Vêm aí mais 14.500 anúncios para sujar o Programa “Cidade Limpa”

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto de Maro Aurelio Nogueira no Flickr de Mílton Jung

 

As bancas de jornal, desde sua regulamentação ocorrida nos anos 1940 pela ditadura Vargas, quando se preservou os direitos dos imigrantes e pioneiros italianos e se garantiu a participação aos brasileiros idosos e menores, vem desfrutando a atenção que a sua importância tem requerido.

 

O italiano Carmine Labanca criador da primeira banca e inspirador da denominação banca ao formato do novo comércio e o prefeito Jânio Quadros que regulamentou a formatação hoje existente, fazem parte desta história, que hoje se encontra num processo de mudança devido às novas tecnologias.

 

É exatamente em cima deste negócio de venda de jornais e revistas que o Prefeito de São Paulo escolheu para propor a desfiguração da lei da “CIDADE LIMPA”.

 

Fernando Haddad tinha vetado, em 2014, o projeto do vereador José Américo Dias PT que propunha autorizar a propaganda nas bancas para compensar a queda nas vendas de jornais e revistas. Haddad alegou então o privilégio a uma categoria profissional.

 

José Américo, nomeado secretário municipal por Haddad, apresentou em maio o Projeto de Lei do Executivo (236/2016) chamado de “Banca SP”, que autoriza as bancas a venderem propaganda e sem licitação.

 

Com 4.500 bancas e três faces liberadas, teremos 14.000 anúncios, número bem superior aos 4.000 autorizados em pontos de ônibus e relógios, que por serem concessões obrigam a licitação.

 

Em breve, o Projeto estará em plenário em última fase de votação, tocado a extrema velocidade, que permite deduzir o interesse em usá-lo para as próximas eleições. Como vantagem competitiva e pecuniária.

 

Regina Monteiro, a “arquiteta” da lei da “CIDADE LIMPA”, consultada a respeito pelo Blog do Mílton Jung, nos disse que se for para mudar a ocupação destes espaços cedidos como permissão de uso que seja para cafés com flores e jamais como “mini-shoppings” como estão se transformando as bancas. E, muito menos sujando a “CIDADE LIMPA” com propaganda.

 

Regina aproveitou a oportunidade e transmitiu um apelo aos qualificados leitores e ouvintes de Mílton Jung: participem do movimento contra esta nova lei, comparecendo às chamadas na Câmara Municipal ou fazendo presença em comentários na mídia social, inclusive pelo Facebook onde tem se manifestado.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Moradores de Bento Rodrigues querem garantir o direito à vizinhança

 

Fotos produzidas pelo Senado

Bento Rodrigues destruida pela negligência Foto: RogérioAlves/TV Senado

 

Bento Rodrigues já havia completado 317 anos quando a negligência de uma empresa que explora a região causou o maior desastre ambiental do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Apesar dos mais de três séculos de vida, o subdistrito de Mariana com cerca de 600 moradores somente foi apresentado para a maioria dos brasileiros após a Samarco despejar toneladas e mais toneladas de lama sobre casas e pessoas.

 

A Tragédia de Mariana foi em cinco de novembro de 2015 e mesmo com o passar do tempo a empresa não só é incapaz de impedir que a lama siga escorrendo como também não tem demonstrado competência para solucionar o drama das famílias.

 

Hoje cedo, na programação da CBN, ouvi mais uma reportagem com os moradores do antigo Bento. Gente de voz humilde que teve sua história atolada no descaso da Samarco e agora tenta a reconstrução da sua vida.

 

Um dos habitantes pedia que a empresa respeitasse a arquitetura do povoado e reconstituísse o ambiente em que viviam, mantendo a mesma divisão territorial.

 

O que os moradores pedem é que a casa do Zé seja construída ao lado da casa do Pedro e esta construída ao lado da casa do João, como era no Velho Bento. Que a venda da Maria esteja no quarteirão seguinte e a Igreja um pouco mais à frente. Os vizinhos querem continuar vizinhos, não perder seus laços. Querem o direito de poder sentar na calçada e receber os parentes que moravam em frente, como sempre foi.

