Minirreforma eleitoral, coisa nenhuma, é reforma, mesmo!

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

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A modificação de mais de meia centena de dispositivos em três normas importantes não pode ser apelidada de minirreforma. Nem de brincadeira. Segundo o léxico, mini é aquilo que é pequeno ou menor. No caso, as recentíssimas alterações promovidas pelo Congresso Nacional às Leis Federais nºs 9.504/96 (Eleitoral), 9.096/95 (Partidária) e 4.737/65 (mais conhecida como Código Eleitoral) foram expressivas e refletirão imediatamente no pleito municipal de 2016.

 

Para melhor situar o contexto, convém recordar que mesmo tendo sido editada em 1997, portanto há pouco menos de duas décadas, a Lei Eleitoral brasileira já havia sido alterada três vezes. Em 2006, no vácuo da CPI do Mensalão, a Lei nº 11.300 proibiu a distribuição dos brindes de campanha, showmícios e outdoors. Três anos depois, a Lei nº 12.034 determinou que as cotas de gênero são obrigatórias e não mais facultativas. Também ficou estabelecida a exigência de apresentação pelos candidatos a presidente, governador e prefeito de suas propostas de campanha, a possibilidade de candidatos sem registro fazer campanha eleitoral em pé de igualdade com os demais, e uma série de aperfeiçoamentos técnico-jurídicos. Em dezembro de 2013, a Lei nº 12.891 (não aplicada no pleito de 2014) incrementou as exigências relativamente às pesquisas eleitorais, dilatou as possibilidades de pré-campanha, restringiu as pinturas e adesivos nos veículos e limitou as contratações de pessoal para campanhas, sobretudo de rua, entre outras providências.

 

Evidentemente que alterações em profusão ou larga escala impedem que entendimentos e estudos em torno de um determinado item ou conduta se estabilizem. Contudo, ajustes e adequações são inerentes numa matéria desta natureza, especialmente para oxigenar os textos legais, banir regras obsoletas e torná-las compatíveis à realidade.

 

Vejamos algumas mudanças que foram votadas.

 

Janela partidária – Por 323 votos a 115, o destaque do PSB ao Projeto de Lei nº 5.735/13 incluiu no texto da Lei Eleitoral a possibilidade de desfiliação, sem perda de mandato, numa janela de até 30 dias antes do fim do prazo de filiação exigido para as candidaturas. Esse permissivo, salvo a declaração de sua inconstitucionalidade, contempla todos os parlamentares em exercício (deputados e vereadores), já que titulares do Poder Executivo (presidente, governador, prefeito e vices) e senadores haviam sido acertadamente liberados pelo Supremo Tribunal Federal por meio de uma decisão tomada à unanimidade.

 

É importante que a legislação eleitoral de um país que se jacta democrático contemple um mecanismo como esse. Afinal, muitas vezes existe uma tensão insuperável entre filiado e partido, tenha aquele mandato ou não. Evidentemente que não se quer estimular o fisiologismo. Todavia, os partidos políticos muitas vezes tornam as situações de convivência insuportáveis, impedindo mandatários de exercer os seus mandatos. Nesse sentido, autorizar que o mandatário deixe a legenda a poucos meses de uma nova eleição é bastante razoável. O eleitor que julgue tal conduta. É assim em diversas outras legislações.

 

Prazo de filiação – Uma votação de 290 votos contra 157 reestabeleceu que a filiação partidária não mais será de um ano e sim de 6 meses, ou seja, a mesma que é aplicada para os magistrados que se filiam para concorrer após a aposentadoria. Essa regra vigorou anteriormente, sem maiores problemas.

 

Propaganda eleitoral – A propaganda eleitoral pelos candidatos e partidos somente será permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição. O prazo anterior referia 6 de julho. A intenção é baratear as campanhas eleitorais. O horário eleitoral de rádio e televisão passa a ser de 35 dias. Projetos preconizam sua redução para 15, o que seria o mais adequado diante dos escassos índices de audiência que apresentam.

