Eis aí um provérbio tão antigo quanto atual para o nosso país, que vive a contingência de aumento de impostos e de redução de direitos trabalhistas. O fato é que as verdades aparentes podem encobrir a realidade, que somente poderão ser alcançadas pelo conhecimento. E neste ponto vale lembrar o artigo publicado neste Blog ontem, de autoria de Jaime Pinsky, ao colocar com propriedade que é necessário buscar o conhecimento com aqueles que possuem autoridade nas respectivas matérias.
Impostos e empregos são assuntos da alçada de economistas, que podem até apresentar análises diversas, mas sempre dentro do conhecimento inerente ao tema.
A “Curva de Laffer”, por exemplo, usada por Arthur Laffer para demonstrar que a partir de determinado ponto da taxação a arrecadação cai e, consequentemente, abaixando o imposto o recolhimento aumenta, pode ser contestada, mas não pode ser ignorada.
A esse respeito há muitos estudos que indicam que 33% é o ponto máximo para a taxação de impostos.
Do mesmo modo que o aumento da arrecadação poderá ser obtido pela redução de impostos, o crescimento dos empregos também poderá vir através da diminuição de alguns direitos trabalhistas. O empregador com menos encargos demitirá mais e admitirá também mais, gerando aumento de empregos. Embora aqui não haja métrica que possa indicar com precisão a exata correlação entre os fatores.
Ao mesmo tempo, outro postulado da Economia pode ajudar no entendimento destas correlações. É o principio da otimização em relação à maximização.
Ou seja, ao utilizarmos um equipamento 24hs por dia, sem descanso, estaremos maximizando sua produção. Entretanto, a vida útil dessa unidade de produção será menor do que aquela em que se opere, por exemplo, apenas 80%, reservando 20% do tempo restante à sua manutenção.
A otimização vale para serviços e até mesmo como estilo de vida. A maximização deveria ficar apenas para a busca do conhecimento real.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
A questão da leitura no Brasil é difícil de formular. Por um lado envidam-se esforços no sentido de proporcionar acervos de livros adequados para leitores em escolas e universidades, centros de juventude, bibliotecas públicas e particulares. Por outro se treina as novas gerações em mídias digitais, o que não seria problemático, não fossem elas utilizadas quase que exclusivamente para mensagens e informações apressadas e superficiais, quando não levianas. Ao dar o mesmo valor a qualquer blog do que se dá a uma fonte criteriosa, como um bom jornal, o leitor se torna vítima fácil de notícias plantadas, informações maliciosas, ou simplesmente mau jornalismo. Todos nos tornamos médicos, advogados e historiadores após uma rápida consulta ao que disse tia Cotinha no Facebook da família, ou no Whatsapp da turma da escola. Há professores que simplesmente mandam pesquisar “na internet”, como se tudo que se encontra na web tivesse equivalência. Nem damos bola para o fato de que a especialidade de tia Cotinha é uma deliciosa sopa de legumes com ossobuco e que o primo de Paraguaçu Paulista não se notabiliza pela capacidade de selecionar informações. Confunde-se espaço democrático e direito de expressão com competência e divulgam-se asneiras de todo tipo sob o argumento de que todos têm o direito de se expressar. A única ressalva é que direito de se expressar não pode ser confundido – uma vez mais – com qualificação em todas as áreas. Para dar um exemplo extremo e obvio Dr. Paulo não me consultou sobre a técnica que deveria usar para implantar o marca-passo no meu peito. E eu ouso dar aulas e fazer palestras sem perguntar a opinião dele sobre fatos históricos. A qualificação existe, senhores…
Assim, que me desculpem os palpiteiros, mas competência é preciso. Claro (não finjam que não entenderam meu argumento) que não me refiro a assuntos e temas sobre os quais qualquer cidadão pode e deve se manifestar. Qualquer um pode e deve opinar, por exemplo, sobre reforma política (menos partidos? Voto distrital? Fim das coligações? Financiamento oficial? De empresas? Só de pessoa física?). Todos podem e devem entrar na discussão sobre se questões de saúde pública (como o aborto) devem ser confundidas com questões religiosas. Se foro especial não é uma prática antirrepublicana que beneficia apenas os já beneficiados e cria cidadãos de classes diferentes em uma sociedade que deveria privilegiar a igualdade de oportunidades. Se já não chegou o momento de acabar com essa folga de autoridades requisitarem aviões oficiais para passar o fim de semana em seus feudos (feudos, sim senhor) eleitorais, etc, etc, etc…