 

Desde o início desta tragédia, a Samarco, assim como a Vale e a BHP, que são as donas da empresa enlameada, têm revelado incompetência para gerenciar a crise. Erraram no trabalho de preservação, erraram na contenção, erraram na comunicação, erraram no atendimento dos cidadãos e parece que vão continuar errando.

 

Ao acompanhar a reportagem que foi ao ar na CBN, fiquei imaginando a oportunidade que a empresa e seus controladores estão desperdiçando. Já que causaram este drama humano e ambiental, deveriam ser corajosos e criativos na oferta de solução.

 

Respeitando o espaço de cada família e mantendo o mesmo desenho urbano, poderiam investir nas mais avançadas tecnologias ambientais, transformando o Novo Bento em um exemplo para o mundo.

 

Começariam pela escolha do material de construção, privilegiando os de baixo impacto ao meio ambiente.

 

No meu cenário ideal, as casas teriam telhados cobertos por placas fotovoltaicas e produziriam a própria energia. Todos os dejetos e resíduos orgânicos seriam coletados por tubulação e transferidos para uma usina que transformaria este material em biogás para uso residencial. Resíduos sólidos seriam reciclados. E a água, reaproveitada.

 

Diante do custo mais elevado desta reconstrução, a Samarco poderia mobilizar empresas que desenvolvem esses sistemas e equipamentos, que fariam de Bento Rodrigues vitrine dessa tecnologia verde.

 

Um delírio da minha parte, sem dúvida, pois a empresa não estaria cumprindo sequer o mínimo que se comprometeu como contratar mão de obra local para execução dos serviços de manutenção e reconstrução de áreas atingidas, como reclamou dia desses o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Junior.

 

Que ao menos devolva o direito à vizinhança para o Seu Zé, o Seu Pedro e o Seu João de Bento.

Avalanche Tricolor: fizemos a lição de casa com elegância e muito frio

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Douglas comemora com o time o segundo gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Um jogo de aparente tranquilidade no qual a bola esteve quase sempre sob nosso domínio. E quando não esteve, foi logo recuperada por uma marcação eficiente que impediu riscos de gol.

 

Até demoramos para chutar, mas quando o fizemos fomos definitivos, como no fim do primeiro tempo no cabeceio de Luan que abriu o placar após cruzamento preciso de Everton, em jogada, aliás, iniciada pelo próprio Luan.

 

No segundo tempo, sequer foi preciso aquecer muito, pois aos seis minutos já havíamos ampliado para 2 a 0 após mais uma jogada de muito talento com a participação de Luan e conclusão de Douglas, também de cabeça.

 

Até a sorte esteve ao nosso lado, pois o pênalti marcado com atraso pelo árbitro, na rara oportunidade de gol do adversário, foi para fora.

 

Com a vitória na mão, a troca de passe foi ainda mais segura sem jamais perder a elegância. O torcedor deu-se até o direito de ensaiar um olé … fazia tempo que não ouvia este grito.

 

Com todo o respeito que o adversário e sua tradição merecem, nesta noite de domingo o maior desafio foi enfrentar o clima. O termômetro marcou de seis a sete graus celsius e uma forte névoa embaçou a imagem durante todo o jogo.

 

E foi o frio, pelo que pude perceber, que impactou a condição física de nossos jogadores e nos levou a perder Geromel, Walace e Michael, todos lesionados e jogadores que podem fazer muita falta nas próximas partidas, especialmente em um momento no qual estamos beirando a liderança.

 

A despeito das lesões, o importante é que fizemos a lição de casa e seguimos na briga pelo título do Brasileiro.

Quintanares: Quando a luz estender a roupa nos telhados

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos 1940
Narração de Mílton Jung

 

XXVII

 

Quando a luz estender a roupa nos telhados
E for todo o horizonte um frêmito de palmas
E junto ao leito fundo nossas duas almas
Chamarem nossos corpos nus, entrelaçados,

 

Seremos, na manhã, duas máscaras calmas
E felizes, de grandes olhos claros e rasgados…
Depois, volvendo ao sol as nossas quatro palmas,
Encheremos o céu de vôos encantados!…

 

E as rosas da Cidade inda serão mais rosas,
Serão todos felizes, sem saber por quê…
Até os cegos, os entrevadinhos… E

 

Vestidos, contra o azul, de tons vibrantes e violentos,
Nós improvisaremos danças espantosas
Sobre os telhados altos, entre o fumo e os cataventos!

