Refugiados podem salvar a Europa de suicídio demográfico

 

000_ts-par8243132_610x340

 

A onda de refugiados pode se transformar em oportunidade para a economia da Europa, segundo o vice-presidente do Banco Europeu, Vítor Constância. A afirmação do dirigente português foi um dos destaque na conversa de hoje com o jornalista Lourival Sant’Anna, recém-chegado a equipe do Jornal da CBN e titular do CBN Internacional, que faz parte do Time das Nove. De acordo com o nosso comentarista o argumento de Constância é que o continente europeu está vivendo um suicídio demográfico com a baixa natalidade e o envelhecimento da população. Diante desse cenário, os imigrantes podem se transformar em capital humano valioso, pois são pessoas formadas, geralmente jovens e com desejo de trabalhar.

 

 

Assim que Lourival trouxe o tema para nosso bate-papo pela manhã, lembrei de texto publicado aqui no Blog, semana passada, assinado pelo colaborador Carlos Magno Gibrail sob o título “Imigração pode gerar riqueza” quando apresentou análises que são feitas desde o início da década passada e ratificadas por diferentes economistas. Os números porém, ainda, não foram suficientes para sensibilizar dirigentes e nações, movidas, segundo Gibrail, “de um lado pela preservação de culturas locais e até mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados”

 

Aproveito para reproduzir o texto publicado, originalmente, quarta-feira, dia 9 de setembro:

 

Em 2005, Dilip Rhata, economista do BIRD,concluiu estudo em que um aumento de 3% na força de trabalho pela imigração acarretará um acréscimo de 0,6% no PIB. O produto realizado será de US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões para os imigrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países ricos.

 

Paul Krugman já havia feito um trabalho em que concluiu que, inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas em longo prazo há um movimento contrário, pelo retorno dos investimentos.

 

Em 2013,dezenas de renomados economistas da Universidade de Chicago foram perguntados se o americano médio estaria melhor se estrangeiros com baixa qualificação entrassem no mercado de trabalho: 50% Sim, 28% dúvida e 9% não. Entretanto, se fossem trabalhadores qualificados: 89% sim e 5% incertos.

 

Embora a teoria econômica ainda não tenha uma convergência a esse respeito, há até estudos que estimam um crescimento do PIB mundial de 20% se não houvesse barreiras à imigração. O fato é que a maioria dos economistas considera a imigração compatível com a geração de riqueza. E, essa anuência econômica, não tem sido o bastante para que as barreiras à imigração tivessem diminuindo. De um lado pela preservação de culturas locais e atém mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados.

 

Entretanto, a foto do menino na praia, viralizada mundialmente, acelerou um processo que os economistas não tinham conseguido.

 

A emoção suplantou as ressalvas e as nações começaram a se reposicionar. A Alemanha saiu na frente, e vimos na FOLHA de ontem:
“Com sua força econômica, a Alemanha pode receber meio milhão de refugiados por ano a médio prazo, afirmou o vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel.”

 

Angela Merkel anunciou que vai destinar 6 bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes e afirmou que o fluxo em massa de imigrantes mudará o país, prometendo trabalhar para que estas modificações sejam “positivas”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Desafio Intermodal chega a 10a. edição com bicicleta e moto mais eficientes

 

3969912627_0bdc3a0652_z

 

Será realizado hoje, o 10º Desafio Intermodal da Cidade de São Paulo. O ponto de partida será a Praça Gal Gentil Falcão, na Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, no Brooklin, com chegada em frente à Prefeitura de São Paulo(Centro), distante cerca de 10 quilômetros. Neste ano, participarão pessoas com bicicleta, carro e moto, que são os mais usados modais individuais, além de ônibus, trem e metro, que são os principais modais coletivos. Haverá, mais uma vez, participante fazendo o trajeto exclusivamente a pé (caminhando ou correndo), assim como patins, skates, ciclistas com bicicletas dobráveis compartilhando o transporte público.