É evidente que não se deve tolher o exercício pleno da cidadania, que inclui o direito à manifestação, pelo contrário. O que defendo é o direito à informação séria, responsável, relevante. É fundamental ficar alerta, selecionar criteriosamente as fontes, evitando-se divulgar notícias falsas, textos apócrifos, supostas opiniões de figuras conhecidas que nunca disseram aquilo, trechos truncados que distorcem o conteúdo e, não menos importante, provocações irresponsáveis. E aí voltamos à questão da leitura de livros. Se você, improvável leitor deste artigo, não for um leitor de livros eu sinto muito. Ainda é neles que está depositado grande parte do patrimônio cultural da humanidade. Em livros estão registrados desde os textos sagrados das três mais importantes religiões monoteístas do mundo até as reflexões mais sofisticadas dos pensadores contemporâneos, passando por todos os teóricos sociais, estudos de economia, avaliações históricas das principais organizações sociais criadas pelo homo sapiens. Há livros para adultos e para crianças, para ler na praia, no metrô, no escritório, na cama. E se pensarmos em ficção, com livros a gente cria o personagem do nosso jeito, não fica sujeito aos caprichos do diretor do filme, por isso melhor que ver um bom filme é ler um bom livro.
Em uma sociedade em que o celular fica obsoleto em dois anos e uma relação amorosa não costuma durar nem isso; em que não temos tempo para conhecer as pessoas, elas nos aborrecem antes de sabermos quem elas são; em uma sociedade em que não degustamos, devoramos; em que não sabemos mais apreciar os caminhos, só queremos chegar; em que aprendemos a ler “por cima”, pulando linhas, letras e sentidos, sem curtir a construção elegante, o uso correto das palavras, o texto coeso, a mensagem clara; Quem teremos para ler livros nas próximas décadas?
Comemoração do gol na foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Ansiedade é o mal da sociedade moderna me disse ainda nessa semana Jairo Bouer, colega psicólogo que trabalha no meu programa de rádio. É resultado da maneira como encaramos nossas tarefas e desafios, profissionais ou pessoais. Queremos acelerar mais do que o tempo permite. Esperamos para agora resposta para algo que só poderá ser respondido amanhã. Impossível de ser alcançado. Pois tudo tem o seu momento certo.
Os torcedores gremistas, desde quarta-feira passada, temos percebido essa sensação de maneira ainda mais exarcebada. Queremos que o tempo voe, os dias se acabem, a semana passe e o 22 de novembro chegue o mais rapidamente possível. Tivéssemos esse poder, daríamos um salto no calendário para o 29 de novembro, data da última partida da Libertadores, quando esperamos (toc-toc-toc) estejamos todos comemorando o TRI.
O problema é que daqui até lá teremos longa espera e partidas intermináveis pelo Campeonato Brasileiro. Como a desta tarde de domingo, em Porto Alegre. Um jogo que para muitos sequer precisaria ter acontecido.
Dá pra deixar do jeito que dá?
Não, não dá!
E Renato está consciente disso. Até porque o tempo é seu melhor companheiro neste momento. Sabe da necessidade de decidir-se por este ou aquele jogador no time titular. Precisa recuperar fisicamente os mais desgastados e, principalmente, os lesionados, como Barrios, nosso comandante no ataque. Tem chance de testar jogadas ensaiadas, arriscar variações na forma de atacar e posicionar da melhor maneira possível nossa defesa, adaptando-se ao adversário da final.
Luan é o melhor exemplo. Depois de mais de 50 dias lesionado, voltou aos poucos, viu sua performance melhorar partida a partida e, como demonstrou hoje, está em plena ascensão. Voltou a marcar gol aparecendo como homem mais adiantado do time e por trás dos zagueiros. Da mesma maneira que na primeira partida da semifinal da Libertadores. Vai chegar à decisão nos trinques, expressão que costumava ouvir do Tio Ernesto, personagem que já lhe apresentei, caro e raro leitor, nesta Avalanche.
O tempo ajudará Renato a decidir-se, por exemplo, por Fernandinho ou Everton no time titular, apesar de eu ser adepto da ideia de que ambos foram feitos para entrar com a bola rolando – e não me pergunte porque eles têm essa característica.
