Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: a praça com o nome do meu pai

 

Por Natanael Boldo

 

 

Sou o filho mais novo de uma família de sete irmãos: seis homens e uma mulher. Meu pai, Sr. João Boldo, veio de Itapira, no interior de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, instalou-se na Freguesia do Ó, acolhido pelo cunhado dele, irmão da minha mãe, o Tio Paulino. Foi na Freguesia que trabalhou como almoxarife por 35 anos até se aposentar. Foi seu único emprego aqui em São Paulo.

 

Passados alguns anos da sua chegada, comprou terreno no Jardim Cidade Pirituba, na rua Silvino de Godoy, onde construiu a casa que moro até hoje com minha mãe, Dona Teresinha, que está com 89 anos. Meu pai foi um dos primeiros moradores do lugar, chegou ao bairro em 1966. Eu tinha apenas um mês de vida. Era uma casa humilde, com dois quartos, cozinha, sala e banheiro. No quintal, tínhamos galinheiro e várias arvores frutíferas. Da porta de casa, tínhamos uma vista privilegiada do Pico do Jaraguá, lugar onde passeávamos com frequência. Juntava toda a molecada da rua. As mães faziam lanches de mortadela e suco. E por lá passávamos o dia.

 

Criou os filhos com muita dificuldade. Éramos muito humildes. E sempre nos cobrou que fossemos pessoas honradas, honestas … e exigiu que estudássemos. Ao lado da minha mãe, que também é uma mulher guerreira, que nunca frequentou os bancos da escola, puderam nos orientar pelo melhor caminho que a vida tinha a oferecer. Como recompensa, viram seus filhos se formarem.

 

Meu pai também era um músico dos bons, tocava bandolim como ninguém. Aos sábados bem cedo, íamos a Praça da República passear pela feira de artesanato e depois passávamos na loja de instrumentos Del Vecchio, na Rua Aurora. Ali se encontrava com Evandro do Bandolim e seu regional. Não tinha hora pra sair, pois a música rolava solta.

 

Eu ainda era muito criança, mas lembro que aos domingos depois da missa meu pai reunia a família antes do almoço para tocar. Era maravilhoso, música de qualidade e família reunida. Era um autodidata, estudou bem pouco, mas sabia de coisas que doutores não tinham conhecimento. Era um homem que lia muito e estava sempre à frente do seu tempo.

 

Perto de casa havia um brejo onde começou a plantar árvores. Hoje, este mesmo local foi transformado em um parque municipal, o Rodrigo de Gaspari. Fez o mesmo na rua onde moro, a Silvino de Godoy. No terreno que chegou a ter um campo de futebol, passou a plantar todo tipo de árvore: ipês, paineiras, jambo. De tão verde que ficou, transformou-se em praça: a Praça João Boldo, em Pirituba, bairro considerado o segundo mais arborizado de São Paulo.

 

Natanael Boldo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos comemorar os 464 anos da nossa cidade juntos: escreva o seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: práticas de governança evitam corrupção na empresa, diz Anna Maria Guimarães

 

 

“Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas são dirigidas e monitoradas. São quatro pilares: transparência, prestação de contas, responsabilidade corporativa e equidade entre as partes”. Quem explica o funcionamento desse sistema nas empresas é a consultora e conselheira Anna Maria Guimarães.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Anna Guimarães falou sobre como as empresas brasileiras estão adotando práticas de governança principalmente após os grandes casos de corrupção no país. Ela explicou o funcionamento do modelo e o processo para formação dos conselhos nas corporações.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Sua Marca: nas redes sociais, fuja da banalidade e invista na utilidade

 

 

 

 
 

 

As redes sociais são enorme oportunidade para as marcas construirem sua imagem e se comunicarem com o público, porém alguns cuidados são necessários para que o meio digital não se transforme em um desastre. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apresentam quatro dicas que devem ser levadas em consideração pelos gestores de marcas, nas empresas – e valem para você, também, profissional que precisa ocupar o espaço digital com propriedade para desenvolver a sua imagem no mercado:
 

 

 

  1. no ambiente digital, sua marca continuará sendo a sua marca, com a mesma razão de ser, mesma personalidade e mesma alma.