 

Efeito suspensivo – Os candidatos cassados pela Justiça Eleitoral exercerão os seus mandatos eletivos até a decisão definitiva. Trata-se de uma importante inovação revogando o texto ilegítimo e superado do Código Eleitoral de 1965.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: bela vitória e um ótimo show, mas não dá pra relaxar

 

Grêmio 3×1 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Música e futebol voltaram a se misturar no meu fim de semana e acabei distante do Grêmio, sábado à noite, para acompanhar o penúltimo dia de shows no Rock In Rio, que comemorava 30 anos de edição. Eu havia estado por lá na primeira das grandes festas, em 1985, quando recém havia concluído a faculdade de jornalismo. Naquele tempo, nosso time já fazia parte da galeria dos maiores do mundo, com os títulos da Libertadores e do Mundial, anos antes. Foi também quando iniciamos a série do hexacampeonato gaúcho.

 

Dividi as apresentações, no Rio, com consultas ao meu celular, por onde recebia as informações do desempenho gremista, em Porto Alegre. Desta vez, o aglomerado de pessoas e, por conseguinte, de celulares estreitou a banda e impediu que eu conferisse o jogo pelo APP do Premier. Quando Giuliano abriu o placar, após mais uma boa troca de passes que se iniciou por Galhardo e Pedro Rocha, e praticamente selou a vitória com o segundo gol, com menos de meia hora de jogo, já havia curtido velhos ídolos de balada: Ultraje a Rigor e Erasmo, no palco Sunset, e Lulu Santos, que abriu os trabalhos no palco Mundo com um show dançante.

 

Lá de Porto Alegre, soube da façanha de outro velho ídolo: Andre Lima, que nunca nos fez morrer de paixão pelo talento, mas sempre se fez admirado pela maneira como se entregava pelo Grêmio. Em lugar de comemorar o único tento adversário, o que seria mais do que justificável, afinal está prestando serviços para outra camisa, preferiu homenagear o torcedor gremista sinalizando com as mãos o histórico placar de 5×0.

 

Os australianos do Sheppard não entusiasmaram nada na sequência das apresentações na Cidade do Rock, por mais que tenham se esforçado para ganhar o coração da galera. Em compensação, de Porto Alegre, sou avisado de que um outro estrangeiro acabara de dar um show com um chute incrível de perna esquerda: Maxi Rodriguez, que vinha devendo o bom futebol que se espera dele, pude conferir depois nos melhores momentos, fez a bola subir o suficiente para encobrir todos os jogadores que estavam dentro da área e descer o necessário para cair dentro do gol, fora do alcance do goleiro.

 

O Grêmio fez a lição de casa e deu mais um passo em sua paciente caminhada ao topo, e me deixou tranquilo para assistir às duas apresentações que realmente valiam o ingresso no Rock In Rio naquela noite: Sean Smith e Rihanna. Bem verdade que, quando o show estava no auge, passou ao meu lado um fã de Smith vestindo a camisa do Fluminense e logo me veio a cabeça a ideia de que por melhor que esteja a festa não dá pra relaxar.

Da danada

 

Por Maria Lucia Solla

 

Depressão

 

Insisto e repito que é preciso ter cuidado dobrado e multiplicado com a depressão!

 

A depressão é sorrateira, mas chega chegando. Disfarçada de tudo, menos dela mesma.

 

Penetra!
Oportunista!

 

Se vale do cansaço, da solidão, de uma doença qualquer, do escoamento da reserva financeira, do que encontrar pela frente, para se infiltrar por brechas intelectuais, emocionais, físicas e metafísicas. Sem critério. Sem a mínima decência.

 

é mal-falada
de tudo rotulada
de frescura a loucura
de fraqueza a moleza

 

de amor que não tem cura

 

é ladina a depressão
leva em plena luz do dia
toda a bênção que eu pedia
sem culpa sem coração

 

contamina tudo
do tom da voz ao ritmo da vida
que vira descompasso
a cada passo

 

O que acontece? O cardápio é extenso. Alguém diz A, e entendemos B, até que o povo percebe e nos manipula pelo desentender. Entende?

 

Nada como a fraqueza alheia para fazer do covarde um forte!
E os predadores se fartam, na cara dura.