Os dois gols da virada de hoje confirmaram o bom momento do menino que joga com sorriso no rosto e cara de “cebolinha” – perdão, já soube que ele pediu para que esquecêssemos seu apelido. Esqueceremos em breve. Quem sabe depois do dia 29. Everton dá mais velocidade, mas nem sempre mantém a performance quando sai jogando. Até para isso Renato terá tempo para testar.
Falei em gol da virada: eis aí mais uma boa notícia desta tarde.
Apesar de sairmos atrás do placar, mantivemos a mesma calma no toque de bola, na busca dos espaços e na tentativa de chegar ao gol. O que para muitos de nós às vezes é irritante, pois queremos ver aquela avalanche de chutes a gol. Somos ansiosos, eu sei. O time não foi, seguiu jogando seu futebol, dono da bola e contou com astúcia do seu técnico que encontrou no banco de reservas as duas soluções que faltavam para alcançar a vitória: Beto da Silva e Everton.
Disse tudo isso até aqui, elogiei a calma gremista e a tranquilidade do nosso técnico no planejamento para a final, estou consciente que devemos controlar nossa ansiedade e dar tempo ao tempo, mas, confesso, enquanto assistia à partida pelo Brasileiro, não saia da minha cabeça a festa que estamos preparando para receber o Grêmio na Arena, no dia 22 de novembro.
Fui a São Paulo pela primeira vez em julho de 1954 para as comemorações
do 4o. Centenário. Na verdade, detestei e disse que nunca moraria nessa
cidade: “isto e um formigueiro de gente, comparado com a minha outrora
calma Porto Alegre”.
Paguei pela boca.
Aí há um hiato de muitos anos. Fiquei adulta, namorei um paranaense, até que um dia ele me disse: “vou embora para São Paulo, fui transferido”. Levei um baque, gostava muito dele , mas não sou de me afogar num copo d’agua, tratei de arrumar uma transferência no meu trabalho e tocar para Sampa.
Comprei um apartamento numa ruazinha pequena bem próxima a Av. Paulista e … cheguei eu. Telefonei para o trabalho do namorado e escutei a seguinte frase: “foi transferido para o Paraná”. Respirei fundo. Ele se foi, mas eu fico. Fiz todos os programas de um recém-chegado: Vila Madalena, Butantã, Teatro Municipal, Rua Augusta, Pinheiros, Masp, Mooca e o escambau.
Nesse ínterim minha irmã, o marido e a filha vêm para São Paulo. Por quê? Minha irmã, jornalista, veio para trabalhar na rádio CBN, dai minha ligação com a rádio .
Dia 21 de março de 1981, fui ao Cine Copan ver o “Touro Indomável”, com Robert de Niro. Lá me seguiu um nissei (o outro namorado também era) que me fez um pedido inusitado: “conte o filme para mim, acabo de chegar”. Anos depois, ele emendou: “eu estava no cinema a horas te vi chegar e te segui”.
Faz 35 anos que estamos contando filmes um para o outro e os responsáveis são o ex-namorado, aquele que foi para o Paraná, o Cine Copan, e, claro, São Paulo.
Susana Menda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, escreva seu texto para milton@cbn.com.br.
Foi olhando ao seu redor que o advogado Guilherme Braga percebeu que as pessoas com deficiência simplesmente não existiam nos ambientes profissionais, aqui no Brasil. Uma situação bastante diferente daquela que havia encontrado pouco tempo antes, nos Estados Unidos, quando convivia com cegos, surdos, pessoas com restrição intelectual ou dificuldades para se locomover. Profissionais que tinham enorme capacidade de desenvolvimento e com nível de produtividade semelhante aos dos demais trabalhadores.
Diante desta realidade, Braga foi estudar o cenário brasileiro e descobriu que muitos empresários, por falta de informação, não eram capazes de cumprir a lei de cotas, de 1991, que obriga empresas a partir de 100 funcionários a oferecerem de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência. Criou a Egalitê, empresa de tecnologia que conecta esses profissionais com as empresas, em 2010, no Rio Grande do Sul. Três anos depois estava em São Paulo e, atualmente, já abriu espaço no mercado de trabalho para cerca de 4 mil pessoas com deficiência em 300 empresas, em 16 estados brasileiros.
