Com equilíbrio, independente e em busca da verdade, sempre!

 

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O Brasil está em ebulição. Tem gente na rua contra o Governo. Tem gente na rua a favor do Governo. Tem gente em casa, contra e a favor. Todos falam em defesa da democracia, mesmo quando suas atitudes não condizem com esta defesa. Todos reivindicam o direito ao contraditório, nem todos, porém, o toleram. Ouvir o contraditório tem se tornado um desafio. Pois, o contraditório não quer falar, quer gritar mais alto. E quem é contrário não quer ouvir.

 

Em um clima como esse, o Brasil não precisa de incendiários. Eles já estão soltos por aí, alguns com cargos públicos. Tentam se beneficiar desse cenário para esconder suas mazelas, justificar seus atos. Clamam pela união mas pregam a cizânia. Querem a união, desde que em torno da sua causa. Nem sempre a causa pública.

 

O equilíbrio na análise é fundamental para quem tem como meta a busca da verdade possível diante dos fatos, neste Brasil enredado em casos de corrupção e luta pelo poder. Digo a verdade possível porque esta é construída no cotidiano do nosso trabalho, no levantamento dos fatos, na entrevista dos contrários e no relato objetivo dos acontecimentos.

 

Nem sempre a verdade surge no primeiro momento, depende das peças que são encontradas em declarações oficiais e extra-oficiais, em documentos públicos ou não, anônimos às vezes. Nesse quebra-cabeça, a verdade vai sendo montada na investigação realizada pelos órgãos policiais e pela justiça; no trabalho investigativo do jornalista, também; no interesse das partes que usam a informação e a contra-informação para construir sua própria verdade.

 

Algumas verdades somente o tempo nos permitirá compreender. Mas não podemos perder jamais este desejo de buscá-la de forma independente e equilibrada. O tom certo na transmissão do fato, na crítica e no embate pode fazer o país melhor. Qualquer coisa fora disso soa como paixão e militância. Colabora com a discórdia. E não é este o meu papel.

5 comentários sobre “Com equilíbrio, independente e em busca da verdade, sempre!

  1. Milton, esta é uma posição equilibrada que aplaudo totalmente.
    O ponto central é sempre o poder. E, como sabemos o poder não pode extrapolar, embora a tendencia humana é fazê-lo.
    Controle é a palavra. Emocional, e racional.
    É preocupante ver altas autoridades usarem linguagem totalmente agressiva e até grosseira.

  2. Milton Jung,

    Muito apropriado o seu texto, sobre a busca pela verdade no jornalismo neste momento do país Para um arqueólogo ou principalmente um historiador a busca pela verdade é muito mais difícil, é como atravessar um nevoeiro, pois o problema já começa na seleção de documentos que se irá analisar e principalmente aqueles que serão descartados.
    Normalmente a verdade que aparece é a oficial .
    Agora imaginemos, a propósito do que ocorre em nosso país , que daqui a muitos anos alguém se depare somente com o discurso oficial do atual governo e de outro lado sejam analisados documentos do grupo de oposição. Teremos duas “verdades” totalmente antagônicas.
    Tão pouco se pode dizer que o historiador possa ser isento, pois sua bagagem cultural o levará a determinado rumo em detrimento de outros e neste caso é melhor assumir suas posições claramente do que ocultá-las.
    Para o jornalista, entretanto, atuando no calor do momento, manter a isenção deveria ser regra, pois como diz o ditado ” contra fatos não há argumentos”. Infelizmente nem sempre os profissionais e veículos de comunicação agem dessa forma e o que é mais grave alguns tem relações discutíveis com grupos do poder, como assistimos atualmente.
    Os profissionais de imprensa que mais se destacam sempre são atacados pelos dois lados antagônicos . Por esse motivo, não acho que o tempo poderá fazer surgir uma verdade diferente das prova publicadas mas concordo que é dever de todos buscá-la até que o nevoeiro se dissipe e divulgá-la de maneira coerente e independente de suas posições políticas

  3. Não esperava que o Mílton, por ser um jornalista de escol, deixasse de escrever um texto compatível com a profissão que ele escolheu. Parabenizo-o por tua isenção,meu filho. Não consigo,ao contrário de ti,porém,aproveitar a minha aposentadoria para opinar neste Face.

  4. Luiz Roberto, obrigado pela sua análise pertinente, especialmente por trazer o olhar do historiador que também depara com tais circunstâncias na busca da verdade.

  5. Carlos, obrigado pela participação nesta discussão. O tom certo é sempre a meta, mesmo que para muitos isto seja omissão ou partidarismo, dependendo do que você descreve como verdadeiro e da coloração partidária de quem ouve a descrição.

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