Conte Sua História de São Paulo: a namorada que eu levava ao Playcenter

 

 

Por Humberto Bernardino de Andrade

 

 

 

 

Cheguei à metrópole no fim da década de 1990. O primeiro lugar onde morei foi em Santana, na zona Norte. Nunca havia andado sozinho de metrô. E ao chegar ao terminal do bairro, vindo da rodoviária do Tietê, um amigo, que me recebera em uma república de colegas da minha cidade, me esperava para que eu não me perdesse.

 

 

Quando eu era criança e morava no interior, sempre ouvia os mais velhos dizerem: “─Jamais moraria em São Paulo… aquela loucura, trânsito, violência, poluição…”. Fiquei com aquilo na cabeça. O tempo passou e cá estava eu, recém-saído da faculdade de engenharia, cursada lá no interior.

 

 

Meu primeiro emprego aqui foi em uma obra na Av Luis Carlos Berrini, na zona Oeste: prédios modernos, muita gente bonita. Aquilo me impressionava.

 

 

Cruzava a cidade de ônibus pra trabalhar, pois tinha medo de ir de carro. Só tomei coragem de me arriscar no trânsito quase um ano depois.

 

 

A cidade não era mais da garoa como nos tempos em que fazia excursão ao Playcenter, nos anos de 1980. Era a terra dos temporais, que alagavam tudo castigando a cidade. Minha mãe quando via aquilo na TV nos programas da tarde, ligava preocupada pra saber se eu não tinha ficado sitiado em alguma enchente.

 

 

Apesar daquela resistência com a cidade, provocada pela ideia dos conterrâneos de que “jamais moraria em São Paulo”, uma coisa que sempre me deixava curioso, era saber como seria assistir a um jogo do meu time de coração, ao vivo, num estádio.

 

 

Tomei coragem: ao sair do trabalho, decidi ir ao Pacaembu. Era uma terça-feira à noite. Ao chegar lá, os holofotes estavam acesos, a arquibancada ainda tinha poucas pessoas – o suficiente para ficar com aquela imagem marcada na memória. Assisti, naquela noite, à vitória do Corinthians diante do Juventus, time tradicional da cidade. Foi um a zero. E simbólico para quem naquela altura já estava apaixonado pela cidade.

 

 

Ao mesmo tempo que, na agitação do dia-a-dia, pensava que tudo aquilo era provisório, que logo, logo arrumaria um emprego no interior e voltaria, nas horas de lazer, diante de inúmeras opções, imaginava que não havia como abandonar mais tudo aquilo e retornar.

 

 

Depois de Santana, morei em vários lugares: Vila Mariana, Saúde, Centro, Vila Prudente  … e até andei cometendo infidelidades: morei em Santo André, Osasco e Barueri. Mas sempre trabalhei em São Paulo.

 

 

Hoje estou de volta. E moro na Barra Funda, na zona Oeste, bem próximo do terreno, onde estacionava o ônibus que trazia a mim, minha namorada e meus amigos de adolescência para o Playcenter. O terreno está vazio, em compensação a namorada virou minha esposa.

 

 

É curioso porque nas minhas andanças pela cidade, ouço paulistanos da gema dizerem que “isso aqui é uma loucura, já não aguento mais, trânsito, enchente, violência… quando me aposentar, quero ir morar no litoral ou no interior.”.
 

 

Eu, que já me rendo à paixão pela cidade, como paulistano naturalizado penso logo que “, quando me aposentar, quero mesmo é morar em São Paulo”.
 

 

Humberto Bernardino de Andrade é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar desta história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: saudade do meu Campeonato Gaúcho

 

Grêmio 2 x 0 Ypiranga-Erechim
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ypiranga

Luan em uma disputa típica do Gaúcho,na foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Diga o que quiser. Pense o que pensar. Pode desmerecer. Não tem problema. Eu vou entender, mas nada será capaz de me tirar do peito esta saudade que sinto do Campeonato Gaúcho. Uma baita de uma saudade, como diria lá no meu Rio Grande.