“O que a gente precisa é que o gestor entenda que uma pessoa com deficiência não é um problema para ele, é uma grande potencialidade que ele tem na mão e que isso pode realmente trazer grandes benefícios para a sua equipe”, disse Braga ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, o empresário brasileiro ainda não é capaz de perceber que ao fechar o mercado para esses profissionais está desperdiçando grandes oportunidades.
E o potencial é grande mesmo: o Brasil tem em torno de 403 mil pessoas com deficiência trabalhando formalmente, enquanto a lei de cotas, se cumprida, poderia oferecer mais de 807 mil vagas.
O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão pelo site e pela página da CBN no Facebook.
O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Débora Gonçalves, Juliana Causin e Rafael Furugen.
O brasileiro tem enorme desejo de ser um consumidor consciente, mantendo hábitos saudáveis ao meio ambiente e escolhendo produtos ecologicamente corretos, porém na prática este engajamento não aparece. Essa foi uma das constatações de pesquisa apresentada por Jaime Troiano e Cecília Russo no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da rádio CBN.
Cerca de 30% das pessoas disseram que compram regularmente produtos orgânicos e ao menos 60% dos entrevistados responderam que fazem reciclagem de boa parte do que consomem dentro de casa. Os indicadores econômicos e outros dados sobre coleta de material reciclável e hábitos de consumo mostram, porém, que a realidade é bem diferente.
Diante dos dados da pesquisa, Russo chama atenção para a oportunidade que as marcas têm de desenvolver campanhas de comunicação e projetos pedagógicos para ajudar esse consumidor a concretizar seu desejo. Troiano lembra ensinamento já conhecido daqueles que acompanham o programa: “o consumidor diz o que pensa e faz o que sente”
Grêmio 0 (3) x (1) 1 Barcelona Guayaquil Libertadores – Arena Grêmio
Escrevo de dentro do avião que me leva de volta a São Paulo. Da janela vejo do lado direito a imponência da arquitetura que dá desenho à Arena do Grêmio. Exuberante, pulsante. Imagem que dá ponto final (ou quase) a incrível experiência vivida por mim nestas últimas 24 horas.
Ainda sinto no corpo e na alma (na voz, também) as emoções as quais fui submetido desde que cheguei neste mesmo aeroporto, na tarde de quarta-feira. Do Salgado Filho, fui, acompanhado de meu irmão, até a Arena. Melhor. Nas cercanias da Arena. Fui recepcionado por uma quantidade enorme de torcedores que já se reuniam à frente da casa batizada “Largo dos Campeões”, nome do coletivo de gremistas que aluga e mantém o espaço a uma quadra do estádio.
Lá dentro, em uma pequena sala, a decoração é carregada de adereços, relíquias e memórias do Grêmio. O espaço recebe também alguns barris de chopp, devidamente gelados, e um DJ que no comando de sua picape toca rock and roll pra animar a festa.
Lá fora, embaixo de um toldo com as cores do Grêmio, do lado e ao longo da praça, um amontoado de torcedores a espera da costela que assa em fogo de chão, no mais típico dos churrascos gaúchos. A fumaça toma conta do local quando o vento bate para refrescar a turma – trago o cheiro entranhado na mala de viagem. O som alto da música se mistura a uma série de sotaques do Brasil: Mato Grosso, Santa Catarina, Ceará, Distrito Federal e São Paulo estão representados. O gauchês prevalece. Nem poderia ser diferente.
Foi no “Largo dos Campeões” – nome que relembra o espaço onde estavam os arcos dos portões de entrada do saudoso estádio Olímpico -, que participei do esquenta para a partida que garantiria a presença do Grêmio na sua quinta final de Libertadores. Fui a convite de um amigo de infância: Marcelo Quadros. Somos filhos de jornalistas, que foram colegas de rádio, e desde muito pequeno assistíamos às partidas do Grêmio no Olímpico ou por onde o Grêmio estivesse, no interior do Rio Grande do Sul.
Fazia mais de 30 anos que não nos víamos, apesar da troca constante de mensagens no último ano, desde que ele se mudou de Buenos Aires para São Paulo. Finalmente nos encontramos e o momento não poderia ser mais especial.
Cercado de gremistas. De entusiasmados gremistas. Cada um contava um pouco de sua história, todos relembravam momentos vividos, jogos inesquecíveis, jogadores memoráveis. Muitos faziam reverência ao meu pai, Milton Gol-Gol-Gol Jung, que narrava futebol com precisão e emoção e jamais escondeu sua torcida pelo Grêmio. E ao Lauro, pai do Marcelo.
