As emendas parlamentares e a crise econômica

 

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Imagem do Flickr da Câmara Municipal de São Paulo

 

Marcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político,
Conselheira Participativa Municipal
Integrante do Adote um Vereador

 

O Brasil está quebrado. A economia está em recessão. A Política em ebulição. Portanto: “o Brasil está em crise!”. Esta é a frase mais dita e ouvida pelos brasileiros, na atualidade.

 

A situação política e econômica encontra-se estagnada. O Congresso Nacional está emperrado. O Executivo federal está acuado. A economia desandou.

 

Todo este dilema se dá por causa da política. Ou seria por causa da economia? Ou seriam outros fatores? Ou todos estes fatores juntos e misturados?

 

O fato é que tanto a política quanto a economia não vão bem, e por consequência, o país vai mal.

 

Embora a crise econômica seja considerada, por alguns, a maior crise já vivenciada pelo Brasil, as emendas parlamentares vão na contramão deste discurso.

 

Prova de que no âmbito federal, o imbróglio é mais político do que econômico, é o corte que houve no orçamento federal que atingiu áreas como saúde e educação, no entanto, poupou as emendas dos nobres parlamentares brasileiros.

 

As famigeradas emendas parlamentares são parte do orçamento público, destinadas aos “caprichos” e “agrados” dos senadores, deputados e vereadores, para alocarem a verba onde e como lhe convém.

 

Este instrumento de negociação entre o Legislativo e o Executivo, na esfera federal, ficou no montante de R$ 6,6 milhões para o ano de 2016. Isto mesmo, os parlamentares tem esta quantia para utilizarem a bem do “interesse particular”. Pois sabemos que o interesse público, sendo otimista, fica em segundo plano.

 

Estas emendas tratam de interesses diretos dos parlamentares. Evidentemente que a crise que estamos vivenciando não atinge os congressistas. Aliás, não atinge a classe política como um todo, não esqueçamos que o valor do fundo partidário foi triplicado, em meio à crise econômica.

 

Estes fatos, demonstram de maneira inequívoca que não há “falta de dinheiro” como é alegado, na verdade há excesso de interesses próprios, de barganha política, de má execução de políticas públicas.

 

No Estado de São Paulo, o montante das emendas dos deputados estaduais ficou em R$ 304.700.000,00 (trezentos e quatro milhões e setecentos mil).

 

No âmbito do plano local, na maior cidade do país, pasmem, o valor destinado as emendas da vereança paulistana é na órbita de R$ 165 milhões, sendo cerca de R$ 3 milhões por parlamentar.

 

Há algumas aberrações, que não podemos deixar de mencioná-las. Um vereador destinou o montante de R$ 1.500.000.00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “Promoção da Marcha para Jesus”, justificando tal feito por considerar que em virtude do evento ocorrer internacionalmente, visa “glorificar o nome de Jesus”.

 

Pelo meu irrisório conhecimento jurídico, adquirido nos bancos escolares, nas aulas de Direito Constitucional, entendi que a laicidade do Estado trata-se de uma posição neutra em relação à religião.

 

Assim, o Estado laico, como é o Brasil, por previsão constitucional, deve portar-se de forma imparcial a respeito das questões religiosas, não apoiando nem discriminando qualquer religião. Devo ter me equivocado no entendimento da matéria!

 

Ademais, como dizia Renato Russo, “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação”.

 

Como se não bastasse, este mesmo vereador, destinou mais R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “promoção da cultura do funk na cidade de São Paulo”. Vou poupar-me de tecer comentário a respeito.

 

Diante dos poucos exemplos elencados, dá para verificarmos o descompromisso dos nossos representantes, que não nos representam a contento.

 

Estamos realmente em crise econômica/financeira? O Orçamento Público, com certeza, não está.

Novas tecnologias, velhos problemas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Pelo ranking do “Reclame Aqui”,organização que reúne opiniões de consumidores, as empresas que mais receberam reclamações na ultima semana foram:

 

NET, Vivo, Extra online, Casas Bahia online, Tim, Sky, Ponto Frio, Claro, Oi, Americanas online.