 

Conheci o Gauchão quando este aumentativo era dispensável. Bastava-nos chamá-lo de Campeonato Gaúcho. Era ainda a competição mais importante que disputávamos nos anos de 1970. Assistia a todos os jogos no Olímpico, que ficava do lado de casa. Ou então viajava para o interior seguindo os passos gremistas. Muitas vezes passos enlameados em estádios acanhados e arquibancadas de madeira.

 

Tive o privilégio de acompanhar o Grêmio por todo o interior do Rio Grande levado de carona pela equipe de esportes da rádio Guaíba, onde meu pai trabalhou por cerca de 50 anos. Na maior parte das vezes ficava em pé, atrás dos postos ocupados pelo narrador e comentarista da emissora, nas cabines de rádio. Algumas eram tão pequenas que mal cabiam os profissionais, os equipamentos e este torcedor fanático.

 

Da mesma forma que a lama, o frio era uma das marcas da competição. Houve até um histórico jogo na neve, em Bento Gonçalves, lá pelos anos de 1980. E se alguém me perguntar qual o momento mais marcante como torcedor gremista, não vou titubear: o título Gaúcho de 1977. Foi o primeiro que pude comemorar ao lado e abraçado com o meu pai nas cadeiras do Olímpico.

 

Desde lá, nossas ambições foram além das fronteiras do Rio Grande. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial entraram no nosso cardápio. E ganhamos todos eles, queiram ou não os mercenários da Fifa.

 

O Gaúcho ficou menor, mas segue muito perto do coração de cada um dos torcedores. Por isso, foi muito legal ligar a televisão nesta quinta-feira à noite para assistir à estreia gremista na temporada 2017.

 

O jogo foi na Arena que tem mais cara de Copa do Brasil e Libertadores do que Gaúcho. Mas tinha muita chuva para nos lembrar do passado e um adversário tradicional, lá do norte do Estado na divisa com Santa Catarina. Teve jogadas duras, chutões para o alto, excesso de força e reclamações – o suficiente para matar a saudade.

 

Teve também o talento que fez do Grêmio penta campeão da Copa do Brasil no ano passado. Geromel, Luan, Douglas, Marcelo Grohe … marcação alta, volume de jogo, troca de passe precisa e muita movimentação.

 

O primeiro gol foi contra e resultado de uma blitz que resultou de sete cobranças de escanteio em pouco mais de meia hora de partida. O segundo saiu dos pés do redivivo Fernandinho após outra pressão imposta no segundo tempo.

 

Que venham novas vitórias, a classificação às próximas fases e o título do Campeonato Gaúcho. Até porque desse também estou com uma baita de uma saudade.

Sem cortes: bastidores, estúdios e ideias sobre o rádio e o jornalismo

 

 

Como é a produção do Jornal da CBN, a necessidade de o rádio se reinventar, uma entrevista a ser feita e quem me inspirou na profissão foram alguns dos temas provocados pela estudante de jornalismo da ESPM-SP Gabriella Lemos em vídeo experimental que realizou, nos bastidores da rádio CBN. São nove minutos e pouco de entrevista, sem corte, nos quais, além de falar sobre rádio e jornalismo, mostramos estúdios, corredores e redação da CBN, em São Paulo. Curta, compartilhe e opine.

 

São Paulo: Cidade Limpa deve ser referência para Cidade Linda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Há 10 anos, São Paulo era uma das raras cidades grandes do mundo em que a comunicação visual excessiva e desordenada lhe atribuía uma singularidade. Mas, extrapolava. Quase a sufocava.

 

Naquela época eu ainda guardava na memória as observações favoráveis dos professores europeus doutores na ECA USP, sobre a fantástica cultura paulistana exibida nas ruas, nos muros, nos prédios. Alguns edificados especificamente para servir de painel.

