O varejo avança e a “loja do futuro” pode ser do passado

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

  

 

Com o acentuado avanço da tecnologia e da expansão do comercio eletrônico, as lojas físicas estão diante de um cenário de rara oportunidade e simplicidade. Na medida em que a experiência de compra se torna o diferencial para as lojas físicas, é hora de atentar para o relacionamento humano com os clientes.

  

 

A reinvenção necessária do varejo físico deve considerar tanto a aplicação dos recursos tecnológicos à disposição quanto os antigos métodos de aproximação com os consumidores.

  

 

Por exemplo, é possível evitar as filas nos caixas e não se entende porque as lojas ainda não eliminaram esta função, criada dentro das condições de séculos atrás. Sob a luz da Teoria das Filas, de fácil acesso na Pesquisa Operacional, e usando aplicativos atuais, os vendedores podem executar esta tarefa, eliminando custos e melhorando o atendimento.

  

 

Através de CRM – Customer Relashionship Management, conceito originado há décadas, as informações disponibilizadas podem antecipar necessidades e desejos dos consumidores. E aplicadas na loja com o necessário calor humano.

  

 

A customização, a interatividade produto-consumidor, o co-branding e o conceito 24/7, que significa disponibilidade total em 24 horas 7 dias por semana, são opções que podem ser oferecidas e reconhecidas.

  

 

Nesse contexto, um bom exemplo é Jack Mitchell. Com duas lojas e um livro sobre gestão humana de varejo, Jack foi convidado para a NRF – National Retail Federation, de 2005, para expor aspectos de seu sucesso como lojista e autor. “Hug yours customers”, traduzido pela Sextante como “Abrace seus clientes”, teve excepcional avaliação pelos presidentes da Coca Cola, Ralph Lauren, Xerox, IBM, e Zegna, cujo comentário é bem elucidativo ao nosso texto:
 

 

 

“Devido à combinação de valores de ontem e de hoje, e também ao conceito de acolhimento, creio que a parceria Mitchells/Zegna – duas empresas familiares – sobreviverá aos desafios desta nova era de incertezas e oportunidades”.

  

 

E, Warren Buffett, não deixou por menos:

  

 

“Este livro é uma joia”

 
 

 

Jack Mitchell não decepcionou a plateia, sua palestra foi um sucesso. E, onze anos depois, com o avanço dos canais de varejo, vemos que a sua abordagem é a solução para a formatação da loja física atual.

  

 

O balcão, tirado há décadas das lojas, permite agora o abraço nos clientes. Vamos a ele.

  

 

Ilustra este post, palestra realizada há 4 anos por Jack Mitchell e disponível em seu site.
 
 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

Grêmio 0x3 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

30213468073_6350bc7ba2_z

Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Quintanares: Verão

 

 

 

Poema de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung
Publicado em Antologia Poética

 

No capinzal, o meu cabelo cresce;
Pende, polpa madura, o lábio teu no fruto;
Todo o calor te diz: “Amadurece
Mais, ainda mais e tomba!”
Eu não espero
Vento nenhum que te derrube, eu quero
que tombes, doce e morna, por ti mesma, onde
mais sejas desejada e apetecida… vem!
Faremos
De verdura acre
E doce polpa
Manjar que reses lamberão
E virão farejar os animais noturnos

 

Antes de que nos sorva, lentamente, o chão…

 

Quintanares foi ao ar, originalmente, na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP:”chocar” no bonde era a minha diversão, na Penha

 

Por André D’Elia Neto
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Na Penha de antigamente, o modo mais barato de se chegar era de bonde. Tinha o bonde aberto e o bonde camarão (todo fechado).

 

Meus avós moravam na rua Comendador Cantinho que, para chegar no Largo da Penha, tinha um forte aclive e uma curva.

 

Na época, por volta de 1954, eu tinha 11 anos e minha distração preferida quando ia visitar meus avós era ficar no inicio da curva, quando a velocidade era reduzir para “chocar” – isto é, pegar o  bonde andando e ir até o Largo da Penha.

 

Como você vê, não tínhamos noção dos perigos que nos causar. Mas era muito gostoso e rendeu esta história para contar.