 

Como se vê, a tecnologia, que cada vez mais propõe produtos e serviços para o conforto e a satisfação do consumidor, não tem conseguido evitar falhas.

 

A NET, por exemplo, nesse sábado, deve ter levado seus usuários do NOW a ter saudade das casas de vídeo, quando se viram com problemas técnicos, provavelmente devido a congestionamento de canais.

 

O conforto da compra online, em algumas ocasiões tornam o processo exaustivo para consumidores que recebem com atraso, com preço errado, etc.

 

Os celulares com seus encantos de conexão total, também não ficam sem irritar seus aficionados.

 

Estas companhias de tecnologia, protagonistas de gigantescas batalhas de mercado, com investimentos não menos grandiosos em marketing, bem que poderiam centrar esforços maiores na qualidade de suas entregas.

 

Propondo enfatizar esta necessidade, o “Reclame Aqui”, ao comemorar 15 anos, recebeu três destas empresas através de seus principais dirigentes para um jantar. Ocasião em que foram propositada e planejadamente mal atendidos.
Vejamos o que os ilustres convidados falaram:

 

15’
Já não estou gostando deste atendimento
Você pede duas águas sem gás, geladas. O cara me traz um suco e uma coca
Você está enganado você não prestou atenção. P***que p****
Vou jogar essa água na cabeça dele

 

30’
Mas tu já tiraste o pedido duas vezes
O meu pão está queimado.
Eu quero falar com o gerente. Não existe ele estar ocupado
Estou achando que está faltando um pouco de respeito aqui com a gente
Uma sacanagem tratar o cliente desse jeito

 

60’
Não acredito que estou passando por isso
A CONTA
VOCÊ SE SENTIU DESRESPEITADO?
22015 consumidores de sua empresa também se sentem assim
64806 consumidores de sua empresa também se sentem assim
34466 consumidores de sua empresa também se sentem assim
Assinado: RECLAME AQUI
Reclame Aqui é o c******!

 

A recíproca é verdadeira!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Empreendedorismo: qual foi o erro que você cometeu?

 

 

O CBN Young Professional, quadro que apresento na rádio CBN, é espaço destinado a conversar com jovens empreendedores, uma turma que fez sucesso muito cedo com suas ideias e sonhos. Em todas as entrevistas que realizei até aqui fiz questão de perguntar a cada um deles qual o erro que teriam cometido nesta curta carreira que poderia se transformar em referência aos demais. Afinal, nossa carreira é construída com base nos acertos e nos erros. As respostas são bem interessantes e as lições, também: se quiser conferir algumas dessas entrevistas, entre aqui.

 

No Papo de Professor, promovido pelo Sebrae, fui perguntado sobre o fato de as histórias de empreendedores geralmente serem contadas pela ótica dos vencedores: daqueles que fizeram sucesso na sua carreira,alcançaram resultados e conseguiram destaque. Queriam saber se esse olhar não geraria distorção ou ilusão nos que pretendem se lançar como empreendedor.

 

Nossos erros nos ensinam muito, desde que tenhamos humildade para reconhecê-los. Entender as falhas cometidas por outros também nos permite enxergar novos caminhos a serem percorridos. É sobre isso que falo no vídeo acima. Clica lá, assista e compartilhe com seus amigos nas redes sociais.

 

Aliás, qual o erro que você já cometeu na sua carreira?

 

Para ver outros vídeos sobre empreendedorismo, clique aqui.

Empreendedorismo: cuidado com o empreendedor-pipoca

 

 

No Brasil, boa parte das pessoas que envereda pelo caminho do empreendedorismo, o faz por necessidade. Na falta de emprego ou dificuldade para juntar um pouco mais de dinheiro, sai em busca de opções, abre seu próprio negócio e fica na torcida para que tudo dê certo.

 

Claro que a possibilidade de sucesso em casos como esses é pequena, pois se não houver planejamento, estratégia, informação precisa e paciência, o empreendedor tende a encontrar mais problemas pela frente.

 

Com a crise atual e diante das promessas de resultados rápidos, algumas pessoas saem de um negócio para o outro sem pestanejar, podendo gerar ainda mais prejuízos a si mesmo e a seus parceiros.