 

O Instituto CilcoBr, que organiza o evento, preparou uma análise comparativa sobre os resultados registrados nos nove anos de Desafio que reproduzo, em parte, aqui:

 

Apesar do tempo ser o principal indicador para avaliar o desempenho de um modal, também levamos em conta os gastos dos modais com combustível e estacionamento, além da quantidade de poluição que o mesmo emitiu, portanto nem sempre o veículo mais rápido pode ser considerado o mais eficiente, até porque alguns modais mais rápidos possuem custos extremamente elevados (como o Helicóptero por exemplo) o que inviabilizaria a popularidade do mesmo, ou seu uso como uma alternativa eficaz para solucionar os problemas de congestionamentos das nossas cidades. 

 

Embora haja vários critérios para se avaliar, nessa análise feita por nós do Instituto CicloBR, vamos nos concentrar apenas no tempo dos modais mais utilizados e de acesso mais comum. Abaixo uma breve análise que realizamos quando comparamos o desempenho dos principais modais já testados nos Desafios realizados pelo CicloBR.

 

01Grafico_Completo

 

Com base nesse gráfico, podemos analisar que desde as primeiras edições, tanto a bicicleta (seja por vias rápidas ou mais tranquilas), como a moto, foram infinitamente mais eficientes que o carro, que raramente fez seu deslocamento em menos de uma hora.

 

Nos primeiros anos, os participantes escolhidos, tanto para a bicicleta como a moto, eram pessoas que não tinham esses modais como principais formas de deslocamento, ainda assim conseguiram ser mais eficientes que o carro no quesito tempo. A partir de 2009, passamos a colocar ciclistas menos experientes por vias tranquilas e mais experientes por vias rápidas, escolha natural da maioria dos ciclistas que trabalham ou já trabalharam realizando entregas (também conhecidos como “Corriers”). O mesmo fizemos com os motoqueiros, quando não trabalham como motoboys, são motociclistas que usam seu veículo diariamente como forma de deslocamento.

 

Essa escolha acabou gerando uma relativa “disputa” entre esses dois modais, mas também serviu para mostrar a viabilidade desse serviço de entrega de documentos, que atualmente em São Paulo é monopolizados pelas motos.

 

Acesse aqui o estudo completo desenvolvido pelo Instituto CicloBr

Avalanche Tricolor: vitória deixa o Grêmio na briga pelo título

 

Atlético(PR) 1×2 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira/Curitiba

 

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

 

Dos gremistas que andam por São Paulo, é o Sílvio quem compartilha comigo as percepções sobre o Grêmio com mais frequência. Praticamente toda a semana trocamos telefonema para falar de nosso time, em geral nos dias que antecedem a partida e, com certeza, no dia seguinte. Hoje não foi diferente, e quando o Sílvio me ligou querendo saber o que seria desta noite, em Curitiba, não tive dúvida em dizer que era o jogo definitivo.

 

Explico porque resposta tão drástica (ou definitiva): depois de duas partidas sem vitória, de vermos o líder do campeonato se distanciar e, principalmente, os demais concorrentes à vaga para Libertadores se aproximarem, teríamos pela frente duas disputas fora de casa. Vencer, hoje, poderia não nos deixar mais próximo do topo, mas nos manteria na briga do título, fora do alcance daqueles que vêm logo atrás e, fundamentalmente, dentro da Libertadores. Perder ou empatar, além de revelar uma fragilidade que ainda não havia se revelado desde a chegada de Roger, passaria a se ver ameaçado por uma quantidade grande de times que vêm reagindo nas últimas rodadas.

 

O que vimos no Couto Pereira foi a manutenção de um futebol que tem sido jogado desde que Roger assumiu o Grêmio. Até tivemos momentos de baixa produção neste campeonato, mas o tipo de jogo imposto pela nova gestão se manteve durante toda a competição: intensa troca de passe e movimentação de jogadores, além de marcação eficiente desde a área adversária. Isso se repetiu nesta noite, mesmo diante da forte pressão. Até poderíamos ter ficado mais tempo com a bola no pé, mas houve um ingrediente que me chamou atenção e agradou muito: privilegiamos o passe para frente em detrimento do recuo de bola. Isso faz com que o time se torne mais ofensivo ainda e fique mais perto do gol.