 

Conte Sua História de SP: o passeio com meu filho ao centro da cidade

 

Por Mario de Salles Oliveira Malta Junior
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

Na semana passada, meu filho João Pedro me pediu para tirar o título de eleitor, uma vez que completou 16 anos recentemente. Ao invés de simplesmente orientá-lo em direção ao Centro da cidade, decidi acompanhá-lo. Talvez por intuição de minha parte, senti que poderia ser um revival de meus 4, 8 ou 16 anos de idade, rumo retroativo a 1955 em diante.

 

O ônibus articulado nos deixou atrás da Catedral, onde antes eu descia do CMTC da Linha 16, que ia da Rua Machado de Assis à Rua Cardoso de Almeida. Dependendo da direção que seguia, o trolebus assim se chamava. Quando eu o tomava, descia justamente na Praça João Mendes ou no Instituto de Educação Caetano de Campos, situado mais adiante na Praça da República. Mas essas são histórias para outras oportunidades…!

 

Contei ao João que as lojas de artigos para umbanda e, acima delas, o Bilhar do Seu Martins, sempre chamaram minha atenção, me impressionavam. Se fisicamente não mais estão ali na esquina com a Quintino Bocaiúva, ao menos na minha memória permanecem. Como também estão registrados os odores sentidos por milhares de transeuntes que iam e vinham por ali. Do Bilhar, os odores eram de frituras, pedidas pelos frequentadores. Imagino: será que “Carne Frita” veio desse local? Com Rui Chapéu, foi um dos maiores.

 

Nossa caminhada nos levou ao Largo da Misericórdia, que leva consigo minhas mais profundas recordações. Ali, no 12o. andar de um prédio ainda muito estiloso, acompanhava o bisavô e o avô do João Pedro ao trabalho. Aliás, ouvia deles a frase “…vamos trabalhar…” e assim me julgava fazendo durante toda a manhã quando lá ficava. Tenho aqui em casa a máquina de escrever, o furador de papéis, grampeador da época. Para mim, verdadeiras relíquias.

 

Decidi dar uma parada mais longa ao redor da Praça do Patriarca. Contei ao João rápidas passagens sobre a Casa São Nicolau, que era o point do Natal e mostrava na vitrine brinquedos inconquistáveis para a maioria. Bastava vê-los e imaginá-los em casa…!

 

Também lhe mostrei que, nessa ou naquela janela, funcionava o consultório do Dr. Dácio, meu pediatra. Profissional competente e simpático, que uma vez me diagnosticou com anemia e me mandou para Poços de Caldas, alimentado basicamente com fígado na chapa e no liquidificador!

 

Fui então com o João ali quase na esquina com a São Bento: e a Casa Califórnia, como não mostrá-la a ele? Ainda está lá, desde 1920 ou ao redor disso. E os lanches, muitos são basicamente iguais. Dei a saída nos pedidos: sanduíche de calabresa com suco de laranja, pois era isto que sempre peço por lá desde 1954. E o João, para não contrariar a mim nem ao bisavô nem ao avô, adivinhem o que pediu???

 

Enfim, fomos em direção ao que viemos. Atendimento excelente no posto do TRE, rápido e cortês. Mais incrível para mim, o João Pedro gostou das histórias, disse querer voltar ao Centro com mais calma, levando o irmão mais novo conosco. Também me pergunto: será pelas histórias de São Paulo ou pelo sabor dos sanduíches?