 

No Papo de Professor, do Sebrae, falei sobre o empreendedor-pipoca, esta figura que está sempre correndo atrás de nova aventura na esperança de que um dia encontrará o negócio certo. É impaciente, ansioso e, muitas vezes, ganancioso. Tem um perfil de altíssimo risco. Muito cuidado!

 

Para saber minha opinião sobre o assunto assista ao vídeo acima.

 

Veja aqui outros vídeos sobre empreendedorismo.

Quintanares: Canção do poeta difícil

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

A minha pena é áspera; a folha, que nem zinco!

 

Onde a cantiga tão doce
Que o meu amor cantava?

 

As palavras ficam-me nas linhas como urubus
plantados na cerca.

 

Quando eu era um passarinho
Morava numa gaiola
Que eu pensava que era um ninho…

 

Mas até onde, até onde eu vou puxar esta carreta?!
Quando eu era pequenino
Não usava ponto-e-vírgula…

 

Onde o arroio tão puro
Que de tão puro sumiu?”

Conte Sua História de SP: o sanduíche de queijo e presunto da Americanas

 

Por Ismael de Oliveira

 

 

Morar em São Paulo era uma experiência bem diferente, lá pelos distantes anos 1970. Outra cidade, outro mundo. O velho CMTC era equipado com bancos laterais, um de cada lado, na frente, e atrás, próximos das portas, um de frente para o outro. Os passageiros não tardaram a colocar apelidos:banco dos réus, banco dos bobos, banco dos trouxas.

 

De acordo com a velocidade do ônibus era fatal a operação “limpa banco”: quando deixava a Avenida Rangel Pestana fazendo a curva para chegar ao Parque Dom Pedro, o tombo era quase uma certeza. Vi isso acontecer várias vezes, inclusive com meus irmãos e minha avó, era um desespero, até saber que ninguém havia se machucado.

 

Minha avó materna, Maria Francisca de Oliveira, nasceu em Pindamonhagaba, no Vale do Paraíba no ano de 1900. Veio para São Paulo quando casou-se com meu avô nos anos 30. Ele, Manoel Benedito de Oliveiram era segundo sargento do Exército e membro do Primeiro Grupamento Negro dessa Instituição. Desde o dia que meu avô morreu, em 50, até quando ela faleceu, em 2.000, só usou roupa preta, costume herdado de seus ancestrais portugueses.

 

A vida tinha seus rituais naqueles dias: todo mês a vó ia receber sua pensão no Banco do Brasil no início da avenida São João. Ônibus até o Parque Dom Pedro, subia pela Rangel Pestana, passando pela antiga Praça Clovis Bevilacqua, Praça da Sé, Rua Direita, Praça do Patriarca, Líbero Badaró, Praça do Correio e, enfim, a São João. Na volta, ela comprava sanduíches de queijo e presunto na única casa que havia na época das Lojas Americanas. Não havia no mundo gosto igual aquele, era o gosto do passeio, da companhia, do cuidado.

 

Tudo era um aprendizado. Havia uma cidade a ser descoberta: a igreja de São Francisco, o mosteiro de São Bento, a Ladeira Porto Geral, a Catedral da Sé, o Pátio do Colégio.

 

Meu pai sempre dizia: – se estiver no Centro e se perder, olhe pro alto e verá uma igreja, taí seu ponto de referecia.

 

Eu morava na Penha com minha mãe Margarida, meu pai Benedito, minha avó e tia Maria Rosa, que me levou para andar de metrô pela primeira vez. Ela trabalhava numa casa de família em Mirandópolis onde ficou por 30 anos.

 

Na Semana Santa, minha vó reunia todos pra fazer paçoca de amendoim, costume que veio com ela do Vale do Paraíba. Uns torravam o amendoim, outros tiravam a casca; depois misturava-se farinha, sal, açúcar … e pronto.

 

Nas conversas os adultos nos ensinavam a ser íntegros, a ter fé, a não ter medo, e assim era por todos os meses e anos que se sucederam.