  2. com tantas plataformas à disposição, tenha um maestro para que as mensagens publicadas estejam alinhadas.

  3. comunique coisas úteis

  4. evite o “overposting”, o exagero leva a banalidade

  

 

Jaime Troiano lembra, ainda, que as mensagens publicadas nas redes sociais devem ser relevantes do ponto de vista do cliente. E Cecília Russo acrescenta: “o espaço digital serve para construir imagem; fuja da banalidade, invista na utilidade”.

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e tem a participação de Cecília Russo e Jaime Troiano. O quadro vai ao ar, aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. A produção de vídeo é de Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: os primeiros passos com meu avô

 

Por Carlos Garabet Giovoglanian

 

 

Nasci nessa cidade, que já foi chamada de São Paulo de Piratininga, em 7 de janeiro de 1958. Filho do Senhor Kaspar, imigrante da Grécia, descendente de armênios, que aqui chegou em 31 de outubro de 1951 e da Dona Maria que também aqui nasceu.

 

No Cambuci, bem perto do Pátio do Colégio, dei meus primeiros passos junto com minha avó que me levava para passear. Encantava-me escorregar em caixas de papelão, no jardim diante da Paróquia São Joaquim, igreja imponente que se destaca naquele velho bairro. Era dia de festa quando íamos caminhar no Jardim da Aclimação, com seu lindo lago, que recebeu esse nome inspirado pelo ”Jardin d’Acclimatation”, de Paris. Era lá que aves e gados trazidos do interior se aclimatavam na Capital, daí Jardim da Aclimação.

 

Ainda me lembro de todos aqueles trabalhadores que passavam diante de casa vendendo leite quentinho, ordenhado diretamente das cabras com seus sinos badalando anunciando sua chegada; do vendedor de biju com sua matraca; do floricultor espanhol com suas lindas rosas e palmas e do verdureiro Argemiro com sua carroça.

 

Fui estudar no Externato José Bonifácio, escola de idioma armênio, no bairro do Bom Retiro, que fica atrás da Catedral São Jorge na Avenida Santos Dumont. Depois no Colégio Nossa Senhora da Glória, dos irmãos Maristas, cuja imagem do Irmão Justino me acompanhará pelo resto dos meus dias.

 

Visitar meu primo que morava em Santo Amaro era uma viagem emocionante. De táxi alcançava o Largo Ana Rosa e de lá tomava o bonde que me levava até a Estátua do Bandeirante Borba Gato, pertinho do Clube Banespa com suas lindas piscinas onde no verão íamos nos refrescar. Santo Amaro parecia muito distante pois era repleto de áreas verdes, matas e riachos que ainda não haviam sido devastadas pelas construções. Na volta, a passagem pelo Parque do Ibirapuera era obrigatória para nos divertir e nos instruir, com seus jardins, balanços, sorveterias, Museu da Aviação, que já não está mais lá, o planetário e o Pavilhão Japonês, homenagem a esse povo que tanto fez por nossa cidade.

 

Todos os meses ia ao centro e descia na Praça da Sé, caminhava pela Rua Direita até alcançar a Praça do Patriarca e entrava na Galeria Prestes Maia para comprar passe de ônibus da CMTC. A cidade se modernizava e em plena Praça da Sé tive o enorme prazer de fazer uma chamada por telefone diretamente da cabine recém instalada, em 1972.

 

Em 1974, já estudando no Colégio Arquidiocesano, no bairro da Vila Mariana, fiz minha primeira viagem pelo metrô recém-inaugurado que nos levava da Estação Santa Cruz até a Estação Jabaquara. Em 1976, ingressei na Escola de Engenharia Mauá onde me formei. E em 1992, me casei com a Rose, que vinda de Marília também adotou São Paulo.

