Quintanares: Deve haver tanta coisa desabada

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung
Publicado em Nova Antologia Poética

 

XXVI

 

Deve haver tanta coisa desabada
Lá dentro… Mas não sei… É bom ficar
Aqui, bebendo um chope no meu bar…
E tu, deixa-me em paz, Alma Penada!

 

Não quero ouvir essa interior balada…
Saudade… amor… cantigas de ninar…
Sei que lá dentro apenas sopra um ar
De morte… Não, não sei! não sei mais nada!

 

Manchas de sangue inda por lá ficaram,
Em cada sala em que me assassinaram…
Pra que lembrar essa medonha história?

 

Eis-me aqui, recomposto, sem um ai.
Sou o meu próprio Frankenstein – olhai!
O belo monstro ingênuo e sem memória…

Mundo Corporativo entrevista Othon de Almeida, da Deloitte, sobre o papel do CFO

 

 

“A ética tem tem que permear o executivo-profissional da área de finança. Por quê? Porque ele lida com o coração da organização, lida com os negócios da empresa, tem o poder de através da sua influência de acrescer o valor da empresa ou de destruir o valor de uma empresa”. O alerta é de Othon de Almeida, líder do programa de CFO da Deloitte, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo da CBN. Ao falar dos desafios dos diretores financeiros, Almeida também ajuda os gestores das pequenas e médias empresas a cuidares das contas do seu negócio.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com este Mundo Corporativo Alessandra Dias, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: a poesia da Terra da Garoa

 

Lúcia Edwiges Narbot Ermetice (Lu Narbot)
Ouvinte-internauta da Rádio CBN

 

 

A menina que eu fui
passeava às margens do Ipiranga
e imaginava o grito de D. Pedro I:
“Independência ou Morte!”

 

A menina que eu fui
brincava nas ruas sem asfalto e sem perigo,
e amava e se orgulhava de sua cidade,
a que mais crescia no mundo!

 

A menina que eu fui
ouvia a mãe falar dos antigos carnavais da Paulista,
desfile de carros enfeitados e gente chic,
o Corso, palavra reveladora das origens italianas.

 

Ah! A menina que eu fui!

 

O Ipiranga continua lá,
ecoando o grito de D. Pedro I,
mas as ruas em que eu brincava
hoje estão asfaltadas e perigosas.

 

No Carnaval da Paulista já não há mais Corso
e outros imigrantes somaram-se aos italianos
para fazer a cidade crescer.
E ela cresceu tanto, mas tanto, que virou um caos.

 

A menina que eu fui
e que hoje habita este corpo maduro
ainda assim ama e se orgulha
da cidade em que nasceu,
a sua Terra da Garoa!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung

 

Sete meses da Tragédia de Mariana, e daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tragédia de Mariana em foto do Greenpeace Brasil no Flickr

 

Cinco de junho é o Dia Internacional do Meio Ambiente cujo propósito é divulgar e conscientizar a importância da preservação dos recursos naturais. Portanto, há três dias o mundo deveria ter se ligado a questão ambiental. O Brasil também.

 

No dia Cinco de Novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, uma barragem da Samarco, da Vale do Rio Doce, se rompeu, vazando lama de minério que inundou vilas e cidades. A devastação foi total, destruir e matou o que encontrou pela frente. Minas Gerais e Espírito Santo ainda hoje e por tempo ainda não determinado pagam caro pela irresponsabilidade de poucos.

 

Vinte dias após essa tragédia, os deputados mineiros aprovaram (57 a 9) projeto de lei comandado pelo governador Fernando Pimentel do PT que acelerava as licenças ambientais.

 

Há cinco meses, entrou em vigor o Programa das Nações Unidas que propõe os OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Entre tantos, o combate ao desmatamento, ao aquecimento global, à degradação ambiental, ao uso excessivo de agrotóxicos, ao uso criminoso do solo, das florestas, das águas e demais recursos naturais.

 

Também há cinco meses, o senador Romero Jucá do PMDB/RR apresentou projeto no sentido de liberar o licenciamento ambiental de grandes obras dos setores de transporte, energia e telecomunicações; de se sujeitar à audiência pública, além de especificar e reduzir prazos. É o projeto de lei 654/2015 apresentado dentro do pacote “Agenda Brasil” de Renan Calheiros do PMDB/AL para enfrentar a crise econômica e está há um mês em fase de análise e votação no Congresso.