Somos de uma época em que as conquistas regionais eram o ápice de nossa satisfação. Somente mais tarde passamos a nos acostumar com as vitórias nacionais. Foi, também, quando o sonho da Libertadores se iniciou. Já eram os anos de 1980.
Tanto tempo depois de nosso último encontro, lá estávamos nós de volta.
Camisa do Grêmio vestida, bandeira nas costas, sorriso no rosto, confiança exagerada. Um quase deslumbramento. Semelhante aos dos tempos em que éramos guris e, das cadeiras de ferro azuis do Olímpico, transmitíamos nossa certeza na vitória – nem sempre atendida com o desempenho em campo, o que, inevitavelmente, me levava às lágrimas. Chorei muito quando era criança, no Olímpico.
As lágrimas voltaram a correr quando entramos na Arena. Éramos, Marcelo, eu e mais 51 mil gremistas alucinados com a possibilidade de estarmos mais uma vez em uma final de Libertadores, esta competição pela qual aprendemos a jogar e nos apaixonar. O choro viria a se revelar novamente no fim da partida quando a classificação estava garantida e a torcida cantava alto seu orgulho de ser gremista.
Ao longo do jogo, sofri com o gol adversário, aplaudi o carrinho bem dado, a roubada de bola inesperada, o drible encantador e os ataques frustrados. Xinguei o juiz. Xinguei quando ele não tinha razão e muitas vezes quando ele tinha, também. Desculpe-me, seu juiz, mas estava vivendo um momento muito especial da minha vida: voltava a ser aquele guri gremista do estádio Olímpico.
Assistí à partida no círculo mais alto da Arena, nas cadeiras sobre a Geral, atrás do gol defendido por Marcelo Grohe no segundo tempo, aquele em que a bola deles tocou o poste – e eu tenho certeza que ajudei a desviá-la para fora. Ouvi torcedor reclamando de Cícero, lamentando que Cortez não chegou à linha de fundo, que o drible de Fernandinho não deu certo, que Luan poderia ter entrado mais duro, batido mais forte, feito o gol de empate, da virada, o da goleada … pô, Luan! Grande, Luan! Vi esses mesmos torcedores aplaudindo a todos eles.
A gente quando torce é assim mesmo. Distorce as coisas. Não relativiza.
Em campo, o Grêmio foi “copero” como só os grandes times sul-americanos sabem ser. Mesmo diante da pressão de um adversário precisando descontar os gols tomados no Equador, soube cadenciar, catimbar, chutar a bola para fora e segurar a bola do lado de fora quando necessário. Valorizava a trombada recebida, esticava o tempo de recuperação caído no gramado e chegava forte sempre que exigido. Deu-se o direito de fazer o jogo da desconstrução já que havia construído o resultado na casa do adversário, uma semana antes. Porque assim é a Libertadores. E poucos no Brasil sabem jogá-la tão bem quanto nós.
Retorno a São Paulo e vou ter de me recompor. Voltar a ser o adulto que deixe para trás quando desembarquei na cidade. O cara responsável que a profissão exige e a família precisa. Chego com a garganta arranhada, com dores nas costas e pernas cansadas. Essas coisas que amanhã ou depois estarão recuperadas e esquecidas. O que nunca mais sairá do meu corpo e da minha memória é a experiência vivida nessas 24 horas, em Porto Alegre.
Stentson Kennedy, emérito defensor dos direitos humanos, descobriu em meados da década de 40, como espião, que a Ku Klux Klan era uma fraternidade regida a juramentos, senhas, hinos de louvação própria, ao lado de incentivos altamente amedrontadores. Com códigos para identificar seguidores, como o da mão esquerda movimentando-se como um peixe, ou da procura do “Sr. Ayak” (Are you a Klansman?). Tudo sob o manto do ultrassecreto.
Esta criptografia apoiada na crença da supremacia branca, com eficiente arrecadação, e comunicando medo como atributo, compunha o alicerce da Ku Klux Klan, que crescia em todo o país. E, curiosamente as ações violentas nem eram mais tão necessárias. O medo, com o tempo, inibiu seus alvos, os negros e outras minorias.