 

Carlos Garabet Giovoglanian é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha comemorar os 464 anos da nossa cidade: escreva a sua história para milton@cbn.com.br.

O Varejo entra na Política: seja bem-vindo!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flavio Rocha

Flávio Rocha durante fala na NRF/NY

 

Flávio Rocha da RIACHUELO encabeçou o lançamento do Manifesto Brasil 200 anos, onde propôs a participação dos empreendedores e demais agentes econômicos na política nacional. Ao lado de ícones do comércio brasileiro presentes em Nova York por ocasião do principal evento do varejo mundial, a NRF National Retail Federation, tais como Luiza Trajano MAGAZINE LUIZA, Alberto Saraiva HABIB’S, Sebastião Bonfim CENTAURO e Sônia Hess DUDALINA, Flávio Rocha assinalou que o Manifesto é uma proposição política de direita: liberal na economia e conservadora nos costumes.

 

Enfatizou os absurdos do Estado e sua inviável trajetória futura a continuar colocando nas costas dos brasileiros o ônus de manter salários e privilégios de funcionários públicos e políticos, distantes da realidade do mundo privado. Cenário acentuado pelos critérios de uma economia administrada de forma não liberal e retrógrada.

 

Em 2022, o Brasil completará 200 anos de independência. Data em que se dará o término do próximo mandato presidencial. Para que possamos estar no prumo certo, o Manifesto sugere que esta eleição coloque um presidente que realmente seja de direita. Para isto será apresentado a todos os candidatos um perfil para avaliar aquele que estará dentro do ideal de economia liberal e comportamento conservador – idealizado pelo grupo que compôs o Manifesto. Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin e Bolsonaro, segundo Rocha, não preenchem esse ideal.

 

Ao declarar que não é candidato, e que ainda não surgiu dentro do grupo de varejistas nenhum proponente, é visível a simpatia por Henrique Meirelles, embora não exista nenhum sinal de aproximação ao tema.

 

O fato é que vemos aspectos positivos nesta movimentação, sob um olhar neutro.

 

A participação de inteligências oriundas de outras áreas trarão efetivamente boas novas à Política. Que venham outros grupos novos, com diferentes posicionamentos.

 

Plagiando Philip Kotler, o expert contemporâneo do Marketing, que um dia disse que “o Marketing é muito importante para ficar restrito aos especialistas de Marketing”:

 

“A Política é muito importante para ficar restrita aos políticos”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
 

Adote um Vereador: conversas cruzadas e satisfação pessoal

 

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Foi há quase uma semana, mas ainda lembro bem de alguns assuntos. Na mesa 17 em que a turma do Adote um Vereador se reuniu, sábado passado, no café do Pateo do Colegio, havia muitas conversas cruzadas: política, cidadania, participação ativa, reclamação do prefeito, do vereador e do próprio cidadão.

 

Logo cedo chegaram pai e filho, Ary e Gabriel. O pai participa de vários grupos aqui na capital e seu objetivo é “polinizar” – levar aos outros ideias e inspirações para que se transformem em novas ideias e inspiradores. O filho estuda em Assis. E um dos programas lá no interior é visitar a Câmara Municipal para assistir ao trabalho dos 13 vereadores. Tem a ajuda de um advogado da região que aponta erros e enganos nos projetos de lei e procedimentos dos parlamentares.

 

Os dois queriam saber o que nos levava àquela mesa todo segundo sábado do mês. Satisfação pessoal, falei de bate-pronto, sem autoridade sob o grupo. É possível que os outros tenham dito coisas diferentes: cidadania, ativismo, realização, transformação .. não cheguei a ouvir bem porque, como disse, as conversas eram cruzadas.

 

E nessa troca de palavras, dois santo-andreenses se identificaram: Almir de Azevedo, também novato no grupo, e Gabriel Vasconcelos, recém-chegado, que ainda não adotou ninguém, mas tem consultado nomes e participado de discussões na Câmara de São Paulo. Esteve lá na Virada Paulista. E demonstra interesse em persistir.