 

mas como na vida
tudo tem o seu oposto
há os que ajudam muito
e por puro gosto

 

atenção!
muita atenção!
discernimento e organização
fogem da raia no primeiro escorregão
e entendemos literalmente
o que é meter o pé pela mão

 

já posso ver mais claro
quanto ela me custa caro
mas ainda tenho na boca
seu amargo gosto
suas garras no meu rosto
e a pecha de louca

 

Leia também o texto “De pressão”, publicado pela autora no Blog do Mílton Jung

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: a boneca que o Seu João comprou no Mappin

 

Por Luiz Silva

 

 

E assim que desembarcou na antiga rodoviária da estação da Luz, dentro do ônibus observou uma grande movimentação de pessoas que passavam rapidamente com enormes malas pra lá e pra cá.

 

O motorista abriu o compartimento que ficava na parte debaixo do ônibus, colocou as enormes malas do Senhor João no chão, conferiu o bilhete e fechou rispidamente o enorme “maleiro”:
 

 

– Felicidades e muito sucesso nesta grande metrópole!disse em tom de despedida.
 

 

O senhor João, sua esposa Maria e os seis filhos pequenos pegaram as enormes malas e saíram silenciosamente pelas ruas da redondeza sem destino, entraram num pequeno boteco e pediram alguns pastéis e duas tubaínas e lá ficaram a degustar os pastéis e olhando toda aquela movimentação da rua com muito receio da grande metrópole São Paulo.

 

Após saciarem a fome de todos, saíram ainda em silêncio olhando para o chão, enquanto as crianças admiravam com muita alegria e ansiedade tudo e todos.

 

Embarcaram em um ônibus lotadíssimo com destino a zona Leste onde poderiam rever um compadre que tinha vindo para a cidade há muitos anos e prontificou-se a recebê-los até que arranjassem um cômodo por lá mesmo, um emprego e a vida pudesse ganhar o seu rumo na cidade.

 

Durante o café da manhã o compadre disse ao senhor João:
– Olha compadre, vocês podem ficar aqui na nossa casinha morando conosco até “aprumarem”. Enquanto isso, tenho um pequeno serviço para o senhor!
O senhor João olhou para o compadre e foi logo perguntando:
– Mas que tipo de serviço eu poderia fazer se só sei capinar roçado, cuidar de gado e cortar lenha?

 

 
O compadre foi logo explicando que conhecia um senhor que trabalhava numa agência de publicidade e sempre estava precisando de pessoas para carregar algumas placas com propagandas pelo centro de São Paulo.
 

 

O senhor João um pouco receoso perguntou:
– Mas, Compadre, será que eu sirvo pra este tipo de serviço? Afinal nem ler e escrever eu sei!
– Ora compadre, é só carregar a placa pra lá e pra cá e ficar orientando o pessoal para ir até a loja, muito fácil o serviço e nem é necessário ser “letrado”.
 

 

      
No outro dia lá estavam os compadres descendo do ônibus no centro da capital e entrando numa agência de publicidade. O senhor João foi apresentado para um senhor obeso que fez algumas perguntas. E sem perder tempo, o levou até a frente da grande loja de departamento, chamada Mappin.

 

 
Após algumas orientações. o senhor João foi “abandonado” em frente a loja  com uma enorme placa que cobria todo o seu esquelético corpo e seguiu caminhando pela rua Sete de Abril com destino a Praça da República.

 

O senhor João muito apreensivo andava pela praça toda e sempre o seu olhar parava naquela enorme loja de departamento. Ficava imaginando o que poderia ser encontrado ali, na loja com aquele  enorme relógio e muitas letras, que ele não sabia o que dizia.

 

 
Pessoas passavam apressadas e a maioria nem parava para observar a insignificante presença do senhor João. No finalzinho da tarde quando a chuva despencou, todos correram para baixo de um toldo. E lá o senhor João coçou a barba e ficou morrendo de vontade de entrar na loja.

 

 
O senhor obeso apareceu e depositou uma quantia em dinheiro na mãos do senhor João. Desejou  boa noite e pediu que na manhã seguinte ele se apresentasse no mesmo lugar em seguida saiu apressado pelo viaduto do Chá.