 

O desordenamento intenso e extenso, não importa se expressava a vida e cultura das pessoas que ali viviam, teve um antídoto do mesmo calibre. O prefeito Gilberto Kassab insuflado com a energia da arquiteta Regina Monteiro passaram a limpo toda a cidade. Não se detiveram pelo cultural, ou econômico, ou o social.

 

A ordem era limpar a cidade.

 

E veio a surpresa geral, o projeto CIDADE LIMPA, após um breve período de contratempos, foi um sucesso. Empresas cerraram atividades, escritórios de criação, gráficas, operários de colocação de anúncios, transportadoras, etc. deixaram de existir instantaneamente.

 

São Paulo passou de raridade de comunicação desordenada em exemplo de organização visual. Regina Monteiro até hoje é uma celebridade mundial nesta área.

 

Desde então a cidade tem conseguido manter o princípio mestre da CIDADE LIMPA, blindando-se de uma forma geral aos eventuais ataques do poder econômico, ou de interesses corporativos menores, como no caso das bancas de jornal.

 

O prefeito João Doria, recém-empossado, talvez pela eficácia da CIDADE LIMPA, deve ter se surpreendido com a retaliação à CIDADE LINDA do grupo de pichadores, das gangues de “pixadores” e de alguns grafiteiros. Afinal, está apenas indo contra os ilícitos e não está mexendo com o poder econômico.

 

Quem sabe não seria bom chamar os “universitários” ou a experiente Regina Monteiro?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: minha irmã foi registrada dia 25 de janeiro por amor à cidade

 

Por Mara Rocha
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

 

Minha história com São Paulo começa antes mesmo de minha família e eu morarmos aqui. Em 1952, meus pais viviam em Presidente Epitácio e só tinham dois filhos. Meu pai vinha a São Paulo comprar tecidos para minha mãe fazer as roupas da casa, dos filhos … ela costurava pra fora, também. Meu pai adorava São Paulo e voltava pra casa todo feliz contando para os amigos o que tinha visto por aqui: falava dos cartazes de filmes, teatro e shows musicais.

 

Em 16 de fevereiro de 1953, nascia minha irmã. Meu pai esperou um ano só para poder registrá-la com a data de 25 de janeiro. Em 1955, foi minha vez de vir ao mundo e meu nome Mara foi em homenagem a atriz de teatro de revista Mara Rubia. Em 1957, nascia outra irmã e o nome foi (completo) Dalva de Oliveira. Dispensa apresentação. Em 1960 nascia o coitado da turma feminina, porque depois dele vieram mais três meninas e formamos o time de nove, mas essas já são paulistanas.

 

Chegamos em São Paulo em 1961, minha mãe ficou encantada com o tamanho da cidade. Fomos morar no bairro Taboão em São Bernado do Campo e a minha rua chama-se São Paulo. O pai era motorista de ônibus na linha São Bernardo – São Paulo, passando pelo Zoológico, Jardim Botânico e, finalizando, na Praça da Árvore onde tinha o Cine Estrela. Nossos finais de semana eram nesses lugares. Adorava passear no Jardim Botânico onde fazíamos piquenique, jogávamos bola, peteca e nos divertíamos comoutros brinquedos da época. Visitámos com frequência também o Zoológico.

 

Minha irmã mais velha Wandy, trabalhava como modelo dos maiôs Cenimar ou Celimar (não lembro ao certo), as mulheres eram esculpidas pela natureza porque tudo era feito a pé ou de bicicleta. Ela foi a primeira a ter carro em casa e isso demorou um bocado. Ela fazia também as feiras do Ibirapuera. E a que eu mais gostava era o Salão da Criança porque brincava muito, e bebia muito iogurte Paulista, no estande onde ela trabalhava.

 

Nas férias íamos de trem para a casa do meu tio em Santa Fé do Sul. Ficava encantada com a Estação da Luz e a viagem de muitas horas passava rápido porque era divertidíssimo dormir nas camas da cabine com o balanço do trem. E durante o dia passeávamos pelos vagões.