 

Saudade dos bondes!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP, tem a sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung

Mundo Corporativo: Simone Bambini propõe uma relação mais saudável entre empresas e funcionários

 

 

A forma como as empresas costumam se relacionar com seus funcionários tem causado transtornos e distorções de comportamento. Hoje, os profissionais não se satisfazem mais com o salário ou com o fato de se reconhecerem qualificados para a função que exercem. Para sobreviver, precisam do reconhecimento do outro, estão constantemente em busca da visibilidade, fenômeno que pode ser observado na maneira como atuamos nas redes sociais em busca de curtidas e likes.

 

A avaliação é da doutora em comunicação e semiótica Simone Bambini feita em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela é autora do livro “O corpo como posicionamento de marca na comunicação empresarial” resultado de pesquisa sobre a relação de poder dentro das empresas e como o ambiente de trabalho tem impactado a saúde dos trabalhadores. Ao conversar com médicos que trabalham nas empresas, identificou que é muito comum encontrar entre os funcionários doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

 

Bambini lembra que somos provocados a trabalhar e a trabalhar muito para alcançarmos o “reino dos céus”, que no caso das corporações é o cargo de CEO, porém ao chegar no topo muitos descobrem que estão isolados e a sensação de alegria plena não se realiza. Há uma insatisfação permanente que leva as pessoas a adoecerem e ficarem mais tristes.  Bambini convida empresas e profissionais a se conscientizarem da importância de se buscar uma nova forma de comunicação interna capaz de melhorar o relacionamento no ambiente corporativo.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site www.cbn.com.br e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN.

Policial bom é policial inteligente

 

 

30625329522_4bbd43415e_z

 

 

No rádio e no jornal entregue em casa, encontrei números coletados pelo Instituto Datafolha, em pesquisa de opinião encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Cada publicação privilegiou um aspecto diferente do mesmo estudo.

 

 

A CBN chamou atenção para os 57% dos brasileiros que concordam com a máxima que “bandido bom é bandido morto”. Ou seja, entendem que a polícia não pode ter perdão contra a bandidagem.

 

 

O Globo puxou para a manchete o fato de a maioria dos brasileiros ter medo da polícia: 59% têm receio de ser vítima de violência por parte da Polícia Militar enquanto 53%, da Polícia Civil. Esses percentuais são ainda maiores entre os jovens. Da turma que tem entre 16 e 24 anos, 67% temem a violência da PM e 60%, da Civil.

 

 

Como não ter medo da violência policial, se nós mesmos incentivamos esta violência?

 

 

A percepção do brasileiro sobre a atuação da polícia no Brasil, identificada na pesquisa, sinaliza uma contradição e, ao mesmo tempo, explica o cenário de violência no qual vivemos. A cada dia, em média, nove pessoas são mortas por policiais: 3.345 pessoas em todo o ano de 2015. Os policias são vítimas desta mesma violência: apesar de uma queda em relação a 2014, ainda foram registrados 393 assassinatos de policiais – em serviço e fora do horário de expediente -, no ano passado.

 

 

Este quadro tende a piorar se continuarmos incentivado a polícia a matar como estratégia de segurança pública.

 

 

Defende-se uma polícia violenta contra bandidos, sem que a lei precise ser respeitada, e, imediatamente, passamos a ser vítima deste discurso, pois entregamos à autoridade policial o direito de julgar e aplicar a pena de morte por conta própria. Mas só contra bandidos, lógico!

 

 

Ao propagar esta lógica – e ela está escrita em milhares de comentários nas redes sociais, em emails enviados a este jornalista e no bate papo de gente que se diz do bem – permitimos que o policial aja de forma violenta diante de qualquer atitude suspeita – seja lá o que isso possa significar. E sabemos que, no Brasil, temos os suspeitos preferenciais: preto, pobre e jovem.

 

 

Diante de um policial com esse poder só resta ter medo. E medo não é sinônimo de respeito e confiança. Menos ainda de segurança.

 

 

Em lugar de bandido bom é bandido morto, temos de defender a ideia de que policial bom é policial inteligente. E para isso é preciso oferecer às policias Civil e Militar condições de trabalho, mais tecnologia e informação, além de atuação próxima das comunidades.

 

 

Com inteligência, investiga-se e pune-se mais. Mata-se menos. Morre-se menos ainda.

Lemann e Diniz, conceitos e preceitos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

dinizlemann

 

Atrás das diferenças de estilo de Jorge Paulo Lemann e Abílio Diniz há muitas semelhanças no modo de encarar os negócios.