 

Quero crer que seja pelos 2 motivos!!!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Os ouvintes podem enviar seus textos para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Theunis Marinho ensina a escalar o Everest Corporativo

 

 

“Tudo na vida deve começar com um sonho, o difícil é você fazer aquele sonho tornar-se realidade, que é o trabalho, que é a luta, que o planejamento; mas se você não sonha você não sabe onde quer chegar”. A afirmação é de Theunis Marinho, que já foi presidente da Bayer Polímeros, trabalha como coach e é especialista em recursos humanos. Ele foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung no Mundo Corporativo, da CBN, e falou sobre o livro “Sonhar alto, pensar grande – lições de um brasileiro que enfrentou os obstáculos e tornou-se presidente de uma multinacional” (Editora Gente). Marinho faz uma analogia entre a caminhada para uma carreira promissora e a escalada de uma montanha alta e apresenta dicas sobre como se deve enfrentar o que ele chama de “Everest Corporativo”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com este Mundo Corporativo Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: muitos gols, boas jogadas e algumas falhas

 

Chapecoense 3×3 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó-SC

 

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Jaílson comemora com Everton em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Pra quem curte futebol, foi um baita jogo. Mudança constante no placar, viradas e empates, vantagens e desvantagens. Os dois times olhando o tempo todo para a frente e visando o gol a qualquer custo. Verdade que, às vezes, a ansiedade atrapalhou-se com a bola. E a pressa tropeçou na precisão. Em nenhum momento, porém, a busca pela vitória foi abandonada.

 

O ataque gremista – e não me refiro apenas aos nossos atacantes – funcionou bem com a tradicional troca de passe e jogadores se deslocando com rapidez. A maior surpresa foi Jaílson, outro volante que aparece bem na frente a ponto de ter marcado o gol de empate, no fim do primeiro tempo. Um garoto que, assim como muitos que estão no time, tem personalidade suficiente para arriscar quando necessário.

 

Outra novidade foi a presença de Negueba no segundo tempo. A falta de entrosamento fez com que o atacante saísse antes do passe ou chegasse depois da bola em alguns momentos. Foi, porém, decisivo no gol do empate final: escapou com velocidade pela direita e colocou a bola dentro da área em condição de Giuliano completar de cabeça.

 

Permita-me falar, também, de Giuliano que na minha parca visão futebolística, sempre contaminada pela paixão clubística, tem sido muito importante na equipe com sua movimentação intensa e participação decisiva nos gols.

 

Pena que com tudo isso (e com nossas falhas na bola aérea), deixamos de somar mais dois pontos na tabela de classificação e corremos o risco de terminar a rodada uma posição abaixo daquela que estávamos quando a iniciamos.

 

Porém, como sou um otimista contumaz e antes que alguém comece com discursos derrotistas, devemos lembrar que a partida de hoje foi a segunda seguida fora de casa sem perder. Por este ponto de vista, somamos dois pontos. Que venham mais três no fim de semana.

Operação urbana pode ressuscitar a bacia do Tamanduateí

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rio Tamanduateí reassume espaço da Av do Estado, foto de Pétria Chaves/Flickr

 

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad apresentou à Câmara Municipal a Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí.

 

É um projeto pretencioso, que abrangerá a região formada pelo Cambuci, Ipiranga, Mooca, Vila Carioca e Vila Prudente.

 

Dentre os objetivos deste Plano está o adensamento urbano na extensa área que o delimita, aproveitando os espaços existentes, e a utilização das construções históricas, transformando-as em edificações públicas.O critério de ocupação buscará harmonizar os locais de habitação, trabalho e lazer.

 

Há severas críticas de especialistas ao Projeto, que apontam benefícios exclusivos à indústria da construção civil, e da Prefeitura, que pretende arrecadar R$ 6 bilhões, ou de populistas que temem a elitização da área.

 

A verdade é que o melhor resultado poderá vir da recuperação da bacia do rio Tamanduateí. Será a retomada da origem da cidade, quando era cortada por rios e riachos.

 

Mais precisamente, em 25 de janeiro de 1554, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, auxiliado por João Ramalho, e com a aprovação de seu sogro, o cacique Tibiriçá, ergueram um barracão de taipa na colina localizada entre os rios Tietê, Anhangabaú, e Tamanduateí. Nasceu então a cidade de São Paulo, com total vocação e devoção aos rios. Condições que, como todos sabem seus dirigentes não conseguiram manter.