 

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Aliás, persistência é outra palavra que tem muito a ver com o trabalho que realizamos há 10 anos. Pois não faltaram motivos para acreditar que fazemos pouco e nossos desejos jamais se realizarão. Quantas vezes perdemos colegas que pareciam dispostos a mudar a cidade, mas desistiram da caminhada? E cada vez que um se vai, um pingo de frustração aparece.

 

Em compensação, quando fico sentado naquela mesa do Pateo do Collegio – e chego cedo para assistir a essas cenas – e vejo a chegada de um por um sinto respingos de ânimo e satisfação. Aquela satisfação pessoal sobre a qual comentei com o Ary.

 

O Alecir, a Lúcia, a Rute e a Gabriela – mãe e filha sempre ativas -, o Moty, a Silma e o Vitor, todos velhos conhecidos, e persistentes como eu, estiveram por lá e ajudaram a transformar esses respingos em uma enxurrada.

 

Confesso que, sem demérito a nenhum dos companheiros que estão há mais tempo conosco – tenho certeza que eles entenderão o que vou dizer -, a coisa fica ainda melhor na aparição de gente nova como o Ary, o Gabriel, o Almir e o Adriano de Souza, que também se aprochegou, puxou a cadeira, pediu um café e com brilho nos olhos revelou seu entusiasmo em fazer algo para melhorar a cidade.

 

Estar no Adote me traz satisfação pessoal, sim. Mesmo que a descrença teime em surgir quando enxergo nossos limites e incapacidade de organização e mobilização. E me traz essa satisfação pois toda vez descobrimos que em algum lugar, por mais distante que seja, tem alguém que ouve falar do nosso trabalho e por conta própria renova sua esperança no poder do cidadão.

 

A propósito, e você: por que está no Adote? Ou por que não está no Adote?

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: não era comum menina no estádio

 

Por Dalva Rodrigues

 

 

Uma das primeiras paixões na cidade foi o futebol. Desde menininha, ouvia meu pai contar histórias do time da empresa na qual trabalhava; das encrencas  e brigas que arrumavam. Dos jogadores viajando na carroceria do caminhão até o campo do adversário.

 


Já casado e com seus dois filhos, papai jogou e dirigiu o Anchieta Futebol Clube, time de várzea da Vila Liviero, onde morávamos. Domingo na periferia era  dia de futebol, de alegria, de almoços caprichados, e de sacos cheios de uniformes sujos, uniformes que minha mãe e minha avó lavavam e reclamavam.

 


Naqueles tempos não me interessava realmente pelo esporte. Achava estranho aquele jogo só de homens correndo atrás da pelota, mas fazia parte da vida de meu pai e eu observava esse gosto com carinho,  sempre atenta aos causos que contava.

 

Em 1974, já com 12 anos, apaixonei-me pelo Palmeiras, apesar de meu pai ser são-paulino. Não era comum mulheres em estádios nem mesmo meninas jogarem futebol. Mesmo assim sonhava ser goleira. E treinava para isso. Queria ser como o arqueiro Leão, um de meus ídolos na época junto com Ademir da Guia.

 


Lia tudo sobre futebol: A Gazeta Esportiva; o Almanaque do Zé Carioca para aprender as regras do jogo; dormia com o radinho de pilha ouvindo programas esportivos. Aprendi tudo sobre o esporte e passei a entender porque ele era uma paixão.

 

Nunca esquecerei meu primeiro passeio a um estádio de futebol.

 

Foi em um clássico: Palmeiras x São Paulo, no Morumbi, o Cícero Pompeu de Toledo. Perturbei muito meu pai para convencê-lo a me levar pois aquilo não era coisa de meninas.

 

Enfim, chegou o grande dia: era um domingo, pegamos o ônibus até o centro, caminhamos até o Vale do Anhangabau – onde filas imensas de ônibus esperavam os torcedores para os levarem até perto do estádio. O resto do caminho era feito a pé.