 

Só comecei a frequentar o Cine Estrela quando fiquei adolescente (na época: mocinha). Daí foi um passo pra conhecer outros lugares, como o Cine Ipiranga e o Cine Ópera, esses dois no Centro. Ficava até difícil escolher pra onde ir nos finais de semana. Pedalinhos no Parque do Ibirapuera, tardes deliciosas no Museu do Ipiranga, encontro com a galera no Pilequinho, um bar em Moema que fazia deliciosos sucos e batidas de frutas. Sem deixar de frequentar o Jardim Botânico, meu lugar predileto.

 

 
Nossas compras eram feitas no Mappin e adorava ver o ascensorista descrevendo tudo que tinha nos andares. Minha loja predileta chama-se Piter, próxima do Teatro Municipal e o vestido verde água que comprei no crediário, é inesquecível!

 

Tinha 24 anos (1979) quando nos mudamos para Moema, a 50 metros do Shopping Ibirapuera, inaugurado em 1976. Os trilhos do bonde ainda estavam na Avenida Ibirapuera e minha vida não mudou nada porque desde sempre eu fui paulistana de corpo e alma. Casei, tive filho e neta. Passei pra eles tudo isso, o que ficou, claro! Meu filho e minha neta amam parques, piqueniques, bicicleta, patins e, principalmente, amam São Paulo.

 

Mara Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Este texto foi ao ar, em 2013, no CBN SP, mas ainda não havia sido reproduzido aqui no Blog.

Conte Sua História de São Paulo: os banhos no lago do Villa Lobos

 

Por Claudio Menezes

 

 

Descendente de imigrantes portugueses e italianos, minha família quase toda é do Alto da Lapa, na zona Oeste de São Paulo.

 

Meu bisavô ao lado dos filhos e de funcionários – ou de colaboradores, termo que costumam usar nos dias de hoje – participaram do trabalho de construção da Estrada da Boiada. Dizem que a Estrada era o caminho para ligar Santo Amaro a Pinheiros. Hoje, muitos de nós passamos por lá, sem boi, é claro: é a Avenida Diógenes Ribeiro de Lima.

 

Dentre outras obras importantes que meu avô e sua turma participaram está a Praça Panamericana, aquela enorme e verde rotatória, um marco do Alto de Pinheiros.

 

Na rua em que nossa família morava havia uma feira livre. Isso nos permitia embolsar uns trocados extras. Eu e outros meninos fazíamos carreto para os clientes da feira. Nós também aproveitávamos para pegar os barbantes que serviam para fechar sacos de feijão que eram feitos de estopa. O barbante era usado depois como linha de pipa que soltávamos lá pela região do parque Villa Lobos.

 

O parque ainda não existia. Lá havia lagoas. E, sem saber nadar nem noção do perigo, pegávamos pedaços de isopor para nos refrescar nos dias quentes.

 

Cláudio Menezes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar a sua história aqui na CBN: escreva seu texto e envie para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: André Barrence diz o que o Google procura nos novos empreendedores e startups

 

 

“Eu costumo dizer que o empreendedor tem de ser um cara apaixonado não por uma solução, mas por um problema. Quando a pessoa chega pra mim e fala: “tem um problema que eu acho que eu consigo solucionar”, aí o meu nível de atenção já sobe muito”. A afirmação é de Andre Barrence, diretor do Campus São Paulo do Google e do Google For Entrepreneurs, em entrevista ao jornalista Milton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Barrence é responsável pelo setor do Google que incentiva a criação de empresas e o desenvolvimento de startups. Nesta entrevista, você vai saber como aproveitar a infraestrutura oferecida pelo Google aos jovens empreendedores.

 

No último sábado do mês, o Mundo Corporativo se dedica às novas gerações. A gravação do programa pode ser assistida ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e da página da CBN no Facebook. Colaboraram com este programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Da universidade se espera a busca de soluções para o jornalismo em crise

 

 

Este vídeo é resultado da conversa que a estudante Mahayla Haddad teve comigo durante a participação no 4o BetaJornalismo, promovido pela faculdade de jornalismo, da Escola de Comunicação e Arte da PUC-PR, no ano passado. Falo sobre crise no jornalismo e a expectativa de que soluções surjam da criatividade, inovação e responsabilidade dos jovens jornalistas.