 

Assim seguiu a vida e sempre que posso refaço aqueles caminhos no centro imaginando minha vó ao meu lado espantando-se como eu com o que fizeram e fizemos de nossa cidade – para o mal e para o bem.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar logo após às 10h30, aos sábados, no CBN SP. Tem sonorização do Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo: Reinaldo Polito ensina a falar bem em público

 

 

Quando falamos, precisamos envolver as pessoas e fazer com que elas participem da nossa causa, agindo de acordo com a nossa vontade. Para que esse objetivo seja alcançado, além de naturalidade, é preciso falar com energia, disposição, e entusiasmo.

 

“A vida não tem espaço para gente molinha, é preciso sempre falar com muito envolvimento”, ensina o professor Reinaldo Polito, um dos principais especialistas em oratória do mundo e autor do livro “29 minutos para falar bem em público e conversar com desenvoltura” (Sextante), lançado em parceria com Raquel Polito.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, que você assiste no vídeo acima, Polito apresenta algumas estratégias que devem ser aplicadas para apresentações de projetos de trabalho, palestras e reuniões.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Alessandra Dias, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: reflexão, conserto e recuperação

 

Rosário Central 3×0 Grêmio
Libertadores – Rosário (ARG)

 

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Ramiro briga pelo alto em foro de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Lá se foram quase 24 horas desde que o Grêmio começou a disputar sua última partida pela Libertadores 2016. Desde então, já dormi, já madruguei e já trabalhei. Também já rezei (e não foi pelo Grêmio, não.) Entrevistei deputado, jurista e especialistas em política, economia, cultura e mais uma variedade de temas. Assisti ao Cunha fora da Câmara; e à aprovação do relatório aceitando a abertura do processo de impeachment contra Dilma. Diverti-me em mesa redonda promovida pelos estudantes da FEA e da Poli, em São Paulo, onde falamos sobre carreira e negócio com executivos e diretores de grandes empresas.

 

Como se percebe, fiz muita coisa mas ainda não havia me atrevido a parar para escrever esta Avalanche. Talvez por falta de tempo e, com certeza, por falta de ânimo.

 

Começa que gosto pouco de falar mal do Grêmio, e o caro e raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido isso. Prefiro deixar este papo chato para nossos adversários, que são especialistas em encontrar defeito no Imortal; e ofereço espaço aqui no blog para que exerçam essa tarefa àqueles torcedores que têm a crítica (quando não os ataques pessoais) como seu esporte favorito.

 

Mesmo quando ocupava as cadeiras azuis do Estádio Olímpico, e fiz isso desde de os duros anos de 1970, época em que os títulos eram escassos e nossas pretensões não iam além da fronteira gaúcha, me incomodava os torcedores que vaiavam no primeiro passe errado. Tinha gente que dava a impressão de ir aos jogos para descarregar no time todas suas frustrações.

 

Lembro quando trabalhava de “pombo correio” (acho que já contei isso nesta Avalanche) para meu “padrinho” Ênio Andrade. Exercia a função de gandula ao lado da casamata e levava instruções para o time no gramado sempre que Seu Ênio entendesse necessário. Naquele tempo, não era permitido que o técnico deixasse o banco de reservas.

 

O Grêmio tinha Picasso no gol, Anchieta na defesa, Iura no meio de campo e Loivo na ponta esquerda. Eram todos meus ídolos, especialmente Loivo. Fomos eliminados de um Campeonato Brasileiro e a torcida revoltada soltava rojões no banco de reservas. Cheguei no vestiário e chorei de raiva, não pela desclassificação mas por não entender como o torcedor era capaz de despejar seu ódio em alguém que tanto amava.

 

De volta aos dias de hoje: entendo plenamente a indignação dos torcedores diante de mais um título desperdiçado, mesmo levando-se em consideração que esse era, certamente, o mais difícil a ser conquistado na temporada. Mas, também, era o que mais sonhávamos ganhar. Permita-me um parênteses: não esqueçam jamais de que se um dia alguém ousou sonhar em ser campeão da Libertadores no Sul do Brasil este alguém tem nome e história: é o Grêmio.