 

Os dois gols que assistimos foram resultado do mesmo tipo de jogo. Deslocamento de jogadores com troca de posição constante, confundindo a marcação, e passes precisos que deixaram nossos atacantes na cara do gol. Tudo isso se somou a categoria e a tranquilidade com que Douglas e Luan concluíram as duas jogadas fatais.

 

Em resumo: estamos na briga!

O que taxistas e árbitros de futebol têm em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Carlos

 

As recentes manifestações de taxistas e os depoimentos de árbitros de futebol defendem a manutenção das condições atuais de suas funções e atribuições, repudiando a inovação que ora lhes é apresentada. É coerente, mas não é inteligente.

 

O naturalista Charles Darwin já demonstrou que a preservação das espécies é efetivada pela adaptação às mudanças. Mais recentemente o economista Joseph Schumpeter alertou que as novas tecnologias destroem antigos modelos de negócios e profissões, mas é inevitável.

 

O tema é recorrente, pois uma análise do passado reflete a repetição deste processo (inevitável) de inovação.

 

Não é difícil apostar no predomínio do Uber contra os taxistas, do WhatsApp contra as telefônicas, da Netflix contra as TVs a cabo. É o novo contra o velho. Ou será que as pessoas irão preferir médicos, remédios e hospitais sem tecnologia?

 

Os taxistas de São Paulo teriam melhor caminho se absorvessem a tecnologia em benefício próprio, e entendessem que o Uber é o futuro, enquanto o ponto será coisa do passado. Por bem ou por mal.

 

De outro lado, a proposta da CBF, de experimentar o uso da tecnologia simples, agregando um árbitro com recurso da imagem para dirimir dúvidas, recebeu dura oposição de árbitros notáveis.

 

Estes árbitros-personagens, com espaço nobre nas TVs, antes de criticar, deveriam estudar outros esportes que utilizam os recursos eletrônicos como tênis, handebol, vôlei, futebol americano e atletismo. Mesmo porque a tecnologia criou uma emoção adicional, por exemplo, no tênis, quando se espera a imagem de um desafio que pode decidir uma partida.

 

As cidades e o futebol esperam em breve a tecnologia que ora lhes é negada, com a dúvida de quando virá, mas a certeza que virá.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto do taximetro capelinha é do Blog FuscaClassic

 

A foto do árbitro de futebol é do álbum de Andrea Re Depaolini no Flickr

O desafio que a união do rádio com a internet impõe aos estudantes de jornalismo

 

 

O interesse de estudantes de jornalismo pelas novas tecnologias não me surpreende, mas chama atenção como tenho sido procurado para relacioná-las ao rádio, o que me entusiasma pois sempre acreditei na internet e nas demais ferramentas que surgiram, dentro dela ou a partir dela, como caminho para propagar o trabalho que realizamos. O que me deixa ainda mais satisfeito é que a CBN é a grande referência que esses jovens têm quando tratam do tema, resultado do investimento que se tem feito em inovação, desde o seu surgimento, em 1991.

 

Nesta semana, o estudante de jornalismo David Paulo e seu grupo, do 4º ano de jornalismo, da Uninorte, em Manaus (AM), que estão realizando trabalho sobre o livro “Jornalismo de Rádio”, que escrevi em 2004 e foi editado pela Contexto, me convidaram para, em vídeo, falar sobre a ideia de que a internet é o novo oxigênio do rádio, defendida por mim desde aquele tempo.

 

No vídeo que será apresentado pela turma e compartilho com você agora, falo do desafio que rádio, redes sociais, podcast e internet impõem aos jovens jornalistas que se preparam para atuar neste mercado da comunicação.

Um Porto Seguro: romance e suspense direto das páginas de Nicholas Sparks

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Um Porto Seguro”
Um filme de Lasse Hallstrom
Gênero: Romance
País:EUA

 

Uma jovem e bela moça chamada Katie se muda para uma cidadezinha da Carolina do Sul e conhece Alex. Apesar de sua discrição e distância, Alex, um viúvo gato com 2 filhos, acaba conquistando Katie… O que Alex não sabe é que Katie esconde um segredo de seu passado recente.