 

Ao mesmo tempo, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda Constitucional do senador Arcir Gurcacz do PDT/RO, que determina que a apresentação de estudo prévio de impacto ambiental é suficiente para que se autorize a execução da obra, sem possibilidade de suspensão ou cancelamento. Ou seja, essa PEC acaba com o licenciamento.

 

E daí? Éramos felizes e não sabíamos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento

 

Grêmio 1×0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Justa comemoração, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

Foi um fim de semana intenso. De emoções variadas, sentimentos diversos e espiritualidade. Confinado por três dias em uma casa de retiro aqui próximo de São Paulo, tive acesso a pouca informação. Muito mais uma opção do que restrição tecnológica. Havia outros objetivos nesses dias todos de oração, silêncio e reflexão.

 

Das poucas notícias que surgiram, e não foram pelos meios tradicionais de comunicação, veio a apreensão em relação a saúde de um personagem que esteve nesta Avalanche algumas vezes. Refiro-me ao padre José Bertolini, conterrâneo, nascido em Bento Gonçalves, e, claro, gremista. Que por coincidência passou a rezar missa na capela perto de casa.

 

Bertolini esteve, por exemplo, na crônica do histórico 5×0 como você pode conferir neste link. Também foi visionário na estreia que tivemos na edição do ano passado no Campeonato Brasileiro quando assistimos ao empate com a Ponte Preta, mesmo adversário desse domingo.

 

No sábado, padre Bertolini sentiu uma dor no peito pouco antes de iniciar a missa das 18 horas. Apesar da recomendação para que fosse ao hospital, fez questão de cumprir compromisso assumido com os fiéis e presidiu a celebração até o fim. Muitos devem ter ficado incomodados com a insistência dele, pois, como se provou pouco depois, o padre teve um infarto no coração e está internado na UTI de um hospital paulistano.

 

Pelo que conheço dele, porém, não me surpreendo com a decisão. Padre Bertolini é daqueles que não se entrega fácil, insiste em contrariar as previsões médicas, é incapaz de admitir que uma dor, seja qual for, vá lhe tirar o direito de cumprir sua missão. Nem mesmo uma doença crônica impede que ele trabalhe com vitalidade e inteligência. Aliás, é esta mesma façanha dele que me dá esperança de que logo estará de volta à sacristia, firme e forte.

 

A outra notícia que havia sido reservada para mim, neste fim de semana, viria logo depois que deixei o retiro. Ainda na estrada, a caminho de casa, acessei a Grêmio Rádio Umbro pelo aplicativo no celular, imaginando que a partida havia se encerrado pelo adiantado da hora. Ledo engano. Naquele exato momento, aos 49 minutos do segundo tempo, Luan acertava em cheio, com o pé esquerdo (e com dores como revelou mais tarde), um chute fatal no gol adversário. Gol que foi resultado da perseverança e crença de que a vitória sempre é possível. 

 

Soube depois que havíamos desperdiçado muitos ataques, enfrentado um time retrancado que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, perdido Lincoln com um cartão vermelho no segundo e levado uma bola no poste já nos acréscimos. Ou seja, penamos e sofremos até a vitória que nos levou de volta à liderança do Campeonato e diante de um daqueles times que colocamos na categoria de “touca”, assim como Coritiba, Goiás e algum outro de Santa Catarina.

 

Ao tomar conhecimento de tudo o que nos aconteceu nesse jogo, só tenho a agradecer mais uma vez aos que me proporcionaram os três dias de retiro, silêncio e reflexão. Além de todos os benefícios que esses momentos trouxeram à alma, ao espírito e à mente, também evitaram que eu sofresse um ataque diante da televisão. Pois não creio que minha fé e meu coração sejam tão resistentes quanto o meu querido e gremista Padre Bertolini que, certamente, vai vencer mais esta batalha.

Quintanares: Ninguém foi ver se era ou se não era

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos – 1940
Narração de Milton Ferretti Jung

 

XXV [NINGUÉM FOI VER SE ERA OU SE NÃO ERA]

 

Ninguém foi ver se era ou se não era.
E isto aconteceu lá no tempo da Era.
Mas, no teu quarto havia, mesmo, uma Chymera.
De bronze? De verdade? Ora! Que importa?

 

Foi quando Quem Será bateu à tua porta.
“Entre, Senhor, que eu já estava à sua espera…”
(Naquele tempo, amigo, a tua vida era
Como uma pobre borboleta morta!)

