Avalanche Tricolor: Pedro Rocha estava lá mais uma vez; e o Grêmio, também.

 

Grêmio 3×0 Lajeadense
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Pedro Rocha a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Convidado pela ESPN, tive o prazer de entrevistar o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, no programa Bola da Vez, gravado na quinta-feira passada e ainda sem data para ir ao ar. Meus colegas de bancada queriam saber se com o dinheiro que entrará no cofre gremista, a partir da assinatura do contrato do clube com a TV Globo, seria possível fazer grandes contratações para as próximas temporadas. Eu disse que, por mim, não precisava contratar muita gente, não. Já ficaria feliz em ver quatro dos nossos jovens craques mantidos no elenco: Luan, Lincoln, Walace e Everton.

 

“Cinco”, corrigiu-me Bolzan, “tem o Pedro Rocha, também”. Cheguei a ponderar que Rocha costuma ser alvo de críticas do torcedor por seus altos e baixos, seus gols perdidos e tropeções durante a partida. “Mas ele está sempre lá”, retrucou o presidente, demonstrando sua confiança e admiração por esse garoto de apenas 21 anos, que surgiu no time ano passado, chegou a ser titular e depois foi perdendo espaço na equipe principal.

 

Bolzan tem razão ao fazer a ressalva. Seria uma injustiça não colocar Pedro Rocha na lista dos valores a serem preservados. Com a retomada da temporada e as disputas de três competições simultâneas, Roger obrigou-se a aproveitar maior número de jogadores e Pedro Rocha voltou a aparecer com mais frequência no ataque gremista. Ainda perde alguns gols que consideramos fáceis, dá uma tropicada aqui e outra ali, mas, como diz o presidente do Grêmio: “está sempre lá”.

 

Neste domingo de Páscoa, Pedro Rocha esteve lá, novamente. Tentou uma, tentou duas, passou a terceira, tropeçou na quarta, mas em uma “tabela” com o zagueiro adversário apareceu com velocidade diante do goleiro e foi precioso no toque que deu para desviar a bola para dentro do gol. Com esse quarto gol, é um dos goleadores gremistas no Campeonato Gaúcho, ao lado de Luan e Bobô.

 

Ao fim e ao cabo, o que se espera de um atacante é que marque gols. Ao menos que os busque de maneira insaciável. Pedro Rocha é assim, incansável. Só não aumentou (ou teria perdido?) a goleada desta tarde porque seu colega de ataque, Lincoln, acreditou que seria capaz de fazer o dele, também, e, em lugar de passar para quem estava mais bem posicionado, no caso Pedro Rocha, preferiu chutar a gol, quase no fim da partida.

 

Bobô abriu o placar e Batista, outro menino que chega ao grupo, com apenas 20 anos, completou a vitória tranquila do Grêmio, que nos mantém líder a duas rodadas do fim da fase de classificação. Ou seja, não é só Pedro Rocha que “está lá”. O Grêmio, também.

 

Aliás, de volta a entrevista na ESPN, Bolzan disse que acredita que ganharemos ao menos uma das quatro competições importantes que disputaremos esse ano. Sendo assim, é bom que sejamos líder agora, pois esta meta ficará mais próxima de ser alcançada se decidirmos na Arena as partidas da etapa seguinte do Campeonato Gaúcho.

 

E se queremos manter nossos jovens craques no time, nas próximas temporadas, é importante que os títulos comecem a chegar logo. É isso o que mais desejamos.

Quintanares: O dia abriu seu pára-sol bordado

 

 

Poema de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos
Interpretado por Milton Ferretti Jung

 

Para Érico Veríssimo

 

O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.

 

Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua — a Lua! em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado…

 

Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo… Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

 

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude…

 

Quintanares é um programa que foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre.