 

Por que ver:
Se você gosta de romances água com açúcar, mas com algum suspensezinho, é para você. Obra adaptada do livro de Nicholas Sparks, lembra os outros filmes baseados em seus livros… Eu, particularmente, gosto de todos… Meus colegas cineastas e críticos de cinema acham ruim… O público classifica como muito bom…

 

Como ver:
Tá fazendo nada? Quer relaxar? Pronto, achou a hora! Pegue a gatinha ou gatinho, faça uma pipoquetz, um churros congelado de sobremesa e manda bala no play!

 

Quando não ver:
Acabou o futebol e aquele monte de marmanjo resolve ver um filminho… Este, de fato, não é uma opção quando a sala esta repleta de testosterona!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Adote um vereador: um tanto de gente no Pateo e mais um montão no Santa Maria

 

Adote_Set_Fotor

 

Chego cedo e sento na mesa menor. É uma forma de não criar falsas expectativas. Gosto da sensação de mudar para a mesa ao lado, na qual cabem mais cadeiras, a medida que as pessoas vão se aprochegando, pois tendo a acreditar que estamos contaminando mais pessoas com a ideia de participação na política local. Ir direto para a mesa grande e sair de lá com cadeiras vazias me causaria tremenda e indesejável frustração.

 

Nesse sábado, como em todos os segundos sábados do mês, quando os adeptos e simpatizantes do Adote Um Vereador se sentam para conversar no café do Pateo do Collegio, no centro histórico de São Paulo, sei lá por qual motivo, fui direto para a mesa maior, que fica quase no fim da área destinada ao café. Além do risco que assumia, ainda fui para o lugar mais frio dessa tarde muito fria na capital paulista.

 

A mudança no clima havia espantado os turistas que costumam frequentar o Pateo o que aumentou a impressão de isolamento naquela mesa grande. E ali, sozinho, permaneci por algum tempo. A temperatura baixa, próxima dos 15 graus, com sensação térmica ainda menor, graças ao vento no alto da cidade, mais os recados de alguns integrantes do Adote, que havia recebido desde o meio da semana, anunciando a ausência por diferentes e sempre justificáveis motivos, me fizeram temer que, finalmente, chegaria o dia em que eu seria o único participante do encontro.

 

As reuniões informais do Adote costumam ser momentos de relacionamento pessoal, oportunidades para contar alguma novidade, tirar dúvidas ou colocar a conversa em dia. Não temos organização, pauta a ser cumprida ou atas para se preencher. Nunca foi esse nosso objetivo, mesmo porque o Adote jamais se constituiu uma entidade, mantém-se, desde 2008, como uma ideia a inspirar cidadãos, de São Paulo e de outras cidades brasileiras.

 

Há alguns meses tenho me questionado sobre o que seria necessário para tornar essa ideia ainda mais inspiradora e reforçar o sentimento de cidadania nas pessoas. Tenho conversado com alguns ativistas mais experientes e muita gente ligada às novas tecnologias, pois acredito que este será o caminho para ampliarmos o alcance do nosso trabalho e, principalmente, impactarmos a ação dos vereadores (se você tiver sugestões mande para nós).

 

No frio e na mesa do café, a espera de alguém que aparecesse, pensei em saídas melhores para tornar o Adote mais influente em suas ações. Peguei o bloco de anotações para organizar o pensamento, porém mal havia começado a escrever e o primeiro parceiro apareceu, depois o segundo, o terceiro acompanhado, o quarto surgiu cheio de animação, o quinto estava com o filho a tiracolo e as cadeiras passaram a ficar ocupadas até precisarmos pegar assentos extras nas mesas ao lado… de repente, estávamos todos lá contando suas experiências, convencendo uns a fazer mais e tentando ajudar outros a encaminhar suas reivindicações.

 

A Sílvia, o Cláudio e o Marcos Paulo que andavam distantes, voltaram. O Moty trouxe companhia. E ainda convidou o Mário que nunca havia aparecido, que chegou de bicicleta acompanhado pelo filho pequeno. O Sandro também foi novidade e se mostrou entusiasmado em encarar a ideia de ficar de olho no que acontece na Câmara. A Lúcia e a Silma dificilmente faltam.