 

 
O senhor João tomou coragem e entrou na loja. Vagarosamente atravessou o andar térreo, repleto de pessoas olhando tudo, e ficou a imaginar na grandiosidade daquela cidade. Foi andando entre alguns esbarrões, parou diante da vitrine que vendia brinquedos e perguntou, com sua humildade de praxe, quanto custava aquela boneca com um lacinho na cabeça. Atenciosa, a vendedora disse o preço, o senhor João enfiou a mão no bolso da carcomida calça e retirou a quantia exata para comprar o presente para a filhinha caçula.

 

 
Chegou em casa após viagem de duas horas dev ônibus, entrou sorrateiramente e depositou a bonequinha ao lado da filha que já estava dormindo. Tomou banho e foi dormir ao lado da esposa.

 

 
Adormeceu muito feliz com a imagem da grande loja de departamentos na cabeça e sonhando com o rosto de felicidade da filhinha no dia seguinte, quando abriria os olhos diante da linda boneca comprada no Mappin.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem a sonorização do Cláudio Antonio. Você pode participar, enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Maserati e Zegna combinam elegância e dinamismo em moda e automobilismo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ermenegildo Zegna e Maserati criaram uma coleção especial de acessórios de moda em homenagem ao lançamento da participação da empresa italiana de alta-costura no interior de novos modelos do fabricante de carros, o Maserati Ghibli e o Quattroporte. A coleção inclui casacos em couro, tênis de edição especial, lenços de seda, itens de marroquinaria e óculos de sol dobráveis.

 

Mestres artesãos de Zegna criaram um tecido de seda pura com um impacto visual extremamente elevado para o cockpit e assentos dos dois modelos que unem estilo e exclusividade. O tecido combina a sensação de suavidade suave com a aparência elegantemente técnica para entregar dinamismo e um toque contemporâneo, encontrado nos modelos mais emblemáticos da Maserati.

 

No mercado do luxo, é comum o uso do co-branding, estratégia usada por Zegna e Maserati há alguns anos e agora em novos modelos também. A prática consiste no desenvolvimento de um projeto unindo duas marcas com o objetivo de valorizá-las e fortalecê-las ainda mais.

 

O co-branding é uma das ferramentas mais importantes para posicionar a imagem de uma empresa que atue no luxo. Tem sido explorado com frequência no cenário competitivo global, em que cada vez é mais difícil diferenciar-se diante de consumidores extremamente exigentes.

 

A união parece mais do que perfeita: de um lado um dos ícones da moda de luxo no mundo e de outro um ícone do design automotivo de alto luxo. Parceria perfeita! Que visa reforçar valores, herança, história e tradição – algumas das premissas das marcas de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em “arketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: com time e futebol para garantir a vaga em casa

 

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Copa do Brasil – Maracanã (RJ)

 

Marcelo Oliveira, assim como o time, jogou para o gasto no Maracanã (foto: site www.gremio.net)

Marcelo Oliveira, assim como o time, jogou para o gasto no Maracanã (foto: site http://www.gremio.net)

 

Há partidas que me levam a escrever esta Avalanche antes mesmo de seu fim, tão ansioso que fico para compartilhar com os caros e raros leitores deste Blog o que vi e admirei. Outras me geram angústia, não porque não tenha gostado do que vi em campo. Muito antes pelo contrário. Geram angústia porque terminarão tarde da noite e me faltará tempo para descrever tantos feitos e fatos ocorridos no decorrer do jogo, a medida que tenho de tentar dormir imediatamente após o apito final, já que é de madrugada que se iniciam meus compromissos profissionais.

 

Desta vez demorei para chegar até aqui. Trabalhei, gravei, me reuni, conversei e, somente agora, início desta tarde infernal de São Paulo, encontrei tempo e vontade para sentar diante do computador e descrever a sensação proporcionada pelo empate na primeira partida das quartas-de-final da Copa do Brasil, na casa do adversário. É bem provável que esse meu desdém ao jogo no Maracanã tenha muito a ver com o nível de exigência do torcedor gremista nesta temporada. Quando se assiste ao time fazer apresentações de gala como tantas que assistimos desde a chegada de Roger (o 5×0 que o diga), o sarrafo fica mais alto, expressão que costumamos usar para mostrar que nos permitimos impor metas mais ousadas do que as conquistadas até então. É como se quiséssemos ver o Grêmio e sua excelência 100% das vezes. Eu sei que isso é impossível!