Conte Sua História de SP: já vivi tantas loucuras na cidade

 

Por Ari Lopes
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Já vivi tantas loucuras na cidade
Quero contar para você
Vi carro mergulhando
Nas águas do Rio Tietê
No rio Pinheiros não foi diferente

 

Ouça o que estou te contando
Vi um corpo
Naquelas águas estava boiando

 

Flagrei uma cena
Que achei muito chata
Um homem e o cachorro
Comendo no mesmo prato

 

Imagina o que aconteceu um dia
Nesse caso fiquei muito assustado
Um homem tirou toda a roupa
Dentro do meu carro ficou pelado

 

Ir atrás de carro suspeito
Até isso eu consegui
A esposa pegou em flagrante
Seu marido com um travesti

 

Em São Paulo já vi de tudo
Até o que não quis
Um corpo cai despedaçado
Na calçada da Avenida São Luis

 

No incêndio do Joelma
Eu estava lá perto vendo
Depois de muitos anos
Só agora isso eu estou escrevendo

 

No edifício do Andraus
Vi tudo acontecer
Gente se jogando por causa do fogo
Sabendo que ia morrer

 

São Paulo que todo dia tem problema
Correria é de rotina
Peço sempre para todos
Que tenham proteção divina

 

No túnel do Anhangabaú
Já vi água até o teto
Vários carros um em cima do outro
Antes não fechou, o túnel estava aberto

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30 da manhã, no programa CBN SP, tem narração de Mílton Jung e sonorização de Cláudio Antonio

Mundo Corporativo: Gilberto Cavicchioli ensina a melhorar o atendimento ao cliente

 

 

“É muito fácil colocar um anúncio na parede, dizendo nosso foco é o cliente. isso é muito fácil de fazer, mas é difícil, ou é desafiador cumprir … eu costumo dizer: a crítica, a reclamação, na empresa moderna, ela é vista como meio mais barato de você aperfeiçoar os procedimentos e os processos internos”. O alerta é do consultor e especialista em gestão de pessoas Gilberto Cavicchioli, entrevistado por Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Cavicchioli é autor do livro “Cartórios e gestão de pessoas – um desafio autenticado” , no qual descreve a experiência que tem desenvolvido para qualificar o atendimento aos clientes e melhorar a performance destes serviços.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quarta-feira, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Debora Gonçalves.

Das gravações de Nixon ao alerta de Nelson Rodrigues

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Partido Republicano, de Richard Nixon, em 17 de junho de 1972, invadiu a sede do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, para grampear telefones e buscar informações que pudessem beneficiar a campanha para a sua reeleição. O episódio, de notório conhecimento, tendo gerado inclusive o filme “Todos os homens do presidente”, indicado para oito Oscars, contêm ingredientes altamente qualificados, como o jornalismo investigativo dos repórteres do Washington Post. Entretanto, um fato marcante é a questão das fitas gravadas pelo próprio Nixon, no salão Oval da Casa Branca.

 

É inacreditável que ao saber da denúncia – dos cinco invasores, dois eram ex-funcionários da CIA e do FBI, e um cheque de 25 mil dólares do comitê do Partido Republicano foi depositado na conta de um dos invasores – , Nixon manteve a fita de gravação no escritório oficial do Presidente, mesmo durante as reuniões para analisar os fatos e a tomada de decisões sobre Watergate, comandada por ele.

 

Quando foi obrigado a enviar estas suas fitas à justiça americana, Nixon renunciou. Em 9 de agosto de 1974.

 

É também inacreditável, que passados 42 anos, os homens no poder ainda não consigam se controlar em relação às gravações. Gravando ou falando.
Tudo indica que é o poder que os embala em uma imaginária blindagem.

 

Em outro tema, Nelson Rodrigues já alertava aos incautos políticos que se aventuravam aos estádios de futebol, do risco que corriam. Era frequente o seu aviso de que o Maracanã vaiava até minuto de silêncio.

 

Da mesma forma, políticos não são bons entendedores, pois as manifestações atuais são da mesma espécie que plateias de torcedores, e certamente estarão vaiando oportunistas de aplausos ou de votos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Com equilíbrio, independente e em busca da verdade, sempre!

 

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O Brasil está em ebulição. Tem gente na rua contra o Governo. Tem gente na rua a favor do Governo. Tem gente em casa, contra e a favor. Todos falam em defesa da democracia, mesmo quando suas atitudes não condizem com esta defesa. Todos reivindicam o direito ao contraditório, nem todos, porém, o toleram. Ouvir o contraditório tem se tornado um desafio. Pois, o contraditório não quer falar, quer gritar mais alto. E quem é contrário não quer ouvir.