 


Descemos depois de uma bagunça saudável dentro do ônibus, sem sinal de violência ou palavrões. Esses eram guardados para o juiz e bandeirinhas. 

 

A multidão descia a avenida larga que não me recordo o nome… Meu coração que já batia forte acelerava ao ver o estádio enorme lá embaixo, crescendo cada vez mais a cada passada. Sentia-me como uma ave em um bando a cruzar os céus para chegar ao seu destino, livre e juntas.

 


Meu pai, como muitos torcedores, levava um rádio de pilha nas mãos. No caminho, ouvíamos Fiori Gigliotti, que apresentava o programa Cantinho da Saudade. A música ao fundo era Bailarina Solitária… Até hoje essa música me remete aquele pequeno trajeto cheio de emoções no coração de uma menina que veria pela primeira vez seu time jogar.

 


E a emoção continuou lá dentro. O medo do balanço do estádio que vibrava com os pulos da torcida na hora do gol. Água, cachorro quente, picolé de limão e amendoim com casca eram as opções, embora minha mãe tivesse preparado um lanchinho tipo piquenique para nós… Coisa de mãe, que na época me causou vergonha durante a revista para entrar no estádio, mas na hora que a fome apertou, agradeci.

 


Vi meu Palmeiras vencer por  2×1 o glorioso São Paulo do meu pai que ficou muito bravo quando eu o abraçava de alegria na hora dos gols do meu verdão.

 

Nesse dia, tive o privilégio de assistir a duas feras em campo, Ademir da Guia e Pedro Rocha. Eles não rolavam a bola, eles bailavam com ela pelo gramado verdinho rumo ao ataque, como namorados nos bailes de outrora conduziam as damas. Sublime!

 


E veio o apito final, a comemoração dos vencedores na casa do rival e a vontade de ficar ali, eternizar aquela sensação enorme de alegria.

 

Realizara meu sonho.

 


Calmamente fomos deixando as arquibancadas para trás, a fumaça e cheiro de churrasco das barraquinhas nos perseguindo.. Ao som dos passos apressados, fizemos o caminho de volta pela cidade semi-adormecida. Cada um rumo ao seu destino. Amanhã  cedinho seria mais um dia de trabalho na cidade.

 


Naquela noite nem dormi direito. Que domingo feliz! Cada detalhe se repetia em minha mente insistentemente. Guardei para sempre em minha memória aqueles momentos junto ao meu pai que já se foi, guardei com ternura e sinceridade no meu cantinho da saudade, como dizia o saudoso Fiori Giglioti.

 

Dalva Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha comemorar os 464 anos da nossa cidade: escreva a sua história para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: começou o Campeonato Gaúcho

 

São Luiz 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Estádio 19 de Outubro/Ijuí RS

 

 

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Lance do primeiro gol no Gaúcho de 2018 (reprodução Premier)

 

Tinha campo encharcado, charanga na arquibancada e alambrado ao lado da linha lateral. Teve gente metendo a mão no peito e gritando com o adversário. Juiz atrapalhado e pressão por todos os lados.

 

Tinha até um Anchieta em campo pra gente rememorar os grandes momentos de 1977 quando nosso capitão levantou a taça daquele histórico campeonato, no saudoso estádio Olímpico. Soube que é neto do nosso capitão.

 

Tinha a cara do Campeonato Gaúcho. Pena ser uma quarta-feira à noite. Sou do tempo em que o Estadual era inaugurado com pompa e circunstância. E domingo à tarde, dia nobre do futebol.

 

Hoje, joga-se o Gaúcho na hora e data em que der. É preciso encaixar o campeonato nos dia vagos do concorrido calendário do futebol brasileiro e estrangeiro. É que, ao contrário de outros por aí, além do estadual, brasileiro e Copa do Brasil temos nossos compromissos fora do Brasil. E tem, também, Copa do Mundo a interromper nossa caminhada aos títulos desejados.