 

Na noite passada, o Grêmio foi competente para reduzir ao máximo o risco de tomar gol, seguiu empenhado em marcar a saída de bola do adversário e diminuir os espaços em campo, tanto quanto em mantê-la em seus pés com muita aproximação e trocas de passe. Ou seja, fez o que aprendeu a fazer bem há alguns meses sob nova orientação. Mas não fez muito mais do que isso, o que o impediu de sair com uma vitória que praticamente o encaminharia à semifinal da Copa do Brasil. A bola não passou de pé em pé com a mesma velocidade nem a troca de jogadores para abrir espaços na marcação foi tão evidente. Até vimos em um ou outro lance ensaios nesse sentido. Não o suficiente para merecer a conquista.

 

Sem ser chato, e se tem coisa que eu, como autor desta Avalanche e torcedor do Grêmio, não pretendo nunca ser é chato, apesar de acreditar que muitos pensem assim, ontem à noite, o Grêmio fez um jogo “Ôxo”, que é como o locutor esportivo Walter Abrahão definia as partidas encerradas em zero a zero, principalmente aquelas em que nenhum dos dois times fez por merecer um gol.

 

O resultado final nos faz decidir em casa por apenas um resultado: a vitória. Outro empate “Ôxo” nos remeterá ao drama da decisão de pênaltis, enquanto os demais placares todos favorecem o adversário. Na Copa do Brasil e seu regulamento estranho as coisas são desse jeito: se o time da casa empata sem gols na primeira partida não tem muito a lamentar. Enquanto quem jogou fora, fica se lamuriando por não ter marcado um golzinho só que fosse para desequilibrar a decisão no segundo jogo.

 

Seja como for, o Grêmio tem time, talento e muito futebol para chegar a semifinal com uma vitória maiúscula (perceba como hoje estou saudosista nos termos do esporte) diante de sua torcida.

Aumento de ICMS no RS, lei mais branda para armas no BR e nós é que pagamos por isso

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tivemos um dia movimentadíssimo, nessa terça-feira, em Porto Alegre. Já de manhã, o trânsito virou um caos, motoristas de ônibus e gaúchos que moram nas vizinhanças da Capital precisaram de muita paciência para chegar ao centro. A chuva intensa que vinha caindo e os funcionários públicos do Estado,dispostos a impedir que os deputados votassem o aumento do ICMS,a pedido do governador Ivo Sartori, se transformaram em barreiras quase intransponíveis para quem estava de carro ou no transporte público.

 

Convém lembrar a quem não é daqui que os funcionários vêm recebendo os seus salários com atraso e, ainda por cima, se sentem preocupados com aumentos de impostos,algo que ninguém aceita de bom grado. A simples ameaça de que a vida deles tende a piorar nos próximos meses,levou um bom número de manifestantes para a frente da Assembléia Legislativa,tentando impedir que o ICMS fosse votado.

 

Inicialmente os manifestantes foram obrigados a ficar atrás de grades que os impediam de se aproximar demasiadamente das portas da casa. De repente, a Brigada Militar foi surpreendida com os gradis sendo virados e se engalfinharam com a turba,procurando impedir que entrasse na Assembléia. A pancadaria foi exagerada. Armados com cassetetes e gás lacrimogêneo,os PMs – que aqui chamamos de brigadianos -, é claro,saíram ganhando. Três pessoas acabaram detidas e algumas,devido à furia dos soldados,ficaram feridas.

 

O tarifaço tem prazo de validade: será limitado até 2018. O IPVA para o bom motorista vai ser menor. Para que o desconto seja válido tem de ser pago,ao invés do mês de julho,já em abril.A vitória de Sartori foi pífia:28 a 27 votos. Seria interessante que nós,os eleitores desses políticos,ficássemos sabendo os nomes dos 28 que aprovaram o projeto que eleva a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

 

Veja aqui como cada deputado gaúcho votou o aumento do ICMS

 

Aqui no Rio Grande do Sul estamos obrigados a enfrentar o ICMS e os seus efeitos detestáveis,como são todos os impostos. Não são,entretanto,piores do que certas ideias, que pareciam mortinhas da silva e, subitamente, ressuscitam. É o que está acontecendo, segundo fiquei sabendo ao ler a Zero Hora do dia 21 de setembro. O jornal disparou esta manchete: ”Lei mais branda sobre armas em debate”. Os defensores do direito de se armar,dizem que, se os brasileiros pudessem contar com armas,menos pessoas teriam sido mortas em uma década. E acrescentam que os facínoras possuem arsenais mediante contrabando. A culpa disso não seria da venda em lojas,mas das falhas da fiscalização nas fronteiras.

 

Laudívio Carvalho, deputado do PMDB/MG,assegura que não faz apologia do armamentarismo, mas defende o direito de defesa do cidadão, uma vez que o Estado não tem competência para garantir a segurança.Nesta quinta-feira, deverá ser votado em Comissão Especial na Câmara, a redução de idade de 25 para 21 anos de quem deseja se armar. O assunto é muito delicado e gera controvérsia entre os que defendem o uso de armas e os que não o aceitam. Se aprovada na Comissão Especial, a proposta de abrandar o estatuto irá ao plenário, em votação única. Confesso que não consigo imaginar o que seria mais seguro para o cidadão brasileiro.

 

Veja aqui como conversar com seu deputado sobre a lei que muda regras para uso e porte de armas no Brasil

 


Milton Ferretti Jung é jornalista,radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O que você pode fazer pelo Brasil

 

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Por Carlos Magno Gibrail

 

O que você pode fazer pelo seu país, é simples, é não perguntar o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país.

 

Essa foi uma colocação feita por John Kennedy ao tomar posse como presidente dos Estados Unidos, em 1961. Os resultados positivos da proposição vieram tão fortes quanto uma rancorosa oposição. Kennedy foi assassinado, mas seu legado é indiscutível.

 

O Brasil em sua história vem na linha do que podemos servir dele, e não na postura de como podemos servi-lo. É fato, no poder público e privado. Executivo, Judiciário, Legislativo, e também no empresariado e trabalhista.

 

O caos que ora se apresenta escancara esta postura. Alguns episódios pontuais exemplificam:

 

– Crescente número de ministérios em cada período presidencial, chegando à exorbitância de 39. E não podemos dizer que os aumentos foram por vontade dos presidentes, pois sabemos das pressões partidárias por poder e dinheiro.

 

– Aumento gradativo de cargos nomeados, chegando a incrível marca de 21.000 servidores.

 

– Sistema eleitoral que incentiva a criação de novos partidos, estabelece longo período de campanha, permite doação de empresas, cria reeleição, obriga o voto.

 

– Partidos sem programas, sem ética, que chegam à posições politicas de acordo com o status de situação ou oposição. A CPMF é um marcante exemplo. Se o partido é situação é apoiada, se é oposição, é combatida.

 

A noite de ontem e madrugada de hoje emblematicamente referendaram este raciocínio de que o objetivo dos partidos que lá estão é alcançar as metas individuais de poder, pensando no que o país pode dar a eles, pois o Congresso que não aprovou cortes no orçamento e votou em aumento de vultosas despesas, aprovou o veto que a presidente efetivou.

 

Independentemente do resultado da votação – e 26 dos 32 vetos foram mantidos, os demais serão analisados hoje ou nos próximos dias -, a verdade é que o poder Legislativo demonstrou que mais se serve do Brasil do que serve ao Brasil.

 

Um bom momento para adotarmos o pensamento de Kennedy.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Sete características essenciais para ser jornalista

 

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A pergunta se repete a cada contato que recebo, seja de professores seja de estudantes da área de comunicação. Quais as características essenciais para se exercer o jornalismo com competência e adaptado aos novos momentos da comunicação? Como toda pergunta, esta gera o desafio de refletirmos sobre a profissão que escolhemos. É bem provável que, além daquelas que selecionei, existam muitas outras características importantes para que o jornalismo seja realizado com eficiência. Algumas resistiram a troca da máquina de datilografia pelo teclado do computador. Novas se somaram a essas necessidades.