 

Em um clima como esse, o Brasil não precisa de incendiários. Eles já estão soltos por aí, alguns com cargos públicos. Tentam se beneficiar desse cenário para esconder suas mazelas, justificar seus atos. Clamam pela união mas pregam a cizânia. Querem a união, desde que em torno da sua causa. Nem sempre a causa pública.

 

O equilíbrio na análise é fundamental para quem tem como meta a busca da verdade possível diante dos fatos, neste Brasil enredado em casos de corrupção e luta pelo poder. Digo a verdade possível porque esta é construída no cotidiano do nosso trabalho, no levantamento dos fatos, na entrevista dos contrários e no relato objetivo dos acontecimentos.

 

Nem sempre a verdade surge no primeiro momento, depende das peças que são encontradas em declarações oficiais e extra-oficiais, em documentos públicos ou não, anônimos às vezes. Nesse quebra-cabeça, a verdade vai sendo montada na investigação realizada pelos órgãos policiais e pela justiça; no trabalho investigativo do jornalista, também; no interesse das partes que usam a informação e a contra-informação para construir sua própria verdade.

 

Algumas verdades somente o tempo nos permitirá compreender. Mas não podemos perder jamais este desejo de buscá-la de forma independente e equilibrada. O tom certo na transmissão do fato, na crítica e no embate pode fazer o país melhor. Qualquer coisa fora disso soa como paixão e militância. Colabora com a discórdia. E não é este o meu papel.

The Borgias: uma obra-prima que reúne talento, arte e intriga

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Borgias”
Uma série de Neil Jordan
Gênero: drama, romance , épico
Produção: canadense-hungara-irlandesa

 

A série é baseada na história da familia Borgia, proeminente família de origem espanhola que se tornou a mais poderosa da Itália na época da Renascença… Uma família conhecida por cometer vários crimes, incluindo adultério, simonia, roubo, estupro, corrupção, incesto e assassinato (especialmente por envenenamento)

 

Por que ver:
Além de ser uma obra-prima, fala sobre a história mundial daquele período riquíssimo em arte, Michelangelo, Leonardo e etc…

 

Jeremy Irons interpreta o papa Alexandre VI e acredito ser o papel de sua carreira…

 

A parte política cheia de detalhes, intrigas, jogadas de mestre, guerras, articulações é excepcional. O filho do Papa, O Cesare Borgia, foi a inspiração de Maquiavel para escrever “O Príncipe”, para vocês terem ideia do que lhes aguarda…

 

Os figurinos, cenários, linguagem são perfeitos, também…

 

Tem tantas curiosidades. Leonardo Da Vinci foi o primeiro a desenvolver uma arma de fogo portátil: uma espingarda. Não era um escândalo, mulheres grávidas sem ser do próprio marido … Enfim um mar de detalhes interessantes para você explorar.

 

Eu desconhecia várias passagens desta parte da história; não sei como vivi até agora sem elas … hahahahahah.

 

Como ver:
É bem pesado, mas rola assistir com amigos e familiares…Menos filhos menores de 16, tá?

 

Quando não ver:
Não sei se tem em aviões… Mas não veja em lugares onde você não terá acesso aos próximos capítulos… Outra informação, a série acaba antes da morte do Papa e a derrocada final da família…Se você se incomodar em ficar sem um final para os principais personagens, não assista, mas agora que assisti a série todinha, esse certamente não seria um motivo contundente…. Eu pude descobrir o final da história na internet.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Quintanares: Contigo fiz, ainda em menininho

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

Contigo fiz, ainda em menininho,
Todo o meu Curso d′Alma… E desde cedo
Aprendi a sofrer devagarinho,
A guardar meu amor como um segredo…

 

Nas minhas chagas vinhas pôr o dedo
E eu era o Triste, o Doído, o Pobrezinho!
Amava, à noite, as Luas de bruxedo,
Chamava o Pôr-do-sol de Meu Padrinho…

 

Anto querido, esse teu livro “Só”
Encheu de luar a minha infância triste.
E ninguém mais há de ficar tão só:

 

Sofreste a nossa dor, como Jesus…
E nesta Costa d′África surgiste
Para ajudar-nos a levar a Cruz!…

 

O programa Quintanares foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre