que as máquinas o fazem, mas com o amor que só os seres humanos são capazes de oferecer.

Avalanche Tricolor: vitória para quem ama o esporte, como Marcelo Barreto

 

Grêmio 5×1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Alegria, alegria em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dos cronistas que os jornais brasileiros reservam para as edições dominicais, gosto muito de ler Marcelo Barreto — que a maioria dos caros e raros leitores deste blog conhece da SporTV. Logo cedo quando abri o caderno de esportes de O Globo, li a coluna na qual ele se penitenciava por ter desperdiçado oportunidades de escrever sobre as coisas lindas do esporte, como a cesta de três pontos de LeBron James no segundo final da partida que garantiu uma das vitórias do Cleveland Cavaliers sobre o Indiana Pacers, na NBA.

 

Barreto escreveu que lamentava ter perdido a capacidade de se encantar com as coisas belas do esporte — provavelmente porque sua visão anda embaçada por cenas de torcedores brigando na arquibancada, jogadores se engalfinhando em campo e cartolas roubando nos bastidores. Mesmo para jornalistas com a qualidade dele, é difícil impedir que a visão seja contaminada por esses fatos, tantas são as mazelas esportivas que temos de noticiar —- sem contar o cotidiano nas redações, onde há muita competição e tarefas frequentes a serem cumpridas.

 

Ao mesmo tempo que faz uma espécie de mea-culpa, Barreto deixa registrado que ama o esporte e só precisa ser lembrado disso de vez em quando.

 

Lembrei muito dele na noite deste domingo enquanto assistia ao Grêmio jogar na Arena, em Porto Alegre. E torci para que Barreto tenha tido oportunidade de ver o futebol jogado pelo time de Renato. Seu coração deve ter batido mais forte e o sorriso tomado conta de seu rosto ao longo dos 90 e pouco minutos em que a bola rolou de pé em pé com uma qualidade bem superior à média.

 

Desde os primeiros minutos, o Grêmio sufocou o adversário que não encontrava espaço para sair jogando ou trocar um passe que fosse. Assim que a bola era recuperada, passeava pelo gramado de um lado para o outro, às vezes era esticada por trás dos marcadores para chegar ao pé de um companheiro mais próximo da linha de fundo ou enfiada na área.

 

Quando a marcação se fechava, Maicon e Arthur conduziam a bola colada no pé, de cabeça erguida e com o olhar vislumbrando o colega mais bem colocado. Se chegasse a Luan, a jogada fluía com dois ou três dribles curtos. E o mesmo se repetia com Everton — especialmente depois que nosso goleador marcou o primeiro gol.

 

Os laterais Cortez e Léo Moura apareciam livres a todo o instante e se transformavam em ponto de apoio para a jogada seguir em frente — às vezes em trocas rápidas e precisas de passes, às vezes em escapadas para o cruzamento.

 

André e Ramiro se deslocavam mais adiante e se apresentavam para dar sequência no lance e quando possível chegar ao gol — e o Grêmio colocou a bola cinco vezes dentro do gol e a fez chegar próximo dele em incontáveis oportunidades.

 

O Grêmio fez gol de toque, fez gol de falta, fez gol a longa e média distância e fez gol na cara do gol. Usou todo seu repertório. O Grêmio foi um show na noite deste domingo — para a alegria de quem ama o esporte.

 

E se você, Marcelo Barreto — que ama o esporte — gostou do jogo de hoje, imagine o sentimento de quem ama o Grêmio como eu!?

 

Em tempo: pelo que o Grêmio faz no futebol e LeBron faz no basquete, será um prazer ler as próximas crônicas dominicais.

Conte Sua História de São Paulo: a volta do Pitu depois de nadar no rio Tietê

 

Por Osnir Geraldo Santa Rosa
Ouvinte da rádio CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Osnir Geraldo Santa Rosa:

 

 

 

Da Vila Romana minha família foi para o Tremembé. Isto mais ou menos no ano em que nasci: 1943 — entrada de 44. Na chácara, ficamos até 1953 — este foi o ano em que meus pais, a duras penas e com auxílio de Nossa Senhora Aparecida, segundo minha mãe, compraram um imóvel em Vila Jaguara. Era o fim da linha. Nem os motoristas de táxi do centro de São Paulo conheciam.

 

Eu tive um cachorro, o Pitu — era uma mistura de vira-lata com bassê, mais conhecido por salsicha. Vira-lata que era ficou pouco mais alto do que os salsichas e mais curto, também. Tinha a mesma com dois tons marrons mais fortes no entorno dos olhos. Era doido para pegar ratos, preás e outros animais comuns de se encontrar nas capoeiras.

 

Naquele tempo, não havia a Eng. Caetano Álvares nem a marginal do tio Tietê. Cortava-se pela Cachoeirinha, Largo do Japonês e Moinho Velho para chegar em Vila Jaguara. A primeira aventura do Pitu foi quando a caminho de lá ele caiu ou pulou do caminhão de mudança e eu, que o adorava, pulei atrás. Sem saber disso meu pai, muito lépido, já tinha pulado e retornado ao caminhão. Fiquei eu perdido — até que minha mãe ,sempre atenta percebeu, e o motorista retornou para me apanhar.

 

Era comum na época a molecada pescar e nadar nas perigosas lagoas de onde hoje está o CEAGESP. Atravessávamos o rio Tietê por uma ponte feita com tambores. Era muito mais limpo que hoje, mas, judiado sobretudo com resíduos orgânicos lançados pelo enorme frigorífico Armour. Assim, seguia o nosso Anhembi para o sertão.

 

Pitu sempre ia com a gente. Enquanto nós pescávamos e nadávamos, ele corria atrás de preás, fanaticamente!

 

Uma vez, começou escurecer e nós decidimos voltar para casa. E Pitu não apareceu. Chamamos à exaustão e nada. Chorosos, tivemos que deixa-lo por lá. Os dias seguintes foram tristes. Meus pais e minha avó, Lúcia Freddi Santa Rosa, não nos perdoavam. Pitu era por demais querido de toda a família e dos vizinhos, também.

 

Pois bem, inacreditavelmente, três dias depois do desaparecimento, Pitu retornou. Estava todo ensebado e mal cheiroso — horrível! O fato é que ele atravessou o rio a nado — o cheiro e a gordura impregnados nele eram prova cabal disso — e nos reencontrou-o em casa.
 

 

Osnir Geraldo Santa Rosa e seu cachorrinho Pitu são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: como estar preparado para transformar sua carreira

 

 

“Transformações estão sempre muito ligadas a sonhos, desejos e vontades; ligadas a algo que está sempre lá no futuro, mas que eu começo a fazer agora”. Com essa afirmação, a consultora Cláudia Klein chama atenção para a necessidade de se investir no desenvolvimento da autopercepção — que considera ser o melhor caminho para nos preparamos às mudanças que podem ocorrer na nossa carreira. Klein é especialista em transformação profissional e foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Clubes são responsáveis por 88% do dinheiro que move o futebol no Brasil

 

 

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Arena Grêmio em imagem de  Richard Dücker

 

 

Na ponta do lápis, o tamanho do mercado de futebol no Brasil é de R$ 6,25 bilhões, incluindo as receitas dos clubes – responsáveis por 88% desse valor -, das 27 federações estaduais e da CBF. O número está na pesquisa recém-divulgada pela Sports Value com base nos dados de 2017, seguindo um histórico que se iniciou em 2003.

 

 

O foco do trabalho coordenado por Amir Somoggi, especialista em gestão esportiva, são os 20 clubes de maior faturamento no Brasil que juntos geraram R$ 5,05 bilhões no ano passado, receita 4% maior do que em 2016. A marca é importante porque pela primeira vez superou os 5 bi.