 

E Quem Será cumprimentou, falou
De coisas e de coisas e de coisas,
Bonitas umas, tristes outras como loisas…

 

E todo o tempo em que ele nos falou,
A Chymera a cismar: “Como é que Deus deixou
Haver, por trás do Sonho, tantas, tantas coisas?”

 

Quintanares foi apresentado originalmente na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: prazer, sou o Mendigo Japonês!

 

Mário Curcio
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Quem mora aí região de Santo Amaro, Alto da Boa Vista e Granja Julieta com certeza já me viu muitas vezes. Eu sou o Paulo Ueda, mas certamente você só me conhece como o “mendigo japonês”, aquele baixinho bravo, bem cabeludo e barbudo, sempre usando umas caneleiras feitas de papelão e carregando um saco com as coisas que junta.

 

Sei que muita gente aí se pergunta: um mendigo japonês? Mas eles são tão certinhos, sempre com muito juízo… Por que será que ele virou mendigo? Será que tem família? É, amigo, um dia eu já tive jipe, caminhão. Tenho família em Marília, Campinas e também na Vila Prudente.

 

Na verdade nem mesmo eu sei há quanto tempo estou na rua. Acho que acabei perdendo tudo porque já não era bom da cabeça. Mas é certo que estou aqui no bairro desde que o “Seu” Júlio Guerra ergueu a estátua do Borba Gato na Avenida João Dias e depois mandou colocar ali entre a Santo Amaro e a Adolfo Pinheiro. Aquele painel em frente ao Teatro Paulo Eiró também foi o “Seu” Júlio que fez. Dormi muito na praça em frente ao teatro e às vezes corria atrás e assustava as meninas que faziam balé numa escola ali perto. E já zanzava ali pelo Alto da Boa Vista desde que o uniforme do colégio Doze de Outubro ainda era marrom e o do Jesus Maria José era cor de vinho.

 

Vi muita coisa aqui em Santo Amaro. A escola Linneu Prestes tinha cada festa junina! Às vezes alguém me dava um guaraná, um cachorro quente. Bom mesmo era o cheiro do churrasco e do milho cozido, mas naquela época eu já não tinha os dentes para comer carne ou roer a espiga.

 

Lembro também dos gritos que vinham dos fundos da 11ª Delegacia, ali da Rua Anchieta. Eram os presos apanhando. Vi também os quebra-quebras no início dos anos 80. Saquearam várias lojas do Largo 13 de Maio e aquele supermercado Peg Pag da João Dias onde hoje funciona a Chocolândia. Ali não sobrou uma prateleira, levaram tudo, a começar pelas bebidas.

 

Vi também quando ficou pronto o terminal Santo Amaro. Meu Deus, haja ônibus nesse lugar. Já as obras do metrô não acabam nunca. E também não param. Dia e noite é aquele “pi-pi-pi” vindo das máquinas e caminhões manobrando.

 

Ano a ano fui ficando mais velho, caminhando cada vez menos e dormia sempre num terreno gramado ali da Granja Julieta, nos fundos do Colégio Friburgo. Até outro dia eu era aquele mendigo. Não sou mais. Parti e pedi pra voltar como árvore. Sabe como é, as pessoas gostam mais de plantas que de mendigos.

 

E agora você já sabe: o “mendigo japonês” tinha nome. Ele se chamava Paulo Ueda.

 

Paulo Ueda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto é do ouvinte Mario Curcio. A sonorização do Claudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Marco Gorini diz como conseguir dinheiro para a sua ideia

 

 

“Você precisa saber que risco você quer tomar, que risco você pode tomar e, principalmente, o risco que você deve tomar”. A sugestão é do economista Marco Gorini aos empreendedores que pretendem ir ao mercado em busca de investimento para seus negócios, produtos e serviços. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da CBN, Gorini alerta que muitos projetos deixam de existir antes mesmo de chegarem ao seu ponto de equilíbrio por não conseguirem os recursos adicionais que podem sustentar o negócio. Gorini escreveu com Haroldo da Gama Torres o livro “Captação de recursos para startups e empresas de impacto – guia prático” (Alta Books) no qual oferece uma série de dicas que podem ajudar você a tornar seu negócio sustentável.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: pé no chão e bola pra frente

 

Palmeiras 4×3 Grêmio

Brasileiro – Pacaembu/SP

 

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Edílson teve mais um ótimo desempenho, foto de LEO PINHEIRO/GrêmioFBPA

 

Alguém aí imaginava que seria fácil? Pensava que jamais tomaríamos gol, tiraríamos ponto de todos os adversários e a liderança era algo permanente? Acredito que não.