 

Vamos a lista e veja se você concorda com a minha ideia:

 

Seja curioso, como sempre teve de ser para descobrir os fatos que podem construir uma notícia.

 

Seja desconfiado, para não ser refém das versões oficiais ou verdades aparentes.

 

Seja versátil, já que precisa saber um pouco de muitas coisas.

 

Seja ágil, especialmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja preciso, principalmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja ético, porque não há técnica que resista a falta dela.

 

Seja multilplataforma, pois do jornalista se exige capacidade de adaptação de seu produto a qualquer mídia.

Avalanche Tricolor: do Grêmio de Roger ao show de Rod Stewart

 

Palmeiras 3×2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembú/SP

 

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As atenções estavam divididas, e não menos intensas, entre dois estádios paulistanos, na noite de sábado. Em um, o Grêmio levaria a campo as forças que lhe restaram até aqui, depois de longa maratona para sustentar-se entre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro – privilégio de poucos, registre-se. Em outro, Rod Stewart elevaria-se no palco com a energia de quem resistiu a chegada dos 70 anos, mesmo após carreira em que hits e drogas foram produzidos e consumidos quase na mesma proporção.

 

Mesmo que a distância entre o Pacaembu e o Allianz Parque, ambos na zona Oeste de São Paulo, seja curta, seria logisticamente impossível assistir aos dois shows na mesma noite sem abrir mão de parte de um deles. Decidí-me por acompanhar o Grêmio, ouvindo a transmissão da CBN ou vendo alguns lances no APP do Premier, conforme permitisse o sinal da minha operadora de celular.

 

A Rod Stewart, dediquei o restante da noite, em uma cadeira da arquibancada superior da Arena que me dava o privilégio de ouvir mais do que ver. Um telão posicionado em um dos lados do palco oferecia imagens detalhadas do ídolo dos anos 70/80, que me fez perceber que o tempo deixou marcas, mas totalmente superadas pelo talento.

 

Lá no Pacaembu, as marcas do tempo eram claras na formação da equipe sem seis de seus principais jogadores, sendo três deles, Grohe, Geromel e Giuliano, insubstituíveis. Nessa lista de ausência, é sempre bom lembrar, havia ainda Maicon, o titular na frente da área, e Edinho, seu reserva direto. Galhardo também estava fora. Lesões e cartões pesaram neste jogo contra adversário que vem forte na competição e precisava da vitória para se manter vivo nela.

 

Mesmo diante de tantos desfalques, o Grêmio de Roger manteve-se fiel a sua forma de atuar, sem negar-se a jogar futebol de qualidade, mantendo o domínio da bola, apesar da dificuldade para fazê-la chegar ao gol, e marcando no campo ofensivo – foi assim que saiu o gol de empate. Contou ainda com o talento de Luan que fez os dois gols gremistas. Para ter sucesso, porém, o time de Roger necessitava de precisão na defesa, o setor que se mostrou mais fragilizado pelas ausências.

 

No Allianz Parque, Rod Stewart surpreendia com tanta disposição para repetir as músicas que marcaram diferentes etapas da nossa vida – da minha, com certeza. A voz rouca, que se temia ser perdida após cirurgia, estava de volta para embalar “Tonight’s the Night” e “It’s a Heartache”, e emocionar com “Have You Ever Seen the Rain?”, de Creedence Clearwater Revival, “Forever Young”, “Sailing” e “Da Ya Think I’m Sexy”. Havia, também, referências ao futebol com imagens do Celtics (ironicamente verde e branco) e bolas autografadas que o músico chutou para o público. Aliás, para um “senhor”de 70 anos, a força do chute também chamou atenção, apesar de as moças terem se entusiasmado mais com o rebolado.

 

Rod Stewart, no palco, mostra porque é eterno e nos emociona. Roger, no Grêmio, se lhe derem tempo, consolidará um estilo de futebol capaz de provocar muitas emoções ainda.