 

E hoje é difícil imaginar que a base da alimentação dos paulistanos vinha dos peixes destes rios. Ao mesmo tempo é fácil entender as causas das atuais e persistentes enchentes. Afinal, mataram todos os rios e até enterram alguns deles. Como o rio Tamanduateí, morto e enterrado, ou o histórico Riacho do Ipiranga, totalmente desaparecido. Ambos poderão ressuscitar em breve, se os vereadores, os empresários da construção civil e os populistas apoiarem esta Operação Urbana do Tamanduateí, surpreendente, inovadora e favorável ao meio ambiente paulistano.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

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Adote um Vereador: o papel das subprefeituras deve ser discutido na eleição

 

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Fazia frio. Muito mais frio do que qualquer outro sábado dos muitos que já nos serviram de abrigo para as reuniões mensais do Adote um Vereador, em São Paulo. E lá no Pateo do Collegio, o café é do lado de fora, voltado para o vale. A nos proteger, por um lado havia a parede histórica, de 1585, a que restou das primeiras construções dos jesuítas,e por outro, três lonas brancas estendidas de alto a baixo. O restante era a nossa cara e coragem. E isso nunca fez falta a turma do Adote.

 

A Sílvia, a Silma, a Rute, a Eliana, a Lucia, a Aline e a Gabriela estavam lá, mesmo que o frio nos convidasse a ficar em casa. Elas eram maioria na mesa do café – costumam não faltar jamais. Do lado dos homens, além de mim, apareceram também o Vitor e o Moty, que já estão há tempos conosco. O Vitor é quem nos mantém acesos no Twitter (@adoteumver_sp) e o Moty foi quem convenceu o Tiago a nos visitar.

 

O Tiago mora no Belém e trabalha no Campo Limpo. Atravessa a cidade todos os dias e se sente incomodado com os rumos da política na nossa cidade. Assim como os demais que chegam pela primeira vez, senta à mesa e demora um pouco para entender o que está acontecendo ali – bem pouco. Pois logo percebe que o assunto, seja qual for, tem como intenção fazer de São Paulo uma cidade melhor.

 

Uma das ideias dele, em convergência com o que pensa o Vitor e o Moty, é termos oportunidade de assistirmos aos candidatos a vereador em debate, no qual apresentariam suas propostas por São Paulo. Se nossas expectativas forem atendidas, em breve teremos esta chance.

 

Além da própria temperatura, a conversa voltou-se às subprefeituras e seu papel no desenvolvimento de cada uma das regiões. São 32 na capital que deveriam receber pedidos e reclamações da população; solucionar os problemas apontados, preocupar-se com a educação, saúde e cultura de cada região; e cuidar da manutenção do sistema viário, da rede de drenagem, limpeza urbana, vigilância sanitária e epidemiológica, entre outras funções, como ensina o site da prefeitura.

 

Você, cidadão paulistano, deve achar estranho que exista uma instituição em São Paulo com tantas obrigações e tão poucas realizações. Nem mesmo a criação dos conselhos de representantes, eleitos em cada uma das subprefeituras, tem sido suficiente para fazer os subprefeitos trabalharem mais e melhor.

 

Aliás, você sabe quem é o subprefeito responsável pelo seu bairro?

 

Imagino que a maioria de vocês não tem ideia de quem esteja ocupando o cargo nesse momento. A culpa não é sua. É da própria prefeitura. E dos subprefeitos, também. A maioria faz pouco e fica pouco tempo no cargo.

 

Quer um exemplo?

 

Lá mesmo no Pateo, resolvemos fazer uma rápida pesquisa no Diário Oficial do Município para identificar a alta rotatividade de subprefeitos na atual gestão. Levamos em consideração a última subprefeita de Aricanduva/Formosa/Carrão, Jackeline Morena de Oliveira Melo, que permaneceu no cargo menos de um mês, tendo sido nomeada em 12 de maio e exonerada no dia 10 de junho de 2016.

 

Para nossa surpresa, a mesma servidora, já foi subprefeita em Perus (2013) e na Lapa (2014) antes de assumir e deixar a função na Subprefeitura de Aricanduva/Formosa/Carrão. Independentemente da sua qualificação, é muito difícil que algum gestor consiga implantar um plano de ação em qualquer que seja a instituição com tantas mudanças e tão pouco tempo de administração.

 

A pesquisa, que pretendemos ampliar para todas as subprefeituras e subprefeitos da capital, nos remete a discussão que tivemos em encontros passados: a necessidade ou não de eleições diretas, com mandato fixo, para os subprefeitos.