 

É o que se pode depreender através do trabalho da jornalista Cristiane Corrêa, apresentado nos livros de sua autoria sobre a trajetória empresarial de Lemann e Diniz.

 

“Sonho Grande”, lançado em 2013, e “Abílio”, neste ano, ambos pela “Primeira Pessoa”, são duas obras essenciais para colocar a tarefa que eles realizaram, além do devido e adequado destaque já obtido, à disposição de todos com as informações e detalhes que foram construídas.

 

Os pontos de convergência entre empreendedores tão gabaritados em principio os avalizam tecnicamente.

 

Duas das frases mais usadas por Abílio Diniz refletem preceitos que considera relevantes e que também estão na cartilha de João Paulo Lemann:

 

“Ele não sabia que era impossível, e foi lá e fez”.
“Se você não tem competência para criar, tenha ao menos coragem para copiar”.

 

A escolha do consultor norte americano Jim Collins, professor de Stanford e especialista no tema da durabilidade das empresas, é o ponto mais forte de identidade entre Lemann e Diniz. Ambos sempre recorreram a Collins nos momentos mais acentuados dos respectivos negócios.

 

Curioso é que Jim Collins, autor do prefácio de “Sonho Grande”, apresenta 10 principais lições que aprendeu com Lemann. Nada mau para quem se vê como professor.

“No final das contas, sou um professor” Lemann se auto introduz no livro.

Criativo é o texto de José Salibi Neto da HSM ao comparar, no prefácio de “Abílio”, Diniz com Tony Stark no papel de o “Homem de Ferro”. Com a ressalva de que falta apenas criar outros Abílios, como Stark.

 

Há, entretanto, um aspecto com Lemann que fica sem explicação, que é a questão dos investidores do Garantia que perderam dinheiro, como Raul Boesel, ficando por conta do risco de aplicação.

 

Quanto a Abílio, gastar junto com Jean Charles Naouri R$ 500 milhões em bancas de advocacia para reverter contrato assinado, pode ter sido a primeira aparição do “Homem de Ferro”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: guris, o Grêmio Copero voltou!

 

Grêmio 0 (2) x(0) 0 Cruzeiro
Copa do Brasil – Arena Grêmio

     

  • troquei Copeiro, em português, para Copero, em espanhol, por sugestão do Márcio Neves, a quem agradeço pela leitura e porque contra a história não se briga de jeito nenhum.

 

img_6533

 

Guris,

 

A gente está de volta! Estamos na final! E na final da Copa que nasceu para nós.

 

Vocês não lembram nem eram nascidos ainda.

 

Em 1989, quando esta Copa se iniciou, nós fomos os campeões.

 

De lá pra cá, nos acostumamos com ela. E aos títulos, também.

 

Somos tetracampeões.

 

A última vez foi há 15 anos. 

 

Vocês eram muito jovens quando o pai narrou aquela final, em 2001.

 

Ganhamos de 3×1 do Corinthians, aqui no Morumbi.

 

Desde lá, nosso único título nacional foi o da Batalha dos Aflitos, que vocês sabem ter sido fundamental para forjá-los tricolores, mesmo morando longe do Rio Grande.

 

Tivemos outras chances de ganhar, tanto a Copa do Brasil como o Brasileiro e a Libertadores. Mas não tivemos sucesso.

 

Estamos mais uma vez em uma final. E chegamos honrando o título de copero que construímos na história com vitórias incríveis e algumas que pareciam ser impossíveis.

 

Desta vez, começamos a conquista na casa do adversário, ao vencermos por 2 a 0,  e viemos para a Arena apenas confirmar passagem à final. E o fizemos com inteligência e talento.  

 

O mais legal é que dessa vez, eu terei vocês ao meu lado para vibrar, torcer e sofrer.

 

Guris, preparem-se, o Grêmio Copero voltou!

Avalanche Tricolor: somos todos gremistas!

 

29856354723_edc569ab0b_z

Torcida tricolor destaque em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

Não sei quem é Ticiano Osório. Menos ainda quem é Alexandre Elmi. Que isso não diminua a importância deles nem pareça arrogância deste que lhe escreve. Meu tempo distante do Rio Grande me fez perder referências, por mais que insista em acompanhar o noticiário aqui e acolá, especialmente quando se trata do Grêmio. Portanto, não saber quem são, revela antes de mais nada minha ignorância e peço desculpas a ambos.