Stentson Kennedy resolveu lutar contra, e depois de não obter sucesso por meios legais, resolveu ir à imprensa. Foi ao programa de rádio “As aventuras de Superman”, que depois de atacar Hitler, Mussolini e Hirohito elegeu a Ku Klux Klan como o vilão da vez.
Após alguns programas a KKK estava desmoralizada. As crianças brincavam procurando o Sr. Ayak, e toda a hierarquia veio a público.
A informação do sistema Ku Klux Klan, ao torná-lo público, desmontou o esquema de atração e sustentação. Fato previsto quando Kennedy percebeu o poder da informação em si. A força da Ku Klux Klan vinha em boa parte da sonegação de informação.
Cenário padrão na compra e venda de imóveis.
Hoje, com a evolução dos meios de comunicação, e a evidência da internet, o comprador tem mais chances de se aproximar da informação crucial do produto a ser comprado. Ainda assim o corretor detém a informação final do preço e condição definitiva. A não ser que haja transgressão por parte do corretor, e vaze a informação ao comprador.
No caso, por exemplo, de negociação para compra de um ponto comercial em Shopping Center, é importante observar os seguintes fatores:
1. Na relação comprador – vendedor o especialista é o vendedor. É o mesmo que paciente médico. Como paciente cabe a você saber os sintomas, e cerificar-se que a receita esteja correta.
2. Respeite a hierarquia comercial do Shopping. Ela é determinada pelo nível da sua marca. Marcas Satélites devem começar com os corretores.
3. O interesse do corretor pode não ser o mesmo que o seu, nem o do Shopping. Vai depender do sistema de remuneração. E ele é o especialista.
4. No caso de franquia é melhor que o franqueador participe ativamente na negociação.
5. Procure negociar com exclusividade. Os shoppings preferem negociações individuais a grupos. Se a sua marca for a mais importante será a mais beneficiada, mas ainda assim é preferível atuar exclusivamente. Se não for, pior ainda.
6. Levante o maior numero possível de informações sobre as condições comerciais similares dentro do Shopping e em outros. É importante a precisão na proposta. Sem valores fora do padrão, mas no contexto da atualidade. Ainda é época de crise e de transformação, o que ajuda na negociação para lidar com valores abaixo da realidade anterior.
7. Na compra do ponto leve em consideração, além da CDU Cessão de Direito de Uso, o CTO Custo Total de Ocupação, que inclui AMM Aluguel Mínimo Mensal, Aluguel percentual, Condomínio e Fundo de Promoção. A CDU é um investimento único, mas o custo de ocupação é mensal por cinco anos.
8. Cuidado com pacotes de compra de Pontos comerciais. Nos pacotes poderá haver troca de gentilezas, e incluir Ponto duvidoso.
9. Esteja atento com Shoppings novos e também com oportunidades. Não descarte estas opções, mas saiba que em geral levam a maus resultados.
10.Depois de tanto trabalho e dinheiro investido na aquisição de um Ponto, não descuide. Controle. Não é rara a perda do Ponto por falta de acompanhamento.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
*Extraído e adaptado do livro “FREAKONOMICS o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”. Capítulo 2. Em que a Ku Klux Klan se parece com um grupo de corretores de imóveis? Do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner.
Avaí 2×2 Grêmio
Brasileiro – Estádio da Ressacada, Florianópolis/SC
Everson Passos aqui embaixo, ao lado do Roberto Nonato, no estúdio da CBN
Esta Avalanche não escrevo para você, caro e raro leitor. E tenho certeza de que você entenderá. Também peço encarecidamente aos amigos que reproduzem esta Avalanche em seus blogs dedicados ao Grêmio que poupem seus leitores das minhas palavras, mesmo porque não vou falar do resultado desta noite de domingo. O que falarei aqui é algo muito particular que não gostaria de ver exposto especialmente à sanha intolerante que toma conta da sociedade contemporânea. Mas preciso escrever. Para mim sempre foi a melhor maneira de arrancar a tristeza do coração.
Hoje, vou dedicar esta Avalanche a um colorado. Um cara que era capaz de vestir a camisa encarnada (ou estilizada) na alegria e no sofrimento. Nos momentos extremos em que seu time vencia, especialmente quando vencia o meu, ou diante de derrotas copiosas. Ele fazia questão de mostrar-se solidário nesses instantes. Solidário a sua paixão, como muitos de nós torcedores costumamos ser.