 

Pode ser que me engane, esse, porém, não parece ser um tema capaz de mexer com os candidatos a prefeito que já planejam suas campanhas assim que agosto chegar (a propaganda no rádio e na TV começa dia 26 de agosto, segundo calendário do TSE). A maioria deles, da mesma forma que os candidatos a vereador, teme que a mudança no processo possa diminuir seu poder no cargo.

 

Com eleição direta ou sem eleição direta, as subprefeituras são organismos importantes que precisam ser respeitados e ocupados de maneira competente. Fica a sugestão do Adote um Vereador: assim que um candidato, a prefeito ou a vereador, se apresentar aí na sua rua, pergunte para ele o que pretende fazer com as subprefeituras. Melhor ainda: diga para ele, o que você gostaria que fizessem com as subprefeituras.

 

Se assim como o tempo, a eleição municipal está fria, cabe ao cidadão começar a aquecer o debate.

Avalanche Tricolor: cuidado com as palavras e apuro na bola jogada

 

Fluminense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Volta Redonda/RJ

 

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Bobô na disputa pelo alto, em foto de Nelson Perez/Gremio.net

 

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe bem o cuidado que tenho com as palavras. Tanto porque aprecio as benditas assim como tenho medo do poder das malditas, aquelas que proferimos na emoção de um lance, no momento de explosão do gol ou diante da injustiça imposta pela autoridade em campo.

 

Pensei bem antes de escrever esta Avalanche, mesmo assim por várias vezes me peguei digitando algumas linhas tortas e as apaguei em seguida.

 

Desde que deixei as quadras de basquete, e isso faz muitos anos, decidi controlar meus gestos e emoções. Naquela época, explodia de alegria, de raiva, de choro e de indignação. Fui guerreiro mas fui injusto e descontrolado muitas vezes. Os árbitros eram meus alvos principais. E seria o árbitro meu alvo nesta Avalanche se insistisse em escrevê-la ainda sob o impacto da partida de sábado.

 

Convenhamos, aquele cidadão agiu de maneira um pouco estranha. Se por um lado enxergava pouco por outro ouvia demais. Os olhos toleravam o que o ouvido não aceitava; o que talvez explique não ter enxergado duas mãos na bola em um mesmo lance – e, portanto, deixado de marcar pênalti a favor do Grêmio – nem visto falta em um “carrinho temerário” quando Edílson escapava pela direita, o que provocou a reclamação de Ramiro. Seu ouvido sensível, porém, foi ultrajado com as palavras de nosso volante e, sem dó nem advertência prévia – que resultaria em um cartão amarelo – colocou-o para fora causando mais um grave prejuízo ao Grêmio.

 

Como disse anteriormente, porém, não quero aqui me ater a influência do árbitro nem aos motivos que o levaram a cometer tantos erros contra o Grêmio – apesar de já tê-lo feito no parágrafo anterior (eu não consigo me conter).

 

Prefiro olhar nossos méritos. E que méritos: lá atrás Bruno no gol, Geromel e Wallace dentro da área, Edílson e Marcelo Hermes pelas laterais, apesar do gol sofrido, foram gigantes para suportar a pressão do adversário. Lá na frente, a troca de passes que nos proporcionou o gol, mesmo quando já estávamos com “dois a menos” (se é que você me entende), foi lance de alta categoria.

 

Diante da área e da defesa adversária, com velocidade e precisão, Giuliano passou para Bobô que, sem pestanejar, encontrou Marcelo Hermes entrando por trás da defesa. Nosso menino da lateral esquerda deu um toque elegante embaixo da bola, fazendo-a cair dentro do gol. Coisa linda de se ver, que mostra bem o nível do futebol que temos jogado.

 

Neste fim de semana, ganhamos um ponto e nos tiraram dois. E quem nos tirou os pontos, levou junto a possibilidade de encerrarmos esta sétima rodada na liderança.

 

Se me permitem uma sugestão: independentemente das injustiças proporcionadas pelo apito, dentro de campo, vamos esquecer o árbitro e seguir jogando a bola que sabemos. A performance de nossa equipe é suficiente para nos oferecer a esperança de que logo estaremos na ponta novamente.