 

Independentemente do espaço e da importância da competição no calendário gremista, assim como você, caro e raro leitor (gremista) deste blog, eu quero vencer. Quero comemorar títulos. Fazer festa na Goethe (mesmo que metafórica já que moro distante de Porto Alegre). Dar volta olímpica. Levantar taça. Ver meu time brilhando, sempre. E, convenhamos, começar a temporada com um troféu do Gaúcho no armário  sempre dá ânimo diferente.

 

Do time que entrou em campo, conhecia poucos. Parte por minha distância do dia a dia do clube; parte porque a gurizada é nova, mesmo para quem está atualizado com o cotidiano do clube. Mas gostei do atrevimento deles. Apesar do gramado com acúmulo da água, tocaram bola, ensaiaram trocas de passes, se entusiasmaram com os dribles, deram uma caneta aqui, se desvencilharam da marcação ali. Jogaram sério na defesa e evitaram riscos.

 

Especialmente, tiveram a oportunidade de, em campo, realizarem um sonho, como disse ao fim do primeiro tempo Matheus Henrique. No caso dele, o sonho de marcar um gol. Nosso primeiro gol no Campeonato Gaúcho de 2018: “tenho noção do tamanho da camisa do Grêmio!”. Sem dúvida, Matheus, uma camisa com a qual muitos sonham. Mas poucos, como você, têm o privilégio de vestir!

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: os passeios de cavalo em Pinheiros

 

Por Eduardo Coelho Pinto de Almeida
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Sempre gostei de cavalos. Não sei o por quê? Nasci na cidade, fui criado na cidade, meus pais naturais de Campinas, ela farmacêutica, ele dentista, nada ligados ao campo, mas eu nasci ligado aos cavalos.

 

Quando tinha por volta de 10 a12 anos, morávamos na Rua Simão Álvares, próximo a Teodoro Sampaio. Entre as ruas Mourato Coelho e Pedroso de Morais, e Teodoro Sampaio e Arthur de Azevedo, funcionava a Hípica Paulista, que havia se mudado há pouco tempo para o local onde está até hoje, na Rua Quintana, no Brooklin Paulista. Ocupando uma das cocheiras da antiga Hípica, na rua Mourato Coelho, instalou-se a Escola de Equitação São Paulo, pertencente a um dos maiores cavaleiros que o Brasil já conheceu, o Prof. Jorge Furtado Coelho, ex-oficial da cavalaria em Portugal. O professor Furtado era casado com uma senhora bastante pesada, que montava todos os dias: Dona Amália.

 

Eu estudava pela manhã no Grupo Escolar Godofredo Furtado e, à tarde, depois de fazer os deveres escolares, ia para a beira da cerca da escola e ficava namorando os cavalos que passavam montados por elegantes ginetes, a maioria pertencente à fina sociedade. Lembro-me de um rapaz de sobrenome Fazzanelo cuja família era proprietária de uma rede de casas lotéricas que também chamávamos de “chalé do jogo do bicho”; e me lembro de outro jovem que mais tarde apareceu muito como político, José Bonifácio Coutinho Nogueira.

 

Nessa época, comecei a trabalhar como office Boy no consultório de meu pai e recebia uma semanada pelo trabalho. Quando recebi a paga pela primeira semana, vi, cheio de alegria, que era exatamente o que cobravam por uma hora de cavalo na escola de equitação. Eu não conseguia imaginar melhor aplicação para o meu dinheiro. Procurei o Senhor Carlos, um senhor de origem alemã que era o gerente, e contei a ele que havia ganhado aquele dinheiro pelo meu trabalho e queria aplicá-lo no passeio a cavalo. Ele foi e contou a história para Dona Amália que respondeu: O quê? Vai receber o salário de uma semana de um menino?! Não, dê o Douradinho para ele andar. Não cobre nada!