 

Temos consciência das necessidades de nossos time e das dificuldades impostas pelos outros, especialmente quando estivermos jogando fora de casa.

 

Portanto, sem frustração, desespero ou caça às bruxas.

 

Vi gente saindo de cabeça baixa e se esquivando pra não encontrar o amigo temendo ouvir uma flauta, como se estarmos em segundo lugar no campeonato fosse vexame pra alguém.

 

Em competição desta dimensão, o importante é estar sempre ao alcance dos lideres, o que mantemos e temos mantido desde a primeira rodada.

 

Lembre-se ainda que fizemos uma sequência de cinco clássicos, dentro e fora de casa. Só pegamos campeões nesta caminhada. Apenas na sexta rodada – no próximo domingo – nos foi reservado o direito de enfrentarmos um time que ainda não levantou o troféu.

 

Além disso, sem ilusão, temos um time com feitos e defeitos. Jogadores de qualidade superior a média e outros tantos de quem o técnico precisa tirar 100% da sua capacidade. Esquema tático que agrada há muitos – eu, inclusive – e falhas defensivas que vinham sendo corrigidas, mas voltaram a se apresentar na partida de ontem à noite.

 

Fomos superiores em boa parte do jogo e estivemos com a vitória nas mãos até tomarmos um gol espírita. Os sete gols marcados mostraram o tamanho da partida e do desempenho das duas equipes. Infelizmente, tinha um árbitro para atrapalhar e errar (para os dois lados).

 

Quero ainda destacar a participação de Edílson na lateral direita que fez uma das mais bonitas jogadas da partida, no lance que deu início ao segundo gol, e marcou o terceiro em jogada construída por ele desde o início. Tem feito diferença no time.

 

Domingo tem mais e a liderança está logo ali… bola pra frente!

Marcas de luxo fecham as portas no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Não há dúvidas que o Brasil vive momento delicado. Política e economicamente o país está em crise, e cada vez mais estampado nas páginas de renomeados jornais e revistas internacionais.

 

O mercado de luxo, apesar de ter a imagem de um mercado “sem crise” vive agora situação de alerta. Algumas marcas já deixaram o País por conta da elevação do câmbio e da alta carga tributária, fatores que podem tornar a operação de algumas marcas simplesmente inviável por aqui.

 

O varejo de luxo especificamente parece ser o mais atingido. A francesa Ladurée, famosa por seus tradicionais macarons, encerrou suas atividades no Brasil: recentemente fechou sua linda loja do Shopping JK Iguatemi em São Paulo. Atualmente o preço unitário de seus macarons estava R$ 11, mesmo valor que custa para importar cada doce. Ainda no segmento alimentício, a marca espanhola de chocolates Cacao Sampaka e a americana Red Lobster, famosa por suas lagostas, também encerraram suas atividades no Brasil.

 

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A grife Vilebrequin, uma das marcas mais exclusivas de moda praia, também está deixando o país. Seus famosos shorts custavam a partir de R$ 880 em suas lojas no Brasil. Desde janeiro de 2016, a grife anunciou liquidação de 50%, que dura até os dias de hoje, o que é raro (e inadequado) na gestão de uma marca de luxo. Sua loja no Rio de Janeiro já foi fechada e esta semana a marca anunciou em seu perfil no Instagram que fechará também suas unidades dos shoppings Cidade Jardim e Iguatemi São Paulo. A grife conseguiu manter por algum tempo o preço de seus produtos negociados ainda com o dólar americano em valor razoável. Com a desvalorização do real perante o dólar, novas peças passariam da casa dos R$ 1400, inviável para o varejo de luxo brasileiro.

 

Apesar da crise e do dólar alto, há ainda empresas que apostam no Brasil. É o caso da americana Ralph Lauren, que em 2001 havia encerrado suas atividades e em 2015 voltou a investir por aqui, inaugurando sua loja no Shopping Cidade Jardim com as coleções mais exclusivas e de edição limitada. Este ano, a grife voltou também com a coleção Polo, inaugurando loja no Shopping Iguatemi São Paulo, um dos mais tradicionais do país.

 

Vale destacar que, quando a operação da marca não é feita diretamente por ela como o caso da Vilebrequin, fica ainda mais difícil bancar os custos e lidar com variação cambial, uma vez que, obviamente, seus representantes no país precisam ter margem de lucro. No caso da Vilebrequin, representada pela empresária Michelle Nasser, chegou a trabalhar com margens reduzidas, mas pelo visto não foi suficiente para sobreviver por aqui.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.