 

Especialmente nas duas últimas partida, gostei de poucas ou quase nenhuma das coisas que vi em campo. E tenho certeza de que Roger e boa parte de nossos jogadores também não gostaram. Temos consciência de que nos deixamos dominar por um adversário de futebol qualificado, mas não imbatível. Desejávamos ver em campo um time que expressasse esta mesma gana pela conquista que o torcedor exerce. Algo, porém, não deu certo. Muita coisa não deu certo.

 

Isso contudo não deve ser razão para transformarmos o Grêmio em terra arrasada. É preciso, sim, reflexão, conserto e recuperação, a partir daquilo que vem sendo construído desde o ano passado com a chegada de Roger. Precisamos de reforços, é claro. Ao mesmo tempo, há jogadores qualificados com potencial para render muito mais. Torná-los bode expiatório é perder duas vezes: no campo e na razão.

 

Posso ter visto o Grêmio perder mais um campeonato, mas não perco jamais minha esperança de vê-lo campeão.

 

Que venha o Brasileiro! Que venha a Copa do Brasil! Que venha de volta o espirito do Imortal Tricolor!

Empreendedorismo: seja empreendedor no emprego que você tem

 

 

Abrir o seu próprio negócio a partir de ideia inovadora. Essa é a visão mais tradicional que temos do empreendedorismo. Porém, há algum tempo já percebemos a necessidade de  as empresas criarem ambientes que incentivem o desenvolvimento de uma consciência empreendedora entre seus colaboradores, dando-lhes liberdade para criar e encorajado-os a implantar ideias próprias.

 

Falei sobre o tema em um dos vídeos do Papo de Professor, promovido pelo Sebrae, que você assiste acima.

 

Veja  aqui outros vídeos sobre empreendedorismo.

O Minhocão do Morumbi – II

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A degradação no monotrilho da linha Ouro, que ligará o Aeroporto de Congonhas ao Morumbi, não deveria ocorrer na mesma cidade em que o Elevado Costa e Silva escancara os problemas de obras viárias aéreas em regiões urbanas adensadas.

 

Entretanto, enquanto o Minhocão de Maluf foi realizado dentro do prazo e sem protestos populares, afinal era Ditadura, a obra de Serra e Alckmin não passou ilesa aos críticos, técnicos, moradores e populares antes de ser executada.

 

Ao ser detalhada, em 2010, muitos alertas foram incisivos, alguns, inclusive, publicados neste blog:

 

….

 A linha 17-Ouro que ligará Congonhas à rede de trilhos terá trens a 15 metros de altura, irá desapropriar área de 132 mil metros quadrados na qual serão derrubadas 2.300 árvores e onde 36 mil metros quadrados são ocupados por residências de alto e médio padrões. As demais estarão recebendo impactos ambientais ressaltados no relatório apresentado, que dentre outros aspectos enfatiza:

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

 

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida”. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

 

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

 

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

 

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes”. Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

 

 

Em 9 de maio de 2012, houve grande manifestação por parte das entidades de moradores da região do Morumbi, onde existem dezenas de associações de bairro. Foi levantada a bandeira a favor do Metrô e contra o monotrilho, quando moradores, de classe média e média alta, levaram ao Palácio dos Bandeirantes a seguinte comparação:

 

Metro

 

Assim como ocorreu nas audiências públicas anteriores, nada disso adiantou e o sistema aprovado foi o monotrilho.

 

A mudança do estádio da abertura da COPA fez com que o ritmo da obra da linha Ouro fosse reduzido até a sua paralisação total, em janeiro deste ano.

 

Hoje, a degradação toma conta de toda a área envolvida na obra. Quer no aspecto da deterioração dos materiais, quer na ocupação através de moradores de rua, de viciados em drogas e bandidos em geral.

 

O Minhocão do Morumbi será reiniciado em breve, mas transportará dos 200 mil previstos apenas 40 mil por dia e não chegará ao estádio. O capital investido e paralisado, a depreciação dos materiais, a degradação ambiental e a desvalorização da área serão débitos a serem pagos pelos contribuintes.

 

É melhor prestarmos mais atenção nas próximas eleições.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.