 

Desse dia em diante, eles já sabiam o que queria dizer aquele meu olhar comprido e me davam o Douradinho para andar. Quando fiquei sabendo montar um pouco, comecei a ser útil também. Cavalos de boa raça, não podem ficar dentro da cocheira a semana toda, sem trabalho, pois no final de semana quando seus donos fossem montá-los estariam muito inquietos e até mesmo bravos. Precisavam trabalhar e aí juntou-se o útil ao agradável: davam-me dois ou três cavalos todos os dias para montar.

 

Muitos anos mais tarde – eu tinha um avião Cesna Skylane angarado no Campo de Marte – quando pousei, guardei o avião e fui tomar um café no bar do Aeroclube de São Paulo. Ao entrar, avistei em uma mesa o Professor Furtado e a Dona Amália. Me dirigi a eles e perguntei: Professor Furtado, Dona. Amália, posso me sentar? Quero lhes contar uma coisa! Eles me indagaram: quem é o senhor? E eu lhes respondi: os senhores não vão se lembrar, mas quero lhes agradecer porque fizeram com que eu tivesse uma infância muito feliz, aqui em São Paulo.

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos comemorar juntos mais um aniversário da nossa cidade: escreva seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: uma lembrança que não é minha

 

 

 
Por Anna Frank
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

 

 

 

 

Entre 1970 e 1973, estudei no Ginásio Estadual de Vila Nova Friburgo, próximo do bairro de Interlagos. Foi nesse período que conheci uma amiga que estudou comigo os quatro anos. Ela morava no bairro de Veleiros, que ficava próximo da escola. Tinha um pai muito bravo e de pouco diálogo com os filhos. Nas disputas, sempre prevalecia a vontade dele. Lembro que minha amiga tinha muito medo do pai.

 

 

Naquela época, as crianças podiam voltar à pé da escola para casa e nós duas, sempre juntas, caminhávamos falando de nossos sonhos e pensando em nosso futuro, casamento, filhos … Nós adorávamos ouvir Renato e Seus Blues Caps, que era o máximo do rock brasileiro. Também gostávamos de um doce puxa-puxa, um tipo de melado que toda garotada comia. Havia o guaraná caçulinha, o bolo Pulman – que delícia! Inesquecível!

 

 

Ah, tinha a Jovem Guarda com suas guitarras e músicas barulhentas. Era moda usar calça boca de sino e blusa de seda com babado. Além da mini-saia, que minha amiga guardava na minha casa para vestir depois da escola sem que o pai dela soubesse.

 

 

Minha amiga gostava muito da mãe dela, que parecia uma pessoa muito doce e meiga, carinhosa com os filhos. Sempre tinha um sorriso e um beijo guardado no coração.

 

 

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Como nem tudo na vida é sonho, a mãe dela morreu de repente e a vida dessa amiga passou a ser um inferno. Além de sofrer a perda da mãe, tinha de suportar a tirania do pai. Sequer a morte da mãe podia chorar. O pai, numa atitude de desespero, trancou o quarto da mãe, proibindo para sempre que ela pudesse entrar lá. Com medo de perder todas as lembranças, essa amiga me incumbiu de guardar uma blusa que era da mãe dela. Disse que a pegaria mais tarde, quando as coisas estivessem mais calmas.

 

 

Nós estávamos no último ano do ginásio quando aconteceu essa tragédia. Eu fui para o Colégio Oswaldo Aranha fazer o colegial e perdi o contato com ela. Agora, após 30 anos, eu gostaria muito de poder devolver esse tesouro a essa amiga de infância, que guardo até hoje em memória de sua querida mãe.

 

 

Desculpe-me a falha de memória, mas infelizmente não lembro mais seu nome e também não sei se ela ainda lembra dessa triste história. Mas não gostaria de fazer minha transmutação sem cumprir esta missão tão importante que ela deixou em minha
vida.

 

 

Anna Frank é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha comemorar mais os 464 anos da nossa cidade: escreva seu texto para milton@cbn.com.br.