Falo aqui de Everson Passos, que morreu sexta-feira, dia 27 de outubro, após ter sofrido, há três meses, um derrame cerebral que o tirou a consciência e o desconectou da vida. Foi meu colega na CBN e teimo em acreditar que chegou a trabalhar com o pai lá na Rádio Guaíba de Porto Alegre. Se não o fez, com certeza conheceu meu pai enquanto atuava como jornalista no Rio Grande do Sul, pois o pai foi nosso assunto em comum em mais de uma oportunidade.
Ele falava pouco, resmungava muito, dizia certas verdades e nunca nos deixava ser levado pela ilusão das vitórias. E não falo aqui das coisas do futebol, não. É dá vida mesmo. O Everson tinha os dois pés no chão (a não ser quando estava montado em uma bicicleta) e nos colocava no devido lugar sempre que nos atrevêssemos devanear.
Chegava a ser engraçado na maneira de se portar diante dos fatos. Olhava de revesgueio, como costumamos dizer lá no Rio Grande, tinha um ar desconfiado e nas poucas palavras que proferia dizia muito.
Ao meu lado apresentou algumas edições do Jornal da CBN quando se revelava ainda mais rigoroso com a leitura dos textos. O mesmo rigor que usava no momento de redigir ou editar as reportagens. Um rigor que não se voltava aos colegas, mas a ele próprio.
Foi esse mesmo rigor que fez com que ele decidisse voltar para o Rio Grande do Sul. Deixou a rádio e São Paulo porque acreditava que tinha uma missão muito mais importante: cuidar da mãe que vivia sozinha desde a morte do pai. O destino lhe pregou uma peça. Poucos meses depois de chegar a terra natal sofreu o derrame e a mãe ficou para lhe dar carinho e apaziguá-lo até a morte.
E mesmo na morte, Everson não deixou de ser Everson.
Ao morrer com apenas 51 anos, sem precisar dizer uma só palavra, nos manda um recado ao estilo dele. Escancara a fragilidade do ser humano e nos faz ver como desperdiçamos nossos momentos com picuinhas, desentendimentos baratos entre amigos, colegas de trabalho, torcedores e mesmo irmãos, pais e mães. É como se estivesse nos dizendo: vai cuidar da sua vida!
Por Francisco Wanderley Midei
Ouvinte-internauta da rádio CBN
No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte-internauta Francisco Wanderley Midei, que, cego, descreve o passeio ao lado da filha, Daniela, na avenida Paulista:
Sou paulista, da tribo Paulistano Paulista. E urbano. E como paulista que procura o que fazer num domingo de sol antes que a chuva forte chegue, estive na mais paulistana das avenidas, a Paulista.
Todas as tribos estiveram por lá neste domingo. Movimento de público nas ruas e nos bares. E com policiamento severo. Até o prefeito João Dória Junior apareceu por lá no meio da tarde. Soube por causa da agitação por onde ele passava. Espero que ele não tenha tocado nenhum instrumento.
Ele pode não ter tocado, mas um cantor mostrou todo o seu desafino, enfrentando a multidão nas cercanias do Parque Trianon. E não se acanhou, tocando até Raul Seixas, que, com certeza, deve ter se mexido no túmulo. Tão desafinado que o cantor cantou até Desafinado.
Andei pela Avenida em meio à multidão. Estive no Degás, o restaurante do MASP, mas não almocei lá. Era muito caro e um pouco barulhento. Passamos pela FIESP e descobri que lá não tem restaurante e não havia atividades porque estão de férias.
Paramos, eu e minha filha Daniela, para muitos selfs, inclusive um que mostrava, atrás de nós as bandeiras do Brasil e de São Paulo, a bandeira de treze listas, paulista como eu.
Para finalizar, fomos ao Conjunto Nacional e tomamos um icecream, assim mesmo, em inglês, porque estávamos no centro econômico do País e não ficaria bem tomar um sorvete de milho verde.
E como bom “paulista paulistano” voltamos correndo, temendo que a chuva nos impedisse de entrar em casa.
Foi bom.
Ouvi barulhos de skates, bicicletas e de cães que latiam aos montes acompanhados de seus donos. Ainda não sei se quem leva o cão é o dono ou o dono é quem leva o cão. Também não quero saber porque não vai ajudar em nada a minha cultura, já que tenho pavor de cachorro, inclusive os humanos.
Francisco Wanderley Midei é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história: escreve um texto para milton@cbn.com.br.