 

Soube deles nestes dias que antecedem a decisão da vaga à final da Copa do Brasil, muito mais próxima do que imaginávamos há alguns meses. Usaram do talento que têm com as letras para demonstrar o amor que sentem pelo Grêmio. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Cada um a seu modo.

 

A você, caro e raro leitor deste blog, além de reproduzir o link para acessar o que dizem, explico, desde já, que ambos publicaram textos na coluna “De Fora da Área”, que pode ser lida na página virtual da ZH Esportes.

 

O primeiro, Ticiano, com o chamativo título “o Grêmio não vai ser campeão” , seguido por artigo no qual descreve a série de frustrações vividas nos últimos 15 anos, desde a disputa de pênaltis contra o Olímpia, as finais contra o Boca, na Libertadores, e a entrega do Campeonato Brasileiro depois de estar 12 pontos à frente de seu adversário direto. Relembra todos esses reveses como se buscasse um consolo para caso nada dê certo mais uma vez. Cria assim uma blindagem em seus sentimentos, ao mesmo tempo que torce alucinadamente para que a história o surpreenda.

 

O segundo, Alexandre, é afirmativo ao intitular seu artigo com “o Grêmio vai sair campeão”. Lembrou do nosso delírio ao acreditarmos que seríamos capazes de golear o Boca, no Olímpico, após perdermos por 3 a 0 o primeiro jogo da final – e eu estava lá delirando ao lado do meu pai. Lembrou, também, da esperança que tivemos de nos recuperarmos no Brasileiro após termos conquistado uma vantagem que jamais algum outro clube foi capaz de obter (e desperdiçar). Mesmo assim, encontrou na nossa história inspiração para crer que agora tudo será diferente e, depois de passarmos pelo Cruzeiro, logo mais à noite, a Copa do Brasil estará logo ali nos esperando.

 

Os dois autores têm razão por mais contraditórios que sejam seus sentimentos. Cada um dos torcedores que forem à Arena nesta noite, e os milhares de nós que estaremos diante da televisão, carregaremos conosco um pouco de cada versão. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Dr. Jekill e Mr. Hyde. Deus e o Diabo. Ticiano e Alexandre.

 

Vamos nos dividir entre a crença a cada “pifada”  de Douglas e o desespero no avanço do adversário sobre Marcelo Oliveira. Os olhos vão brilhar com o drible de Luan e o coração vai apertar a cada lançamento para dentro de nossa área. Vamos cerrar os punhos para comemorar as bolas despachadas por Geromel e Kannemann e voltaremos a cerrá-los de raiva nas bolas perdidas por Pedro Rocha e Ramiro.

 

Seremos um pouco de cada um a cada lance.

 

Seremos, acima de tudo, gremistas! Imortais!

Quem te viu, quem te vê

 

Por Julio Tannus

 

16078805833_5a379a7f99_z

 

Em 1976, participando de um projeto sobre sistema viário em SP, cruzei com monsieur Werz, um suíço especialista nos assim chamados trólebus. Monsieur Werz era considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto e a Suíça detinha uma das mais avançadas tecnologias na fabricação de ônibus elétrico da época.

 

Fui encarregado de, juntamente com monsieur Werz, sobrevoar a cidade de São Paulo para que o especialista tivesse um primeiro contato com a cidade, na qual ele estava sendo contratado para auxiliar em um novo projeto de Trólebus Especiais, e do qual eu também participava.

 

Então, em uma tarde de sexta-feira embarcamos no helicóptero do governador e partimos para um sobrevôo sobre nossa capital paulista. Percorremos toda a área compreendida pelas marginais Pinheiros e Tietê, seguimos até a região do ABC e depois nas cercanias de Guarulhos, e por fim retornamos ao heliporto do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo.

 

Esperavam-nos uma dezena de jornalistas, repórteres e radialistas, todos ansiosos pelo diagnóstico do suíço. Sério e compenetrado, monsieur Werz dirigiu seu olhar para a pequena multidão e sentenciou: Pas de Solution!

 

Ou seja, na visão do especialista, há mais de 30 anos, sua primeira reação foi de que não tínhamos como resolver o enorme congestionamento através de soluções viárias de superfície: Não tem solução! ...

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)