“X-Man” – Apocalipse: se é X-Man, assista!

 

Descobri nos “drafts” do meu blog, este texto da Biba Mello, escrito ano passado, com mais uma boa dica de filmes. Por erro deste blogueiro, não programei a publicação do post e lá ficou pendurado. Aproveito que estamos em férias para trazer esta sugestão da nossa colunista (desculpa aí, Biba!)

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“X-Man : Apocalipse”
Um filme de Brian Singer
Gênero: Ficção
País:USA

 

Apocalipse, o primeiro mutante, retorna após milhares de anos adormecido. Seu poder é estrondoso pois sua habilidade é tomar o poder de outros mutantes, inclusive se mudar para um novo corpo, jovem e poderoso, tornando-o imortal. Ele recruta jovens mutantes para juntos destruirem toda a humanidade. Xavier, por sua vez, com a sua turma do bem, entra em conflito com este enorme mal para salvar o planeta desta destruição completa.

 

Por que ver:

 

“Gentem”, e tem X-Men ruim? Nãaaaaooooo! Não tem! Espetáculo garantido.

 

Até quem não curte muito ficção como eu, curte! Meu marido sempre fala: “amor, é X-Men, não tem como você não gostar”… Ele sempre acerta!

 

O que mais gostei do filme foi ver os X-Mens jovens. Também mostra como a Tempestade virou a tempestade, e entendemos o porquê muitos deles se tornaram o que são hoje…

 

Como ver:

 

Como, quando e onde quiser!

 

Quando não ver:

 

Desculpem os muitos chatos, mas X-mens é fundamental ! Assistam!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Quando proibir vira moda, a vítima é sempre a moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Miss Brasil Sataël Maria Rocha Abelha posa de maiô acompanhada de outras misses no último concurso antes da proibição de Jânio

 

 

Jânio Quadros, em 1961, de Brasília, com o intuito de moralizar, proibiu o uso de biquíni dentre tantas outras medidas.

 

Pery Cartola, em 2017, de São Bernardo do Campo, com a intenção de educar, proibiu decotes num Manual de Etiqueta tão controvertido quanto genérico.

 

Quadros em contencioso com o Congresso renunciou antes da ebulição das pitorescas proibições. Cartola após descuidada entrevista ao SPTV transformou as proibições em sugestões.

 

As mídias sociais e também as convencionais, como a VEJA e o FANTÁSTICO, absorveram o espetáculo e abriram espaço para Pery Cartola e as advindas repercussões.

 

Muito espaço e pouca análise.

 

Isentando o mérito intencional de Jânio e Pery, fica claro que lidar com o tema de moda mesclado com comportamento, etiqueta, elegância, civilidade e moda propriamente dita não é tarefa para leigos.

 

Se a intenção é orientar para que as pessoas estejam mais seguras e felizes com o modo de vestir, adequando o local com o próprio estilo de vida e refletindo o padrão profissional escolhido, é preciso transmitir o conhecimento existente sobre a moda.

 

O “Manual de Cartola” evidencia uma boa intenção totalmente perdida sob o aspecto técnico. Ora é um código de vestimenta profissional, ora é um apanhado de produção de moda, ora um almanaque com dicas como aquela da meia como extensão da calça, ou dos cuidados com babados e rendas.

 

Entretanto, o mais importante deste episódio de São Bernardo pode ser a sinalização da adequação de pessoas ao trabalho em uma Câmara de Vereadores, menos do que a impropriedade das respectivas maneiras delas se vestirem.

 

A Moda é tecnicamente uma forma das pessoas comunicarem seu estilo de vida, seu comportamento. Se há descompasso deste modus vivendi com o seu trabalho, o problema não está nas roupas, mas na escolha da profissão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.