 

 

O Flamengo está no topo desta lista, como já era de se esperar, teve receita de R$ 648 milhões — tem considerável vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras (R$ 503 milhões). Na sequência, mais dois times da capital paulista: São Paulo (R$ 408 milhões) e Corinthians (R$391 milhões).

 

 

Para furar o eixo dos clubes mais ricos de RJ-SP temos o Cruzeiro (R$ 344,3 milhões) e o meu Grêmio (R$ 341,3 milhões).

 

 

Clubes

Receita total dos clubes — tabela e fonte Sports Value

 

A televisão ainda é quem mais ajuda a engordar os cofres dos clubes, com receita de R$ 2,02 bilhões, em 2017 —- o número é 18% menor do que no ano anterior, queda que estaria relacionada ao pagamento de luvas pela TV Globo e Esporte Interativo, em 2016, o que não não se repetiu ano passado.

 

 

Neste aspecto, Somoggi chama atenção para a divisão desta renda: a diferença entre o clube que mais recebe e o que menos recebe — falamos aqui de Flamengo e Chapecoense, respectivamente — é de 5,3 vezes, uma das maiores do esporte mundial. Incrível,o país das desigualdades sociais não poupa sequer o futebol.

 

 

A transferência de jogadores foi a fonte de receita que mais cresceu de um ano para outro: 40% — é a segunda mais importante para os clubes.

 

 

Uma curiosidade: o São Paulo — oitavo clube que mais recebeu dinheiro da TV — é o único que teve a negociação de atletas como principal fonte de arrecadação (39%), em 2017.

 

 

O patrocínio e a publicidade — que percebemos especialmente quando expostos na camisa dos clubes e, confesso, me incomodam pela interferência visual — por incrível que pareça ainda são pouco explorados diante do potencial dos clubes, suas marcas e o impacto no torcedor. Mesmo assim houve crescimento de 27% em relação a 2016 com o Palmeiras despontando no ranking — o clube paulista faturou R$ 131 milhões contra R$ 53 milhões obtidos pelo Grêmio, quinto colocado neste item, que teve forte exposição ano passado, sendo campeão da Libertadores e vice-campeão do Mundo.

 

 

As receitas com sócios cresceram 17% e a bilheteria 9%.

 

 

Receitas

arte e fonte Sports Value

 

 

A Sport Value mediu a força financeira do futebol brasileiro com as demais ligas pelo mundo e para ter dados mais reais desconsiderou os valores gerados com transferências de atletas: os clubes brasileiros se mantém na sexta posição do ranking mundial atrás das ligas da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França.

 

 

Os clubes conseguiram melhorar a relação dívida/receita média nos últimos anos — indicador importante para avaliação de como está sendo feita a gestão dos clubes brasileiras. Especialmente pelo aumento de receitas, a relação vem registrando queda ano após ano —- se em 2014 essa relação era de 2,07, ano passado foi de 1,3.

 

 

Um dado que deve preocupar não apenas aos clubes mas aos cidadãos brasileiros: em uma década, as dívidas com o Governo Federal dobraram de tamanho — de R$ 1,2 bilhão, em 2008, passaram para R$ 2,5 bilhões, em 2017. É dinheiro que a União deixa de arrecadar e fará falta para investimento e custeio.

 

 

O grande drama desta questão é que os clubes brasileiros contam com forte lobby no Congresso Nacional — já ouviu falar da bancada da bola — e conseguem perdão para as dívidas com o Governo quando chegam a valores astronômicos.

 

 

Pra fechar nossa conversa, uma dúvida que fiquei desde o primeiro parágrafo deste texto: se o poder econômico dos clubes é tão grande — e que bom que é assim —, a ponto de representar 88% do total do valor gerado pelo futebol brasileiro, por que é a CBF e seus cartolas que ainda mandam e desmandam na organização de eventos e calendário?

 

 

Em tempo: para você que está acostumado  a ver meu Grêmio em destaque neste blog, recomendo a análise de Eduardo Gabardo, publicada no GaúchaZH, que revela a superioridade gremista sobre seu arquirrival também no campo da economia.