Das gravações de Nixon ao alerta de Nelson Rodrigues

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Partido Republicano, de Richard Nixon, em 17 de junho de 1972, invadiu a sede do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, para grampear telefones e buscar informações que pudessem beneficiar a campanha para a sua reeleição. O episódio, de notório conhecimento, tendo gerado inclusive o filme “Todos os homens do presidente”, indicado para oito Oscars, contêm ingredientes altamente qualificados, como o jornalismo investigativo dos repórteres do Washington Post. Entretanto, um fato marcante é a questão das fitas gravadas pelo próprio Nixon, no salão Oval da Casa Branca.

 

É inacreditável que ao saber da denúncia – dos cinco invasores, dois eram ex-funcionários da CIA e do FBI, e um cheque de 25 mil dólares do comitê do Partido Republicano foi depositado na conta de um dos invasores – , Nixon manteve a fita de gravação no escritório oficial do Presidente, mesmo durante as reuniões para analisar os fatos e a tomada de decisões sobre Watergate, comandada por ele.

 

Quando foi obrigado a enviar estas suas fitas à justiça americana, Nixon renunciou. Em 9 de agosto de 1974.

 

É também inacreditável, que passados 42 anos, os homens no poder ainda não consigam se controlar em relação às gravações. Gravando ou falando.
Tudo indica que é o poder que os embala em uma imaginária blindagem.

 

Em outro tema, Nelson Rodrigues já alertava aos incautos políticos que se aventuravam aos estádios de futebol, do risco que corriam. Era frequente o seu aviso de que o Maracanã vaiava até minuto de silêncio.

 

Da mesma forma, políticos não são bons entendedores, pois as manifestações atuais são da mesma espécie que plateias de torcedores, e certamente estarão vaiando oportunistas de aplausos ou de votos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

9 comentários sobre “Das gravações de Nixon ao alerta de Nelson Rodrigues

  1. Penso que como servidora do País a Presidente deveria ter vergonha em querer impedir a transferência de suas ações. E não querer levar para o foco de ilegalidade na escuta. Me parece mais do que ilegal , imoral, ela usar um cargo que deve ser para servir ao País , para proteger seu amigo…. oi chefe.

    • Prezada Sirlene, em tudo isto vejo uma grande incompetência. Dos eleitores, da Presidente, e de todos que estão envolvidos neste momento de crise. O estado atual da economia brasileira é muito grave. E, o pior é que os protagonistas não estão pensando no Brasil.
      A revista THE ECONOMIST, importante veiculo de comunicação mundial sugere a renúncia como uma das medidas para remediar o caos vigente.

  2. Parabéns pela lucidez na análise dos fatos pois ultimamente vemos atos e fatos que tentam manipular a realidade que as ruas demonstraram, que os índices econômicos nos apavoram e o cotidiano duro de uma recessão nos assola.

    O fato é claro: a interceptação telefônica dos aparelhos de Lula foi requerida pelo MP Federal e autorizada pelo Juiz Federal e o mais grave é que a Presidente da Republica se relaciona intimamente com uma pessoa investigada e no teor da gravação demonstrou cabalmente o uso da máquina pública em benefício de um investigado. Isto é muito grave. Mas as análises buscam deturpar esta realidade dos fatos. É preciso lucidez e senso critico e o texto acima demonstra tal lucidez. Parabéns!!!

  3. A meu ver o comentarista Kennedy Alencar errou hoje ao dizer que o Juiz Sérigo Moro Errou. Quem governa está a serviço do povo. Vou repetir: quem governa está a serviço do povo, deve satisfações ao povo. A divulgação das gravações é importante para que a população veja por si só o que está acontecendo, sem filtros estabelecidos por interesses diversos. Quem não quer ser flagrado em escuta que não converse com investigados. É importante não desviar o foco dos crimes, e com isso determinar lentidão nas investigações. Os fatos recentes mostram que, como país, precisamos ser MUITO RÁPIDOS na apuração de tudo o que está acontecendo, antes que manipulações mantenham no poder uma cultura autocrática e evidentemente contra a democracia. Antes de criticar a divulgação dos grampos, vamos criticar o financiamento ilegal (ao que tudo indica) da campanha de 2014 que contribuiu para a eleição do atual governo. Vamos focar no que interessa, que é salvar o país de uma cultura evidentemente desconectada do estado democrático de direito.

    • Prezado Nelson, há que lembrar que dentre a lista de acusações à Presidente que seus correligionários negam, existe o fato irrefutável das mentiras e acusações falsas usadas na campanha eleitoral que a elegeu.
      É bem verdade que outros também mentiram. De qualquer forma Dilma foi eleita mentindo e prometendo o que não poderia cumprir.
      Se fosse um produto, o Código de Defesa do Consumidor a tiraria do mercado de consumo.

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