 

Foi, então, na conversa que tivemos que lembrei de registrar para “constar em ata” que naquele mesmo instante havia mais um monte de gente participando ativamente da política na cidade, motivada pelo Adote um Vereador. É que a Maria Cecília, professora do colégio Santa Maria, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, tinha mandado e-mail informando que, no sábado, o projeto Câmara no Bairro estaria lá na escola.

 

O que isso tem a ver com o Adote? Muito, pois foi inspirada na nossa ideia que a Maria Cecília mobilizou os alunos do EJA – Educação de Jovens e Adultos e os fez mapear quem eram os vereadores da região, identificar que trabalho cada um deles fez ou deixou de fazer pela cidade e cobrar ações de melhoria para o cidadão. Segundo ela, os vereadores aceitaram a ideia de levar o programa do legislativo “devido ao enorme sucesso obtido no projeto desenvolvido, pelos alunos da Educação de Adultos, após aderirmos a sua ideia de ADOTARMOS UM VEREADOR”.

 

Naquela altura do encontro, o frio não era mais problema, o sentimento de solidão havia passado e se firmava a ideia de que, aos trancos e barrancos, seguimos em frente motivando mais e mais pessoas.

 

Agora, só falta você!

Avalanche Tricolor: a teoria do omelete se confirmou

 

Grêmio 1×2 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Edinho tenta sair jogando (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

Edinho tenta sair jogando mas tem dificuldade para driblar o omelete (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

 

Já falei pra você da teoria do omelete? Provavelmente, não. Aproveito o domingo, então, para dividir com você esta tese muito particular que venho construindo há algum tempo. Costumo lembrar dela nas manhãs dominicais quando acordo bem mais cedo do que toda turma aqui em casa, vou para a cozinha e começo a preparar meu café. Mudo muito pouco o cardápio matutino, dando preferência para o café preto, duas xícaras, normalmente, e um omelete (tem quem prefira chamá-lo de a omelete). Pode variar a quantidade de ovos e a mistura. Às vezes faço experiências nem sempre com sucesso. Mas me divirto diante do fogão, aliás, momento raro no meu cotidiano pois tendo a ser um desastre cozinhando.

 

Vamos, porém, ao que interessa: a teoria do omelete. Você deve saber que depois de despejar os ovos batidos com um fio de leite na frigideira, o que o deixa “espumoso”, cobrir com frios e salpicar a mistura do dia – pode ser azeitona, cebola picada, tomate cortado bem fininho ou qualquer outra coisa que aparecer na frente – deve-se esperar o momento certo para virar o omelete. Com a mão direita bem posicionada e dedos firmes envolvendo o cabo é necessário um movimento rápido e preciso que permita que a massa de ovos já consistente suba a meia altura, vire de cabeça para baixo e caia novamente na frigideira. Manobra que, você que já fez um omelete há de confirmar, nem sempre é feita com sucesso.

 

É no momento da virada do omelete que minha tese se concretiza. Porque se no início do domingo, quando a maioria das pessoas ainda dorme, os bichos me acompanham da porta da cozinha com olhar preguiçoso e os santos ainda aguardam nossos pedidos na parede da Igreja, o omelete sobe, vira e desce no ponto certo, sem sujar nada no fogão, eu tenho certeza de que aquele será um domingo especial. Um dia de satisfação com a família, sem visita de gente chata, pouco trabalho extra e, claro, uma vitória no futebol da tarde.

 

Tem domingo, porém, que a virada do omelete é feita sem muita firmeza, pega-se o cabo de forma desajeitada, o movimento para o alto sai inseguro, e o ovo despenca pelas bordas da frigideira, lambuzando o fogão por inteiro. Ao assistir à esta cena e antes mesmo de correr para pegar o pano de prato e tentar limpar a sujeira feita, fico sempre com a impressão de que alguma coisa vai dar errado naquele domingo. Coisas como o goleiro titular que está voltando ao time depois de três jogos ter torcicolo e não conseguir entrar em campo; o zagueiro que vinha realizando uma sequência de atuações perfeitas e acaba de servir sua seleção errar todos os botes que tinha para dar durante a partida; o craque da equipe tropeçar na bola; e a equipe que se destaca pelo toque refinado e marcação impecável errar mais de 40 passes no jogo e ser incapaz de segurar os contra-ataques adversários.

 

Acho que não preciso dizer para você o que aconteceu com o meu omelete nessa manhã de domingo. Mas, tudo bem: vou continuar tentando acertar meu omelete e jamais deixarei de acreditar no Grêmio.

De tentativa

 

Por Maria Lucia Solla

 

FullSizeRender

 

o papel
insiste no branco puro
a palavra
no crucial momento da emissão
se perde na vida
vira a casaca

 

o bom fica babaca
a certeza perde a realeza a pose
e a casaca

 

a impermanência exige atenção
pula
se estica
faz careta
me mostra a foto da permanência
coitada
correndo na contramão
envelhecida e mofada
destruída

 

cena triste de se ver

 

insisto ainda um pouco
busco temas teoremas
que ratifiquem a minha razão

 

mas me perco no local do encontro
de mim mesma com a emoção

 

apago tudo
faço a vontade do papel
dou à palavra alforria
ao bom o seu complemento

 

e
bem

 

a certeza
não encontrei
ouvi dizer que ela e a razão
se mandaram para Canoa Quebrada
e que vivem disfarçadas
de sardinhas enlatadas

 

E voilà

 


Maria Lucia Solla escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: os velhos e bons meninos do “Canto do Rio”

 

Por João Batista de Paula

 

 

No Conte Sua História de SP, o texto do senhor João Batista de Paula que está com 83 anos e mora em Interlagos. Mas o olhar dele está no Itaim Bibi e o texto é para homenagear um time de futebol, formado por meninos, lá na região

 

Era verão de 1941, portanto estávamos em pleno século 20. Local: a várzea do Itaim Bibi. Éramos uns trinta ou mais meninos que variavam a idade de nove a doze ou treze anos. Era a turminha da parte baixa do Itaim Bibi.

 

Eram as esperadas férias escolares de um verão que ficou marcado para todo sempre entre mil brincadeiras nas matas, nos campos, caçar pássaros, montar em cavalos sem permissão do dono, nadar nas muitas lagoas onde éramos bons nadadores. Em tudo o que fazíamos, as traquinagens de alguns meninos mais aventureiros não tinham limites. Só terminavam à noite, ali pelas nove ou dez horas, depois de passarmos por outras brincadeiras de rua. Naquele local não tinha asfalto nem iluminação nas ruas. O que era quase uma regra, os pequenos jardins nas casas. Naquele tempo, os meninos já tinham suas namoradinhas e as brincadeiras só terminavam quando a canseira nos alcançava.

 

Foi naquele verão de 1941 que, no nosso treininho diário de futebol, no campinho da Rua do Porto, começou um movimento entre os amigos: precisávamos fundar um time de futebol, coisa difícil devido a idade dos meninos, mas aqueles garotos eram diferentes, eram duros na queda. O campinho ficava em um terreno, ao lado da casa do Sr Deja, onde os meninos bebiam água e se refrescavam após o treininho. Nos fundos, o Córrego do Sapateiro, onde o Sr Souza, pai do Armando e do Nico, tinha um porto de areia. Era seu ganha pão. Alguém, olhando o monte de areia, pronta para a entrega, teve a feliz ideia de falar com Sr Souza se podíamos tirar areia de seu porto. imediatamente, ele não só permitiu como ajudou em tudo, como ferramentas e comprador para o produto. Foi também ele quem orientou os meninos no difícil trabalho que iam enfrentar: tirar areia do córrego do sapateiro para fazer fundos para compra de material esportivo.

 

Tudo começou ali. Quando o verão do ano de 1941 terminou, nós tínhamos um time de futebol com o forte nome “Canto do Rio” sugerido por Pedro Chaves, um adolescente da época. Não tínhamos a mínima ideia de quantos anos essa epopeia ou desafio de um punhado de meninos ia durar. Neste verão do ano de 2015,  agora em pleno século 21, já vislumbrando o centenário, com endereço próprio e vários bens, uma diretoria devidamente legalizada tem a difícil tarefa de zelar pelo enorme prestígio que o clube adquiriu nestes 74 anos de fundação.